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Divulgação/A24

Filme,  Série|31 de outubro de 2026

Guia da Pipoca: As 10 melhores estreias de streaming da primeira semana de novembro

Novidades incluem o terror "Backrooms: Um Não-Lugar" e a estreia de Cauã Reymond na série americana "Tudo É Justo"

O Guia da Pipoca apresenta os dez principais títulos que chegam ao streaming na primeira semana de novembro. Os destaques são lançamentos da Netflix, Prime Video, HBO Max, Disney+, Universal+ e Apple TV, incluindo o fenômeno do terror “Backrooms: Um Não-Lugar”. A relação também traz a estreia de Cauã Raymond em “Tudo é Justo” e novas temporadas do drama de época “A Idade Dourada” e do thriller de espionagem “Black Doves”, com Keira Knightley. Confira as dicas.

 

Pipoque pelo Texto ocultar
1 🎞️ PREMONIÇÃO 6: LAÇOS DE SANGUE | Netflix
2 📺 A IDADE DOURADA 4 | HBO Max
3 📺 STICK 2 | Apple TV
4 📺 TUDO É JUSTO 2 | Disney Plus
5 📺 BLACK DOVES 2 | Netflix
6 🎞️ AMOR POSSÍVEL | Netflix
7 📺 DEVILS’ CREST | Prime Video
8 🎞️ BACKROOMS: UM NÃO-LUGAR | Disney+
9 🎞️ BIGGS BY BIGGS | Universal+
10 📺 AWKWAFINA: A COZINHEIRA IMPROVÁVEL | Apple TV
11 Mais Pipoca

DOMINGO


 

🎞️ PREMONIÇÃO 6: LAÇOS DE SANGUE | Netflix

Quatorze anos depois do último filme, a franquia de terror que transformou acidentes cotidianos em armadilhas mortais retornou aos cinemas com uma mudança importante: a Morte não persegue apenas os sobreviventes de uma tragédia, mas seus descendentes. Dirigido por Zach Lipovsky e Adam B. Stein (“Aberrações”), o 6º longa amplia a mitologia iniciada em 2000, recuperando o humor macabro e as elaboradas sequências de acidentes que fizeram da série um fenômeno entre os fãs do gênero.

Stefanie (Kaitlyn Santa Juana, de “The Friendship Game”) é uma universitária atormentada por pesadelos recorrentes sobre o desabamento de uma torre de observação nos anos 1960. Ao investigar as visões, descobre que sua avó Iris (Gabrielle Rose) conseguiu impedir uma tragédia naquela época, salvando pessoas que deveriam ter morrido. A intervenção alterou a ordem natural dos acontecimentos e permitiu o nascimento de várias gerações que, segundo as regras da franquia, jamais deveriam ter existido. Agora, a Morte pretende corrigir o desvio e eliminar todos os integrantes da família.

A principal diversão continua sendo a construção de acidentes em cadeia, nos quais objetos aparentemente inofensivos se transformam em instrumentos de uma fatalidade inevitável. A direção utiliza essa expectativa para criar situações que alternam tensão e humor grotesco, com mortes particularmente inventivas. A ligação familiar também dá uma lógica mais ampla à perseguição, evitando repetir simplesmente a fórmula de um grupo de jovens que escapa de um desastre.

O longa ainda marca a despedida de Tony Todd, morto em 2024, que retorna como o misterioso William Bludworth. Sua presença estabelece uma conexão afetiva com os capítulos anteriores, enquanto o roteiro encontra espaço para explorar as origens do conhecimento do personagem sobre a Morte. O resultado recupera a violência criativa e a ironia que distinguem a franquia das histórias tradicionais de assassinos sobrenaturais.


 

📺 A IDADE DOURADA 4 | HBO Max

A disputa entre os milionários tradicionais de Nova York e os novos ricos da industrialização americana continua na série de época criada por Julian Fellowes (“Downton Abbey”). Ambientada nos anos 1880, a produção acompanha a ascensão de famílias que conquistaram fortunas com ferrovias e grandes negócios, mas ainda precisam comprar seu lugar numa sociedade dominada por sobrenomes antigos. Carrie Coon (“The White Lotus”) e Christine Baranski (“The Good Fight”) protagonizam os conflitos baseados em ambição, tradição e prestígio social.

Depois de conquistar uma posição central na alta sociedade, Bertha Russell (Coon) enfrenta as consequências de suas manobras, que colocaram em risco o equilíbrio da própria família. Sua rival Agnes van Rhijn (Baranski) percebe uma oportunidade de recuperar parte da influência perdida, enquanto Marian Brook (Louisa Jacobson) procura construir um futuro independente das expectativas da tia. Enquanto isso, Peggy Scott (Denée Benton), jornalista negra que conquistou espaço profissional apesar das barreiras raciais, enfrenta dificuldades para ser aceita pela família de seu futuro marido.

A 4ª temporada mantém o interesse de Fellowes pelos códigos sociais que transformam casamentos, recepções e convites para eventos em instrumentos de poder. Embora as disputas pareçam superficiais, suas consequências envolvem fortunas, oportunidades profissionais e o reconhecimento de famílias inteiras. A riqueza dos figurinos e cenários também reproduz uma sociedade em transformação, na qual a ostentação se tornou uma forma pública de legitimar o sucesso econômico.

O contraste entre Bertha e Agnes continua sendo o principal motor da série, mas a trajetória de Peggy oferece uma perspectiva diferente sobre esse universo. Enquanto as personagens brancas disputam posições numa elite que já conhecem, a jornalista enfrenta uma estrutura que restringe sua participação independentemente de seus méritos. A presença simultânea desses conflitos impede que a reconstrução histórica se limite à nostalgia dos grandes salões de baile.


 

QUARTA


 

📺 STICK 2 | Apple TV

Owen Wilson (“Loki”) volta ao campo de golfe na comédia esportiva criada por Jason Keller, roteirista de “Ford vs Ferrari”. A série acompanha um ex-jogador profissional que fracassou na própria trajetória e encontrou uma segunda oportunidade ao descobrir um adolescente com habilidades excepcionais e se tornar mentor.

Pryce Cahill (Wilson) passou duas décadas afastado das competições depois de desperdiçar uma carreira promissora. Ao conhecer Santi Wheeler (Peter Dager), um jovem de 17 anos com talento natural para o golfe, decide investir na formação do rapaz e acaba construindo uma família improvisada ao lado da mãe do adolescente, Elena (Mariana Treviño), e do amigo Mitts (Marc Maron). Agora, Santi começa a enfrentar as exigências do circuito profissional, enquanto Pryce é incentivado pelo antigo rival Clark Ross (Timothy Olyphant) a tentar uma volta improvável às competições.

A continuação coloca o ex-atleta diante da possibilidade de se tornar o jogador mais velho a conquistar um dos principais torneios do esporte. Para isso, recebe a ajuda da treinadora Amanda, interpretada por Rhea Seehorn (“Pluribus”), enquanto Mitts assume a função de auxiliar nas partidas. A preparação, entretanto, obriga Pryce a revisitar os problemas que determinaram seu fracasso original, incluindo decisões pessoais que sempre preferiu atribuir ao azar.

A comédia encontra seu interesse no contraste entre duas fases da carreira esportiva: Santi precisa aprender a conviver com as expectativas provocadas pelo sucesso, enquanto seu mentor tenta descobrir se ainda possui condições de competir. A personalidade expansiva de Wilson e o humor amargo de Maron ajudam a impedir que a história se transforme numa sucessão de discursos motivacionais. A recuperação da autoestima aparece ligada a dificuldades concretas, especialmente à necessidade de aceitar erros que não podem ser corrigidos apenas com treinamento.


 

📺 TUDO É JUSTO 2 | Disney Plus

A 2ª temporada marca a estreia de Cauã Reymond (“Vale Tudo”) no melodrama jurídico de Ryan Murphy (“American Horror Story”), estrelado por Kim Kardashian (“American Horror Story”), Naomi Watts (“Bem-Vindos à Vizinhança”), Sarah Paulson (“American Horror Story”) e Glenn Close (“A Esposa”) como advogadas especializadas em divórcios milionários. O brasileiro entra no elenco regular no papel de um guarda-costas encarregado de proteger Allura Grant (Kim Kardashian), depois que a advogada sofre uma tentativa de assassinato, e estabelece uma relação conflituosa com a protagonista, que precisa aceitar suas ordens para permanecer viva. A proximidade entre os dois também sugere um possível envolvimento amoroso, acrescentando uma nova complicação à vida pessoal de Allura.

A protagonista continua à frente de um escritório especializado em divórcios milionários, fundado ao lado de Liberty Ronson (Naomi Watts) e Emerald Greene (Niecy Nash-Betts). A empresa enfrenta uma crise quando novas alianças ameaçam a confiança entre as sócias e uma revelação coloca em risco a sobrevivência do negócio. Sarah Paulson retorna como a advogada rival Carrington Lane, enquanto Glenn Close interpreta Dina Standish, mentora das advogadas.

A série mantém a combinação de escândalos conjugais, disputas profissionais, luxo ostensivo e personagens de comportamento extravagante que marcou sua estreia. As separações milionárias funcionam principalmente como pretexto para intrigas pessoais, enquanto o discurso de empoderamento feminino convive com a ostentação de riqueza e os excessos característicos das produções de Murphy. A 1ª temporada sofreu com diálogos artificiais e uma abordagem jurídica pouco convincente, mas encontrou no espetáculo das rivalidades seu principal atrativo. A chegada de Reymond introduz um novo elemento nesse universo, com o ator brasileiro inserido diretamente nos conflitos e nas provocações que movimentam a produção.


 

QUINTA


 

📺 BLACK DOVES 2 | Netflix

Keira Knightley (“A Mulher na Cabine 10”) e Ben Whishaw (“Isso Vai Doer”) retornam como uma espiã e um assassino profissional numa das séries britânicas que melhor combinaram ação, conspiração política e humor negro nos últimos anos. Criada por Joe Barton (“Giri/Haji”), a produção acompanha uma organização clandestina especializada em comercializar informações sigilosas, infiltrando seus agentes nos círculos mais próximos do poder. Depois de uma primeira temporada marcada por assassinatos e disputas diplomáticas, os protagonistas enfrentam agora uma ameaça que nasce dentro da própria rede de espionagem.

Helen Webb (Knightley) continua utilizando o casamento com Wallace (Andrew Buchan), um político britânico em ascensão, para repassar segredos do governo à organização Black Doves. A situação se torna mais perigosa quando o marido se prepara para assumir o cargo de primeiro-ministro, colocando a agente cada vez mais perto das decisões centrais do país. Ao mesmo tempo, uma conspiração ameaça derrubar a enigmática senhora Reed (Sarah Lancashire), chefe da rede, obrigando Helen a procurar novamente a ajuda de Sam (Whishaw).

O antigo assassino de elite atravessa uma fase de decadência, entre bebedeiras nos bares do Soho e trabalhos menores. Seu reencontro com Helen coloca os dois diante de inimigos conhecidos e novas figuras da organização, incluindo a agente Laila (Ambika Mod, de “Um Dia”) e um executivo de intenções suspeitas interpretado por Babou Ceesay (“Alien: Earth”). Neve Campbell (“Pânico”) também se junta ao elenco.

A combinação de violência brutal e diálogos irônicos continua a distinguir a produção dos thrillers convencionais de espionagem. Helen não é uma agente movida por patriotismo, mas uma profissional que comercializa segredos enquanto tenta preservar a família construída sobre uma mentira. Sam, por sua vez, enfrenta uma contradição semelhante ao buscar relações afetivas numa vida marcada por assassinatos. Com a ameaça agora instalada no interior dos Black Doves, a série desloca parte de sua intriga para a fragilidade das alianças que permitem a sobrevivência dos dois.


 

SEXTA


 

🎞️ AMOR POSSÍVEL | Netflix

O diretor sul-coreano Lee Chang-dong retorna ao cinema oito anos depois de “Em Chamas” com um drama que utiliza o encontro de dois casais para investigar as desigualdades sociais e as contradições dos relacionamentos. Vencedor do Leão de Prata, Grande Prêmio do Júri do Festival de Veneza deste ano, o filme reúne Jeon Do-yeon (“Kill Boksoon”), Sul Kyung-gu (“Memórias de um Assassino”), Cho Yeo-jeong (“Parasita”) e Zo In-sung (“Moving”) numa história em que diferenças econômicas e desejos reprimidos modificam a vida de quatro pessoas.

Mi-ok (Jeon Do-yeon) vive com o marido Ho-seok (Sul Kyung-gu), um trabalhador que perdeu o emprego, e o filho pequeno. A família enfrenta dificuldades financeiras quando um funeral aproxima o casal de Ye-ji (Cho Yeo-jeong), documentarista interessada em registrar as consequências do desemprego, e de seu marido Sang-woo (Zo In-sung), um empresário milionário. Ao aceitar participar das filmagens, Mi-ok passa a frequentar ambientes que desconhecia e desenvolve uma amizade com a cineasta, enquanto sua aproximação com Sang-woo desperta sentimentos difíceis de compreender.

A convivência coloca os personagens diante de situações desconfortáveis, especialmente quando a curiosidade de Ye-ji pela vida dos trabalhadores começa a se confundir com uma relação de amizade. A documentarista deseja denunciar injustiças sociais, mas sua segurança financeira depende justamente da riqueza que pretende questionar. Para Mi-ok e Ho-seok, a exposição dos próprios problemas também envolve o risco de transformar dificuldades íntimas em material de interesse para pessoas privilegiadas.

Lee retoma o realismo social que marcou filmes como “Poesia” e “Oasis”, mas evita organizar a história em torno de personagens simplesmente virtuosos ou exploradores. As relações são marcadas por interesses, ressentimentos e afetos contraditórios, revelados gradualmente numa narrativa que ultrapassa duas horas e meia. A câmera observa pequenos gestos e silêncios, enquanto os conflitos econômicos adquirem consequências emocionais que os protagonistas nem sempre conseguem reconhecer. O rigor da construção e a complexidade das interpretações sustentam uma reflexão sobre a distância entre solidariedade, desejo e apropriação da experiência alheia.


 

📺 DEVILS’ CREST | Prime Video

O criador de “Sword Art Online”, Reki Kawahara, retorna ao universo dos jogos de realidade virtual com uma história em que a fronteira entre o mundo digital e a vida cotidiana desaparece. Adaptado de uma série de romances japoneses, o novo anime acompanha crianças que participam do teste de um videogame revolucionário e acabam presas numa realidade transformada pelas regras do próprio jogo. A animação é do estúdio Production I.G, responsável por “Ghost in the Shell”, com direção de Kenichiro Komaya (“Nina: A Heroína Estrelada”).

Yuma Ashihara é um estudante do ensino fundamental que participa, ao lado da irmã gêmea Sawa e de dois colegas, de uma experiência com “Actual Magic”, um RPG de realidade virtual capaz de reproduzir sensações físicas. O grupo pretende derrotar um adversário e concluir a sessão experimental, mas um fenômeno inesperado faz os ambientes e criaturas do jogo se misturarem ao mundo real. Quando Yuma reencontra Sumika, uma colega da escola, descobre que ela se transformou numa criatura monstruosa. A ameaça já não pode ser interrompida simplesmente com a retirada dos equipamentos de realidade virtual.

A premissa retoma a ideia que popularizou “Sword Art Online”, em que participantes de um videogame enfrentam a possibilidade de morrer de verdade. A diferença está na invasão da realidade pelo universo digital, que elimina a segurança de um mundo exterior preservado. O roteiro utiliza personagens muito jovens para intensificar a vulnerabilidade diante de criaturas e acontecimentos que ultrapassam sua capacidade de compreensão.

A produção combina fantasia sombria e ficção científica com thriller de sobrevivência num ambiente governado por regras desconhecidas. O anime explora o contraste entre espaços cotidianos e transformações monstruosas, e aposta na identificação de uma geração para a qual as experiências digitais já fazem parte da construção da identidade e das relações sociais. A cantora Ado, conhecida por suas participações em “One Piece Film: Red”, interpreta o tema de abertura.


 

🎞️ BACKROOMS: UM NÃO-LUGAR | Disney+

Uma das lendas urbanas mais populares da internet chega ao cinema pelas mãos do próprio criador que a transformou num fenômeno do YouTube. Kane Parsons tinha apenas 16 anos quando começou a publicar vídeos sobre corredores intermináveis, salas vazias e ambientes familiares que pareciam existir fora da realidade. Agora, aos 20, dirige sua primeira produção para a A24, com Chiwetel Ejiofor (“Doutor Estranho”) e Renate Reinsve (“A Pior Pessoa do Mundo”) numa história de terror que utiliza espaços banais para construir um pesadelo visual.

Clark (Ejiofor) é um arquiteto frustrado que administra uma loja de móveis em dificuldades financeiras. Ao descobrir uma passagem inexplicável no porão do estabelecimento, encontra uma rede aparentemente infinita de salas interligadas, iluminadas por lâmpadas fluorescentes e cobertas por paredes amareladas. O lugar não obedece às leis convencionais do espaço e do tempo, e sua exploração começa a afetar o comportamento do empresário. Sua terapeuta Mary (Reinsve) também acaba envolvida no mistério, enquanto funcionários da loja tentam registrar os acontecimentos com uma câmera de vídeo. Mark Duplass (“The Morning Show”) completa o elenco.

O filme recupera o conceito dos chamados espaços liminares, ambientes de passagem que se tornam perturbadores quando aparecem vazios e deslocados de suas funções habituais. Corredores comerciais, depósitos e escritórios abandonados substituem cemitérios e casarões como cenários do medo. Parsons combina câmeras subjetivas, imagens com aparência de VHS e cenários físicos construídos em grande escala para transformar a repetição arquitetônica numa experiência de desorientação.

A direção encontra sua principal força na composição visual e no uso do som, especialmente no ruído constante das lâmpadas e na sensação de que alguma coisa acompanha os personagens sem jamais se revelar completamente. A tentativa de vincular o labirinto a explicações psicológicas enfraquece parte do mistério, enquanto o roteiro deixa seus protagonistas menos complexos que o universo que habitam. Ainda assim, o terror funciona pela capacidade de transformar ambientes cotidianos em lugares impossíveis, sem depender de uma sucessão de sustos convencionais.


 

🎞️ BIGGS BY BIGGS | Universal+

Um dos maiores assaltantes da história britânica teve um filho que se tornou ídolo infantil no Brasil. Essa combinação improvável está no centro do documentário sobre Mike Biggs, integrante da Turma do Balão Mágico nos anos 1980 e filho de Ronald Biggs, participante do célebre assalto ao trem postal inglês de 1963. A produção brasileira, dirigida por Guto Barra e Tatiana Issa, dupla de “Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez”, recupera cinco décadas de uma história familiar marcada por crime, fama e uma relação de dependência que sobreviveu à infância do protagonista.

Ronald Biggs fugiu da Justiça britânica e encontrou refúgio no Rio, onde se transformou numa celebridade, gravou com integrantes da banda punk Sex Pistols e abriu uma casa noturna gótica. Enquanto o pai aparecia constantemente nos jornais, Mike conquistava o público infantil ao lado de Simony, Tob e Jairzinho, num grupo que vendeu milhões de discos. A infância, porém, foi recheada por acontecimentos incomuns, incluindo o sequestro de Ronald e a necessidade de conviver com as consequências de seus crimes. Na adolescência, Mike passou a acompanhar o pai numa rotina de festas e excessos, antes de se mudar para a Inglaterra e dedicar anos à tentativa de conseguir sua libertação.

O documentário acompanha o ex-cantor em Londres, no Rio de Janeiro e no Maranhão, com depoimentos de familiares e pessoas que participaram de diferentes momentos de sua trajetória. Entre as lembranças, ganha importância a relação com as filhas e a constatação de que a dedicação absoluta ao pai prejudicou sua própria experiência de paternidade.

A perspectiva de Mike modifica a abordagem de uma história frequentemente contada como aventura de um criminoso carismático. O assalto e a fuga internacional deixam de ocupar o centro da narrativa, substituídos pelas consequências afetivas de crescer à sombra de uma figura pública controversa. A desmontagem da antiga casa da família em Londres funciona como ponto de partida para esse confronto com as lembranças, numa tentativa de separar a identidade do filho das escolhas que determinaram a vida de Ronald.


 

📺 AWKWAFINA: A COZINHEIRA IMPROVÁVEL | Apple TV

A atriz e comediante Awkwafina (“Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”) troca os sets de filmagem pelas cozinhas profissionais numa série documental que parte de uma contradição familiar: apesar de descender de uma família de restaurateurs chineses, ela não sabe cozinhar. Conhecida também pelo nome de batismo Nora Lum, a artista decide recuperar a história do restaurante cantonês que seus parentes mantiveram em Flushing, Nova York, e transformá-la numa experiência gastronômica para uma nova geração.

Ao longo de oito episódios, Awkwafina percorre diferentes regiões dos Estados Unidos para aprender técnicas culinárias e conhecer profissionais ligados à gastronomia asiático-americana. A jornada inclui aulas no Culinary Institute of America, uma visita ao Texas para experimentar a tradição do churrasco local e encontros com chefs como Roy Choi e Martin Yan. No Havaí, investiga influências da cultura tiki que marcaram o restaurante da avó, antes de enfrentar experiências práticas numa cozinha de Chinatown, em Los Angeles. O comediante Jimmy O. Yang (“Silicon Valley”) participa de uma das etapas da viagem.

A proposta combina os formatos de viagem gastronômica e reality de aprendizado, com o humor da protagonista diante de situações nas quais sua fama não oferece qualquer vantagem. Diferentemente dos programas comandados por chefs experientes, a série acompanha alguém que precisa compreender até os fundamentos da cozinha, mas possui uma ligação afetiva com os pratos que tenta preparar.

O objetivo final é reabrir o restaurante familiar, numa noite que terá entre os convidados a própria avó de Awkwafina. A experiência relaciona culinária e memória, mostrando como receitas transmitidas entre gerações ajudam a preservar uma identidade cultural que nem sempre encontra espaço na rotina de famílias imigrantes. A jornada também transforma a história pessoal num retrato da diversidade gastronômica chinesa nos Estados Unidos.

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