Stargirl é renovada pela CW e implode DC Universe
A rede americana The CW anunciou a renovação de “Stargirl” para a 2ª temporada. Uma renovação com exclusividade, que tira “Stargirl” de seu endereço original, a plataforma de streaming DC Universe. A série era exibida na CW um dia depois de estrear em streaming, num acordo com a DC Universe, mas deixará de ser compartilhada com a plataforma no próximo ano. Na prática, a nova acomodação implode de vez a DC Universe. Extremamente criativas, as séries do serviço foram motivo de cobiça dentro do conglomerado. “Patrulha do Destino” (Doom Patrol), por exemplo, foi parar na HBO Max, mesmo endereço que vai receber “Harley Quinn”, a animação da Arlequina. A Warner praticamente abandonou a plataforma após ser comprada pela AT&T, que fechou vários serviços de streaming de nichos da empresa para se concentrar no lançamento da HBO Max. O cancelamento da elogiada série “Swamp Thing”, do Monstro do Pântano, logo após a estreia no ano passado, disparou a boataria sobre o destino do projeto digital da DC. A mudança de “Stargirl”, por fim, confirma o que algumas “fontes” anônimas diziam. Sem anunciar novas séries, a DC Universe só tem a 3ª temporada de “Titãs” para estrear no ano que vem – o que a deixa prestes a ser descontinuada ou absorvida pela HBO Max. A CW já tinha dado dica da apropriação da personagem na semana passada, ao divulgar uma coleção de imagens de super-heróis do canal com máscaras de proteção contra a covid-19. Ao aparecer junto de Supergirl, Arqueiro Verde, Flash e Raio Negro, Stargirl parecia ter sido adotada como nova integrante do Arrowverso, o universo de séries conectadas da CW. As séries do DC Universe não fazem parte do Arrowverso, mas “Stargirl” é produzida pela mesma produtora de “Arrow” e cia., a Berlanti Productions, de Greg Berlanti. Além disso, seu criador, Geoff Johns, também é cocriador de “The Flash”. Mas a ida de “Stargirl” para a CW cria mais que uma crise nas infinitas plataformas. Abre um possível problema financeiro por ter maior orçamento que as outras produções de super-heróis exibidas pelo canal. Os primeiros oito episódios (de um total de 13 na 1ª temporada) parecem filmes, com efeitos visuais superiores aos apresentados em “The Flash”, “Supergirl” e “Legends of Tomorrow”, por exemplo. Só que os capítulo da 2ª temporada serão exibidos com exclusividade na TV aberta, o que inevitavelmente fará com que sejam barateados. O bom acabamento é um dos motivos de a série ter 93% de aprovação no site Rotten Tomatoes, uma das melhores avaliações já obtidas por uma produção televisiva de super-heróis. Mas as críticas positivas não se devem só a isso. A história de Geoff Johns é cativante, ao misturar o clima das tramas adolescentes de John Hughes com as fantasias de Steven Spielberg dos anos 1980. A trama se passa nos dias atuais, mas numa cidadezinha tão interiorana que é como se fosse daquela época. “Stargirl” conta a origem da personagem-título, uma adolescente que encontra um cetro mágico nas caixas de mudança de sua nova casa e descobre que seu padrasto esconde um segredo. No passado, ele foi assistente de um famoso super-herói – o Starman, integrante da Sociedade da Justiça da América, o primeiro grupo de super-heróis da DC Comics, que foi criado nos quadrinhos durante os anos 1940. Como o cetro passa a obedecê-la, ela passa a acreditar que é filha de Starman – seu pai saiu de casa quando ela era muito pequena – , resolve virar a Stargirl em sua homenagem e decide vingar sua morte ao enfrentar os responsáveis pelo fim dos heróis clássicos: os supervilões da Sociedade da Injustiça. Vale considerar que, nos quadrinhos, essa história é bem mais complicada. Mas a proposta da série é simplificar tudo ao máximo, para se focar na diversão que é ganhar super-poderes na adolescência. O clima lúdico é muito bem resolvido graças à química do elenco, principalmente entre a jovem Brec Bassinger (“Medo Profundo: O Segundo Ataque”) como Courtney Whitmore/Stargirl e o veterano Luke Wilson (do clássico “Legalmente Loira”) como seu padrasto Pat Dugan/Listrado/F.A.I.X.A. O casting jovem, por sinal, é um achado, com Yvette Monreal (“Faking It”), Anjelika Washington (“Crush à Altura”) e Cameron Gellman (“Heathers”) roubando cenas como os relutantes integrantes da versão teen da Sociedade da Justiça. Mas não fica nisso. O ótimo elenco também inclui Amy Smart (“Efeito Borboleta”) como Barbara Whitmore, a mãe da heroína, Joel McHale (“Community”) em flashbacks como Starman, e Neil Jackson (“Absentia”) envolvente como o vilão Geada – junto com Christopher James Baker (“True Detective”), Joy Osmanski (“Santa Clarita Diet”), Neil Hopkins (“Matador”), Nelson Lee (“Blade: The Series”) e Joe Knezevich (“A Mula”) como Onda Mental, Tigresa, Mestre dos Esportes, Rei Dragão e O Mago, integrantes da Sociedade da Injustiça. A série ainda não tem previsão de estreia no Brasil, mas as novas atrações do CW e da DC Universe têm sido lançadas na HBO, enquanto a plataforma HBO Max não chega por aqui.
Disque Amiga Para Matar é renovada para 3ª e última temporada
A Netflix anunciou a renovação de “Disque Amiga Para Matar”, a série que o mundo conhece como “Dead to Me”, seu título original. E, como já é praxe, também cancelou a atração, afirmando que a vindoura 3ª temporada será a última. Em comunicado, a criadora Liz Feldman disse que a decisão de encerrar a produção na 3ª temporada foi dela. “Do começo ao fim, ‘Dead to Me’ é exatamente a série que eu queria fazer. Tem sido um presente incrível [trabalhar nela]”, comentou. “Contar uma história tão fundada no luto e na perda me deu novos horizontes como artista, e me curou como ser humana. Eu sempre terei uma dívida com a minha brilhantemente talentosa equipe e elenco, especialmente Christina [Applegate] e Linda [Cardellini]”, completou, referindo-se às protagonistas. A plataforma também anunciou ter firmado um acordo com Feldman para os seus próximos projetos. Autora de “One Big Happy” e roteirista de “2 Broke Girls”, ela agora vai desenvolver novas séries com exclusividade para a Netflix. Sua série atual ganhou grande visibilidade quando a Netflix passou a divulgar, de forma experimental, sua primeira lista semanal dos dez programas mais vistos em seu catálogo no Reino Unido. “Dead to Me”, com seu título original, liderou o ranking por semanas. A atração marcou a volta da atriz Christina Applegate às sitcoms. Lançada ainda adolescente na cultuadíssima “Um Amor de Família” (Married with Children, 1987-1997), ela não protagonizava uma série desde “Up All Night” (2011-2012). A atração ainda voltou a reuni-la com o comediante Will Ferrell e o cineasta Adam McKay, que foram, respectivamente, seu coprotagonista e diretor na comédia de cinema “O Âncora” (2004). Os dois ex-sócios produzem a comédia, que foi criada por Liz Feldman Na trama, ela vive Jen, uma viúva aparentemente certinha, mas com problemas de gerenciamento de raiva. Depois que seu marido morre em um acidente, ela desenvolve uma amizade com Judy (Cardellini), uma mulher de espírito livre que conheceu num grupo de apoio. Mas enquanto se tornam amigas improváveis, Judy faz de tudo para esconder um grande segredo. James Marsden (“Westworld”), Diana Maria Riva (“17 Outra Vez”), Natalie Morales (“Parks and Recreation”) e os jovens Sam McCarthy (“Condor”) e Luke Roessler (“Legion”) também estão no elenco.
Trailer de A Barraca do Beijo 2 explora dilema do amor à distância
A Netflix divulgou o pôster e o trailer legendado de “A Barraca do Beijo 2”. A prévia lida com distanciamento, mas não tem nada a ver com prevenção contra pandemia. Na sequência, Elle (Joey King) tem que encarar um relacionamento à distância com Noah (Jacob Elordi), após seu amado entrar na Universidade de Harvard e mudar de cidade. A distância desperta ciúmes, conforme ele conhece Chloe (Maisie Richardson-Sellers, de “Legends of Tomorrow”) e ela passa a passa a prestar atenção num novo estudante, Marco (Taylor Perez, de “Embeds”), que faz sucesso com suas colegas de escola. Pressionado a convencê-lo a entrar na nova edição da Barraca do Beijo, para arrecadar dinheiro para uma boa causa, Ellie logo se vê mais próxima de Marco do que do próprio namorado. E para completar ela não quer ir para a mesma universidade de Noah, mas para a faculdade em que sua mãe estudou. Uma curiosidade é que esse dilema serve para mostrar uma foto clássica da mãe da protagonista, vivida por Molly Ringwald (de “Riverdale”), em seus dias de garota de rosa-shocking. Escrito e dirigido por Vince Marcello, responsável pelo primeiro filme – por sua vez, baseado no livro de Beth Reekles – , “A Barraca do Beijo 2” estreia em 24 de julho em streaming.
Brad Pitt vai estrelar próximo filme de ação do diretor de Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw
O ator Brad Pitt vai estrelar o próximo thriller de David Leitch, o dublê que virou diretor em filmes de ação como “De Volta ao Jogo” (John Wick), “Atômica”, “Deadpool 2” e “Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw”. Intitulado “Bullet Train”, o filme é adaptação do livro japonês “Maria Beetle”, de Kotaro Isaka, sobre um grupo de assassinos que embarca no mesmo trem-bala em Tóquio com motivos conflitantes. Pitt seria um dos assassinos no longa, que está sendo descrito como um encontro entre “Velocidade Máxima” (1994) e “Sem Escalas” (2014) num trem. Apesar de o roteiro ainda estar sendo escrito por Zak Olkewicz (produtor de “Quando as Luzes se Apagam”), a Sony pretende filmar o longa durante o outono americano (entre setembro e novembro), aproveitando as características da trama. Por ser uma história contida num único ambiente, a produção se encaixa com facilidade no atual padrão de prevenção sanitária exigida para as filmagens durante a pandemia de covid-19. Vale lembrar que Pitt já apareceu anteriormente num filme de Leitch, numa pequena figuração em “Deadpool 2”. Os dois são velhos conhecidos, porque Leitch já foi dublê de Pitt em filmes como “Onze Homens e um Segredo” (2001) e “Troia” (2004). Por coincidência, o ator venceu o Oscar neste ano por interpretar um dublê, em “Era uma Vez em Hollywood”. A produção também contará com participação do cineasta Antoine Fuqua (“O Protetor”), que foi quem originalmente desenvolveu o projeto. Ainda não há previsão de estreia.
Ennio Morricone (1928 – 2020)
O grande compositor Ennio Morricone, criador de trilhas sonoras inesquecíveis, morreu nesta segunda-feira (6/7) em Roma aos 91 anos, por complicações de uma queda sofrida na semana passada. Ele teve uma carreira de quase 70 anos como instrumentista e 60 anos como compositor de obras para o cinema, TV e rádio. Suas músicas acompanharam mais de 500 filmes, venderam cerca de 70 milhões de discos e criaram a identidade sonora de gêneros inteiros, como o spaghetti western, também conhecido como “bangue-bangue à italiana”, o giallo ultraviolento, os filmes americanos de máfia e reverberaram por toda a indústria cinematográfica italiana. “O Maestro”, como era conhecido, nasceu em 10 de novembro de 1928 em uma área residencial de Roma. Seu pai, Mario, tocava trompete, e este foi o primeiro instrumento que o jovem aprendeu a tocar. Graças a essa convivência, ele começou a compor músicas aos 6 anos. Quando tinha cerca de 8 anos, Morricone conheceu seu grande parceiro, o cineasta Sergio Leone, no ensino fundamental. Os dois voltaram a se encontrar duas décadas mais tarde para fazer História. O jovem Morricone começou a carreira compondo músicas para dramas de rádio, ao mesmo tempo em que tocava numa orquestra especializada em trilhas para filmes. “A maioria era muito ruim e eu acreditava que poderia fazer melhor”, disse ele numa entrevista de 2001. Ele trabalhou com Mario Lanza, Paul Anka, Charles Aznavour, Chet Baker e outros como arranjador de estúdio na gravadora RCA e com o diretor Luciano Salce em várias peças. Quando Salce precisou de uma trilha para seu filme “O Fascista” (1961), lembrou do jovem e deu início à carreira de compositor de cinema de Morricone. Depois de alguns filmes, Morricone reencontrou Leone, iniciando a lendária colaboração. O primeiro trabalho da dupla, “Por um Punhado de Dólares” (1964), marcou época e estabeleceu um novo patamar no gênero apelidado de spaghetti western – além de ter lançado a carreira de Clint Eastwood como cowboy de cinema. Os dois assinaram com pseudônimos americanos, e muita gente realmente acreditou que se tratava de uma produção de Hollywood, tamanha a qualidade. Ao todo, Morricone e Leone trabalharam juntos em sete filmes, dos quais o maestro considerava “Era uma Vez no Oeste” (1968) a obra-prima da dupla. O segredo da combinação é que Leone pedia para Morricone compor as músicas antes dele filmar, usando-a como elemento narrativo, muitas vezes dispensando diálogos. Nesta fase, ele também inaugurou duradouras parcerias com Bernardo Bertolucci e Pier Paolo Pasolini. Do primeiro, compôs a trilha de “Antes da Revolução” (1964), mas só retomou as colaborações na década seguinte. Já com o segundo, foi fundo na cumplicidade do período mais controvertido do diretor, embalando clássicos que desafiaram a censura, como “Teorema” (1968), “Orgia” (1968), “Decameron” (1971), “Os Contos de Canterbury” (1972) e “As Mil e Uma Noites” (1974). Serviu até de consultor musical para o mais ultrajante de todos, “Salò, ou os 120 Dias de Sodoma” (1975), proibidíssimo e talvez relacionado ao assassinato nunca resolvido do diretor naquele ano. Fez também muitas comédias picantes e uma profusão de obras sobre crimes e gângsteres de especialistas como Alberto Martino e Giuliano Montaldo. A verdade é que, no começo da carreira, Morricone chegava a compor até 10 trilhas por ano, entre elas composições de clássicos como “De Punhos Cerrados” (1965), de Marco Bellochio, e “A Batalha de Argel” (1966), de Gillo Pontecorvo. E o sucesso dos westerns de Leone – como “Por uns Dólares a Mais” (1965) e “Três Homens em Conflito” (1966), igualmente estrelados por Clint Eastwood – , aumentou muito mais a procura por seus talentos. Sua música não só ressoava em dezenas de filmes, como os demais compositores tentavam soar como ele, especialmente os que musicavam westerns italianos. Morricone ainda deixou sua marca num novo gênero, ao assinar a trilha de “O Pássaro das Plumas de Cristal” (1970), de Dario Argento, considerado o primeiro giallo, uma forma de suspense estilizada e sanguinária, que geralmente envolvia um serial killer e mortes brutais. Confundindo-se com a tendência, fez trilhas para outros giallos famosos, como “O Gato de Nove Caudas” e “Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza”, ambos de Argento, além de “O Ventre Negro da Tarântula” e “Uma Lagartixa num Corpo de Mulher”, só para citar trabalhos feitos num período curto. As trilhas destes quatro filmes foram criadas em 1971, simultaneamente a uma dezena de outras, entre elas partituras de pelo menos três clássicos, “Decameron”, de Pier Paolo Pasolini, “Sacco e Vanzetti”, de Giuliano Montaldo, e “A Classe Operária Vai para o Paraíso”, de Elio Petri, sem esquecer uma nova colaboração com Leone, “Quando Explode a Vingança”. Para dar ideia, ele chegou a recusar o convite para trabalhar em “Laranja Mecânica”, de Stanley Kubrick, porque não daria conta. Requisitadíssimo, Morricone assinou as trilhas da franquia “Trinity”, que popularizou a comédia western italiana e virou fenômeno de bilheteria mundial, e começou a receber pedidos de produções francesas – teve uma forte parceria com o cineasta Henri Verneuil em thrillers de Jean-Paul Belmondo – e alemãs. Quando Clint Eastwood retornou aos EUA, convocou o maestro a fazer sua estreia em Hollywood, assinando a música de seu western “Os Abutres Têm Fome” (1970), dirigido por Don Siegel. Mas foi preciso um terror para que se estabelecesse de vez na indústria americana. Morricone tinha recém-composto a trilha do épico “1900” (1976), de Bernardo Bertolucci, quando foi convidado a trabalhar em “O Exorcista II: O Herege” (1977), contratado ironicamente devido a uma de suas obras menores, “O Anticristo” (1974). A continuação do clássico de terror decepcionou em vários sentidos, mas o compositor começou a engatar trabalhos americanos, como “Orca: A Baleia Assassina” (1977) e o filme que o colocou pela primeira vez na disputa do Oscar, “Cinzas do Paraíso” (1978). A obra-prima de Terrence Malick era um drama contemplativo, repleto de cenas da natureza, que valorizou ao máximo seu acompanhamento musical. E deu reconhecimento mundial ao trabalho do artista. Apesar da valorização, ele não diminuiu o ritmo. Apenas acentuou sua internacionalização. Musicou o sucesso francês “A Gaiola das Loucas” (1978), o polêmico “Tentação Proibida” (1978), de Alberto Lattuada, e voltou a trabalhar com Bertolucci em “La Luna” (1979) e “A Tragédia de um Homem Ridículo” (1981), ao mesmo tempo em que compôs suspenses/terrores baratos americanos em série. Dois terrores desse período tornaram-se cultuadíssimos, “O Enigma de Outro Mundo” (1982), em que trabalhou com o diretor – e colega compositor – John Carpenter, e “Cão Branco” (1982), uma porrada de Samuel Fuller com temática antirracista. Foi só após um reencontro com Sergio Leone, desta vez em Hollywood, que Morricone deixou os filmes baratos americanos por produções de grandes estúdios. Os dois velhos amigos colaboraram pela última vez em “Era uma Vez na América” (1984), antes da morte de Leone, que aconteceria em seguida. Ambos foram indicados ao Globo de Ouro e o compositor venceu o BAFTA (o Oscar britânico). A repercussão de “Era uma Vez na América” levou o maestro a trabalhar em “A Missão” (1986), de Roland Joffé, que como o anterior era estrelado por Robert De Niro. O filme, passado no Rio Grande do Sul, rendeu-lhe a segunda indicação ao Oscar. Em seguida veio seu filme americano mais conhecido, novamente com De Niro no elenco. “Os Intocáveis” (1987), de Brian De Palma, foi sua terceira indicação ao Oscar – e, de quebra, lhe deu um Grammy (o Oscar da indústria musical). O compositor recebeu sua quarta indicação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas por outro filme de gângster, “Bugsy” (1991), de Barry Levinson. Mas nunca se mudou para os Estados Unidos, o que lhe permitiu continuar trabalhando no cinema europeu – em obras como “Busca Frenética” (1988), de Roman Polanski, o premiadíssimo “Cinema Paradiso” (1988), de Giuseppe Tornatore, “Ata-me” (1989), de Pedro Almodóvar, e “Hamlet” (1990), de Franco Zeffirelli. Eventualmente, voltou a bisar parcerias com De Palma, Joffé e até fez alguns blockbusters de Hollywood, como “Na Linha de Fogo” (1993), em que reencontrou Clint Eastwood, “Lobo” (1994), de Mike Nichols, e “Assédio Sexual” (1994), novamente de Levison. Mas sua última indicação ao Oscar foi uma produção italiana, outra colaboração com Tornatore: “Malena” (2000). Na verdade, Morricone musicou todos os filmes de Tornatore desde “Cinema Paradiso”. Foram 10 longas e alguns curtas, até 2016. Seu ritmo só diminuiu mesmo a partir de 2010, quando, em vez de 10 trabalhos anuais, passou a assinar 4 trilhas por ano. Apesar de convidado, ele nunca trilhou um filme dirigido por Eastwood, decisão da qual mais se arrependia, mas recebeu das mãos do velho amigo o seu primeiro Oscar. Foi um troféu honorário pelas realizações de sua carreira, em 2007. Morriconi ainda veio a receber outro prêmio da Academia, desta vez pelo trabalho num filme: a trilha de “Os Oito Odiáveis”, western dirigido por Quentin Tarantino em 2015. Esta criação sonora também lhe rendeu o Globo de Ouro e o BAFTA. E ele fez sem ver o longa, no estúdio particular de sua casa. Grande fã de sua obra, Tarantino já tinha usado algumas de suas composições como música incidental em “Kill Bill”, “Django Livre” e “Bastardos Inglórios”. E deu completa liberdade para Morricone, que, em troca, disse que trabalhar com o diretor em “Os Oito Odiáveis” tinha sido “perfeito… porque ele não me deu pistas, orientações”, permitindo que criasse sua arte sem interferência alguma. “A colaboração foi baseada em confiança”. O maestro ainda ganhou muitos outros prêmios, entre eles 10 troféus David di Donatello (o Oscar italiano) ao longo da carreira – o mais recente por “O Melhor Lance” (2013), de Tornatore. Foi uma carreira realmente longa, que seu velho parceiro Tornatore transformou em filme, “Ennio: The Maestro” (2020), um documentário sobre sua vida e obra, finalizado pouco antes de sua morte, que deve ser lançado ainda neste ano. Mas a última palavra sobre sua vida foi dele mesmo. Morricone escreveu seu próprio obituário, que seu advogado leu para a imprensa após o anúncio de sua morte. “Eu, Ennio Morricone, estou morto”, começa o texto, em que o maestro agradeceu a seus amigos e familiares, e dedicou “o mais doloroso adeus” a sua esposa Maria Travia, com quem se casou em 1956, dizendo “para ela renovo o amor extraordinário que nos unia e que lamento abandonar”. Relembre abaixo alguns dos maiores sucessos do grande mestre.
Nick Cordero (1978 – 2020)
O ator e cantor Nick Cordero morreu no domingo (5/7) após uma longa luta contra a covid-19. Ele estava internado numa UTI de Nova York desde 1ª de abril e chegou a ter a perna amputada após complicações decorrentes do coronavírus. Mas a infecção comprometeu os dois pulmões e ele não resistiu. A morte foi confirmada por sua esposa, Amanda Kloots, no Instagram, onde ela mantinha os seguidores informados sobre a luta do marido. Cordero tinha 41 anos. “Meu querido marido faleceu nesta manhã. Ele estava cercado de amor por sua família, cantando e orando enquanto gentilmente deixava esta terra”, escreveu Amanda na rede social. “Estou incrédula e machucada em todos os lugares”, acrescentou. “Meu coração está partido porque eu não consigo imaginar nossas vidas sem ele.” Cordeiro foi indicado ao Tony (o Oscar do teatro) por “Bullets Over Broadway” e estrelou as montagens de “Waitress”, “A Bronx Tale the Musical” e “Rock of Ages”. Ele também trabalhou no filme “Despedida em Grande Estilo” e nas séries “Blue Bloods” e “Law & Order: SVU”, Sua esposa disse que ele testou negativo para covid-19 duas vezes, antes de um terceiro teste dar positivo.
Bettina Gilois (1961 – 2020)
A roteirista Bettina Gilois, que escreveu o sucesso “McFarland dos EUA” e foi indicada ao Emmy por “Bessie”, morreu dormindo no domingo (5/7) aos 58 anos. Ela enfrentava uma forma avançada de câncer, ao mesmo tempo que trabalhava em vários projetos. Gilois iniciou a carreira como assistente de Slava Tsukerman, diretora do cult “Liquid Sky”, em sua cidade natal, Berlim. Ao se mudar para Hollywood, trabalhou em várias produtoras de cinema, desenvolvendo projetos que ou não saíram do papel ou não lhe deram seu devido crédito, como “Hurricane, o Furacão” (1999), que rendeu um Globo de Ouro a Denzel Washington. Oficialmente, o primeiro filme a destacar seu nome como roteirista foi “Estrada para a Glória” (2006), um drama esportivo de temática edificante produzido pela Disney. Ela levou quase uma década para ver seu segundo roteiro filmado. Por coincidência, foi outro drama esportivo edificante da Disney. Dirigido por Niki Caro (“Mulan”), “McFarland dos EUA” (2015) trazia Kevin Costner (“Yellowstone”) como um treinador de futebol americano desempregado que decide transformar um grupo de estudantes de uma cidadezinha no melhor time de atletas corredores do país. O filme surpreendeu pelo sucesso inesperado de bilheteria. Seu terceiro crédito foi a telebiografia “Bessie”, da HBO, em que Queen Latifah viveu a célebre cantora de blues Bessie Smith. A produção venceu o Emmy de Melhor Telefilme e rendeu-lhe uma indicação ao troféu, como Melhor Roteirista. Ela ainda assinou “The Lost Wife of Robert Durst” (2017) para o canal pago Lifetime, sua última obra produzida. Entre os muitos projetos que estava desenvolvendo, incluem-se a série “Muscle Shoals”, sobre um famoso estúdio da era da soul music, uma telebiografia da cantora gospel Mahalia Jackson para o Lifetime e “A Million Miles Away”, a história de Jose Hernandez, imigrante que virou astronauta, para a Netflix. Além disso, dois de seus livros estão sendo transformados em filmes – “Billion Dollar Painter: The Triumph and Tragedy of Thomas Kinkade Painter of Light” e “Mi Vida Loca: The Crazy Life of Johnny Tapia”.
Sci-fi clássica Aldeia dos Malditos vai virar série
O canal pago britânico Sky está desenvolvendo uma nova adaptação da sci-fi clássica “Village of the Damned”. A atração será uma minissérie, baseada no livro “The Midwich Cuckoos”, de John Wyndham, que inspirou o famoso longa de 1960, lançado no Brasil como “A Aldeia dos Amaldiçoados”, e seu remake de 1995 (“A Cidade dos Amaldiçoados”), feito pelo mestre John Carpenter – e com Christopher Reeve (o Superman) no papel principal. O roteirista David Farr, criador da série “Hanna“ e roteirista da minissérie “The Night Manager”, é o responsável pela adaptação. Lançado em 1956, o livro de Wyndham – assim como os filmes – conta a história de uma pacata vila inglesa chamada Midwich, onde uma série de eventos estranhos culmina com as mulheres da comunidade dando à luz crianças loiras com olhos brilhantes e poderes sobrenaturais. A nova versão ainda não tem previsão de estreia.
Clone High: Animação cult dos produtores de Homem-Aranha no Aranhaverso terá revival
Mais uma série animada cultuada da MTV vai voltar a ser produzida. “Clone High”, que teve só uma temporada de 13 episódios em 2002, será retomada com participação de seus criadores, Phil Lord, Chris Miller e Bill Lawrence. Lord e Miller se tornaram bem famosos depois da animação que lançou suas carreiras – dirigiram “Uma Aventura Lego” e produziram “Homem-Aranha no Aranhaverso”, entre outros trabalhos – , enquanto Lawrence, que já era conhecido pelas séries “Spin City” e “Scrubs”, lançou “Cougar Town”, por exemplo. O revival, porém, está sendo tocado por Erica Rivinoja, escritora da série original. Ela servirá como showrunner e co-escreverá o piloto ao lado de Lord e Miller. Como a série original, a nova “Clone High” seguirá figuras históricas famosas, que foram clonadas e matriculadas no ensino médio. Em 2003, os alunos eram clones emos de Abraham Lincoln, Cleópatra, Joana D’Arc, John F. Kennedy e outros, que precisavam lidar com os problemas e situações da vida adolescente. “Ficamos emocionados em nos reunir com Phil Lord, Chris Miller e Bill Lawrence para reimaginar esse clássico cult, à medida que aumentamos rapidamente nosso portfólio de séries amadas e icônicas de animação adulta”, disse Chris McCarthy, presidente da divisão de entretenimento juvenil da ViacomCBS. Ainda não há canal definido para o retorno de “Clone High”, mas a produção segue os anúncios do revival de “Beavis e Butt-Head” e do lançamento de “Jodie”, um spin-off de “Daria”, que recentemente receberam encomenda de temporadas no canal pago Comedy Central. O Comedy Central e a MTV fazem parte do mesmo conglomerado, ViacomCBS.
Netflix adquire forte candidato ao Oscar 2021
A Netflix adquiriu os direitos de “The Trial of the Chicago 7”, novo filme de Aaron Sorkin (“A Grande Jogada”), produzido por Steven Spielberg. O projeto é antigo. Sorkin, premiado com o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por “A Rede Social”, assumiu o filme após Steven Spielberg desistir de tentar tirá-lo do papel – ele chegou a considerar dirigir o longa em 2008. A trama acompanha o julgamento de sete ativistas anti-Guerra do Vietnã que foram presos e julgados pelo governo dos Estados Unidos nos anos 1960. Eles fizeram uma grande manifestação durante a Convenção Nacional do Partido Democrata, em Chicago, no ano de 1968, quando foram detidos pela polícia. Acusados de conspiração e incitação ao tumulto, os sete se tornaram o centro de um debate na sociedade americana sobre os limites do direito de protesto e do uso da força policial para conter situações potencialmente tumultuosas. O julgamento também atraiu a atenção da mídia por refletir a repressão dos movimentos que se opunham à Guerra do Vietnã e assumiam posturas pacifistas. Alguns dos ativistas acabaram condenados, enquanto outros foram inocentados – eventualmente, no entanto, todas as sentenças foram suspensas. O roteiro é do próprio Sorkin, que o finalizou em 2013. Após se consolidar como diretor com “A Grande Jogada” (2017), ele acabou assumindo a frente do projeto também como diretor. Vale observar que essa história já foi filmada antes, em “The Chicago 8” (2011), que foi uma produção indie de pouca repercussão. A maior diferença de “The Trial of the Chicago 7” é seu elenco, que conta com Joseph Gordon-Levitt (“Snowden”) como Richard Schultz; Sacha Baron Cohen (“Alice Através do Espelho”) como Abbie Hoffman; Eddie Redmayne (“Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald”) como Tom Hayden; Yahya Abdul-Mateen II (“Watchmen”) como Bobby Seale; Kelvin Harrison Jr. (“Ondas”) como Fred Hampton; Jeremy Strong (“Succession”) no papel de Jerry Rubin; Alex Sharp (“As Trapaceiras”) como Rennie Davis; Frank Langella (“Kidding”) como o juiz Julius Hoffman; Mark Rylance (“Ponte dos Espiões”) como o advogado William Kuntsler; e Michael Keaton (“Homem-Aranha: De Volta para Casa”) como o advogado Ramsey Clark. O elenco, porém, poderia ser ainda mais impressionante, caso o filme fosse feito na época em que Spielberg esteve à sua frente. Durante sua década de desenvolvimento, Will Smith (“Esquadrão Suicida”) quase foi escalado como Bobby Seale, fundador dos Panteras Negras e “oitavo acusado”, que acabou não indo a julgamento junto com os demais por ser condenado rapidamente por desacato e enviado à prisão pelo juiz do caso. Ele era o único negro do grupo. Heath Ledger (“Batman: O Cavaleiro das Trevas”) foi outro que esteve perto de viver Tom Hayden, ex-marido da atriz Jane Fonda e um dos sentenciados. Considerado um forte candidato a prêmios, o longa deve estrear em novembro, visando a temporada estendida do Oscar 2021.
Atriz de Supernatural é diagnosticada com câncer de mama
A atriz Samantha Smith, que viveu a mãe de Sam e Dean na série “Supernatural”, revelou aos fãs ter sido diagnosticada com câncer de mama. Em post nas redes sociais, ela contou que terá que passar em breve por uma dupla mastectomia. “Bom, aqui vai. Acabei de ser diagnosticada com câncer de mama (pela segunda vez, mas essa é outra história). Então, vou fazer uma mastectomia dupla em algumas semanas, o que é bom. Meu prognóstico é ótimo. Peitos novos e sem mamografias por toda a vida? #SilverLinings!”, ela escreveu, usando a expressão em inglês que fala do “lado positivo” das notícias ruins. A atriz também aproveitou para alertar os fãs sobre a importância dos exames preventivos e de cuidar da própria saúde. “Por favor, não negligencie sua saúde. Faça os seus exames. Se eu tivesse demorado para procurar tratamento, sabe Deus o que eu iria enfrentar. Eu vou ficar bem. Eu quero que vocês fiquem bem também. Cuidem-se”, completou. Veja o post original abaixo. Ver essa foto no Instagram Here’s the deal. I was just diagnosed with breast cancer. (For the 2nd time, but that’s another story…) So I’ll have a double mastectomy in a couple weeks, which is fine. My prognosis is great. New boobs & no mammograms for life? #SilverLinings! In all seriousness, the reason I’m talking about this right now is, luckily I found this with a self-exam, but my doctor told me that 50% –FIFTY% – of Americans have sought NO health care since March, *even with symptoms of illness.* And OBGYN visits are down to record lows. Please don’t neglect your health. Get your screenings. If I had waited to seek treatment, who knows what I’d be facing. I’m going to be fine. I want you to be fine, too. Look after yourselves, & I’ll keep you posted on this ride. 💗 Sam Uma publicação compartilhada por Samantha Smith (@samsmithgrams) em 3 de Jul, 2020 às 11:04 PDT
The 100: Episódio que pode originar série derivada ganha trailer e fotos
A rede The CW divulgou as fotos e o trailer de “Anaconda”, episódio que serve como piloto para um spin-ff de “The 100”. Trata-se do oitavo episódio da última temporada da série, que mostra Bill Cadogan (John Pyper-Ferguson), o fundador da seita do Segundo Amanhecer, dizendo a uma confusa Clarke (Eliza Taylor) que sua aparição diante dela é “muito longa história”. Esta é a deixa para um flashback explicativo, que revela o caos na Terra, à medida que os edifícios tremem e os mísseis são lançados durante o primeiro apocalipse da saga televisiva. Além de Cadogan, o flashback revela Becca Franco (Erica Cerra), a cientista que criou a Inteligência Artificial Alie à sua imagem e semelhança. Eles debatem a chegada de um artefato que pode ajuda-los a sobreviver. Trata-se do mesmo artefato misterioso e alienígena que Clarke e seus amigos descobriram na lua de Sanctum, que funciona como um portal para outros mundos – o que resume a tal “longa história” de como terráqueos foram parar do outro lado da galáxia. A prévia, porém, dedica menos tempo à explicação do que à introdução de diversos personagens inéditos, que lutam pela sobrevivência enquanto o fogo radioativo começa a cobrir o planeta. Jason Rothenberg, criador de “The 100”, adiantou anteriormente que uma das novas personagens é “tataravó de Clarke”. Caso seja aprovado, o spin-off vai acompanhar esses novos personagens, 97 anos antes da história de “The 100” – e, portanto, não deve aproveitar os integrantes do elenco original. “Anaconda” será exibido na quarta (8/7) nos EUA.
Série documental de Sandy & Junior ganha trailers
A Globo divulgou dois trailers de “Sandy & Junior: A História”, série documental que vai contar a história dos irmãos músicos. Um deles apresenta a produção, que será disponibilizada na plataforma Globoplay, e o outro revela que o primeiro episódio será apresentado na TV aberta, no próximo domingo (12/7). A série vai contar a trajetória de Sandy & Junior em sete episódios, nos quais os fãs poderão acompanhar vários momentos da vida da dupla. Além disso, celebridades como Roberto Carlos e Ivete Sangalo gravaram depoimentos descritos como “carinhosos” para a produção. Após a estreia na TV, todos os episódios serão disponibilizados na Globoplay. Além desse projeto, a Globoplay também vai lançar um documentário da turnê “Nossa História”, que marcou o retorno dos irmãos à música no ano passado. São imagens de diversas apresentações, mas principalmente do show que ocorreu no Allianz Parque, em São Paulo. Vai ao ar em 17 de julho. Para completar, a plataforma ainda vai investir na nostalgia, disponibilizando a novela “Estrela-Guia”, de 2001, que teve Sandy num dos papéis principais, como Cristal. Chega na Globoplay já neste domingo (6/7). Série documental de Sandy & Junior ganha trailers











