
Divulgação/Sony
Documentário supera Cara-de-Barro nas bilheterias dos EUA
"Tudo Pode Ser Visto" assume liderança na 3ª semana, enquanto terror da DC perde 57% da arrecadação em pleno Halloween
Disputa decidida por US$ 200 mil
O documentário “Tudo Pode Ser Visto”, sobre a golpista Elizabeth Holmes, assumiu a liderança das bilheterias dos Estados Unidos e Canadá neste domingo (1/11), numa disputa apertada com “Cara-de-Barro”, terror do DC Studios que havia estreado em 1º lugar na semana passada. Segundo as estimativas dos estúdios, o filme de Nathan Fielder e Lance Oppenheim arrecadou US$ 10,6 milhões entre sexta-feira (30/10) e domingo, contra US$ 10,4 milhões da produção do DC Studios/Warner Bros. A diferença de apenas US$ 200.684 deixa o resultado sujeito a mudanças quando os números definitivos forem divulgados na segunda-feira (2).
Documentário conquista liderança inédita
A vitória provisória completa uma trajetória incomum para o gênero. “Tudo Pode Ser Visto” estreou em 2º lugar há duas semanas, com US$ 15,6 milhões em apenas 855 cinemas, atrás de “Street Fighter”. Na semana seguinte, cresceu para US$ 19,5 milhões com a expansão para 2.655 salas, mas não conseguiu superar a estreia de “Cara-de-Barro”. Agora, mesmo com uma queda de 43% na arrecadação, conquistou o topo pela primeira vez, após ampliar seu circuito para 3.243 cinemas.
O longa chegou a US$ 63,9 milhões acumulados na América do Norte e já ocupa a 6ª posição entre os documentários de maior bilheteria da história da região. Produzido pela A24 por aproximadamente US$ 7 milhões, o filme acompanha Elizabeth Holmes nos 34 dias anteriores à sua prisão, em 2023, após a condenação por fraudar investidores da empresa de biotecnologia Theranos. Seu desempenho comercial coloca a produção entre as maiores surpresas de 2026, especialmente por se tratar de uma investigação documental com quase três horas de duração. No Brasil, o filme encerrou a 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na quinta-feira (29), e tem lançamento comercial marcado para 26 de novembro.
Cara-de-Barro cai, mas chega a US$ 83 milhões
A disputa teve um significado diferente para “Cara-de-Barro”. Depois de estrear com US$ 24 milhões na América do Norte, o filme arrecadou US$ 10,4 milhões em seu 2º fim de semana, uma queda de 57%. A produção dirigida por James Watkins (“Não Fale o Mal”) passou a acumular US$ 44,1 milhões no mercado doméstico e aproximadamente US$ 83 milhões mundialmente em dez dias.
O resultado deixa o terror corporal da DC com o dobro de seu orçamento de produção, estimado em cerca de US$ 40 milhões, mas ainda não representa lucro garantido. Os estúdios recebem apenas parte da arrecadação dos cinemas e precisam recuperar também os investimentos em publicidade e distribuição. A queda nos Estados Unidos foi considerável, embora menos acentuada que a de “Street Fighter”, que havia perdido mais de 70% de suas receitas na semana anterior.
A adaptação do personagem dos quadrinhos protagonizada por Tom Rhys Harries continua a representar uma experiência importante para a estratégia do DC Studios. Diferentemente das grandes produções de super-heróis, o filme aposta num vilão menos conhecido do Batman, orçamento menor e abordagem de gênero. O desempenho internacional e a sustentação nas próximas semanas vão determinar se esse modelo oferece retorno comercial suficiente para justificar novas produções semelhantes.
Halloween esvazia as salas
A disputa pela liderança aconteceu num dos fins de semana mais fracos do ano para os cinemas americanos. O Halloween caiu no sábado, normalmente o dia de maior movimento das salas, e as comemorações da data reduziram a procura por ingressos. Segundo levantamento divulgado pela Associated Press, a arrecadação total do mercado ficou abaixo de US$ 63 milhões, um dos três menores resultados de 2026.
O contraste é particularmente significativo porque o mercado norte-americano acumula crescimento superior a 17% em relação ao mesmo período de 2025, com receitas próximas de US$ 8,5 bilhões desde janeiro. Outubro também apresentou avanço de 32% sobre o ano passado, com aproximadamente US$ 570 milhões arrecadados. O resultado do Halloween representa, portanto, uma desaceleração pontual dentro de um ano de recuperação do setor.
O Bosque Selvagem mantém 3º lugar
A animação em stop-motion “O Bosque Selvagem” (Wildwood), do estúdio Laika, permaneceu na 3ª posição, com US$ 7,5 milhões. A queda de 39% em relação à estreia foi a menor entre os três líderes. Dirigido por Travis Knight (“Kubo e as Cordas Mágicas”), o filme acumula US$ 25,9 milhões domésticos e US$ 35 milhões mundiais em dez dias, resultado muito distante de seu orçamento estimado em US$ 100 milhões. A produção deve depender de uma longa permanência internacional em cartaz para melhorar suas perspectivas de recuperação financeira.
“Wicker”, fantasia romântica com Olivia Colman e Alexander Skarsgård, subiu para o 4º lugar com US$ 4,1 milhões, queda de 28%. O filme sobre uma pescadora que encomenda um marido feito de vime soma US$ 13,3 milhões no mercado norte-americano. A distribuição da Black Bear ampliou o circuito para 2.374 cinemas, aproveitando a recepção positiva da produção desde sua passagem pelo Festival de Sundance, mas ainda não há previsão para o lançamento no Brasil.
“Street Fighter” completa o Top 5 com apenas US$ 3,2 milhões, queda de 63% na 3ª semana. A adaptação dos videogames da Capcom acumula US$ 53 milhões nos Estados Unidos e Canadá e US$ 91,9 milhões em todo o mundo, sem demonstrar força suficiente para compensar seu orçamento de US$ 82 milhões. Depois de estrear na liderança, o filme perdeu rapidamente público e posições no ranking.
BTS também aparece entre os mais vistos
Um resultado adicional chama atenção no levantamento do The Numbers. As sessões cinematográficas da turnê “Arirang”, do BTS, com transmissões dos shows de Buenos Aires e São Paulo, arrecadaram US$ 2,8 milhões e aparecem na 6ª posição da base. O evento musical foi apresentado em 1.010 cinemas norte-americanos, mas não aparece no Top 10 divulgado pela Rentrak e reproduzido pela Associated Press, que utiliza critérios diferentes para contabilizar as exibições especiais.
Entre os demais títulos, terrores celebraram longas exibições de sucesso. “Resident Evil” arrecadou US$ 2,5 milhões para somar US$ 157,4 milhões acumulados na América do Norte e impressionantes US$ 400 milhões em todo o mundo. Mesmo destruído pela crítica, “Outra Mamãe” (Other Mommy) também chegou a um bom resultado, com US$ 55,6 milhões em sua trajetória comercial norte-americana e US$ 107 milhões mundiais.
DOCUMENTÁRIO DERRUBA VILÃO DA DC! “Tudo Pode Ser Visto”, sobre Elizabeth Holmes, superou “Cara-de-Barro” por apenas US$ 200 mil e assumiu a liderança das bilheterias na 3ª semana. O resultado definitivo ainda pode mudar. #Bilheteria #CaraDeBarro #TudoPodeSerVisto 🔗 https://pipocamoderna.com.br/2026/11/documentario-supera-cara-de-barro/