Não! Não Olhe: Jordan Peele explica tema de seu novo filme
O diretor Jordan Peele acabou com parte do mistério em torno de seu novo filme, “Não! Não Olhe!” (Nope). Em entrevista à revista Empire, ele revelou que a produção tem como tema “nosso vício em espetáculo” e a falta de reconhecimento. “Comecei querendo fazer um filme que colocasse o público na experiência imersiva de estar na presença de um OVNI”, explicou o cineasta, referindo-se ao disco voador vislumbrado nos trailers. “Eu queria fazer um espetáculo, algo que promovesse minha forma de arte favorita: a experiência cinematográfica.” Peele acrescentou que, ao desenvolver a trama, começou a se aprofundar nessa natureza artística. “Conforme escrevia o roteiro, comecei a me aprofundar na natureza do espetáculo, nosso vício em espetáculo e a natureza insidiosa da atenção. Então é disso que se trata. E é também sobre um irmão e uma irmã curando seu relacionamento.” Como o primeiro trailer mostrou, o filme também faz referência à história do espetáculo visual, ao incluir uma explicação sobre o trabalho do revolucionário fotógrafo inglês Eadweard Muybridge, que alcançou a fama por registrar pela primeira vez imagens em movimento de animais e humanos. O filme inclui as famosas “fotografias em movimento” de 1878, que registram o galope de um cavalo e seu jóquei negro, quadro a quadro, antecipando o potencial do cinema muito antes dos irmãos Lumière. “Sabemos quem é Eadweard Muybridge, o homem que criou a fotografia, mas não sabemos quem é esse cara no cavalo. Ele é o primeiro astro do cinema, o primeiro treinador de animais, o primeiro dublê de todos os tempos, e ninguém sabe quem ele é.” O diretor fez uma analogia entre o esquecimento do papel do jóquei e a situação dos personagens na trama. “Esse apagamento é parte do que os protagonistas estão tentando corrigir”, ele comentou, acrescentando que se trata de “reivindicar seu lugar de direito como parte do espetáculo”. Terceiro filme de Jordan Peele (após “Corra!” e “Nós”), “Não! Não Olhe!” marca a segunda pareceria entre o diretor e o ator Daniel Kaluuya (vencedor do Oscar por “Judas e o Messias Negro”), que trabalharam juntos em “Corra!”. O elenco também destaca Keke Palmer (“Scream Queens”), Steven Yeun (indicado ao Oscar por “Minari”), Brandon Perea (“The OA”), Michael Wincott (“Westworld”) e Barbie Ferreira (“Euphoria”). A estreia está marcada para 21 de julho no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA. Relembre abaixo o primeiro trailer do filme.
“Night Sky” é cancelada após a 1ª temporada
A Amazon Prime Video cancelou a série de ficção científica “Night Sky”, estrelada pelos vencedores do Oscar Sissy Spacek (“Bloodline”) e J.K. Simmons (“Counterpart”). A notícia chega um mês e meio depois do lançamento dos oito episódios da 1ª temporada, que receberam críticas positivas, mas não causaram impacto significativo na audiência da plataforma. Apesar disso, “Night Sky” garantiu seu lugar na história das séries, após o Prime Video se associar a SES e Intelsat para transmitir o primeiro episódio do programa para o espaço sideral. A inciativa marcou a maior distância da Terra que uma série já foi transmitida e tornou o Prime Video o primeiro streamer a distribuir seu conteúdo diretamente no espaço. Na série, Spacek e Simmons vivem um casal idoso que, anos atrás, descobriu um bunker enterrado em seu quintal, inexplicavelmente conduzindo a um estranho planeta deserto. Por décadas, eles mantiveram o local em segredo, usando-o para proveito próprio. Mas quando um jovem enigmático (Chai Hansen, de “Caçadores das Sombras”) materializa-se naquela câmara, a existência tranquila dos dois é rapidamente perturbada, levando-os a questionar o verdadeiro significado daquele lugar. A trama foi desenvolvida pelo roteirista estreante Holden Miller e contava com direção do argentino Juan José Campanella (vencedor do Oscar por “O Segredo dos Seus Olhos”). O visual e a atuação eram o ponto alto, mas a história, com uma trama paralela sobre uma mãe e uma filha na Argentina, poderia facilmente chegar à conclusão nos oito episódios. Entretanto, a estreia foi concebida para ser apenas a 1ª de muitas temporadas, que infelizmente não serão produzidas.
Mundo Estranho: Nova animação da Disney ganha teaser dublado
A Disney divulgou a versão dublada em português do teaser de “Mundo Estranho”, sua próxima animação, que tem temática de ficção científica. A trama é uma espécie de “Perdidos no Espaço” animado: os personagens são uma família de exploradores espaciais que vai parar no mundo estranho do título, um lugar desconhecido e traiçoeiro, cheio de criaturas fantásticas. Mas a maior ameaça para a missão são as diferenças entre os parentes. O filme tem roteiro de Qui Nguyen e direção de Don Hall, dupla responsável por “Raya e o Último Dragão” (2021), e o elenco de dubladores originais é encabeçado por Jake Gyllenhaal (“Ambulância”). A estreia está marcada para 24 de novembro nos cinemas brasileiros, um dia depois do lançamento nos EUA.
James Cameron considera passar “Avatar” pra outro diretor
Os planos para a franquia “Avatar” são de um total de cinco filmes, mas James Cameron não tem mais certeza se dirigirá todos. Apesar do segundo estar em pós-produção e o terceiro em desenvolvimento – ambos com direção de Cameron – , os demais ainda não foram totalmente aprovados pela Disney, que espera o retorno financeiro dos novos lançamentos para dar o sinal verde. Por isso, o diretor sugere que não estará no comando destes filmes. “Acho que com o tempo – não sei se depois do terceiro ou do quarto – vou querer passar o bastão para um diretor em quem confie e eu possa fazer outras coisas em que também estou interessado”, explicou o diretor em entrevista à revista Empire. Cameron também disse que o processo de criação dos filmes de “Avatar” lhe consome totalmente, mesmo que seja o responsável por desenvolver o planeta de Pandora há tanto tempo. De toda forma, é importante frisar que ele ainda cravou sua despedida da direção da franquia, mas tampouco tem certeza se haverá um quarto ou quinto filme. “Isso depende da força do mercado, mas eu realmente espero que consigamos fazer o quarto e o quinto, porque é uma grande história no final das contas”, afirmou. “Avatar: O Caminho da Água” está previsto para chegar aos cinemas em 15 de dezembro deste ano. Já o terceiro filme, ainda sem título, tem estreia marcada para dezembro de 2024.
Irmãos Duffer só começam a escrever “Stranger Things 5” em agosto
A 5ª e última temporada de “Stranger Things” não começou a ser escrita. Até a semana passada, os irmãos Duffer ainda estavam trabalhando na pós-produção dos dois episódios finais do quarto ano, que foram lançados na sexta (1/7) na Netflix, e agora anunciaram que vão tirar um mês de férias, antes de começar a se dedicar aos próximos capítulos. “Nós vamos tirar umas pequenas férias em julho”, declarou Ross Duffer numa nova entrevista ao site Collider. “E então nós vamos voltar. Eu sei que a sala dos roteiristas vai começar na primeira semana de agosto.” Por isso, poucos sabem o que vai acontecer depois da impactante cena final do episódio 9 da 4ª temporada. Mas os Duffer já mencionaram planos de realizar um salto temporal, porque precisam refletir na trama o crescimento acelerado do elenco jovem. De todo modo, por estar em fase tão inicial, a 5ª temporada vai demorar a se materializar na Netflix.
Sigourney Weaver retorna em “Avatar 2” como adolescente
Confirmada em “Avatar: O Caminho da Água” há algum tempo, a atriz Sigourney Weaver teve seu personagem finalmente revelado na manhã desta sexta-feira (1/7). Em um papel totalmente reformulado, Sigourney dá adeus à póstuma Dra. Grace Augustine para viver a adolescente Kiri, que é a filha adotiva de Jake (Sam Worthington) e Neytiri (Zoe Saldana) na continuação do longa de 2009. Por mais estranho que possa parecer, a atriz de 72 anos estará interpretando uma jovem. Mas isso acontece graças à tecnologia de ponta utilizada pelo diretor James Cameron para criar os efeitos visuais do filme. A primeira imagem de Kiri foi revelada em maio pelo 20th Century Studios, mas sem identificar Weaver. Agora, uma foto similar virou capa da nova edição da revista Empire, lançada nesta sexta no Reino Unido, confirmando a interpretação. Em entrevista exclusiva à revista britânica, Sigourney disse se lembrar muito bem de como se sentia quando adolescente e usou isso como parâmetro para sua atuação. “Achei que seria apropriado que Kiri se sentiria estranha a maior parte do tempo. Ela está tentando se encontrar”, disse. Para o diretor, o desafio da atuação era grande, mas a atriz tirou de letra. “Ela parecia mais jovem, tinha mais energia e nunca saiu de Kiri durante todo o nosso período de captura de performance. Ela tinha um brilho no rosto e leveza em seus passos”, acrescentou. No filme original, Sigourney Weaver interpretou uma cientista determinada a preservar os habitantes nativos da lua de Pandora, os Na’vi, o que a fez ser assassinada pelo vilão da história, o Coronel Quaritch, vivido por Stephen Lang. Por isso, seu retorno se dá como uma nova personagem. Lançado em 2009, o primeiro “Avatar” é a maior bilheteria de todos os tempos, acumulando – graças a vários relançamentos – um total de US$ 2,8 bilhões. A continuação “Avatar: O Caminho da Água” tem estreia marcada para 15 de dezembro no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
“A Mulher do Viajante no Tempo” é cancelada após uma temporada
A HBO anunciou o cancelamento de “A Mulher do Viajante no Tempo” após o final de sua única temporada, concluindo a história de amor de seus personagens após seis episódios. “Embora a HBO não esteja avançando com uma 2ª temporada, foi nosso privilégio fazer parceria com os mestres contadores de histórias Steven Moffat e David Nutter”, disse a HBO em comunicado. “Somos muito gratos por sua paixão, trabalho duro e cuidado para adaptar este livro amado. Também agradecemos a Theo e Rose, e ao resto do nosso elenco brilhante por suas performances sinceras, que cativaram completamente o público.” Adaptação do romance homônimo de Audrey Niffenegger, a série foi desenvolvida pelo produtor-roteirista britânico Steven Moffat (ex-showrunner de “Doctor Who” e criador de “Sherlock”), dirigida por David Nutter (“Game of Thrones”) e estrelada por Rose Leslie (a Ygritte de “Game of Thrones”) e Theo James (o Four de “Divergente”) como um casal com problemas de tempo em seu casamento. Lançada em maio, a atração acompanhava a história de Clare (Leslie), que durante a maior parte de sua vida guardou um segredo. Desde os seis anos de idade, ela via um amigo que considerava imaginário: um homem gentil e engraçado, às vezes velho, às vezes jovem, que aparecia na floresta atrás de sua casa para lhe contar histórias do futuro. Mas conforme os anos passaram e ela se tornou uma mulher adulta, Clare começou a perceber que seu amigo não era imaginário, mas um viajante do tempo vindo do futuro. E não apenas de um futuro qualquer, mas de seu próprio futuro, já que seu destino era se tornar a esposa do viajante no tempo. “Havia conteúdo suficiente no livro para mais do que apenas uma temporada”, disse Moffat ao site TVLine na época do lançamento. “Mas, ao mesmo tempo, eu ainda chamaria de série limitada porque não pode durar para sempre. Tem que acabar. Já sabemos um pouco sobre como termina. No episódio 3, você sabe que ele vai levar um tiro em uma floresta. Você sabe que ele vai perder (spoiler) em algum momento. Então é uma história de destino, eu acho. O fim está embutido no começo.” A série da HBO não foi a primeira adaptação dessa história para as telas. “A Mulher do Viajante no Tempo” já tinha virado filme em 2009, com Eric Bana e Rachel McAdams nos papéis principais – a maior dificuldade para lembrar disso é que o longa foi batizado de “Te Amarei para Sempre” no Brasil. Veja abaixo o trailer nacional da produção.
See: Jason Momoa e Dave Bautista declaram guerra no teaser da temporada final
A Apple TV+ divulgou o teaser da 3ª temporada de “See”, que foi anunciado como “o capítulo final” da produção. A prévia revela cenas de combate épico entre facções rivais e os irmãos vividos por Jason Momoa (o Aquaman) e Dave Bautista (o Drax de “Guardiões da Galáxia”). Introduzido na temporada passada, o personagem de Bautista é o grande rival do personagem de Momoa na luta pelo destino de um mundo em que a humanidade perdeu a capacidade de enxergar. A trama se passa vários anos no futuro, quando todos já se acostumaram com a cegueira. Entretanto, esse equilíbrio é rompido quando os filhos do protagonista nascem com visão normal e passam a ser disputados como armas capazes de garantir o domínio do mundo. A série é uma criação do roteirista britânico Steven Knight (criador de “Peaky Blinders”) e tem seus episódios dirigidos pelo cineasta Francis Lawrence (“Jogos Vorazes: Em Chamas”), Anders Engström (“Taboo”) e Stephen Surjik (“Perdidos no Espaço”), entre outros diretores. Já o elenco inclui Alfre Woodard (“Luke Cage”), Hera Hilmar (“Máquinas Mortais”), Sylvia Hoeks (“Blade Runner 2049”), Christian Carmago (“Dexter”) e, na nova temporada, também Eden Epstein (“Sweetbitter”), Tom Mison (“Sleepy Hollow”), Hoon Lee (“Warrior”), Olivia Cheng (“Warrior”), David Hewlett (“A Forma da Água”) e Tamara Tunie (“Flight”). A 3ª temporada tem estreia marcada para 26 de agosto, exatamente um ano após a estreia da temporada anterior. Momoa, por sinal, vai continuar na Apple com uma nova produção épica: “Chief of War”, uma minissérie que ele próprio criou em parceria com Thomas Pa’a Sibbett (roteirista de “Perigo na Montanha”), que pretende abordar a unificação e a colonização do Havaí sob o ponto de vista dos povos nativos da região.
Astro de “Twin Peaks” entra na série do game “Fallout”
A série da Amazon Prime Video baseada nos games “Fallout” ganhou o reforço de Kyle MacLachlan, o astro de “Twin Peaks”. Ele vai se juntar a Ella Purnell (estrela de “Yellowjackets” e “Army of the Dead”) e Walton Goggins (“Tomb Raider: A Origem”), anteriormente anunciados, e mais duas novidades: Aaron Moten (“Luta pela Fé – A História do Padre Stu”) e estreante Xelia Mendes-Jones. Os novos atores não tiveram seus papéis revelados. Lançado em 1997, “Fallout” é uma franquia premiada de RPG pós-apocalíptico, que se passa no final do século 21, após uma guerra nuclear devastar o planeta e os sobreviventes começarem a sair de suas comunidades subterrâneas para um mundo repleto de perigos e criaturas mutantes. A série tem produção do casal Jonathan Nolan e Lisa Joy, criadores de “Westworld”, e terá como showrunners a roteirista Geneva Robertson-Dworet, que escreveu “Tomb Raider: A Origem” e “Capitã Marvel”, e Graham Wagner, produtor-roteirista de “The Office” e “Silicon Valley”. As gravações vão começar no final do ano e ainda não há previsão para a estreia.
Millie Bobby Brown vai estrelar superprodução dos diretores dos “Vingadores”
Após quase meio ano de negociações, a Netflix fechou a produção de “The Electric State” com os irmãos Joe e Anthony Russo (“Vingadores: Ultimato”). Eles vão dirigir uma trama sci-fi estrelada por ninguém menos que Millie Bobby Brown (“Stranger Things”) e que ainda pode contar com Chris Pratt (“Guardiões da Galáxia”). De acordo com fontes do site The Hollywood Reporter, “The Eletric State” tem um orçamento na casa dos US$ 200 milhões. O filme é uma adaptação do romance ilustrado homônimo de Simon Stålenhag, lançado em 2018. O autor é também o criador de “Tales From the Loop”, que foi adaptado numa série da Amazon Prime Vídeo. A história gira em torno de uma adolescente órfã (Brown) que atravessa o Oeste americano, ambientado como um futuro retrô, juntamente com um robô doce, mas misterioso, e um andarilho excêntrico em busca de seu irmão mais novo. Pratt, que já trabalhou com os Russo em dois filmes dos “Vingadores”, negocia o papel do andarilho, mas ainda não assinou o contrato. O roteiro foi escrito por Christopher Markus e Stephen McFeely, que escreveram os quatro filmes dos irmãos Russo na Marvel, inclusive o blockbuster “Vingadores: Ultimato”, segunda maior bilheteria de cinema de todos os tempos. A produção de “The Electric State” está programada para iniciar em outubro na cidade de Atlanta, nos Estados Unidos. Antes disso, os Irmãos Russo vão lançar seu primeiro filme de grande orçamento na Netflix: “Agente Oculto”, estrelado por Ryan Gosling (“Blade Runner 2049”), Ana de Armas (“Entre Facas e Segredos”) e Chris Evans (“Capitão América: O Primeiro Vingador”), que tem lançamento marcado para 22 de julho.
Stranger Things: Onze encara Vecna no pôster do fim da temporada
A Netflix divulgou o pôster oficial do final da 4ª temporada de “Stranger Things”, que mostra Onze (Eleven) frente a frente com o monstro Vecna. O conflito entre a super-heroína e o monstro, como ela mesma definiu no início da temporada, também foi foco do trailer mais recente da atração. A parte 2 da temporada estreia na sexta (1/6) e terá dois episódios com tamanho de filmes. O 8º capítulo dura cerca de 1 hora e 25 minutos, enquanto o 9º e derradeiro terá quase 2 horas e meia. ATENÇÃO PARA O PÔSTER OFICIAL DO VOLUME 2 DE #STRANGERTHINGS! 💥CHEGA🔥LOGO🚨SEXTA-FEIRA 🆘 pic.twitter.com/VAqhe82POD — netflixbrasil (@NetflixBrasil) June 27, 2022
Conservadorismo aumentou relevância de “The Handmaid’s Tale”, diz produtor
O produtor executivo de “The Handmaid’s Tale”, Warren Littlefield, disse que a decisão de sexta-feira (2/6) da Suprema Corte dos EUA, permitindo que estados conservadores considerem o aborto ilegal, tornou a série distópica de streaming ainda mais relevante. “Nós dissemos muitas vezes, ao longo de vários anos, que adoraríamos ser menos relevantes, mas, infelizmente, a série tem sido assustadoramente relevante. E hoje parece ainda mais”, ele afirmou, em entrevista ao site americano Deadline. “Acho que todos nós desejaríamos ser esse conceito bizarro, distópico, em que ninguém acreditaria. Todos nós desejávamos ser apenas uma ficção científica fantasiosa”. O fato é que a série saiu das telas para a realidade, e várias mulheres vestidas como as aias da trama foram protestar na frente da Suprema Corte durante o julgamento que reverteu os direitos reprodutivos femininos para uma condição anterior a dos anos 1970. Escrito por Margaret Atwood, o romance sci-fi (“O Conto da Aia” no Brasil) adaptado na série premiada se passa num futuro próximo quando os EUA se transformam num patriarcado religioso e totalitário – conhecido como República de Gilead – onde as mulheres tem seus direitos suprimidos. A série começou a ser desenvolvida na primavera de 2016 pelo criador Bruce Miller, quando ninguém imaginava que uma ameaça aos direitos reprodutivos poderia surgir durante sua exibição. Mas já no outono tudo começou a mudar. “Todos nós ficamos acordados até muito tarde na noite da eleição, sentindo que estaríamos celebrando a posse da primeira mulher presidente dos Estados Unidos. Achamos que, mesmo assim, [‘The Handmaid’s Tale’] ainda seria relevante e importante”, lembrou Littlefield. “De repente, Trump foi eleito e o mundo mudou. Quando entramos no ar [em abril de 2017], foi o início do governo Trump”, e a partir daí “The Handmaid’s Tale” ganhou surpreendente relevância. Foi Trump quem formou a maioria conservadora da Suprema Corte, substituindo juízes progressistas, como a lendária Ruth Bader Ginsburg, falecida em 2020, por defensores de legislações repressivas. A onda conservadora também levou a uma série de mudanças nas legislações estaduais de estados como Geórgia, Ohio e Texas. E quanto mais os direitos regrediam, mais trajes de aias passaram a ser vistos nos protestos, tornando-se um símbolo da resistência. “É uma tremenda fonte de orgulho ver protestos em todo o país – e também protestos em todo o mundo – onde as mulheres estão vestindo a fantasia de aia – os mantos vermelhos, os chapéus – e vemos isso se tornar um símbolo da luta pela liberdade e os direitos das mulheres”, disse Littlefield. “Mas hoje sinto uma tremenda tristeza, raiva e frustração por causa de quem somos agora e o que isso diz. Nos últimos anos, vimos em todo o planeta a ascensão da extrema direita, e com a ascensão desse movimento as restrições dos direitos e liberdade das mulheres têm sido contínuas”. O produtor ainda reparou que a diferença política vista na série, entre Gilead (EUA) e Canadá, também se refletiu na forma como os americanos da produção, que é gravada no Canadá, receberam apoio da equipe local após a decisão da Suprema Corte. “Eu ouvi de vários canadenses que trabalham conosco: ‘Estamos tão tristes quanto você, e estamos com você’”, contou. “Então tem havido uma conexão, em que os cidadãos do mundo ficam chocados, consternados e percebem que nossa narrativa dramática está cada vez mais próxima da realidade, e isso é extremamente desconfortável. Mas também nos diz que somos um farol importante, e essa é a nossa pequena parte nisso, eu acho.” Ele adiantou que a 5ª temporada, marcada para estrear em 14 de setembro, vai “mergulhar em como a direita se infiltrou até no Canadá, que foi tratado anteriormente como um lugar muito sagrado”. “Vamos mostrar que Gilead cresce lá também”, adiantou. Littlefield acrescentou que não foi preciso fazer nenhum ajuste de última hora nos episódios da série para refletir a guinada conservadora do mundo real. Atualmente, as equipes estão gravando os dois capítulos finais da temporada, dirigidos pelas estrelas da série Bradley Whitford (episódio 9) e Elizabeth Moss (o final da temporada). “Suspeito que não haverá [mudanças] porque temos uma narrativa bastante poderosa. Quero dizer, a série ecoa o que estamos vivendo hoje”, explicou. Na conversa com a imprensa, o produtor foi questionado sobre se o avanço do conservadorismo não justificaria a continuidade da série, ou ao menos uma renovação para a 6ª temporada. “Acho que, desde o primeiro dia, o objetivo foi ter uma narrativa poderosa e dramática com June assumindo a luta e nós, como público, unindo-nos a ela em busca de esperança. Bem, ela não desistiu e não podemos desistir”, disse o produtor. “Acho que é uma mensagem importante e poderosa que, apesar de tudo o que June enfrenta em Gilead, há um raio de esperança em sua luta e determinação. Acho que isso é valioso e importante, ainda somos relevantes, e enquanto Bruce e a equipe de roteiristas sentirem que há mais a dizer, é isso que faremos.” Produzida pela MGM e exibida na plataforma Hulu nos EUA, “The Handmaid’s Tale” chega ao Brasil pela Paramount+ e Globoplay.
Furiosa: Novo “Mad Max” terá volta do vilão Immortan Joe
A Warner Bros. divulgou a sinopse oficial de “Furiosa”, spin-off de “Mad Max” centrado na principal personagem feminina do filme “Mad Max: Estrada da Fúria” (2015). Diz o texto: “Quando o mundo entra em colapso, a jovem Furiosa é sequestrada do Green Place das Muitas Mães e cai nas mãos de uma grande horda de motoqueiros liderada pelo Senhor da Guerra Dementus. Vagando pelo deserto condenado, eles encontram a cidadela controlada por Immortan Joe. Enquanto os dois tiranos lutam pelo poder e controle, Furiosa terá que sobreviver a muitos desafios para encontrar o caminho de volta para casa.” O estúdio também confirmou que as filmagens já começaram, embora o astro Chris Hemsworth (“Thor”) tenha revelado o início dos trabalhos no começo de junho, com uma foto do set. Hemsworth deve viver um dos vilões do filme, que trará a atriz Anya Taylor-Joy (“O Gambito da Rainha”) no papel principal, vivido originalmente por Charlize Theron no premiado filme de 2015. O cineasta George Miller, que comanda a franquia “Mad Max” desde o primeiro filme, de 1979, volta à cadeira de diretor e também escreveu o roteiro, explorando o passado da personagem apresentada em “Estrada da Fúria” como líder de uma revolta contra o cruel Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne, falecido em 2020). De acordo com a Variety, Miller considerou usar efeitos especiais para rejuvenescer Theron e permitir que ela interpretasse Furiosa novamente, mas acabou descartando a possibilidade, encontrando em Taylor-Joy sua versão jovem da personagem. O projeto vem sendo desenvolvido desde a pré-produção de “Estrada da Fúria”. Miller e seu co-roteirista, Nick Lathouris, construíram histórias extensas para todos os personagens daquele filme, desde o antagonista Immortan Joe até o secundário Doof Warrior, que empunha a guitarra-lança-chamas. Mas foi Furiosa quem recebeu mais atenção. Miller procurou responder a perguntas sobre como era a vida da personagem no idílico “Green Place” e como ela se tornou a guerreira inexorável vista em “Estrada da Fúria”. Nesse processo criativo, ele achou o passado de Furiosa tão envolvente que decidiu desenvolver um roteiro completo sobre a personagem, antes mesmo de “Estrada da Fúria” começar a ser filmado. Mas o projeto só está saindo do papel agora porque o diretor e a Warner se desentenderam, com direito a processo sobre os direitos financeiros referentes a “Estrada da Fúria”. Por isso, Miller decidiu priorizar outro filme de “Estrada da Fúria”: “Three Thousand Years of Longing”, que teve première mundial em 20 de maio, no Festival de Cannes. Com esse trabalho finalizado e o fim de seu conflito com a Warner, ele voltou ao projeto do prólogo. “Furiosa” tem previsão de estreia somente para maio de 2024.










