Elenco de “Medusa” leva protestos brasileiros ao Festival de Cannes
O elenco do filme “Medusa” têm feito vários posts no Instagram sobre sua passagem pelo Festival de Cannes 2021. O longa da diretora Anita Rocha da Silveira foi exibido na mostra Quinzena dos Realizadores na segunda-feira (12/7). Além das imagens glamorosas e a felicidade de estar num país que já superou o pior da pandemia, as fotos também registram os protestos da equipe em pleno tapete vermelho do festival, segurando uma cartaz contra a atuação do governo brasileiro no combate à covid-19, e durante a exibição do filme, em que os cartazes se multiplicaram, lembrando também o problema das invasões de terras indígenas. “533.000 morreram no Brasil de uma doença para a qual já tem vacina”, dizia um dos textos impressos numa folha. “A terra indígena permanece. Não à PL490”, manifestava-se outro texto, em referência a um projeto de lei que altera a legislação da demarcação de terras indígenas. Junto da diretora Anita Rocha da Silveira, viajaram à Cannes as estrelas Bruna Linzmeyer, Felipe Frazão, Lara Tremouroux, Mariana Oliveira e a produtora Vania Catani. Veja abaixo as fotos da equipe de “Medusa”, que também aproveitaram para destacar a repercussão do filme na imprensa internacional. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Bruna Linzmeyer (@brunalinzmeyer) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Bruna Linzmeyer (@brunalinzmeyer) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Medusa – Filme (@medusafilme) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Anita Rocha da Silveira (@anitarochadasilveira) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por felipe frazão (@_felipefrazao) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por MARI OLIVEIRA (@marianaolv) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Anita Rocha da Silveira (@anitarochadasilveira) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por MARI OLIVEIRA (@marianaolv) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Anita Rocha da Silveira (@anitarochadasilveira)
A Crônica Francesa: Filme de Wes Anderson é o mais aplaudido de Cannes
O Festival de Cannes teve sua sessão mais aplaudida na noite de segunda (12/7), com a exibição de “A Crônica Francesa” (The French Dispatch). O novo filme de Wes Anderson foi ovacionado durante nove minutos. A sessão de première mundial aconteceu com a participação de várias estrelas do elenco, como Timothee Chalamet, Bill Murray, Owen Wilson, Tilda Swinton, Adrien Brody, Stephen Park e Benicio Del Toro. Também esperada no evento, a francesa Léa Seydoux acabou testando positivo para covid-19 e não pôde viajar. Estes atores numerosos e famosos, acompanhado pelo diretor e o compositor Alexandre Desplat, fizeram uma entrada triunfal no tapete vermelho, ao chegarem juntos em um ônibus gigante de ouro, escoltado por motociclistas da polícia francesa. Mas não foram apenas a chegada cinematográfica e os aplausos demorados que chamaram atenção durante a première do filme. Tilda Swinton aproveitou o momento para fazer uma pegadinha com Timothee Chalamet, colando um cartaz que identificava seu lugar na sessão, com seu nome impresso, nas costas do jovem ator. Chamalet não percebeu mesmo sendo virado por Swinton em direção às câmeras, para que captassem a brincadeira. O filme é inspirado pela revista The New Yorker e apresentado como uma carta de amor à imprensa. Ele tem estrutura de antologia, reunindo diferentes histórias como se fossem sessões da publicação que batiza a produção. A trama acompanha repórteres de um jornal francês de expatriados, editado pelo personagem de Bill Murray. As cenas também se alternam entre cores e preto-e-branco, reforçando uma alusão ao começo dos anos 1960 – o que é reforçado pela seleção musical da trilha sonora. Além dos já citados, o elenco estelar incluiu ainda Jason Schwartzman, Willem Dafoe, Edward Norton, Bob Balaban, Anjelica Huston, Frances McDormand, Tony Revolori, Saoirse Ronan, Mathieu Amalric, Fisher Stevens, Liev Schreiber, Christoph Waltz, Jeffrey Wright, Elisabeth Moss, Lyna Khoudri, Cécile de France, Rupert Friend, Alex Lawther, Henry Winkler, Lois Smith, Griffin Dunne, Guillaume Gallienne, Hippolyte Girardot e até Morgane Polanski, filha do cineasta Roman Polanski. Selecionado para o cancelado Festival de Cannes 2020, o filme teve seu lançamento adiado e aguardou a volta do festival neste ano para fazer sua première mundial. Os aplausos demorados, que podem ser ouvidos a seguir, mostram que a opção foi acertada. O primeiro vídeo registra o começo da ovação, enquanto o segundo flagra a pegadinha de Tilda Swinton. Veja abaixo também o trailer oficial legendado. The scene in Cannes as the end-credits wrap following the world premiere of THE FRENCH DISPATCH, as Wes Anderson-y a movie as any… pic.twitter.com/qmShSnzqfc — Scott Feinberg @ Cannes (@ScottFeinberg) July 12, 2021 Look at what Tilda Swinton did to Timothee Chalamet during ‘The French Dispatch’ standing ovation. #Cannes2021 pic.twitter.com/MNmkzdUktA — Ramin Setoodeh (@RaminSetoodeh) July 12, 2021
Atriz francesa acusa diretor de atirar celular em seu rosto
Os bastidores do Festival de Cannes ficaram agitados neste domingo com a informação de que a atriz Judith Chemla (“A Vida de uma Mulher” e “Camille Outra Vez”) não comparecerá a première de seu filme, “Mes Freres et Moi”, que estava prevista para segunda-feira (12/7). O motivo alegado é que o diretor do longa-metragem, Yohan Manca, que também é seu namorado, teria atirado um celular no rosto dela. Chemla denunciou o ataque na polícia. De acordo com o boletim de ocorrência, a situação aconteceu em Paris no dia 3 de julho. A revista americana Variety buscou mais detalhes e ouviu de fontes que Chemla e Manca começaram a discutir na rua na capital da França, quando o diretor “ficou violento” e “jogou um celular na cara” da atriz. O casal tem uma filha e estava junto há cinco anos. As fontes da Variety ainda informaram que Manca também cancelou seus planos de comparecer à première. Ele está atualmente em Paris cuidando da filha, enquanto Chemla participa de outro evento, o Festival de Avignon. “Mes Freres et Moi” faz parte da seleção da mostra Um Certo Olhar, principal seção paralela de Cannes. Em 2019, último ano em que o festival aconteceu, o vencedor desta mostra foi o filme “A Vida Invisível”, do diretor brasileiro Karim Aïnouz.
Catherine Deneuve se emociona ao voltar a Cannes após AVC
A atriz Catherine Deneuve, que desfila pelo tapete vermelho de Cannes desde os anos 1960, confessou que nunca ficou tão emocionada por participar o festival quando no sábado passado (10/7). Os motivos são a pandemia de coronavírus, que começa a ser superada, mas principalmente o AVC (acidente vascular cerebral) que ela sofreu em 2019. A icônica atriz de 77 anos veio promover a première de seu novo filme, “De Son Vivant”, dirigido pela francesa Emmanuelle Bercot, que foi exibido em sessão especial fora da competição principal. Ao final da projeção, ela foi aplaudida de pé por um longo tempo, o que a comoveu visivelmente. Desde o começo da pandemia, Deveneuve raramente apareceu em público e havia boatos sobre sequelas de seu derrame. Ela se recuperou longe dos holofotes e se mostrou aliviada por retomar a vida junto com o aparente final da pandemia. “Foi absolutamente extraordinário”, disse, sobre a recepção do público, durante a entrevista coletiva do filme. “Até o último minuto, estávamos nos perguntando se isso tudo iria realmente acontecer”, continuou. “Conheço Cannes há muito tempo. Cada vez é algo diferente. Mas acho que talvez nunca tenha ficado tão emocionada como ontem à noite, quando entrei no cinema e vi a forma como o público recebeu o filme e me recebeu”, completou. Veja abaixo a reação do público e da atriz ao final da projeção de “De Son Vivant” em Cannes. 👏 Très certainement un des moments forts de ce #Cannes2021 : standing ovation pour Catherine Deneuve et l'équipe de "De son vivant". pic.twitter.com/gamv1LyunP — CANAL+ (@canalplus) July 10, 2021 Living for this beautifully awkward moment of PDA. Love them. ❤️#Desonvivant #CatherineDeneuve #EmmanuelleBercot pic.twitter.com/e2W9m0njOD — ʙᴇʟʟᴀ⛱☀️⛵️ (@canyou_sonicme) July 10, 2021 How could you not love them? 😭🤧😭#Desonvivant #CatherineDeneuve #BenoitMagimel #EmmanuelleBercot #CeciledeFrance #Cannes2021 pic.twitter.com/XLrugl4APy — ʙᴇʟʟᴀ⛱☀️⛵️ (@canyou_sonicme) July 10, 2021
Jodie Turner-Smith sofre roubo milionário de joias no Festival de Cannes
O Festival de Cannes não estaria completo sem um grande roubo de joias em seus bastidores. A situação tem se tornado comum nos últimos anos e com o retorno dos tapetes vermelhos nesta semana voltou a levar o evento de cinema para as páginas policiais. A atriz inglesa Jodie Turner-Smith (“Queen & Slim”), que está em Cannes para promover seu novo filme americano, “After Yang”, foi vítima de um roubo de joias e passou a tarde deste domingo (11/7) prestando queixa numa delegacia de polícia local. “Não pensei que passaria 2,5 horas na delegacia de polícia no meu último dia em Cannes, mas aqui estamos nós”, ela escreveu em seu Twitter. A agência de notícias francesa Nice-Matin noticiou que o roubo ocorreu na sexta-feira (9/7), entre 12h e 14h, no quarto da atriz em um hotel não nomeado na Croisette. As fontes do Nice-Martin estimam que o valor das joias ronda as dezenas de milhares de euros. O roubo aconteceu sem que fossem encontrados sinais de invasão no quarto, que era acessível por cartão magnético. A atriz é a nova garota-propaganda da joalheria da grife Gucci e foi a Cannes com vestidos e joias da marca, com a missão de exibi-las durante o festival. No tapete vermelho da première de “After Yang”, ela usou um colar de ouro amarelo, pulseira e brincos que apresentavam berilos amarelos e diamantes, bem como uma tanzanita em ouro branco em forma de coração e um anel de diamante. A Gucci divulgou as fotos das joias momentos antes do desfile da atriz pela Croisette. O roubo aconteceu cerca de 16 horas depois. Moments before her red carpet at the 74th @festival_cannes, @MissJodie—the face of the latest #GucciHighJewelry campaign, captured by #AmandaCharchian wearing a selection of Hortus Deliciarum High Jewelry pieces. #AlessandroMichele #Cannes2021 #Cannes74 pic.twitter.com/afwbhC5wqA — gucci (@gucci) July 9, 2021 didn’t think i would be spending 2.5 hours in the police station on my final day in cannes, but here we are… 🥴 — Jodie (@MissJodie) July 11, 2021
“Benedetta” vira filme mais falado de Cannes por cenas de sexo e “blasfêmias”
“Benedetta”, o novo filme do provocante cineasta Paul Verhoeven (“Instinto Selvagem”), virou o mais falado do Festival de Cannes deste ano graças a cenas de sexo lésbico em um convento e sonhos explícitos com Jesus Cristo. Exibido na sexta à noite (9/7), o longa foi aplaudido por cinco minutos pelo público francês, numa ampla demonstração de aprovação, mas a crítica internacional reclamou sem parar do excesso de nudez e sexo, e até de blasfêmias. As cenas de sexo são tão picantes quanto as de “Azul É a Cor mais Quente”, que venceu o Festival de Cannes em 2013, mas causaram especial desconforto por incluírem um brinquedo sexual esculpido em uma figura de madeira da Virgem Maria. Além do sexo, também há muita violência em “Benedetta”, do tipo vista em “A Paixão de Cristo”. Mas sem, claro, que os mais religiosos considerem as conexões entre os dois filmes. Durante a entrevista coletiva sobre a obra, o diretor holandês chamou os críticos de puritanos. “Não se esqueçam que, em geral, as pessoas, quando fazem sexo, tiram as roupas”, ele apontou. “Então, estou basicamente chocado com o fato de que não quererem olhar para a realidade da vida. Por que esse puritanismo foi introduzido? Na minha opinião, está errado. ” Verhoeven também se irritou com a sugestão de que o filme é uma blasfêmia. “Eu realmente não entendo como você pode blasfemar sobre algo que aconteceu… Não se pode mudar a História depois do fato. Você pode dizer que aquilo era errado ou não, mas não pode mudar a História. Acho que a palavra blasfêmia para mim, neste caso, é estúpida”, explicou. De fato, “Benedetta” é baseada numa história real. Com roteiro de David Birke, que volta a trabalhar com Verhoeven após a parceria em “Elle” (2016), o filme adapta o livro “Atos Impuros: A Vida de uma Freira Lésbica na Itália da Renascença”, da historiadora Judith C. Brown. A trama se passa no final do século 15, enquanto a peste assola a Europa, e Benedetta Carlini ingressa no convento de Pescia, na região italiana da Toscana, como uma noviça que desde muito cedo parece fazer milagres. Seu impacto na vida da comunidade é imediato e chama atenção do Vaticano. Mas logo sua pureza é confrontada pela chegada de uma jovem tentadora ao convento (Daphne Patakia), que decide seduzi-la. A história, que mistura religião com erotismo e polêmica, se encaixa perfeitamente na filmografia do diretor holandês de “Louca Paixão” (1973), “Conquista Sangrenta” (1985), “Instinto Selvagem” (1992), “Showgirls” (2005) e “Elle” (2016). A estrela Virginie Efira, intérprete de Benedetta, lembrou deste detalhe ao defender o ponto de vista do diretor. “A sexualidade é um assunto interessante. Não há muitos diretores que saibam filmá-la. Paul Verhoeven sabe. É alguém que lidou com este tópico importante desde o início e de uma forma incrível. A nudez não tem interesse quando não é retratada de uma maneira bonita, não é isso que Paul faz. Tudo foi muito alegre quando tiramos nossas roupas”, ela descreveu. “Benetta” também estreou comercialmente na França neste fim de semana, mas ainda não tem previsão de lançamento fora da Europa. Veja o trailer do longa abaixo.
Karim Aïnouz leva protestos contra Bolsonaro ao Festival de Cannes
O cineasta brasileiro Karim Aïnouz aproveitou a exibição de seu novo filme em sessão especial no Festival de Cannes para dar dimensão internacional aos protestos contra o governo Bolsonaro. Exibido sob aplausos nesta sexta-feira (9/7), “O Marinheiro das Montanhas” é o diário cinematográfico de uma viagem do diretor em busca de suas raízes africanas, que registra sua primeira ida à Argélia e a descoberta do povoado onde seu pai nasceu. Acompanhado de sua equipe, incluindo o colega Walter Salles, que é um dos produtores do filme, Aïnouz aproveitou a première para, além de comentar seu trabalho, “lembrar também que, neste momento, milhares de pessoas estão morrendo no Brasil por causa do descaso de um governo fascista”. No final da sessão, junto com os aplausos demorados e gritos de “Fora Bolsonaro!”, uma faixa foi aberta em frente à tela com o frase: “Brasil: 530.000 mortos. Fora gângster genocida”. Foi a segunda vez que Bolsonaro foi chamado de gângster no festival francês. Na abertura, a iniciativa partiu do diretor americano Spike Lee, presidente do júri que vai entregar a Palma de Ouro ao melhor filme da competição. Veja abaixo o discurso completo de Karim Aïnouz, que denuncia a destruição da cultura e das vidas dos brasileiros pelo desgoverno atual. "A democracia brasileira respira por aparelhos", confira o discurso de Karim Aïnouz na estreia mundial do longa-metragem ‘Marinheiro das Montanhas’ no Festival Cannes. pic.twitter.com/hSn917E2d0 — Mídia NINJA (@MidiaNINJA) July 9, 2021 “Fora Bolsonaro” the filmmakers lead some of the audience in chanting following extended standing applause pic.twitter.com/AhWMyVCCj8 — Arash Azizi 🟣 (@arash_tehran) July 9, 2021
Annette: Veja uma cena do filme de abertura do Festival de Cannes
Filme de abertura do Festival de Cannes, “Annette” teve uma cena completa revelada, que mostra (“Star Wars: A Ascensão Skywalker”) e Marion Cotillard (“Aliados”) cantando o amor que sentem um pelo outro. “Annette” é o primeiro filme falado em inglês de Leos Carax (“Os Amantes de Pont Neuf”), que retornou a Cannes nove anos depois de apresentar seu filme anterior, “Holy Motors”, no festival. Originalmente concebida como uma ópera rock pela banda Sparks, que assina a trilha sonora original, a trama acompanha um ator de “stand up” e uma cantora da fama internacional, que formam um casal cercado de glamour. Mas o nascimento de sua primeira filha, Annette, uma “menina misteriosa com um destino excepcional” altera o rumo de suas vidas. O mais famoso festival de cinema do mundo começou na terça-feira (6/7), resgatando o glamour do cinema e movimentando a crítica internacional, que teceu muitos elogios à exibição do longa. A maioria dos críticos ponderou que o filme é divisivo, mas merece aplausos por sua originalidade e ousadia. A cotação no Rotten Tomatoes abriu com 86% de aprovação.
Trailer de documentário mostra vida do ator Val Kilmer
A Amazon divulgou o pôster e o trailer do documentário “Val”, que fará sua première mundial no Festival de Cannes, iniciado nesta terça (6/7). O longa revela a história do ator Val Kilmer através de vídeos que ele próprio gravou ao longo de quatro décadas. Para o filme, os editores Leo Scott e Ting Poo se debruçaram sobre milhares de horas de filmes em 16mm e vídeos de diferentes formatos feitos por Val Kilmer, que abrangem mais de 40 anos de sua vida, desde registros caseiros feitos com seus irmãos até os bastidores de seus papéis icônicos em blockbusters como “Top Gun” (1986), “The Doors” (1991), “Tombstone” (1993) e “Batman Eternamente” (1995). Após a exibição nesta quarta (7/7) em Cannes, o documentário terá lançamento limitado nos cinemas norte-americanos em 23 de julho, chegando ao streaming em todo o mundo no dia 6 de agosto.
Spike Lee chama Bolsonaro de gângster no Festival de Cannes
O cineasta americano Spike Lee, que preside o júri da 74ª edição do Festival de Cannes, chamou Jair Bolsonaro de “gângster” durante a primeira entrevista coletiva do evento, nesta terça-feira (6/7). “O mundo está sendo comandado por gângsteres. Há o Agente Laranja [o ex-presidente americano, Donald Trump], o cara do Brasil [Jair Bolsonaro] e [o presidente russo Vladimir] Putin. São bandidos e vão fazer o que desejarem. Não têm moral ou escrúpulos e precisamos falar alto sobre gente assim.” A declaração foi só uma mostra do que vem por aí, já que o evento também conta com Kleber Mendonça Filho (“Bacurau”) em seu júri, responsável por um famoso protesto no tapete vermelho do festival francês contra o Impeachment de Dilma Rousseff. Na entrevista coletiva, ele defendeu que uma das formas de “resistir” é divulgar a informação e denunciar, por exemplo, “o fechamento da Cinemateca Brasileira há mais de um ano”, uma “forma muito clara de reprimir a cultura e o cinema”. Spike Lee é o primeiro artista preto a ocupar a presidência do festival francês, mas já participou três vezes da disputa pela Palma de Ouro. Ele venceu o grande prêmio do júri em 2018, por “Infiltrado na Klan”, mas é considerado injustiçado por ter sido preterido pelo júri presido por Wim Wenders em 1989, quando exibiu seu filme mais importante, “Faça a Coisa Certa”. “Muita gente disse que o filme daria início a uma série de motins raciais pelos EUA”, lembrou Lee, em referência ao conteúdo do filme, que termina com uma rebelião racial em um bairro negro em Nova York. “Escrevi o filme em 1988. Mas quando vejo o irmão Eric Garner e o rei George Floyd mortos [homens negros assassinados por policiais brancos, em 2014 e 2020], lembro do [personagem de ‘Faça a Coisa Certa’ também assassinado] Radio Raheem. Você imaginaria que 30 malditos anos depois a população negra não fosse mais caçada como animais.” O cineasta, que lançou seu filme mais recente (“Destacamento Blood”) pela Netflix, também comentou a resistência do Festival de Cannes ao streaming, proibindo a inclusão de filmes não feitos para o cinema na competição. Para Lee, o streaming não ameaça o cinema. “Não é uma novidade, porque é sempre um ciclo”, afirmou, lembrando que a TV e os vídeos também sofreram a acusação de causarem o fim da experiência cinematográfica. “O cinema e o streaming podem, sim, coexistir.” O Festival de Cannes começa oficialmente nesta terça na França, com a exibição da estreia mundial de “Annette”, aguardado longa do francês Leos Carax, estrelado por Marion Cotillard e Adam Driver. Além de Spike Lee e Kleber Mendonça Filho, o júri do festival também inclui duas diretoras de cinema: a francesa Mati Diop (“Atlantique”) e a austríaca Jessica Hausner (“Little Joe”). O corpo de jurados se completa com cinco atores: o sul-coreano Song Kang-ho (“Parasita”), o francês Tahar Rahim (“O Mauritano”), a americana Maggie Gyllenhaal (“Secretária”), a francesa Mélanie Laurent (“Oxigênio”) e a canadense Mylène Farme (“A Casa do Medo – Incidente em Ghostland”), que também é cantora e compositora. Com cinco mulheres e quatro homens, trata-se de um dos grupos mais diversos da história de Cannes, que terão a difícil tarefa de suceder o júri comandado pelo diretor mexicano Alejandro González Iñárritu (“O Regresso”), responsável por apresentar ao mundo “Parasita”, do sul-coreano Bong Joon Ho, vencedor da Palma de Ouro em 2019 e, posteriormente, do Oscar em 2020.
Festival de Cannes celebra volta ao cinema
O Festival de Cannes começa sua edição de 2021 nesta terça (6/7), estendendo seu tapete vermelho inaugural para a projeção de “Annette”. A ópera rock de Leos Carax, estrelada por Adam Driver, Marion Cotillard e com trilha da banda Sparks, abre a programação do evento, que seguirá com muitas exibições até o dia 17 de julho. Após o cancelamento do ano passado, devido à pandemia de covid-19, o clima deste ano é de celebração. Cannes quer aproveitar a participação presencial do público, astros e cineastas para comemorar a reabertura dos cinemas e a volta do público às sessões. Mas é bastante simbólico que esta festa esteja acontecendo sem a presença da Netflix ou de longas brasileiros em seu Palácio. Em plena pandemia, o festival francês manteve seu veto aos filmes de streaming, embora toda a indústria cinematográfica, incluindo o Oscar e festivais rivais de igual prestígio, tenham aberto suas portas às formas alternativas de exibição cinematográfica. A situação levou o chefe do festival, Thierry Fremaux, a ter que se justificar, citando “regras” da competição – mas até o Oscar mudou suas regras durante a pandemia. Ele também reiterou convite para a Netflix apresentar seus filmes fora de competição no festival, uma condição que a plataforma já recusou anteriormente, por considerar desrespeitoso com os cineastas de suas produções. Premiado na última competição presencial do festival com “Bacurau”, o Brasil, por sua vez, está representado na disputa da Palma de Ouro de 2021 somente pela participação nos bastidores de um dos diretores daquele filme, Kleber Mendonça Filho, convidado a integrar o júri presidido por Spike Lee. Mendonça é um dos artistas que escolherão os melhores trabalhos do evento. A ausência de longas brasileiros na competição do Palácio dos Festivais já é reflexo do desastre cultural do governo Bolsonaro, que implodiu o cinema nacional com o fim de patrocínios e financiamentos, retendo até o dinheiro arrecadado do próprio mercado, cerca de R$ 2 bilhões em taxas cobradas via Condecine e Fistel que deveriam alimentar o inativo Fundo Setorial do Audiovisual. Mesmo assim, dois curtas brasileiros foram selecionados para a disputa da Palma de Ouro de sua categoria: “Sideral”, de Carlos Segundo, e “Céu de Agosto”, de Jasmin Tenucci. Produção do Rio Grande do Norte, “Sideral” contou com ajuda financeira da Lei Aldir Blanc, solução encontrada pelo Congresso para apoiar parcialmente projetos paralisados pela inoperância da Ancine sob o governo Bolsonaro, enquanto “Céu de Agosto” teve première no Festival de Tiradentes deste ano. Já a programação de longas da competição destaca “A Crônica Francesa” (The French Dispatch), de Wes Anderson, que segue a linha de “O Grande Hotel Budapeste” e reúne um grande elenco para viver repórteres de um jornal francês de expatriados, e “Benedetta”, drama erótico do veterano diretor holandês Paul Verhoeven (de “Instinto Selvagem”) sobre uma freira do século 17 que sofre com visões místicas e tentação sexual. Ambos deveriam ter integrado a edição do ano passado, que não aconteceu devido à pandemia. Além desses, outros títulos com première mundial em Cannes incluem os novos trabalhos do americano Sean Penn (“Na Natureza Selvagem”), do italiano Nanni Moretti (“O Quarto do Filho”), do iraniano Asghar Farhadi (“A Separação”), do russo Kirill Serebrennikov (“O Estudante”), do dinamarquês Joachim Trier (“Mais Forte que Bombas”), do tailandês Apichatpong Weerasethakul (“Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas”), do australiano Justin Kurzel (“Macbeth: Ambição e Guerra”) e dos franceses François Ozon (“Frantz”), Jacques Audiard (“Ferrugem e Osso”), Bruno Dumont (“Camille Claudel 1915”), Mia Hansen-Love (“Eden”) e Leos Carax (“Holy Motors”). E vale observar que a nova obra de Hansen-Love, “Bergman Island”, apesar de ter equipe totalmente europeia, foi feita com investimento da produtora paulista RT Features. Entre os destaques das premières fora da competição, Oliver Stone traz à Croisette uma versão retrabalhada de “JFK – A Pergunta que Não Quer Calar”, de 1991, com cenas inéditas, o cineasta Todd Haynes (“Carol”) apresenta seu documentário sobre a banda The Velvet Underground e a atriz Charlotte Gainsbourg (“Ninfomaníaca”) estreia na direção com um documentário sobre sua mãe, a icônica estrela de cinema Jane Birkin (“A Bela Intrigante”). São nas sessões especiais e paralelas que se encontram os únicos longas de diretores brasileiros de toda a programação. Com exibição fora de competição, “O Marinheiro das Montanhas” resgata a história de amor dos pais do diretor Karim Ainouz (“A Vida Invisível”), enquanto “Medusa”, segundo longa de Anita Rocha da Silveira (“Mate-me Por Favor”), foi incluído na Quinzena dos Realizadores – é a única produção 100% brasileira, da Bananeira Filmes, com incentivos que antecedem o advento de Bolsonaro. Também na Quinzena, “Murina”, da croata Antoneta Alamat Kusijanovic, e “O Empregado e o Patrão”, do uruguaio Manuel Nieto Zas (Manolo Nieto), são outras coproduções brasileiras no festival, assim como “Noche de Fuego”, da salvadorenha/mexicana Tatiana Huezo, selecionado na mostra Um Certo Olhar e coproduzido pelo cineasta brasileiro Gabriel Mascaro. Foram as últimas obras realizadas antes que sumissem os editais e linhas de financiamento que permitiam aos produtores brasileiros injetar recursos em produções estrangeiras. Além de projetar filmes inéditos, o evento francês ainda prestará homenagens à atriz e diretora americana Jodie Foster (“O Silêncio dos Inocentes”) e ao cineasta italiano Marco Bellocchio (“Em Nome do Pai”) com Palmas de Ouro honorárias pelas realizações de suas carreiras. Entretanto, quem parece ser o grande homenageado do 74º festival é Spike Lee. O rosto do diretor nova-iorquino, extraído de uma campanha da Nike com o personagem de seu primeiro longa, “Ela Quer Tudo” (1986), ocupa cartazes, a marquise do Palácio, a decoração da sala de imprensa e toda a divulgação do evento. Só que ele não vai ganhar uma Palma honorária nem lançar um novo filme. Spike Lee vai entregar a Palma de Ouro oficial ao melhor filme, como presidente do júri. Ele é o primeiro artista preto a ocupar a presidência do festival francês e terá a difícil tarefa de suceder o diretor mexicano Alejandro González Iñárritu (“O Regresso”), que presidiu a premiação com louvor em 2019, apresentando ao mundo “Parasita”, do sul-coreano Bong Joon Ho, vencedor da Palma de Ouro em 2019 e, posteriormente, do Oscar em 2020.
Kleber Mendonça Filho integra o júri do Festival de Cannes 2021
A organização do Festival de Cannes anunciou os artistas que farão parte do júri internacional da competição de 2021. E o diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho foi um dos selecionados. O cineasta de “Bacurau” vai se juntar a duas colegas de profissão: a francesa Mati Diop (“Atlantique”) e a austríaca Jessica Hausner (“Little Joe”). O júri também inclui cinco atores: o sul-coreano Song Kang-ho (“Parasita”), o francês Tahar Rahim (“O Mauritano”), a americana Maggie Gyllenhaal (“Secretária”), a francesa Mélanie Laurent (“Oxigênio”) e a canadense Mylène Farme (“A Casa do Medo – Incidente em Ghostland”), que também é cantora e compositora. Com cinco mulheres e quatro homens, trata-se de um dos grupos mais diversos da história de Cannes, que se somará ao presidente do júri, Spike Lee, para distribuir prêmios entre os 24 filmes da mostra competitiva e entregar a cobiçada Palma de Ouro. Spike Lee é o primeiro artista preto a ocupar a presidência do júri do festival francês. Ele terá a tarefa de suceder o diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, que presidiu a premiação com louvor em 2019, apresentando ao mundo “Parasita”, do sul-coreano Bong Joon Ho, vencedor da Palma de Ouro em 2019 e, posteriormente, do Oscar em 2020. Um dos destaques daquele filme foi o ator Song Kang-ho, que agora retorna à Croisette com nova função. Do grupo de jurados, Diop, Hausner e Mendonça Filho também exibiram filmes na competição de Cannes em 2019, o último ano em que o festival foi realizado, e todos saíram premiados do evento. Eles agora vão escolher quem será premiado em 2021. Após ser cancelado no ano passado devido à pandemia de coronavírus, o Festival de Cannes 2021 vai acontecer entre os dias 6 e 17 de julho na Riviera Francesa.
Festival de Cannes vai homenagear carreira de Marco Bellocchio
O Festival de Cannes vai prestar uma homenagem ao diretor italiano Marco Bellocchio, com a entrega de uma Palma de Ouro honorária pelas contribuições de sua carreira ao cinema. O cineasta vai receber a honraria durante a cerimônia de encerramento do festival. Bellocchio também vai lançar seu novo filme, o documentário “Marx Can Wait”, durante o evento francês. Aos 81 anos, o italiano é considerado um dos maiores diretores vivos do cinema europeu. Na ativa desde os anos 1960, ele exibiu sete filmes em Cannes, incluindo o recente “O Traidor”, de 2019, que contava com a brasileira Maria Fernanda Cândido em seu elenco. Outros filmes de destaque da carreira de Bellocchio são “De Punhos Cerrados” (1965), “Em Nome do Pai” (1971), “Olhos na Boca” (1982), “Bom Dia, Noite” (2003), “Vincere” (2009) e “A Bela que Dorme” (2012). Além do diretor italiano, o Festival de Cannes também homenageará neste ano a atriz e cineasta americana Jodie Foster (“Elysium”) com a Palma de Ouro honorária. O evento francês vai acontecer de 6 a 17 de julho na Riviera francesa.












