Paulo José (1937-2021)
O ator Paulo José, um dos maiores intérpretes do cinema brasileiro, morreu nesta quarta (11/8) no Rio de Janeiro, aos 84 anos. Ele sofria de Parkinson há mais de duas décadas e estava internado há 20 dias com problemas respiratórios, vindo a falecer em decorrência de uma pneumonia. O gaúcho Paulo José Gómez de Souza nasceu em Lavras do Sul, interior do Rio Grande do Sul, e teve o primeiro contato com o teatro ainda na escola. A carreira decolou quando se mudou para São Paulo e começou a trabalhar no Teatro de Arena. Após estrear nos palcos paulistanos com “Testamento de um Cangaceiro”, em 1961, ele conheceu seu primeiro amor, a atriz Dina Sfat, com quem dividiu várias montagens – e depois filmes e novelas. Os dois se casaram em 1963 e ficaram juntos até 1981. Dos palcos, pulou para as telas, onde rapidamente se estabeleceu como ator requisitado, aparecendo em uma dezena de filmes entre 1966 e 1969, incluindo vários clássicos, antes de ser “revelado” pelas novelas. Seu primeiro trabalho no cinema foi direto como protagonista, compartilhando com Helena Ignez os papéis do título de “O Padre e a Moça” (1966), do mestre Joaquim Pedro de Andrade. Ele voltou a trabalhar com o diretor no clássico absoluto “Macunaíma” (1969), além de ter desenvolvido outra parceria vitoriosa com Domingos de Oliveira, desempenhando o papel principal em “Todas as Mulheres do Mundo” (1966), que recentemente foi adaptado como minissérie pela Globo. Além de voltar a filmar com Oliveira em “Edu, Coração de Ouro” (1967) e posteriormente “A Culpa” (1971), ele também foi “O Homem Nu” (1968), de Roberto Santos, e estrelou os célebres “Bebel, Garota Propaganda” (1968), de Maurice Capovilla, “A Vida Provisória” (1968), de Maurício Gomes Leite, e “As Amorosas” (1968) de Walter Hugo Khouri. Já era, portanto, um ator consagrado quando foi fazer sua primeira novela, “Véu de Noiva” (1969), e praticamente um veterano quando recebeu o Troféu Imprensa de “melhor estreante” por seu desempenho como Samuca na novela “Assim na Terra Como no Céu” (1971). Encarando maratonas de até 250 episódios nas produções da Globo, ele ainda estrelou um dos primeiros spin-offs da TV brasileira, “Shazan, Xerife & Cia.”, em que repetiu seu personagem de “O Primeiro Amor” (1972) ao lado do colega (também recentemente falecido) Flavio Migliaccio. Exibida de 1972 a 1974, a série marcou época nas tardes televisivas. Apesar do sucesso na telinha, Paulo José nunca deixou o cinema de lado. Mas a agenda cheia o tornou especialmente criterioso, o que resultou numa filmografia lotada de clássicos, como “Cassy Jones, o Magnífico Sedutor” (1972), de Luiz Sérgio Person, “O Rei da Noite” (1975), do grande Hector Babenco, “O Homem do Pau-Brasil” (1982), seu reencontro com Joaquim Pedro de Andrade, e a obra-prima “Eles Não Usam Black-Tie” (1982), de Leon Hirszman, sem esquecer de “Dias Melhores Virão” (1989), de Cacá Diegues, e “A Grande Arte” (1991), de Walter Salles, entre muitas outras produções. Tudo isso enquanto ainda fazia novelas – algumas reconhecidamente tão boas quanto filmes, como “O Casarão” (1975) – , telefilmes, minisséries – como “O Tempo e o Vento” (1985), “Engraçadinha… Seus Amores e Seus Pecados” (1995), “Labirinto” (1998) – e participações especiais nos programas da Globo. Além do Jarbas de “O Casarão”, ele marcou a teledramaturgia como o cigano Jairom em “Explode Coração” (1995) e principalmente o alcóolatra Orestes de “Por Amor” (1997). Sua contribuição para a História da Globo não ficou só diante das câmeras. Ele também dirigiu produções do canal, começando com alguns “Casos Especiais” nos anos 1970, telefilmes de “Jorge, um Brasileiro” (1978) e “Vestido de Noiva” (1979), e episódios de “Ciranda Cirandinha” (1978), “O Tempo e o Vento” (1985), etc., até se tornar o diretor principal das minisséries “Agosto” (1993) e “Incidente em Antares” (1994) e ajudar a implantar o programa “Você Decide”. Diagnosticado com Mal de Parkinson ainda nos anos 1990, em vez de diminuir, ele intensificou o trabalho. Começou a filmar com uma nova geração de cineastas estabelecida após a Retomada, como Monique Gardenberg (“Benjamim”, em 2003), Jorge Furtado (desde o curta “Ilha das Flores” até “O Homem que Copiava” e “Saneamento Básico, O Filme”, em 2003 e 2007), o colega Matheus Nachtergaele (“A Festa da Menina Morta”, 2008), a dupla Felipe Hirsch e Daniela Thomas (“Insolação”, 2009), Sergio Machado (“Quincas Berro d’Água”, 2010), André Ristum (“Meu País”, 2011) e Selton Mello (“O Palhaço”, 2011), além de retomar a antiga parceria com Domingos de Oliveira (“Juventude”, em 2008). Sua emocionante despedida da atuação foi como o vovô Benjamin na novela “Em Família” (2014), de Manoel Carlos, onde, como na vida real, seu personagem sofria de Mal de Parkinson. Vencedor de três troféus Candango de Melhor Ator no Festival de Brasília, homenageado com um Oscarito especial pela carreira no Festival de Gramado, o ator deixa quatro filhos e uma obra vasta, que faz parte do patrimônio nacional.
Patricia Hitchcock (1928-2021)
A atriz Patricia “Pat” Hitchcock, filha única de Alfred Hitchcock e Alma Reville, morreu na segunda-feira (9/8) em sua casa em Thousand Oaks, Califórnia (EUA), aos 93 anos. Nascida em Londres em 1928, ela acabou se mudando com a família para Bel Air, em Los Angeles, aos 9 anos, quando Hitchcock foi contratado para dirigir “Rebecca, A Mulher Inesquecível” (1940), que iniciou sua carreira hollywoodiana. Ao virar adolescente, Patricia apareceu em três clássicos do mestre do suspense, “Pavor nos Bastidores” (1950), “Pacto Sinistro” (1951) e “Psicose” (1960), e também foi vista em 10 episódios da série que levava o nome de seu pai, “Alfred Hitchcock Apresenta” (entre 1955 e 1960), “sempre que precisavam de uma empregada com sotaque inglês”, segundo disse ao jornal The Washington Post em 1984. Seu papel mais proeminente foi como Barbara Morton, a irmã mais nova da protagonista vivida por Ruth Roman em “Pacto Sinistro”, que assistia ao personagem de Robert Walker quase estrangular uma mulher até a morte. Em “Psicose”, ela apareceu logo no início do filme como uma colega de escritório que oferece alguns tranquilizantes para Marion Crane, a famosa personagem de Janet Leigh. A maioria de suas aparições foram breves, incluindo em obras de outros diretores como “O Garoto e a Rainha” (1950), de Jean Negulesco, e “Os Dez Mandamentos” (1956), de Cecil B. DeMille, onde apareceu sem nem sequer ser creditada. Depois de “Pacto Sinistro”, só voltou a ganhar papel de coadjuvante nos anos 1970, já no fim da carreira, que foi encerrada em 1978 com o longa “Skateboard”, primeiro roteiro da carreira de Dick Wolf, criador das franquias televisivas “Law & Order”, “Chicago” e “F.B.I.”. Ele foi casada com Joseph Edward O’Connell Jr. de 1952 até a morte dele em 1994 e teve três filhas. A mais nova, Katie Fiala, é uma executiva do estúdio Amblin, de Steven Spielberg.
Don Jones (1937-2021)
O cineasta Don Jones, que assinou vários filmes de terror dos anos 1970 e 1980, morreu nesta terça-feira (10/8) aos 83 anos em sua casa em San Fernando Valley, na Califórnia (EUA). Sem treinamento formal, ele iniciou a carreira cinematográfica trabalhando como técnico de som, cameraman e dublê nos anos 1960. Alternando-se nestas funções, integrou equipes tão diferentes quanto as de “Astro-Zombies” (1968), considerado um dos piores filmes de todos os tempos, e duas obras cultuadas de Jack Nicholson, “A Vingança de um Pistoleiro” (1966) e “Busca Alucinada” (1968). Ele também chegou a assinar os efeitos visuais de “Viagem ao Planeta das Mulheres Selvagens” em 1968, antes de virar diretor dois anos depois, com o suspense “Who Killed Cock Robin?”. A filmografia iniciada em 1970 rendeu ao todo sete filmes, seis deles de terror, com destaque para o trash “Schoolgirls in Chains”, um horror porn sádico e apelativo, que acabou ganhando fama em certos circuitos. Seu filme final, “Molly and the Ghost”, foi lançado em 1991. Nenhum dos longas que dirigiu fez sucesso e nos últimos anos ele enfrentava consequências de um AVC.
Alex Cord (1933–2021)
O ator Alex Cord, que co-estrelou a série clássica dos anos 1980 “Águia de Fogo”, morreu na manhã de segunda-feira (9/8) em sua casa em Valley View, no Texas (EUA), aos 88 anos. Cord lutou contra a poliomielite quando criança e apesar da deficiência se tornou um cavaleiro prolífico, chegando a explorar sua habilidade na montaria em várias séries e filmes de faroeste, desde sua estreia nas telas em “Laramie”, em 1961. Seu primeiro destaque no cinema foi justamente como o cowboy Ringo Kid em “A Última Diligência”, lançado em 1966. Apesar de ter feito participações especiais em dezenas de sucessos televisivos, de “Gunsmoke” à “Ilha da Fantasia”, ele só foi se destacar em 1984, no lançamento de “Águia de Fogo” (Airwolf). A série foi uma das três centradas em helicópteros lançadas naquele ano – refletindo a bilheteria de “Trovão Azul” nos cinemas. Criada por Donald P. Bellisario (que também desenvolveu “Magnum” e “NCIS”), a produção original teve um total de 80 episódios, exibidos ao longo de três temporadas, trazendo Jan-Michael Vincent, Ernest Borgnine e Alex Cord nos papéis principais. O papel de Cord era Michael Coldsmith-Briggs III, codinome “Arcanjo”, comandante de uma divisão especial da CIA chamada de “A Firma”, que construiu o helicóptero Águia de Fogo. Sua principal característica era usar um tapa olho e sempre se vestir de branco. Ele convoca o piloto Stringfellow Hawke, um veterano da Guerra do Vietnã vivido pelo ator Jan-Michael Vincent, para recuperar a aeronave desaparecida na Líbia. O ator continuou a trabalhar em séries após o cancelamento da série na rede CBS – o canal pago USA ainda produziu uma 4ª temporada com outro elenco – , retomando a rotina de ator convidado em produções de sucesso como “Assassinato por Escrito” (Murder, She Wrote), “Carga Dupla” (Simon & Simon) e “Chuck Norris: O Homem da Lei” (Walker, Texas Ranger). Seu último trabalho foi o telefilme “Fire from Below”, lançado em 2009. Lembre abaixo a abertura original da série “Águia de Fogo”.
Markie Post (1950-2021)
A atriz Markie Post, que estrelou as séries clássicas “Duro na Queda” (The Fall Guy) e “Night Court”, morreu no sábado (8/8) aos 70 anos, após uma batalha de quase quatro anos contra um câncer. Ela começou no entretenimento trabalhando nos bastidores de game shows até ganhar crédito de produtora associada em “Double Dare” de Alex Trebek, em 1976, e aparecer diante das câmeras pela primeira vez em “Card Sharks”, em 1978. Depois de surgir como modelo em “Card Sharks”, conseguiu ser chamada para mostrar sua beleza em vários episódios seguidos de séries – “CHiPs”, “Barnaby Jones”, “O Incrível Hulk”, “Buck Rogers” e “Casal 20” para citar só as aparições de 1979. No ano seguinte, entrou no elenco fixo de sua primeira série, “Semi-Tough”, mas não pôde comemorar muito, porque a atração saiu do ar no quinto capítulo, cancelada por baixa audiência. Seguiram-se a minissérie “The Gangster Chronicles”, sobre a era da Lei Seca, e aparições em “O Barco do Amor”, “Ilha da Fantasia” e “Esquadrão Classe A”, preparando caminho para sua estreia em “Duro na Queda”. Ela entrou na 2ª temporada como a fiadora Terri Michaels, que oferece um trabalho para Colt Severs (o personagem de Lee Majors), e ficou na atração por 65 episódios, de 1982 até 1985. Acabou não participando da última temporada da atração porque foi escalada como protagonista de uma produção ainda mais popular. Post estrelou as nove temporadas de “Night Court”, de 1985 a 1992, no papel da defensora pública Christine Sullivan. A longevidade da série, que acompanhava julgamentos num plantão de tribunal noturno, foi consequência de uma audiência fenomenal e consagração crítica, que lhe rendeu sete prêmios Emmy. Após o fim daquela série, ela ainda encaixou mais três temporadas da comédia “Hearts Afire” (1992–1995), ao lado de John Ritter, ficando 13 anos no horário nobre da televisão americana sem interrupções. Mais recentemente, fez ainda aparições de destaque em “Scrubs” como a mãe de Sarah Chalke, e “30 Rock”, interpretando a si mesma, além de ter integrado os elencos de “O Homem da Casa” (Odd Man Out), “Chicago P.D.” e “The Kids Are Alright”. Durante as gravações desta última série, exibida em 2018 e 2019, ela já estava fazendo quimioterapia. Post fez poucos filmes, tendo se destacado na comédia “Quem vai Ficar com Mary” no papel da mãe da personagem-título, vivida por Cameron Diaz. Seu último trabalho foi um telefilme natalino, “Surpresa de Amor no Natal”, exibido pelo canal pago Lifetime no fim de 2019. Seu marido era o roteirista-produtor Michael A. Ross, com quem trabalhou num episódio de “Santa Clarita Diet”, da Netflix, em 2019. Uma das filhas do casal, Kate Armstrong Ross, virou atriz e contracenou com a mãe na série “Rack and Ruin” em 2014.
Jane Withers (1926-2021)
A atriz Jane Withers, que foi uma estrela mirim de Hollywood nos anos 1930, morreu na noite de sábado (7/8) em Burbank, Califórnia, aos 95 anos, cercada por seus entes queridos. Ela começou uma carreira de forma extremamente precoce porque sua mãe estava determinada a transformá-la em estrela do showbusiness. Até seu nome foi escolhido especificamente para caber numa marquise de cinema, de acordo com um depoimento de sua filha, Kendall Errair, em comunicado. “Minha mãe era uma senhora muito especial”, disse Errair, lembrando que ela nunca se sentiu forçada a atuar. Withers “emanava alegria e gratidão ao falar sobre a carreira que tanto amava e como era sortuda”. Com apenas dois anos de idade, a estrelinha começou a ter aulas de sapateado e canto, preparando-se para uma carreira que começou oficialmente um ano depois, após vencer um concurso local que lhe rendeu um papel no programa infantil “Aunt Sally’s Kiddie Revue”. Depois de se mudar de Atlanta para Hollywood, ela figurou em seis filmes até conseguiu virar coadjuvante da lendária Shirley Temple em “Olhos Encantadores” (1934). No ano seguinte, estrelou seu primeiro filme, “A Travessa” (1935), que ela começou a filmar em seu nono aniversário. E emendou com seu primeiro papel num drama adulto, “Amor Singelo”, que também marcou a estreia de Henry Fonda no cinema. Seu sucesso foi tão grande que, no restante da década de 1930, ela apareceu entre três a cinco filmes por ano, incluindo campeões de bilheteria como “Adorável Traquina” e “Pimentinha” (ambos em 1936), e continuou bastante requisitada na adolescência, encontrando os primeiros namorados nas telas em comédias românticas como “Amor de Primavera” (1941) e “Ela Quer Ser Mulher” (1942). Graças à fama, ela se tornou a única estrela mirim a se envolver em todos os aspectos de seus filmes, participando de reuniões de produção, sugerindo diálogos, ajudando a escolher elencos e até negociando diretamente com os estúdios. Nenhuma outra criança conseguiu um contrato de sete anos como ela fechou com a 20th Century Fox. Aos 21 anos, porém, Withers decidiu se aposentar de Hollywood. Apesar de ter sido inovadora nos negócios, provou-se uma conservadora na vida particular, largando o cinema para se casar e virar mãe. Ela se casou duas vezes e teve cinco filhos. Apesar disso, ela não resistiu ao convite para voltar às telas em 1956 e participar do clássico “Assim Caminha a Humanidade”. Último trabalho de James Dean, o filme se tornou um fenômeno e acabou reabrindo as portas de Hollywood para Withers, que desde então participou de várias séries e filmes, retomando a carreira enquanto criava seus filhos, agora como uma mãe moderna dos anos 1950, que trabalhava fora de casa. Em 1960, ela fechou outro contrato milionário, interpretando a personagem Josephine, a Encanadora em comerciais de TV para uma empresa de limpeza, que foram exibidos por anos a fio nos EUA. Withers foi homenageado com uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood naquele mesmo ano, mas continuou ativa até o século 21. Entre seus últimos trabalhos populares destaca-se a dublagem da gárgula Laverne da animação da Disney “O Corcunda de Notre Dame” em 1995 e sua sequência de 2002. Ela também teve atuação destacada em instituições de caridade e, em 2003, recebeu o prêmio Living Legacy do Women’s International Center por sua dedicação à causas beneficentes.
Ministério da Justiça diz que “As Aventuras de Rin Tin Tin” são impróprias para crianças
O Ministério da Justiça do governo Bolsonaro negou à rede SBT um pedido para que a série clássica “As Aventuras de Rin Tin Tin” pudesse ser exibida à tarde. A justificativa é que os 164 episódios da série de 1954, estrelada pelo cão mais famoso da televisão, contém “violência, atos criminosos e drogas lícitas” e, por isso, só podem ser exibidos após as 21 horas, para maiores de 14 anos, de acordo com uma portaria da Coordenação de Política Indicativa. A reclassificação etária da série, que era exibida com Censura Livre às 15h30 durante o auge da ditadura militar no Brasil, foi revelada pela coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo. Na série, Rin Tin Tin é um cachorro da Cavalaria dos Estados Unidos, sediada no Forte Apache. Seu melhor amigo era o cabo Rusty (Lee Aaker, que faleceu neste ano), um menino de 11 anos que perdeu os pais em um ataque dos índios e foi adotado pelo regimento, tornando-se uma espécie de mascote. Durante sua exibição no Brasil, a série fez tanto sucesso que deu origem a um popular brinquedo: o Forte Apache, objeto de desejo de 10 entre 10 meninos da geração baby boomer brasileira. Detalhe: nenhum episódio mostra Rin Tin Tin como cão farejador de drogas contra um cartel perigoso de narcotraficantes.
Saginaw Grant (1936-2021)
O ator nativo-americano Saginaw Grant, que interpretou o chefe da tribo de “O Cavaleiro Solitário”, morreu na quarta-feira (28/7) durante o sono, de causas naturais em uma instituição de saúde privada em Hollywood. Ele tinha 85 anos. Seu primeiro trabalho como ator foi num comercial de carros da Chrysler na década de 1980, que o levou a ser escalado em “A Festa da Guerra” (1988), drama de Franc Roddam sobre a encenação de uma batalha histórica entre índios e a cavalaria americana que termina em briga racial e mortes. Depois de aparecer na série “O Jovem Indiana Jones”, ele passou a integrar o elenco fixo de “Harts of the West”, estrelada por Beau Bridges e seu pai, Lloyd Bridges, entre 1993 e 1994. Curiosamente, ainda interpretou o mesmo Auggie de “Harts of the West” numa participação no desfecho de “Breaking Bad”, vendendo um carro para Walter White (Bryan Cranton) no antepenúltimo episódio da atração, “Ozymandias”, de 2013. O ator apareceu em episódios de “Nash Bridges”, “Baywatch”, “My Name Is Earl”, “Saving Grace”, “American Horror Story”, “Shameless”, “The League”, “Baskets” e “Veep”. Mas desde que interpretou um pajé no filme independente de 1996, “Small Time”, passou a se dedicar mais ao cinema. Ele chegou e contracenar duas vezes com Anthony Hopkins, em “Desafiando os Limites” (2005) e “Um Sonho Dentro de um Sonho” (2007). Atuou também com Pierce Brosnan em “O Guerreiro da Paz” (1999), Johnny Depp em “O Cavaleiro Solitário” (2013), Jean-Claude Van Damme em “Jogo Sujo” (2014) e Adam Sandler em “Os 6 Ridículos” (2015). Seu último filme foi “Valley of the Gods” (2019), do polonês Lech Majewski. Saginaw Morgan Grant também serviu no Corpo de Fuzileiros Navais durante a Guerra da Coréia e participava de grupos de nativos veteranos de guerra, lutando pelo reconhecimento dos feitos dos índios no serviço militar dos EUA. Além disso, era o chefe hereditário e curandeiro da tribo Sac & Fox, e viajou o mundo falando de suas tradições, suas experiências e sua fé.
Mário Monjardim (1935-2021)
Poucos dias após a morte de Orlando Drummond, foi a vez de seu colega Mário Monjardim falecer. Assim, foram-se praticamente juntos os dubladores dos inseparáveis Scooby-Doo e Salsicha. Assim como os personagens, os dois eram muito amigos, e Drummond chegou a ser um dos padrinhos de casamento do filho de Monjardim. O dublador morreu na sexta (31/7), aos 86 anos. Pai do diretor de dublagem Júlio Monjardim e primo do diretor de novelas Jayme Monjardim, ele faleceu em casa, no Rio de Janeiro. Monjardim já não trabalhava mais com dublagem, após sofrer um AVC no ano passado, mas continuará a ser ouvido por anos a fio, e por várias gerações que ainda não nasceram, por representar a voz brasileira de personagens icônicos. Além do Salsicha em “Scooby-Doo”, ele também foi responsável pela personalidade nacional do Pernalonga, símbolo máximo das animações da Warner. Ele começou a carreira em 1954 na Rádio Vitória, na capital capixaba, onde nasceu, e também teve uma breve experiência como ator em programas da Globo, entre eles as primeiras versões das séries “Carga Pesada” e “O Sítio do Picapau Amarelo”, e os programas humorísticos “Chico Anysio Show” e “Os Trapalhões”, todos na década de 1980.
Globo vai homenagear Orlando Drummond com especial da “Escolinha do Professor Raimundo”
A Globo vai homenagear Orlando Drummond, intérprete do Seu Peru, falecido na terça (27/7) aos 101 anos. A emissora programou para este sábado (31/7) a reprise do episódio do remake da “Escolinha do Professor Raimundo”, originalmente exibido no ano passado, em que o ator fez uma participação especial para festejar um século de vida. Uma das curiosidades do programa é que a participação foi mantida em segredo do elenco da atração. Graças a um esquema especial de produção, Drummond foi acomodado na carteira que ocupou durante anos no cenário da Escolinha, enquanto os demais atores estavam do lado de fora do local. O último a entrar no estúdio foi Marcos Caruso, o herdeiro do personagem na nova versão do humorístico, que não conseguiu segurar as lágrimas ao vê-lo. Drummond completou quase 70 anos no papel do Seu Peru, que ele começou a interpretar ainda na versão de rádio da “Escolinha do Professor Raimundo”, em 1952. Quando o programa foi para a TV, ele foi junto. Mas além deste papel, Drummond também deu vida, com sua voz, a vários outros personagens famosos, como um dos dubladores mais talentosos do Brasil. Ele marcou época como a voz inigualável do Scooby-Doo, mas também deu tom ameaçador ao Vingador de “A Caverna do Dragão” e a Gargamel em “Os Smurfs”, sem esquecer da afetividade do pai de “Speed Racer”, o heroísmo de Popeye e a grande personalidade que a Alf, o ETeimoso ganhou com sua voz fanha – entre muitos outros papéis. Também foi um ator incansável, que manteve a atividade até o começo da pandemia. Seu último trabalho foi uma participação no filme “De Perto Ela Não é Normal”, lançado em novembro passado.
Jean-Francois Stévenin (1944–2021)
O ator francês Jean-Francois Stévenin morreu nesta quarta (28/7) aos 77 anos, de causa não divulgada. Segundo informou seu filho, ele estava internado num hospital há alguns dias. Stévenin começou a carreira na virada dos anos 1970 trabalhando em clássicos da nouvelle vague, a maioria dirigidos por François Truffaut, como “O Garoto Selvagem” (1970), “Uma Jovem tão Bela Quanto Eu” (1972), “A Noite Americana” (1973) e “Na Idade da Inocência” (1976). Também filmou com Jacques Rivette obras icônicas como “Não me Toque” (1971), “Out 1: Spectre” (1972) e “Um Passeio por Paris” (1981). A experiência com os gênios a nouvelle vague o inspirou a se aventurar atrás das câmeras. Ele dirigiu três longas de forma bastante espaçada: “Passe Montagne” (1978), “Doubles Messieurs” (1986) e “Mischka” (2002). Todos se tornaram cultuados. A partir dos anos 1980, ele se tornou um coadjuvante bastante requisitado, estrelando muitos filmes franceses populares, que lhe garantiram uma carreira longeva. Entre os trabalhos mais marcantes de sua filmografia, destacam-se ainda “Um Quarto na Cidade” (1982), de Jacques Demy, “Meu Marido de Batom” (1986), de Bertrand Blier, “O Pacto dos Lobos” (2001), de Christophe Gans, e “Uma Passagem para a Vida” (2002), de Patrice Leconte, sem esquecer seu trabalho com o americano Jim Jarmusch em “Os Limites do Controle” (2006). Requisitadíssimo até o final da vida, ele deixa três filmes inéditos no circuito comercial, incluindo “Entre Nous”, que teve première no recente Festival de Cannes.
Rick Aiello (1958-2021)
O ator Rick Aiello, que apareceu ao lado do pai Danny Aiello em filmes como “Faça a Coisa Certa” (1988), “Os Donos da Noite” (1989) e “Homens de Honra” (1998) morreu na segunda-feira (26/7) de câncer no pâncreas em um hospital em Warwick, Nova York, aos 65 anos. Seu irmão Danny III, dublê de seu pai em “Faça a Coisa Certa”, morreu em 2010 da mesma causa. Já Danny Aiello, o dono da pizzaria de “Faça a Coisa Certa” e pretendente apaixonado de Cher em “Feitiço da Lua” (1987), morreu em dezembro de 2019 aos 86 anos. Rick Aiello também trabalhou com seu pai na série “Dellaventura” (1997-1998) e chegou a aparecer em mais dois filmes de Spike Lee, sempre interpretando policiais de Nova York – os demais foram “Febre da Sela” (1991) e “Irmãos de Sangue” (1995). Sua filmografia é repleta de séries e filmes, mas seus papéis nunca foram grandes, o que o levou a ser visto brevemente em dezenas de produções, incluindo “CSI”, “A Família Soprano” (The Sopranos), “Sex and the City: O Filme” e “Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer”. Seu último papel foi no thriller “Nobody’s Perfect”, lançado em 2016.
Orlando Drummond (1919-2021)
O ator Orlando Drummond, intérprete do Seu Peru na “Escolinha do Professor Raimundo”, morreu nesta terça (27/7) em sua casa, no Rio, aos 101 anos, em decorrência de falência múltipla dos órgãos. Ele foi o artista famoso mais velho a ser vacinado contra a covid-19, em 31 de janeiro, e chegou a ficar internado de abril a junho deste ano num hospital para tratar de um quadro grave de infecção urinária. A maioria das pessoas lembra Drummond como o personagem Seu Peru. E, de fato, ele completou quase 70 anos no papel, que começou a interpretar ainda na versão de rádio da “Escolinha do Professor Raimundo”, em 1952. Quando o programa foi para a TV, ele foi junto. E, em 2019, para homenagear os 100 anos de seu nascimento, Drummond foi convidado a reviver o personagem no remake da “Escolinha”, ao lado de seu intérprete mais recente, Marcos Caruso. Além de comediante, Drummond também foi um dublador talentoso e ator incansável, que manteve a atividade até o começo da pandemia. Ele marcou época como a voz inigualável do Scooby-Doo, mas também deu tom ameaçador ao Vingador de “A Caverna do Dragão” e a Gargamel em “Os Smurfs”, sem esquecer da afetividade do pai de “Speed Racer”, o heroísmo de Popeye e a grande personalidade que a Alf, o ETeimoso ganhou com sua voz fanha – entre muitos outros papéis. No cinema, filmou com Ankito duas comédias dos anos 1950 (“O Rei do Movimento” e “Angu de Caroço”), trabalhou com Renato Aragão na década de 1970 (“Bonga, o Vagabundo”) e estendeu sua filmografia até o ano passado, quando lançou seu trabalho mais recente, uma participação no filme “De Perto Ela Não é Normal”, lançado em novembro. “Algumas coisas me levaram até os 101 anos. Minha família, meus amigos, meu trabalho e o amor”, ele listou por ocasião de sua vacinação, celebrando também a Medicina num momento em que se achou imune à morte, ao menos por coronavírus.












