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Divulgação/Pathé

Etc,  Filme|13 de abril de 2022

Michel Bouquet (1925–2022)

O renomado ator Michel Bouquet, estrela de primeira grandeza do cinema e do teatro francês, com mais de 100 filmes no currículo, faleceu na quarta-feira (13/4) em um hospital de Paris, aos 96 anos. A causa da morte não foi revelada.

Com status de gigante das artes, sua morte foi lamentada pelo presidente da França Emmanuel Macron. “Durante sete décadas, Michel Bouquet levou o teatro e o cinema ao mais alto grau de incandescência e verdade, mostrando o homem em todas as suas contradições, com uma intensidade que queimou os palcos e arrebentou a tela”, disse o líder francês em comunicado.

A longa carreira começou em 1947, empregado como figurante em seus primeiros filmes. Mas em apenas dois anos ele se tornou coadjuvante importante, aparecendo em clássicos como “Anjo Perverso”, do mestre Henri-Georges Clouzot, e “Mulher Cobiçada”, de Jean Grémillon, ambos de 1949.

Com uma filmografia repleta de títulos icônicos do cinema francês, Bouquet passou a ter presença constante na tela durante a era da nouvelle vague, trabalhando com François Truffaut em “A Noiva Estava de Preto” (1968) e “A Sereia do Mississipi” (1969), e iniciando uma longa parceria com Claude Chabrol, que começou em “O Tigre se Perfuma com Dinamite” (1965) e se estendeu por décadas, com “O Espião de Corinto” (1967), “A Mulher Infiel” (1969), “Trágica Separação” (1970), “Ao Anoitecer” (1971) e “Um Tira Amargo” (1985).

Também trabalhou com Jean Delannoy em “As Amizades Particulares” (1964), com Jacques Deray no sucesso “Borsalino” (1970), que juntou pela primeira vez os astros Jean-Paul Belmondo e Alain Delon, e em dose dupla com André Cayatte, nos thrillers políticos “Não Há Fumaça sem Fogo” (1973) e “A Razão de Estado” (1978).

Uma de suas interpretações mais famosas foi o papel do inspetor Javert na melhor versão de “Os Miseráveis”, dirigida por Robert Hossein em 1982. Outra produção marcante de sua trajetória, “Todas as Manhãs do Mundo” (1991), de Alain Corneau, venceu o César (o Oscar francês) de Melhor Filme.

Ele próprio venceu o César de Melhor Ator em duas oportunidades: por “Como Matei Meu Pai” (2001), de Anne Fontaine; e “O Último Mitterrand” (2005), de Robert Guédiguian. Além disso, ainda concorreu ao prêmio em 2014 pela atuação como o pintor impressionista do título de “Renoir” (2013), de Gilles Bourdos.

Bouquet também recebeu o troféu de Melhor Ator Europeu, concedido pela Academia Europeia de Cinema por “Um Homem com Duas Vidas” (1991), do belga Jaco Van Dormael – produção que ainda levou o César de Melhor Filme Estrangeiro.

O reconhecimento de seu talento se estendeu aos palcos, com a conquista de dois prêmios Molière, maior honra do teatro francês, pelo trabalho em “Les Côtelettes”, de Bertrand Blier, em 1998, e por “Exit the King”, de Eugène Ionesco, em 2005. Ele ainda recebeu um troféu pelo conjunto de sua obra em 2014.

Ele foi casado com a atriz Ariane Borg (“A Valsa da Neve”), entre 1954 e 1981, e desde o ano seguinte com a também atriz Juliette Carré (“Rebecca”), com quem viveu até a morte.

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