Paula Kelly (1943 – 2020)
A atriz, cantora e dançarina Paula Kelly, de clássicos como “Charity, Meu Amor” e “Aconteceu num Sábado”, morreu de problemas cardíacos no domingo (9/2) em Inglewood, na Califórnia, aos 76 anos. Filha de um músico de jazz, Kelly nasceu em Jacksonville, Flórida, e cresceu em Nova York, onde frequentou a High School of Music & Art e a prestigiosa academia Juilliard, de onde saiu para se tornar uma bailarina de companhias lideradas pelos célebres Martha Graham e Alvin Ailey. Kelly estreou na Broadway aos 21 anos, no musical “Something More!” (1964), chegou a dançar no Oscar em 1968 e no ano seguinte apareceu dançando nua na revista Playboy, o que a tornou bastante conhecida. Ela já tinha estrelado a montagem de “Sweet Charity” como a dançarina Helene, quando o famoso diretor-coreógrafo Bob Fosse assumiu o projeto de transformar o musical num filme, escalando-a no mesmo papel nas telas. Os dois tinham trabalhado juntos na Broadway e estrearam juntos no cinema. Na adaptação cinematográfica de 1969, batizada no Brasil de “Charity, Meu Amor”, Kelly atuou, cantou e dançou ao lado de Shirley MacLaine e Chita Rivera, brilhando nos números musicais de “Hey, Big Spender” e “There’s Gotta Be Something Better Than This”. O sucesso do filme, indicado a três Oscars, lançou-a ao estrelato e ela aproveitou a fama para se estabelecer como coreógrafa. A partir de 1970, passou a organizar coreografias de especiais de TV de artistas famosos, como Harry Belafonte, Gene Kelly e Sammy Davis Jr, além de coreografar os longas “Um Doido Genial” (1970), “Lost in the Stars” (1974) e “Peter Pan” (1976), dos quais também participou como atriz. Paralelamente, procurou se diversificar como atriz, aparecendo em clássicos da ficção científica, como “O Enigma de Andrômeda” (1971), adaptação de Michael Crichton (o autor de “Jurassic Park” e “Westworld”), e “No Mundo de 2020” (1973), com Charleton Heston, e principalmente em filmes icônicos da era blaxploitation, como “A Essência de um Roubo” (1972), com trilha de Salomon Burke, “O Terrível Mister T” (1972), musicado por Marvin Gaye, “The Spook Who Sat by the Door” (1973), com composições de Herbie Hacock, e “Aconteceu num Sábado” (1974), dirigido e estrelado por Sidney Poitier. O fim do ciclo original do cinema negro em Hollywood a levou para a televisão. Após papéis recorrentes nas séries “San Francisco Urgente” e “Police Woman”, acabou recebendo duas indicações ao Emmy: como Melhor Atriz Coadjuvante de Série de Comédia em 1984, pelo papel da defensora pública Liz Williams em “Night Court”, e Melhor Atriz de Minissérie em 1989, por “The Women of Brewster Place”. Ela ainda estrelou a comédia dramática “Nos Palcos da Vida” (1986), ao lado de Richard Pryor, e “Romance Arriscado” (1993), mas o resto de sua carreira nas telas foram papéis em séries. Alguns se destacaram, como a feroz senhora Ginger Jones em “Santa Barbara” (1984-85) e a governanta que teria lançado um feitiço vodu contra as “Super Gatas”, em um episódio de 1987. Kelly foi casada com o diretor britânico Donald Chaffey (“Meu Amigo, o Dragão”) de 1985 até a morte dele em 1990.
Raphael Coleman (1994 – 2020)
O ator britânico Raphael Coleman, que estreou no cinema aos 10 anos, em “Nanny McPhee, a Babá Encantada” (2005), morreu na sexta-feira passada (7/2), aos 25 anos. A informação foi confirmada pela mãe e o padrasto por meio de redes sociais. Eles explicaram que Raphael sofreu um colapso, no meio de uma viagem relacionada a sua luta em defesa do meio-ambiente e não conseguiu ser salvo. “Descanse em paz, meu querido filho Raphael Coleman”, escreveu a mãe, que afirmou que o filho não tinha não tinha problemas de saúde. “Ele morreu fazendo que amava, trabalhando pela causa mais nobre de todas. A sua família não podia estar mais orgulhosa. Vamos comemorar tudo o que ele conseguiu em sua curta vida e valorizar seu legado”, completou a mãe. Depois de viver uma das crianças sob os cuidados da “Nanny McPhee” (Emma Thompson), Coleman participou ainda de mais dois filmes: o terror “Anjo Maldito” e a sci-fi “Contatos de 4º grau”, ambos em 2009. Ele largou a atuação disso e se tornou ativista, viajando o mundo em defesa da preservação do meio ambiente.
Sylvester Stallone vai estrelar sci-fi de Michael Bay
O ator Sylvester Stallone se juntou ao cineasta Michael Bay (de “Transformers”) para um novo projeto cinematográfico. Intitulado “Little America”, o filme é uma sci-fi que se passa num futuro distópico, após os Estados Unidos se transformarem numa zona de guerra. Na trama, o personagem de Sylvester Stallone é um ex-militar contratado para resgatar a filha de um bilionário asiático, com a ajuda da irmã bem-treinada da garota desaparecida. Os dois vão para Little America, pequena e comunidade de refugiados em Hong Kong, onde os americanos abastados se isolaram, visando fazer o resgate. Para variar, a trama lembra “Fuga de Nova York” – John Carpenter já venceu um processo de plágio da história de seu clássico de 1981 contra Luc Besson por “Sequestro no Espaço” (2012). Michael Bay assina apenas a produção, enquanto o britânico Rowan Athale (“Strange But True”) responde pelo roteiro e a direção. As filmagens devem começar na metade do ano – assim que Stallone finalizar seu próximo filme, “Samaritan” – , mas “Little America” ainda não tem previsão de estreia.
CSI original deve ganhar continuação como minissérie
A rede americana CBS está em conversas iniciais para produzir um revival da série policial “CSI”, que pode estrear em meio à comemoração dos 20 anos de sua estreia, em outubro de 2020. O retorno de “CSI” deve acontecer como uma minissérie e envolver os atores da 1ª temporada da franquia. Lançado no ano 2000, a “CSI” original foi responsável pela proliferação de séries centradas em investigação forense na TV americana. Seu sucesso imenso durou 15 anos, até a conclusão da produção em 2015, após 335 episódios e o cancelamento das derivadas “CSI: Miami” e “CSI: NY”. Uma última série, “CSI: Cyber”, tentou manter a marca no ar, mas também foi cancelada após duas temporadas, em 2016. As negociações envolvem atualmente os responsáveis pela franquia, o criador Anthony Zuiker e o produtor Jerry Bruckheimer, mas, segundo o site Dealine, integrantes do elenco original, como William Petersen e Jorja Fox, já teriam sido contatados. Por enquanto, nenhuma oferta foi formalizada à espera da oficialização da série. A encomenda dos episódios ainda depende de um acordo financeiro que agrade todas as partes.
Sindicato dos técnicos de efeitos visuais reclamam do Oscar por piada com Cats
A Visual Effects Society (VES), sindicato dos técnicos de efeitos visuais dos EUA, emitiu uma nota oficial em protesto contra uma piada da transmissão do Oscar 2020 às custas dos responsáveis pelos efeitos de “Cats”, um dos piores filmes e maiores fracassos do ano passado. Os efeitos de “Cats” são amplamente considerados responsáveis pela rejeição do público ao filme. Mas esse consenso informal ganhou peso oficial durante o evento de domingo (9/2), quando James Corden e Rebel Wilson subiram ao palco do Dolby Theatre para entregar o Oscar de Melhores Efeitos Visuais. Além de surgirem fantasiados como seus personagens em “Cats”, eles ironizaram a própria produção: “Como membros do elenco de ‘Cats’, ninguém melhor do que nós entende a importância de bons efeitos visuais!”. A piada rendeu gargalhadas e aplausos entre os presentes na cerimônia de premiação. Mas a Sociedade de Efeitos Visuais não achou graça. “Em uma noite que trata de homenagear o trabalho de artistas talentosos, é imensamente decepcionante que a Academia tenha feito dos efeitos visuais o alvo de uma piada”, manifestou-se a VES em nota oficial. “Ela degradou a comunidade global de profissionais especializados em efeitos visuais, que vem realizando um trabalho excelente, desafiador e visualmente impressionante para alcançar a visão dos cineastas”. “Nossos artistas, técnicos e inovadores merecem respeito por suas notáveis contribuições ao entretenimento filmado e não devem ser apresentados como o bode expiatório conveniente para fazer o público rir. No futuro, esperamos que a Academia honre adequadamente o ofício de efeitos visuais – e todos os ofícios, incluindo cinematografia e edição de filmes – porque todos nós o merecemos”, encerra a nota. Curiosamente, os efeitos de “Cats” também foram zoados na própria premiação do sindicato, o VES Awards, que aconteceu em janeiro passado. Na ocasião, o ator Patton Oswalt brincou: “A franquia ‘Star Wars’ terminou após 50 anos e, após uma exibição, a franquia ‘Cats’ também”.
Netflix renova Sex Education para 3ª temporada
A Netlix anunciou a renovação da série “Sex Education” para a 3ª temporada. A informação foi divulgada pelas redes sociais e no canal do YouTube da plataforma, e acontece menos de um mês após os episódios do segundo ano da produção chegarem em streaming. “Nossa, Netflix, que final foi esse? Spoiler: não foi o final. Vai ter terceira temporada de #SexEducation, sim”, publicou a empresa no Twitter. De acordo com o anúncio, a série criada pela curtametragista Laurie Nunn volta em 2021. Estrelada por Asa Butterfield (“O Lar das Crianças Peculiares”), a atração gira em torno de um adolescente que percebe que todos os anos embaraçosos em que viveu com sua mãe (Gillian Anderson, de “Arquivo X”), uma terapeuta sexual, podem ajudá-lo a se tornar popular e ainda ganhar dinheiro em sua escola. Coagido pela bad girl do colégio (vivida por Emma Mackey, de “Badger Lane”) e apoiado por seu melhor amigo gay assumido (Ncuti Gatwa, de “Stonemouth”), ele decide abrir uma consultoria sexual para adolescentes inexperientes. A 2ª temporada estreou em 17 de janeiro, retomando a vida agitada desses personagens. Graças a seu sucesso, “Sex Education” se tornou uma das raras séries da Netflix a ter sua audiência revelada. Logo após seu lançamento, a empresa tornou público o número de 40 milhões de espectadores num relatório para o mercado. NOSSA NETFLIX QUE FINAL FOI ESSE? Spoiler: não foi o final. Vai ter terceira temporada de #SexEducation, sim. pic.twitter.com/nibtZzOwic — Netflix Brasil (@NetflixBrasil) February 10, 2020
The Good Doctor é renovada para 4ª temporada
A rede americana ABC anunciou a renovação de “The Good Doctor” para sua 4ª temporada. A atração estrelada por Freddie Highmore (de “Bates Motel”), atualmente na reta final de sua 3ª temporada nos EUA, é o programa mais assistido da ABC e foi a primeira série renovada pelo canal em 2020. A audiência ao vivo é de 6,41 milhões de espectadores, mas, contabilizando todas as plataformas, chega à média de 15,6 milhões de espectadores. Nova criação de David Shore (o criador de “House”), a série traz Freddie Highmore como o Dr. Shaun Murphy, um médico autista, anti-social, terrível na hora de interagir com as pessoas, mas também brilhante e intuitivo quando o assunto é Medicina. A série é disponibilizada no Brasil pela plataforma Globoplay.
Aves de Rapina estreia em 1º lugar no Brasil
A estreia de “Aves de Rapina – Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” arrecadou R$ 10,7 milhões no Brasil, segundo levantamento da empresa de consultoria Comscore. O filme levou 621 mil pessoas aos cinemas brasileiros, o que não é um número muito elevado para uma produção de super-heróis. De todo modo, a distribuição não foi das maiores, com exibição em 413 salas apenas. O lançamento da Warner também teve um desempenho abaixo do esperado na América do Norte, onde faturou US$ 33 milhões em seus três primeiros dias de exibição – contra uma expectativa de mercado de cerca de US$ 50 milhões. Nos EUA e Canadá, porém, “Aves de Rapina” teve distribuição de blockbuster, em mais de 4 mil telas. “Bad Boys para Sempre” ficou em 2º lugar no fim de semana. Mantendo-se em cartaz em 325 salas, teve público de 234 mil espectadores e arrecadou R$ 4 milhões em bilheteria. Desde a estreia, há duas semanas, o longa acumula R$ 14,2 milhões e já levou 872 mil brasileiros aos cinemas. “Minha Mãe é uma Peça 3” completa o Top 3. Exibido em 299 salas, arrecadou R$ 3,7 milhões e teve 209 mil espectadores. Há sete semanas no circuito, a comédia estrelada por Paulo Gustavo já soma R$ 174,2 milhões em ingressos vendidos e público de 11 milhões de pessoas. É o filme nacional de maior bilheteria de todos os tempos. Dentre os filmes premiados no Oscar 2020, “1917” teve a maior bilheteria. Exibido em 363 salas, foi 4º mais visto do fim de semana, levando 163 mil pessoas aos cinemas para faturar R$ 3,3 milhões. A estreia de “Jojo Rabbit” amargou o 6º lugar, apesar da maior distribuição de todas. Em cartaz em 562 salas, teve apenas 74 mil espectadores e R$ 1,6 milhão em bilheteria. Para completar, “Parasita”, o grande vencedor do prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA, ficou em 8º lugar. O suspense sul-coreano levou 32 mil pessoas a 278 salas, somando R$ 607 mil. Exibido há 14 semanas no circuito nacional, o longa de Bong Joon Ho já foi assistido por 355 mil brasileiros e rendeu R$ 6,6 milhões. Veja abaixo o Top 10 dos filmes mais vistos no Brasil entre quinta e domingo (9/2), segundo levantamento da Comscore. #TOP10 #bilheteria #cinema Finde 6 a 9 Fev: 1. Ave de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa2. Bad Boys Para Sempre2. Minha Mãe É Uma Peça 34. 19175. Jumanji – Próxima Fase6. Jojo Rabbit7. Frozen 28. Parasita9. Um Espião Animal10. Judy: Muito Além do Arco Iris — Comscore Movies BRA (@cSMoviesBrazil) February 10, 2020
Transmissão do Oscar atinge menor audiência televisiva de todos os tempos
A transmissão do Oscar 2020, que foi ao ar pela rede ABC nos EUA, registrou a pior audiência televisiva do evento em todos os tempos. A vitória histórica de “Parasita” foi assistida ao vivo por 23,6 milhões de pessoas, segundo a medição da empresa Nielsen. Trata-se de novo recorde negativo de público, superando os 26,5 milhões que viram o Oscar em 2018. No ano passado, a sintonia tinha sido um pouco melhor, com 29,6 milhões de telespectadores nos EUA. Até alguns anos atrás, o público do Oscar variava entre 35 e 45 milhões, ainda de acordo com a Nielsen. A queda de audiência se tornou mais sensível a partir de 2017, quando “Moonlight” foi o vencedor do troféu da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Desde então, a ABC vem pressionando os organizadores do Oscar por mudanças na premiação, considerada muito longa, tediosa e com muitos filmes que o público médio da transmissão não assistiu. A baixa audiência do Oscar 2020, entretanto, aconteceu mesmo com uma seleção de indicados ao gosto da rede, que queria mais filmes populares concorrendo ao prêmio. Com mais de US$ 1 bilhão de bilheteria, “Coringa” liderou em número de indicações, e recebeu estatuetas junto de outros blockbusters premiados no evento. Por suas conquistas, “Parasita” tende a ser considerado responsável pela falta de interesse dos americanos. Mas como o público precisaria sintonizar para saber quem ganhou, a crítica contra a consagração de uma produção estrangeira só tem sentido como desculpa para pressionar por mais mudanças conservadoras contra a diversidade do Oscar. O fato é que, com a multiplicação da transmissões de eventos de premiação, as muitas vitórias consecutivas dos mesmos artistas (no Globo de Ouro, Critics Choice, SAG Awards, BAFTA Awards, etc) têm o efeito de banalizar suas conquistas. A maioria do público já sabia de antemão, por exemplo, que Brad Pitt, Joaquin Phoenix, Renée Zellweger e Laura Dern venceriam Oscars por suas interpretações, eliminando qualquer torcida pelos resultados. Outro fato indiscutível é que cada vez menos pessoas assistem TV ao vivo, preferindo acompanhar por streaming, e a medição do Nielsen já não dá conta de representar o público total de uma transmissão.
Vencedora do Oscar de Melhor Documentário cita slogan comunista no Oscar 2020
O Oscar 2020 foi palco de um manifesto político, que meio século atrás, durante a caça às bruxas e lista negra da Guerra Fria, poderia resultar em prisão nos EUA. Mas muitos nem repararam. Enquanto muitos ainda comemoravam a derrota do “marxismo cultural” representado por “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, a cineasta Julia Reichert, vencedora da categoria de Melhor Documentário com “Indústria Americana”, agradeceu seu Oscar com uma citação ao “Manifesto Comunista”, de 1848. “Os trabalhadores têm cada vez mais dificuldade hoje em dia, e acreditamos que as coisas vão melhorar quando os trabalhadores do mundo se unirem”, disse a americana, parafraseando o slogan “Trabalhadores do mundo, uni-vos”, que se tornou célebre na obra de Karl Marx e Friederich Engels. Detalhe: o filme de Reichert e Steven Bognar, disponível na Netflix, foi produzido pelo ex-presidente dos EUA Barack Obama e sua mulher, Michelle Obama.
Hair Love: Veja na íntegra o vencedor do Oscar 2020 de Melhor Curta de Animação
Vencedor do Oscar 2020 de Melhor Curta de Animação, “Hair Love” pode ser visto em sua íntegra no YouTube. O desenho com apenas 6 minutos e 47 segundos de duração mostra um pai que precisa aprender a arrumar o cabelo de sua filha, uma tarefa que antes ficava com a mãe. De forma bem-humorada, a história mostra o desespero do homem ao ter que se entender com potes de cremes e ferramentas para desempenhar a função. Apesar de retratar uma situação cotidiana, o filme transmite várias mensagens importantes, como destacou a produtora Karen Rupert Toliver em seu discurso ao receber a estatueta do Oscar. “Foi um trabalho feito com muito amor. Porque acreditamos que a representatividade importa. Principalmente nos desenhos animados, que geralmente são nosso primeiro contato com o mundo dos filmes.” Matthew A. Cherry, roteirista e um dos diretores do filme, acrescentou que um de seus objetivos com “Hair Love” era o de normalizar o cabelo afro, que ainda enfrenta muitos estigmas sociais. Cherry, que também é ex-jogador de futebol americano, aproveitou o espaço no Oscar para fazer campanha por uma lei que pune a discriminação contra o cabelo afro e que já entrou em vigor em alguns estados dos Estados Unidos. Veja o divertido filme abaixo.
Oscar 2020: Veja as melhores fotos dos bastidores de antes, durante e depois da premiação
Os bastidores do Oscar 2020 renderam algumas imagens curiosas que a TV não mostrou e outras que passaram tão rapidamente que muitos podem não ter notado. As cenas vão desde reações à cerimônia até as comemorações dos prêmios, passando ainda pelos acompanhantes dos astros e as festas que foram até a manhã desta segunda (10/2) em Hollywood. Confira abaixo uma seleção de fotos. Leonardo DiCaprio faz uma rara aparição pública junto a sua namorada, a atriz Camila Morrone (de “Desejo de Matar”), filha de pais argentinos e enteada de Al Pacino. Os dois se sentaram lado a lado durante a cerimônia do Oscar. E ela ainda teve a honra de ficar entre o namorado e Brad Pitt, um dos vencedores da premiação. O namoro já tem três anos, mas o casal costuma evitar publicidade, por conta das críticas em relação à diferença de 23 anos de idade entre eles. O cineasta Martin Scorsese, de 77 anos, chegou a cochilar durante a premiação. O detalhe é que, no instante em que as câmeras o flagraram, estava acontecendo o show de Eminem, com som nas alturas. Fã assumido de rock clássico, com vários documentários musicais no currículo, Scorsese nunca comentou se aprecia rap. A cantora Billie Eilish virou o meme mais popular do Oscar ao fazer a careta acima, em reação às piadas sem graça da dupla de amiguinhas Kristen Wiig e Maya Rudolph, durante a apresentação dos prêmios. Sempre discreto, Keanu Reeves chamou atenção dos paparazzi ao aparecer com sua mãe como acompanhante no Oscar, em vez da namorada Alexandra Grant, uma artista plástica de 47 anos que apenas recentemente foi introduzido ao mundo dos flashes das celebridades. Mas isso causou confusão entre os comentaristas da cerimônia. No canal pago E!, o apresentador Ryan Seacrest achou que a mãe fosse a namorada do ator, que também têm cabelos brancos. A mãe de Reeves é Patricia Taylor, uma figurinista de 76 anos. As cantoras Aurora e Billie Eilish, que participaram da apresentação musical do Oscar, dispensaram o tradicional traje formal para desfilar de tênis e street wear no tapete vermelho. Um dos encontros de famosos mais chamativos do tapete vermelho aconteceu entre Scarlett Johansson e Florence Pugh, que gritaram como adolescentes ao se abraçarem na chegada ao Dolby Theatre, palco da cerimônia. As duas filmaram juntas “Viúva Negra”, que estreia em 30 de abril no Brasil. Bong Joon Ho teve dificuldades para segurar todos os Oscars vencidos por “Parasita” na noite de domingo. A foto registra o momento da gravação dos nomes dos vencedores no troféu, que acontece no Governor’s Ball, festa oficial da Academia após a premiação. Das seis estatuetas da imagem, quatro vão ficar com o cineasta: Melhor Diretor, Roteiro, Filme e Filme Internacional, que representam um recorde de conquistas individuais – empatado com Walt Disney, que em 1954 também venceu quatro Oscars. As duas estatuetas extras são do corroteirista Jin Won Han e da coprodutora Kwak Sin Ae. Greta Gerwig não conquistou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por “Adoráveis Mulheres”, mas levou o troféu honorário de mais animada da festa da Vanity Fair, dançando a noite toda de pés descalços. Em determinado momento, porém, os paparazzi ficaram em dúvida se ela estava realmente dançando ou enforcando Beanie Feldstein. Enquanto as estrelas borravam a maquiagem de tanto dançar, um grupo de celebridades chamou atenção na festa da Vanity Fair por ficar num cantinho e posar como se estivessem num lounge: a modelo Stella Maxwell, a cantora Billie Eilish, seu irmão e parceiro Finneas O’Connell, o ator Timothee Chalamet e a também modelo Sara Sampaio. Antonio Banderas e Brad Pitt aproveitaram a mesma festa para um reencontro animado. Os dois trabalharam juntos há 26 anos, em “Entrevista com o Vampiro”. Não foram apenas artistas de cinema e popstars que curtiram a badalada festa da Vanity Fair. O elenco da série “Riverdale” (K.J. Apa, Cole Sprouse, Lili Reinhart, Camila Mendes e Madelaine Petsch) baixou em peso. Eles até fizeram um “crossover”, integrando a atriz Hunter Schafer, de “Euphoria”, em seu grupo. Após vencer o Oscar de Melhor Ator por “Coringa”, Joaquin Phoenix foi flagrado comendo um hamburguer vegetariano com a namorada, a também atriz Rooney Mara. O clique mostra a descontração do casal, ainda de traje de gala, com apenas um detalhe contrastante: Mara aparece de tênis All Star, ao lado da estatueta casualmente no chão. Sem ter Oscar individual para celebrar, Charlize Theron passou a noite comemorando a vitória de Kazu Hiro, na categoria de Melhor Maquiagem e Cabelo, por seu filme “Escândalo”. A atriz, que também produziu o longa, chegou a aparecer de roupão, numa cama de hotel, ao lado de Kazu, enquanto ele jantava em traje de gala, ao lado de seu Oscar. “Jantar pós-Oscar com Charlize”, ele escreveu na legenda da foto, postada no Instagram.
Parasita tem vitória histórica no Oscar 2020
Bong Joon Ho não tem hora para parar de celebrar. Ele avisou duas vezes que pretendia comemorar com bebidas, ao receber os troféus de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Filme Internacional por “Parasita”, na premiação do Oscar 2020, que aconteceu na noite de domingo (9/2) no Dolby Theatre, em Los Angeles. Ainda não tinha começado o primeiro drinque quando ouviu seu nome ser chamado novamente, como Melhor Diretor. Em estado de legítima perplexidade, conseguiu citar como Martin Scorsese influenciou sua carreira, além de agradecer a Quentin Tarantino por sempre falar de seus filmes quando ninguém o conhecia. E saiu do palco extasiado, acreditando ter feito História com sua participação na cerimônia. Mas estava enganado. Precisou voltar mais uma vez, quando “Parasita” venceu o Oscar de Melhor Filme do ano. O cineasta sul-coreano foi responsável pela maior surpresa dos 92 anos da História do Oscar. Isto porque nunca antes um filme falado em língua estrangeira tinha vencido o troféu principal da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA. “Parasita” venceu o troféu principal da cerimônia… e mais três. Individualmente, Bong Joon Ho ficou com quatro Oscars, o que também é um feito histórico – anteriormente, apenas Walt Disney tinha vencido quatro troféus na mesma cerimônia, mas todos como produtor e por filmes diferentes em 1954. É interessante reparar o contexto que tornou possível essa reviravolta espetacular. Ao buscar maior inclusão, após a recepção negativa da falta de representatividade racial entre os indicados ao Oscar 2016, a Academia decidiu aumentar a presença de minorias em seus quadros e ampliou convites para artistas internacionais. Cineastas, roteiristas, produtores, técnicos e atores de mais países passaram a votar na premiação, fazendo disparar a quantidade de membros da Academia, que somou quase dois mil novos eleitores do Oscar em quatro anos. Isso, sem dúvida, mexeu com o DNA do troféu. Os eleitores estrangeiros não fazem parte das panelinhas de Hollywood, não trabalharam anteriormente com os indicados e não avaliam os filmes pelo ponto de vista da indústria cinematográfica americana. Em outras palavras, seus votos desconsideram interesses do mercado local dos EUA. É fato que a vitória do francês “O Artista” em 2012 já tinha aberto uma brecha. Mesmo assim, aquele filme não era falado em idioma estrangeiro (era cinema mudo) e fazia uma homenagem a Hollywood. O sinal de que algo estava mudando foi dado apenas no ano passado, com as três vitórias do mexicano “Roma”. O filme falado em espanhol venceu, entre outros, um prêmio de Melhor Direção. A conquista de “Parasita”, claro, é muito maior, incomparável. O Melhor Filme do ano é estrelado por atores sul-coreanos que não fazem parte do SAG, realizado por um equipe estrangeira não filiada aos sindicatos hollywoodianos e exibido nos cinemas dos EUA com legendas. Se a consagração de “Moonlight”, um filme indie com diretor negro, elenco negro e temática LGBTQIA+, causou um terremoto nos bastidores da premiação em 2017 – a rede ABC exigiu mais filmes populares em nome da audiência – , a vitória de “Parasita” deve trazer consequências ainda maiores. Os otimistas podem imaginar uma abertura definitiva do prêmio – e do mercado americano – para o resto do mundo. Os realistas, porém, já devem estar calculando o tamanho da reação do mercado, dos sindicatos e dos estúdios americanos contra essa internacionalização. O slogan “America First” não venceu uma eleição nos EUA por acaso. Curioso, ainda, que “Parasita” tenha sido tão bem-recebido, em proporção inversa ao desdém dispensado a “A Despedida” (The Farewell), de Lulu Wang, barrado no Oscar. O vencedor do Spirit Awards (o “Oscar” do cinema independente) no sábado (8/2) também tinha cineasta e elenco asiático e foi exibido com legendas. Mas, diferente da obra sul-coreana, era uma produção americana, com diretora americana e diversos atores nascidos no país. Neste sentido, a eleição de “Parasita” também pode ser vislumbrada como um voto de protesto contra a seleção de concorrentes feita pela Academia – “A Despedida” não foi o único longa injustiçado. A verdade é que a tão evidente falta de diversidade entre os indicados se deu como efeito colateral da pressão de bastidores por uma seleção de filmes populares. Dentre as opções oferecidas, “Parasita” era um dos poucos filmes (ao lado de “Adoráveis Mulheres”) que não contava histórias de homens brancos heterossexuais, geralmente em luta – às vezes em guerra – por ideais masculinos de poder e superioridade. Joaquin Phoenix, que assimilou perfeitamente a mensagem de “Coringa”, fez um discurso sensível nesse sentido, ao aceitar seu Oscar de Melhor Ator. Ao falar das diferentes causas sociais que engajam seus colegas, ele sintetizou: “Lutamos contra a noção de que uma nação, um povo, uma raça, um gênero ou uma espécie tem o direito de dominar, controlar, usar e explorar a outra com impunidade”. A vitória de “Parasita” rechaçou o viés conservador ensaiado para o Oscar 2020, representado pelas histórias de homens heterossexuais brancos, que dominaram as indicações – como se esse tipo de narrativa fosse mais indicado a prêmios. Exceção gritante, o filme sul-coreano não tinha apenas etnia diversa, mas equilíbrio entre papéis masculinos e femininos, além de franco questionamento social – “marxismo cultural”, já que trata da luta de classes. A ressaca de Bong Joon Ho também é, portanto, fruto de resistência cultural. Ao barrar o cinema indie, a Academia deixou aberta uma fresta para o cinema mundial, que se transformou em saída. E, ironicamente, a empresa que trouxe o longa sul-coreano para os EUA foi um estúdio indie, o Neon, completando a vingança. Importante destacar ainda outro aspecto da internacionalização da Academia, menos evidente que a vitória de “Parasita”. No domingo, várias conquistas foram celebradas por artistas estrangeiros também em filmes americanos. Para citar alguns, o neozelandês Taika Waititi venceu a categoria de Melhor Roteiro Adaptado por “Jojo Rabbit” e a islandesa Hildur Guðnadóttir assinou a Melhor Trilha em “Coringa”. Tratam-se de vitórias com alcances duradouros, que vão além da entrega dos troféus. Lembrem-se que a simples indicação ao Oscar costuma render convite para os nomeados ingressarem na Academia. A brasileira Petra Costa, por exemplo, não venceu a disputa de Melhor Documentário – o único candidato americano faturou a categoria, numa inversão em relação ao troféu de Melhor Filme – , mas ajudará a escolher o vencedor de 2021. Mais estrangeiros estarão votando no próximo ano. Assim, se a Academia superar as pressões do mercado americano, a tendência é o Oscar continuar surpreendendo. Mas pressões, com certeza, virão. A propósito, os que comemoraram a derrota do “marxismo cultural” representado por “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, podem não ter percebido, mas o discurso da vencedora da categoria, a cineasta Julia Reichert, de “Indústria Americana”, encerrou-se com uma citação ao “Manifesto Comunista”. “Os trabalhadores têm cada vez mais dificuldade hoje em dia, e acreditamos que as coisas vão melhorar quando os trabalhadores do mundo se unirem”, disse a americana, parafraseando o slogan “Trabalhadores do mundo, uni-vos”, que se tornou célebre na obra de Karl Marx e Friederich Engels. Para completar sem alongar demais, omitindo comentários para outras categorias remanescentes, vale ressaltar, mesmo que rapidamente, o reconhecimento à brilhante fotografia do inglês Roger Deakins, verdadeiro motivo de “1917” ter sido considerado, de véspera, o maior favorito ao Oscar. A lista completa dos filmes premiados pode ser conferida abaixo. Melhor Filme – “Parasita” “Ford vs Ferrari” “O Irlandês” “Jojo Rabbit” “Coringa” “Adoráveis Mulheres” “História De Um Casamento” “1917” “Era Uma Vez Em Hollywood” Melhor Direção – Bong Joon Ho – “Parasita” Sam Mendes – “1917” Martin Scorsese – “O Irlandês” Quentin Tarantino – “Era Uma Vez Em Hollywood” Todd Phillips – “Coringa” Melhor Atriz – Renée Zellweger – “Judy” Cynthia Erivo – “Harriet” Scarlett Johansson – “História De Um Casamento” Saoirse Ronan – “Adoráveis Mulheres” Charlize Theron – “O Escândalo” Melhor Ator – Joaquin Phoenix – “Coringa” Antonio Banderas – “Dor e Glória” Adam Driver – “História De Um Casamento” Jonathan Pryce – “Dois Papas” Leonardo DiCaprio – “Era Uma Vez Em Hollywood” Melhor Atriz Coadjuvante – Laura Dern – “História De Um Casamento” Margot Robbie – “O Escândalo” Kathy Bates – “O Caso Richard Jewell” Scarlett Johansson – “Jojo Rabbit” Florence Pugh – “Adoráveis Mulheres” Melhor Ator Coadjuvante – Brad Pitt – “Era Uma Vez Em Hollywood” Tom Hanks – “Um Lindo Dia na Vizinhança” Al Pacino – “O Irlandês” Joe Pesci – “O Irlandês” Anthony Hopkins – “Dois Papas” Melhor Roteiro Adaptado – Taika Waititi – “Jojo Rabbit” Greta Gerwig – “Adoráveis Mulheres” Anthony McCarten – “Dois Papas” Todd Phillips & Scott Silver – “Coringa” Steven Zaillian – “O Irlandês” Melhor Roteiro Original – Bong Joon Ho e Han Jin Won – “Parasita” Noah Baumbach – “História De Um Casamento” Rian Johnson – “Entre Facas e Segredos” Quentin Tarantino – “Era Uma Vez Em Hollywood” Sam Mendes & Kristy Wilson-Cairns – “1917” Melhor Fotografia – Roger Deakins – “1917” Jarin Blaschke – “O Farol” Rodrigo Pietro – “O Irlandês” Robert Richardson – “Era Uma Vez Em Hollywood” Lawrence Sher – “Coringa” Melhor Figurino – Jacqueline Durran – “Adoráveis Mulheres” Arianne Phillips – “Era Uma Vez Em Hollywood” Sandy Powell e Christopher Peterson – “O Irlandês” Mayes C. Rubeo – “Jojo Rabbit” Mark Bridges – “Coringa” Melhor Edição – Andrew Buckland e Michael McCusker – “Ford vs Ferrari” Yang Jinmo – “Parasita” Thelma Schoonmaker – “O Irlandês” Tom Eagles – “Jojo Rabbit” Jeff Groth – “Coringa” Melhor Maquiagem e Cabelo – “O Escândalo” “Coringa” “Judy” “Malévola: Dona do Mal” “1917” Melhor Trilha Sonora – Hildur Guðnadóttir – “Coringa” Alexandre Desplat – “Adoráveis Mulheres” Randy Newman – “História de um Casamento” Thomas Newman – “1917” John Williams – “Star Wars: A Ascensão Skywalker” Melhor Canção Original – (I’m Gonna) Love Me Again – “Rocketman” I’m Standing With You – “Superação: O Milagre da Fé” Into the Unknown – “Frozen 2” Stand Up – “Harriet” I Can’t Let You Throw Yourself Away – “Toy Story 4” Melhor Design de Produção – “Era Uma Vez Em Hollywood” “1917” “Parasita” “O Irlandês” “Jojo Rabbit” Melhor Edição de Som -“Ford vs. Ferrari” “Era Uma Vez Em Hollywood” “Coringa” “1917” “Star Wars: A Ascensão Skywalker” Melhor Mixagem de Som – “1917” “Ford vs Ferrari” “Coringa” “Era Uma Vez Em Hollywood” “Ad Astra” Melhores Efeitos Visuais – “1917” “Vingadores: Ultimato” “O Irlandês” “O Rei Leão” “Star Wars: A Ascensão Skywalker” Melhor Animação – “Toy Story 4” “Como Treinar o seu Dragão 3” “Perdi Meu Corpo” “Link Perdido” “Klaus” Melhor Documentário – “Indústria Americana” “The Cave” “Democracia em Vertigem” “For Sama” “Honeyland” Melhor Filme Internacional – “Parasita” (Coreia do Sul) “Les Misérables” (França) “Dor e Glória” (Espanha) “Corpus Christi” (Polônia) “Honeyland” (Macedônia) Melhor Curta Animado – “Hair Love” “Kitbull” “Dcera (Daughter)” “Memorable” “Sister” Melhor Curta Documentário – “Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl)” “Life Overtakes Me” “In the Absence” “St. Louis Superman” “Walk Run Cha-Cha” Melhor Curta Live-Action – “The Neighbors’ Window” “Brotherhood” “Nefta Football Club” “Saria” “A Sister” Louise Alves












