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    O Juízo oferece suspense sobrenatural para refletir e deslumbrar

    15 de dezembro de 2019 /

    “O Juízo” é uma incursão do cinema brasileiro no gênero suspense, terror. Assim como outras tentativas bem sucedidas realizadas anteriormente, ele contribui para ampliar o alcance do nosso cinema para além dos documentários, comédias e dramas que têm marcado a produção nacional crescente. Considerado um suspense sobrenatural, é, na verdade, um filme que crava na trama as marcas da história brasileira, do extrativismo à escravidão, que deixaram uma dívida que remonta a séculos e está na construção da vergonhosa desigualdade, preconceito e racismo, que vivemos até hoje. Mérito, claro, do talento de escritora da roteirista Fernanda Torres que, infelizmente, não participa do filme de seu marido, Andrucha Waddington, como atriz. Em compensação, Fernanda Montenegro, sua mãe, está lá, brilhante como sempre. O filme tem mesmo uma característica familiar. Joaquim Torres Waddington, filho do diretor e da roteirista, estreia no cinema como ator neste filme. Para além das relações familiares, o elenco tem Felipe Camargo, Carol Castro e Criolo, em papeis centrais e o grande Lima Duarte em participação especial. O que mais entusiasma em “O Juízo” nem é a sua história, muito boa, ou seu superelenco, mas seu apuro visual. Enquadramentos belíssimos, do alto, na água, nos caminhos molhados (o filme é quase todo passado na chuva), nos ambientes de uma fazenda, supostamente mineira, na verdade filmada no Estado do Rio. Uma fotografia esmaecida, esfumaçada, escurecida, concretiza uma narrativa que remete a trevas, com grande beleza e explora também com eficiência a luminosidade do fogo. Ótimo trabalho do diretor de fotografia Azul Serra. Destaque também para a direção de arte de Rafael Targat. Um trabalho de equipe muito bem coordenado por Andrucha Waddington. O enredo remete a uma família, Augusto (Felipe Camargo), Tereza (Carol Castro) e o filho Marinho (Joaquim Torres Waddington), que vão em busca de colocar a vida em ordem, resolvendo problemas econômicos e do alcoolismo de Augusto, assumindo morar numa fazenda isolada e abandonada, herdada do avô. A propriedade, porém, traz o carma de uma traição, envolvendo um homem escravizado, Couraça (Criolo) e sua filha, uma dívida ancestral. Diamantes estão envolvidos na história, colocando a cobiça como parte integrante e trágica da narrativa. Mais suspense que terror, fantasmagórico, mas realista e indutor de reflexão, “O Juízo” é um filme que se vê com prazer, com destaque para o esmero visual, que merece ser apreciado com atenção.

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    A Noite Amarela ressalta variedade atual do terror brasileiro

    20 de outubro de 2019 /

    O cineasta paraibano Ramon Porto Mota estreia “A Noite Amarela”, seu primeiro longa-metragem depois da experiência coletiva da antologia “O Nó do Diabo” (2018), em um momento especialmente feliz para o cinema de gênero brasileiro. Vejam só: na mesma semana em que o seu filme estreou, entrou em cartaz também em outras salas do país “Morto Não Fala”, de Dennison Ramalho, e “Amor Assombrado”, de Wagner de Assis. E na semana anterior foi lançado “O Clube dos Canibais”, de Guto Parente. Ou seja, o cinema de horror brasileiro está deixando de ser rejeitado e está sendo abraçado por uma parcela cada vez maior de espectadores, ao mesmo tempo em que estamos vivendo um momento político também singular. Nas entrevistas de Mota, ele afirma que não tinha a menor intenção de que “A Noite Amarela” fornecesse metáforas para o momento político brasileiro. Mas acontece que a percepção da obra de arte, ainda mais essa do tipo mais livre e cheia de espaços, pode trazer interpretações diversas. E isso já não está mais nas mãos do artista. Além do mais, o artista costuma ter antenas que captam o espírito da época. Assim, o mal estar com o mundo contemporâneo se faz bastante presente na escuridão que invade a vida de seus protagonistas. “A Noite Amarela” quase se desvincula de uma trama no sentido convencional, especialmente a partir de seu terço final, ao se deixar levar pela atmosfera de sonho/pesadelo, fazendo com que os personagens sejam engolfadas pela escuridão, por algo não muito fácil de ser compreendido. O escuro é um aspecto predominante no filme. Quase todas as cenas se passam à noite, desde o começo, quando jovens secundaristas chegam a uma ilha para relaxar e comemorar a formatura do ensino médio. A opção de Ramon Porto Mota em adotar uma fotografia suja, áspera, com pouca iluminação, como se fosse um filme feito nas primeiras experiências com o digital, contribui para a sensação de que estamos vendo uma produção estranha a esses tempos em que as imagens são cada vez mais nítidas. Ao mesmo tempo, difícil não apreciar o belo trabalho de direção de arte e fotografia, com um uso de cores que remetem ao cinema italiano de horror dos anos 1970. O filme é marcado por sua geografia, seu sotaque paraibano, seus diálogos aparentemente espontâneos, mas que na verdade foram memorizados pelos atores. O tipo de dramaturgia também é diferente, estranho. Nas entrevistas, Mota vem comentando que seu filme é mais herdeiro das experiências com o cinema de horror de Walter Hugo Khouri e Jean Garrett do que com o cinema de horror estrangeiro. De fato, quem viu os filmes de Khouri e Garrett sabe do que ele está falando e vai concordar. A intenção é fazer uma obra atemporal, cuja estranheza atravessará décadas. Na trama, após o grupo de adolescentes chegar a uma ilha praticamente desabitada e sem sinal de celular, uma das meninas, Karina (Rana Sui), desaparece, e a missão da turma passa a ser procurar pela amiga pela noite escura. Eles resolvem se separar e acabam se deparando com estranhas coisas que lhes assombram, como a presença de duplos. No meio disso tudo, há um grande flashback que dá uma quebrada no filme, como se o tirasse do gênero horror e o colocasse em um daqueles filmes dos anos 1950, com jovens duelando. Isso contribui para a estranheza, mas não deixa de ser no mínimo divertido. Além do mais, a presença desses jovens atores e de um cinema que não tem medo de experimentar traz um frescor necessário para este momento, em que filmes brasileiros de gênero começam a se tornar cada vez mais comuns no circuito. Quanto mais pluralidade, melhor.

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    O Clube dos Canibais representa momento especial do cinema brasileiro

    8 de outubro de 2019 /

    O lançamento de “O Clube dos Canibais” representa um momento especial do cinema brasileiro, que se manifesta com pluralidade cada vez maior de estilos, gêneros, maneiras de se fazer filmes. Representa também uma espécie de consolidação da chamada “primavera do cinema cearense”, como alguns vêm denominando o movimento cinematográfico do estado. E ainda é a afirmação do atual ciclo de terror nacional, que dedica um cuidado muito especial ao formalismo visual. Seu diretor, Guto Parente, já havia mostrado esse virtuosismo no ótimo “A Misteriosa Morte de Pérola” (2014), feito sem recurso algum do Estado, com um valor de produção próximo do zero. Parente escreveu o roteiro de “O Clube dos Canibais” em 2013, aplicou o projeto em edital em 2014 e finalizou as filmagens em 2016, tendo suas primeiras exibições em festivais ligados ao gênero fantástico em 2018. Ou seja, o filme atravessou todo esse turbilhão de pesadelo pelo que tem passado o Brasil ao longo desta década. E por conta do contexto histórico, a crítica à elite, que come os mais pobres – e pardos e pretos – e que elogia o “primeiro mundo” acabou se tornando ainda mais atual. Na verdade, ela nunca deixou de ser uma realidade do nosso país. Apenas as máscaras caíram. “O Clube dos Canibais” conta a história de Otávio (Tavinho Teixeira), dono de uma empresa de segurança privada, e Gilda (Ana Luiza Rios), sua esposa, que adora ficar na piscina tomando uns drinques enquanto sensualiza para o caseiro. Os caseiros, logo veremos, passam por uma rotatividade intensa na casa, já que são sugados para a cilada de seus patrões. Gilda os atrai para o sexo enquanto o patrão está supostamente indo para Fortaleza. A cena que mostra o sexo de Gilda com o caseiro, a masturbação de Otávio, o machado na cabeça da vítima, o êxtase, tudo isso é filmado com muita sensualidade, assim como a visão de Gilda, descendo as escadas, com o corpo nu banhado de sangue, como uma versão maligna e poderosa da inocente Carrie (difícil não lembrar do filme do De Palma). O interessante é que o gore, a violência gráfica, não parecem tão perturbadores neste filme, por conta de um senso de humor satírico muito agradável. Sem falar que Guto Parente, sendo um esteta, preza pela beleza das imagens. Assim, o vermelho do sangue e tudo o mais que compõe essas cenas integra uma intenção de fazer um cinema mais sensorial, que valoriza a fotografia e o desenho de produção em vez de apenas chocar – como alguns filmes do subgênero torture porn, em voga na década passada. Além do mais, o filme não se limita simplesmente a uma repetição desses eventos na casa de Otávio e Gilda. Na verdade, há uma cena em especial que mudará o destino dos personagens. Isso acontece quando, em uma festa do clube do título, em que Gilda flagra o grande líder, Borges (Pedro Domingues), um deputado influente, em um ato secreto. Impagável a cena de Gilda indo conversar com Borges no dia seguinte. Um convite à gargalhada. A produção de “O Clube dos Canibais” conta com uma equipe de dar gosto. Fernando Catatau, guitarrista célebre de Fortaleza, faz a trilha sonora, que valoriza tanto os sintetizadores quanto a bateria, amplificando o prazer fílmico. A supervisão de efeitos especiais é de Rodrigo Aragão, famoso por sua filmografia voltada ao horror gore. E há toda a turma que vem crescendo cada vez mais no cinema cearense, como Ticiana Augusto Lima, Breno Baptista, Luiz Pretti, Ricardo Pretti, Samuel Brasileiro, Lia Damasceno, Luciana Vieira, entre outros, que fazem parte do filme em variadas funções. Por isso, não seria um exagero colocar “O Clube dos Canibais” na mesma lista de obras como “As Boas Maneiras”, de Juliana Rojas e Marco Dutra, “O Animal Cordial”, de Gabriela Amaral Almeida, e até “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dorneles, divisor de águas deste momento. Todos esses terrores recentes tem uma característica marcante em comum: o ataque às classes menos favorecidas. Para completar, é preciso elogiar a elegante performance de Ana Luiza Rios como Gilda, e também Tavinho Teixeira, claro. O cinema nacional está cada vez mais pulsante, enfrentando com sangue nos olhos os ataques do governo federal. Tanto talento assim não morre fácil, não.

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    O Juízo: Terror que junta a família de Fernanda Montenegro ganha primeiro trailer

    24 de setembro de 2019 /

    A Paris Filmes divulgou três fotos oficiais, o pôster e o trailer do filme “O Juízo”, terror escrito por Fernanda Torres (“Os Normais”) e estrelado por sua mãe, Fernanda Montenegro (“A Vida Invisível”). A direção também é por conta da família, assinada por Andrucha Waddington (“Sob Pressão”), marido e genro das Fernandas. Para completar, o elenco inclui Joaquim Torres Waddington, filho do casal responsável pela produção e neto de Montenegro, que estreia como ator aos 16 anos. O longa narra a história de um acerto de contas que leva 200 anos para se concretizar. Um conflito sobrenatural que remonta ao tempo da escravidão. O elenco também inclui Felipe Camargo (“Ponte Aérea”), Lima Duarte (“Família Vende Tudo”), Carol Castro (“Um Suburbano Sortudo”), Fernando Eiras (“Nise: O Coração da Loucura”), Kênia Bárbara (“3%”) e o rapper Criolo (“Jonas”). “O Juízo” conta a história de Augusto Menezes (Felipe Camargo) que está em crise no casamento com Tereza (Carol Castro). Na esperança de colocar sua vida nos eixos, depois de perder o emprego na cidade e sofrer com o alcoolismo, decide mudar-se com a mulher e o filho Marinho (Joaquim Torres Waddington) para uma fazenda herdada do avô. Mas a propriedade carrega uma história de traição e vingança que pode custar mais caro a Augusto e sua família do que ele imaginava. No longa, Criolo e Kênia Bárbara vivem Couraça e Ana, escravos determinados a se vingar dos antepassados de Augusto, que os traíram no passado. Fernanda Montenegro interpreta a espírita Marta Amarantes e Fernando Eiras, o psiquiatra Doutor Lauro, enquanto Lima Duarte vive um joalheiro chamado Costa Breves. Rodado numa fazenda na divisa do Rio de Janeiro com Minas Gerais, o filme tem estreia marcada para o dia 12 de dezembro.

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    O Clube dos Canibais: Terror brasileiro ganha trailer e imagens

    11 de setembro de 2019 /

    A Olhar Distribuição divulgou o pôster, quatro fotos e o trailer de “O Clube dos Canibais”, novo terror brasileiro, que tem direção de Guto Parente (“Inferninho”). A trama é uma alegoria sanguinária da luta de classes, centrada num um casal de ricos que literalmente devora seus empregados. Mas há traições entre a elite faminta, alimentadas por seu próprio machismo. Otávio (Tavinho Teixeira, de “O Nó do Diabo”) é membro do clube do título, que só admite homens. Mas sua mulher (Ana Luiza Rios, de “O Último Trago”) não está nada feliz por ser excluída da diversão e logo descobre um segredo de Borges (Pedro Domingues, de “O Shaolin do Sertão”), líder do grupo e um poderoso deputado. Todo filmado no estado do Ceará – em Fortaleza e na praia de Guajiru – o longa surgiu a partir de uma história real que aconteceu em meados do século 19 em Porto Alegre (RS), conhecida como os Crimes da Rua do Arvoredo, onde um casal atraia suas vítimas para casa, as matava, as esquarteja e produzia linguiças de carne humana. As linguiças eram vendidas em um açougue da cidade e muito apreciadas pela população. As vítimas eram homens seduzidos por Catarina Palse, que os fazia acreditar que ela iria para a cama com eles, mas que acabavam assassinados por seu marido. “Esse jogo sexual perverso e fetichista do casal foi o que eu peguei emprestado dessa macabra história real para criar os personagens e práticas do ‘Clube dos Canibais’, que aponta para um lugar talvez mais exagerado e absurdo ainda, por envolver questões de classe e poder”, conta o diretor em nota sobre o lançamento. “O Clube dos Canibais” fez sua estreia mundial no Festival de Rotterdam e já foi exibido em mais de 30 festivais internacionais, além de ter sido vendido para diversos territórios, com distribuição garantida em países como EUA, Alemanha, Japão, Inglaterra, Suécia, Noruega e Dinamarca. A estreia nos cinemas brasileiros está marcada para o dia 3 de outubro.

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    Morto Não Fala: Terror estrelado por Daniel de Oliveira ganha imagens e trailer sangrento

    29 de agosto de 2019 /

    “Morto Não Fala”, terror estrelado por Daniel de Oliveira (“Aos Teus Olhos”), ganhou 14 fotos, pôster e trailer com cenas sangrentas. O primeiro longa dirigido por Dennison Ramalho (um dos criadores da série “Carcereiros”) traz Daniel de Oliveira como funcionário de um necrotério que tem a capacidade de conversar com os cadáveres do local. Ao ouvir segredos dos mortos, passa a recear a própria sombra, enquanto sua vida pessoal começa a desmoronar. Os filmes nacionais do gênero vem ganhando cada vez mais projeção internacional. Convidado para vários festivais, “Morto Não Fala” conquistou críticas bastante positivas no exterior, atingindo 91% de aprovação na média do site Rotten Tomatoes, nota extremamente alta para um terror. O elenco também inclui Fabiula Nascimento (“SOS: Mulheres ao Mar”), Bianca Comparato (“3%”) e Marco Ricca (“Chatô: O Rei do Brasil”). “Morto Não Fala” foi rodado em Porto Alegre, com produção da Casa de Cinema de Porto Alegre e coprodução de Globo Filmes e Canal Brasil. A estreia está marcada para 10 de outubro no Brasil.

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    Terror brasileiro Motorrad vai ganhar remake australiano

    12 de outubro de 2018 /

    O terror brasileiro “Motorrad” teve seus direitos adquiridos pelos produtores Scott Cornfield, Leanne Tonkes e Harriet Spalding, que planejam realizar um remake, passado na Austrália, com filmagens estimadas para 2020. O filme original tem direção de Vicente Amorim (“Corações Sujos”) e adapta uma história de Danilo Beyruth, colaborador da editora americana de quadrinhos Marvel. A trama acompanha um grupo de jovens que faz motocross numa trilha remota e desconhecida, e acaba entrando em território proibido, passando a ser caçado por um grupo de motoqueiros assassinos. O elenco inclui alguns ex-integrantes da novela teen “Malhação”, como Carla Salle, Guilherme Prates e Juliana Lohmann. A ironia do acordo é que “Motorrad” foi obviamente influenciado por, entre outros, “Mad Max”, um clássico australiano.

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    A Mata Negra: Novo terror do especialista Rodrigo Aragão ganha trailer macabro

    12 de outubro de 2018 /

    A Elo Company divulgou o pôster, as fotos e o trailer de “A Mata Negra”, quinto longa de terror de Rodrigo Aragão, que chega aos cinemas uma década após o primeiro, “Mangue Negro” (2008). A prévia demonstra a clara evolução do cineasta, que aprendeu sozinho a dirigir e a fazer efeitos especiais práticos para baratear suas produções. Embora continue trabalhando com muitos atores amadores, Aragão especializou-se em evocar um clima macabro, que se mostra especialmente perturbador no novo trabalho. Dando sequência à sua filmografia, que também inclui “A Noite do Chupacabras” (2011), “Mar Negro” (2013) e a antologia “As Fábulas Negras” (2015), “A Mata Negra” segue a busca do diretor capixaba por desenvolver um terror com elementos nacionais. Nisto, é claramente sucessor de José Mojica Marins, o Zé do Caixão. O filme adapta “causos” regionais para contar a história de uma menina que recebe a missão de ler um misterioso livro de “rezas” para salvar a alma de um homem que vê a morte chegar. Entretanto, ela desobedece a ordem de queimar a obra – que seria o livro de São Cipriano – e, após o homem falecer, passa usá-lo por conta própria, desencadeando uma série de tragédias. A produção é a primeira da carreira de Aragão a contar com dinheiro de edital de fomento. Custou R$ 630 mil e, como novidade, teve até a participação de atores famosos, como Jackson Antunes (“Mais Forte que o Mundo: A História de José Aldo”) e Francisco Gaspar (“O Matador”). O elenco também destaca Carol Aragão (de “Mar Negro”), filha do cineasta, no papel principal. “A Mata Negra” chega aos cinemas em 6 de dezembro.

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    Festival de Brasília 2018 consagra negros, mulheres e transexuais

    24 de setembro de 2018 /

    O filme “Temporada”, primeira ficção em longa-metragem de André Novais Oliveira (“Ela Volta na Quinta”), foi o grande vencedor do Festival de Brasília 2018, conquistando cinco troféus no encerramento do evento, na noite de domingo (23/9). Eleito Melhor Filme pelo júri, também venceu os Troféus Candangos de Melhor Atriz (para Grace Passô), Ator Coadjuvante (Russão), Direção de Arte e Fotografia. “Temporada” traz Grace Passô como uma mulher que, ao se mudar para Contagem (MG) vinda de uma cidade do interior, tem que lidar com o novo cotidiano e dificuldades no casamento. O detalhe é que se trata de um filme de diretor negro, estrelado por uma mulher negra. E ambos foram premiados. O Melhor Ator foi outro negro: Aldri Anunciação, protagonista de “Ilha”, de Glenda Nicácio e Ary Rosa, que também receberam o Candango de Melhor Roteiro – pela história de um jovem que sequestra um cineasta com o objetivo de rodar a própria história. Ambos atores chamaram atenção para a quantidade de negros que fazem cinema no Brasil sem reconhecimento. “Esse troféu diz respeito a uma porção de militâncias que desentortam o olhar. Para que pessoas como eu possam ser vistas, olhadas e possam ensinar a sociedade”, disse Grace Passô. “Não existe atuação, existe coatuação. Eu não estou só aqui. Atrás existe uma comunidade de negros e negras. Quero dividir esse prêmio com Mário Gusmão, ator negro de 90 anos e que nunca ganhou um prêmio”, exaltou Aldri Anunciação. Por sua vez, o Candango de Melhor Direção ficou com uma mulher: Beatriz Seigner, por seu trabalho em “Los Silencios”, que teve lançamento mundial no último Festival de Cannes. O filme mostra uma ilha no meio da Amazônia, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, que é povoada por fantasmas. A boa safra de terror nacional também rendeu reconhecimentos para “A Sombra do Pai”, outro filme dirigido por uma mulher, Gabriela Amaral Almeida (“O Animal Cordial”), que levou três troféus: Melhor Montagem, Som e Atriz Coadjuvante (Luciana Paes). “Torre das Donzelas”, documentário de Susanna Lira sobre presas políticas, ficou com o Prêmio Especial do Júri. E outro documentário, “Bixa Travesty”, de Claudia Priscilla e Kiko Goifman, sobre a cantora trans Linn da Quebrada, foi escolhido o Melhor Filme pelo Público e recebeu Menção Honrosa do júri, além do Candango de Melhor Trilha Sonora. Confira abaixo os principais premiados. Longa-Metragem Melhor Filme: “Temporada” Melhor Direção: Beatriz Seigner (“Los Silencios”) Melhor Ator: Aldri Anunciação (“Ilha”) Melhor Atriz: Grace Passô (“Temporada”) Melhor Ator Coadjuvante: Russão (“Temporada”) Melhor Atriz Coadjuvante: Luciana Paes (“A Sombra do Pai”) Melhor Roteiro: “Ilha”, de Ary Rosa e Glenda Nicácio Melhor Fotografia: “Temporada”, Wilsa Esser Melhor Direção de Arte: “Temporada”, Diogo Hayashi Melhor Trilha Sonora: “Bixa Travesty” Melhor Som: “A Sombra do Pai”, Gabriela Cunha Melhor Montagem: “A Sombra do Pai”, Karen Akerman Prêmio do Júri Popular: “Bixa Travesty” Prêmio Especial do Júri: “Torre das Donzelas” Menção Honrosa do Júri: “Bixa Travesty” Curta-Metragem Melhor Filme: “Conte Isso Àqueles que Dizem que Fomos Derrotados” Melhor Direção: Nara Normande (“Guaxuma”) Melhor Ator: Fábio Leal (“Reforma”) Melhor Atriz: Maria Leite (“Mesmo com Tanta Agonia”) Melhor Ator coadjuvante: Uirá dos Reis (“Plano Controle”) Melhor Atriz coadjuvante: Noemia Oliveira (“Eu, Minha Mãe e Wallace” ) Melhor Roteiro: “Reforma”, Fábio Leal Melhor Fotografia: “Mesmo com Tanta Agonia”, Anna Santos Melhor Direção de Arte: “Guaxuma”, Nara Normande Melhor Trilha Sonora: “Guaxuma”, Normand Roger Melhor Som: “Conte Isso Àqueles que Dizem que Fomos Derrotados”, Nicolau Domingues Melhor Montagem: “Plano Controle”, Gabriel Martins e Luisa Lana Menção Honrosa de Atriz Coadjuvante: “Mesmo com Tanta Agonia”, Rillary Rihanna Guedes Prêmio do Júri Popular: “Eu, Minha Mãe e Wallace” Prêmio Especial do Júri: “Liberdade”

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    Carolina Ferraz vai estrelar filme de terror independente

    27 de agosto de 2018 /

    A atriz Carolina Ferraz (da novela “Haja Coração”) será a protagonista do longa-metragem de terror independente “A Gruta”, que foi escrito e será dirigido por Arthur Vinciprova. Ele é o diretor do besteirol “Rúcula com Tomate Seco”, uma sucessão de esquetes que incluem outra atriz de novela, Juliana Paiva (“A Força do Querer”), na função de interesse sexual/romântico do autor/ator. “Jamais faria um filme de terror e, uma semana depois, recebi o roteiro. Não consegui me desprender da história e senti que precisava fazer”, disse Carolina Ferraz sobre o projeto, em material divulgado à imprensa. Além de Carolina Ferraz, o filme traz no elenco Nayara Justino (eleita Globeleza em 2014) e o próprio Arthur Vinciprova, entre outros. Segundo o diretor, o longa será baseado em fatos reais. Entretanto, a sinopse ainda não foi divulgada. “O objetivo é realizar uma obra com inspiração e referências em grandes clássicos do cinema de gênero, como ‘O Bebê de Rosemary’ e ‘O Exorcista’, onde o suspense, terror e tensão psicológica caminham juntos e entregam uma história atemporal”, disse. As filmagens estão marcadas para o final do ano no interior de Minas Gerais e no Rio de Janeiro, com previsão de lançamento para 2019.

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    Terror de O Nó do Diabo mostra que o Brasil é um país assombrado pela injustiça social

    18 de agosto de 2018 /

    Muitas histórias de terror usam o arquétipo do “lugar ruim”: a casa assombrada, o cemitério, o castelo do cientista louco… E é sempre melhor quando eles têm uma história. Por exemplo, um dos mais famosos lugares ruins do terror, a Hill House do romance de Shirley Jackson – adaptado duas vezes para o cinema, no clássico “Desafio do Além” (1963) e no pavoroso, no mau sentido, “A Casa Amaldiçoada” (1999) – tinha uma história longa de eventos tenebrosos, exposta logo no início da obra, abrangendo várias décadas. Um catálogo de coisas ruins é um elemento que dá um sabor especial a um exemplar do gênero. O filme de terror brasileiro “O Nó do Diabo” é sobre um lugar ruim, e um lugar ruim com história. Uma fazenda, antigo engenho no sertão paraibano, serve como palco para cinco histórias assustadoras envolvendo o passado do lugar. As histórias se passam entre 2018 e 1818, regredindo no tempo, e sempre se relacionam de alguma forma ao trabalho escravo que havia no local. Trata-se de uma proposta não muito comum no cinema de gênero do Brasil, a de filme de antologia. Cada uma das histórias teve seu diretor – são eles Gabriel Martins, Ian Abré e Jhésus Tribuzi, com Ramon Porto Mota dirigindo duas – e seus próprios roteiristas, mantendo em comum os trabalhos do montador Daniel Bandeira, que confere um admirável ritmo fluido à produção – o filme chega a dar a impressão de ser mais curto do que as suas duas horas reais e as transições entre as histórias são suaves e inteligentes – e do diretor de fotografia Leonardo Feliciano, que explora de maneira brilhante tanto a luz quanto a escuridão, além de uma ou outra paisagem mais estranha. Ambos contribuem de maneira excepcional para o clima inquietante de maior parte da projeção, e esses dois elementos, a montagem e a fotografia, conferem ao filme uma unidade que filmes de antologia de terror no cinema dificilmente conseguem. O que também ajuda a manter viva a unidade temática central do projeto, a noção de um mal histórico, algo que se propaga no tempo e é tão essencialmente brasileiro. O mal da escravidão e das desigualdades sociais decorrentes assombra os personagens e está sempre presente como pano de fundo das histórias. A primeira delas, a atual, faz breves alusões à situação política conturbada dos últimos anos no país e toca de leve em questões raciais e econômicas, ressaltando a boa e velha capacidade do cinema de gênero de abordar essas questões, muitas vezes de forma até mais incisiva do que filmes, ditos, mais “sérios” e “elevados”. A tônica se mantém nas demais histórias, trazendo fantasmas; uma interessante desconstrução do espaço e tempo fílmicos (na quarta história); uma figura vilanesca vivida pelo ótimo ator Fernando Teixeira que, de maneira emblemática, aparece em todos os segmentos; e até zumbis na história final, com momentos que lembram o clássico “A Noite dos Mortos-Vivos” (1968) do norte-americano George A. Romero. É o tipo de filme que, quanto menos se falar das tramas, melhor para o espectador. Claro, nenhuma das histórias reinventa a roda – qualquer espectador mais escolado no gênero terror consegue adivinhar como elas vão se desenvolver, e há um pouco de desnível entre elas. A quinta e última acaba sendo a menos interessante, e nem todos os espectadores devem abraçar a “viagem” da quarta história. Mesmo assim, “O Nó do Diabo” merece elogios, e muitos, por ser tão consistente, interessante, bem defendido pelos seus atores e tão incisivo na sua visão compartilhada sobre o horror de se viver no Brasil. Um país onde a propriedade é colocada muito, mas muito mesmo, acima do ser humano, onde a violência é constante, e o passado escravocrata e de séculos de exploração ainda está vivo, um espectro pairando sobre a sociedade. No mesmo ano em que também tivemos o excepcional “As Boas Maneiras”, “O Nó do Diabo” é mais uma prova de que o horror cinematográfico no Brasil está muito vivo. E deve mesmo: afinal, a vida real e a História são fontes de inspiração quase ilimitada. Seria o Brasil mais um “lugar ruim”? Talvez não seja para tanto, mas com certeza é um lugar assombrado.

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    Restaurante vira palco de terror nacional no trailer de O Animal Cordial

    30 de junho de 2018 /

    A RT Features divulgou fotos, o pôster e o trailer de “O Animal Cordial”, novo terror brasileiro, que rendeu o prêmio de Melhor Ator para Murilo Benício (“O Homem do Ano”) no Festival do Rio. O vídeo não apresenta os elementos sobrenaturais da trama, limitando-se a olhares e interjeições de espanto, quando um assalto num restaurante toma rumo inesperado. A história se passa em uma única noite em um restaurante de classe média alta em São Paulo que é invadido, no fim do expediente, por dois ladrões armados. O dono do estabelecimento, o cozinheiro, uma garçonete e três clientes são rendidos e precisam lidar com a situação. O local torna-se palco dos mais diferentes embates: empregados x patrão; ricos x pobres; homens x mulheres; brancos x negros. Civilização e barbárie: os dois conceitos se alternam na claustrofobia de um espaço, que vai sendo desconstruído à medida que soluções “cordiais” se tornam impossíveis. Benício vive o dono do estabelecimento, que enfrenta uma discussão com o cozinheiro vivido por Irandhir Santos (“Redemoinho”), por manter os funcionários trabalhando até o último cliente, quando os dois ladrões armados invadem o local e um tiro é disparado. O que acontece a seguir não está na sinopse nem na prévia, mas a produção é apresentada como o primeiro slasher movie (subgênero do terror, caracterizado pelo uso de violência extrema) dirigido por uma mulher no Brasil. A direção é de Gabriela Amaral Almeida (da série “Me Chama de Bruna”), que estreia em longas e foi premiada no FantasPoa, festival de cinema fantástico de Porto Alegre, assim como a atriz Luciana Paes (“Divórcio”). O elenco também inclui Camila Morgado (“Até que a Sorte nos Separe 2”), Jiddu Pinheiro (“O Uivo da Gaita”) e Humberto Carrão (“Aquarius”), entre outros. A estreia está marcada para 9 de agosto.

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    As Boas Maneiras vence o medo do cinema brasileiro de fazer terror de qualidade

    12 de junho de 2018 /

    A pouca popularidade da literatura fantástica feita no Brasil, pelo menos dentre os best-sellers nacionais, na comparação com seu sucesso nos Estados Unidos e na Inglaterra, acabou por ricochetear em nosso cinema, que tem bem mais títulos do gênero que muitos imaginam, ainda que apelem mais para o trash e para a comédia. O fato é que a falta desta tradição criou uma resistência ao terror brasileiro entre o público médio, que desconfia das investidas nacionais no gênero. Mas o salto que a dupla Juliana Rojas e Marco Dutra dá, do suspense psicológico de “Trabalhar Cansa” (2011) para a fábula de terror “As Boas Maneiras” é bem grande – ainda que, pelo meio do caminho, Marco Dutra tenha apresentado um belíssimo filme de possessão e casa assombrada, “Quando Eu Era Vivo” (2014). “As Boas Maneiras” é um filme de lobisomem, que entretanto acumula elementos que podem parecer corpos estranhos dentro do que se espera desse contexto. Há até mesmo cenas em que alguns personagens começam a cantar, evocando o drama musical “O que se Move” (2012), de Caetano Gotardo – com a presença de Cida Moreira aproximando os dois. A narrativa é visivelmente dividida em duas partes. No começo, Clara (Isabél Zuaa, que conquistou muitos fãs com sua performance de mulher intensa e forte em “Joaquim”) vai pedir emprego de babá na casa de Ana (Marjorie Estiano, excelente). Mas Ana procura uma pessoa que também cuide da casa e dela mesma, nos primeiros estágios da gravidez. Como precisa de dinheiro com urgência, Clara aceita, dando início a uma relação de cada vez maior intimidade entre as duas. Uma intimidade que une tanto a carência afetiva quanto o gosto de Clara por mulheres. Aos poucos, e de maneira deliciosa, começa a vir à tona a situação de Ana, seu misterioso gosto por carne, as dores grandes que sente na gestação e também somos apresentados à história de quando ela engravidou. De fato, a relação entre Ana e Clara é tão bela e singular que quando o filme parte para novos rumos se torna difícil não sentir falta dessa primeira parte. No entanto, a segunda parte tem o grande mérito de ser ainda mais corajosa, ao assumir explicitamente o cinema de horror, via homenagem ao clássico “Um Lobisomem Americano em Londres” (1981), de John Landis, além de evocar “Filhos do Medo” (1979), de David Cronenberg, e “Nasce um Monstro” (1974), de Larry Cohen, entre outros. Apesar dessas citações, “As Boas Maneiras” tem uma brasilidade muito forte, com festas juninas e uma projeção de São Paulo próxima do gótico, com a força da lua sempre sendo um elemento presente. A fotografia é linda e de autoria do português Rui Poças, conhecido por obras tão belas e distintas quanto “Tabu” (2012), “O Ornitólogo” (2016), “Zama” (2017) e “Severina” (2017). Mas o filme também conquista do ponto de vista humano. Tanto nas relações de afeto entre Clara e Ana, quanto nas relações de mãe e filho entre Clara e o menino Joel (Miguel Lobo). O pequeno Joel, dada sua condição de lobo, precisa se submeter a certos sacrifícios. É até possível que o espectador saia um pouco contrariado da sessão, por não encontrar nem um terror tradicional nem um drama típico, sem perceber que ver uma obra como esta no cinema brasileiro é um privilégio e tanto. Uma obra que marca época e impacta o desenvolvimento dos filmes de gênero no país.

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