The Old Guard injeta dramaticidade no bom e velho thriller de ação
Tem surtido um efeito positivo a abertura cada vez maior de Hollywood para cineastas femininas. Com “The Old Guard”, Gina Prince-Bythewood se junta a Patty Jenkins (“Mulher-Maravilha”), Cathy Yan (“Aves de Rapina”) e Cate Shortland (“Viúva Negra”, ainda inédito) na lista de diretoras de filmes recentes de ação, que trazem mulheres como protagonistas. Prince-Bythewood é uma cineasta negra que, apesar de ter no currículo dramas e comédias românticas de repercussão relativamente pequena, sempre lidou com direitos de minorias, temas bem explorados no atual “blockbuster” da Netflix, que, além de trazer duas protagonistas, uma delas negra, também rechaça a homofobia, desenvolvendo personagens homossexuais de maneira muito bonita e respeitosa – como é o caso do casal vivido pelo holandês Marwan Kenzari (o vilão de “Aladdin”) e o italiano Luca Marinelli (o excelente ator de “Martin Eden”). A diretora traz uma abordagem diferente ao gênero. Mas enfrenta dificuldades na transição, por falta de coreografias de luta mais bem trabalhadas ou cenas de ação mais consistentes. Poderia haver um cuidado maior com as imagens, um certo rigor formal cairia bem, até como forma de compensar a falta de uma equipe com maior intimidade com adaptações de quadrinhos. Isto torna as cenas de ação um tanto genéricas. Por isso, o diferencial de “The Old Guard” encontra-se na dramaticidade criada em torno dos personagens. Enquanto muitos esperam resultados mais convencionais, a diretora deixa sua marca ao dar à premissa irreal, sobre um grupo de mercenários imortais, um dose saudável de dramaticidade e seriedade. Na trama, Charlize Theron vive Andy, uma guerreira imortal com mais de 6 mil anos de idade, que lutou em diversas guerras ao longo da história da humanidade. Ela lidera a “Velha Guarda”, um pequeno grupo de imortais que se dedica a desfazer injustiças ao redor do mundo. Mas está cansada, desgastada e desiludida por achar que não está atingindo o impacto positivo esperado. Aos poucos, a pose de super-heróis dos personagens se desconstrói, revelando pessoas frágeis. Após tantos anos de existência na Terra, eles acumulam muitas experiências trágicas. Andy tem especialmente duas lembranças muito dolorosas de parceiros imortais do passado, que serão contadas à nova imortal, a jovem soldado negra Nile, vivida por KiKi Layne. É pelos olhos da mais nova integrante do grupo que o público é apresentado às vidas secretas desse pequeno exército de imortais, que têm seus próprios sensos de honra e de justiça. E quanto à fragilidade deles, há um momento em particular que torna Andy tão frágil quanto incrivelmente forte, lá pelo terceiro ato, quando eles enfrentam a indústria farmacêutica que deseja lucrar com seus corpos. Aliás, o vilão caricato (Harry Melling) é o ponto mais fraco da trama, mas não chega a comprometer tanto quanto em alguns blockbusters de super-heróis. Derivado de uma história em quadrinhos de Greg Rucka, que também é o roteirista desta adaptação cinematográfica, o filme tem grandes chances de ganhar continuação. E será ótimo se tiver, tanto para o público revisitar os personagens, quanto para a diretora, ou quem pegar o projeto, aperfeiçoar a produção, aproveitando-se de todas as suas potencialidades.
Até o Fim enaltece a superação e a pluralidade no cinema brasileiro
O cinema brasileiro, todos sabem, é plural. Como o país. Há tempos deixou de ser exclusividade do Rio de Janeiro e de São Paulo. Cidades do interior, como Contagem-MG e agora também Cachoeira, no Recôncavo Baiano, aparecem no cinema brasileiro contemporâneo como áreas de explosão afetiva e artística. Os jovens cineastas baianos Ary Rosa e Glenda Nicácio têm chamado a atenção desde “Café com Canela” (2017), o lindíssimo filme sobre amizade, superação diante das adversidades e valorização da cultura afro-descendente. Isso dentro de uma estrutura que mistura experimentação com um pouco de classicismo. A descrição até faz lembrar seu mais novo filme, “Até o Fim”, exibido e premiado na 23ª Mostra Tiradentes, no começo do ano. O filme foi aplaudido de pé e, pelos testemunhos, dá-se a entender que foi a mais intensa recepção popular de um filme exibido no evento. Muito disso tem a ver com a aguardada expectativa de um novo filme da dupla, que ainda fez “Ilha” (2018), talvez seu trabalho mais arriscado. “Até o Fim” agrada mais por ser feminino e cheio de afetividade, como “Café com Canela”. Mas, em vez de se focar em amizades, aqui o elo que une as protagonistas, depois de tantos anos de distância, é o sangue. Pelo menos três das mulheres da trama são irmãs. O filme começa, curiosamente, na mesma barraca de “Ilha”, além de fazer uma referência direta e explícita a essa obra. Isso acaba por trazer uma familiaridade ao filme, apesar dos diretores ainda terem poucos trabalhos realizados. É nesta barraca que conhecemos Geralda (Wal Diaz), uma mulher de meia idade que é dona daquele espaço. Ela recebe a notícia da morte iminente de seu pai, que está internado no hospital. Essa situação será o elemento que reunirá as irmãs de Geralda. Primeiro aparece a simples e alegre Rose (Arlete Dias) e depois a bem-sucedida Bel (Maíra Azevedo, a Tia Má do YouTube). A quarta personagem aparecerá para balançar ainda mais a noite. Toda a narrativa acontece no espaço de uma noite, onde muitas feridas são expostas em uma discussão calorosa. A começar pelo desabafo de Geralda, que se sente abandona pelas irmãs. Elas deixaram a cidade sem muita explicação e Geralda ficou sozinha, cuidando do pai. Pautada em diálogos, a trama beira a verborragia teatral, mas isso não chega a incomodar, porque os diálogos são cheios de tensão, emoção e espontaneidade. A figura do pai também é importante, pois ele se revela o principal responsável pelos rumos distintos das vidas daquelas mulheres. Mesmo sem nunca aparecer em cena, é como um espírito ruim que paira no ambiente, cuja morte é esperada ansiosamente pela maior parte daquelas mulheres. Ele simboliza a questão do abuso sexual, do ataque ao candomblé, da homofobia, da transfobia, do machismo etc. Como opção estética, os diretores optaram por enquadrar a trama numa janela em formato quadrado, que faz com que haja uma aproximação maior daquelas personagens na tela – além de passar um ar claustrofóbico. Vez ou outra, vemos dois quadros. A movimentação e os ângulos de câmera também são bem atípicos e apontam para uma vontade de experimentar, sem cair no experimentalismo puro. O resultado é uma junção muito bem orquestrada de um racionalismo ditado pela forma e de um sentimentalismo ditado pelos traumas e situações de fragilidade das personagens. Além do mais, a presença da quarta personagem, Vilmar (Jenny Muller), faz com que essas emoções explodam em um convite às lágrimas, que nem sempre representam a tristeza, mas também a alegria da superação, de estar lidando com coragem com as dores do passado que seguem vivas no presente. Disponibilizado brevemente no YouTube, é um filme que deve crescer muito na telona.
7500 cria tensão claustrofóbica em trama de sequestro aéreo
Longa-metragem de estreia do alemão Patrick Vollrath, “7500”, disponibilizado em streaming pela Amazon, consegue montar uma história de tensão claustrofóbica, que se passa totalmente dentro da cabine de um avião atacado por terroristas. O fato de apresentar uma visão limitada pelas paredes da cabine acaba por tornar tudo ainda mais interessante. Uma produção mais convencional teria toda a reviravolta com os passageiros sofrendo a pressão e o terror da situação (ataque físico dos terroristas, avião prestes a cair etc). Em vez disso, e até como forma de diminuir os custos de produção, o que Vollrath apresenta é uma obra que foge da vulgaridade. É também uma obra que se pretende realista. O ator que interpreta o capitão do avião é um verdadeiro piloto, e muito do ótimo desempenho de Joseph Gordon-Levitt, no papel do copiloto isolado, deve-se ao fato de ele ter aprendido com o profissional e ter criado certa intimidade com a cabine, com seus botões, alavancas, meios de comunicação etc. Para trazer este realismo, o filme até flerta com estilo documental, iniciando com imagens de câmeras de segurança de um aeroporto de Berlim, e com uso do silêncio como trilha sonora. Vollrath parece querer construir um thriller anti-hollywoodiano, no sentido de sair das convenções da maioria dos filmes de ataques ou sequestros em aviões. A câmera não é estática, mas permanece boa parte do tempo focada no personagem de Gordon-Levitt, como se houvesse uma terceira pessoa ali dentro da cabine como testemunha. E essa testemunha somos nós, os espectadores. O filme é bem-sucedido especialmente em sua primeira metade, quando a tensão crescente mantém o interesse sobre o desenrolar da situação. Porém, conforme a resolução se aproxima, depois da segunda metade da narrativa, a impressão é que o diretor e seu corroteirista não souberam desenvolver um desfecho satisfatório. Enquanto os terroristas estão – com exceção de um deles – , do lado de fora da cabine, lutando para entrar, o medo e a tensão se manifestam de maneira bastante intensa. Inclusive, com as ameaças de morte a membros da tripulação e de passageiros se intensificando e se tornando cada vez mais dramáticas. Talvez a estrutura de filme B funcionasse melhor se o diretor optasse por um projeto de duração ainda menor, com cerca de 70 minutos, por exemplo. Isso tornaria o filme, além de mais enxuto, muito mais eficiente na construção da densidade dramática, já que a meia hora final quase leva tudo a perder. Ainda assim, “7500” é um thriller bem-feito e bem-vindo, e mais um exemplo de como é possível realizar voos ousados com pouco orçamento, ao fugir das convenções de Hollywood.
The Souvenir mergulha em relação tóxica vivida nos anos 1980
Quarto longa-metragem da inglesa Joanna Hogg, “The Souvenir” não é apenas um filme pessoal: é autobiográfico, baseado nas memórias dos 20 e poucos anos da diretora. Até mesmo o apartamento em que morava foi reconstruído a partir de uma fotografia que ela tinha. A história se passa em Londres, no início da década de 1980, e aborda um relacionamento que hoje podemos descrever mais facilmente como tóxico. O longa ganhou um dos principais prêmios do Festival de Sundance do ano passado, como Melhor Filme da mostra competitiva internacional, e é curioso que não tenha atingido grande repercussão entre os cinéfilos brasileiros, talvez por não ter sido lançado nos cinemas. Só chegou por aqui em VOD neste período da quarentena. Ainda assim, também quase passa batido em meio a tantas opções disponíveis, mesmo que a grande maioria das opções não valha nosso valioso tempo. Só o fato de ser um filme baseado em fatos reais já provoca o interesse. A própria diretora hesitou bastante em materializá-lo, justamente por tratar de algo muito íntimo e incômodo para ela. Para interpretar sua personagem na juventude ela escolheu a semi-estreante Honor Swinton Byrne, filha da atriz Tilda Swinton. A jovem atriz só tinha no currículo uma pequena participação em “Um Sonho de Amor”, de Luca Gaudagnino, estrelado pela mãe. Tilda Swinton também está no elenco, num pequeno papel como mãe da protagonista. Na trama, Honor é Julie, uma estudante de cinema que conhece um homem um pouco mais velho, Anthony (Tom Burke), por quem se interessa e se apaixona. O homem é arrogante, lacônico, costuma apontar defeitos na moça, quando ele mesmo não parece ter lá suas qualidades. Nem bonito ele é. Ele esconde uma vulnerabilidade que surgirá aos poucos, à medida que formos conhecendo mais o personagem. É impressionante a atuação de Honor. Nem parece estar atuando, de tão natural que é sua performance. Seu trabalho também foi de pesquisa: ela chegou a ler os diários da diretora dos anos 1980, a fim de buscar identificação e conhecimento sobre ela e ajudar na formulação da personagem. E Joanna Hogg imprime um trabalho realista nos diálogos que torna o filme verdadeiro em muitos aspectos. Em entrevista com a diretora ao jornal britânico The Guardian, a atriz abordou a situação. “Toda pessoa na faixa dos 20 anos não sabe o que está acontecendo em sua vida. Você está tentando descobrir no que você é bom, quem você é, o que você quer, quais são seus limites. E você comete erros e tem problemas de auto-confiança.” Então, o que Anthony faz com Julie é se aproveitar desse momento mais delicado de se estar em seus 20s. Ainda que seja possível se envolver com os problemas do homem na segunda metade do filme, a relação vampírica é difícil de perdoar, de aceitar, ainda mais sendo Julie uma pessoa tão doce. “The Souvenir” causa bastante desconforto, pois, desde o começo, a relação que se estabelece entre Julie e Anthony soa desagradável. Vemos tudo com certo distanciamento, não parece ser fácil se apegar ao personagem masculino como ela se apegou. Fica-se o tempo todo querendo que ela saia desse relacionamento e a pergunta vem e é feita à própria diretora na referida entrevista: “Por que ela ficou com Anthony por tanto tempo?”. Hogg afirma que é uma pergunta que não é possível responder. Há no filme também uma espécie de valorização e de saudosismo do mundo analógico, que se ressalta pela encenação nos anos 1980. Isto é explorado nas cenas em que Julie está fotografando os amigos em festas intimistas, nas aulas de cinema a que ela assiste e nas fitas cassete que ela coloca para escutar em seu aparelho de som. Aliás, é muito bom o uso bastante pontual da música no filme, entrecortando os silêncios. O filme foi rodado em ordem cronológica e usando a bitola 16 mm, e se percebe claramente a textura diferente e a granulação em sua fotografia. Como cada rolo de 16 mm tem duração de 11 minutos, a edição também lida com essa limitação. Já a opção por filmar em ordem cronológica pode ter influenciado positivamente na construção dramática da protagonista. No fim dos créditos, anuncia-se um “The Souvenir – Parte 2”, que já está em fase de pós-produção e será lançado no próximo ano. Segundo a diretora, a parte dois começa quase que imediatamente onde termina a primeira e vai de 1985 até o final da década. Se for tão bom quanto este filme, os cinéfilos devem marcar no calendário a data de lançamento, para desta vez não perder o mergulho na memória e nos sentimentos de Joanna Hogg.
Tigertail transforma escolhas da vida em drama geracional
Ainda que seja o primeiro longa-metragem de Alan Yang na direção, ele já teve a oportunidade de imprimir a sua marca na televisão, especialmente com a série “Master of None”, da qual ele é cocriador. O diretor é mais um americano descente de asiáticos a filmar nos Estados Unidos em língua não inglesa, mercado que começa a se abrir após a repercussão positiva de “A Despedida”, de Lulu Wang, no ano passado. E assim como Wang homenageou sua vovó em seu drama premiado, “Tigertail” é uma obra muito pessoal de Yang, inspirado nas memórias de seu pai. Em “Tigertail”, o diretor usa o idioma natal de seu pai, o mandarim, para discutir as escolhas da vida, suas repercussões e a força das memórias. O filme acompanha Grover, um senhor sexagenário vivido por Tzi Ma, rosto muito conhecido de filmes hollywoodianos, inclusive de “A Despedida”. Grover mora nos Estados Unidos há alguns anos e está de volta depois do funeral de sua mãe, que morava em Taiwan. Seu relacionamento com a jovem filha adulta Angela (Christine Ko) não é fácil. Ele é um homem muito fechado, não costuma ser a pessoa mais simpática do mundo e tem histórico de ter sido bastante duro com a filha durante a infância dela. Yang faz um filme de idas e vindas no tempo, com as cenas de flashback gravadas em 16 mm, com aparência mais suja, e as cenas do presente em limpíssimo digital, para explicar o que tornou seu personagem num homem tão amargurado. Para isso, o filme contrasta esse homem distante com o entusiasmo que mostrava na juventude, representado principalmente em sua relação com uma moça em Taiwan. Era uma jovem especial, que tornava o relacionamento dos dois divertido, com muitas conversas e sonhos compartilhados. Mas eis que Grover conhece a filha do patrão e tem a chance de ir com ela para os Estados Unidos. Sem dinheiro e filho de família pobre, ele vê a possibilidade de casar com essa outra moça, com quem tem pouca afinidade e pela qual sente pouco afeto, como chance de vencer na vida. Mesmo que para isso tenha que abandonar o amor de sua vida. Hiatos apresentam os diferentes estágios da vida dos jovens casados, inclusive oferecendo espaço para que se saiba mais da vida da esposa de Grover. Quando está distante do marido, ela se mostra outra pessoa, muito mais solta, mais feliz, o que só prova o quanto o marido se tornou uma presença repressora. O cineasta contou que muito da ideia do filme veio de conversas com seu pai e especialmente de uma viagem que ambos fizeram para Taiwan, quando o pai o apresentou a lugares importantes de seu passado. E isso é mostrado no filme também, de forma a acentuar a forte memória que o protagonista ainda carrega dos melhores anos de sua vida. O resultado é uma pequena joia dramática, que conta uma história capaz de ser entendida e comover em qualquer língua. Mas, por favor, não façam a besteira de optar pela versão dublada, pois perderão as riquezas e sutilizas de sua narrativa.
Wasp Network decepciona quem espera mais do grande elenco
Uma pena que Olivier Assayas tenha errado a mão em “Wasp Network: Rede de Espiões”. Ele é um dos cineastas franceses mais importantes surgidos nos últimos 40 anos. Mas nunca fez nada tão desconjuntado. Talvez tenha faltado uma melhor amarração da trama, que, por ser de espionagem, já se torna complicada. Mas as opções narrativas não ajudaram. Não há motivos práticos, por exemplo, para contar a história com saltos cronológicos de idas e vindas. A primeira aparição de Gael García Bernal, quando o filme volta um pouco no tempo, serve para esclarecer para o espectador o jogo de espionagem que ocorre. Até então, ficava no ar uma sensação de falta de convicção por parte dos personagens cubanos que abandonaram tudo e deixaram sua terra natal em busca de algo melhor nos Estados Unidos. Pelo menos, é o que se poderia pensar a princípio: que se tratava de um filme que criticava o governo de Fidel Castro. A narração fica à mercê de uma montagem confusa e alguns personagens secundários não parecem ter tanta importância assim, só se materializando no final, quando o filme vai falar dos destinos dos personagens reais. O papel de Leonardo Sbaraglia é um desses, que não diz muito a que veio. Coadjuvante de luxo. De todo modo, foi bom ver tanta gente da América Latina e da Espanha junta, todos atores e atrizes muito bons, que mereciam um filme melhor, claro. Mas quem em sã consciência ia achar que “Wasp Network” ia resultar em um desastre, tendo Olivier Assayas na direção e com um elenco desses? Há quem diga que é um filme de produtor, do brasileiro Rodrigo Teixeira. Mas será que diriam o mesmo se fosse um sucesso? Quanto ao elenco, é uma das poucas coisas que fazem valer a pena ver o filme, apesar de tudo. Temos representantes de peso de vários países: Penélope Cruz (Espanha), Edgar Ramírez (Venezuela), Gael García Bernal (México), Ana de Armas (Cuba), Wagner Moura (Brasil) e o já citado Leonardo Sbaraglia (Argentina). Ou seja, todos eles já muito conhecidos de produções internacionais, sejam de Hollywood, sejam europeias ou mesmo brasileiras, no caso do nosso Wagner Moura. Aliás, é bom perceber ao menos que Moura está melhor do que em “Sergio”, exibido recentemente também na Netflix. E fazendo par romântico com a mesma atriz, Ana de Armas, em ambos os filmes. Os momentos dos dois juntos também funcionam melhor aqui, inclusive em termos de química. Desta vez, até a cena sensual parece menos gratuita, mais natural. Mas gigante mesmo é Penélope Cruz. Há pelo menos uma cena emocionante com ela, bastante tocante, ao final do filme. Na trama, ela vive com o marido (Ramírez) em Cuba. Ele é piloto de aviões; ela trabalha em uma fábrica de borracha. Os dois têm uma filha pequena. Ele pega um avião e vai para Miami, deixando-a sozinha para cuidar da filha, passando a ser visto como um traidor. As reais intenções do marido, porém, são outras. A tal Wasp Network do título é uma rede de espiões cubanos que chegam aos Estados Unidos para deter uma contrarrevolução, que segue com força no início dos anos 1990 contra Cuba. Trata-se de uma espécie de guerra fria tardia. O filme é baseado no livro “Os Últimos Soldados da Guerra Fria”, de Fernando Morais. Quem faz a comparação entre o filme e o livro costuma dizer que Assayas caiu numa armadilha ao tentar ser fiel demais e acabou não dando conta de tantos personagens e subtramas. Ainda assim, é uma obra que merece ser vista, nem que seja por consideração ao cineasta.
Namorada de Keanu Reeves busca ordem de restrição contra perseguidora
A artista plástica Alexandra Grant, namorada do ator Keanu Reeves, deu entrada no pedido de um ordem de restrição contra uma mulher de 67 anos chamada de Cathryn, acusada de perseguir o casal. Documentos obtidos pelo site The Blast revelam que Alexandra acusa Cathryn de ser “uma estranha/perseguidora envolvida em um período contínuo de conduta de assédio/ameaça por meses”. No processo, a artista diz que a perseguição começou depois que o romance entre o casal se tornou público e que Cathryn mantém uma série de “contas de ódio” nas redes sociais para atacá-la. “Nos últimos meses, e em curso diário, Grant se tornou vítima de uma conduta implacável e extrema da acusada (Cathryn), que é uma perseguidora e completa estranha. Isso incluiu perseguição, cyberstalking, ameaças, assédio e outras condutas irritantes e alarmantes”, diz o documento do processo. Alexandra Grant afirmou ainda que o cerco da perseguidora é tão grande que ela chegou a aparecer em locais públicos em que estava, invadiu sua casa e tirou fotos do seu carro, que foram postadas na internet.
Trailer do novo filme do diretor de Percy Jackson mistura romance adolescente e esquizofrenia
A distribuidora americana Roadside Attractions divulgou o primeiro trailer de “Words on Bathroom Walls”. A prévia mostra de forma bastante ilustrativa a experiência do protagonista, um adolescente que descobre sofrer de esquizofrenia. A diferença em relação a outras produções sobre o tema é que o filme traz o ponto de vista do doente, mostrando as visões que o afligem. Além disso, é um romance. A produção se encaixa na tendência mórbida dos romances com adolescentes doentes, que ainda resiste, seis anos após o sucesso de “A Culpa É das Estrelas” (2014). Como aquele filme, também se trata da adaptação de um best-seller – de autoria de Julia Walton. O diretor é Thor Freudenthal, de “Diário de um Banana” (2010) e “Percy Jackson e o Mar de Monstros” (2013), e o elenco destaca Charlie Plummer (“Todo o Dinheiro do Mundo”) como o jovem protagonista, Taylor Russell (“Perdidos no Espaço”) como seu interesse romântico, Molly Parker (também de “Perdidos no Espaço”) e Walton Goggins (“Tomb Raider”) como seus pais, e também há papéis para Andy Garcia (“Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo”), AnnaSophia Robb (“The Carrie Diaries”) e Devon Bostick (“The 100”). A estreia está marcada para “este verão” (até o final de agosto) nos EUA.
Trailer de terror traz serial killer inspirado por histórias em quadrinhos
A Elevation Pictures e a plataforma Shudder, serviço em streaming americano especializado em conteúdo de terror, divulgaram o pôster e o trailer de “Random Acts of Violence”, longa dirigido, coescrito, coproduzido e coestrelado pelo ator Jay Baruchel. No filme, o dublador de Soluço na franquia animada “Como Treinar um Dragão” vive o desenhista de “Slasherman”, um serial killer dos quadrinhos. A trama acompanha uma viagem de carro pelo interior em que o artista e seu parceiro roteirista, interpretado por Jesse Williams (“Grey’s Anatomy”), se chocam ao se deparar com assassinatos sanguinários inspirados pelas histórias que conceberam. O elenco também destaca Jordana Brewster (“Velozes e Furiosos”) e Niamh Wilson (“Jogos Mortais 3”) como as esposas/namoradas da dupla. A história é baseada na graphic novel homônima, de autoria de Justin Gray e Jimmy Palmiotti (criador de “Painkiller Jane”), e foi adaptada por Baruchel em parceria com Jesse Chabot, seu colaborador no roteiro de “Os Brutamontes 2: O Último dos Executores” (2017). Exibido no Fantastic Fest, em setembro passado, o filme recebeu críticas elogiosas das publicações especializadas em terror. A estreia está marcada para 31 de julho nos cinemas canadenses e um mês depois nos EUA e Reino Unido, com exclusividade pela Shudder. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil.
Radioactive: Rosamund Pike é a cientista Marie Curie em trailer de cinebiografia
A Amazon divulgou novos pôster e trailer de “Radioactive”, cinebiografia da cientista Marie Curie estrelada por Rosamund Pike (“Garota Exemplar”). A prévia destaca o machismo e a ignorância (terraplanistas) que ela enfrentou para ter suas pesquisas científicas reconhecidas, além de mostrar as consequências devastadoras de sua maior descoberta: a radioatividade. Por seu trabalho, Marie Curie se tornou primeira mulher a vencer o Prêmio Nobel. Não apenas uma vez, mas duas vezes e em áreas distintas: Física em 1903 e Química em 1911. Mas teve que lutar para a glória não ser dada apenas ao marido e parceiro cientista, Pierre Curie (vivido no filme por Sam Riley, de “Malévola”). Eles desenvolveram juntos a teoria da radioatividade e técnicas para isolar isótopos radioativos. Além disso, descobriram dois elementos químicos, polônio e rádio, que deram início a uma nova era científica e tecnológica – que culminou, décadas depois, com a criação da energia nuclear, mas também ao tratamento do câncer com radioterapia. A história é baseada numa graphic novel de Lauren Redniss e foi adaptada pelo roteirista Jack Thorne (de “Extraordinário” e da série “His Dark Materials”), com direção da iraniana Marjane Satrapi (“Persépolis”, “As Vozes”). O elenco também inclui Anya Taylor-Joy (“Fragmentado”), Aneurin Barnard (“Dunkirk”), Simon Russell Beale (“Penny Dreadful”), Jonathan Aris (“Rogue One”) e Corey Johnson (“Fúria em Alto Mar”). “Radioactive” teve première no ano passado no Festival de Toronto, atingiu 70% de aprovação no Rotter Tomatoes e chega ao serviço Amazon Prime Video na próxima sexta (24/7).
Ethan Hawke é o inventor Nicola Tesla em trailer de cinebiografia
A distribuidora indie IFC divulgou o pôster e o trailer de “Tesla”, drama biográfico estrelado por Ethan Hawke. Hawke dá vida ao gênio visionário Nicola Tesla, cientista que já foi vivido por Nicholas Hoult em “A Batalha das Correntes” (2017) e David Bowie em “O Grande Truque” (2006). Cada um desses filmes tomou suas liberdades com a história, mas desta vez a produção acrescenta elementos anacrônicos, como computadores, celulares e microfones modernos para apresentar Tesla como o rockstar elusivo da Era Elétrica. O filme foi escrito e dirigido por Michael Almereyda, cineasta que gosta de experimentos cinematográficos e que já comandou Hawke em duas adaptações shakespeareanas passadas em tempos modernos – “Hamlet: Vingança e Tragédia” (2000) e “Cymbeline” (2014). A produção também destaca Eve Hewson (“Robin Hood”) como Anne Morgan, a filha do famoso financista JP Morgan. Ela ainda serve como narradora do filme que, de tempos em tempos, quebra a quarta parede para explicar a mística vida de Tesla e seu legado duradouro. Kyle MacLachlan (“Twin Peaks”) e o comediante Jim Gaffigan (“Tropa Zero”) completam o elenco como o inventor Thomas Edison e o empresário George Westinghouse, respectivamente. Premiado no Festival de Sundance e com 92% de aprovação no Rotten Tomatoes, “Tesla” vai chegar para locação digital em 21 de agosto nos EUA.
Carla Diaz chora ao revelar descoberta de nódulo na tireoide
A atriz Carla Diaz, que interpreta Suzane Von Richthofen em “A Menina que Matou os Pais”, compartilhou na sexta-feira (17/7) uma notícia mais triste que o adiamento do filme devido à covid-19. Ela desabafou, num vídeo, ter descoberto um nódulo na tireoide. Carla terá que realizar mais testes para saber que tratamento fazer e disse que não imaginava ter que lidar com esse problema em meio à pandemia de coronavírus. “Nem todo dia é bom, mas sempre tento vir aqui para passar uma mensagem boa para vocês. Para compartilhar alguma coisa positiva, ou que seja descontraída para fazer vocês sorrirem. Mas hoje não foi um dia tão bom para mim. Eu descobri essa semana que estou com um nódulo na tireoide e ainda não sei se é maligno ou benigno. Vou ter que fazer alguns exames, mas estou pensando positivo”, começou ela. Ela chegou a chorar ao dar a notícia. “No meio de uma pandemia, nunca imaginei que fosse descobrir uma coisa do nada, assim”. “Ainda vou ter que fazer exames, vou ter que fazer biópsia. Mas vai passar. Eu sei que vai passar”, finalizou a atriz mostrando positividade para enfrentar a situação. Após receber muitas mensagens de apoio, a atriz de 29 anos voltou ao Instagram com flores nas mãos. “Vindo aqui para agradecer todas as mensagens lindas de carinho e apoio que recebi, me senti abraçada por todos vocês que vieram falar comigo. Quantas pessoas se identificando com a minha situação e dividindo suas experiências…”, escreveu. “Obrigada por tanto amor, vocês me deixaram mais positiva, forte e corajosa!”, completou. Veja abaixo. Ver essa foto no Instagram Bom dia!! Vindo aqui para agradecer todas as mensagens lindas de carinho e apoio que recebi, me senti abraçada por todos vcs que vieram falar comigo. Quantas pessoas se identificando com a minha situação e dividindo suas experiências… Obrigada por tanto amor, vcs me deixaram mais positiva, forte e corajosa! ❤️ Uma publicação compartilhada por Carla Diaz (@carladiaz) em 18 de Jul, 2020 às 8:04 PDT
Woke: Trailer apresenta série de comédia sobre racismo com ator de New Girl
A plataforma Hulu divulgou o trailer de “Woke”, nova série de comédia estrelada por Lamorne Morris, o Winston de “New Girl”. A série é inspirada na vida e na arte do cartunista Keith Knight (criador da história em quadrinhos “The K Chronicles”) e aborda um tema absolutamente atual: o racismo estrutural. Criada por Knight e Marshall Todd (roteirista de “Uma Turma do Barulho”), a série traz Morris como Keef, um ilustrador e cartunista que vive em San Francisco. Bem-sucedido, ele tem uma visão cor-de-rosa do mundo, até virar alvo de ação racista da polícia. A partir do momento em que sente a dor do preconceito na própria pele, começa a alucinar e ver seus personagens animados onde quer que vá, começando a reconsiderar sua visão de mundo e sua própria arte. O elenco também inclui o comediante T. Murph, a ex-integrante do “Saturday Night Live” Sasheer Zamata e Blake Anderson (da série “Workaholics”). A estreia está marcada para o dia 9 de setembro nos EUA.












