Bolsonaro muda Conselho Superior de Cinema e pode extinguir a Ancine
O presidente Jair Bolsonaro transferiu o Conselho Superior do Cinema, responsável pela formulação da política nacional de audiovisual, do Ministério da Cidadania para a Casa Civil. A mudança faz parte de decreto assinado nesta quinta-feira (18/7), em cerimônia comemorativa dos 200 dias do atual governo. Segundo informações da colunista da Folha de S.Paulo Mônica Bergamo, o presidente estaria insatisfeito com a atual política de fomento ao cinema e pretende fazer alterações na estrutura. Além da transferência do órgão colegiado para o Palácio do Planalto, em uma tentativa de ter mais influência sobre ele, Bolsonaro avalia extinguir a Ancine (Agência Nacional do Cinema), atualmente em crise. Ainda de acordo com a colunista, o motivo é o mesmo que levou à demissão de um diretor de marketing do Banco do Brasil após publicidade com transexual. A insatisfação do Bolsonaro viria de relatos de projetos aprovados pela Ancine que o presidente entende como absurdos, como o reality “Born to Fashion”, cuja premissa é revelar modelos trans. Ele também estaria preocupado com a disputa de cargos dentro da área da cultura. Criada em 2001, a Ancine é uma agência reguladora com a função de fomentar e fiscalizar as produções cinematográfica e videofonográfica no Brasil. A maioria dos filmes feitos no Brasil recebe verbas do órgão, via Fundo Setorial do Audiovisual, que destina para os produtores verbas de taxas federais pagas por empresas do setor, como o Condecine e o Fistel. Este dinheiro não é pago pelo cidadão brasileiro, mas por empresas que lucram com cinema e TV no Brasil. Bolsonaro já proibiu que as estatais patrocinem eventos culturais, colocando em risco os festivais de cinema do país, e impôs limites impraticáveis para produções cinematográficas nos projetos que podem ser aprovados via Lei de Incentivo à Cultura (antiga Lei Rouanet). Caso a Ancine seja extinta, pode ser o apocalipse do cinema nacional.
Tom Cruise voa alto no primeiro trailer legendado da continuação de Top Gun
A Paramount divulgou o pôster nacional e o primeiro trailer legendado de “Top Gun: Maverick”, que traz Tom Cruise de volta ao papel que o consagrou como astro de filmes de ação em 1986. O vídeo foi exibido pela primeira vez na Comic-Con com a presença surpresa do próprio Tom Cruise. “Por 34 anos vocês foram muito pacientes comigo e eu senti que era minha responsabilidade entregar pessoalmente para vocês”, disse Cruise, sobre a demora para produzir uma continuação do blockbuster de Tony Scott. A prévia mostra Cruise acelerando de motocicleta e a bordo de um jato. E o ator garante que fez tudo isso sem truques ou dublês. “Tudo o que vocês vêem neste filme é muito real”, ele disse, sobre as acenas de acrobacia aérea de que participou. E ninguém duvida, sabendo como ele é. A continuação vai reencontrar o personagem Maverick, vivido por Cruise, como um instrutor na escola de pilotos da Marinha, que tem como novo aprendiz o filho de Goose (Anthony Edwards), que morreu em 1986. O personagem é interpretado por Miles Teller (“Whiplash”). Não foram divulgadas descrições dos demais personagens, mas o elenco é grande. Os atores da produção incluem Jennifer Connelly (“Noé”), Glen Powell (“Estrelas Além do Tempo”), Ed Harris (“Westworld”), Jon Hamm (“Mad Men”), Charles Parnell (“Transformers: A Era da Extinção”), Jay Ellis (“Insecure”), Bashir Salahuddin (“GLOW”), Danny Ramirez (“The Gifted”), Monica Barbaro (“Chicago Justice”), Lewis Pullman (filho de Bill Pullman, visto em “A Guerra dos Sexos”), além de Val Kilmer, que reprisa seu papel como Iceman. A direção está a cargo de Joseph Kosinski, que já dirigiu Cruise em “Oblivion” (2013). O filme tem estreia marcada para 25 junho de 2020 no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.
Novo drama de família de Kore-eda vai abrir o Festival de Veneza 2019
O filme “The Truth”, novo drama do premiado diretor japonês Hirokazu Kore-eda, foi selecionado para abrir a 76ª edição do Festival de Cinema de Veneza. A produção, que estará na competição do Leão de Ouro, tem Catherine Deneuve, Juliette Binoche e Ethan Hawke no elenco e é o primeiro longa dirigido por Kore-eda fora de seu país. O veterano cineasta vive seu momento de maior aclamação, depois de vencer a Palma de Ouro em Cannes no ano passado com seu filme “Assunto de Família”. “Sinto-me extremamente honrado. O filme conta a história de uma família. Dentro desse universo íntimo, fiz meus personagens viverem com suas mentiras, orgulhos, remorsos, alegrias e reconciliações”, declarou o diretor em um comunicado divulgado pelos organizadores. Para o diretor do festival, o crítico italiano Alberto Barbera, trata-se de uma “reflexão poética” sobre a relação mãe-filha e o complexo ofício de atriz. “É um prazer que seja o filme de abertura”, complementou. O Festival de Veneza 2019 vai acontecer de 28 de agosto a 7 de setembro.
Netflix cancela Ela Quer Tudo, primeira série de Spike Lee
A Netflix anunciou o cancelamento da série “Ela Quer Tudo” (She’s Gotta Have It), de Spike Lee, após duas temporadas e 19 episódios. Em um comunicado, Ted Sarantos, diretor de conteúdo da Netflix, afirmou que “Spike Lee é um dos maiores cineastas de todos os tempos e estamos felizes por ele ter trazido ‘Ela Quer Tudo’ para a Netflix. Embora esta seja a nossa última temporada, estamos muito orgulhosos de que ela estará em nosso serviço durante anos”. Mostrando que a decisão de encerrar a série não foi de comum acordo, Spike Lee disse que tentará levá-la para outra emissora. A atração é baseada no filme de mesmo nome de 1986, que foi primeiro longa-metragem da carreira do cineasta, rodado em duas semanas por apenas US$ 175 mil. Mas amplia, atualiza e extrapola a trama, centrada em Nola Darling, uma artista do Brooklyn que luta para se firmar, enquanto divide seu tempo entre seus amigos, seu trabalho e seus três amantes: o modelo Greer Childs, o banqueiro Jamie Overstreet e o b-boy Mars Blackmon (que no filme era interpretado pelo próprio Spike Lee). O elenco traz DeWanda Wise (série “Shots Fire”) no papel central, além de Cleo Anthony (série “Extant”) como Childs, Lyriq Bent (série “Rookie Blue”) como Overstreet e Anthony Ramos (“Branquinha”) como Blackmon. O próprio Spike Lee criou a série e dirigiu todos os episódios, que estrearam com 88% de aprovação no Rotten Tomatoes, mas não agradaram tanto em sua 2ª temporada, lançada em maio com 67% de críticas positivas.
Amazon anuncia minissérie sobre a Seleção Brasileira na Copa América
A Amazon Prime Video anunciou nesta quinta (18/7) a produção de sua primeira série original brasileira. Mas não se trata de uma obra de ficção. Intitulada “Tudo ou Nada: Seleção Brasileira”, a série documental registra os bastidores da equipe de futebol na conquista da Copa América 2019. Em comunicado, a Amazon promete um “olhar inédito e exclusivo do drama e da animação vividos pela equipe do Brasil nos bastidores do campeonato”. A produção será disponibilizada em mais de 200 países e territórios, dentro da franquia de “realities” esportivos “All or Nothing”, que lançou minisséries sobre o Manchester City, os times de futebol americano Dallas Cowboys e Carolina Panthers, a equipe McLaren, da Fórmula 1, e a seleção de rugby All Blacks, da Nova Zelândia. “A premiada série ‘All or Nothing’ mostra as histórias de técnicos e jogadores, e para nós é um prazer poder trabalhar com a seleção brasileira e entregar uma experiência única para nossos assinantes”, diz James Farrell, Diretor de Conteúdo Internacional da Amazon Originals, em comunicado. Ainda não há previsão de estreia.
Estúdio japonês de animação sofre ataque incendiário com mais de 30 mortos
Mais de 30 pessoas morreram num incêndio criminoso provocado num estúdio de animação de Kioto, no Japão, nesta quinta-feira (18/7), e outras dezenas ficaram feridas de acordo com informações da rede de TV estatal NHK. A Kyoto Animation, com cerca de 160 funcionários, foi atacada por um homem não identificado, que teria jogado gasolina nas instalações por razões ainda desconhecidas. Ele gritou “morram” quando o incêndio se espalhou às 10h (horário local), segundo a emissora pública NHK, que exibiu um vídeo do momento em que ele foi preso pela polícia. O estúdio de três andares é um dos mais tradicionais da animação japonesa. Foi criado em 1981 e produz animações de cinema e televisão. Entre suas produções, estão o clássico “Robotech”, “A Voz do Silêncio”, “Full Metal Panic”, “K-On”, “Violet Evergarden”, “Clannad” e “A Melancolia de Haruhi Suzumiya”. O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, classificou o atentado como “assombroso demais para as palavras”, e expressou condolências pelas vítimas. No momento, fala-se em pelo menos 33 vítimas fatais e mais de duas dezenas de pessoas feridas.
Agents of SHIELD vai acabar na 7ª temporada
Nem todas as notícias da Comic-Con International são o que os fãs de quadrinhos gostariam de ouvir. Nas primeiras horas do evento realizado em San Diego, nos Estados Unidos, a Marvel anunciou que a série “Agents of SHIELD” vai acabar em sua 7ª temporada, que irá ao ar no ano que vem. A má notícia foi dada pelo chefe de TV da Marvel, Jeph Loeb. “Quando você sabe o que está fazendo, você pode tomar maiores riscos, de vida ou morte. Essas opções repentinas agora estão à nossa disposição, já que não precisamos planejar o que acontecerá na próxima temporada”, disse Loeb, jogando a bomba no site Deadline, minutos antes de entrar no palco da sala H do Centro de Convenção de San Diego, onde encontrará fãs frustrados, ao lado de integrantes do elenco da série, como Clark Gregg, Ming-Na Wen, Chloe Bennet, Elizabeth Henstridge, Iain De Caestecker, Henry Simmons, Natalia Cordova-Buckley e Jeff Ward. Será o início da celebração da despedida de “Agentes of SHIELD”. “A temporada 6 é deslumbrante, isso é o que posso dizer. O lado amargo é que vai acabar. Mas é uma celebração, ainda tem coisas para acontecer. Vocês precisam ver como será!”, diz Loeb. Para ele, o importante é que a série conseguirá terminar em seus próprios termos, sem ser encerrada abruptamente antes dos planos. Apesar de ter surgido como primeiro derivado televisivo do Universo Cinematográfico da Marvel, faz tempo que nenhum personagem dos filmes aparece na série, como Nick Fury (Samuel L. Jackson), por exemplo. Mas Loeb sugere que isso deve mudar para a despedida. “Vocês vão ter de esperar para ver”. “Agents Of SHIELD” se junta a “Modern Family” e “How to Get Away With Murder” como as séries de mais longa duração que sairão da programação da rede ABC na próxima temporada. A Marvel, por sua vez, prepara uma leva de novas séries para a plataforma de streaming Disney+ (Disney Plus), que serão ainda mais ligadas ao Universo Cinematográfico, dedicada aos personagens Loki, Feiticeira Escarlate, Visão, Gavião Arqueiro, Falcão e Soldado Invernal.
Trailer legendado de It: Capítulo Dois é tenso do começo ao fim
A Warner divulgou um novo trailer legendado, o pôster nacional e fotos de “It: Capítulo Dois”, uma das continuações mais esperadas do ano. Tensa do início ao fim, a prévia foca a segunda parte do livro de Stephen King, em que o Clube dos Perdedores volta a se reunir após 27 anos para, já adultos, confrontar pela última vez o palhaço assassino. O elenco adulto inclui Jessica Chastain (de “Mama”) como a personagem Beverly (papel de Sophia Lillis no primeiro filme), James McAvoy (“Vidro”) como Bill (Jaeden Lieberher), Bill Hader (série “Barry”) como Richie (Finn Wolfhard), James Ransone (“A Entidade”) como Eddie (Jack Dylan Grazer), Andy Bean (série “Power”) como Stanley (Wyatt Oleff), Jay Ryan (série “Beauty and the Beast”) como Ben (Jeremy Ray) e Isaiah Mustafa (série “Shadowhunters”) como Mike (Chosen Jacobs). Além deles, Bill Skarsgård retorna como o palhaço Pennywise e as crianças originais também aparecem em flashbacks. Novamente dirigido por Andy Muschietti, responsável pelo filme original, “It: Capítulo Dois” tem estreia marcada para 5 de setembro no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.
Comic-Con chega a sua 50ª edição como síntese da indústria cultural americana
A Comic-Con está completando 50 edições nesta quinta (18/7) em San Diego, nos Estados Unidos. E meio século mudou tudo em sua organização, assim como na própria indústria do entretenimento que ela reflete. Imagine que nos primeiros anos de sua existência o evento atraía apenas leitores e artistas de quadrinhos, que discutiam exclusivamente os temas das publicações da época. Não havia Comic Con de Nova York, de Chicago ou aquela do Brasil que tem nome inglês. Hollywood nem chegava perto de suas portas. E quem frequentava ainda era zoado como nerd. O império comercial erguido com apoio de empresas de cinema, TV, brinquedos e games torna difícil lembrar que a primeira Comic-Con reuniu apenas algumas dezenas de pessoas no subsolo de um hotel barato do centro de San Diego em março de 1970 para discutir quadrinhos. Foi ideia de um letrista de quadrinhos desempregado de 36 anos, Shel Dorf, e de cinco amigos adolescentes, que queriam falar sobre seus personagens e revistas favoritos. Dorf já tinha participado de convenções precursoras em sua cidade natal, Detroit. E aproveitou seu conhecimento para originar a primeira Comic-Con. O nome oficial do evento inaugural foi Golden State Comic-Con e reuniu 100 pessoas durante algumas horas do dia 21 de março de 1970. Os organizadores se empolgaram com o “sucesso” e cinco meses depois, em agosto, realizaram uma Comic-Con de fôlego, com três dias de duração, com participação do escritor de sci-fi Ray Bradbury e do mestre de quadrinhos Jack Kirby, que serviu de embrião para o formato atual do evento. O resultado rendeu três vezes mais “sucesso”: 300 espectadores. A partir de 1973, o evento abandonou o “Golden State” e passou a ser conhecido como San Diego Comic-Con. Mas seu crescimento manteve-se gradual. O ponto de virada veio em 1976, quando um assessor da Lucasfilm enviou cartazes e outros itens para promover o novo filme da produtora (então) indie, chamado “Guerra nas Estrelas”. O que inspirou essa iniciativa foi o lançamento da adaptação em quadrinhos do roteiro original, editada pela Marvel antes da estreia do longa. A simples presença dos cartazes originou boca-a-boca, num dos primeiros casos de “marketing viral”, que ajudou a lotar os cinemas e serviu para a Comic-Con identificar que o público dos quadrinhos era o mesmo dos filmes de ficção científica. Hollywood prestou atenção, especialmente com o lançamento de “Superman, o Filme” em 1978. E os próprios organizadores perceberam que podiam abrir seu foco para além dos quadrinhos, mirando outras convenções bem-sucedidas da cultura pop, como os eventos relacionados à série “Jornada nas Estrelas” (Star Trek) – os primeiros a reunir atores, equipe criativa e fãs dispostos a comprar material relacionado a uma série, além de inspirar seus frequentadores a usarem os uniformes de seus personagens favoritos, dando origem ao cosplay. A parceria com o cinema começou tímida. Mas o lançamento de “Batman” (1989) intensificou a relação. Hollywood percebeu o potencial comercial dos quadrinhos e desse público-alvo. Os frequentadores até mesmo deixaram de ser chamados de nerds. Viraram geeks (nerds “especializados”). E a convenção se agigantou. Mudou de hotéis e universidades para o Centro de Convenções de San Diego em 1991. Para redimensionar a nova etapa, também alterou seu nome. Transformou-se em Comic-Con International. Na década de 1990, a programação passou a dar mais destaque aos estúdios e redes de televisão que aos próprios quadrinhos, graças ao investimento dos grandes conglomerados de mídia em patrocínio. Logotipos de cinema e TV passaram a diminuir o espaço dos estandes de gibis usados. E participações de astros e cineastas se tornaram mais concorridas que os eventos dos artistas da Marvel e da DC. Ao entrar nos anos 2000, a Comic-Con passou a ser frequentada até por sex symbols que os nerds originais jamais imaginariam ver em suas bancadas, como Megan Fox, Scarlett Johansson e Kristen Stewart. Mas a popularização trouxe complicações nada geeks: filas longas, corredores abarrotados e um comercialismo desvairado. Os pequenos lojistas de quadrinhos, que sustentaram o começo do evento, agora nem sequer podem participar devido aos custos elevados. Embora a convenção continue a trazer os artistas da Marvel, da DC e até indies, quem ganha atenção da imprensa são outros nomes, como Arnold Schwarzenegger, Patrick Stewart e o elenco da série “Game of Thrones”, cuja presença no evento deste fim de semana já atrai centenas de repórteres e cobertura intensa da TV. Esta concentração de mídia faz parte de outra transformação da Comic-Con nos últimos anos, reconfigurada como uma espécie de porta-voz de projetos da indústria cultural americana. Desta quinta até domingo, várias novidades serão anunciadas pelas empresas de entretenimento dos Estados Unidos, aproveitando a atenção – que hoje é mundial – no evento. A expectativa é especialmente elevada em torno da volta da Marvel à Sala H do Centro de Convenções de San Diego, após pular a Comic-Con do ano passado. Até agora reticente em relação a seus próximos filmes, o estúdio presidido por Kevin Feige deve finalmente oficializar as produções de sua chamada Fase 4. Por outro lado, a ausência dos estúdios Warner, Sony e Universal, que optaram por ignorar a atual edição, indica que os superpoderes da Comic-Con já foram maiores. A proliferação de Comic Cons (sem hífen) tem pulverizado verbas e planos de marketing, o que contribui para a banalização do conceito original e reflete a guerra por conteúdo exclusivo em curso na indústria. A Disney já teve a ideia de fazer a sua própria Comic Con, a D23, e a Netflix vem ensaiando algo parecido. São sinais de mudanças e evolução no negócio das convenções de entretenimento. O que antes era um esforço amador de nerds adolescentes, é cada vez mais identificado como ferramenta profissional de publicidade no mundo das ativações e pop-ups.
O Rei Leão é a principal estreia de cinema da semana
Mais um lançamento da Disney domina a programação de cinema desta semana. Acompanhado por grande campanha publicitária, discos, brinquedos e McLanches felizes, “O Rei Leão” é um remake do desenho clássico de 1994 com efeitos visuais de última geração. O realismo é tanto que por vezes parece mais um documentário da National Geographic. Até que os bichos começam a falar. E cantar. O diretor é o mesmo de “Mogli, o Menino-Lobo”, Jon Favreau. Mas o resultado, apesar de visualmente arrojado, não encantou tanto. Culpa, justamente, do excesso de realismo, que comprometeu a fantasia da trama. Mesmo em 2D “antiquado”, o original dos anos 1990 mantém ampla vantagem na comparação. Na avaliação do Rotten Tomatoes, a diferença é brutal: 93% para o original e 56% para a cópia moderna. E para baixar ainda mais a expectativa do público brasileiro, as versões dubladas em português, disponibilizadas na maioria dos cinemas nacionais, não tem Beyoncé. Sem empolgar, a programação desta quinta (18/7) traz apenas mais quatro títulos e dois deles são documentários – inclusive um comercial de cerveja enrustido. Apesar do nome do diretor Fatih Akim (“Em Pedaços”) em “O Bar Luva Dourada” ser uma isca para cinéfilos, nenhuma das ficções compensa sair de casa durante o inverno, quando há coisas muito melhores para se assistir em streaming. De todo modo, o grotesco filme alemão é o mais diferente da lista e o exato oposto da beleza plástica de “O Rei Leão”. Confira abaixo a relação completa das estreias da semana com suas sinopses e trailers. O Rei Leão | EUA | Animação Simba (Donald Glover) é um jovem leão cujo destino é se tornar o rei da selva. Entretanto, uma armadilha elaborada por seu tio Scar (Chiwetel Ejiofor) faz com que Mufasa (James Earl Jones), o atual rei, morra ao tentar salvar o filhote. Consumido pela culpa, Simba deixa o reino rumo a um local distante, onde encontra amigos que o ensinam a mais uma vez ter prazer pela vida. O Bar Luva Dourada | Alemanha | Suspense Na década de 1970, os habitantes da cidade de Hamburgo sofrem quando os jornais começam a noticiar o desaparecimento sucessivo de vários cidadãos seguindo um padrão específico. Começa então uma das mais complexas investigações de assassinatos em série que o local já havia presenciado até o momento. Jornada da Vida | França | Drama Um ator francês (Omar Sy) de descendência senegalesa faz uma viagem à África para promover o seu livro. No local, descobre que um de seus maiores fãs é Yao, um garotinho que efetuou uma longa viagem sozinho para vê-lo. Comovido com a história do menino, decide acompanhá-lo de volta à sua casa e, no percurso, confronta-se com suas próprias raízes. Palace II – Três Quartos com Vista para o Mar | Brasil | Documentário No dia 22 de fevereiro de 1998, o conhecido prédio Palace II sofreu um desabamento inesperado, deixando 8 mortos e quase 200 famílias desabrigadas. Considerado um dos maiores desastres na história da engenharia civil brasileira, até hoje alguns dos culpados não foram punidos pelo descaso, e as pessoas envolvidas no acidente lembram-se muito bem dos momentos cruciais, antes, durante e depois da queda. Em Busca da Cerveja Perfeita | Brasil | Documentário Durante uma viagem de mais de 10.000 km, o diretor Heitor Dhalia explora o universo cervejeiro com o objetivo de responder a pergunta “Existe uma cerveja perfeita?”. Para tentar descobrir, ele conversa com mais de 20 especialistas no assunto e traça um panorama completo da bebida, que é uma das mais amadas do mundo. Feito com patrocínio da fábrica de cervejas Ambev.
Tarantino descreve seu filme de Star Trek como “Pulp Fiction no espaço”
Em meio à divulgação de “Era uma Vez em Hollywood”, seu novo filme, Quentin Tarantino tem sido bastante questionado sobre se realmente pretende dirigir um filme da franquia “Star Trek”. E ele contou diversas novidades sobre o projeto. Falando ao site Deadline, ele afirmou que ainda não sabe se vai dirigir o longa. Mas se o fizer, o resultado será uma espécie de “‘Pulp Fiction’ no espaço”. A comparação é uma resposta à entrevistas do ator Simon Pegg sobre o futuro da franquia. “Ele não sabe nada do que está acontecendo e fica fazendo comentários como se soubesse”, disse Tarantino ao Deadline. “Em um dos comentários, ele disse ‘bem, não será um Pulp Fiction no espaço’. Claro que será! Se eu fizer o filme, será exatamente assim”. Tarantino elogiou o roteiro assinado por Mark L. Smith (“O Regresso”) e lembrou que o produtor J.J. Abrams não vê problemas na história ser para maiores. Segundo o cineasta, Abrams teria amado a ideia e disse que a franquia tem liberdade para seguir qualquer caminho. Em entrevista ao podcast Reelblend, do site Cinema Blend, ele ainda acrescentou que não consideraria o filme na cota de dez longas que definiu para se aposentar. “Eu acho que ‘Star Trek’ não conta”, disse, considerando que o filme não teria um roteiro de sua autoria nem personagens originais. “Eu posso fazer ‘Star Trek’… mas naturalmente eu terminaria com um original”, afirmou o diretor, lembrando o plano de encerramento de sua carreira no cinema, que teria apenas mais um longa original. “Eu tenho uma brecha aí, e posso encaixar esse filme nela”, completou. O “Star Trek” de Tarantino foi inicialmente anunciado em 2017. Desde então, o diretor encomendou um roteiro, que Mark L. Smith já entregou. Ele pretende se debruçar sobre a história assim que terminar a divulgação de “Era uma Vez em Hollywood”, que estreia nos cinemas americanos em 15 de agosto – duas semanas antes do lançamento no Brasil. Ele também reafirmou que é fã da série clássica e dos filmes recentes de “Star Trek”, elogiou o elenco atual da franquia no cinema, mas jura que ainda não sabe se vai filmar essa história. Entretanto, se mostra bastante inclinado. Caso o projeto sair do papel, deverá ser o próximo filme de Tarantino.
Diretor de Viagem das Garotas vai filmar Space Jam 2
A Warner contratou o cineasta Malcolm D Lee, da comédia de sucesso “Viagem das Garotas” (Girls Trip, 2017), para comandar a continuação de “Space Jam”, o blockbuster animado de 1996 em que Michael Jordan entrou no time do Pernalonga para jogar basquete no espaço. Ele é o terceiro diretor ligado ao projeto desde 2016, quando LeBron James foi anunciado como o “novo Michael Jordan” da produção – isto é, o novo astro de basquete do time do Pernalonga. Justin Lin saiu para fazer “Velozes e Furiosos 9” e “10”. Já Terence Nance (“Uma Super-Simplificação de Sua Beleza”) estava à frente do projeto até a semana passada e o motivo de sua substituição não foi divulgado. O longa contará também com Anthony Davis, Damian Lillard, Klay Thompson e as jogadoras da WNBA Diana Taurasi, Nneka Ogwimike e Chiney Ogwumike. A expectativa é que mais jogadores da NBA e da WNBA sejam confirmados em breve. Para completar, a atriz Sonequa Martin-Green (“Star Trek: Discovery”) viverá a esposa de Lebron, e Don Cheadle (“Vingadores: Ultimato”) também está no longa. O roteiro foi escrito por Ryan Coogler (“Pantera Negra”) e Sev Ohanian (“Buscando…”), e a estreia está marcada para julho de 2021.
Série da Batwoman ganha novos pôsteres
A rede The CW divulgou novos pôsteres da série “Batwoman”, que trazem a atriz Ruby Rose (“Megatubarão”) com o uniforme preto e vermelho da heroína da DC Comics. Para quem não acompanha quadrinhos, é interessante saber que Batwoman foi a primeira heroína de Gotham City. Kate Kane, a versão feminina de Batman, surgiu 12 anos antes de Batgirl, criada por Edmond Hamilton e Sheldon Moldoff em 1956 como possível interesse romântico do Homem-Morcego, em resposta às alegações sobre a suposta homossexualidade do herói – denunciada pelo controvertido livro “Sedução dos Inocentes”. Isto acabou se tornando irônico, devido ao posterior desenvolvimento da personagem. A fase original acabou em 1964, quando o editor Julius Schwartz resolveu cortar a maioria dos coadjuvantes supérfluos de Batman – havia até um batcão. E Batwoman só foi retornar com força em 2006, numa versão repaginada pelo evento “52”, que rebutou os quadrinhos da editora. Foi nessa volta que ela se assumiu lésbica, tornando-se a mais proeminente heroína LGBTQIA+ da editora. Apesar disso, esta opção sexual não foi facilmente assimilada pela Warner, que demorou a incorporar a personagem em seus projetos derivados. Até a animação que tinha seu nome no título, “Batman: O Mistério da Mulher-Morcego”, optou por retratar a heroína com uma identidade diferente. Mas os tempos evoluem e, há dois anos, a animação “Batman: Sangue Ruim” finalmente debutou a versão atual de Kate Kane, com a voz de Yvonne Strahosky (da série “The Handmaid’s Tale”) e a mesma orientação sexual dos quadrinhos. Ruby Rose (de “Megatubarão”) será a primeira atriz a interpretar uma versão live-action de Batwoman. Mais que isso, será a primeira protagonista lésbica de uma série de super-heróis. Caroline Dries é a roteirista e showrunner do projeto. Ela tem uma longa história junto à CW, tendo trabalhado como roteirista e produtora em “The Vampire Diaries” e “Smallville”, e compartilha a mesma orientação sexual da heroína e da atriz. O elenco da série inclui ainda Dougray Scott (“Fear the Walking Dead”), Rachel Skarsten (a rainha Elizabeth de “Reign”), Meagan Tandy (“Teen Wolf”), Camrus Johnson (“Luke Cage”) e Nicole Kang (“You”). A estreia está marcada para 6 de outubro nos Estados Unidos.












