Indígena brasileiro é premiado como Melhor Ator no Festival de Locarno, na Suiça
O intérprete brasileiro Regis Myrupu, de descendência indígena, foi premiado como Melhor Ator no 72º Festival de Locarno, na Suíça, por seu papel no filme “A Febre”. Tanto o ator quanto a diretora brasileira Maya Da-Rin são estreantes em longas de ficção. Coprodução entre Brasil, França e Alemanha, o filme foi considerado pelo site Cineuropa “uma extraordinária oportunidade de observar a riqueza e complexidade de uma cultura”, enquanto o periódico italiano Cinque Quotidiano o aclamou como “extraordinário”. A repercussão decorre de Locarno ser um dos principais festivais de cinema da Europa. “Estou muito emocionado com esse prêmio. Nós, povos indígenas, estamos vivendo um momento muito difícil. Não só nós, mas também a nossa casa, a floresta, está sendo destruída”, disse o ator, em comunicado para a imprensa sobre a premiação. “Então, um indígena recebendo um prêmio como esse, mostra a nossa força e capacidade de atuarmos na sociedade não indígena, seja participando de um filme, seja como médicos ou advogados, sem que isso signifique a perda das nossas origens ou o esquecimento da nossa cultura.” “A Febre” narra a história de Justino, um indígena do povo Desana que trabalha como vigilante em um porto de cargas e vive na periferia de Manaus. Desde a morte da sua esposa, sua principal companhia é a filha Vanessa, que está de partida para estudar Medicina em Brasília. Com o passar dos dias, Justino é tomado por uma febre forte. Durante a noite, uma criatura misteriosa segue seus passos. Durante o dia, ele luta para se manter acordado no trabalho. O longa participará a seguir do Festival de Toronto, na mostra Wavelengths (dedicada a filmes de linguagem mais arrojada), que acontece entre os dias 5 e 15 de setembro no Canadá. Ainda sem data de estreia marcada, o filme será distribuído no Brasil pela Vitrine Filmes.
Apenas 12 filmes são inscritos para representar o Brasil no Oscar 2020
A Secretaria do Audiovisual divulgou os 12 títulos inscritos para representar o Brasil na disputa de uma vaga no Oscar 2020. O longa escolhido vai concorrer a uma indicação à categoria de Melhor Filme Internacional (novo nome da categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira) na premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos. No ano passado, quando “O Grande Circo Místico” foi escolhido, 22 produções participaram da disputa. A grande diferença causa estranheza. Ainda mais que um dos favoritos, “Amor Divino”, de Gabriel Mascaro, não foi listado. Premiado em festivais internacionais e com 100% de aprovação no site americano Rotten Tomatoes, “Amor Divino” mostra o Brasil do futuro como uma nação subjugada pela extrema direita evangélica, que proibiu até o carnaval. Era provavelmente o representante que mais desagradaria Johnny Bravo (“quem manda aqui sou eu”), que seria capaz de mandar a indicação “pro saco” e dizer que “não é censura”. Entre os filmes habilitados, dez são ficção e dois (“Humberto Mauro” e “Espero tua (re)volta”) são documentários. Apenas três são dirigidos por mulheres. Já os destaques são as duas produções premiadas no Festival de Cannes: “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles (Prêmio do Júri), e “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz (Melhor Filme da mostra Um Certo Olhar). A escolha do representante brasileiro será feita pela Academia Brasileira de Cinema – a mesma que escolheu “O Grande Circo Místico” no ano passado, mas na hora de fazer sua própria premiação de Melhor Filme preferiu “Benzinho”. A Comissão Especial de Seleção será formada pelos cineastas Anna Muylaert (“Que Horas Ela Volta?”), David Shürmann (“Pequeno Segredo”) e Zelito Viana (“Avaeté – Semente da Vingança”), pelas produtoras Sara Silveira (“As Boas Maneiras”) e Vania Catani (“O Palhaço”), o diretor de fotografia Walter Carvalho (“Central do Brasil”), o roteirista Mikael de Albuquerque (“Real: O Plano por Trás da História”), pelo crítico e curador Amir Labaki, fundador do Festival É Tudo Verdade, e por Ilda Santiago, diretora do Festival do Rio. Será também uma boa oportunidade para Muylaert pedir desculpas para Shürmann por ter ridicularizado seu filme “Pequeno Segredo”, escolhido para representar o Brasil em 2017, chamando-o de “O Pequeno Golpe”, “dirigido por Michel Temer e cia.” O representante do país será anunciado no dia 27 de agosto. Ele vai disputar uma vaga entre os indicados ao Oscar 2020, que serão conhecidos em 13 de janeiro. A cerimônia de premiação está marcada para o dia 19 de fevereiro, em Los Angeles. Confira abaixo a lista dos filmes inscritos. “Bacurau”. de Kleber Mendonça Filho “Los Silencios”, de Beatriz Seigner “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz “Sócrates”, de Alex Moratto “A Última Abolição”, de Alice Gomes “A Voz do Silêncio”, de André Ristum “Bio”, de Carlos Gerbase “Legalidade”, de Zeca Brito “Humberto Mauro”, de André Di Mauro “Espero tua (re)volta”. de Eliza Capai “Chorar de Rir”, de Toniko Melo “Simonal”, de Leonardo Domingues
Atriz da série clássica Melrose é condenada a passar 30 dias numa clínica de saúde mental
A atriz Heather Locklear (da série clássica “Melrose”) foi condenada a 30 dias de internação em uma clínica de saúde mental na sexta-feira (17/8) em Los Angeles, após se declarar culpada de agressão a um policial que foi atender a uma chamada de emergência em sua casa durante o mês de junho. Na ocasião, um membro da família da atriz chamou a policia por ela estar “altamente intoxicada”. Mas quando a viatura chegou a atriz ficou agressiva e deu um soco no policial que tentava separá-la da família e um chute em um paramédico que tentou colocá-la numa maca. Heather foi levada ao hospital e depois foi direto para a prisão, por violência doméstica e agressão a um policial. Vinte e quatro horas após pagar uma fiança de US$ 20 mil e sair em liberdade condicional, viaturas e ambulâncias foram novamente mobilizadas para o endereço de sua casa, após nova chamada de familiares por suspeita de overdose. Ela foi para levada de ambulância até a um hospital, onde recebeu tratamento médico. O juiz do caso a condenou a ingressar numa clínica no dia 6 de setembro e permanecer em tratamento durante um mês. Caso não cumpra a sentença, ela deverá passar três meses numa prisão. Mesmo após cumprir a internação, a atriz permanecerá em liberdade condicional por três anos, além de estar proibida de consumir álcool, medicamentos sem prescrição médica e portar armas. Locklear já tinha sofrido uma internação psiquiátrica involuntária em novembro passado, que durou duas semanas. Desde os surtos, ela não recebeu mais convites para trabalhar como atriz. Antes disso, integrava o elenco “Too Close to Home”, do canal pago TLC, e participou de um episódio da série “Fresh off the Boat”, da rede americana ABC. A atriz de 57 anos foi casada com Tommy Lee, baterista da banda Mötley Crüe, e com Richie Sambora, ex-guitarrista do Bon Jovi, com quem teve uma filha, Ava, hoje com 21 anos e modelo.
Bolsonaro errou tudo em seu ataque a “filmes” LGBTQIA+
O ataque de Jair Bolsonaro a filmes de temática LGBTQIA+, realizado em sua live de quinta-feira (15/8), consagrou a desinformação do presidente sobre o assunto. Na verdade, os títulos citados, de filmes que ele afirmou ter impedido de captar verbas pela Ancine (Agência Nacional de Cinema), na verdade eram projetos de séries, e foram selecionados por um edital do BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul), com participação da Ancine e da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), que previa uma linha declarada de produções de temática LGBTQIA+. Ou seja, Bolsonaro disse ter impedido filmes, que eram séries, de receber autorização para captar verbas por meio da Ancine, quando o edital era do BRDE. Ele ainda se orgulhou de ter impedido produções LGBTQIA+ de receber incentivo num projeto voltado a produções desta temática. Desinformado, Bolsonaro disse ainda ter impedido a produção de um curta que já tinha sido exibido em 2017. O curta “Afronte”, que dramatiza relações entre negros homossexuais em Brasília, entrou no projeto da EBC para ter sua história transformada em série, junto com os outros títulos citados pelo presidente, como “Transversal” e “Religare Queer”. Os projetos estão entre os finalistas da linha de “diversidade de gênero” da EBC, que visa selecionar séries para a programação da TV pública em canais como a TV Brasil. Os vencedores seriam financiados diretamente por meio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e não por autorização para captar incentivos. O FSA é formado pela taxa conhecida como Condecine, que incide sobre empresas de cinema, vídeo e telefonia. O edital foi lançado durante o governo passado com regras claras, que foram cumpridas pelas produções inscritas. Além do tema da “diversidade de gênero”, o edital também contemplou séries nas categorias de “sociedade e meio ambiente”, “profissão”, “animação infantil” e “qualidade de vida”, entre outras. Como o presidente diz que os projetos já estavam “prontos para captar”, a lista que ele atacou deve conter os vencedores do edital. Ele teria barrado apenas a linha de “diversidade de gênero”. Isto seria um ato arbitrário, configuraria prática de censura e criaria insegurança jurídica, levando à contestação na Justiça. A judicialização do caso poderia, inclusive, levar à abertura de um processo de Impeachment contra Bolsonaro por descumprir leis e atentar contra direitos de indivíduos. Regras de concurso público não podem ser alteradas no curso do processo, sob pena de ofensa ao princípio da vinculação ao instrumento convocatório. São aceitas exceções quando há mudanças em leis que afetam o concurso, o que não aconteceu. Com base nesse entendimento, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, já concedeu uma liminar em mandado de segurança contra mudanças após o início do concurso para serventias extrajudiciais no estado do Rio de Janeiro. Procurada pela imprensa, a assessoria do Planalto não se manifestou até o momento.
Zeroville: Trailer de filme “quase perdido” é Era uma Vez em Hollywood de James Franco
Considerado quase um filme perdido, “Zeroville”, estrelado e dirigido por James Franco (“Artista do Desastre”), ganhou pôster e seu primeiro trailer. A filmagem aconteceu em 2014, mas a produção caiu no limbo desde então, em parte porque o próprio Franco entrou em ostracismo após ser denunciado por assédio sexual em 2017. A prévia dá outra razão para o sumiço do filme: é puro trash. O vídeo traz Franco em clima de “Era uma Vez em Hollywood”, como um recém-chegado na capital do cinema americano em 1969, que é interrogado sobre o assassinato de Sharon Tate. Mas as cenas misturam períodos diferentes, numa falta de coesão narrativa que tem punks, Spielberg e momentos que parecem contemporâneos, num tom assumidamente amador, apesar do elenco reunido. Para completar, o personagem de Franco tem uma tatuagem de seu filme favorito, “Um Lugar ao Sol” (1951), em sua cabeça careca. Ele começa como construtor de sets e acaba virando diretor assistente, obcecado por uma estrela trágica de cinema, vivida por Megan Fox (“As Tartarugas Ninja”). O elenco também inclui Seth Rogen (“Vizinhos”), Jacki Weaver (“As Rainhas da Torcida”), Joey King (“A Barraca do Beijo”), Craig Robinson (“Ghosted”), Danny McBride (“Alien: Covenant”), Will Ferrell (“Pai em Dose Dupla”) e Dave Franco (“Artista do Desastre”). O resgate de “Zeroville” pode ser o primeiro de muitos. James Franco filmou vários filmes nesta década que nunca foram exibidos em circuito comercial. Alguns chegaram a passar em festivais. Outros nem sequer foram terminados.
Peter Fonda (1940 – 2019)
O ator Peter Fonda, conhecido por seu trabalho no inovador “Easy Rider – Sem Destino”, que ele co-escreveu, produziu e co-estrelou em 1969, morreu na manhã desta sexta-feira (16/8), aos 79 anos, na sua casa em Los Angeles, acompanhado pela família. A causa oficial da morte foi insuficiência respiratória devido a câncer de pulmão. Filho do lendário astro de Hollywood Henry Fonda (“As Vinhas da Ira”), irmão de Jane Fonda (“Grace & Frankie”) e pai da também atriz Bridget Fonda (“Jackie Brown”), Peter virou símbolo cinematográfico da contracultura, o movimento de contestação ao “sistema” dos anos 1960, e não apenas por “Easy Rider”. Ele estrelou vários marcos do período, como “Os Anjos Selvagens” (1966), no papel de líder de uma gangue de motoqueiros, e “Viagem ao Mundo da Alucinação” (The Trip, 1967), em que tentou replicar na tela o equivalente a uma viagem lisérgica de LSD. Peter perdeu a mãe na adolescência – Frances Fonda se suicidou em 1950 – , o que rendeu uma relação conturbada com o pai. O jovem nova-iorquino foi enviado para morar com parentes no Nebraska quando Henry Fonda se casou pela segunda vez. Ao atingir a maioridade, ele voltou para Nova York, onde deu seus primeiros passos como ator, recebendo prêmios da crítica como jovem mais promissor da Broadway em 1961 – mesmo ano em que se casou pela primeira vez, com Susan Brewer. No ano seguinte, passou a aparecer na TV, participando de episódios de “Cidade Nua”, “Caravana” e “Os Defensores”, antes de conseguir seu primeiro papel no cinema. Ele já estreou em tela grande como protagonista, formando par romântico com Sandra Dee na comédia “Artimanhas do Amor” (Tammy and the Doctor, 1963), último filme da franquia “Tammy” (estrelada por Dee). A sequência de sua carreira o viu amadurecer em dramas consistentes, que inspiraram a imprensa a rotulá-lo como “novo James Dean”, entre eles “Lilith” (1964), em que interpretou um doente mental suicida, e “Os Jovens Amantes” (1964), retratando um universitário descompromissado que precisa lidar com a gravidez da namorada. Até que “Os Anjos Selvagens” (1966) o levou para as margens da lei e do cinema convencional. O filme dos motoqueiros rebeldes foi sua primeira parceria com Roger Corman. Na trama, ele desafiava a polícia local com atos de desordem, enquanto levava a filha de Frank Sinatra, Nancy, em sua garupa. A produção foi seguida por outro longa de Corman, “Viagem ao Mundo da Alucinação” (1967), uma ode ao consumo de LSD escrita por ninguém menos que Jack Nicholson. Como o elenco também contava com Dennis Hopper, que viva um personagem surtado, acabou juntando pela primeira vez a turma de “Easy Rider”. Seu sucesso entre o público universitário e a repercussão do tema acabou inspirando Fonda e Hopper a escrever o maior marco do cinema contracultural. Eles consideravam que Corman era um “quadrado” querendo fazer filme para jovens e acreditavam ser capazes de materializar uma visão muito mais fiel da contracultura se assumissem eles mesmos a produção de um filme. Dessas conversas, surgiu “Easy Rider”. Fonda coproduziu, coestrelou e assinou o roteiro com Hopper, que, por sua vez, ainda dirigiu o filme, que também contava com Nicholson numa participação antológica – responsável por torná-lo um astro da noite para o dia. Para completar, a trilha sonora reunia alguns dos maiores roqueiros da época, como Jimi Hendrix e The Byrds, além de destacar Steppenwolf e a música que virou tema do filme – e da época – , “Born to be Wild”. Lançado há 50 anos, “Easy Rider” materializou nas telas um retrato autêntico da chamada América profunda, acompanhando Fonda e Hopper enquanto dirigiam suas motos pelo Sul interiorano dos Estados Unidos, traficando drogas em seus tanques de gasolina para ter dinheiro para a viagem. O destino final era participar do Mardi Gras, em Nova Orleans, mas a jornada acabou sendo mais importante, por revelar o que acontecia no país, entre comunidades hippies, experimentações de drogas e a repressão violenta àquele estilo de vida pelos “homens de bem”, que também era homens bem armados. Realizado por apenas US$ 384 mil, o filme foi produzido de forma independente e exibido pela primeira vez no Festival de Cannes de 1969, onde foi recebido entusiasticamente pela crítica e ainda venceu a Câmera de Ouro de Melhor Filme de Diretor Estreante. A repercussão rendeu um contrato de distribuição com a Columbia Pictures, que, ao colocar o filme nos cinemas, percebeu rapidamente que precisava aumentar a quantidade de salas. Sem planejamento comercial, “Easy Rider” virou um dos maiores sucessos da década, com sua trilha também disparando em vendas. Ao mesmo tempo em que transformou o “Capitão América” vivido por Fonda em ícone da rebelião contracultural, com seus óculos escuros e jaqueta de couro estampadas em pôsteres nos quartos de milhões de adolescentes, o filme foi responsável por pavimentar o caminho para o cinema independente americano, dando início a uma revolução, que tirou dos grandes estúdios a capacidade de censurar os temas e a abordagem dos filmes que o sucederam. Entusiasmado com o efeito da obra, Peter Fonda resolveu estrear como diretor em seu longa seguinte, “Pistoleiro sem Destino” (1971. Obs: notaram o título nacional?), um dos primeiros westerns feministas. Ele também participou do longa seguinte de Hopper, “O Último Filme” (1971), e viveu um desertor da Guerra do Vietnã em “Amor Sem Promessas” (1973), do veterano cineasta Robert Wise (de “A Noviça Rebelde”), antes de voltar à direção em “Idaho Transfer” (1973), uma sci-fi que já na época alertava para o perigo apocalíptico do descaso com o meio ambiente. Ele seguiu retratando personagens à margem da sociedade em filmes como “Fuga Alucinada” (1974), no qual era um motorista de corridas que precisava virar ladrão para poder competir, “Caçada Implacável” (1974), em que demonstrou o sadismo alimentado por veteranos de guerra, “Pelos Meus Direitos” (1976), enfrentando fazendeiros corruptos interessados em suas terras, etc. Foi nessa fase “de rebeldia” que acabou conhecendo sua segunda esposa, a atriz Portia Rebecca Crockett. Os dois contracenaram em “92 Graus à Sombra” (1975), quando a atriz ainda era casada com o diretor do filme, Thomas McGuane. Em 1979, Fonda dirigiu seu terceiro e último filme, “Wanda Nevada” (1979), que contou com uma participação especial de seu pai, marcando uma reaproximação dois anos antes da morte do astro veterano. Mas a partir daí sua carreira desandou, levando a uma série de projetos genéricos, da comédia “Quem Não Corre, Voa” (1981) ao filme de ação “Choque Mortal” (1985), culminando na sua decisão de passar a viver numa comunidade artística, longe de Hollywood. O exílio lhe fez bem, pois, ao retornar aos bons filmes, foi indicado ao Oscar por “O Ouro de Ullises” (1997), no papel de um apicultor recluso e veterano de guerra, que tentava reaproximar sua família disfuncional. Além dos longas marcantes em que expressou sua visão contracultural, Fonda também estrelou algumas produções cultuadas de gêneros mais comerciais, como o terror “Corrida com o Diabo” (1975), o thriller “O Estranho” (1999) e o western “Os Indomáveis” (2007), além de ter se divertido muito ao explorar seu legado como motoqueiro mitológico na adaptação de quadrinhos “Motoqueiro Fantasma” (2007) e na comédia “Motoqueiros Selvagens” (2007). Ainda em atividade, ele trabalhou em diversos lançamentos recentes, como “A Mulher Mais Odiada dos Estados Unidos” (2017), “Limites” (2018) e deixou um último filme inédito, “The Magic Hours”.
SyFy cancela Krypton e descarta série centrada em Lobo
O canal pago americano SyFy cancelou a série “Krypton”, sobre a origem do Superman. Assim, o fim da 2ª temporada, exibido na quarta-feira (14/8) nos EUA, virou o final da atração. Além do cancelado de “Krypton”, o SyFy também decidiu não desenvolver uma série derivada, que seria estrelada pelo caçador espacial de recompensas Lobo, personagem icônico dos quadrinhos da DC Comics, que foi introduzido na 2ª temporada do programa original. O ator Emmett J. Scanlan (“Safe”) interpretou o personagem em “Krypton” e iria reprisar o papel na série derivada. Os produtores de “Krypton” já estão conversando com outros canais e plataformas, visando continuar a explorar a franquia, considerando em especial os serviços de streaming DC Universe e HBO Max. Quando a série foi lançada, em março de 2018, o SyFy registrou recorde de público. Porém, a 2ª temporada teve uma queda inesperada de audiência – de uma média de 1,8 milhão de espectadores para 350 mil no capítulo final. O cancelamento de “Krypton” reflete uma crise criativa no SyFy, que desandou a cancelar séries, inclusive produções cultuadas como “Deadly Class”, “Happy!”, “Channel Zero”, “Blood Drive”, “Dark Matter” e “The Expanse”. Apenas a última foi resgatada, pela plataforma da Amazon.
Aves de Rapina terá refilmagens com diretor de John Wick
Quatro meses após o anúncio do final das filmagens, a produção de “Aves de Rapina” vai voltar a reunir seu elenco para a realização de novas cenas. O detalhe é que a Warner contratou outro diretor para a missão. Segundo a revista The Hollywood Reporter, Chad Stahelski, diretor da franquia “John Wick”, vai comandar as refilmagens, supostamente ao lado da chinesa Cathy Yan (“Dead Pigs”), que faz sua estreia como diretora de uma grande produção. Com apenas um longa indie no currículo, a cineasta não tinha experiência em filmes de ação. Mas foi contratada assim mesmo, já que representava uma opção politicamente correta (uma mulher à frente de um filme de ação “feminino”) e de cachê baixo. O resultado é que a economia custou o dobro, pois agora o filme terá outro diretor – um profissional masculino experiente no gênero e que, pela situação, não deve ter custado barato. Oficialmente, Stahelski comandará a chamada “segunda unidade” da produção. Hollywood costuma chamar de “segunda unidade” a equipe liderada por um diretor assistente, que fica responsável pelas cenas de ação realizadas com figurantes. O trabalho é comum em grandes épicos para registrar detalhes de batalhas que não incluem diálogos, enquanto o diretor principal supervisiona o resultado final. O que não é comum é a contratação de uma “segunda unidade” após o final das filmagens para criar cenas adicionais com o elenco central. Stahelski vai trabalhar no desenvolvimento de novas cenas de ação, visando tornar o filme mais dinâmico. O THR apurou que ele não será creditado pelo trabalho da “segunda unidade”, recebendo apenas um pagamento adicional por meio de sua produtora, a empresa de dublês 87 Eleven, que já era contratada da produção desde o começo das filmagens. O cineasta começou sua carreira como dublê, estabelecendo-se como um especialista em cenas de ação durante as filmagens de “Matrix” (1999). A amizade com Keanu Reeves o ajudou a escalar o ator e conseguir verba para realizar seu primeiro filme como diretor, “De Volta ao Jogo” (John Wick), em 2014, que deu início a uma das franquias mais bem-sucedidas do cinema de ação atual. “Aves de Rapina” é uma das prioridades da Warner para 2020. Adaptação dos quadrinhos da DC Comics, o filme tem roteiro de Christina Hodson (“Bumblebee”) e vai juntar a vilã Arlequina (Margot Robbie, repetindo seu papel de “Esquadrão Suicida”) com o grupo de heroínas conhecido como Aves de Rapina. As demais personagens são Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell, de “True Blood”), Caçadora (vivida por Mary Elizabeth Winstead, de “Rua Cloverfield, 10”), Cassandra Cain (Ella Jay Basco, da série “Teachers”) e Renee Montoya (Rosie Perez, de “O Conselheiro do Crime”). Já a lista dos vilões destaca Máscara Negra (Ewan McGregor, de “Christopher Robin”) e Victor Zsasz (Chris Messina, de “The Mindy Project”). A estreia está marcada para fevereiro de 2020.
Normani volta aos anos 2000 em seu primeiro clipe solo
A cantora Normani lançou seu primeiro clipe solo após a separação do grupo Fifth Harmony. “Motivation” começa com sua versão adolescente assistindo ao antigo programa musical americano 106 & Park e imaginando-se uma estrela pop, e a partir daí passa a evocar os anos 2000 em diversas coreografias gravadas nas ruas de Los Angeles – apesar da forma explícita como sua camiseta declara estar nos anos 1990. As cenas dirigidas por Daniel Russell e Dave Meyers parecem flashbacks de clipes de Beyoncé, Ciara, Jennifer Lopez e até Britney Spears. Já a letra foi desenvolvida em parceria com Ariana Grande e, como sugere o título, tem recado motivacional. “Dê uma olhada em mim agora, uma pequena motivação”, incentiva a cantora, comentando o arco de sua personagem no clipe, uma jovem que tem o sonho realizado, ao crescer e virar uma estrela pop de verdade. Em menos de 24 horas, o clipe já gerou mais de 1,5 milhão de visualizações no YouTube. Embora seja seu primeiro clipe solo, o vídeo chega logo depois de uma parceria da cantora com Sam Smith, na música/clipe “Dancing With a Stranger”.
Vídeo com Marlon Wayans e Whinderson Nunes junta Todo Mundo em Pânico e A Praça É Nossa
A Netflix divulgou um comercial para matar dois coelhos com uma caixa d’água só, como diria a Magda. No vídeo, o ator americano Marlon Wayans pega carona com Whinderson Nunes para ir numa festa da plataforma. No caminho, eles aproveitam para fazer promoção de seus produtos, o filme americano “Seis Vezes Confusão” (Sixtuplets) e o show de stand-up “Adulto” do brasileiro. Os dois fingem que se entendem, enquanto um fala inglês e o outro português, até que a pantomina é interrompida por um susto de Paulinho, amigo de Whindersson, vestido com a máscara do Ghostface Killer do filme “Pânico” (1996), que surge no banco traseiro dando déjà vu em Wayans. Vale lembrar que o ator americano atuou na sátira “Todo Mundo em Pânico” (2000), que ele cocriou com seus irmãos. Já a referência involuntária de Whiderson é à velha surda de “A Praça da Alegria/A Praça É Nossa”, trocando a surdez auditiva pela surdez idiomática, ao reciclar a velha piada de repetir equivocadamente – e com duplo sentido – o que o colega diz em alto e bom tom – o “novo” humor de 50 anos de idade. Se você achar o vídeo abaixo engraçado, pode gostar do que ele anuncia. Os dois produtos da propaganda já estão disponíveis em streaming.
Elvis Presley vai virar agente secreto em nova série animada da Netflix
A Netflix anunciou a produção de uma nova série de animação estrelada por Elvis Presley. Chamada de “Agent King”, a série vai mostrar Elvis como um espião internacional, que faz parte do serviço secreto americano e usa seus shows ao redor do mundo como disfarce para seu verdadeiro trabalho. “Elvis Presley troca seu traje de lantejoulas por uma mochila à jato quando entra em um programa de espionagem do governo para ajudar a combater as forças do mal que ameaçam o país que ama – tudo isso enquanto mantém seu trabalho de meio-período como Rei do Rock”, diz a sinopse da série, que tem entre seus produtores a ex-esposa do cantor, Priscilla Presley. Ela escreveu que “desde quando Elvis era um garotinho, sempre sonhou em ser um super-herói que luta contra o crime e salva o mundo! Agent King lhe permite fazer isso. Meu co-criador John Eddie e eu estamos muito animados em trabalhar com a Netflix e a Sony neste projeto incrível e ter a chance de mostrar ao mundo um Elvis nunca visto antes.” Priscilla Presley e o roqueiro John Eddie (“Ninguém Segura essa Garota”) são creditados como co-criadores e produtores executivos. Mas a série será tocada por Mike Arnold, autor de diversos episódios de outra famosa animação de espionagem, “Archer”. O anúncio nesta sexta-feira (16/8) coincide com o aniversário de 42 anos da morte de Elvis e acontece durante o final da “Semana Elvis”, uma celebração anual dos fãs ao legado do Rei do Rock. Veja abaixo a primeira ilustração do projeto, que ainda não tem previsão de estreia.
Neill Blomkamp anuncia ter desistido da continuação de RoboCop
O cineasta sul-africano Neill Blomkamp (“Elysium”) anunciou pelo Twitter que não está mais envolvido em “RoboCop Returns”, continuação do clássico de 1987 dirigido por Paul Verhoeven. “Estou fora de ‘RoboCop’. Vou fazer um novo terror/thriller e o [estúdio] MGM não pode esperar, precisam filmar RoboCop agora”, escreveu no tuíte. Sem mais explicações sobre o que vai ser esse novo longa no qual está envolvido, o cineasta completou dizendo, sobre “RoboCop Returns”, que estaria “animado para assistir no cinema com outros fãs”. Veja abaixo. A produção do filme, divulgado inicialmente como uma continuação direta do clássico dos anos 1980, foi revelada há um ano, e na época, Blomkamp deixou todos os fãs eufóricos ao contar que a sequência contaria com a icônica armadura original do personagem e seria estrelada pelo ator dos primeiros filmes, Peter Weller – que continua na ativa. Para completar, o roteiro é assinado pela dupla que também trabalhou no original: Ed Neumeier e Michael Miner. A trama foi originalmente concebida para ser o segundo filme da franquia, em 1990, mas acabou abandonada em prol de uma história tosca do autor de quadrinhos Frank Miller. O roteiro preterido, porém, previa que um astro de reality show se tornaria presidente dos Estados Unidos. E como a ficção se tornou realidade, a MGM achou que a coincidência valia uma revisitação, recuperando o roteiro antigo. O roteirista Justin Rhodes, que também escreveu a vindoura continuação de “O Exterminador do Futuro”, reescreveu e atualizou o conceito original. O filme vai ignorar o remake de 2014, dirigido pelo brasileiro José Padilha (de “Tropa de Elite”), que não se saiu bem no mercado norte-americano, mas arrecadou US$ 240 milhões em todo o mundo e teve desempenho particularmente forte na China. Apesar de Blomkamp mencionar urgência da MGM em seu tuíte, o filme ainda não tem cronograma de produção conhecido nem previsão de estreia. Off Robocop. I am shooting new horror/thriller and MGM can’t wait/ need to shoot Robocop now. Excited to watch it in theaters with other fans. N — Neill Blomkamp (@NeillBlomkamp) August 15, 2019
Atriz de Mulan ataca manifestações pela democracia em Hong Kong e inspira pedidos de boicote ao filme
A pressão do governo chinês sobre artistas do país, que estão sendo convocados a dar depoimentos favoráveis à repressão do movimento pró-democracia em Hong Kong, não deve prejudicar a carreira de astros veteranos como Jackie Chan e Tony Leung Ka-fai, pois seus filmes mobilizam milhões de espectadores em seu país natal. Mas a Disney pode sofrer danos colaterais após sua nova estrela aderir à onda. Liu Yifei, protagonista de “Mulan”, usou a plataforma Weibo para dizer que “apoia os policiais” que estão reprimindo brutalmente as manifestações e que as críticas à repressão são “uma vergonha para Hong Kong”. A cidade chinesa, que tem autonomia em relação ao governo central do país, enfrenta uma série de manifestações pró-democracia e contra um projeto de lei de extradição que, se aprovado, pode favorecer a parcialidade em seus tribunais. A declaração da estrela de “Mulan” foi provocada pelos manifestantes, que estavam usando o Twitter para pedir um posicionamento da atriz sobre o movimento. Após a resposta, agora querem saber a opinião da Disney e já sugerem um boicote ao filme. “A atriz de ‘Mulan’, Liu Yifei, apoia a brutalidade policial e a opressão em Hong Kong, mas é uma cidadã americana naturalizada. Deve ser legal. Ela irrita as pessoas que lutam pela democracia”, escreveu uma pessoa. Entretanto, a questão não é assim tão simples. A China é um país totalitário. Muitos confundem a liberdade econômica que tornou o gigante asiático numa potência comercial com a chegada de uma suposta democracia à região, mas a ditadura comunista continua no poder. E sua capacidade de retaliação lembra pesadelos stalinistas, com artistas sendo presos na calada da noite apenas por criticarem o governo ou por agirem de forma a contrariar os princípios do partido. Vale lembrar do sumiço forçado da atriz Fan Bingbing, que foi levada a lugar desconhecido e “pressionada” por cerca de um mês para confessar supostos crimes de sonegação de impostos, sendo liberada apenas após “pedir perdão” ao povo chinês pela mesma Weibo e assumir a culpa pelo que o governo a acusava. Na semana passada, veio à tona a notícia de que a China estava obrigando todos seus estúdios e artistas a boicotar a mais tradicional premiação do cinema da região, porque ela é realizada em Taiwan, que, como Hong Kong, rebela-se contra o poder central. Se algum artista chinês participar ou for premiado na próxima edição do Golden Horse Awards, ficará proibido de trabalhar no país.









