Com 100% de aprovação, Vida é renovada para a 3ª temporada
O canal pago americano Starz renovou a série “Vida” para sua 3ª temporada. A decisão foi tomada poucos dias após a estreia do segundo ano, que começou a ser exibido no domingo passado (26/5) nos Estados Unidos. A série tem audiência minúscula, de cerca de 120 mil espectadores ao vivo, mas aprovação gigante da crítica. “Vida” atingiu 100% na média do site Rotten Tomatoes, com elogios rasgados pela forma como aborda identidade cultural e sexual. São 100% tanto para os episódios da 1ª quando da 2ª temporada, que foi antecipada para os assinantes do aplicativo do canal. A série acompanha duas irmãs de família mexicana que moram em Los Angeles e não podem ser mais diferentes ou distantes uma da outra. Mas a morte da mãe as forçam a voltar ao seu antigo bairro latino, onde são confrontadas pelo passado e por verdades que não conheciam. Criada por Tanya Saracho (roteirista-produtora de “How to Get Away with Murder”), a produção destaca Melissa Barrera (“Manual de Principiantes para ser Presidente”) e Mishel Prada (“Como Eu Morro”) como as protagonistas.
Amanda reflete perda e inconformidade com o mundo atual
Amanda é o nome de uma garota de 7 anos de idade (Isaure Multrier), que terá de encarar uma mudança muito grande de vida, já tão cedo. Elaborar uma grande perda, realizar novas adaptações e reconstruir a existência é algo exigente demais para uma criança dessa idade, por mais viva e inteligente que ela seja. Na dimensão do adulto jovem, o filme trabalha a questão da identidade ainda em construção de David (Vincent Lacoste), de 20 anos, que terá de deixar um jeito blasé de lidar com a vida, quando uma exigência incontornável o fará assumir alguma coisa para a qual decididamente não está preparado. Seus modestos trabalhos como podador de árvores e entregador de apartamentos alugados para turistas, enquanto tenta conquistar a bela locadora Lena (Stacy Martin), serão atropelados pelo destino. Destino não é bem a palavra. O que abala sua vida é um atentado terrorista realizado por um atirador numa praça de Paris, sem motivação conhecida. Desses que têm mesmo acontecido por lá e em várias outras partes do mundo. E que de maneira inesperada e violenta atingem a população civil, produzindo o caos na vida das pessoas e na sua comunidade mais próxima. E gerando medo em todos. No entanto, a vida sempre continua e, com os recursos que cada um já tem ou procura adquirir, ela se reorganiza, podendo gerar novas descobertas e impulsionar o crescimento das pessoas. A crise pode realmente produzir novas e surpreendentes situações, que são transformadoras. “Amanda” é um filme de afetos e de drama, com respiros de leveza, apesar do tema dolorido. Sua narrativa é envolvente, realista, surpreendente. Sem pieguismo, sem lições de moral, o que seriam iscas fáceis de serem perseguidas num assunto como esse. O elenco tem um ator extraordinariamente natural e convincente, Vincent Lacoste (de “Primeiro Ano”), a quem acompanhamos o tempo todo, vivendo suas aflições, mas também sua forma simples de se relacionar com os outros, numa interpretação em baixo tom, mas sem peso, até alegre. Entre risonha e envergonhada, eu diria. A menina estreante Isaure Multrier é viva, exuberante, esperta, mas também capaz de nos transmitir a dor e o incômodo que sente nos momentos mais dramáticos do filme. O elenco é complementado por duas atrizes jovens muito expressivas e de interpretações firmes: a mais conhecida Stacy Martin (a “Ninfomaníaca”) e Ophélia Kolb (“A Incrível Jornada de Jacqueline”. Ao vê-las, no auge da juventude, marcadas por momentos trágicos, o sentimento é de inconformidade com o mundo violento em que vivemos. Afinal, o filme de Mikhaël Hers (“Aquele Sentimento do Verão”) fala de hoje e da mítica cidade-luz, farol do mundo.
Tudo o que Tivemos dramatiza dilema familiar diante do Alzheimer
Uma mulher idosa sai de casa a pé e caminha por uma nevasca. O passo seguinte é a família, marido e dois filhos, um que vive próximo ao casal e outra, que vem de cidade diferente, entrarem em pânico e fazerem buscas para encontrar a idosa desaparecida. Claro, o que está em jogo aqui é um comportamento determinado pela doença de Alzheimer, que envolve conflitos e decisões difíceis a afetar toda a família. Em “Tudo o que Tivemos”, Blythe Danner (“Entrando numa Fria”) é a idosa com Alzheimer. Robert Forster (“Jackie Brown”) é o marido com quem ela viveu 60 anos de amor e que crê que pode continuar cuidando dela e amando-a como sempre aconteceu, em casa, sem mudanças. O filho que está sempre com eles, porque vive próximo, Michael Shannon (“A Forma da Água”), já encontrou a saída, um lugar muito apropriado para internar a mãe, enquanto o pai ficaria próximo, em outro local apropriado. Será preciso vender a casa onde vivem. Hilary Swank (“Menina de Ouro”) encarna o papel da filha mais distante, que pode se permitir parar para pensar e considerar todas as possibilidades. O que mais interessa na trama do filme é esse conflito básico que hoje muitas famílias enfrentam, no mundo todo, e que não é nada fácil. Não há muita novidade na narrativa, concebida e conduzida pela diretora estreante Elizabeth Chomko, nem qualquer inovação a apontar. O filme é uma boa produção independente, convencional na forma, que vale por um ótimo elenco e um tema cada vez mais presente e relevante nos dias atuais, em que a longevidade alcançada pela medicina exige novos approaches humanos.
2ª temporada de Succession ganha primeiro trailer
O canal pago HBO divulgou o trailer da 2ª temporada de “Succession”, uma das melhores surpresas do ano passado. A prévia mostra o que acontece quando um filho trai o próprio pai, se arrepende e passa a ser humilhado pela família. Produzida pelo cineasta Adam McKay, que venceu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por “A Grande Aposta” (2015), a série acompanha uma família americana rica e influente, dona de um grande conglomerado de mídia, que também é poderosamente disfuncional. Escrita pelo inglês Jesse Armstrong (criador de “Fresh Meat” e escritor de comédias politizadas como “Conversa Truncada” e “Quatro Leões”), a atração destaca Brian Cox (“Churchill”) no papel do chefe da família Roy, um magnata que resolve reconsiderar os planos de aposentadoria, prejudicando o filho que se considera mais preparado (Jeremy Strong, de “Detroit em Rebelião”) para assumir seu lugar na empresa – e que alimenta uma rivalidade com seus irmãos ambiciosos, vividos por Sarah Snook (“O Predestinado”), Kieran Culkin (“Scott Pilgrim Contra o Mundo”) e Alan Ruck (série “The Exorcist”). Adam McKay dirigiu o primeiro episódio, assistido por 582 mil telespectadores ao vivo nos Estados Unidos, enquanto o segundo foi assinado por Mark Mylod, responsável por seis capítulos de “Game of Thrones”. A 2ª temporada tem estreia prevista para agosto, em dia ainda não divulgado.
Novo filme de Hugh Jackman chega direto em streaming no Brasil
O mais recente filme de Hugh Jackman está chegando direto em streaming no Brasil. A Sony lançou “O Favorito” (The Front Runner) nesta quarta (24/4) nas plataformas NOW, SKYPlay, Vivo Play, iTunes, GooglePlay, Looke, Oi, Playstation Store e Filmes & TV Microsoft. Drama político baseado em fatos reais, “O Favorito” foi dirigido por Jason Reitman (“Amor sem Escalas”) e acompanha o senador Gary Hart (Jackman), candidato democrata à presidência dos EUA em 1988. Considerado favorito a vencer George Bush na disputa, ele teve sua campanha promissora interrompida pela divulgação de um escândalo sexual, que se tornou uma das maiores histórias dos tabloides da época. Considerado mulherengo, apesar de casado, ele foi seguido por paparazzi em suas viagens, que flagraram um caso extraconjugal com Donna Rice, futura CEO da ONG Enough Is Enough. Sara Paxton (série “Murder in the First”) interpreta Donna Rice no longa, que ainda tem em seu elenco Vera Farmiga (série “Bates Motel”), J.K. Simmons (“Whiplash”), Kaitlyn Dever (série “Last Man Standing”), Molly Ephraim (também de “Last Man Standing”), Ari Graynor (série “I’m Dying Up Here”), Mike Judge (o criador da série “Silicon Valley”) e Kevin Pollak (“Cães de Guerra”). O filme foi lançado em novembro do ano passado nos Estados Unidos e participou de vários festivais internacionais. Mas dividiu opiniões da crítica, recebendo aprovação de 59% no site Rotten Tomatoes.
Trial by Fire: Laura Dern dá show de interpretação em trailer de drama jurídico
O estúdio americano Roadside divulgou o pôster e o primeiro trailer de “Trial by Fire”, filme dirigido por Edward Zwick (“O Último Samurai” e “Jack Reacher: Sem Retorno”). Drama baseado em uma história real, a trama gira em torno da inusitada relação entre um prisioneiro condenado à morte e uma mãe de família. Os papéis são vividos, respectivamente por Jack O’Connell (da minissérie “Godless”) e Laura Dern (“Big Little Lies”), que dão um show de interpretação na prévia, especialmente a atriz. O filme levanta a discussão sobre a pena de morte nos Estados Unidos. Durante os 12 anos em que o condenado Cameron Todd Willingham esteve preso, Elizabeth Gilbert (papel de Dern) lutou por sua liberdade, descobrindo que alguns fatos do caso talvez não fossem tão precisos para levar à sua condenação. O roteiro é de Geoffrey Fletcher, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por “Preciosa” (2009). “Trial by Fire” teve première no Festival de Tellurine no ano passado e a estreia comercial vai acontecer em circuito limitado, no dia 17 de maio nos Estados Unidos. Ainda não há previsão para o lançamento no Brasil.
Chiwetel Ejiofor tem algo importante a dizer em O Menino que Descobriu o Vento
Lembra quando os filmes se preocupavam acima de tudo em contar uma bela história? Um tempo em que ambições artísticas individuais eram colocadas em segundo plano e todos os envolvidos numa produção uniam esforços para que um filme ganhasse vida e fosse maior que cada talento pago para tirá-lo do papel. Pode ser bem filmado, escrito, interpretado, qualquer coisa, mas a história é construída sem recados panfletários para o momento político, social e econômico de sua época, embora dialogue com a realidade de qualquer geração devido aos seus temas universais e atemporais. É esse tipo de cinema que propõe o ator Chiwetel Ejiofor em sua estreia como diretor de longas-metragens. De alguma forma, os lados viscerais e emocionais de sua força como ator estão bem representados em sua visão do livro de William Kamkwamba e Bryan Mealer, “O Menino que Descobriu o Vento”. Alguns atores conseguem adaptar seus talentos para a função de diretor de uma maneira tão natural que é fácil reconhecer suas características e temáticas preferidas em cada cena. Clint Eastwood e Woody Allen tiram isso de letra, mas temos outros bons exemplos como os de Kevin Costner, que vivia um grande momento em sua carreira quando se arriscou na direção de “Dança com Lobos”, o mesmo com George Clooney, quando filmou “Boa Noite e Boa Sorte”. “O Menino que Descobriu o Vento” é a cara do ator indicado ao Oscar por “12 Anos de Escravidão”. Inteligente, humanista e extremamente honesto ao abrir seu coração. Ele conta a história real de William Kamkwamba (Maxwell Simba) que vivia em Malawi, África, em 2001, com sua pobre família, sobrevivendo de colheitas numa terra castigada pelo sol e a ausência de chuvas. Quando Ejiofor faz referência à queda das Torres Gêmeas, em Nova York, naquele ano, temos a certeza de que o cenário que veremos a seguir remete a um período de um sofrimento inimaginável para quem paga Netflix todos os meses. Lutando para ir à escola sem dinheiro, William se encanta pela ciência e vê nela a solução para os problemas da família e das pessoas ao seu redor. Só que estamos falando de um lugar esquecido pelo tempo e o mundo, onde o conservadorismo e velhas tradições imperam. A juventude e o futuro representados por William batem de frente com as convicções antigas de seu pai, Trywell (o próprio Chiwetel Ejiofor, mais uma vez sendo maravilhoso). No meio do desespero, ele acredita que chegou a hora do menino esquecer os estudos, pegar a enxada e encarar o trabalho duro. Como convencer uma pessoa com concepções firmes, mas completamente antiquadas? Essa é a grande pergunta que nos fazemos quase todos os dias sobre nossos pais – e alguns políticos. É a pergunta que faz William, que o respeita e não quer um confronto com o próprio pai, mesmo sabendo que tem razão nessa discussão. Trywell não é pintado como um vilão. Pelo contrário, ele é um pai e marido dedicado, trabalhador, um verdadeiro lutador e um homem apaixonado por sua terra, cultura e a família (a atriz que faz sua esposa, Aïssa Maïga, é sensacional). Ejiofor está ciente que não pode ceder aos clichês, embora eles circulem o filme o tempo todo. Prova disso é que ele nem sempre deixa a música ajudar nas cenas mais bonitas ou piegas, e deixa as emoções mais fortes somente para o finalzinho, o que favorece uma catarse natural e grandiosa. No entanto, comete erros de principiante. Por exemplo, ao abrir várias frentes no primeiro ato para, sem mais nem menos, abandoná-las ao se concentrar nos personagens que realmente importam. E a sequência inicial, em meio ao funeral do irmão de Trywell, chega a ser dominada por diálogos expositivos só para mostrar quem é quem. Não precisava, porque não demora tanto assim para Ejiofor explicar de fato quem realmente são essas pessoas. Do início ao fim, conhecemos cada membro da família e entendemos seus medos, mas também suas inspirações. A verdade é que “O Menino que Descobriu o Vento” possui uma trama e significados explorados centenas de vezes pelo cinema. Mas Hollywood dificilmente filmaria em Malawi preservando o dialeto local (o Chichewa), que é falado durante 90% do filme. Nisso, entra a vantagem da Netflix, que produziu o filme. A plataforma não tem medo de legendas e venceu três Oscars neste ano com um filme falado em idioma diferente ao que os americanos estão acostumados – “Roma”. E Chiwetel Ejiofor também tem algo importante a dizer, porque esta é uma história real, embora você provavelmente nunca tenha ouvido falar dela. Especialmente nesses dias em que escolas são lembradas por massacres, enquanto políticos se preocupam apenas em colocar mais armas nas ruas e fazer estudantes cantarem o hino nacional. O que “O Menino que Descobriu o Vento” faz é lembrar do poder transformador da educação. “O Menino que Descobriu o Vento” também representa, finalmente, um filme sobre adolescente negro que vai à escola sem precisar lidar com a violência das ruas. Finalmente um filme sobre africanos sem guerras ou histórias envolvendo preconceito racial. Finalmente notamos que existem outras histórias maravilhosas que merecem e precisam ser contadas. Finalmente.
Querido Menino realiza um retrato honesto do vício nas drogas
Se há um adjetivo que cabe para o filme “Querido Menino”, dirigido por Felix Van Groeningen (“Alabama Monroe”), é honesto. É um trabalho que foca na dependência química de drogas na adolescência, a partir do livro de memórias de um pai, que viveu esse drama, e também do livro do filho, que foi o protagonista da situação. O fato de combinar duas narrativas complementares, a do pai, David Sheff, e a do filho, Nic Sheff, cria algum ruído na comunicação. No entanto, a combinação das duas visões torna o problema exposto muito autêntico, verdadeiro. A trajetória do pai, sempre muito presente na vida do filho – que acaba por desconhecê-lo e de não ser mais capaz de ajudá-lo, gerando uma angústia brutal – , é algo vivido intensamente pelos familiares do dependente. No filme, a mãe e os irmãos sofrem igualmente. Não há quem possa ficar ileso à situação. Pode contribuir, porém, entender a droga, o prazer que ela traz e a consequente busca permanente por maiores doses, tentando desfrutar de novo daquele prazer inicial. Entender de que droga se está falando é igualmente importante. No caso, o que dominava era a metanfetamina, que acabou sendo a responsável pelos maiores estragos na vida do jovem. Mas ele passou por quase todas as drogas disponíveis, na busca desse prazer. E depois, para não ter de viver a dor, o desprazer da síndrome de abstinência, na ausência da droga. É isso que acaba produzindo uma ciranda interminável de consumo de psicoativos, indo de um a outro, dependendo das circunstâncias de vida, das necessidades do momento e da disponibilidade dos produtos. Percebe-se como tudo isso é misterioso, tanto para o consumidor, quanto para os que o veem de fora. Como é possível a um pai esclarecido, de ótimo nível educacional e intelectual, desconhecer essa ciranda toda, a ponto de só agir quando a coisa já passou dos limites? Como é possível que um jovem experimente de tudo, no impulso, sem nunca usar sua inteligência e capacidade de discernimento para tentar algum controle sobre a situação? Como é difícil ajudar assim, e mais: como é difícil que o dependente admita que precisa de apoio, tanto das pessoas próximas quanto de especialistas. Todas essas questões “Querido Menino” suscita e, nesse sentido, é um filme que colabora bastante para que se conheça melhor o problema. O que ajuda, também, é o tom adotado na trama. Optou-se pela intensidade dramática baixa, apesar da gravidade do assunto. Isso produz reflexão. Há momentos em que o envolvimento emocional nubla a possibilidade de compreensão. Dois ótimos atores, Steve Carell (“A Guerra dos Sexos”), o pai, e Timothée Chalamet (“Me Chame pelo Seu Nome”), o filho, com seus desempenhos precisos e contidos, trazem para o espectador a verdadeira dimensão do problema. Sem desespero, escândalo ou apelo melodramático, tudo fica mais claro e a porta de saída parece finalmente se abrir. Essa é a realidade da maioria dos casos dos que não sucumbiram diante da vida e sobreviveram a esse pesadelo. É dificílimo e demorado. Mas é possível. “Querido Menino” trilha esse caminho mais equilibrado enquanto cinema e faz um trabalho relevante. E honesto.
The Souvenir: Trailer do filme vencedor do Festival de Sundance destaca filha de Tilda Swinton
A A24 divulgou o pôster e o trailer de “The Souvenir”, drama britânico que venceu a mostra competitiva internacional do Festival de Sundance deste ano. A prévia mostra um relacionamento destrutivo, em que um homem manipula uma mulher apaixonada. Mas o destaque principal está na relação entre as intérpretes de mãe e filha. “The Souvenir” marca o primeiro papel de destaque de Honor Swinton Byrne, que contracena com sua mãe de verdade nas cenas, a atriz Tilda Swinton. As duas já tinham trabalhado juntas há dez anos, no único filme anterior de Honor, feito quando ela ainda era criança – “Um Sonho de Amor” (2009). O terceiro nome do elenco é o ator Tom Burke (o Athos da série “The Musketeers” e o Comoran Strike de “Strike”). Tendo como pano de fundo a indústria cinematográfica, “The Souvenir” acompanha uma estudante de cinema (Swinton Byrne) que conhece um homem misterioso (Burke). Em poucos dias, os dois se envolvem num caso de amor sério, mesmo ignorando as preocupações da mãe (Swinton) da jovem e de seus amigos. A estudante passa a tomar grandes quantias de dinheiro de seus pais, entregando-se ao relacionamento e às necessidades de seu novo amor. Por curiosidade, o título se refere a uma pintura de Jean-Honoré Fragonard, feita em 1778, que é vista na cena final da prévia. O filme tem roteiro e direção de Joanna Hogg, diretora de “Aquipélogo” (2010) e “Exibição” (2013), que se baseou numa experiência de sua vida, e deu tanto o que falar durante sua passagem por Sundance que vai ganhar continuação, atualmente em desenvolvimento. Entre os produtores executivos do longa, ainda tem destaque o nome do diretor Martin Scorsese. “The Souvenir” chega aos cinemas americanos em 17 de maio e ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.
Se a Rua Beale Falasse usa a beleza do amor para enfrentar a feiura do racismo
O cinema poucas vezes neste século soube traduzir o amor em imagens tão belas. Na adaptação do livro “Se a Rua Beale Falasse”, o cineasta Barry Jenkins (de “Moonlight”) faz com imagens o que o autor James Baldwin faz com palavras: pura poesia. Mas há uma razão para o filme ser tão belo. Jenkins quer que o amor vença a dureza da realidade, os preconceitos e o racismo nojento que destrói sonhos. Como os do jovem casal Tish (a estreante KiKi Layne) e Fonny (Stephan James), que cresceram juntos e se apaixonaram nos anos dourados da juventude. Mas antes de entrarem na complexidade da vida adulta e em entre as quatro paredes que testam a força de qualquer relacionamento, ela engravida e Fonny é preso injustamente. A acusação é estupro, mas estamos falando de uma sentença decretada pela cor da pele. Se hoje seria missão impossível para um inocente sair da cadeia com esse peso nas costas, imagine para um homem negro em plena década de 1970. É natural pensar que, a partir deste ponto, “Se a Rua Beale Falasse” ganhará status de novelão, mas Barry Jenkins não quer saber de melodrama. Também não quer transformar a prisão de Fonny em busca de justiça a qualquer preço ou fazer do personagem um mártir. O diretor e roteirista está interessado em contrastes, embora deixe clara sua intenção de preferir o amor ao discurso político e social, tarefa que cabe a quem assistir ao filme. Para cada sorriso, uma lágrima. Para cada cena feliz, uma tristeza chega repentinamente para equilibrar o tom. Por exemplo, repare na cena em que os pais de Tish convidam a família de Fonny para o anúncio da gravidez da menina. A alegria logo dá lugar a um estressante desentendimento, carregado de mágoa, como uma reviravolta que acontece no meio de encontros casuais nas melhores famílias. Em outra cena, Fonny e um amigo tem um papo descontraído, pouco a pouco substituído pela melancolia e o medo causado pelo racismo. Existem outras cenas que revelam essa dualidade, como a abertura do filme, com Tish e Fonny caminhando juntos para Barry Jenkins mostrá-los logo depois separados por um vidro. Mas não pense que o choro sempre interrompe um sorriso, porque Barry Jenkins se recusa a abraçar a tragédia mesmo nos momentos mais difíceis para o casal. O cineasta nunca esconde a existência do ódio e a ameaça dos brancos racistas, mas não é panfletário, e coloca o amor acima de tudo. Quando não há mais esperança, ele tem a ousadia de entregar uma cena de parto natural, que representa um novo começo e é uma das coisas mais maravilhosas do cinema recente. Onde Barry Jenkins e o diretor de fotografia James Laxton colocaram a maldita câmera nesta cena? Teria sido um truque de CGI e edição imperceptível como fez Alejandro González Iñárritu ao longo de “Birdman”? Provavelmente, apenas a magia do cinema. Jenkins ainda é jovem e tem muito para dar à sétima arte. Mas ele está no controle de seu ofício em “Se a Rua Beale Falasse”. Só um diretor experiente deixaria a trama fluir sem ruídos na narrativa ao entrelaçar seu filme com idas e vindas entre passado e presente. A montagem se confunde na linha temporal, mas se organiza facilmente na mente do espectador embriagado com tanta beleza. Sua sintonia profunda com a música belíssima de Nicholas Britell é o cinema dizendo que a vida tem trilha sonora. E é curioso que Jenkins abra o filme contando o elo do jazz e Louis Armstrong com a Rua Beale, em New Orleans, mas jamais mostre músicos exercendo suas profissões. Ele mostra discos tocando e é só. É como se a música tocasse para valer apenas nas mentes de Tish e Fonny. Para completar, é preciso destacar ainda a bravura de Regina King como a mãe de Tish, que coloca o amor pela filha acima de sua própria vida. É tudo muito honesto e direto, com personagens excessivamente em closes, olhando para dentro de nossos olhos. O racismo é real e você precisa ver que ele está lá. Mas também precisa ter esperança e se agarrar ao que te faz feliz.
Glenn Close transforma A Esposa em filme de Oscar
Glenn Close nunca ganhou um Oscar. Sua primeira indicação (como Melhor Atriz Coadjuvante) foi em 1982 (!) por “O Mundo Segundo Garp”, mas quem levou foi Jessica Lange por “Tootsie” (merecido, né). De lá para cá foram mais seis nominações: em 1984 e 1985 por “Os Amigos de Alex” e “The Natural”, em 1987 por “Atração Fatal” (ela perdeu para Cher em “Moonstruck” – sério), em 1989 por sua atuação no maravilhoso “Ligações Perigosas” (Jodie Foster levou por “Acusados”) e 2011 por “Albert Nobbs”. Com “A Esposa”, ela soma sua 7ª indicação, e será meio difícil tirar a estatueta dourada dela – ainda que se prefira Olivia Colman em “A Favorita” – , pois a atriz carrega totalmente sozinha a boa história inspirada no livro de “The Wife” (2003), de Meg Wolitzer, lutando contra um elenco deslocado e mal dirigido: Max Irons (filho de Jeremy Irons) entrega uma atuação patética como filho do casal e, nos flashbacks, Harry Lloyd interpreta um Joe Castleman (o marido jovem do personagem de Glenn Close) digno de novela das 19h da Rede Globo. Pisando sobre todos eles, inclusive um irreconhecível Christian Slater (como o biógrafo mala), Glenn Close brilha numa trama que começa quando o marido Joe (Jonathan Pryce) recebe o Prêmio Nobel de Literatura e precisa ir a Estocolmo receber as honrarias. Sua esposa, Joan (Glenn), entra numa espiral de repensar as escolhas de sua vida, e a trama (meio Agatha Christie, ainda que um tiquinho óbvia) irá revelando aos poucos como o casal construiu seu passado (e seu presente). No fim das contas, um bom filme médio do sueco Björn Runge (“Happy End”), feito para Glenn Close brilhar. Mas será que isso basta para levar o Oscar?
Uma Viagem Inesperada: Filme argentino com Débora Nascimento ganha trailer legendado
A Boulevard Filmes divulgou o pôster nacional e o primeiro trailer legendado de “Uma Viagem Inesperada”, coprodução entre Argentina e Brasil, que traz a atriz Débora Nascimento (atualmente na novela “Verão 90”) no elenco. A trama gira em torno do relacionamento entre um pai distante (interpretado por Pablo Rago, de “O Segredo de Seus Olhos”), que vive no Rio, e seu filho, que sofre bullying em sua escola argentina. O trabalho numa plataforma de petróleo o afastou da família. Mas, devido aos problemas com seu filho, ele precisa voltar para o seu país natal e retomar a convivência. Debora Nascimento interpreta Lucy, a namorada de Pablo. O filme foi rodado entre Rio de Janeiro e as cidades de Buenos Aires e Bolívar, com direção do veterano Juan José Jusid (“Apaixonados”), e estreia em 28 de março no Brasil.
Spike Lee vai dirigir astro de Pantera Negra em drama para a Netflix
Spike Lee já definiu seu próximo filme, após as indicações ao Oscar de “Infiltrado na Klan”. O cineasta vai escrever e dirigir o drama “Da 5 Bloods”, que será estrelado por Chadwick Boseman (o “Pantera Negra”) e realizado para a Netflix. O longa vai acompanhar veteranos da guerra do Vietnã em sua volta para casa nos anos 1970, enfrentando dificuldades para se ajustar a um mundo que seguiu adiante sem eles. Será o segundo filme sobre militares de Lee, que em 2008 dirigiu “Milagre em Sta. Anna”, passado na 2ª Guerra Mundial. Em “Da 5 Bloods”, ele vai voltar a trabalhar com Kevin Willmott, com quem escreveu “Infiltrado na Klan” (2018) e “Chi-Raq” (2015), e ainda contará no elenco com Delroy Lindo (“The Good Fight”) e Jean Reno (“O Profissional”). Ainda não há data definida para a estreia da produção.











