Ed Garner (1944-2022)
O surfista Ed Garner, que virou um dos mais famosos figurantes dos filmes da Turma da Praia estrelados por Annette Funicello e Frankie Avalon nos anos 1960, morreu em 5 de março em sua casa em Carmel-by-the-Sea após alguns anos de doença, informou sua esposa, Kelly Green Garner, neste sábado (19/3). Ele tinha 77 anos. Garner foi “descoberto” pelo estúdio AIP (American International Pictures) surfando em Malibu na véspera de sua formatura na Beverly Hills High School. Um olheiro conseguiu para ele um papel de surfista em “A Praia dos Amores” (Beach Party, 1963), a comédia romântica de Funicello e Avalon que deu início ao subgênero dos filmes de praia, surfe e biquinis. A decisão de contratar o adolescente também levou em conta sua família com conexões hollywoodianas. Seu avô era H.B. Warner, um dos atores favoritos do diretor Frank Capra, que apareceu em diversos clássicos como “O Galante Mr. Deeds” (1936), “A Mulher Faz o Homem” (1939) e “A Felicidade Não se Compra” (1943), além de ter vivido a si mesmo na obra-prima “Crepúsculo dos Deuses” (1950), de Billy Wilder. Além de servir como figurante, Garner foi responsável por trazer alguns de seus amigos surfistas para preencher o elenco de apoio, a pedido do diretor William Asher, que queria que maior autenticidade na produção. As cenas de surfe reais do filme foram feitas por Garner e seus amigos, enquanto Frankie Avalon nunca nem sequer pisou na água para registrar suas proezas como surfista campeão. O sucesso de “A Praia dos Amores” gerou várias sequências e Garner apareceu em todas. Assinando contrato de exclusividade com o estúdio, o surfista participou de mais quatro produções oficiais da franquia, “Quanto Mais Músculos Melhor” (1964), “A Praia dos Biquínis” (1964), “Folias na Praia” (1964) e “Como Rechear um Biquini” (1965), além de outras comédias derivadas do gênero produzidas pela AIP, como “Ele, Ela e o Pijama” (1964), estrelada por Annette, “Festa no Gelo” (1965), estrelado por Frankie, “Fantasma de Biquini” (1966) e o especial televisivo “O Estranho Mundo Selvagem do Dr. Goldfoot”, ambos estrelados por Tommy Kirk, e “Bola de Fogo 500” (1966), novamente com Frankie e Annette. Durante este período, a United Artists chegou a procurar a AIP para contar com o surfista em uma de suas próprias produções de praia, “Juventude Desenfreada” (1964). Mas apesar de render dezenas de filmes e até hits de rock, o subgênero das comédias de praia durou apenas três anos no cinema, substituído por filmes psicodélicos a partir de 1967 – inclusive, na própria AIP. Garner ainda apareceu num episódio de 1972 de “The Doris Day Show” antes de sumir das telas. Sua curta, mas intensa experiência em Hollywood foi resgatada no livro “Hollywood Surf and Beach Movies: The First Wave, 1959-1969”, de Tom Lisanti. Em entrevista para o autor, Garner assumiu que nunca se considerou um ator como o avô. “Para mim, foi apenas um grande show, uma possibilidade de ganhar muito dinheiro e basicamente ser introduzido a um estilo de vida totalmente diferente”, disse Garner. “Passei de aprendiz de carpinteiro e surfista para fazer filmes e namorar em um círculo totalmente diferente. Eu estava tendo o melhor momento da minha vida”. Após deixar as praias de Hollywood, ele abriu um restaurante (Head of the Wolf) em Santa Barbara e lançou uma cadeia de lojas de surf wear (Camp Santa Barbara). Ele e sua esposa se mudaram para Carmel-by-the-Sea em 2009, quando ele começou a ter problemas de saúde.
William Hurt (1950–2022)
William Hurt, vencedor do Oscar de Melhor Ator por “O Beijo da Mulher-Aranha” (1985), morreu de causas naturais neste domingo (13/3), aos 71 anos. O ator foi diagnosticado com um câncer de próstata em 2018 e continuou trabalhando enquanto fazia o tratamento. Muito reservado na vida pessoal, ele foi casado por três vezes e teve quatro filhos. O Oscar de “O Beijo da Mulher-Aranha” foi o primeiro entregue pela Academia para celebrar um personagem abertamente gay. No filme rodado em São Paulo por Hector Babenco e com Sônia Braga no elenco, Hurt viveu um prisioneiro gay alienado que se apaixonava por um militante político (Raul Julia) encarcerado pela ditadura militar brasileira. “O Beijo da Mulher-Aranha” também lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes. Ele ainda era um ator em início de carreira quando recebeu essas consagrações, tendo estreado cinco anos antes como protagonista de “Viagens Alucinantes” (1980), de Ken Russell. Hurt não demorou a se firmar em Hollywood, destacando-se em seguida em dois filmes cultuados do diretor Lawrence Kasdan: “Corpos Ardentes” (1981) e “O Reencontro” (1983). E se tornou um dos atores mais respeitados dos anos 1980 com mais duas indicações ao Oscar naquela década: por “Filhos do Silêncio” (1986) e “Nos Bastidores da Notícia” (1987). Ainda voltou a disputar o Oscar duas décadas mais tarde por “Marcas da Violência” (2005). Mas ultimamente era mais visto em pequenos papéis. A lista inclui filmes importantes, desde “Na Natureza Selvagem” (2007) até os blockbusters da Marvel. Seu desempenho como o general Thaddeus “Thunderbolt” Ross em “O Incrível Hulk” (2008) acabou lhe rendendo aparições em mais quatro filmes do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel, na sigla em inglês): “Capitão América: Guerra Civil” (2016), “Vingadores: Guerra Infinita” (2018), “Vingadores: Ultimato” (2019) e “Viúva Negra” (2021), com seu personagem promovido a Secretário de Estado. Além de filmes de sucesso, ele também estrelou séries como “Duna” (em 2000), “Damages” (2009), “Humans” (2015), “Beowulf: Return to the Shieldlands” (2016), “Condor” (2018-2020) e “Goliath” (2016-2021). Ele deixou dois trabalhos póstumos finalizados: o filme “The Fence” e a dublagem da série animada “Pantheon”, do canal pago americano AMC. Veja abaixo o registro de sua vitória no Oscar, em que ele homenageia o Brasil com a palavra que mais se adequa ao momento: “Saudade”.
Johnny Brown (1937–2022)
O ator Johnny Brown, estrela da série clássica “Good Times”, morreu aos 84 anos. A causa de morte não foi informada por sua família, que anunciou sua morte na quarta (2/3) no Instagram. Brown teve uma carreira multifacetada. Ele gravou músicas e tocou em uma banda, apareceu na Broadway e foi comediante televisivo. Criado no Harlem, em Nova York, ele venceu uma competição de talentos no Teatro Apollo e passou a integrar um grupo de entretenimento de um nightlub com sua futura esposa June e o sapateador Gregory Hines. E foi assim que acabou chamando atenção de Sammy Davis Jr., que o convidou a participar do musical “Golden Boy” em 1964 na Broadway. Assumindo o papel de mentor, Sammy Davis Jr. também o levou a Hollywood, incluindo-o em seu filme “Um Homem Chamado Adam” (1966) como um pianista cego. Ele também atuou na comédia clássica “Forasteiros em Nova Iorque” (1970), dirigida por Arthur Hiller, escrita por Neil Simon e estrelada por Jack Lemmon. O filme demonstrou seu talento cômico e lhe abriu as portas para integrar o elenco de “Laugh In”, programa pioneiro de esquetes dos EUA – e novamente com indicação de Davis Jr. Depois de três temporadas criando personagens em “Laugh In”, o produtor do programa, Allan Manings, resolveu incluir Brown em outra de suas atrações: “Good Times”. O ator entrou no meio da 2ª temporada, exibida em 1975, e rapidamente se tornou um dos favoritos do público. Uma das primeiras séries de elenco exclusivamente negro, “Good Times” (1974–1979) acompanhava o cotidiano de uma família de classe baixa numa região pobre de Chicago. Brown viveu Nathan Bookman, o zelador indolente do projeto habitacional em que vivia a família Evans. Depois do fim da produção, ele seguiu aparecendo em várias séries populares até 2007, quando fez sua última participação especial num episódio de “Todo Mundo Odeia o Cris”.
Mitchell Ryan (1934–2022)
O ator Mitchell Ryan, que estrelou “Dark Shadows”, “Máquina Mortífera” e “Dharma & Greg”, morreu na sexta-feira (4/3) de insuficiência cardíaca congestiva em sua casa em Los Angeles. Ele tinha 88 anos. Ryan estreou nas telas em 1958, no filme noir “A Lei da Montanha”, estrelado por Robert Mitchum, e participou de vários episódios de séries antes de ser contratado para a famosa novela gótica “Dark Shadows” em 1966, no papel de Burke Devlin, um ex-presidiário que retornava a Collinsport em busca de vingança. Nos anos 1970, estrelou vários filmes de ação, incluindo “Um Homem Dificil de Matar” (1970) com Lee Marvin, “Caçada Sádica” (1971) com Gene Hackman, “Cavalgando com a Morte” (1972) com James Coburn, “A Polícia da Estrada” (1973) com Robert Blake, “Os Amigos de Eddie Coyle” (1973) com Robert Mitchum e dois clássicos de Clint Eastwood: “O Estranho sem Nome” (1973) e “Magnum 44” (1973). Marcado por papéis de policial – especialmente o que odiava hippies em “A Polícia da Estrada” – ele evoluiu para vilões assumidos nos anos seguintes, como o líder de uma seita em “Halloween 6: A Última Vingança” (1995) e o general traficante que explodia em seu carro no primeiro “Máquina Mortífera” (1987). O ator também fez quase uma centena de participações em séries, chegando a estrelar algumas produções de curta duração, vivendo, entre outros, o papel-título da série policial “Chase” (1973-74), o presidente de uma corporação no drama “Executive Suite” (1976–77) e um obstetra na atração médica “Having Babies” (1978–79). Mas só foi encontrar sucesso televisivo num gênero que pouco explorou na carreira: a comédia. Ele apareceu em todos os 119 episódios de “Dharma & Greg” como Edward Montgomery, o pai de Greg (Thomas Gibson) e sogro de Dharma (Jenna Elfman), que aprende a tolerar o fato de seu filho advogado ter se casado com uma instrutora de ioga de espírito livre. Com cinco temporadas exibidas de 1997 a 2002, a série foi o último êxito de sua carreira.
Tim Considine (1940-2022)
O ator Tim Considine, um dos astros mirins mais populares da Disney nos anos 1950, morreu na quinta-feira (3/3) em sua casa em Los Angeles aos 81 anos. Filho de John W. Considine Jr., produtor de filmes de sucesso como “Com os Braços Abertos” (1938) e “O Jovem Thomas Edison” (1940), e irmão mais novo do também ator John Considine (“O Cadillac Azul”), Tim iniciou a carreira em Hollywood aos 11 anos, interpretando o filho do comediante Red Skelton em “O Palhaço” (1953). Depois de pequenos papéis em outros filmes e séries, ele emendou três atrações televisivas do Clube do Mickey, “The Adventures of Spin and Marty” (1955), “The Hardy Boys” (1956-57) e “Annette” (1958), ao lado de Annette Funicello. E culminou sua trajetória na Disney com um grande sucesso cinematográfico: “Felpudo, o Cão Feiticeiro” (The Shaggy Dog), produção infantil de 1959 estrelada por Fred MacMurray que iniciou uma franquia. Mas apesar da popularidade do filme, ele permaneceu na TV, vindo em seguida a estrelar seu papel mais conhecido: Mike Douglas, o filho mais velho de “Meus 3 Filhos”. Na série de 1960, ele voltou a trabalhar com MacMurray, que tinha o papel principal como o pai viúvo de três meninos. Mas após cinco temporadas, o jovem resolveu abandonar a atração. Seu personagem se casou na trama e foi viver sua própria vida, enquanto a produção seguiu em frente, durando ao todo 12 anos! A vida de ator adulto, porém, não foi o que Considine esperava. Apesar das muitas participações em episódios de séries dos anos 1960, seu único papel proeminente após “Meus 3 Filhos” foi uma aparição brevíssima, ainda que importante, no filme “Patton”. Ele encenou a cena mais memorável do longa vencedor do Oscar de 1971, como o soldado “em estado de choque” que leva um tapa na cara do general do título, vivido por George C. Scott. Considine acabou afastando-se da atuação nas décadas seguintes, dedicando-se a escrever livros sobre fotografia, esportes e automóveis. Mesmo distante, ele não foi esquecido pela Disney, que em 2000 o convidou a participar de um remake televisivo de “The Adventures of Spin and Marty”, chamado de “As Novas Aventuras de Spin e Marty”, no papel do prefeito da cidade.
Alan Ladd Jr. (1937–2022)
O produtor vencedor do Oscar Alan Ladd Jr. morreu nesta quarta-feira (2/3) aos 84 anos. Filho do lendário Alan Ladd, ator de clássicos dos anos 1940 e 1950 como “Alma Torturada” e “Os Brutos Também Amam”, o produtor foi um dos executivos mais influentes de Hollywood, responsável por lançar “Star Wars” e vários blockbusters que ganham continuações até hoje. Ladd Jr. raramente falava de seu pai, que morreu de aparente suicídio aos 50 anos, e foi criado por sua mãe longe de Hollywood. Seu primeiro emprego foi na imobiliária de seu padrasto. Mas sempre foi cinéfilo e, numa viagem a Londres, encontrou abertura para investir em produções independentes, lançado filmes britânicos no começo dos anos 1970: “O Preço de Amar”, “O Vilão”, “Amantes Infieis” e “Os que Chegam com a Noite”, estrelado por Marlon Brando, que fez sucesso nos EUA e o levou a Los Angeles. Em 1973, ele ingressou na 20th Century Fox como vice-presidente de produção, chegando a chefe de produção em 1974 e a presidente do estúdio em 1976. Embora a ascensão tenha sido rápida, ela se deu por meio de escolhas decisivas para a empresa, como o investimento em projetos controversos como “A Profecia”, “O Jovem Frankenstein”, “A Última Loucura de Mel Brooks” e “Guerra nas Estrelas”. Só este último filme rendeu US$ 500 milhões em seu lançamento, uma quantia nunca antes vista, fazendo com que, em cinco anos, Ladd quadruplicasse a receita e os lucros líquidos da Fox – de 1974 até sua saída em 1979. O detalhe é que ele foi considerado louco por bancar a visão do cineasta George Lucas. Ladd precisou colocar subalternos em seus lugares e contrariar o mercado cinematográfico inteiro para aprovar a produção de “Guerra nas Estrelas”, que, com orçamento de US$ 10 milhões, tinha sido recusado por todos os outros estúdios por ser considerado caro demais para valer o risco. A História mostrou quem tinha razão. O lançamento do filme em 1977 criou a era dos blockbusters modernos e dividiu o cinema em antes e depois de “Star Wars”. O Instagram oficial da Lucasfilm reconheceu a importância do produtor para a franquia numa homenagem póstuma, destacando que o “amigo querido” “ficou do lado de George [Lucas] naqueles dias iniciais, e seu impacto em ‘Star Wars’ não pode ser subestimado”. Carinhosamente conhecido na indústria como Laddie, Alan Ladd Jr. era respeitado por muitos e desdenhado por outros ao utilizar seu gosto como fator para fechar contratos, investir em projetos visionários e manter um perfil discreto e cordial em meio às suas conquistas, o que o distinguia do estilo extravagante, falastrão e processado por assédio que se tornou padrão em Hollywood nos últimos anos. Ele chegou a surpreender a indústria ao abandonar seu emprego de US$ 2 milhões por ano como chefe da 20th Century Fox porque sua equipe não estava sendo compensada o suficiente pelo sucesso de blockbusters como “Star Wars” e “Alien”. Poucos lembram, mas “Alien” também foi uma batalha pessoal de Ladd, que entendeu a importância de transformar Ripley (personagem masculino no roteiro original) em mulher, atendendo uma mudança solicitada pelo diretor Ridley Scott. Interpretada por Sigourney Weaver, a personagem foi a primeira heroína de ação moderna, inovando os blockbusters americanos. Após sair da Fox, o estúdio afundou com vários fracassos consecutivos, só voltando a se recuperar no final dos anos 1980. Já Ladd fundou sua própria produtora, a Ladd Co., que se tornou pioneira das produtoras “boutique”, empresas de cinema que atuam de forma independente, mas em aliança contratual com grandes estúdios – em seu caso, em parceria com a Warner Bros. Entre os diversos lançamentos históricos da Ladd Co., encontram-se filmes como “Corpos Ardentes”, “Era uma vez na América”, “Os Eleitos”, “Blade Runner”, “Loucademia de Polícia” e “Carruagens de Fogo”, que surpreendeu expectativas ao vencer o Oscar de Melhor Filme em 1981. Mas muitos de seus filmes de prestígio acabaram dando prejuízo. Hoje cultuadíssimo, “Blade Runner” de Ridley Scott foi um fracasso caríssimo em 1982. Isso fez com que ele voltasse aos grandes estúdios em meados dos anos 1980, virando presidente da MGM, por onde lançou “Feitiço da Lua”, que rendeu o Oscar para Cher, “Um Peixe Chamado Wanda” e “Rain Man”, vencedor do Oscar em 1989. Mas Ladd não ficou muito tempo à frente da MGM, saindo antes de conquistar o Oscar por “Rain Man”, quando o estúdio foi vendido. Em nova incursão independente, o produtor mostrou que continuava atento às novas tendências, lançando o hit “Thelma e Louise”, nova parceria com Ridley Scott, que revigorou o cinema de ação feminista em 1991 e o ajudou a reformar a Ladd Co, por onde produziu “Coração Valente”, épico estrelado e dirigido por Mel Gibson, que venceu o Oscar em 1996. Ladd se aposentou com o lançamento de “Medo da Verdade” em 2007, suspense que inaugurou a carreira de Ben Affleck como diretor. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Industrial Light & Magic (@ilmvfx)
Farrah Forke (1968–2022)
A atriz Farrah Forke, que co-estrelou a série de comédia “Wings”, morreu de câncer em 25 de fevereiro em sua casa no Texas, confirmou um amigo da família à revista Variety. Ela tinha 54 anos. Ela apareceu em três temporadas de “Wings” (exibida na TV aberta brasileira como “De Pernas pro Ar”), que foi exibida na rede americana NBC de 1990 a 1997. A atriz interpretou a piloto de helicóptero (e veterana da primeira Guerra do Iraque) Alex Lambert, que viveu um triângulo amoroso com Joe (Tim Daly) e Brian Hackett (Steven Weber). Forke também teve um papel recorrente como a advogada Mayson Drake na 2ª temporada de “Lois & Clark: As Novas Aventuras de Superman”, além de ter aparecido em três capítulos de “O Quinteto” (Party of Five), estrelado a série de uma temporada “Mr. Rhodes” e dublado a heroína Grande Barda nas séries animadas “Batman do Futuro” e “Liga da Justiça sem Limites”. Seu currículo cinematográfico ainda inclui pequenas participações em dois filmes famosos: “Assédio Sexual” (1994) de Barry Levinson e “Fogo Contra Fogo” (1995) de Michael Mann. Ela se afastou da atuação em 2005 ao dar a luz a dois filhos gêmeos, passando a se dedicar ao papel de mãe solteira em tempo integral.
Veronica Carlson (1944–2022)
A atriz inglesa Veronica Carlson, que estrelou clássicos de terror da Hammer, morreu no domingo (27/2) de causas naturais na Carolina do Sul, EUA. Ela estreou no cinema em 1967 como figurante na sátira de 007 “Cassino Royale” e na comédia musical “As Psicodélicas”, antes de ganhar seu primeiro papel de destaque num terror da Hammer, como vítima preferencial do vampiro interpretado por Christopher Lee em “Drácula, o Perfil do Diabo” (1968). Carlson nunca escondeu que foi sua beleza que lhe rendeu seu primeiro grande papel. “Um tabloide publicou uma foto em que eu saia da praia em um biquíni branco e [o executivo da Hammer] Jimmy Carreras viu aquela fotografia e disse que me queria em seu próximo filme. Então, fiz um teste e acabei nos braços de Drácula”, contou numa entrevista de 2014. A atriz também coestrelou dois filmes de Frankenstein da Hammer, contracenando com Peter Cushing em “Frankenstein Tem que Ser Destruído” (1969) e com Alan Bates em “O Horror de Frankenstein” (1970). A cena com Cushing era pesadíssima: um estupro. Mas, na mesma entrevista de 2014, ela contou que o ator a ajudou a passar sem traumas pela experiência daquela “cena que foi jogada no filme”. “Trabalhamos juntos e resolvemos os problemas da melhor forma possível”. Os dois atores voltaram a se encontrar em “O Carniçal” (1975) e ela ainda estrelou uma paródia de Drácula em 1974, chamada “Vampira”, antes de se afastar temporariamente do cinema para se dedicar à carreira de artista plástica, na qual foi muito bem-sucedida. Nos últimos anos, aceitou voltar a atuar para participar de filmes-tributos, como “House of the Gorgon”, lançado em 2019 com vários atores antigos da Hammer.
Ralph Ahn (1926–2022)
O ator Ralph Ahn, conhecido por sua atuação na série “New Girl”, morreu aos 95 anos. A informação foi confirmada pela Federação Coreano-Americana de Los Angeles, mas a causa da morte não foi revelada. Ahn iniciou a carreira nos anos 1950 com figurações em filmes sobre a Guerra da Coreia, como “Campo de Batalha” (1953), “Sob o Céu da Coreia” (1953) e “Atrás da Cortina de Bambu” (1954). Cansado desse tipo de papel, resolveu parar de lutar na Coreia hollywoodiana em “Sede de Vingança” (1963), preferindo dedicar-se ao ofício de professor de matemática e técnico de futebol em uma escola na Califórnia. Após o Vietnã substituir a Coreia nos filmes de guerra americanos, ele decidiu retomar a atuação, o que aconteceu em 1988 na comédia “Uma Questão de Escolha”. A partir daí, emendou várias participações em filmes e séries, sem novos intervalos. Ele apareceu em séries como “Super Gatas”, “Plantão Médico/E.R”, “Suddenly Susan”, “O Rei do Queens”, “Gilmore Girls” e muitas mais. Seu papel mais marcante foi justamente o último. Em “New Girl”, ele interpretou Tran, personagem que simbolizava uma figura paterna para Nick Miller (Jake Johnson). Mas apesar do status de recorrente, o ator apareceu em apenas sete episódios bastante espaçados da trama, entre 2012 e 2018, e tinha pouquíssimas falas. Em seu perfil no Instagram, o ator Jake Johnson prestou uma homenagem a Ralph Ahn. “Descanse em paz. Foi sempre algo bastante divertido trabalhar com ele, que fez tanta coisa com literalmente nenhuma fala. Amava quando ele estava no set e sempre esperei poder trabalhar com ele de novo”, escreveu. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por jake johnson (@mrjakejohnson)
Ned Eisenberg (1957–2022)
O ator Ned Eisenberg, que marcou presença na franquia “Law & Order” e mais recentemente em “Mare of Easttown”, faleceu no domingo (27/2) aos 65 anos, vítima de câncer. “Como o próprio Ned diria, ele foi atacado por dois assassinos muito raros – colangiocarcinoma e melanoma ocular. Ao longo de dois anos, ele enfrentou os cânceres bravamente e em particular, enquanto continuava a trabalhar para garantir que pudesse pagar sua cobertura médica e a da sua família”, disse sua esposa ao site TMZ. Eisenberg fez sua estreia nas telas em 1980, no filme trash “O Exterminador”, e se manteve em várias produções B de terror e ação até começar a aparecer na TV – a partir de participações em “Miami Vice” em 1985, chegando a interpretar três vilões da semana diferentes na série. Seu primeiro papel fixo foi na sitcom “The Fanelly Boys”, que durou só uma temporada em 1990. Seu ingresso em “Law & Order” aconteceu no final da década, interpretando o advogado de defesa James Granick de forma recorrente, em episódios exibidos entre 1997 e 2009. Curiosamente, no meio dessa repetição de personagem, ele começou também a aparecer no derivado “Law & Order: SVU” em papéis diferentes. Primeiro, foram dois personagens aleatórios, mas logo ele se estabeleceu como outro advogado de defesa da franquia, Roger Kressler, mantendo-se em aparições constantes no spin-off de 2001 a 2019. Ele voltou aos cinemas em um punhado de filmes bem-sucedidos dos anos 2000, incluindo dois dramas dirigidos por Clint Eastwood: “Menina de Ouro” (2004) e “A Conquista da Honra” (2006). Na década atual, também fez parte de “Little Voice”, série da Apple TV+, viveu um vilão de “Blacklist”, interpretou o Detetive Hauser em “Mare of Easttown” e o agente Lou Rabinowitz em “Maravilhosa Sra. Maisel”.
José Carlos Sanches (1954-2022)
O ator José Carlos Sanches foi encontrado morto na noite de sexta-feira (25/2) em um apartamento em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, ele foi encontrado em estado de putrefação e teria morrido há quatro dias. Sanches tinha 67 anos. “O corpo da vítima foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) e os agentes estão levantando informações para esclarecer os fatos”, informou a assessoria da polícia. Um inquérito foi instaurado e o caso é investigado pela 12ª DP. José Carlos Sanches começou a carreira no final dos anos 1970, durante a explosão da pornochanchada. Fez vários filmes do gênero, entre 1978 e 1983, mas acabou mudando de ramo ao virar galã da Globo. A transição começou com uma participação em “Água Viva” (1980), e se consolidou com escalações no elenco de “Amor com Amor Se Paga” (1884), a primeira versão de “Ti Ti Ti” (1985) e a minissérie “Anos Dourados” (1986). Ele também se destacou em “Que Rei Sou Eu?” (1989), “Por Amor” (1997), “Senhora do Destino” (2004) e em muitas outras novelas. Seu último papel televisivo foi ao ar na série “Afinal, o Que Querem as Mulheres?” (2010), da Globo. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por José Carlos Sanches (@j.c.sanches)
Sally Kellerman (1937–2022)
A atriz Sally Kellerman, que marcou época ao estrelar o filme “MASH”, de Robert Altman, morreu nesta quinta (25/2) de complicações de demência em uma instituição de vida assistida em Woodland Hills, Califórnia. Ela tinha 84 anos. Kellerman estreou no cinema em 1957 no cultuado drama de menores infratoras “Reform School Girl” e passou a maior parte da década de 1960 fazendo participações em séries na televisão. Acabou se especializando em produções de sci-fi como “Além da Imaginação” (The Twilight Zone), “Quinta Dimensão” (The Outer Limits), “Os Invasores” (The Invaders) e entrou para a História da TV no piloto aprovado de “Jornada nas Estrelas” (Star Trek), no qual interpretou a médica Dra. Elizabeth Dehner, antes da chegada do Dr. McCoy na Enterprise. Ela começou a se destacar como sobrevivente do ataque do serial killer (Tony Curtis) de “O Homem Que Odiava as Mulheres” (1968). Mas o filme que a deixou em evidência foi mesmo “MASH” (1970), comédia de humor ácido sobre uma unidade médica do exército americano durante a Guerra da Coreia. Pelo papel da chefe das enfermeiras, apelidada de “Lábios Quentes” (Hot Lips) pelo batalhão, Kellerman foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Depois de “MASH”, ela esteve em três outros filmes de Robert Altman: “Voar é com os Pássaros” (1970), “O Jogador” (1992) e “Prêt-à-Porter” (1994). E ainda participou do musical “Horizonte Perdido” (1973), da comédia “De Volta às Aulas” (1986), dos romances “Escrito nas Estrelas” (1993) e “A Última Festa” (1996), e da adaptação live-action de desenho animado “Se Falhar, Morre” (1992), em que interpretou Natasha Fatale, inimiga icônica de Alceu e Dentinho. Nos últimos anos, teve papel recorrente em duas séries: “Maron” (2013-2016), como a mãe do comediante Marc Maron, e “Decker” (2014-2017), como a Primeira Dama dos EUA. Além de atuar, a atriz gravou dois álbuns de música e contribuiu com as trilhas sonoras de “Voar é com os Pássaros”, “Horizonte Perdido”, Rafferty and the Gold Dust Twins (1975) e “Se Falhar, Morre”. Sua voz esfumaçada e sensual também lhe rendeu uma carreira em narrações de comerciais. Em sua vida pessoal, Kellerman foi casada de 1970 a 1972 com o roteirista-diretor Rick Edelstein (da série “Justiça em Dobro”/Starsky & Hutch) e com o produtor Jonathan D. Krane (“Olha Quem Está Falando”) de 1980 até a morte dele em 2016.
Anna Karen (1936–2022)
A atriz inglesa Anna Karen, estrela da série clássica “On the Bus” e da longeva novela “EastEnders”, morreu na noite de terça (22/2) aos 85 anos, num incêndio de sua casa em Londres, na Inglaterra. Três caminhões do corpo de bombeiros foram acionados, com cerca de 20 homens, para conter o incêndio, mas a atriz não resistiu aos ferimentos. As causas do incêndio ainda estão sendo investigadas pelas autoridades britânicas, mas os estudos preliminares sugerem que a tragédia não foi um ato criminoso. Os vizinhos relataram à imprensa britânica que acionaram os bombeiros após perceberem uma grande quantidade de fumaça na porta da casa da atriz. “Eu a conhecia de ‘EastEnders’, era como ter uma celebridade morando na rua, ela era uma velhinha adorável e sempre falava com todos”, declarou um morador. Shane Collins, agente da atriz, emitiu um comunicado lamentando a morte da artista após ter vencido um problema no quadril que a afastou da televisão. “É uma notícia muito triste. Anna era uma grande senhora e uma pessoa muito legal. Ela era uma cliente fantástica para cuidar. Eu não posso expressar o quanto eu gostava dela. Ela passou por um momento difícil depois que quebrou o quadril alguns anos atrás, mas voltou a trabalhar novamente e apareceu em ‘EastEnders'”, disse. Anna Karen nasceu na África do Sul e começou a atuar aos 15 anos. Em seus primeiros longas, trabalhou com Judi Dench em “He Who Rides a Tiger” (1965), Terence Stamp em “A Lágrima Secreta” (1967) e Christopher Plummer em “As Virgens Impacientes” (1969). Em 1969, entrou no elenco do fenômeno televisivo “On the Bus”. A série sobre os funcionários de uma companhia de ônibus durou sete temporadas, até 1973, e ainda rendeu três filmes com todos os atores da atração. O papel de Karen, Olive Rudge, era irmã do protagonista Stan (Reg Varney) e esposa do machista Arthur (Michael Robbins). Caracterizada com óculos de lentes grossas, ela se livra do destino de ser dona de casa mal-amada no final da série, ao se divorciar e arranjar emprego como motorista da empresa de ônibus, fazendo sua própria revolução feminista. A atriz também integrou a popular franquia britânica de comédias “carry on”, estrelando “Fuzarca no Camping” (1969) e a sequência, “Carry on Loving” (1970), antes de iniciar sua passagem por uma sucessão de séries. Seu último longa relevante foi “Delicada Atração” (1996), que foi premiado na Mostra de São Paulo. No mesmo ano, Karen apareceu pela primeira vez na novela “EastEnders”, trabalho que se estendeu, de forma intermitente, até 2017, quando se despediu das telas.












