Leticia Spiller viverá entidade na 2ª temporada de “Cidade Invisível”
A atriz Leticia Spiller vai participar da 2ª temporada de “Cidade Invisível”, produção da Netflix que tem o folclore brasileiro como pano de fundo. Ela vai interpretar uma entidade popular da região Norte do país e contracenará com Marco Pigossi, protagonista da atração. Como registrou em seu Instagram, Leticia viajou para o Pará há duas semanas. A produção está gravando no estado os novos capítulos da série. Afastada das novelas desde 2018, quando interpretou a personagem Marilda Rocha em “O Sétimo Guardião”, a atriz vinha se dedicando ultimamente ao cinema nacional. “Cidade Invisível” foi concebida pelo diretor Carlos Saldanha, em seu primeiro trabalho live-action após dirigir as animações “A Era do Gelo”, “Rio” e “O Touro Ferdinando”, e gira em torno do detetive Eric (Marco Pigossi), da Delegacia de Polícia Ambiental. Após encontrar um estranho animal morto em uma praia carioca, o policial descobre um mundo habitado por entidades míticas normalmente invisíveis aos seres humanos. A trama explora figuras do folclore nacional, como a Cuca, interpretada pela atriz Alessandra Negrini, e ficou na lista de conteúdos mais vistos em cerca de 40 países. Mas a produção também foi acusada por ativistas de “apropriação cultural”, por desconstruir figuras da religiosidade indígena, afastando-os de suas raízes para apresentá-las como “criaturas”, sem dar espaço para atores nativos interpretá-las. Ao mesmo tempo em que comemorou o sucesso internacional da atração, Carlos Saldanha disse, no comunicado sobre a renovação, que levaria todas as críticas em consideração para a 2ª temporada. Os novos capítulos ainda não têm previsão de estreia. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Leticia Spiller (@arealspiller) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Leticia Spiller (@arealspiller) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Leticia Spiller (@arealspiller)
Psicóloga diz que Amber Heard foi estuprada e traumatizada por Johnny Depp
A primeira testemunha da defesa no julgamento por difamação, movido por Johnny Depp contra a ex-mulher, Amber Heard, em Halifax, estado da Virginia, foi uma psicóloga que declarou que a atriz foi estuprada e ficou com transtorno de estresse pós-traumático devido ao abuso sofrido nas mãos do ator. Dawn Hughes testemunhou que chegou ao diagnóstico depois de examinar Heard por 29 horas e revisar seus registros de terapia, concluindo que Depp a envolveu em um “alto grau de violência”. Hughes relatou ter ouvido de Heard vários casos de violência sexual, que seriam motivadas pelo “ciúme obsessivo” de Depp e pelo desejo de mostrar seu domínio sobre a esposa. Ela foi chamada pela defesa para refutar o testemunho de Shannon Curry, uma psicóloga convocada pela equipe de Depp na semana passada, que disse ao júri que Heard sofria de transtorno de personalidade limítrofe. Curry examinou Heard por 12 horas em nome de Depp e testemunhou que Heard era propensa a dar declarações “excessivamente dramáticas” e estava “cheio de raiva”. Hughes disse que discordava do diagnóstico de Curry. Ela disse que, em seu exame, os sintomas de Heard eram consistentes com uma vítima de violência por um parceiro íntimo. Hughes também observou que Heard havia sofrido abuso dos pais quando criança e carregava algumas dessas dinâmicas em seu relacionamento com Depp. “Ela também acreditava que poderia consertá-lo, assim como tentou consertar seu pai”, disse Hughes. “Ela realmente acreditava que poderia consertar o Sr. Depp e livrá-lo de seus problemas de abuso de substâncias, mas isso não funcionou.” Hughes também testemunhou que Depp exercia “controle coercitivo” sobre Heard e estava focado em controlar sua carreira. Junto com a palavra “prostituta” e linguagem sobre a anatomia da esposa, o ator adorava chamá-la de “ambiciosa”, como se fosse um termo “depreciativo” para a carreira da atriz. A psicóloga também contestou a avaliação de uma terapeuta de casais, Laurel Anderson, que disse em nome da acusação que Depp e Heard se envolveram em “abuso mútuo”. Hughes argumentou que, embora ambas as partes possam se envolver em abuso verbal ou físico, também é importante observar o equilíbrio de poder no relacionamento. “Você precisa examinar o contexto”, disse Hughes. “Você tem que examinar o diferencial de poder e controle – e controle coercitivo – no relacionamento para fazer uma determinação completa.” O aspecto mais polêmico em seu depoimento foram descrições dos estupros praticados contra a atriz. “Quando o Sr. Depp estava bêbado ou drogado, ele a jogava na cama, arrancava sua camisola e tentava fazer sexo com ela”, testemunhou Hughes. “Houve momentos em que ele a forçou a fazer sexo oral quando ele estava com raiva – esses não eram momentos amorosos, eram momentos de raiva”, continuou. Hughes também fez referência a incidentes em que Depp supostamente penetrou em Heard com os dedos e, em uma ocasião, com uma garrafa. Em seu depoimento, a psicóloga apontou que este suposto ataque em particular aconteceu enquanto o casal estava na Austrália para as filmagens do quinto “Piratas do Caribe”. Depp, gritando “eu vou te matar”, colocou uma garrafa dentro do corpo de Heard, e a atriz lhe contou que, naquele momento da suposta agressão, tudo o que ela conseguia pensar era que esperava que a garrafa que a estava penetrando “não fosse a quebrada”. “Esses incidentes geralmente aconteciam em uma fúria alimentada por drogas”, completou a psicóloga. Muitas vezes contestada pela equipe de Depp, Hughes esclareceu ao tribunal que realizou uma avaliação independente e forense de Heard. E que ela “nunca foi cliente” de sua clínica, ao contrário de muitas testemunhas trazidas ao tribunal pela acusação, a maioria composta de funcionários de Depp. Espera-se que Heard dê um relato mais completo dos supostos abusos quando for testemunhar nesta quarta-feira (4/5).
Agente diz que Johnny Depp perdeu US$ 22,5 milhões por não fazer “Piratas do Caribe 6”
Uma das últimas testemunhas de acusação no julgamento do processo por difamação, que Johnny Depp abriu contra a ex-esposa Amber Heard no estado americano de Virgínia, deu nesta segunda (2/5) o principal depoimento para a causa do ator. O ex-agente de Depp, Jack Whigham, disse que o ator ganharia US$ 22,5 milhões (R$ 111 milhões) pelo sexto filme da franquia “Piratas do Caribe”, mas que a Disney descartou o projeto após a atriz se declarar vítima de violência doméstica num artigo publicado no Washington Post em dezembro de 2018. O artigo é ponto chave do julgamento, já que Depp alega que sua publicação destruiu sua reputação e carreira. “Depois do artigo, foi impossível conseguir um filme de estúdio para ele”, contou Whigham ao júri de sete pessoas no tribunal da Virgínia. Agente de Depp desde 2016, ele disse que um acordo havia sido fechado com a Disney para que o ator voltasse a interpretar “Jack Sparrow” no sexto filme da franquia. “Fechamos em US$ 22,5 milhões.” Entretanto, ao ser questionado pelo advogado de Heard, ele afirmou que nunca existiu um contrato para a produção. Whigham disse que o acordo com a Disney sobre a compensação de Depp por um novo filme “Piratas do Caribe” teria sido verbal: “Houve um entendimento sobre qual seria o acordo.” Entretanto, a Disney teria decidido seguir por “uma direção diferente” após a publicação do artigo de Amber no Post, em dezembro de 2018, relatou Whigham. Apesar da defesa ainda não ter começado a apresentar suas testemunhas, o advogado de Heard já exibiu para o júri artigos da imprensa demonstrando que Depp teria perdido o contrato da Disney meses antes da publicação do artigo. Além disso, ele conseguiu fazer Depp dizer que não voltaria nunca mais à franquia, nem por US$ 300 milhões, e lembrou que Heard acusou o ator de violência doméstica pela primeira vez em 2016, durante o processo de divórcio, e ele não contestou. Outra testemunha apresentada pela acusação nesta segunda (2/5) foi Travis McGivern, membro da equipe de segurança de Depp. Ele disse que testemunhou uma discussão entre o casal em sua cobertura em Los Angeles durante a qual Amber deu um soco no rosto de Depp, lançou uma lata de bebida e cuspiu no ator. O guarda-costas disse que escoltou Depp para longe, “para a sua segurança”. “Era hora de fazer o meu trabalho e tirá-lo de lá.” A defesa vai apresentar sua primeira testemunha nesta terça (3/5), quando a narrativa do julgamento mudará de ponto de vista. Um dos momentos mais esperados, o depoimento da atriz Amber Heard, está previsto para começar na quarta (4/5). Todo o julgamento está sendo transmitido ao vivo pelo canal americano Court TV, disponível pela internet.
Canal AMC defende Norman Reedus após ataques de fãs de “The Walking Dead”
O anúncio da saída de Melissa McBride do spin-off de “The Walking Dead”, que acompanharia novas aventuras de sua personagem Carol ao lado de Daryl, gerou uma inesperada onda de hate contra Norman Reedus nas redes sociais. Muitos fãs da série culparam o intérprete de Daryl Dixon pela desistência da atriz. Na sexta (29/4), um dos colegas da dupla, Jeffrey Dean Morgan, que vive Negan, chegou a criticar os “fãs tóxicos” da série de zumbis nas redes sociais. “Alguns de vocês têm ido longe demais. É tóxico. Estão atacando o Norman por m***as que ele não tem nada a ver. A decisão da Melissa foi inteiramente dela. Ela quis e precisou de uma pausa. Respeitem isso. Os motivos envolvidos não são da conta de ninguém. Norman é alguém que entregou mais do que qualquer outro a vocês. Que m***a”, o ator desabafou. Mas a situação saiu tanto de controle que o perfil oficial do canal americano AMC, que produz “The Walking Dead”, resolveu se manifestar, reforçando informação anterior sobre o motivo da saída da atriz e deixando claro que Norman Reedus não teve nada a ver com isso. “Gostaríamos de abordar às reações a notícia divulgada nesta semana sobre o spin-off de Carol e Daryl”, diz o comunicado oficial do AMC, publicado no Twitter. “Norman Reedus está sendo injustamente focado e atacado nas redes sociais por uma decisão em que ele não teve qualquer participação. Melissa McBride decidiu não participar da série porque ir para a Europa se tornou logisticamente impossível para ela”, explicou o texto. “É desnecessário direcionar negatividade e raiva a um outro colega de elenco por um resultado desapontador que não teve nada a ver com ele”, continuou o texto. Os ataques teriam se originado por rumores de que Reedus teria sido o responsável pela escolha de gravar a série na Europa, porque sua mulher é alemã – a atriz Diane Kruger, de “Bastardos Inglórios” e “As Agentes 355”. Ao mesmo tempo, a família seria a razão pela qual McBride teria desistido do projeto, pois não poderia se ausentar por meses dos EUA. O AMC concluiu seu comunicado acrescentando a possibilidade de inserir Carol em outras produções da franquia zumbi gravadas nos EUA, como “Fear the Walking Dead” e outro vindouro spin-off, que vai reunir Negan (Jeffrey Dean Morgan) e Maggie (Lauren Cohan). “Carol é uma personagem vital e amada. Estamos trabalhando para encontrar um jeito de os fãs poderem continuar acompanhando a história dela, como só Melissa poderia mostrar, no universo expandido de ‘The Walking Dead’”, concluiu o texto oficial. Some of you have gone WAY too far. TOXIC. Attacking norm for crap he has NOTHING to do with? Melissa made a call that was hers alone. She wants/needs a break. Respect that. Factors involved that are nobody’s business. Norm, who’s given more than anyone to you all. Just SHITTY. — Jeffrey Dean Morgan (@JDMorgan) April 29, 2022 A statement from AMC and TWD: We would like to acknowledge the response to this week’s news related to the previously announced Daryl and Carol TWD spin-off. Norman Reedus is being unfairly targeted and attacked in social media for a decision he had no part in. (1/3) — AMC-TV (@AMC_TV) April 29, 2022 Carol is a beloved & vital character and we are working to find a way for fans to again follow her story, as only Melissa could give life to, in the expanding universe around The Walking Dead. The fans have always been the driving force behind #TWDFamily and always will be. (3/3) — AMC-TV (@AMC_TV) April 29, 2022
Bill Murray lamenta investigação por mau comportamento: “Não é mais engraçado”
O ator Bill Murray abordou o motivo que o levou à ser investigado nos bastidores do filme “Being Mortal”. A produção chegou a ser suspensa após uma denúncia de comportamento inapropriado contra ele. Falando ao canal de notícias CNBC, ele buscou resumir o que ocorreu no set como sendo uma “diferença de opinião” entre ele e uma mulher. Embora não tenha dito exatamente o que aconteceu, ele passou uma ideia clara: algo que ele achou engraçado, a mulher considerou ofensivo. “Eu fiz algo que achei que era engraçado, mas ela não percebeu dessa forma. O estúdio quis fazer a coisa certa, checar tudo e investigar, então paramos a produção. Neste momento, estamos conversando e tentando fazer as pazes um com o outro”, ele explicou. “Nós dois somos profissionais e gostamos do trabalho um do outro. Gostamos um do outro, acho, mas quando você não consegue se dar bem e confiar na pessoa a seu lado, não tem porque continuar trabalhando, continuar fazendo um filme”, admitiu o ator. Murray ainda fez um mea culpa, aproveitando o incidente para repensar sua atitude. “Se eu não enxergar agora que o mundo mudou desde quando eu era mais jovem… O que eu achava engraçado antes não é mais engraçado agora. As coisas mudam, os tempos mudam, e é importante que eu entenda isso”, considerou. “Eu fico pensando: ‘Como eu pude encarar essa situação da forma errada? Como eu pude ser tão equivocado e insensível?’ Eu realmente achava que tinha uma certa sensibilidade com as pessoas”, refletiu. “Estamos falando disso, e acho que vamos acabar nos conciliando. Estou otimista quanto a isso”, completou. A denúncia sobre “mau comportamento” de Murray foi levada ao departamento de Recursos Humanos do estúdio Searchlight Pictures, responsável pela produção, na segunda-feira retrasada (18/4). Desde então, os trabalhos estão paralisados. “Being Mortal” marca a estreia na direção de Aziz Ansari, conhecido por seus papéis nas séries “Parks and Recreation” e “Master of None”,. Em carta divulgada à equipe, a Searchlight Pictures anunciou que pretende retomar a produção em breve, e que trabalha com o diretor para determinar uma data para isso ocorrer. O filme é uma adaptação do livro “Mortais: Nós, a Medicina e o que Realmente Importa no Final”, de Atul Gawande.
Amber Heard deve testemunhar contra Johnny Depp na próxima semana
A atriz Amber Heard será a primeira testemunha a depor em sua defesa no julgamento de difamação de US$ 50 milhões movido por Johnny Depp no condado de Fairfax, na Virgínia, EUA. O dia exato do depoimento da atriz vai depender do tempo tomado pelas testemunhas convocadas pela acusação, que estão atualmente depondo no processo. Nesta semana, a equipe de acusação trouxe vários ex-funcionários para testemunhar em favor do ator, mas ainda pretende confrontar o colega James Franco (“Artista do Desastre”) e o bilionário Elon Musk, que acaba de comprar o Twitter, por supostamente terem sido amantes de Heard durante seu casamento com Depp. Por outro lado, o advogado do ator já dispensou o testemunho de Paul Bettany (o Visão de “WandaVison”), com quem Depp trocou mensagens brutais sobre Heard. Representantes de Heard não confirmaram os planos da defesa, mas o site Deadline afirma ter ouvido de fontes que ela pode dar seu depoimento já na próxima semana, se tudo correr conforme os planos. “É difícil ver como Amber não se provará uma arma altamente eficaz contra Depp em sua própria defesa”, disse um membro da indústria com conexões com os dois campos. O julgamento acontece de segunda a quinta-feira, com a participação presencial de Depp e Heard, acompanhados por seus respectivos advogados. Mas será interrompido entre 9 e 12 de maio, porque a juíza Penny Azcarate, responsável pelo caso, tem uma conferência pré-agendada nessa data.
Johnny Depp se diz vítima de abusos de Amber Heard
Em seu quarto e último dia de depoimento, Johnny Depp encerrou seu testemunho no julgamento de difamação contra a ex-mulher, Amber Heard, afirmando que foi ele a verdadeira vítima de abuso doméstico, não ela. “Sim”, disse o ator quando perguntado por seu advogado em uma pergunta final, se foi “vítima de violência doméstica”. Na retomada do julgamento nesta segunda (25/4), o astro de “Piratas do Caribe” procurou recuperar o domínio da narrativa após vários dias de interrogatório, no qual foi bombardeado pelo advogado de Heard com textos, vídeos e áudios que o retrataram como um homem violento, drogado e capaz de explosões de raiva contra a ex-esposa. Ele começou o dia ainda confrontado pelo advogado de defesa, Ben Rottenborn, que apresentou reportagens sobre a implosão de sua carreira, publicadas bem antes do artigo de 2018, em que sua ex-esposa se apresentou como vítima de violência doméstica – sem nomeá-lo. Em seu processo, Depp afirma que foi o artigo que fez sua carreira desandar. O advogado ainda mostrou novos áudios violentos de Depp gravados pela ex-esposa. Em um deles, ela reage a uma briga dizendo: “Vá apagar seu cigarro em outra pessoa”. No tribunal, Depp disse que a atriz tinha uma propensão de fazer declarações “grosseiramente exageradas”. Em outra gravação, Depp é que teria “exagerado grosseiramente” ao dizer que, se Heard não parasse de discutir, a situação viraria um “banho de sangue”. Após o almoço, foi a vez dos advogados de Depp tentarem reverter a imagem negativa evocada pela defesa. Com ajuda da advogada Jessica Meyers, o ator repetiu a tese de que não estava sendo ameaçador em seus textos, mas simplesmente usando “humor abstrato”. E insistiu que não bebia demais. “Eu nunca tive apagões”, continuou ele, em um claro contraste com o material apresentado pela defesa, incluindo imagens e textos do próprio Depp. Embora tenha admitido, ao ser confronto por provas, que Heard foi fundamental para sua desintoxicação de opioides em 2015, Depp aproveitou para recolocar o tema em debate ao afirmar que sua ex-esposa também foi o gatilho de suas recaídas. O detalhe mais estranho desse encerramento é que, após dois dias confrontado com um retrato pouco lisonjeiro de si mesmo, os próprios advogados de Depp acrescentaram novas injúrias do ator no processo, ao reproduzirem as gravações do casal feitas por ele. Numa delas, o intérprete de Jack Sparrow chama a então esposa de “dor na bunda”, “harpia” e “vadia”. Além disso, declara que Heard tinha um “distúrbio de personalidade limítrofe” porque disse que o amava. O auto-descrito “pobre drogado velho” também foi ouvido dizendo para Heard: “Nunca vou ficar limpo e sóbrio”. Também foi possível ouvir Heard chorando e dizendo a Depp que ele é “muito malvado” e um “valentão”. “Você está me matando”, afirmou Heard, quando Depp pediu a um assessor que a levasse embora. Outro áudio trouxe Depp pedindo que a atriz o cortasse com uma faca: “Você pegou tudo, você quer meu sangue, pegue”. Depp explicou ao tribunal que disse a Heard para cortá-lo porque seu sangue “era a única coisa que ela não tinha”. Ele levou a faca para um encontro com Heard na época da discussão do divórcio. “Eu tinha uma faca no bolso. Eu peguei a faca e disse: ‘aqui, me corte'”, contou. “Eu estava quebrado, realmente não aguentava mais no final”, explicou Depp ao tribunal sobre as gravações. O mais interessante em todos os áudios foi o que não se ouviu: ofensas da atriz. O momento mais agressivo registrado por Depp foi uma gravação de telefone em que Heard o desafia a provar que ele foi a vítima do casal. Heard falou: “Diga ao mundo que eu, Johnny Depp, um homem, sou vítima de violência doméstica e veja quantas pessoas acreditam ou estão do seu lado”. Mais um áudio complicado, registrado em meados de 2016, ainda mostrou Depp comentando as alegações de abuso logo após Heard pedir uma medida restritiva de proteção. “A questão do abuso é que temos que lidar com isso”, disse Depp em um ponto da gravação. “Você me forçou indo para o ataque”, respondeu Heard, agitada. Para completar o dia, os advogados de Depp ainda retiraram o nome do ator Paul Bettany (“WandaVision”) de sua lista de testemunhas. Bettany foi o destinatário das mensagens mais violentas de Depp sobre Heard, incluindo os textos em que manifestou seu desejo de afogá-la, queimá-la e depois estuprar seu cadáver. O intérprete do Visão do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel) chegou a mencionar à imprensa que achava constrangedor ver seu nome envolvido no julgamento, com essas mensagens vindo à tona. Assim como Depp, Heard também prestará depoimento no julgamento, que começou em 11 de abril e deve durar cinco semanas. Todo o julgamento está sendo transmitido ao vivo pelo canal americano Court TV, disponível pela internet. Veja abaixo os vídeos do quarto dia de depoimentos do ator.
Produtor de “Ray Donovan” é demitido após denúncia de mau comportamento
A Showtime e a Paramount Television Studios demitiram o showrunner David Hollander, responsável pelo roteiro, direção e produção de um dos maiores sucessos do canal pago, “Ray Donovan”. Ele estava à frente de uma nova série, “American Gigolo”, e teria sido dispensado após denúncia e investigação de mau comportamento durante as gravações. As empresas do grupo Paramount se recusaram a comentar o motivo da saída do produtor. “David Hollander não está mais na série dramática ‘American Gigolo’ e a Paramount Television Studios não tem mais uma relação de produção com ele”, Showtime e Paramount Television informaram num comunicado conjunto. “American Gigolo” vai continuar a ser gravada sob o comando de David Bar Katz, braço-direito de Hollander em “Ray Donovan”. Hollander tinha um relacionamento de longa data com o Showtime, tendo sido indicado ao Emmy por “Ray Donovan”. Ele também co-escreveu e dirigiu o longa-metragem derivado da série, lançado no início deste ano. Outros trabalhos do produtor incluem a criação das séries “Heartland”, “The Guardian” e da adaptação do filme “Gigolô Americano”, de 1980, na série atualmente em desenvolvimento. Além de catapultar Richard Gere ao estrelato, “Gigolô Americano” também é lembrado por sua música-tema, “Call Me”, um dos maiores sucessos da banda Blondie. A série vai continuar a história do filme, trazendo Jon Bernthal (“O Justiceiro”) no papel que projetou Richard Gere, após passar 15 anos preso por assassinato. O elenco também inclui Gretchen Mol (“Boardwalk Empire”), Rosie O’Donnell (“Boneca Russa”), Lizzie Brocheré (“The Strain”), Gabriel LaBelle (“Max 2: Um Agente Animal”) e Leland Orser (Ray Donovan”).
Ellen Pompeo defende Katherine Heigl em “Grey’s Anatomy”: “Corajosa”
Demorou só 12 anos, mas Ellen Pompeo finalmente defendeu a ex-colega Katherine Heigl em público. Para quem não lembra, a intérprete de Izzie Stevens saiu de “Grey’s Anatomy” em 2010, com relações estremecidas com os produtores da série, e nunca mais foi convidada a aparecer, nem mesmo quando sua presença seria importante para a trama. Em seu podcast o “Tell Me with Ellen Pompeo”, a protagonista da série lembrou o motivo da exclusão e deu razão a Heigl. “Lembro que Heigl disse algo em um talk show sobre as horas insanas que estávamos trabalhando. Ela estava 100% certa. Se ela tivesse dito isso hoje, seria uma heroína completa. Mas ela estava à frente de seu tempo”, opinou. Na sequência, completou: “Ela fez uma declaração sobre nossas horas insanas e, claro, vamos bater em uma mulher e chamá-la de ‘ingrata’, por isso. Quando a verdade é que ela foi 100% honesta e estava absolutamente correto o que ela disse. Ela foi corajosa por dizer isso. Estava dizendo a verdade, não estava mentindo”. O talk show mencionado pela intérprete de Meredith Grey foi o “The Late Show with David Letterman”. Heigl participou do programa em 2009 para promover seu novo longa, “A Verdade Nua e Crua” e aproveitou para reclamar da carga horária “cruel” do drama médico. “Vou continuar dizendo isso, porque espero que isso os envergonhe: foram 17 horas seguidas de trabalho em um único dia. Eu acho que isso é cruel e maldoso”. A denúncia repercutiu forte na imprensa e caiu como uma bomba para Shonda Rhimes, criadora da série, que na época ainda era a showrunner da produção. Assim, Heigl, que venceu o Emmy de Melhor Atriz Coadjuvante por seu papel na série dois anos antes, teve seu contrato finalizado 1 ano e meio antes do combinado. Toda essa polêmica fez com que Heigl ficasse com a fama de “antiprofissional” em Hollywood — principalmente depois de um produtor dizer ao Hollywood Reporter em 2013 que ela era “difícil” e “não valia a pena” de trabalhar. Em 2021, a atriz rebateu as falas do produtor. “Posso ter dito algumas coisas que você não gostou, mas depois isso se transformou em ‘ela é ingrata’, ‘ela é difícil’ e, na sequência, ‘ela não é profissional’. Qual é a sua definição de difícil? Alguém com uma opinião que você não gosta? Isso me irrita”, afirmou ao Washington Post.
Confrontado com textos e áudios violentos, Johnny Depp faz piadas
Depois de uma quarta-feira (20/4) de mutilação e fezes, o depoimento de Johnny Depp no processo movido contra sua ex-esposa Amber Heard por difamação prosseguiu nesta quinta com novas doses de bizarrice e violência. E tentativas de humor. Desta vez, porém, quem conduziu o interrogatório foi o advogado da atriz, Ben Rottenborn. Um dos momentos mais tensos foi quando um áudio revelou a vontade de Depp de se automutilar. “Onde você quer a cicatriz?” diz Depp. Ao que Heard implora: “Não corte sua pele. Por favor, não corte sua pele. Porque eu faria isso? Por favor não faça isso. Por favor, não se corte.” A defesa de Heard exibiu uma enxurrada de evidencias com textos, imagens, áudio e vídeo para tentar demostrar que as reações violentas de Depp não eram eventuais, mas constantes. Conhecidas desde o julgamento que Depp perdeu no Reino Unido, ao processar o jornal The Sun por chamá-lo de “espancador de esposa”, as mensagens trocadas com Paul Bettany, intérprete do Visão no MCU (Universo Cinematográfico da Marvel), foram as mais horripilantes, especialmente o trecho em que Depp revela seu desejo de afogar, depois queimar e finalmente estuprar o “cadáver queimado” de Heard. Rottenborn listou as substâncias que Depp e Bettany teriam ingerido nas noitadas em que passaram juntos, incluindo cocaína, Xanax e Adderall, além de bebida, antes de ler uma mensagem incriminadora. “Bebi a noite toda antes de pegar Amber para voar para LA no domingo passado. Feio, companheiro. Sem comida por dias. Pós. Meia garrafa de uísque”, escreveu Depp. “Um índio agressivo com raiva em um maldito apagão, gritando obscenidades e insultando qualquer f*da que chegasse perto”, continuou o ator. Em outro texto de 2015 para sua irmã mais velha, Depp se referiu à sua então esposa como “aquela prostituta imunda”. Questionado sobre o vocabulário, Depp disse: “Eu tenho uma maneira particular de usar palavras no meu vernáculo”. Essa observação não pareceu impressionar o júri e outros espectadores, muitos dos quais são fãs autodeclarados de Depp. No entanto, Depp arrancou algumas risadas com várias piadas durante o interrogatório. Numa delas, o ator retrucou um de seus próprios textos controversos, lido em voz alta pelo advogado. No texto, Depp afirma: “A única razão pela qual escolhemos a garganta é o amor”. Heard respondeu: “Minha garganta é sua. Você vai ser a minha morte, mas eu não me importo”. Depp respondeu: “Tenho outros usos para sua garganta que não incluem ferimentos”. No banco das testemunhas, Depp zoou: “Desculpe, você poderia ler isso de novo”. Alguns no tribunal riram. Ele também fez graça ao falar do vício compartilhado com o cantor Marilyn Manson. “Nós tomamos cocaína juntos algumas vezes”, admitiu, antes de brincar: “Uma vez, eu dei uma pílula a Marilyn Manson para que ele parasse de falar tanto.” Outro registro calou os risos, mesmo quando Depp tentou se esforçar para tornar a situação engraçada. Num áudio, sua voz é ouvida usando palavrões para se referir a Heard. E diz que “eu dei uma cabeçada na por** da sua testa. Isso não quebra um nariz.” “Eu disse essas palavras, mas estava usando as palavras que a senhorita Heard estava usando, mas não houve uma cabeçada intencional”, disse Depp. “Se você quiser ter uma conversa pacífica com a senhorita Heard, talvez seja necessário aplacá-la um pouco”, completou, achando engraçado. Entre os vídeos, Rottenborn exibiu uma gravação de Heard que mostra Depp, aparentemente bêbado, batendo no armário da cozinha e quebrando outros objetos, antes de descobrir que ela estava gravando com seu telefone, jogando-o longe. “Claramente eu estava tendo um mau momento”, disse Depp ao tribunal. E então reconheceu que “atacou alguns armários, mas não toquei na Srta. Heard”. Ele disse que Heard gravou o vídeo ilegalmente e que “a parte mais interessante” foi que ela apareceu sorrindo no final. Confrontado com registros de seu excesso de bebidas desde antes do relacionamento com Heard, ele declarou que “não bebia tanto”. Mas o advogado lembrou seu testemunho no caso de difamação que moveu contra o tabloide The Sun, no Reino Unido, onde havia dito que “estava abusando de álcool com certeza” após o fim do casamento com Vanessa Paradis. Depois de retrucar com um “você estava lá?” para Rottenborn, Depp teve que admitir o testemunho anterior, contradizendo sua posição de que nunca teve problemas com excesso de bebidas. Neste momento, mensagens de Depp sobre Paradis, com quem ele foi casado antes de Heard, foram lidas no tribunal, revelando o mesmo tom usado contra a atriz. “Extorsionista francesa” e “ex-buc***” foram algumas das expressões usadas para definir a ex-esposa – apontando, segundo a defesa, um padrão de linguagem ofensiva. Fotos do ator em estado lamentável, após beber muito e se drogar, foram apresentadas como evidência de seu problema com substâncias controladas. Mas o ator insistiu em sua linha de defesa, de que não fazia isso para se divertir e sim para lidar com uma infância triste e o trabalho na indústria cinematográfica. “Não é como se eu tomasse as pílulas para ficar chapado, eu tomava as pílulas para ficar normal”, declarou sobre seu vício assumido em Oxicodona. Destruição de propriedades, quartos cheios de “prostitutas e animais” e momentos sangrentos também foram trazidos à luz, como a destruição de um banheiro depois de uma discussão com Heard sobre a atenção que outra mulher estaria dando a ela. Na sequência desse incidente, ele mandou uma mensagem para Paul Bettany em que afirmou: “Claro que eu bati e mostrei cores feias para Amber em uma jornada recente. Feio e triste, ah, como eu amo isso”. Os textos também demonstram que a atriz tentou convencê-lo a se desintoxicar. Numa mensagem de 2014, Depp inclusive lhe agradeceu por ajudá-lo. “Muito obrigado por me deixar limpinho pra caral**”, ele escreveu para Heard. Outra comunicação, desta vez para a mãe da ex-esposa, traz o ator elogiando-a pelo esforço, dizendo que “foi Amber e Amber apenas que me fizeram superar isso”. O advogado de Heard também trouxe ao tribunal o relato de um processo aberto pelo gerente de locação Greg “Rocky” Brooks no set do filme “City of Lies” em 2017, quando Depp o atacou fisicamente apenas porque o avisou que as filmagens do dia precisavam terminar. Este caso ainda está aberto e em andamento na Justiça. Outra evidência trazida por Rottenborn foi um formulário de seguro feito pela Walt Disney Company que questionava se Depp estava tomando “substâncias ilegais, prescritas por um médico ou não” e o ator assinalou “não”. O advogado alegou que Depp mentiu no formulário, devido a todas as evidências apresentadas e que ainda serão trazidas à corte. O julgamento não terá sessão nesta sexta, retornando apenas na próxima segunda (25/4). Todos os depoimentos estão sendo transmitidos ao vivo pelo canal americano Court TV, disponível pela internet. Veja abaixo os primeiros vídeos divulgados do terceiro dia de depoimentos do ator.
Bill Murray é investigado por “comportamento inapropriado” em filmagem
O veterano ator Bill Murray (“Os Caça-Fantasmas”) está sendo investigado por “comportamento inapropriado” no set do filme “Being Mortal”, atualmente em produção. Ainda não há informações sobre o que aconteceu, mas a denúncia foi levada ao departamento de Recursos Humanos do estúdio Searchlight Pictures na segunda-feira (18/4). Procurado pela imprensa dos EUA, o estúdio comunicou que “não comenta casos de investigação interna”. “Being Mortal” marca a estreia na direção de Aziz Ansari, conhecido por seus papéis nas séries “Parks and Recreation” e “Master of None”, e sua produção foi paralisada para que o caso seja devidamente apurado. Representantes do estúdio e dos produtores estão decidindo quais serão os próximos passos junto com Ansari. Em carta divulgada à equipe, a Searchlight Pictures anunciou que pretende retomar a produção em breve, e que trabalha com o diretor para determinar uma data para isso ocorrer. O filme é uma adaptação do livro “Mortais: Nós, a Medicina e o que Realmente Importa no Final”, de Atul Gawande. As filmagens começaram no dia 28 de março e o lançamento estava planejado para 2023.
Trailer de “The Offer” revela bastidores tumultuados de “O Poderoso Chefão”
A Paramount+ divulgou o segundo trailer legendado de “The Offer”, que faz os bastidores da produção de “O Poderoso Chefão” parecerem mais excitantes que o próprio longa. Não faltam cenas de violência, tensão, humor e dramaticidade, com destaque para a participação da máfia real no destino do filme que, como lembra a prévia, “quase não foi feito”. A minissérie de 10 episódios foi concebida por Michael Tolkin, roteirista de “O Jogador” (1992) e da recente minissérie premiada “Escape from Dannemora” (2021), e é baseada nas experiências nunca antes reveladas de Al Ruddy, o produtor do filme de 1972 – e também criador da cultuada série dos anos 1960 “Guerra, Sombra e Água Fresca” (Hogan’s Heroes). Sempre festejada como um marco do cinema, um dos maiores sucessos de bilheteria de todos os tempos e um consenso da crítica, a produção vencedora de três Oscars na verdade teve um desenvolvimento turbulento, com bastidores perigosamente conturbados. A história será contada com roteiros de Nikki Toscano (“Hunters”) e direção de Dexter Fletcher, que assinou “Rocketman” (2019) e finalizou “Bohemian Rhapsody” (2018). O elenco estelar destaca Miles Teller (“Whiplash”) no papel de Al Ruddy, Juno Temple (“Ted Lasso”) como sua secretária Bettye McCart, Colin Hanks (“Fargo”) como o executivo Barry Lapidus, Matthew Goode (“Watchmen”) como o lendário produtor Robert Evans, Giovanni Ribisi (“Sneaky Pete”) como o mafioso real Joe Colombo, Justin Chambers (“Grey’s Anatomy”) na pele do astro Marlon Brando e Dan Fogler (“Animais Fantásticos e Onde Habitam”) vivendo o cineasta Francis Ford Coppola, entre muitos outros atores. A estreia está marcada para a próxima quinta, dia 28 de abril.
Johnny Depp acusa Amber Heard de agressão e se contradiz em depoimento
O ator Johnny Depp, que está processando a ex-esposa Amber Heard por difamação, mostrou-se bem menos confiante em seu segundo dia de depoimento no tribunal de Fairfax, no estado americano de Virginia, entrando em contradição e exibindo sinais de raiva ao ser questionado pela defesa. A serenidade controlada, frases empoladas e histórias tristes apresentadas no dia anterior viraram histórias de terror na primeira parte da sessão desta quarta (20/4), quando Depp fez denúncias literalmente sangrentas contra Heard. Mas seu tom sofreu outra mudança radical, quando chegou a vez do advogado de Heard, Ben Rottenborn, interrogá-lo nos minutos finais da audiência. Neste momento, Depp se atrapalhou com datas, mostrou-se confuso e reagiu com fúria ao ser questionado sobre as afirmações principais do caso, de que um editorial escrito pela atriz em 2018 no jornal Washington Post destruiu sua vida, carreira e reputação, trazendo prejuízo financeiro ao tirá-lo da franquia “Piratas do Caribe”. “Estou processando ela por difamação e as várias falsidades que usou para acabar com minha vida”, declarou Depp. Antes de Rottenborn pressioná-lo, Depp se mostrou bem à vontade para descrever Heard como mentirosa, manipuladora e extremamente violenta. O ponto mais polêmico foi a briga de março de 2015 que o deixou sem um pedaço do dedo médio da mão direita. Declarações sobre o incidente já surgiram várias vezes no julgamento. O médico particular do ator disse que Depp lhe confessou ter se cortado sozinho e a ficha médica de seu atendimento hospitalar na Austrália reforça esse relato, registrando o incidente como um corte involuntário com uma faca. No tribunal, porém, Depp disse que perdeu a ponta do dedo quando Heard jogou uma garrafa de vodka nele e o vidro quebrou. Segundo Depp, Heard havia chegado à Austrália, após um longo voo de Los Angeles, chateada com uma reunião que teve com um advogado para discutir o pedido de Depp de um acordo “pós-nupcial”. “Ela ficava dizendo: ‘Eu não estou nem em seu testamento. Eu nem estou em seu testamento’”, declarou o ator ao júri. “Achei uma coisa estranha de se dizer. Parecia errado, e ela não deixava de lado esse acordo pós-nupcial, dizendo que eu estava tentando enganá-la para não conseguir nada se algo acontecesse.” O intérprete de Jack Sparrow relatou que a discussão deles aumentou e que Heard “ficou irada e possuída”. Ele disse que acabou indo para a sala de recreação no andar de baixo da casa, onde, apesar de estar sóbrio por vários meses, serviu-se de duas ou três doses de vodka. “Ela me encontrou lá [e disse] ‘Oh, você está bebendo de novo’, um monstro e tudo mais’”, relatou Depp. Em seguida, afirmou que Heard agarrou a garrafa e jogou nele, passando direto por sua cabeça e quebrando às suas costas. Então, ele foi ao bar e se serviu de uma garrafa maior de vodka. Para recriar a situação, Depp levantando-se do banco de testemunha e interpretou o momento em que, segundo ele, Heard pegou outra garrafa para atirar em sua direção. “Minha mão estava na beirada do bar e ela jogou a garrafa grande, que quebrou em todos os lugares, e eu honestamente não senti a dor”. Mas disse que sentiu pingar sangue e “olhei para baixo e percebi que a ponta do meu dedo havia sido cortada. Eu estava olhando diretamente para o meu osso saindo e a parte carnuda do interior do dedo, e o sangue estava saindo.” Depp afirmou que ao ver o dedo transformado numa espécie de vulcão “Vesúvio” entrou em “uma espécie de colapso nervoso” e começou a escrever nas paredes com seu próprio sangue. Ele não disse o que estava escrito, citando apenas que eram “pequenos lembretes do nosso passado, que representavam mentiras que ela me contou e mentiras nas quais eu a peguei”. Os advogados de Heard disseram que pretendem provar que o corte de Depp foi auto-infligido durante um surto, seguido por coisas horríveis escritas com sangue nas paredes. Depp trocou a palavra “surto” por “colapso”, ao explicar porque não conseguia se lembrar do que fez em seguida. Ele relatou que foi ao pronto-socorro, mas disse a seu médico particular que havia esmagado o dedo em portas sanfonadas. O motivo, de acordo com sua explicação, foi para “manter as coisas o mais compactas possível”. Aos jurados foram mostradas fotos gráficas de sua lesão, bem como uma foto do rosto de Depp com uma marca, que ele afirmou ser resultado de uma agressão de Heard com o cigarro em sua bochecha. Depp disse que fez uma cirurgia para reconstruir o dedo por meio de um enxerto de pele de outra parte da mão. Ele explicou que usou um curativo durante o resto da produção de “Piratas do Caribe: Vingança de Salazar”, escondido no filme por meio de efeitos especiais. O ator também relembrou a ocasião em que encontrou cocô na cama, após uma briga com a então esposa. “Minha reação inicial foi rir. Era uma coisa tão bizarra e tão grotesca que eu só conseguia rir”, começou ele. “Ela tentou culpar os cachorros. Eles são yorkshires pequenos e pesam cerca de 4 kg cada. Eu vivi com aqueles cachorros. Eu peguei o cocô deles. Não foram os cachorros”, acusou. E seguiu descrevendo a esposa como alucinada e agressiva, alguém que sempre o atacava com “violência”. “Em sua frustração e raiva, ela sempre atacava”, ele testemunhou. “Podia começar com um tapa, podia começar com um empurrão, podia começar com um controle remoto da TV na minha cabeça. Poderia começar jogando uma taça de vinho na minha cara. Em suma, foi constante.” O júri provavelmente ouvirá uma versão radicalmente oposta durante o testemunho de Heard. Mas uma prévia dos embates de versões já pôde ser antevista após o final do depoimento espontâneo do ator, quando o advogado da atriz começou a questioná-lo. De imediato, Depp precisou admitir para o júri que o artigo em que baseou seu processo não cita seu nome e que assinou uma declaração em 2016, afirmando que “nenhuma das partes fez falsas acusações” após iniciar o divórcio. Esta declaração foi uma condição exigida por Heard para tirar da Justiça uma medida de restrição contra o ator, após ela indicar a um juiz ter sido vítima de violência doméstica. Ao pedir o divórcio, Heard obteve uma ordem de restrição temporária, alegando que Depp a agrediu depois de uma discussão em que estava bêbado em seu apartamento em Los Angeles. A denúncia diz que ele “começou a ficar obcecado por algo que não era verdade” e “ficou extremamente irritado”, jogando um telefone em Heard, atingindo sua bochecha e olho “com extrema força”. Uma declaração separada de uma amiga de Heard que testemunhou a cena, Raquel Pennington, apoiou a versão de Heard, incluindo uma descrição de que Depp balançava uma garrafa de vinho “como um taco de beisebol”. “Fui aconselhado por meus advogados a não lutar contra isso”, Depp explicou, tentando justificar o motivo de não ter contestado as acusações de abuso de Heard na época, preferindo esperar quase três anos para processá-la por insinuações a este respeito num editorial do Washington Post que não cita seu nome. A parte mais importante do julgamento por difamação é provar que o demandante sofreu danos à sua reputação por uma declaração ou artigo específico. O advogado demonstrou que Heard já tinha feito a acusação anteriormente – e na Justiça – sem ser contestada, e Depp assinou um documento afirmando que a declaração não era falsa. Outro argumento contestado pela defesa foi de que o editorial teria custado ao ator o papel de Jack Sparrow, supostamente extirpado do próximo filme dos “Piratas do Caribe”. O advogado de Heard buscou mostrar que a Disney havia tomado a decisão de não contratar Depp bem antes da publicação do texto, além de lembrar que Depp nem queria fazer o filme. A prova apresentada foi um artigo publicado no jornal britânico Daily Mail, datado de 25 de outubro de 2018, dois meses antes do editorial do Washington Post, que afirmava que Depp estava “fora” da franquia dos piratas. Pressionado pela defesa, Depp confessou a Rottenborn e ao tribunal que ele realmente não tinha ideia se outro filme da franquia seria feito. A Disney não deu nenhum prosseguimento a “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”, após as confusões judiciais do ator. Portanto, não seria possível afirmar que ele “perdeu” o papel num filme que nunca entrou em produção. Os argumentos da defesa avançaram direto sobre as alegações de Depp para abrir o caso, mostrando que elas não se sustentam. Mas o julgamento deve se estender até meados de maio e trazer ainda a versão de Heard sobre os detalhes mais sombrios do relacionamento do ex-casal. Depp vai continuar no banco das testemunhas nesta quinta (21/4). Todo o julgamento está sendo transmitido ao vivo pelo canal americano Court TV, disponível pela internet. Veja abaixo os vídeos do segundo dia de depoimentos do ator.












