Veja os primeiros minutos da 2ª temporada de American Gods
O canal pago americano Starz divulgou os primeiros minutos da 2ª temporada de “American Gods”. Após passar por vários problemas na produção, a série vai retornar em março, com um hiato de 21 meses desde o final da 1ª temporada. O atraso imenso se deve aos bastidores conturbados da atração, que desde o último episódio exibido perdeu seus showrunners e até o substituto. Adaptação do best-seller “Deuses Americanos”, de Neil Gaiman, a série gira em torno de Shadow Moon, um ex-condenado que é libertado da prisão após sua esposa morrer num acidente. Completamente só e falido, ele aceita trabalhar como guarda-costas para um vigarista misterioso chamado Mr. Wednesday, que parece saber mais sobre a sua vida do que deixa transparecer. Isto porque Wednesday é a encarnação do deus Odin, que está percorrendo a Terra para reunir todos os deuses antigos e iniciar uma batalha contra os novos deuses que controlam a humanidade atual: internet, televisão, cartão de crédito, etc. O elenco original incluía Ricky Whittle (Lincoln em “The 100”) como Shadow Moon, Ian McShane (série “Deadwood”) como Mr. Wednesday, além de Emily Browning (“Sucker Punch”), Gillian Anderson (“Arquivo X”), Crispin Glover (“Alice no País das Maravilhas”), Peter Stormare (série “Prison Break”), Pablo Schreiber (série “Orange Is the New Black”), Jonathan Tucker (série “Justified”), Dane Cook (“Tiros, Garotas e Trapaças”), Yetide Badaki (série “Sequestered”), Kristen Chenoweth (série “Glee”), Jeremy Davies (“Justified”), Orlando Jones (série “Sleepy Hollow”) e a veterana Cloris Leachman (“Como Sobreviver a um Ataque Zumbi”). Mas alguns atores preferiram deixar a série ao final da 1ª temporada em solidariedade aos produtores originais, Michael Green e Bryan Fuller, que foram demitidos após conflito criativo e financeiro com a empresa Fremantle, que produz a série. Para o lugar deles, a produtora promoveu Jesse Alexander (“Agent X”). Mas ele também caiu durante a gravação dos novos episódios. Segundo o site The Hollywood Reporter, Alexander foi proibido de aparecer no set, acompanhar a edição do material gravado ou participar de qualquer forma da produção. A crise teria sido gerada pela rejeição do roteiro do episódio final da temporada. Alexander chegou a entregar vários rascunhos e nenhum agradou ao estúdio. Fontes dizem que a Fremantle chegou a paralisar a produção até encontrar um final satisfatório. Superados os problemas, a 2ª temporada de “American Gods” teve sua estreia marcada para 10 de março. Exibida pelo canal pago Starz nos Estados Unidos, a série é disponibilizada com um dia de atraso no Brasil pela plataforma Prime Video, da Amazon, responsável por sua distribuição internacional. Your worship of #AmericanGods has been rewarded. Check out the first three minutes of Season 2, and don't miss the premiere March 10 on @STARZ. pic.twitter.com/Vnu3x1GI1s — American Gods (@AmericanGodsSTZ) 30 de dezembro de 2018
Chloë Moretz vai estrelar filme baseado em disco clássico de Bob Dylan
A atriz Chloë Grace Moretz vai retomar sua parceria com Luca Guadagnino em “Blood on the Tracks”, filme baseado no lendário disco de mesmo nome de Bob Dylan. Moretz trabalhou com o diretor no remake do terror Suspiria, lançado em 2018. “Ela é uma ótima atriz, uma pessoa maravilhosa e tem uma família excepcional. Eu tive a oportunidade de trabalhar com ela em ‘Suspiria’, e agora ela já está confirmada no meu próximo filme. Ela terá um papel importante”, afirmou o diretor para o site italiano Bad Taste. O projeto é da produtora RT Features, do brasileiro Rodrigo Teixeira (que produziu “Me Chame pelo Seu Nome”), e tem roteiro de Richard LaGravenese (“Invencível“) escrevesse o roteiro. A trama deve acompanha diversos personagens ao longo da década de 1970, inspirando-se nos temas principais do álbum. Curiosamente, o disco já inspirou um filme antes. Em 2007, o filme “Não Estou Lá”, que faz um apanhado simbólico da vida de Bob Dylan, adaptou os temas de “Blood on the Tracks” durante a passagem com participação de Heath Ledger (“O Cavaleiro das Trevas“). Considerado um de seus melhores discos de Dylan – e, segundo a revista Rolling Stone, o 16º melhor álbum de todos os tempos – , “Blood on the Tracks” foi lançado em 1975. Relembre abaixo as duas músicas mais famosas do disco.
Ryan Reynolds revela imagem de captura facial de sua interpretação de Pikachu
O ator Ryan Reynolds (“Deadpool”) compartilhou em seu Instagram um foto do processo de captura de movimento para viver Pikachu no filme “Pokémon: Detetive Pikachu”. A imagem revela que, além de dublar o monstrinho, ele também vai emprestar suas expressões faciais para o personagem. “Você é adorável! Você é adorável! Você é adorável!”, ele escreveu ao lado da imagem. O filme é a adaptação de um game da Nintendo, que em inglês se chama “Great Detective Pikachu”. E é bem diferente dos desenhos que os fãs conhecem. Para começar, jogo e filme mostram Pikachu com um chapeuzinho de Sherlock Holmes para deixar claro que ele é um detetive – o público não saberia sem o chapéu, imagina-se. Mas a maior diferença é que o Pikachu fala na produção de cinema. Ou melhor, sua fala é entendida como uma conversa normal por outros pokémons e por um humano em particular, um jovem americano chamado Tim Goodman. Para o resto do mundo, porém, tudo o que ele diz continua a ser entendido como repetições do mesmo palavrão – pika-pika-pika. Graças a sua capacidade única para entendê-lo, Goodman se alia ao Detetive Pikachu para encontrar seu pai, um policial lendário, que está desaparecido. O roteiro da adaptação foi escrito por Nicole Perlman (“Guardiões da Galáxia”) e Alex Hirsch (criador da série animada “Gravity Falls”) e a direção está a cargo de Rob Letterman (“Goosebumps – Monstros e Arrepios”). Já o elenco destaca, além de Ryan Reynolds como a voz de Pikachu, o ator Justice Smith (série “The Get Down”) como Tim, e ainda Suki Waterhouse (“Orgulho e Preconceito e Zumbis”), Kathryn Newton (série “Supernatural”), Ken Watanabe (“A Origem”), Bill Nighy (“Uma Questão de Tempo”), a cantora Rita Ora (“Cinquenta Tons de Cinza”) e Karan Soni (também de “Deadpool”). A estreia está marcada para 9 de maio no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos. Pokémon: Detetive Pikachu | Monstrinhos celebram Natal com anjo de neve em novas imagens As expressões do ator são refletidas no personagem por um sistema de pontos digitais. Confira abaixo! >> CONTINUA APÓS PUBLICIDADE O elenco do live-action do jogo homônimo inspirado no universo de Pokémon conta com Ryan Reynolds (como a voz de Pikachu), Justice Smith, Ken Watanabe e Kathryn Newton. A história seguirá um falante Pikachu, que ama café e solucionar problemas. Visualizar esta foto no Instagram. YOURE ADORABLE YOURE ADORABLE YOURE ADORABLE YOURE ADORABLE Uma publicação compartilhada por @ rynrenolds em 30 de Dez, 2018 às 11:11 PST
Kéfera Buchmann canta música ruim e tem a melhor memória do mundo em vídeos de Eu Sou Mais Eu
A Imagem Filmes divulgou dois novos vídeos de “Eu Sou Mais Eu”, comédia brasileira de viagem no tempo estrelada por Kéfera Buchmann (“É Fada”), que pede para o público acreditar em coisas impossíveis. Um deles é acompanhado por uma música muito ruim que, segundo a sinopse, é hit da personagem da atriz. O outro mostra uma briga generalizada durante um jogo, predita em detalhes pela viajante do futuro – que deve ter a melhor memória do mundo, tamanho o exagero de sua precisão na cena. Sessão da Tarde assumida, a trama juvenil sem pé nem cabeça mostra Kéfera como uma cantora famosa e arrogante que, ao ser traumatizada pelo encontro com uma fã assustadora, acorda em 2004, tendo que viver novamente sua vida como uma adolescente perdedora. Por coincidência ou não, 2004 foi o ano de lançamento do hollywoodiano “De Repente 30”, em que uma adolescente virava adulta. Mas a trama de “Eu Sou Mais Eu” não se resume à inversão etária. Há o artifício de viagem no tempo mágica, que é o mesmo usado em “Peggy Sue, seu Passado a Espera” (1986), e principalmente um tom de fábula dickensiana que prevalece na trama moralista. Afinal, a fã com poderes mágicos que pretende dar uma lição de humildade na celebridade rabugenta age exatamente como um fantasma de natais passados diante do velho Scrooge. O roteiro é do pau-pra-toda-obra L.G. Bayão, que produz em ritmo de fábrica para católicos (“Irmã Dulce”), espíritas (“Kardec”) e seguidores de auto-ajuda (“O Vendedor de Sonhos”), e vai do terror (“Motorrad”) ao filme infantil (“Detetives do Prédio Azul 2: O Mistério Italiano”) sem distinção – foram cinco roteiros filmados só no ano passado! – em parceria com Angélica Lopes, das comédias “Divórcio” e “Uma Loucura de Mulher”. A direção é de Pedro Amorim (também de “Divórcio”) e o elenco ainda destaca João Côrtes (“O Segredo de Davi”) e Giovanna Lancellotti (“Tudo por um Pop Star”) como personagens de filme adolescente americano – o nerd e a bullynadora. Detalhe curioso é que o filme ia se chamar “De Novo Não!”. Alguém reparou na piada pronta e sugeriu mudar. A estreia está marcada para 24 de janeiro.
Aquaman reina nos EUA e já supera Esquadrão Suicida em bilheteria mundial
“Aquaman” fincou seu tridente no topo das bilheterias da América do Norte pelo segundo fim de semana consecutivo. A adaptação dos quadrinhos da DC Comics faturou US$ 51,5M (milhões) entre sexta e domingo (30/12), uma queda de apenas 27% de arrecadação em relação à semana passada. Com isso, chegou a US$ 188,7M em 10 dias nos Estados Unidos e Canadá. No mercado internacional, onde foi lançado há quatro semanas, o longa somou mais US$ 85,4M de 75 países. Totalizando tudo, a produção da Warner atingiu US$ 748,7M mundialmente, superando as arrecadações finais de “Liga da Justiça” (US$ 657M), “Homem de Aço” (US$ 668M) e “Esquadrão Suicida” (US$ 746,8M). Neste ritmo, “Aquaman” pode ultrapassar “Mulher-Maravilha” (US$ 821,8M) até o próximo fim de semana e, possivelmente, até “Batman vs Superman” (US$ 873,6M) em mais alguns dias, o que faria do filme dirigido por James Wan o mais bem-sucedido do universo compartilhado da DC Comics. O resto do Top 5 está exatamente igual ao ranking da semana passada, com “O Retorno de Mary Poppins”, “Bumblebee”, “Homem-Aranha no Aranhaverso” e “A Mula” completando a lista. Vale destacar que “A Mula” representa outra vitória da Warner neste fim do ano. Sua arrecadação de US$ 60,7M marca o terceiro melhor desempenho do diretor Clint Eastwood no mercado doméstico nos últimos tempos, atrás de “Sully” e “Sniper Americano”. O filme ainda não foi lançado no resto do mundo e chega no Brasil apenas em 14 de fevereiro. As novidades só aparecem em 6º e 7º lugares. “Vice” e “Holmes & Watson” chegaram aos cinemas norte-americanos na terça (25/12), durante o feriado de Natal, mas não tiveram muito impacto nas bilheterias. “Vice” não virou o queridinho da crítica que muitos apostavam que seria. Apesar dos elogios à transformação de Christian Bale, ficou com 64% de aprovação no site Rotten Tomatoes, abaixo do recomendado para sua aspiração a prêmios. Desembarca no Brasil em 31 de janeiro. Já “Holmes & Watson” chegou a registrar 0% de aprovação. Mas acabou melhorando, ao terminar o fim de semana com 9%, pior avaliação da carreira da maioria dos envolvidos. A data de sua estreia no Brasil sumiu “misteriosamente”. Confira abaixo os rendimentos dos 10 filmes mais vistos no final de semana nos Estados Unidos e no Canadá, e clique em seus títulos para ler mais sobre cada produção. BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. Aquaman Fim de semana: US$ 51,5M Total EUA e Canadá: US$ 188,7M Total Mundo: US$ 748,7M 2. O Retorno de Mary Poppins Fim de semana: US$ 28M Total EUA e Canadá: US$ 98,9M Total Mundo: US$ 173,3M 3. Bumblebee Fim de semana: US$ 20,5M Total EUA e Canadá: US$ 66,7M Total Mundo: US$ 156,7M 4. Homem-Aranha no Aranhaverso Fim de semana: US$ 18,3M Total EUA e Canadá: US$ 103,6M Total Mundo: US$ 213,2M 5. A Mula Fim de semana: US$ 11,7M Total EUA e Canadá: US$ 60,7M Total Mundo: US$ 60,7M 6. Vice Fim de semana: US$ 7,7M Total EUA e Canadá: US$ 17,6M Total Mundo: US$ 17,6M 7. Holmes & Watson Fim de semana: US$ 7,3M Total EUA e Canadá: US$ 19,7M Total Mundo: US$ 23,7M 8. Uma Nova Chance Fim de semana: US$ 7,2M Total EUA e Canadá: US$ 21,7M Total Mundo: US$ 28,3M 9. Wifi Ralph: Quebrando a Internet Fim de semana: US$ 6,5M Total EUA e Canadá: US$ 175,7M Total Mundo: US$ US$ 350,4M 10. O Grinch Fim de semana: US$ 4,2M Total EUA e Canadá: US$ 265,5M Total Mundo: US$ 469,4M
Asako I & II questiona romantismo de forma criativa
O Festival de Cannes tem o hábito de colocar em sua mostra competitiva obras de cineastas já celebrados. Daí a surpresa quando um nome menos conhecido vira destaque, como o de Ryûsuke Hamaguchi com seu “Asako I & II” em 2018. Acontece que o diretor já vinha se projetando e até foi bastante premiado em outros festivais com um longa de mais de cinco horas de duração, “Happy Hour” (2015), inédito comercialmente no Brasil. Com 10 filmes no currículo, incluindo curtas e documentários, Hamaguchi finalmente chega ao circuito brasileiro com seu “Asako I & II”, um drama romântico desconcertante. Ora o filme opta por um estilo mais naturalista, ora seus personagens parecem mais afetados nas interpretações. Isso acontece principalmente no primeiro momento, quando, embriagada de amor, a jovem Asako (Erika Karata) se vê sem chão quando seu amado Baku (Masahiro Higashide) desaparece. Ela muda de cidade, sai de Osaka e vai morar em Tóquio e tenta reconstruir sua vida. E quando o filme parece se aproximar de uma linha mais realista, e de fato o tom do filme muda um pouco, surge algo que perturba o coração de Asako: o fato de ela conhecer um rapaz idêntico a Baku. O jovem, de nome Ryôhei, vira rapidamente co-protagonista da narrativa. Diferente do enigmático Baku, Ryôhei é um sujeito comum, que sente que tem a sorte de conhecer uma moça tão bela e tão terna quanto Asako. O problema para Asako é que ela não sabe se o que ela sente por Ryôhei se dá pelo fato de ele ser muito parecido com Baku ou se ela está mesmo se apaixonando ou se apegando afetuosamente ao rapaz, que passa a representar a sua estabilidade emocional. Há uma cena entre os dois que é linda dentro de um contexto de caos, um encontro durante um terremoto. Mas há outra que é ainda mais bonita, já dentro do contexto de uma relação estável: Ryôhei está deitado no chão e Asako massageia seus pés. Aquele momento parece algo bem próximo do paraíso na Terra. O que “Asako I & II” traz de diferente em relação a outros dramas românticos, ou mesmo comédias românticas, é que ele procura inverter a felicidade, que deixa de ser algo mais próximo do romantismo para virar algo mais próximo do realismo. Para uma cultura que fez brotar um cineasta como Yasujiro Ozu, é até compreensível.
A Pé Ele Não Vai Longe destaca novo desempenho marcante de Joaquin Phoenix
“A Pé Ele Não Vai Longe”, o mais recente trabalho de Gus Van Sant (de filmes como “Milk”, “Elefante”, “Gênio Indomável” e “Drugstore Cowboy”) é uma cinebiografia do cartunista John Callahan (1951-2010). O cartunista de Portland obteve bastante sucesso com seu humor perverso, demolidor, para quem nada é tabu. Mas que alcançava com traços simples, sorrisos irônicos e boas risadas. Era tetraplégico e fazia piada até da própria deficiência, assim como de qualquer outra vulnerabilidade. Um humor corrosivo, que também incomodava muito, o que pode ser visto como mérito. Talento não lhe faltava. O filme, porém, ao tratar da figura do cartunista, vai muito além do seu trabalho. A condição de tetraplégico derivou de um acidente automobilístico terrível, provocado por ele próprio e um amigo, totalmente embriagados e agindo da forma mais irresponsável possível. Só que não foi um fato isolado. Callahan era um alcoólatra contumaz. E nunca buscou ajuda para tentar, ainda que fosse em pequena escala, ter a situação sob controle. Só foi atrás dela depois que sobreviveu ao acidente. Foi por meio dos Alcoólicos Anônimos, e seus famosos Doze Passos, que ele se reencontrou consigo mesmo e com a vida. O filme mostra essa atuação como algo positivo, muito sério, consistente e profundo. Sabe-se que nem sempre é assim e que o moralismo embutido aí, assim como o caráter mecânico e repetitivo dos rituais dos AA, também são objeto de crítica. Ao que tudo indica, porém, funciona, na maioria dos casos. O ponto alto do filme de Gus Van Sant é o desempenho, sempre marcante, de Joaquin Phoenix como protagonista, num daqueles papéis que exigem tudo e mais um pouco do ator.
O Confeiteiro questiona valores tradicionais de cama e mesa
O filme indicado por Israel para concorrer ao Oscar de produção estrangeira não entrou na lista de classificados. Talvez porque os concorrentes fossem muito fortes, já que “O Confeiteiro” é um belo trabalho cinematográfico. A trama envolve um triângulo amoroso: entre Oren (Roy Miller), um executivo judeu de Israel, que vai a Berlim mensalmente a trabalho, Anat (Sarah Adler), sua mulher de família religiosa, que vive em Israel e cuida de um café que preza por seu certificado kosher, e Thomas (Tim Kalkhof), o confeiteiro alemão do título, com quem Oren se envolve amorosamente. O tratamento dado a esse triângulo pelo diretor e roteirista Ofir Raul Graizer é o que faz a diferença. O filme aborda diversas questões, sempre com muita sutileza, utilizando-se da ironia e tratando de negações, perdas e descobertas. Um dos grandes focos de “O Confeiteiro” é, naturalmente, a comida, kosher ou não, particularmente os doces. É por meio deles que Oren conhece Thomas, passa a frequentar regularmente sua padaria quando vai a Berlim e traz deliciosos biscoitos de canela que Anat adora. É a habilidade de confeiteiro de Thomas que o aproximará muito de Anat no café dela, em Israel, na ausência de Oren. O convívio de ambos será terno e colaborativo, mas a história por trás disso é irônica, já que há coisas escondidas, não ditas, e há manipulação na situação. No entanto, tudo vai se construindo num tom leve, embora a gente perceba que algo inevitavelmente terá de acontecer. O sucesso da comida que não é kosher, que está na base da situação, cria algum conflito, especialmente por parte do irmão de Anat, Moti (Zohar Strauss), que é religioso convicto. É essa comida questionada, porém, o que conquista tanto Oren quanto Anat e o público judaico do café. A origem alemã não judaica de Thomas, com os elementos históricos complicados conhecidos, seria outro empecilho, tanto ao trabalho quanto à relação amorosa. Mas também aí os princípios não vingam. Aliás, princípios têm sempre de passar pelo crivo da realidade concreta da vida, do contrário se tornam fundamentalismos tolos e opressores. Outra sutileza do filme é o compartilhamento da perda, não explicitado, entre Thomas e Anat. E é porque esse compartilhamento existe que importantes descobertas podem acontecer. Mesmo o rompimento que se anunciava na trama surpreende por se dar de forma abrupta e até agressiva, mas pela intervenção externa, já que o que foi construído, na verdade, não desmoronou. A sutileza marcada pelos vínculos que se criaram vai literalmente até a última sequência de “O Confeiteiro”. Numa época em que o cinemão prima pela ação desmedida, pelo excesso e pelo explícito, ver um filme que tem como marca a sutileza é altamente recompensador. É possível acompanhar a narrativa ponto a ponto, detalhe a detalhe, intuir o que vem, identificar-se com ações, motivações e circunstâncias dos personagens, tentar entender devagar, sem precisar emitir julgamentos. O que “O Confeiteiro” nos mostra é que a vida, as relações pessoais e seus determinantes culturais, étnicos, históricos ou religiosos, são coisas complexas que interferem de modo intenso, mas também sutil, em tudo. É por isso que o tal triângulo amoroso, tão conhecido e manjado, assume aqui uma dimensão mais profunda. O filme está distante do folhetim, do melodrama, tal como costumam ser concebidos. Claro que o desempenho dos atores protagonistas precisava se expressar da forma mais sutil e delicada possível, e isso foi conseguido. São interpretações suaves, contidas, mesmo nos momentos mais sofridos.
Ringo Lam (1955 – 2018)
O influente diretor de cinema, produtor e roteirista Ringo Lam morreu de causas naturais em sua casa, em Hong Kong, neste sábado (29/12), aos 63 anos. Ringo Lam Ling-Tung nasceu em Hong Kong em 1955, mas estudou cinema no Canadá. Seus primeiros filmes, lançados no começo dos anos 1980, foram comédias. Até que em 1987 ele realizou seu primeiro thriller de ação, “Perigo Extremo” (City of Fire), estrelado pelo ainda pouco conhecido Chow Yun-Fat (“O Tigre e o Dragão”). “Perigo Extremo” foi um das primeiras produções asiáticas a fazer sucesso internacional fora do nicho das artes marciais. Passou a ser cultuado como exemplo do revigorante cinema de ação que surgia na época em Hong Kong, e até hoje é considerado uma das principais influências na carreira de Quentin Tarantino. A repercussão do longa fez Lam se especializar em thrillers que mostravam o lado mais sombrio de Hong Kong. No mesmo ano, retomou a parceria com Chow Yun-Fat em “Prisioneiro do Inferno” (1987), que teve continuação em 1991. Ainda assinou outro clássico com o ator, “À Flor da Pele” (1992), em que atingiu o ápice. Paralelamente, também dirigiu Jackie Chan na comédia de ação “Dragões em Dose Dupla” (1992). E acabou seduzido por Hollywood, onde estreou em 1996, comandando Jean-Claude Van Damme em “Risco Máximo”. Os dois ficaram amigos e a parceria ainda rendeu mais um par de longa-metragens, “Replicante” (2001) e “Hell” (2003), rodados com baixo orçamento e lançados no mercado de home video. Sua carreira continuou prestigiada em Hong Kong, onde ainda fimou “Triangle” (2007) em parceria com Johnnie To (do clássico “Eleição”) e “Sky on Fire” (2016), estrelado por Daniel Wu (da série “Into the Badlands”), entre outros. Ele trabalhava atualmente numa antologia de histórias de ação com os principais diretores do gênero de Hong Kong – entre eles, o citado Johnnie To, Hark Tsui e John Woo.
June Whitfield (1925 – 2018)
A atriz inglesa June Whitfield, que teve longa carreira na TV britânica, morreu em sua casa na noite de sexta-feira (28/12), aos 93 anos. Sua trajetória de mais de cinco décadas de produções televisivas inclui diversos sucessos, entre eles as sitcoms “Happy Ever After” (1974–1979) e “Terry and June” (1979–1987), nas quais viveu as principais personagens femininas. Mas ela é mais lembrada por uma produção recente, “Absolutely Fabulous” (1992–2012), em que interpretou a mãe da protagonista e criadora da atração, Jennifer Saunders. Whitfield também fez incontáveis participações especiais, aparecendo até num episódio duplo de “Doctor Who”, em 2009, num capítulo do popular sitcom americano “Friends”, em 1998, e como Deus em “You, Me and the Apocalypse”, em 2015. Seu último trabalho foi no filme baseado em “Absolutely Fabulous”, lançado nos cinemas em 2016.
Interatividade de Black Mirror: Bandersnatch não funciona em diversos dispositivos
O filme interativo da Netflix, “Black Mirror: Bandersnatch”, foi lançado “de surpresa” na sexta (28/12) e rapidamente despertou a curiosidade dos usuários do serviço de streaming, bem como da imprensa. Tem até quem acha que nem se trata de um filme, mas de um simples videogame, como apurou o site Deadline junto a especialistas. Porém, várias pessoas estão reclamando que o filme/game não funciona em seus dispositivos. Smart TVs mais antigas com aplicativos da Netflix não rodam o filme devido aos requisitos de pré-visualização. Também não dá para assistir a “Bandersnatch” usando o Google Chrome, Apple TV ou Amazon Fire, por motivos técnicos. Os usuários que tentarem acessar o episódio interativo nessas plataformas estão vendo algo muito anti-climático: um pequeno vídeo de personagens de outros episódios pedindo desculpas. A plataforma de streaming não explicou o motivo do filme não “rodar” nesses dispositivos. Em vez disso, divulgaram que “Black Mirror: Bandersnatch” funciona na maioria das Smart TVs, em dispositivos Roku e em consoles de videogame como o PS4 e o Xbox One.
Ator de Prison Break passa o Réveillon em praia de Pernambuco
O ator Amaury Nolasco, conhecido por interpretar o personagem Sucre na série “Prison Break”, está no Brasil para comemorar a chegada de 2019 numa praia pernambucana. Ele confirmou presença pelo segundo ano consecutivo na Praia dos Carneiros, localizada a 90 km de Recife e eleita uma das mais bonitas do mundo. Desde o fim de semana, o local virou uma balada sem fim, que completará cinco festas com DJs até o Ano Novo. “Esse lugar é um pequeno tesouro escondido no Brasil, que eu adoraria ter para mim”, contou o porto-riquenho, que compartilhou vídeos de sua chegada – de helicóptero! – em seu Stories. Veja uma montagem abaixo. Além do ator porto-riquenho, o Réveillon dos Carneiros contará com diversas celebridades brasileiras, entre eles atores de novelas e outros que ficaram famosos por osmose, ao aparecer bastante em sites sobre famosos.
Pinky Malinky: Série animada de salsicha adolescente ganha trailer dublado
A Netflix divulgou o trailer dublado da série animada “Pinky Malinky”, sua primeira parceria com o canal infantil Nickelodeon. A animação acompanha as aventuras de uma salsicha masculina adolescente, o Pinky Malinky do título, que não só fala como começa a frequentar o colégio local, onde busca se tornar popular. O projeto tem quase uma década. Criado por Chris Garbutt e Rikke Asbjoern, surgiu como um curta do Cartoon Network europeu em 2009 e recebeu encomenda de sua 1ª temporada em 2015 na Nick. O detalhe é que, desde então, enfrentou inúmeros adiamentos de sua estreia, virando vítima de procrastinação deliberada. A prévia revela um conteúdo absolutamente nonsense, que pode ter sido responsável pela desistência da Nick. O fato é que a produção acabou entrando no recente acordo de parceria entre a Paramount e a Netflix, que visa a produção de novos projetos exclusivos para o streaming. Não só isso: a Netflix também teria já encomendado sua 2ª temporada. A 1ª temporada da animação tem 20 episódios e traz Lucas Grabeel (da franquia “High School Musical”) como a voz original (em inglês) do salsicha protagonista. “Pinky Malinky” estreia na Netflix na terça (1/1).












