Max Julien (1933–2022)
O ator Max Julien, que estrelou o clássico blaxploitation “The Mack”, morreu no dia de Ano Novo no Hospital de Sherman Oaks, em Los Angeles, aos 88 anos. A causa da morte ainda não foi determinada. Julien começou a carreira em outro famoso título de blaxploitation, como coadjuvante em “The Black Klansman” em 1966, antes do gênero dos filmes criminais com astros negros e trilha funk virar uma vertente cinematográfica. Sua filmografia repleta de cult movies ainda inclui o psicodélico “Busca Alucinada” (Psych-Out, 1968), com Jack Nicholson roqueiro, o sensacional “O Poder Negro” (1968), em que Jules Dassin antecipou “Judas e o Messias Negro” (2021) com roteiro da ativista Ruby Dee, e “À Procura da Verdade” (Getting Straight, 1970), com Elliott Gould e Candice Bergen, sobre os protestos estudantis do período. Mas o filme que o consagrou foi mesmo “The Mack”, em que interpretou Goldie, um ex-presidiário que se tornou um cafetão famoso em Oakland com a ajuda de Slim, personagem vivido pelo jovem comediante Richard Pryor. Com músicas do cantor Willie Hutch, o filme de 1973 virou um dos mais elogiados exemplares da era. Segundo Quentin Tarantino, trata-se do “melhor e mais memorável filme de crime de todo o gênero blaxploitation”. Além disso, a banda eletrônica The Chemical Brothers criou sua própria versão de um dos hits da trilha, “Brothers Gonna Work It Out”, que inclusive batizou um de seus álbuns de discotecagem em 1998. Julien aproveitou o sucesso do longa para escrever o roteiro de “Cleopatra Jones” (1973), que virou outro cult, estrelado por Tamara Dobson. Apesar disso, o filme de gângster de época “Thomasine & Bushrod” (que ele também escreveu), lançado no ano seguinte como um “Bonnie & Clyde negro”, foi seu último trabalho no cinema em décadas. Ele fez algumas produções off-Broadway, incluindo “Shakespeare in the Park” para o famoso produtor Joseph Papp, e participações em séries como “Mod Squad” e “Os Audaciosos”, mas só foi voltar aos cinemas uma última vez em 1997, na comédia “Armadilhas do Amor” (How to Be a Player), como tio do protagonista – que por sinal era fã de “The Mack”. Veja abaixo o trailer da produção cultuada e a cena com diálogo sampleado pelos Chemical Brothers.
Jeanine Ann Roose (1937–2021)
Jeanine Ann Roose, que ficou conhecida por interpretar a versão infantil de Violet Bick no clássico natalino “A Felicidade Não Se Compra” (It’s a Wonderful Life), morreu na noite de sexta-feira (31/12) em sua casa em Los Angeles após lutar contra uma infecção. Ela tinha 84 anos. Roose foi atriz mirim nas décadas de 1940 e 1950, mas seus principais trabalhos aconteceram no rádio, em programas como os humorísticos de Jack Benny e da dupla Phil Harris e Alice Faye (no qual interpretou a filha do casal). Seu único papel cinematográfico se materializou no lendário filme de 1946, dirigido pelo mestre Frank Capra. Foi uma pequena, mas importante participação como a pequena Violet, papel que foi vivido em sua versão adulta pela femme fatale mais perigosa do cinema noir, Gloria Grahame. Ela abandonou a carreira de atriz ao encerrar a adolescência, decidindo se dedicar aos estudos. A jovem se formou como psicanalista na UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) e chegou a dizer que sua escolha profissional foi influenciada pelo filme. “’A Felicidade Não Se Compra’ foi o único filme em que participei e é uma experiência incrível de vida estar em um filme tão significativo coletivamente”, ela disse, anos depois. “Para mim, deixou claro que meu desejo era, especificamente, ajudar pessoas que estavam lutando para encontrar um significado para suas vidas. E isso não era muito diferente do papel do [anjo] Clarence no filme, que ajudava [o protagonista] George a ver o significado de sua vida”. Veja abaixo uma cena do filme com participação de Roose. O ator que interpreta o menino George, Robert J. Anderson, faleceu em 2008.
Quatro atores de “Mary Tyler Moore” morreram em 2021
A morte de Betty White na sexta-feira (31/1) elevou para quatro o número de atores da série clássica “Mary Tyler Moore” que morreram em 2021. Seu falecimento foi precedido pelas mortes de Cloris Leachman em janeiro, Gavin MacLeod em maio e Ed Asner em agosto. Além deles, o diretor Jay Sandrich, que comandou 119 dos 168 episódios da série, faleceu em setembro passado. Um dos criadores e principal showrunner da série, James L. Brooks (hoje produtor de “Os Simpsons”), falou à revista Variety que a perda de tantos colaboradores tornou 2021 um ano especialmente difícil. “Penso em cada um deles individualmente”, disse Brooks, que relembrou o impacto de Betty White em “Mary Tyler Moore” quando ela se juntou ao elenco no início da 4ª temporada em 1973. A atriz deveria ter uma participação especial única, mas foi tão boa no papel da lasciva intrigante Sue Ann Nevins, que sua personagem caiu nas graças do público e se tornou fixa na série. “Ela era o sonho de qualquer escritor”, disse Brooks. “Ela foi simplesmente uma dádiva de Deus”, completou. Uma das séries mais importantes de todos os tempos, “Mary Tyler Moore” foi pioneira do feminismo na TV, ao mostrar pela primeira vez o cotidiano de uma mulher independente. Na trama, Mary Richards (interpretada pela atriz Mary Tyler Moore) era uma jornalista recém-chegada na cidade de Minneapolis, que conseguia um emprego numa estação de TV local. Na verdade, era tão incomum ver mulheres trabalhando em redações de telejornais, que Mary foi a primeira profissional feminina do programa fictício da série, e precisou enfrentar muito machismo para ser levada a sério. Sua personagem inclusive cobrava igualdade salarial aos colegas de trabalho do sexo masculino. Mas “Mary Tyler Moore” também mostrava a vida da personagem nas horas de folga, revelando a amizade com a senhoria idiossincrática, a vizinha fashionista e outras mulheres em diferentes estágios de vida, apresentando temas até então inéditos na TV, como – escândalo! – o uso de anticoncepcionais. O programa virou ícone feminista, mas também representou como poucos o zeitgeist da década de 1970. O mais impressionante é que o pioneirismo não espantou o público. Ao contrário, “Mary Tyler Moore” ficou no ar entre 1970 e 1977, rendendo grande audiência e muitos prêmios. O sucesso foi tanto que se desdobrou numa coleção de spin-offs, dedicados à amiga fashionista Rhoda (Valerie Harper), à senhoria Phyllis (Cloris Leachman) e ao editor Lou Grant (Edward Asner). Ted Knight, intérprete de Ted Baxter, o apresentador machista do telejornal, foi o primeiro dos membros do elenco principal a falecer, aos 62 anos em 1986. A própria Mary Tyler Moore morreu em 2017, seguida por Valerie Harper e Georgia Engel em 2019. Betty White era a integrante mais velha do elenco central e foi a última a falecer. Com a morte da atriz, restaram vivos apenas convidados que tiveram papéis recorrentes na atração, como John Amos (“Um Príncipe em Nova York”) e Joyce Bulifant (“Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu”), que apareceram respectivamente em 14 e 11 capítulos e foram os que mais repetiram participações ao longo da produção. Veja abaixo as aberturas e encerramentos da 1ª e da última temporada da série clássica.
De Ryan Reynolds a Joe Biden, famosos homenageiam Betty White
A morte de Betty White nesta sexta (31/12) deixou a virada de ano mais triste nos EUA, especialmente em Hollywood e na Casa Branca. Vários famosos foram às redes sociais lamentar a perda do ícone da comédia, poucos dias antes dela completar 100 anos. “O mundo parece diferente agora”, tuitou Ryan Reynolds, que desde a parceria com Betty White na comédia “A Proposta” (2009) brincava sobre sua fixação romântica na veterana. “Ela era ótima em desafiar as expectativas. Ela conseguiu envelhecer muito e, de alguma forma, não o suficiente. Sentiremos sua falta, Betty”, ele escreveu. “Nosso tesouro nacional, Betty White, passou pouco antes de seu 100º aniversário”, tuitou George Takei, de “Jornada nas Estrelas”. “Nossa Sue Ann Nivens, nossa amada Rose Nylund, juntou-se aos céus para encantar as estrelas com seu estilo inimitável, humor e charme. Uma grande perda para todos nós.” “Eu cresci assistindo e me deliciando com ela”, tuitou a estrela de “Will & Grace” Debra Messing. “Ela era brincalhona, ousada e inteligente. Todos nós sabíamos que esse dia chegaria, mas isso não tira o sentimento de perda. Um tesouro nacional, de fato”. “Nossa, 2021, você simplesmente não podia ir embora sem mais um soco na cara, não é? É tão triste saber que a lenda da comédia Betty White faleceu. É difícil imaginar um mundo sem ela. Vai ser um lugar muito menos engraçado, com certeza”, lamentou o diretor Paul Feig, de “Missão Madrinha de Casamento”. “Meu Deus, como o céu deve estar brilhante agora”, comentou Valerie Bertinelli, colega da atriz na sitcom “Calor em Cleaveland”. “Betty foi a melhor!”, declarou Fran Drescher, estrela da série Nanny e atual o presidente do Sindicato dos Atores dos EUA (SAG-AFTRA), em um comunicado. “Uma mulher amável, sensível aos sentimentos de todos os animais. Uma mulher talentosa abençoada com uma vida longa. Ela gostava de ser reconhecida por seus pares em sua vida e tudo foi bem merecido. Neste negócio, nesta cidade, ter esse tipo de longevidade na carreira é raro e maravilhoso. Deus te abençoe Betty, agora você está com todos os cachorrinhos que você amou e perdeu ao longo de seus 99 anos!” O presidente dos EUA Joe Biden também se pronunciou. “Betty White trouxe um sorriso aos rostos de gerações de americanos. Ela é um ícone cultural que fará muita falta. Jill e eu estamos pensando em sua família e em todos aqueles que a amaram nesta véspera de Ano Novo”, ele tuitou. E foi ecoado pela Primeira Dama Jill Biden: “Quem não amava Betty White? Estamos tão tristes”. Até o Exército dos EUA a homenageou, lembrando que “ela não era apenas uma atriz incrível, mas também serviu durante a 2ª Gerra Mundial como membro dos Serviços Voluntários das Mulheres Americanas. Uma verdadeira lenda dentro e fora da tela”. A lista de homenagens incluiu ainda o presidente da Disney, Bob Iger, e astros de várias gerações, como William Shatner, Cher, Dionne Warwick, Viola Davis, Reese Witherspoon e Mark Ruffalo. Veja abaixo alguns dos tuítes em homenagem à atriz. The world looks different now. She was great at defying expectation. She managed to grow very old and somehow, not old enough. We’ll miss you, Betty. Now you know the secret. pic.twitter.com/uevwerjobS — Ryan Reynolds (@VancityReynolds) December 31, 2021 Our national treasure, Betty White, has passed just before her 100th birthday. Our Sue Ann Nivens, our beloved Rose Nylund, has joined the heavens to delight the stars with her inimitable style, humor, and charm. A great loss to us all. We shall miss her dearly. — George Takei (@GeorgeTakei) December 31, 2021 Betty White. Oh noooooooo. I grew up watching and being delighted by her. She was playful and daring and smart. We all knew this day would come but it doesn’t take away the feeling of loss. A national treasure, indeed. Fly with the Angels. ❤️ — Debra Messing✍🏻 (@DebraMessing) December 31, 2021 Man, 2021, you just couldn’t slip out without one more punch in the face, could you? So sad to hear comedy legend Betty White has passed. It’s hard to imagine a world without her. It’ll be a much less funny place, that’s for sure. RIP Genius Betty. https://t.co/7oFn6q5jWI — Paul Feig (@paulfeig) December 31, 2021 Rest in peace, sweet Betty. My God, how bright heaven must be right now. — 😷💉 Valerie Bertinelli (@Wolfiesmom) December 31, 2021 Betty White brought a smile to the lips of generations of Americans. She’s a cultural icon who will be sorely missed. Jill and I are thinking of her family and all those who loved her this New Year’s Eve. — President Biden (@POTUS) December 31, 2021 We are saddened by the passing of Betty White. Not only was she an amazing actress, she also served during WWII as a member of the American Women's Voluntary Services. A true legend on and off the screen. pic.twitter.com/1HRDYCeV7w — U.S. Army (@USArmy) December 31, 2021 Rest in peace #bettywhite, our Golden Girl, our friend, and our neighbor. Your wit, your charm, your warmth and your smile will always be with us. pic.twitter.com/Kb7WGp2RDd — Robert Iger (@RobertIger) December 31, 2021 As if 2021 wasn’t bad enough. Rest In Peace, Queen Betty White. pic.twitter.com/BfxwP31km0 — Mark Ruffalo (@MarkRuffalo) December 31, 2021 Oh Dear Lord. Heaven just got a new superstar to celebrate with tonight! An icon, a legend, a trailblazer, a badass, and a ray of sunshine who gifted us creative genius, joy and laughter for 99 years. Thank you for your bold and generous spirit. Rest In Peace #BettyWhite ❤️❤️❤️ pic.twitter.com/ng2gHB8K5K — kerry washington (@kerrywashington) December 31, 2021 Well 2021 just topped 2020 for being the absolute worst. RIP Brilliant Betty White — Audra McDonald (@AudraEqualityMc) December 31, 2021 God bless Betty White. As my mom would say, “we were so lucky to have her.”https://t.co/pXzu6JezOg — Conan O'Brien (@ConanOBrien) December 31, 2021 I Watched Her on her first TV Show “Life With Elizabeth”When I Was 7 Yrs Old.When She Did S&C I Got a Chance To Tell Her. I Was Embarrassed cause tears came to my eyes.She put her arms around me, & I Felt 7 again.Some Ppl Are Called ICONS🙄,BETTY IS A TRUE ICON. — Cher (@cher) December 31, 2021 Another brilliant talent has made her transition. I had the pleasure of getting to know Betty White and shared a few giggles with her. May she rest in well-earned peace. ❤️ — Dionne Warwick (@dionnewarwick) December 31, 2021 RIP Betty White! Man did I think you would live forever. You blew a huge hole in this world that will inspire generations. Rest in glorious peace….you’ve earned your wings ❤️❤️❤https://t.co/7wpeLHgySy — Viola Davis (@violadavis) December 31, 2021 Y’all, with the passing of #BettyWhite we have lost one of the best humans ever! — LeVar Burton (@levarburton) December 31, 2021 2) yells from the back of the soundstage for everyone to hear “Where’s that redheaded bitch who stole my parking spot???” SWOON. A friendship was born. Another time I was lucky enough to present at the primetime Emmy awards with the lake great Don Rickles. He and Betty and I … — Kathy Griffin (@kathygriffin) December 31, 2021 Saddened to hear that @BettyMWhite has passed. I loved her comedic wit and endearing charm. She definitely was a sweetheart to the world and a gift to the entertainment world. 😔 — William Shatner (@WilliamShatner) December 31, 2021 What an exceptional life. I’m grateful for every second I got to spend with Betty White. Sending love to her family, friends and all of us. — Ellen DeGeneres (@TheEllenShow) December 31, 2021 RIP Betty White, the only SNL host I ever saw get a standing ovation at the after party. A party at which she ordered a vodka and a hotdog and stayed til the bitter end. — Seth Meyers (@sethmeyers) December 31, 2021 So sad to hear about Betty White passing. I loved watching her characters that brought so much joy. Thank you, Betty, for making us all laugh! https://t.co/iOkmHLrW21 — Reese Witherspoon (@ReeseW) December 31, 2021 She was wonderful!! Weren’t we lucky to have loved her for so long. 🌷♥️🌷 pic.twitter.com/ynjCeV5jgj — Mia Farrow (@MiaFarrow) December 31, 2021 Betty White : I is very hard to absorb you are not here anymore.. But the memories of your deLIGHT are ..Thank you for yur humor , your warmth and your activism ..Rest now and say Hi to Bill — Henry Winkler (@hwinkler4real) December 31, 2021 Betty White will go down in the history books as ageless..99 or 100, the numbers belie the fact that she lived the best life EVER! RIP Betty White. 🤟🏻❤️🤟🏻❤️ pic.twitter.com/w6hA3zxPW9 — Marlee Matlin (@MarleeMatlin) December 31, 2021 We are heartbroken over the death of Betty White, who died today at 99. We have lost a truly magnificent performer and humanitarian. White was the 46th recipient of the SAG Life Achievement award, given for career achievement and humanitarian accomplishment, in 2009. pic.twitter.com/ohWdQVVC5h — SAG-AFTRA (@sagaftra) December 31, 2021
Betty White (1922–2021)
A atriz americana Betty White, que completaria 100 anos em janeiro, morreu nesta sexta-feira (31/1) em sua casa em Los Angeles. Ela passou o período da pandemia com extrema cautela, permanecendo em sua casa lendo, assistindo TV e fazendo palavras cruzadas. A causa da morte ainda não foi informada. Considerada a atriz de carreira mais longa dos EUA, Betty Marion White Ludden estrelou dezenas de filmes, séries e programas de TV desde os anos 1940, e creditava seu sucesso contínuo a esta exposição prolongada. “Acho que o motivo da longevidade da minha carreira é que várias gerações me conheceram ao longo dos anos, então me tornei meio que parte da família”, disse ela a Larry King, na CNN, em 2010. Seu começo na indústria do entretenimento foi como locutora de rádio em 1939. A experiência a levou a virar apresentadora televisiva em 1945, antes de seu notável bom-humor a transformar em protagonista de séries de comédia, como “A Vida com Elizabeth” (1952-1955) e “Date with the Angels” (1957-1958). Mas sua popularidade perene se deve à geração dos anos 1970, época em que passou a integrar o elenco da primeira série feminista, “Mary Tyler Moore” (1970–1977). Betty entrou na 4ª temporada como Sue Ann Nivens, apresentadora de um programa de dicas culinárias e domésticas, que parecia um doce nas telas, mas longe das câmeras revelava-se uma safada. Pelo desempenho, ela venceu dois Emmys consecutivos como Melhor Atriz Coadjuvante em Comédia. O sucesso foi tanto que a atriz ganhou sua própria série de comédia, “The Betty White Show”, que só durou uma temporada, exibida entre 1977 e 1978. O detalhe é que ela estava apenas começando. A maior realização de sua carreira só estreou em 1985, quando Betty atingiu 63 anos de idade e marcou época como a simplória Rose Nylund, ao lado das colegas veteranas Bea Arthur, Rue McClanahan e Estelle Getty em “Super Gatas” (The Golden Girls). A sitcom sobre quatro mulheres divorciadas que decidem morar juntas em Miami, em plena Terceira Idade, virou um fenômeno televisivo que durou sete anos, de 1985 a 1992. Betty foi indicada ao Emmy de Melhor Atriz de Comédia durante todas as temporadas, vencendo o troféu em 1986. Ela também conquistou mais dois prêmios da Academia de Televisão ao longo da carreira, como Melhor Atriz Convidada na série de comédia “The John Larroquette Show” em 1996 e no humorístico “Saturday Night Live” em 2010. E ainda foi indicada por participações nas séries “Suddenly Susan” (em 1997), “Yes, Dear” (em 2003), “The Practice” (em 2004) e “My Name Is Earl” (em 2009). Seu último grande destaque nas comédias televisivas foi a sitcom “Calor em Cleaveland” (Hot in Cleaveland), série que durante seis temporadas (de 2010 a 2015) acompanhou um grupo de solteironas em busca de sexo após os 40 (ou bem mais) anos. Mais velha do elenco, ela voltou a ser indicada ao Emmy por seu desempenho em 2011. Depois disso, ainda comandou o humorístico “Só Rindo com Betty White” (Betty White’s Off Their Rockers), que lhe rendeu outras três nomeações ao Emmy – as últimas da carreira – durante sua exibição de 2012 a 2014. Em meio a tantas séries, também fez um punhado de comédias de cinema, como “Santo Homem” (1998), com Eddie Murphy, “A História de Nós Dois” (2002), com Bruce Willis, “A Casa Caiu” (2003), com Steve Martin, “Você de Novo” (2010) com Kristen Bell, e principalmente “A Proposta” (2009), blockbuster com Sandra Bullock e Ryan Reynolds, que deu início a uma piada recorrente do ator sobre sua fixação romântica na veterana. Isto acabou se transferindo para o papel de Deadpool, com várias homenagens do anti-herói vivido por Reynolds à sua musa Betty White. Antes da pandemia, Betty ainda dublou Bitey White, personagem de “Toy Story 4” (2019) criada em sua homenagem, repetindo a participação na série “Garfinho Pergunta” da Disney+. Além disso, sempre encontrou tempo para se dedicar à causa da defesa dos animais. O agente e amigo da atriz Jeff Witjas deu uma declaração na tarde desta sexta-feira, testemunhando sua energia incansável. “Mesmo que Betty estivesse prestes a ter 100 anos, eu pensava que ela viveria para sempre”, comentou.
Astros celebram Jean-Marc Vallée, que morreu no Natal
A morte súbita e inesperada do diretor Jean-Marc Vallée teria sido causada por um ataque cardíaco. Embora ainda não seja oficial, a informação já circula com força em Hollywood. O diretor vencedor do Emmy por “Big Little Lies” morreu repentinamente durante o fim de semana do Natal aos 58 anos, enquanto passava o feriado em sua cabana nos arredores de Quebec City. Familiares e amigos próximos ainda estão em choque. Conhecido por conseguir interpretações premiadas de seus atores, Vallée foi celebrado por vários astros com quem trabalhou, após a notícia de sua morte chegar na mídia na madrugada desta segunda (27/12). Matthew McConaughey e Jared Leto, que conquistaram Oscars por “Clube de Compra Dallas” dirigido pelo canadense, Reese Whiterspoon e Laura Dern, indicadas ao Oscar por “Livre” e vencedoras do Emmy por “Big Little Lies”, foram alguns dos artistas que se manifestaram. “Uma força cinematográfica e um verdadeiro artista que mudou minha vida com um lindo filme chamado ‘Clube de Compra Dallas'”, escreveu Leto, ao lado de uma foto em que aparece com o diretor e seu Globo de Ouro pelo papel. “Muito amor a todos que o conheceram. A vida é preciosa”, completou. “O mundo perdeu um dos nossos grandes e mais puros artistas e sonhadores. E nós perdemos um amigo amado”, disse Laura Dern, também com uma foto em que aparece ao lado do diretor. “Meu coração está partido. Meu amigo. Eu te amo”, tuitou Reese Whiterspoon, compartilhando a notícia da morte do cineasta. Ela ainda acrescentou no Instagram, ao lado de uma galeria de imagens de bastidores de “Livre” e “Big Little Lies”: “Sempre me lembrarei de você enquanto o sol se põe. Perseguindo a luz. Em uma montanha no Oregon. Em uma praia em Monterey. Certificando-nos de que todos nós pegamos um pouco de magia nesta vida. Eu te amo, Jean Marc. Até nos encontrarmos novamente”. “Ele via a vida romântica, da luta à dor, da piscadela ao sussurro, histórias de amor estavam em toda parte em seu olhar”, disse Matthew McConaughey. pic.twitter.com/2L4q8bTNIe — Matthew McConaughey (@McConaughey) December 27, 2021 A filmmaking force and a true artist who changed my life with a beautiful movie called Dallas Buyers Club. Much love to everyone who knew him. Life is precious. pic.twitter.com/2DT0tu9Lbo — JARED LETO (@JaredLeto) December 27, 2021 Beautiful Jean-Marc Vallee. The world has lost one of our great and purest artists and dreamers. And we lost our beloved friend. Our hearts are broken. pic.twitter.com/v9WXikI48e — Laura Dern (@LauraDern) December 27, 2021 My heart is broken. My friend. I love you. https://t.co/dvh63E8K7I — Reese Witherspoon (@ReeseW) December 27, 2021 Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Reese Witherspoon (@reesewitherspoon)
Jaime Osorio Márquez (1975-2021)
O diretor colombiano Jaime Osorio Márquez, que criou e dirigiu a primeira série colombiana da HBO Max, “Mil Colmillos”, morreu na quinta-feira (23/12) na Colômbia, onde a eutanásia é legal. Ele tinha 46 anos e optou pelo suicídio assistido devido a um câncer renal agressivo. Ele venceu um câncer renal agressivo em 2009 e novamente em 2012, mas ele voltou e se espalhou. Devido ao longo tratamento, Márquez desenvolveu intolerância por analgésicos e o aumento da dor se tornou insuportável, levando-o a optar por dar um fim à vida antes que se tornasse um fardo para sua família, informou seu parceiro de produção Federico Duran, da Rhayuela Films, que atuou como showrunner em “Mil Colmillos”. “Meu irmão de alma deixou este plano terreno na quinta-feira passada”, disse Duran em comunicado. “Ele era meu grande amigo, por isso reservo para mim todas as memórias dos quase 15 anos de trabalho com ele, pelo menos enquanto processo a dor de sua saída”. “Todos me perguntaram o que aconteceu com ele, já que parecia tão bem, que o tinham visto muito ativo recentemente e que ele estava em um momento tão importante em sua carreira”, continuou Duran. “A resposta é esmagadora e ele queria que o mundo todo soubesse: Jaime não morreu de câncer. Aquela doença que o atingiu pela primeira vez em 2009, pouco antes de iniciarmos a produção de seu longa-metragem de estreia, ‘El Paramo’ (The Squad, 2011) e que, apesar de todos os tratamentos, se reapresentou impiedosamente na forma de um metástase no fim de semana quando lhe deram o prêmio de melhor diretor no festival de Sitges”, continuou ele. O câncer de Osorio voltou em 2012, na época em que ele ganhou o prêmio de Melhor Roteiro por seu primeiro longa no Festival de Cinema de Guadalajara. No entanto, ele desafiou o prognóstico do médico que lhe deu apenas alguns meses de vida e, em vez disso, viveu uma vida rica e produtiva por quase uma década. “Não, Jaime não foi morto pela doença. Ele sobreviveu, derrotou e dominou. Ele conseguiu escrever e encenar uma peça, dirigir seu segundo filme, ‘7 Cabezas’ (The Sacrifice, 2017) e a série ‘Mil Colmillos’ (A Thousand Fangs, 2021), um esforço titânico que acabou se tornando uma das produções mais destacadas da América Latina. E então, antes que a doença tomasse conta de sua vida novamente, ele foi em frente”, disse Duran. “De alguma forma, ele traçou seu próprio final, como se fosse o escritor de seu próprio roteiro. Em seu momento de maior glória, ele tomou a decisão e colocou as palavras ‘Fim’ em sua própria vida. Voe alto, meu irmão. ” Nascido em Cali, Colômbia, Osorio estudou na Universidade de Rennes, na França. Ele começou a dirigir comerciais para grandes marcas após seu retorno à Colômbia e ganhou vários prêmios por seus trabalhos, incluindo dois Cannes Silver Lions e um Cannes Golden Lion. Seu longa de estreia, o terror ‘El Paramo’, virou um dos maiores sucessos de bilheteria da Colômbia. A ambientação daquele filme, que mostrou um esquadrão militar enfrentando uma ameaça misteriosa, foi ampliada em “Mil Colmillos”, sobre o enfrentamento de soldados desavisados e forças sobrenaturais da floresta. A série obteve muitos elogios da crítica internacional e está disponível no Brasil na plataforma HBO Max. Veja o trailer abaixo.
Jean-Marc Vallée (1963-2021)
O cineasta canadense Jean-Marc Vallée, indicado ao Oscar por “Clube de Compra Dallas” e vencedor do Emmy por “Big Little Lies”, morreu repentinamente durante o fim de semana do Natal aos 58 anos. Os detalhes ainda não foram divulgados, mas ele morreu em sua cabana nos arredores de Quebec City e sua família e amigos próximos estão em choque. “Jean-Marc era sinônimo de criatividade, autenticidade e tentar as coisas de forma diferente”, disse seu parceiro de produção Nathan Ross, ao confirmar o falecimento num comunicado. “Ele era um verdadeiro artista e um cara generoso e amoroso. Todos que trabalharam com ele não puderam deixar de ver o talento e a visão que ele possuía. Ele era um amigo, parceiro criativo e um irmão mais velho para mim. O mestre fará muita falta, mas é um conforto saber que seu belo estilo e o trabalho impactante que ele compartilhou com o mundo vão viver”. Vallée começou a carreira fazendo videoclipes nos anos 1980, mudando para o cinema em 1995 com o lançamento de seu primeiro longa: “Lista Negra”, um suspense envolvendo o assassinato de uma prostituta e uma lista de suspeitos proeminentes, todos juízes. A produção obteve nove indicações ao Genie Awards, o “Oscar” da Academia Canadense de Cinema, que ele finalmente foi vencer dez anos depois, com seu quarto longa. A comédia de época “C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor” consagrou Valée em 2005. O filme venceu quatro Genies, incluindo Melhor Filme e Diretor, e abriu as portas para uma nova fase em sua carreira, rendendo sua primeira produção de grande orçamento. Indicado a três Oscars e vencedor da categoria da categoria de Melhor Figurino, o suntuoso drama de época “A Jovem Rainha Vitória” (2009), estrelado por Emile Blunt, deixou o diretor bem cotado em Hollywood. Mas antes de assumir projetos americanos, ele preferiu rodar primeiro um drama franco-canadense, “Café de Flori” (2011), estrelado por Vanessa Paradis. Foi um breve desvio, antes de Vallée entrar com força em Hollywood e atingir o ápice da carreira com “Clube de Compra Dallas” (2013), baseado na história real de um texano aidético que salvou a sua vida e várias outras ao contrabandear remédios contra Aids barrados pela burocracia nos EUA. Matthew McConaughey perdeu famosamente vários quilos, ficando só pele e osso para desempenhar o papel, e acabou reconhecido com o Oscar de Melhor Ator. Além dele, Jared Leto também conquistou um troféu de Melhor Coadjuvante por viver um transexual aidético. Vallée, porém, foi lembrado apenas na categoria de Edição e não venceu. Ele fez só mais dois longas após a esnobada da Academia: “Livre” (2014), que rendeu indicações ao Oscar para Reese Witherspoon e Laura Dern, e “Demolição” (2014), com Jake Gyllenhaal, premiado no Festival SXSW. A partir daí, voltou sua atenção para a TV paga, com resultados impressionantes. Em 2017, o cineasta venceu tanto o DGA Award, prêmio do Sindicato dos Diretores, quanto o Emmy de Melhor Direção pela série “Big Little Lies”. No total, a produção da HBO levou oito Emmys, mas Vallée não quis dirigir a 2ª temporada quando a minissérie original foi estendida com uma continuação. Em vez disso, foi comandar “Sharp Objects” (também conhecida pelo título nacional do livro em que se baseia, “Objetos Cortantes”), que disputou mais oito Emmys no ano seguinte. Além de dirigir, o cineasta também produziu “Big Little Lies” e “Sharp Objects”, e ficou muitos anos tentando tirar uma cinebiografia de Janis Joplin do papel, que nunca foi realizada por brigas com os detentores dos direitos autorais da cantora. Ele estava desenvolvendo “The Player’s Table”, série que seria estrelada pela cantora Halsey, e um filme sem título quando faleceu. “Jean-Marc Vallée foi um cineasta brilhante e ferozmente dedicado, um talento verdadeiramente fenomenal que infundiu cada cena com uma verdade profundamente visceral e emocional”, disse a HBO em comunicado. “Ele também foi um homem extremamente carinhoso, que investiu todo o seu ser ao lado de cada ator que dirigiu.” Vallée deixa dois filhos adultos, o ator Alex Vallée e o editor Émile Vallée, com quem costumava trabalhar em suas produções.
Alec Baldwin diz que não passa um dia sem lembrar da morte de Halyna Hutchins
Alec Baldwin publicou um vídeo em seu Instagram para desejar um feliz Natal a seus seguidores e agradeceu o apoio no momento “muito difícil” que está passando, referindo-se à tragédia no set do filme “Rust”, que resultou na morte da diretora de fotografia Halyna Hutchins, atingida por um tiro disparado pelo ator. “Gostaria de agradecer a todas as pessoas que me enviam bons pensamentos, que me enviam apoio. Eu sou muito grato por isso. Passar por isso está sendo muito difícil”, ele comentou. Em seguida, o ator afirmou que pensa no acidente diariamente. “Não vejo a hora de pelo menos parte disso tudo ficar para trás. Claro que, para todos os que estão envolvidos [com a tragédia], isso nunca passará porque alguém morreu de forma trágica. Não passa um dia sem que eu me lembre disso.” O vídeo foi a primeira manifestação pública de Baldwin desde a entrevista concedida à rede de televisão norte-americana ABC no início do mês, que foi disponibilizada na íntegra no Brasil pela plataforma Star+. Num depoimento emocionado ao jornalista George Stephanopoulos, Baldwin deu detalhes do acidente, afirmando que não apertou o gatilho da arma que causou a morte da cinematógrafa. “Eu mexi no cão da arma, porque era isso que eles precisavam que eu fizesse na cena. Eu puxei e falei [para Hutchins]: ‘Está bom assim? Consegue ver?’. Quando soltei o cão, a arma disparou”, contou. Reiterando que “jamais puxaria o gatilho de qualquer arma quando ela estivesse apontada para alguém”, Baldwin disse que ficou chocado ao ver a diretora de fotografia cair no chão. Mesmo sem se considerar culpado, pois profissionais da produção teriam garantido que a arma era seguira e não tinha munição, ele assumiu que sua carreira pode ter acabado após a tragédia. Até o momento, ninguém foi indiciado, mas a polícia já tem uma suspeita sobre como a munição real foi parar no set do filme. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Alec Baldwin (@alecbaldwininsta)
Joan Didion (1934–2021)
A escritora Joan Didion, uma das maiores expoentes do Novo Jornalismo americano e roteirista do sucesso “Nasce uma Estrela”, morreu nesta quinta-feira (23/12) de Mal de Parkinson em sua casa em Nova York, aos 87 anos. Cronista do caos dos anos 1960, ela se destacou com uma série de artigos na revista Life e no jornal The Saturday Evening Post, que retratavam o cotidiano dos baby boomers. Os textos foram seguidos por livros famosos, como “O Álbum Branco” sobre os hippies, The Doors e a Hollywood dos anos 1970 e, mais recentemente, “O Ano do Pensamento Mágico”, sobre tragédias pessoais, que a estabeleceram como uma das vozes mais críticas da ficção americana. Ela também se dedicou à reportagem política e crônica cultural. Mas foi só após se casar com John Gregory Dunne, jornalista da Time, que se mudou para a Califórnia e se aproximou de Hollywood. Didion virou roteirista em parceria com o marido. Os dois estrearam na ficção de cinema em 1971 com a adaptação de um livro de James Mills, “The Panic in Needle Park”, que virou o filme batizado como “Os Viciados” no Brasil. Considerado um marco da “nova Hollywood”, o drama dirigido por Jerry Schatzberg apresentou ao mundo o talento de Al Pacino, em seu primeiro papel de protagonista. Em seu segundo roteiro, a dupla adaptou um livro de Didion, “Play It as It Lays”, lançado nos cinemas brasileiros como “O Destino que Deus Me Deu” em 1972. A trama dramática acompanhava Tuesday Weld numa viagem sem rumo para esquecer seu casamento fracassado, um aborto e a doença mental da filha. A consagração veio no terceiro trabalho, quando o casal reescreveu a clássica história hollywoodiana de “Nasce uma Estrela” para a era do rock. Estrelado por Barbra Streisand e Kris Kristofferson, o filme estourou nas bilheterias e venceu um Oscar. O roteiro ainda serviu de base para o remake de 2018, com Lady Gaga e Bradley Cooper, garantindo-lhes créditos na nova produção. Eles também escreveram “Confissões Verdadeiras” (1981), versão de um romance de Dunne, que juntou Robert De Niro e Robert Duvall, e “Íntimo e Pessoal” (1996), trama ambientado em um telejornal, com Robert Redford e Michelle Pfeiffer. Dunne morreu de enfarte em 2003, aos 71 anos. Dois anos depois, a filha adotada pelo casal, Quintana Roo, morreu de pancreatite e choque séptico, com 39. Didion escreveu sobre a morte do marido e a doença da filha em “O Ano do Pensamento Mágico”, que foi adaptado para os palcos em 2007 num monólogo com a atriz Vanessa Redgrave. No mesmo ano, ela foi premiada pelo Sindicato dos Roteiristas dos EUA (WGA, na sigla em inglês) com o troféu especial Evelyn F. Burkey, que reconhece aqueles que trouxeram “honra e dignidade” à profissão. Sem o parceiro de vida, Didion nunca mais escreveu outro roteiro, mas seus livros continuam a inspirar filmes, como “A Última Coisa que Ele Queria”, adaptado no ano passado pela diretora Dee Rees (“Mudbound”) e lançado pela Netflix com Anne Hathaway (“Os Miseráveis”) no papel principal. Em 2017, ela também virou documentário, “Joan Didion: The Center Will Not Hold”, produzido e dirigido por seu sobrinho, o ator Griffin Dunne (“Depois de Horas”), também disponibilizado pela Netflix.
Sally Ann Howes (1930–2021)
A atriz e cantora britânica Sally Ann Howes, que estrelou o musical “O Calhambeque Mágico” (1968), morreu no domingo passado (19/12) aos 91 anos, “pacificamente enquanto dormia”, segundo informou seu sobrinho no Twitter. Howes nasceu em Londres numa família de atores, e começou sua carreira aos 13 anos com o papel principal no filme “Thursday’s Child” (1943). Sua juventude foi repleta de sucessos do cinema britânico, mas não se prendeu às comédias infantis. Com 15 anos encarou o terror da célebre antologia “Na Solidão da Noite” (1945). Ela também integrou o elenco da versão de “Anna Karenina” estrelada por Vivan Leigh em 1948, antes de viver a Cinderella de um telefilme de 1950. Após se consagrar no cinema, Howes virou estrela do West End e da Broadway, chegando a concorrer ao prêmio Tony de Melhor Atriz em Musical pela montagem de “Brigadoon”, em 1963. Três anos depois, ela estrelou a versão televisiva da peça. O melhor da experiência com música e dança, porém, foi o convite para estrelar seu filme mais conhecido, “O Calhambeque Mágico”, contracenando com Dick Van Dyke. Algumas músicas daquele filme são lembradas até hoje. O sucesso de “O Calhambeque Mágico”, entretanto, não foi explorado em novos filmes. Ela só fez mais um longa na carreira: o terror “O Navio Assassino” em 1980. E abandonou as telas de vez em 1992 com a minissérie “Segredos”. Sempre convidada a participar de programas televisivas e até a se apresentar em eventos oficiais da Casa Branca, Howes passou a se dedicar cada vez mais aos musicais de teatro, excursionando com montagens de “O Rei e Eu” e “A Noviça Rebelde”, antes de lançar seu primeiro show solo, “From This Moment On”, em 1990. Longe das telas, ela continuou excursionando com montagens teatrais até recentemente. Relembre abaixo uma cena de “O Calhambeque Mágico” com uma das canções mais famosas de sua trilha sonora.
Bridget Hanley (1941-2021)
Bridget Hanley, estrela das séries clássicas “E as Noivas Chegaram” e “Harper Valley P.T.A.”, morreu na quarta (15/12) de doença de Alzheimer, no lar para idosos de Hollywood em Woodland Hills, na Califórnia. Ela tinha 80 anos. A atriz começou a carreira como convidada em séries populares dos anos 1960, como “Gidget”, “A Feiticeira”, “Jeannie é um Gênio” e “A Noviça Voadora”, antes de conseguir seu primeiro papel fixo regular em “E as Noivas Chegaram”. Criada em 1968 por N. Richard Nash (autor do livro que virou o recente filme “Cry Macho”, de Clint Eastwood), a série de comédia tinha premissa similar ao sucesso de cinema “Sete Noivas para Sete Irmãos” (1954). A trama se passava num acampamento de madeireiros do fim do século 19 que se revoltava pela falta de mulheres na região. Logo, uma centena de noivas em potencial foram levadas para a floresta para impedir uma greve e salvar o negócio. Hanley interpretou a ruiva Candy Pruitt, a líder do grupo de mulheres. O elenco também incluía a famosa estrela de cinema Joan Blondell, o ator David Soul, antes de entrar na série “Justiça em Dobro”, e o então iniciante Bobby Sherman, que virou um ídolo da música pop durante a exibição da série, exibida até 1970. Após o cancelamento das “Noivas”, Hanley voltou a sua rotina de atriz convidada, aparecendo em várias outras séries, incluindo “Nanny”, “O Jogo Perigoso do Amor” e “Um Estranho Casal”. Ela só voltou a um elenco fixo em 1981, quando se juntou a “Harper Valley P.T.A.” como Wanda, filha da rival da personagem principal – a ex-“Jeannie é um Gênio” Barbara Eden, que encarnava uma viúva liberada em luta contra hipócritas puritanos em uma cidadezinha do sul dos EUA. A série de comédia durou duas temporadas, até agosto de 1982. Mas Hanley continuou sua carreira por mais uma década, aparecendo em “Carga Dupla”, “Assassinato por Escrito” e várias outras atrações, vindo a se despedir das telas num episódio do revival de “Kung Fu” de 1996. Ela foi casada com o diretor de TV E.W. Swackhamer (“Jeannie é um Gênio”) de 1969 até a morte dele em 1994.
Tania Mendoza (1979-2021)
A atriz Tania Mendoza, de 42 anos, foi assassinada em Cuernavaca, no estado de Morelos, no México. O crime aconteceu na terça-feira (14/12) enquanto a atriz esperava o filho de 11 anos em um treino de futebol. Duas pessoas encapuzadas passaram em uma moto e dispararam contra ela. A atriz morreu no local. Ela era conhecida por estrelar produções criminais de baixo orçamento, muitas delas lançadas direto em vídeo, como “La Mera Reina de Sur” (2003), história muito parecida com a do romance de Arturo Pérez-Reverte, publicado um ano antes, e que depois ganharia vida por meio de Kate del Castillo na série mexicana “Rainha do Sul” e com Alice Braga na adaptação americana. Antes de virar atriz, Mendoza se lançou como cantora de música regional mexicana e chegou a manter a carreira de forma paralela por alguns anos. Sua trajetória nos filmes e séries se iniciou em 1998 e rendeu ao todo 25 títulos, mas desde 2012 ela já não aparecia mais diante das câmeras, trabalhando em eventos e feiras nos últimos anos. A mudança coincide com a transformação de sua própria vida numa história policial. Em 2010, Tania foi sequestrada com o marido e o filho de seis meses no lava rápido da família. Na época, ela foi mantida em cativeiro por algumas horas por um grupo de homens encapuzados, que lhe pediram uma quantia de dinheiro como resgate e lhe deram o aviso de que deveria sair do estado de Morelos, onde acabou sendo assassinada. Agora, a polícia investiga se seu assassinato tinha alguma ligação com o traficante Arturo Beltrán Leyva, morto pela Marinha mexicana em 2009. Nas redes sociais, Tania fez várias declarações para o traficante, lamentando sua morte. “11 anos de sua partida, te amamos”, escreveu no aniversário de morte de Arturo no ano passado. “Aqui em Acapulco sentimos falta dele, era o único que punha ordem nas coisas”, comentou um seguidor da atriz após uma publicação elogiando o traficante. “Concordo”, ela respondeu. O Ministério Público Estadual de Morelos também não descarta que o assassinato da atriz seja um possível caso de feminicídio. O México é um dos países com maior taxa de assassinato de mulheres do mundo.












