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    Relançamento de Vingadores: Ultimato joga estreias da semana no circuito limitado

    11 de julho de 2019 /

    O relançamento de “Vingadores: Ultimato” é a estreia mais ampla desta quinta (11/7), um caso nunca visto antes de filme que volta sem nunca ter saído de cartaz e de versão estendida que não estende um segundo sequer da trama. Mas graças a esse caça-níquel e aos blockbusters em exibição, as verdadeiras estreias da semana foram praticamente restritas ao circuito limitado. Entre as novidades, “Atentado ao Hotel Taj Mahal” tem o maior lançamento. Conhecido no resto do mundo como “Hotel Mumbai”, o longa transforma em suspense a reconstituição dramática de um ataque terrorista que aconteceu em 2008 num dos hotéis mais luxuosos da Índia, repleto de estrangeiros. O bom elenco internacional destaca Dev Patel (“Lion”), Armie Hammer (“Me Chame pelo Seu Nome”) e Nazanin Boniadi (“Counterpart”). Elogiado pela crítica americana, tem 76% de aprovação no Rotten Tomatoes. O resto da programação se restringe a três lançamentos europeus e um documentário brasileiro, que é, na verdade, o melhor da lista. “Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar”, do veterano cineasta pernambucano Marcelo Gomes, retrata a rotina de uma cidadezinha no agreste conhecida por suas confecções de jeans, onde todos são obcecados pelo trabalho. Por vezes, parece uma obra de ficção. Mas seus personagens são reais. Exibido no Festival de Berlim, foi premiado no recente É Tudo Verdade. Outro lançamento premiado, o drama francês “Inocência Roubada”, reflete sobre o trauma do abuso infantil numa mulher adulta. Estreia do casal de diretores Andréa Bescond e o ator Eric Métayer, venceu o César de Melhor Roteiro e Atriz Coadjuvante (Karin Viard). Entretanto, é o outro francês, “Amor à Segunda Vista”, que tende a conquistar mais público. A história do homem que vai parar numa realidade paralela, em que o amor de sua vida nem sabe que ele existe, é uma comédia romântica fantasiosa. O estilo tem dominado produções nacionais recentes, mas o diretor Hugo Gélin (de “Uma Família de Dois”) evita clichês para divertir com criatividade. Por fim, o infantil alemão “A Pequena Travessa” é a última opção. Literalmente. Confira abaixo a lista completa das estreias da semana com suas sinopses e trailers. Atentado ao Hotel Taj Mahal | EUA | Thriller Mumbai, Índia, 2008. Um grupo de terroristas chega à cidade de barco, disposto a promover uma série de ataques em locais icônicos da cidade. Um deles é o luxuoso hotel Taj Mahal, bastante conhecido pela quantidade de estrangeiros e artistas que nele se hospedam. Quando os ataques começam, o humilde funcionário Arjun (Dev Patel) tenta ajudar todos a se protegerem, enquanto David (Armie Hammer) e Zahra (Nazanin Boniadi) buscam algum meio de retornar ao quarto em que estão hospedados, já que nele está seu bebê e Sally (Tilda Cobham-Hervey), sua babá. Amor à Segunda Vista | França | Comédia Do dia para a noite, Raphael (François Civil) acorda em um universo paralelo onde ele nunca conheceu Olivia (Joséphine Japy), o amor da sua vida. Agora ele precisa reconquistar a sua esposa, mesmo sendo um completo estranho para ela. Enquanto Raphael tenta entender exatamente o que aconteceu, ele corre contra o tempo para não perdê-la. Inocência Roubada | França | Drama Aos oito anos, Odette (Andréa Bescond) gostava de pintar e desenhar, como todo criança inocente. Eventualmente, ela também brincava com os adultos, por isso não recusou participar de uma “guerra de cócegas” com um homem mais velho, amigo de seus pais. Anos depois, Odette é uma adulta assombrada pelos traumas da infância, algo que ela vem tentando esquecer através da dança, atividade que ela pratica profissionalmente. A Pequena Travessa | Alemanha | Infantil Lilli Susewind (Malu Leicher) tem a habilidade de falar com animais, mas, fora seus pais, ninguém sabe deste segredo. Quando ela conhece Jess (Aaron Kissiov), um menino divertido e misterioso de sua nova escola, decide contar para ele. Juntos, os dois precisam achar um filhote de elefante que foi roubado do zoológico da cidade. Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar | Brasil | Documentário Na cidade de Toritama, considerada um centro ativo do capitalismo local, mais de 20 milhões de jeans são produzidas anualmente em fábricas caseiras. Orgulhosos de serem os próprios chefes, os proprietários destas fábricas trabalham sem parar em todas as épocas do ano, exceto o carnaval: quando chega a semana de folga, eles vendem tudo que acumularam e descansam em praias paradisíacas.

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    Homem-Aranha: Longe de Casa é o grande lançamento da semana nos cinemas

    3 de julho de 2019 /

    Os cinemas brasileiros voltam a ser monopolizados por uma produção de super-heróis. “Homem-Aranha: Longe de Casa” estreia nesta quinta-feira em 1,6 mil salas, após bater recordes de arrecadação na China e nos Estados Unidos. Bastante elogiado pela crítica internacional, o filme é continuação direta do blockbuster “Vingadores: Ultimato” e mostra o herói (Tom Holland) ainda processando os eventos recentes, crise existencial potencializada para chegada de Mysterio (personagem vivido por Jake Gyllenhaal). Com muitas reviravoltas – algumas óbvias para os leitores dos quadrinhos clássicos – e uma surpresa inesperada para os fãs da trilogia original do Aranha, é tão bom quanto o divertido “Homem-Aranha: Volta ao Lar” e mais um blockbuster garantido para o MCU (Universo Cinematográfico da Marvel). Todos os demais lançamentos da semana são restritos ao circuito limitado – isto é, só entram em cartaz em um punhado (ou menos) de cidades. O melhor da programação alternativa é o drama “A Árvore dos Frutos Selvagens”, do célebre cineasta turco Nuri Bilge Ceylan (“Era uma Vez na Anatólia”, “Winter Sleep”). Exibido no Festival de Cannes, tem ritmo lento, mas compensa com uma fotografia e conteúdo primorosos, ao usar a experiência de um jovem, que retorna para sua pequena comunidade após a faculdade, como reflexão sobre a vida na Turquia moderna – e no mundo. Atingiu 95% de aprovação no site Rotten Tomatoes. O resto da seleção inclui um documentário sobre o diretor brasileiro Neville D’Almeida (“A Dama do Lotação”) e três longas franceses. O destaque desta lista é a comédia “Um Homem Fiel”, segundo longa dirigido pelo ator Louis Garrel, que segue os passos do pai (o cineasta Philippe Garrel) ao filmar o tema favorito do cinema francês: a infidelidade. O próprio Garrel assina o roteiro e também se escalou no papel principal para ser disputado por sua esposa, Laetitia Casta, e a jovem filha do ator Johnny Depp, Lily-Rose Depp. Confira abaixo a lista completa das estreias da semana com suas sinopses e trailers. Homem-Aranha: Longe de Casa | EUA | Super-Heróis A Árvore dos Frutos Selvagens | Turquia | Drama Sinan (Doğu Demirkol) é um jovem apaixonado por literatura que sempre sonhou em se tornar um grande escritor. Ao retornar para o vilarejo em que nasceu, ele faz de tudo para conseguir juntar dinheiro e investir na sua primeira publicação. O problema é que seu pai deixou uma dívida que atrapalhará os seus planos. Um Homem Fiel | Comédia | França Nove anos depois de deixá-lo pelo seu melhor amigo, a agora viúva Marianne (Laetitia Casta) volta para o jornalista Abel (Louis Garrel). Porém, o que parece um belo recomeço logo se mostra bem mais complicado e Abel se vê enrolado em um monte de drama, como as maquinações do estranho filho de Marianne e a questão de afinal o que aconteceu com o ex marido dela. Cézanne e Eu | Drama | França A história de amizade e rivalidade entre o pintor Paul Cézanne (Guillaume Canet) e o escritor Émile Zola (Guillaume Gallienne). Paul é rico. Emile é pobre. Mas dessa união irá surgir uma amizade que resiste ao tempo e às diferenças sociais. Os amigos, que se conheceram no colégio Saint Joseph, aprenderam desde crianças a compartilharem tudo um com o outro. Mas, na busca por realizar seus sonhos, os dois vão aprender a enfrentar os desafios da vida e, principalmente, sobre o valor da verdadeira amizade. Boas Intenções | Comédia | França Isabelle (Agnès Jaoui) dedica todo o seu tempo ao trabalho humanitário, ajudando imigrantes, doando roupa, preparando comida e ministrando aulas de francês para estrangeiros. Um dia, quando uma professora mais jovem aparece no mesmo centro onde ela dá aulas, Isabelle começa a se sentir ultrapassada. Enquanto se envolve numa competição com a novata, começa a negligenciar o marido e os filhos, criando outros problemas para solucionar além da miséria no mundo. Neville D’Almeida: Cronista da Beleza e do Caos | Brasil | Documentário Através de entrevistas, raras imagens de arquivo e um vasto material iconográfico, esse documentário busca resgatar a vida e o trabalho do cineasta Neville D’Almeida, desde a era do Cinema Marginal até o presente. Responsável por grandes sucessos como “A Dama da Lotação” e “Os Sete Gatinhos” e premiado em inúmeros festivais, Neville ainda assim teve muitos problemas com a censura durante o regime militar e também com o que ele chama de “ditadura dos editais”.

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    Turma da Mônica, Pets 2 e Annabelle 3 disputam as bilheterias de cinema da semana

    27 de junho de 2019 /

    Os cinemas recebem três candidatos a blockbuster nesta quinta-feira (27/6), que devem travar uma disputa acirrada nas bilheterias. Dois deles são lançamentos infantis. O outro é um terror com crianças e boneca. O destaque é, sem dúvidas, “Turma da Mônica – Laços”, primeiro filme live-action baseado nos personagens de quadrinhos de Mauricio de Sousa. Deveria estar, inclusive, em mais salas. Mas pesou a força da multinacional Universal, que colocou a animação “Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2” na maior quantidade de cinemas. O filme dirigido por Daniel Resende (de “Bingo: O Rei das Manhãs”) é melhor que o desenho animado e tem muito mais apelo para o público brasileiro. Para os mais crescidinhos, “Annabelle 3: De Volta para Casa” chama atenção por parecer praticamente “Invocação do Mal 3”. A trama resgata o casal Warren (Vera Farmiga e Patrick Wilson) e mostra o que acontece quando sua filha pequena (a precoce Mckenna Grace) precisa passar uma noite sozinha com a babá adolescente na casa da família, cheia de artefatos malignos como a própria Annabelle. O resultado é “uma noite no museu”… do terror. O circuito limitado exibe mais três longas brasileiros e uma produção francesa. Entre eles, está um dos melhores filmes de 2019. Não há elogios capazes de fazer justiça a “Divino Amor”, novo filme de Gabriel Mascaro (“Boi Neon”), que tem impressionantes 100% de aprovação no site americano Rotten Tomatoes. Visionário, o longa foi filmado antes da eleição de Jair Bolsonaro, mas previu um país de futuro extremamente conservador. A trama se passa em 2027, após o Carnaval perder a primazia para a festa evangélica do Amor Supremo, uma espécie de rave cristã que marca a espera pela segunda vinda de Jesus. Neste futuro, equipamentos eletrônicos reforçam a proibição de aborto ao escanear mulheres grávidas e pastores fazem plantão em drive-thrus da fé, para aconselhar crentes em tudo. Provocador. Instigante. “Handmaid’s Tale” brasileiro. Muitos adjetivos mais. Outra alternativa aos filmes de shopping, o envolvente longa francês “Cyrano Mon Amour” conta a história dos bastidores da peça “Cyrano de Bergerac”, escrita por Edmond Rostand no final do século 19. Mais fantasia que cinebiografia, o lançamento também é um exemplar bastante ilustrativo dos critérios bizarros que marcam a “tradução” dos títulos de filmes no Brasil. A obra que chega por aqui com nome francês se chama… “Edmond”… na França! Confira abaixo a lista completa das estreias da semana com suas sinopses e trailers. Turma da Mônica – Laços | Brasil | Infantil Floquinho, o cachorro do Cebolinha (Kevin Vechiatto), desapareceu. O menino desenvolve então um plano infalível para resgatar o cãozinho, mas para isso vai precisar da ajuda de seus fiéis amigos Mônica (Giulia Benite), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira). Juntos, eles irão enfrentar grandes desafios e viver grandes aventuras para levar o cão de volta para casa. Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2 | EUA | Animação Nova York. A vida de Max e Duke muda bastante quando sua dona tem um filho. De início eles não gostam nem um pouco deste pequeno ser que divide a atenção, mas aos poucos ele os conquista. Não demora muito para que Max se torne superprotetor em relação à criança, o que lhe causa uma coceira constante. Quando toda a família decide passar uns dias em uma fazenda, os cachorros enfrentam uma realidade completamente diferente com a qual estão acostumados. Annabelle 3: De Volta para Casa | EUA | Terror Quando Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) deixam sua casa durante um fim de semana, a filha do casal, a pequena Judy Warren (Mckenna Grace), é deixada aos cuidados de sua babá (Madison Iseman). Mas as duas entram em perigo quando a maligna boneca Annabelle, aproveitando que os investigadores paranormais estão fora de jogo, anima os letais e aterrorizantes objetos contidos na Sala dos Artefatos dos Warren. Divino Amor | Brasil | Sci-Fi Joana (Dira Paes) trabalha como escrivã em um cartório e, profundamente religiosa e devota à ideia da fidelidade conjugal, sempre tenta demover os casais que volta e meia surgem pedindo o divórcio. Tal situação sempre a deixa à espera de algum reconhecimento, pelos esforços feitos. Entretanto, a situação muda quando ela própria enfrenta uma crise em seu casamento. Cyrano Mon Amour | França | Drama Em 1897, Edmond Rostand (Thomas Solivérès) não tem nem 30 anos de idade ainda, mas já tem dois filhos e muitos anseios. Desesperado por trabalho e há dois anos sem conseguir escrever nada, ele oferece ao renomado Benoît-Constant Coquelin (Olivier Gourmet) uma nova peça, uma comédia heroica a ser entregue na época das festas. Só tem um problema, ele ainda não a escreveu. Esta peça viria a ser o clássico “Cyrano de Bergerac”. O Olho e a Faca | Brasil | Drama Roberto (Rodrigo Lombardi) trabalha numa base de petróleo e passa longos meses afastado da esposa e dos dois filhos. Nos momentos de distância, inicia um relacionamento com outra mulher. Um dia, Roberto recebe uma promoção no emprego, forçando-o a ficar ainda menos presente para a família e os amigos. Blitz | Brasil | Drama Depois de ter sido acusado do assassinato de uma jovem durante uma Blitz em uma escola, a vida do Cabo Rosinha (Rui Ricardo Dias) começa a desmoronar completamente. Enquanto habitantes da cidade onde mora se revoltam contra ele, sua esposa corre contra o tempo para descobrir o que realmente aconteceu antes que a situação traga consequências fatais.

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    Democracia em Vertigem reflete impasses do cinema militante no Brasil

    24 de junho de 2019 /

    Lamento profundamente discordar da grande onda de encantamento e comoção em torno de “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, mas gostaria de propor uma reflexão sobre porque esse filme me pareceu tão insatisfatório. Gostaria de começar lançando uma pergunta: a quem esse filme se destina? Petra tem como objetivo promover uma análise panorâmica sobre as transformações políticas de nosso país. Como um país que guiava em direção à democracia, enfrentou, em tão pouco tempo, uma descontinuidade abrupta, a ponto de a diretora considerar que a democracia foi na verdade “um sonho efêmero”? A base dessa pergunta já revela os pressupostos políticos da realizadora. A questão não é propriamente “de que lado ela (ou o filme) está” mas quais os métodos utilizados pelo filme para dar forma ao seu discurso. E o que o desenvolvimento desse discurso provoca como reflexão sobre o curso de nosso país. Pois bem: a partir dessa ambição panorâmica a nível macro, Petra adiciona um elemento típico de sua filmografia – uma análise pessoal, como uma espécie de documentário em primeira pessoa. Contemplar a presença da morte, do fracasso ou da culpa já estava presente no seu anterior “Elena” (2012). O desafio de “Democracia” é então articular o drama familiar individual em primeira pessoa com a observação macro dos rumos políticos do país. Na dimensão individual, Petra lança alguns elementos. O principal deles é a sua própria voz-over, que se afasta das imponentes “vozes-de-deus” em tom “branco” e preenche a camada sonora com um perfil humano comum. O segundo é a reflexão sobre o choque de perspectivas entre seus pais, antigos militantes de esquerda (sua mãe chegou a ser presa no mesmo local de Dilma), e a tradição de seus avós, ricos empresários da Andrade Gutierrez, uma das empresas denunciadas na Lava Jato. Petra então é herdeira direta desses dois grupos opostos que fracassaram – os militantes de esquerda e a elite empresarial brasileira. No entanto, os impasses dessa filiação não são aprofundados de fato pela realizadora. “Democracia em Vertigem” não é uma reflexão sobre a posição de classe da realizadora ou sobre o fracasso de uma geração, aos moldes de filmes que trabalham as fissuras da linguagem documental, aprofundando e complexificando suas cicatrizes, como “Os Dias com Ele” (2012), de Maria Clara Escobar, um duro acerto de contas da própria realizadora com seu pai, ou mesmo “Santiago” (2007) e “No Intenso Agora” (2017), de João Moreira Salles. A inclusão do elemento familiar ou íntimo acaba servindo na verdade como mero entremeio para a principal função do filme: a construção de uma narrativa sobre as transformações do regime político brasileiro, ou ainda, a perda de legitimação do Partido dos Trabalhadores e a ruptura da tradição democrática. A forma como Petra constrói essa narrativa macropolítica articula as imagens de arquivo com a própria narração de Petra, que, por boa parte do filme, meramente ilustra e costura o que as imagens em si não conseguem propor. Assim, a voz-over, mais do que investir no documentário em primeira pessoa, funciona como alicerce para a corroboração da construção de uma narrativa (um discurso) sobre o país. É ela quem no fundo apresenta o que é o filme. A forma didática e linear, com relações de causa-e-efeito forçadas, sem grandes sutilezas, desvela uma narrativa sem grandes novidades em relação ao discurso hegemônico da esquerda. São raros os momentos em que o filme procura inserir camadas de cinza ou questionamentos sobre algumas contradições e paradoxos internos do PT. São raros os momentos em que o filme reflete sobre a própria produção dessas imagens, sobre suas lacunas ou fissuras. Um deles, notável exceção, ocorre durante a posse de Dilma, quando Lula, Dilma e Marisa descem a rampa do Planalto, com a companhia de Temer. Nesse momento, o filme promove uma leitura dessa imagem como um certo prenúncio do impeachment, visto o nítido isolamento de Temer em relação aos outros três corpos. Em outro deles, Dilma confidencia a Lula, no momento imediatamente após a confirmação do resultado da sua primeira eleição como presidente: “você que inventou essa”. Nesses momentos, parece que o filme escapa de sua vocação apriorística e se abre para as dobras e os paradoxos das imagens. São momentos em que o filme se liberta da necessidade de corroborar um discurso e mergulha em simplesmente olhar para as imagens e tentar entender o que elas dizem, suas camadas e hiatos. Sinto falta no filme de Petra que ela realmente olhe para as imagens, antes de manuseá-las como função no interior da narrativa. Ou seja, as imagens parecem que estão aprisionadas diante do discurso prévio da realizadora. Petra lida com essas imagens sem deixá-las respirar ou falar por si mesmas, mas as mostra apenas se servem como testemunha ou elemento de acusação, ou ainda como mera peça de uma grande tapeçaria, como se realizasse uma narrativa típica do cinema clássico, mas com imagens que não lhe pertencem. O que sobrevive do filme de Petra não é sua narrativa de costura forçada, em grande máquina industrial, simulando um look semicaseiro, mas os pequenos momentos em que as imagens, sorrateiras e traiçoeiras, se libertam do arremedo totalizante da realizadora e se deixam revelar em suas bordas e lacunas. Mas aqui volto a pergunta inicial: a quem o filme se destina? Pela exposição minuciosa dos grandes temas já exaustivamente apresentados pela grande imprensa, como um grande resumo jornalístico, sem apresentar grandes novidades ou reflexões mais aprofundadas, me parece que o filme se destina primordialmente para um público que não tem muita intimidade com o desenrolar dos fatos, especialmente para o público estrangeiro. Ainda mais pelo fato de o filme ser produzido e distribuído mundialmente pela Netflix, a suspeita se reforça. Alguns poderiam estranhar o fato de uma empresa internacional – que se movimenta para aprovar a regulação do VOD no país, ainda em suspenso, favoravelmente a seus interesses comerciais, inclusive articulando sua inclusão no Conselho Superior de Cinema – produzir um filme com um discurso claramente oposto ao governo no poder. Mas “Democracia em Vertigem” é o outro lado de “O Mecanismo” – série de José Padilha que causou polêmica ao tratar, por meio da ficção, os acontecimentos da Lava Jato de forma um tanto caricata e irresponsável, como um mero thriller policial. É o avesso que confirma a regra, já que, no fundo, o que a empresa busca, para além de sua inclinação ideológica, é a realização de produtos que gerem dinheiro. E o valor, no mundo do capitalismo cognitivo, está diretamente relacionado com o quanto de buzz o filme consegue movimentar nas mídias, nas redes sociais, de uma classe média pronta para consumir esses produtos. Ou seja, a ideologia do capital é o próprio capital. Pois se a democracia está em vertigem, em crise ou em risco, “Democracia em Vertigem” nunca se põe verdadeiramente em risco, nunca provoca de fato o espectador para as contradições de seu momento histórico ou para o papel e a função das imagens. Meramente ilustrativo sobre um discurso firmemente sustentado a priori, descrito pela narração em over, “Democracia” arrola um conjunto de tautologias, repetindo para o público de esquerda os mantras já fartamente conhecidos por ele. Concluo então pensando como pode ser o cinema político. No mundo de grandes dualismos em que vivemos, a política no cinema não deve ser dissociada da questão da liberdade. O fracasso de “Democracia em Vertigem” é que o projeto tautológico da realizadora raramente estimula que o espectador veja o mundo com seus próprios olhos. Guiando-o pelas mãos a partir de uma identificação com a própria posição da realizadora, o público (de esquerda) de “Democracia em Vertigem” passeia pela narrativa confortavelmente, como se estivesse descorporificado, com se flanasse pelas belas imagens de Brasília a bordo de um dos drones que sobrevoam a paisagem. Há aqueles que criticam a posição de Petra analisando as contradições de seu “lugar de fala”, que exacerba sua leitura classista dos acontecimentos – ou seja, a diretora, mesmo filha de militantes, permanece seguramente ancorada no seu lugar de privilégio. Mas nem recorro a esse ponto. Para além da falta de coerência entre a articulação entre o íntimo e o coletivo, destinada aos brasileiros e estrangeiros da “esquerda do Netflix”, o grande problema de “Democracia” está na superficialidade de sua visão de país. Problema que também perpassa, ou atravessa, um elemento crucial, tipicamente cinematográfico: sua falta de ousadia, sua incapacidade de sonhar, sua atrofia em imaginar aquilo que as imagens e os discursos prontos não respondem de supetão. No fundo, a tautologia de “Democracia em Vertigem”, ao construir uma narrativa fechada dos vilões que surrupiaram o poder, reflete a falta de um projeto político-estético para o cinema de esquerda do país de hoje – ou ainda, os impasses de certo cinema militante hoje no país. Por isso, o que me espanta não é propriamente o filme realizado por Petra mas especialmente a recepção – rápida e instantânea – que o filme atingiu num certo público – em especial cineastas e artistas de esquerda. Uma adesão instantânea que bloqueia os paradoxos do discurso apresentado pelo filme. Uma reação que me parece refletir um certo “desespero”, como se esse filme fosse uma âncora, bússola ou mapa, para mostrar à sociedade que é preciso acreditar nessa narrativa para que possamos sobreviver à loucura ou à tormenta. Mais interessante que o filme tem sido acompanhar a recepção de “Democracia em Vertigem”. A comoção em torno do filme acaba evidenciando a profunda falta de perspectivas e a crise de pensamento da hegemonia da esquerda brasileira. Se quisermos virar o jogo, precisamos de narrativas melhores.

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    O Barato de Iacanga vence o festival In-Edit Brasil

    23 de junho de 2019 /

    O filme “O Barato de Iacanga”, de Thiago Mattar, foi anunciado como vencedor do prêmio do júri do Festival In-Edit Brasil 2019, realizado em São Paulo e focado em documentários musicais. Com imagens raras de shows, “O Barato de Iacanga” resgata o lendário Festival de Águas Claras, que teve quatro edições realizadas entre 1975 e 1984 numa fazenda em Iacanga, no interior paulista. Considerado o “Woodstock brasileiro”, o evento reuniu artistas como Os Mutantes, João Gilberto, Gonzaguinha, Gilberto Gil, Som Nosso de Cada Dia, Egberto Gismonti, Raul Seixas, Alceu Valença e Jorge Mautner. E sofreu perseguição da ditadura militar por conta de sua influência hippie – com amor e drogas livres. A pesquisa de material do diretor, em busca de registros considerados perdidos, durou 10 anos. Com a vitória, “O Barato de Iacanga” será exibido também na edição 2019 do In-Edit em Barcelona e no circuito internacional dos festivais In-Edit. O júri do In-Edit Brasil ainda concedeu um prêmio especial para “Dorival Caymmi – Um Homem de Afetos”, dirigido por Daniela Broitman, que também ficou com o Prêmio do Público. Veja abaixo o trailer do principal vencedor.

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    Toy Story 4 é o principal lançamento da semana nos cinemas

    20 de junho de 2019 /

    “Toy Story 4” é a grande estreia de cinema desta quinta (20/6). Elogiadíssimo pela crítica internacional – 98% de aprovação no site americano Rotten Tomatoes – , o longa supera qualquer ceticismo diante da suspeita de caça-níquel e surpreende por oferecer uma conclusão à altura da franquia animada, que a maioria já supunha fechada com chave de ouro no filme anterior. Vai disputar e possivelmente vencer o Oscar de Melhor Animação. Mais dois filmes americanos completam a programação dos shopping centers. Tanto a comédia “Casal Improvável” quanto o drama musical “Espírito Jovem” são bons lançamentos em seus gêneros. Mas não apresentam grandes novidades. Seth Rogen já formou casal improvável com outra loira refinada em “Ligeralmente Grávidos” (2007), enquanto “O Ídolo” (2015) acompanhou um candidato mais interessante de reality musical, que não só era pobre como vinha da região conflagrada da Faixa de Gaza. De todo modo, vale destacar que Elle Fanning realmente canta (como Taron Egerton em “Rocketman”) as músicas de “Espírito Jovem”, ao tentar vencer o programa de calouros que pode transformá-la numa popstar. O padrão elevado de qualidade da semana aumenta ainda mais com os lançamentos do circuito limitado. Os dois dramas franceses são ótimos, de cineastas premiados e de temática atual. “Maya”, de Mia Hansen-Løve, acompanha um jornalista traumatizado que tenta superar seu sequestro por terroristas na Síria, enquanto “Graças à Deus”, de François Ozon, é o filme mais corajoso já feito sobre denúncias de pedofilia na Igreja Católica. A obra de Ozon dá nomes verdadeiros e conta uma história real, que ainda está se desdobrando na França, sem rodeios e sem temer processos dos padres envolvidos, que ameaçaram o diretor, antes de serem condenados na Justiça pelos abusos retratados. O que o filme mostrou repercutiu depois das sessões. E ainda rendeu ao cineasta o Grande Prêmio do Juri no Festival de Berlim deste ano. Filmaço – com 90% de aprovação no Rotten Tomatoes. O último drama da lista é o brasileiro “Deslembro”, que também é parcialmente falado em francês. A trama acompanha mãe e filha exiladas na França, que voltam ao Brasil com a abertura política dos anos 1980. A menina, porém, odeia a mudança e não entende nada da situação, achando que o pai é considerado desaparecido apenas porque saiu de casa e não voltou mais. A obra escrita e dirigida por Flávia Castro venceu os prêmios do público e da crítica no Festival do Rio passado e o Festival de Biarritz, na França. Sua abordagem é especialmente indicada para a geração que não vivenciou a ditadura, mas quer entender o período que as redes sociais reinventam com filtros ideológicos. A programação ainda inclui três documentários, um deles do veterano cineasta italiano Nanni Moretti, “Santiago, Itália”, que revela como a Embaixada da Itália em Santiago serviu de abrigo para dezenas de refugiados durante o golpe militar de Augusto Pinochet no Chile, em 1973. Confira abaixo todas as estreias com seus respectivos trailers e sinopses. Toy Story 4 | EUA | Animação Agora morando na casa da pequena Bonnie, Woody apresenta aos amigos o novo brinquedo construído por ela: Garfinho (Forky), baseado em um garfo de verdade. O novo posto de brinquedo não o agrada nem um pouco, o que faz com que Garfinho fuja de casa. Decidido a trazer de volta o atual brinquedo favorito de Bonnie, Woody parte em seu encalço e, no caminho, reencontra Betty (Bo Peep), que agora vive em um parque de diversões. Casal Improvável | EUA | Comédia O jornalista investigativo Fred Flarsky (Seth Rogen) se demite após receber a notícia de que o site para qual trabalha foi vendido para um grande conglomerado de mídia, liderado por Parker Wembley (Andy Serkis). Para se animar depois de perder o emprego, Fred vai a uma festa com seu amigo Lance (O’Shea Jackson Jr.) e acaba reencontrando sua antiga babá, Charlotte Field (Charlize Theron), que, atualmente, é Secretária de Estado americana e está prestes a concorrer à presidência. Cansada de ser assessorada por profissionais que não a conhecem, Charlotte decide contratar Fred para escrever seus discursos de campanha. Um romance improvável surge entre eles, causando uma inesperada reação em cadeia. Espírito Jovem | EUA | Drama Violet (Elle Fanning) é uma garota adolescente que sonha em virar popstar e escapar no vilarejo rural onde mora junto da mãe desajustada. Quando o concurso Teen Spirit passa por sua cidade, ela decide se arriscar, entre centenas de garotas. Aos poucos, Violet recebe a ajuda de Vlad (Zlatko Buric), cantor de ópera bósnio e decadente, e começa a superar as etapas do concurso. Mas conforme a fama se aproxima, a garota deve repensar suas prioridades e enfrentar os perigos da fama. Graças a Deus | França | Drama Um dia, Alexandre (Melvil Poupaud) toma coragem para escrever uma carta à Igreja Católica, revelando um segredo: quando era criança, foi abusado sexualmente pelo padre Preynat (Bernard Verley). Os psicólogos da Igreja tentam ajudar, mas não conseguem ocultar o fato de que o criminoso jamais foi afastado do cargo, pelo contrário: ele continua atuando junto às crianças. Alexandre então publica a sua carta, o que logo faz aparecer muitas outras denúncias de abuso contra o mesmo padre, além da conivência do cardeal Barbarin (François Marthouret), que sempre soube dos crimes, mas nunca tomou providências. Juntos, Alexandre, François (Denis Ménochet) e Emmanuel (Swann Arlaud) criam um grupo de apoio para aumentar a pressão na justiça por providências. Mas eles terão que enfrentar todo o poder da cúpula da Igreja. Maya | França | Drama Gabriel (Roman Kolinka) é um repórter francês de 30 anos que construiu sua carreira no jornalismo por meio da perigosa cobertura de guerras. Resgatado após meses preso num cativeiro na Síria, ele se afasta do trabalho para se reencontrar na Índia, onde passou parte da infância. Deslembro | Brasil | Drama O Rio de Janeiro não é nada familiar para Joana (Jeanne Boudier), adolescente que teve o pai como prisioneiro político durante os anos de ditadura no Brasil. Ela passou quase toda a sua vida em Paris, cidade onde o resto de sua família se exilou. Tendo sido decretada a Lei da Anistia, a menina agora está, a contragosto, de volta a sua cidade natal. As memórias amargas de tempos difíceis vêm à tona, causando um forte desconforto. Santiago, Itália | Itália | Documentário Durante um dos mais duros golpes militares da história do Chile, responsável por derrubar o presidente Allende e instituir uma sanguinária ditadura no país, a embaixada italiana tornou-se uma das protagonistas da situação. Muitos dos opositores buscaram abrigo no local e rapidamente conseguiram também asilo. Relatos do Front | Brasil | Documentário Enquanto o Rio de Janeiro vive um de seus momentos mais difíceis em relação a segurança pública, aqueles que convivem diariamente com a violência e o medo da morte fazem de tudo para que consigam sobreviver mais um dia. De policiais militares até simples moradores: todos são vítimas de um problema que é analisado por sociólogos, historiadores e advogados, na tentativa de entender como esta guerra começou. Depois do Fim | Brasil | Documentário Um senhor de 90 anos, percebendo o quão perto está o fim de sua vida, relembra todos os anos de sua caminhada como comandante de trens e as histórias que seu pai contava sobre as ferrovias na cidade de Santa Maria. Entre bons momentos nostálgicos e memórias tristes, este homem conta sua história.

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    Novo Homens de Preto é a maior e a pior estreia de cinema da semana

    13 de junho de 2019 /

    Saturado de blockbusters, o circuito cinematográfico recebe apenas seis estreias nesta quinta (13/6). “MIB: Homens de Preto – Internacional” é a maior delas – chega em quase 600 cinemas. Mas todas as outras são melhores. O lançamento do novo “Homens de Preto” é simultâneo com os Estados Unidos, onde foi destruído pela crítica – apenas 31% de aprovação no site Rotten Tomatoes. Enquanto os três primeiros longas se estabeleceram como comédias com elementos de ficção científica, o novo é um filme típico de ação com alienígenas genéricos e piadinhas pontuais. Sobram explosões. E falta Will Smith. Se aquele aparelhinho de apagar memórias funcionasse, até a dupla de “Thor: Ragnarok” (Chris Hemsworth e Tessa Thompson) ia querer apagar esse deslize de suas filmografias, que já se espera fracassar nas bilheterias. O suspense “Obsessão” (Greta, no original) saiu-se com 60% no RT, ao evocar os clones de Hitchcock dos anos 1980. Traz Chloë Grace Moretz como uma jovem ingênua que, ao cometer um ato altruísta, cai na armadilha de uma viúva solitária, interpretada pela francesa Isabelle Huppert (indicada ao Oscar por “Elle”). A direção é do irlandês Neil Jordan, com um Oscar por “Traídos pelo Desejo” (1992) – mas nos últimos dez anos só fez televisão. A metade americana da programação inclui ainda “Fora de Série” (Booksmart), uma comédia indie adolescente com 97% de aprovação e um bom desempenho nas bilheterias. Estreia da atriz Olivia Wilde (“Tron: O Legado”) na direção, surpreendeu a ponto de ser considerado uma espécie de “Superbad: É Hoje” (2007) feminino. A trama acompanha duas nerds que resolvem jogar tudo pra cima no último dia da escola, após passarem todo o Ensino Médio concentradas apenas nos estudos para entrar em boas faculdades. Com os mesmos 97%, “Eu Não Sou uma Bruxa” rendeu uma rara inscrição do Reino Unido na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar. Isto porque é falado em idioma nativo de Zâmbia, onde a trama se passa. A história dramática, contada com toques de humor desconcertante, acompanha uma menina de 8 anos acusada de ser bruxa e tirada da sua aldeia, sem nunca ter feito nada para merecer esse tratamento. Venceu vários festivais, foi premiado no BAFTA e no BIFA (equivalentes ao Oscar e ao Spirit britânicos) e consagrou a diretora estreante Rungano Nyoni. Mas o grande destaque do circuito limitado é o espanhol “Dor e Glória”, novo filme de Pedro Almodóvar, que rendeu o prêmio de Melhor Ator para Antonio Banderas no recente Festival Cannes. Ele vive um alter-ego do diretor, lidando com os sentimentos do título, evocados em lembranças, conquistas e ressentimentos. A obra atingiu 90% no Rotten Tomatoes – que preferiu a comédia teen e a tragédia da menina de Zâmbia. Para completar, até o terror da semana é muito bem cotado. “A Lenda de Golem” tem os mesmos 90% de aprovação de “Dor e Glória” no Rotten Tomatoes, algo raro para o gênero. A produção isralense é caprichada, com belíssima fotografia e clima arrepiante, sem se valer de sustos fáceis, mas das entranhas da cultura cabalística para arrepiar. Confira abaixo os trailers e as sinopses dos seis filmes que entram em cartaz. MIB: Homens de Preto – Internacional | EUA | Fantasia Quando criança, Molly (Tessa Thompson) presenciou a abordagem de dois agentes do MIB em seus pais, apagando a memória deles sobre a súbita aparição de um extraterrestre. Como estava escondida, a garota não foi atingida. Obcecada pelos mistérios do universo, ela cresceu com o sonho de ingressar no MIB. Após muita pesquisa, ela consegue descobrir a sede da agência e lá se candidata a uma vaga, sendo aceita por O (Emma Thompson). Ainda em experiência e renomeada como agente M, ela é enviada a Londres para investigar algo estranho que tem ocorrido na agência local. É quando conhece o agente H (Chris Hemsworth), de grande renome pelos seus feitos no passado, mas com uma certa arrogância e displicência na execução do trabalho. Obsessão | EUA | Suspense Frances (Chloë Grace Moretz) é uma jovem cuja mãe acaba de falecer. Recém-chegada em Manhattan e cheia de problemas com o pai, ela divide apartamento com a amiga Erica (Maika Monroe) e trabalha como garçonete de um luxuoso restaurante. Um dia, voltando para casa, Frances encontra uma bolsa abandonada em um dos assentos do metrô e, ao devolvê-la, acaba iniciando uma amizade improvável com a dona do acessório, uma senhora viúva chamada Greta (Isabelle Huppert). Os problemas começam a surgir quando Frances percebe que a necessidade de atenção de Greta é muito mais perigosa do que ela imaginava. Fora de Série | EUA | Comédia Duas grandes amigas conhecidas por serem os maiores prodígios da escola estão prestes a terminar o ensino médio. Faltando poucos dias para o grande momento, elas percebem que estão arrependidas por terem estudado tanto e se divertido tão pouco. Determinadas a não passar por todo esse tempo sem nenhuma diversão, elas decidem compensar os últimos quatro anos perdidos em apenas uma noite. Dor e Glória | Espanha | Drama Salvador Mallo (Antonio Banderas) é um melancólico cineasta em declínio que se vê obrigado a pensar sobre as escolhas que fez na vida quando seu passado retorna. Entre lembranças e reencontros, ele reflete sobre sua infância na década de 1960, seu processo de imigração para a Espanha, seu primeiro amor maduro e sua relação com a escrita e com o cinema. Eu Não Sou uma Bruxa | Reino Unido, Zâmbia | Drama Devido a um incidente banal em sua vila, a menina de 8 anos Shula (Maggie Mulubwa) é acusada de bruxaria. Depois de um rápido julgamento, a garota se torna culpada e é levada em custódia pelo Estado, sendo exilada para um campo de bruxas no meio do deserto. No local, ela passa por uma cerimônia de iniciação em que aprende as regras da sua nova vida como bruxa. Como as outras residentes, ela é amarrada em uma grande árvore, sendo ameaçada de ser amaldiçoada e de se transformar em uma cabra caso corte a fita. A Lenda de Golem | Israel | Terror Desde que perderam um bebê, o que Hanna (Hani Furstenberg) e seu marido Benjamin (Ishai Golan) mais querem é tentar ter outro filho. Para tal, ela conta com a fé que tem em Deus, e por isso estuda diariamente a Torá, mesmo que na comunidade aonde viva essa prática seja restrita aos homens. Quando uma epidemia assola a região e a culpa recai imediatamente sobre os judeus, Hanna tenta usar de seu misticismo para convocar um golem, sem saber que a criatura é muito mais perigosa do que pensa.

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  • Filme,  Música

    Festival Cine-Edit Brasil faz festa de documentários musicais com filmes e shows

    12 de junho de 2019 /

    O Festival Cine-Edit Brasil chega a sua 11ª edição nesta quarta (12/6) em São Paulo, fazendo um panorama abrangente da produção de documentários musicais no país e no mundo. Até 25 de junho, o evento vai exibir, ao todo, 57 filmes em cinco salas – Spcine Olido, CCSP, Cinemateca e Matilha Cultural, com entrada gratuita, e no CineSESC, com ingressos a R$ 12. Também estão programadas sessões especiais do lançamento da série “História Secreta do Pop Brasileiro”, de André Barcinski, sobre músicas da Xuxa, Gretchen e as picaretagens que fizeram sucesso nos anos 1970 e 1980. Sem esquecer de atividades paralelas, como uma Feira de Vinil e muitos shows, que levam o festival a ocupar novos espaços, como a Sala Olido, Sala Adoniran Barbosa (CCSP), Cine Joia, Blue Note São Paulo e Z Largo da Batata. O fato de se tornar um projeto de fôlego, com expansão para mais locais e com shows de alguns dos artistas documentados, demonstra seu fortalecimento, mesmo tão próximo do É Tudo Verdade, o festival de documentários mais proeminente do Brasil – que acontece em abril, sempre lançando muitos filmes musicais. O longa de abertura é “My Generation”, um passeio pela era mod de Londres nos anos 1960, guiado pelo ator Michael Caine, com depoimentos de Paul McCarney, Roger Daltrey, Marianne Faithfull, Lulu e outros. A seleção internacional inclui mais 20 títulos de diversos países, a maioria produções inéditas no Brasil e sem previsão de estreia no circuito comercial, que abordam artistas tão diferentes quanto Joan Jett, Miles Davis, New Order, Ryuichi Sakamoto, Agnostic Front, Elvis Presley, Luther Pendergrass e Suede, além de gravadoras históricas, como Trojan e Blue Note, referências do reggae e do jazz, e até a lendária discoteca Studio 54, de Nova York. A lista nacional é ainda mais eclética, com diversas estreias nacionais. Há obras sobre artistas como Alceu Valença, Arrigo Barnabé, Dorival Caymmi, Arnaldo Antunes, Clementina de Jesus, Edy Star, grupo Rumo, A Grande Trepada, Nação Zumbi e também sobre gravadoras nacionais, como a Deck Discos, e movimentos musicais, do underground indie de “Guitar Days – An Unlikely Story of Brazilian Music”, à história da música eletrônica nacional, em “Eletronica:Mentes”, sem esquecer de “O Barato de Iacanga”, que lembra o lendário Festival de Iacanga, responsável por juntar em 1975 Os Mutantes, Som Nosso de Cada Dia e Jorge Mautner. Entre os curtas, destacam-se registros de artistas femininas, como “Beat É Protesto – O Funk Pela Ótica Feminina” e “Feito por Elas”, sobre bandas de rock femininas do underground paulistano. A programação completa, com todos os títulos, horários e endereços, pode ser conferida no site oficial.

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    Guitar Days: Documentário sobre rock indie brasileiro ganha trailer para estreia no In-Edit

    8 de junho de 2019 /

    Depois de ser exibido na Europa, Ásia, EUA e ser premiado na Espanha em setembro, o documentário “Guitar Days – An Unlikely Story of Brazilian Music” vai finalmente ter sua première no Brasil, na programação do Festival In-Edit. Em antecipação à exibição, a produção ganhou um novo trailer, que pode ser conferido abaixo. O filme o diretor paulistano Caio Augusto Braga traça as linhas do tempo das chamadas “guitar bands” e da construção do rock indie brasileiro cantado em inglês, desde seus primórdios, ali no final dos anos 1980, passando pelo boom nos anos 1990 e seguindo até a atualidade. O diretor colheu depoimentos de personagens centrais do indie rock nacional e gringo para tratar das grandes histórias (e também dos detalhes) de um cenário musical que mudou toda a estética do rock brasileiro. Entre os entrevistados estão músicos das bandas Maria Angélica, Pin Ups, Second Come, Killing Chainsaw, Mickey Junkies e PELVs, os saudosos Kid Vinil e Carlos Miranda, e os internacionais Thurston Moore (Sonic Youth), Mark Gardener (Ride), Stephen Lawrie (The Telescopes), além do jornalista que cunhou o termo “grunge”, Everett True. O festival In-Edit começa sua 11ª edição na quarta-feira (12/6) em São Paulo, e a exibição de “Guitar Days” vai acontecer em três datas, no Cinesesc (15), Cine Olido (18) e Centro Cultural São Paulo (22). Após a exibição do dia 22, haverá o show Guitar Days, com participação das bandas Pin Ups, Wry, Twinpine(s), Sky Down e convidados. Para total transparência: o editor da Pipoca Moderna é um dos entrevistados do filme.

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    X-Men: Fênix Negra é a maior estreia de cinema da semana

    6 de junho de 2019 /

    Os cinemas recebem três estreias amplas nesta quinta (5/6) e “X-Men: Fênix Negra” é a maior delas. A distribuição reflete a procura do público por obras de super-heróis e aproveita pontos em comum com o blockbuster “Vingadores: Ultimato”. Ambos são finais de uma saga. Mas as comparações cessam aí. Encerramento da franquia iniciada em 2000 pelo primeiro “X-Men”, “Fênix Negra” é uma espécie de remake da história mais fraca desses heróis, “X-Men: O Confronto Final” (2006). Foi escrito pelo mesmo roteirista, Simon Kinberg, que ainda faz sua estreia como diretor. Entretanto, a crítica norte-americana considerou o resultado inferior ao fiasco original. Com apenas 22% de aprovação no site Rotten Tomatoes, consagrou-se como “o pior de todos os filmes dos X-Men” (saiba mais sobre estas aspas aqui). Os outros dois filmes com distribuição nos shopping centers são “Juntos para Sempre”, que continua a jornada espiritual e metafísica do cãozinho de “Quatro Vidas de um Cachorro” (2017), e “Patrulha Canina: Super Filhotes”, um derivado da série animada infantil “Patrulha Canina” – que estreia no Brasil sem ter previsão de lançamento em outros países. No circuito limitado, o destaque é o documentário “Amazônia Groove”, de fotografia belíssima e fôlego ambicioso, sobre as músicas feita às margens do rio Amazonas, que embalam das festas tradicionais do boi bumbá ao bailes de tecnobrega. Dirigido por Bruno Murtinho, foi premiado no festival americano SXSW. Entre as demais opções, merece atenção o lançamento de “O Homem que Matou Dom Quixote”, cuja história de bastidores é muito mais atribulada que qualquer cena de ficção. O diretor Terry Gilliam levou 20 anos para concluir a obra, enfrentando enchentes, perda de financiamentos, doenças e até mortes no elenco, para finalmente… perder os direitos do filme num processo movido por um dos produtores. O final quixotesco ainda teve um anticlímax, quando a première cercada de expectativas no Festival de Cannes do ano passado frustrou quem esperava ver uma obra-prima. Mesmo assim, é melhor que qualquer das opções amplas da semana. “Memórias da Dor” representa mais uma alternativa. Embora não justifique sua seleção como representante francês ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, contempla uma história interessante sobre um período da vida da escritora Marguerite Duras. Baseando-se no livro de memórias de autora, “A Dor”, lembra sua luta para libertar o marido preso por integrar a Resistência, durante a ocupação alemã da França, e o que ela precisou fazer para evitar a morte dele, nas mãos de um simpatizante nazista que era seu fã. Confira abaixo todos as estreias (são nove), com suas respectivas sinopses e trailers. X-Men: Fênix Negra | EUA | Super-Heróis 1992. Os X-Men são considerados heróis nacionais e o professor Charles Xavier (James McAvoy) agora dispõe de contato direto com o presidente dos Estados Unidos. Quando uma missão espacial enfrenta problemas, o governo convoca a equipe mutante para ajudá-lo. Liderado por Mística (Jennifer Lawrence), os X-Men partem rumo ao espaço em uma equipe composta por Fera (Nicholas Hoult), Jean Grey (Sophie Turner), Ciclope (Tye Sheridan), Tempestade (Alexandra Shipp), Mercúrio (Evan Peters) e Noturno (Kodi Smit-McPhee). Ao tentar resgatar o comandante da missão, Jean Grey fica presa no ônibus espacial e é atingida por uma poderosa força cósmica, que acaba absorvida em seu corpo. Após ser resgatada e retornar à Terra, aos poucos ela percebe que há algo bem estranho dentro de si, o que desperta lembranças de um passado sombrio e, também, o interesse de seres extra-terrestres. Juntos para Sempre | EUA | Drama Depois de muitas vidas e aprendizados, Bailey vive tranquilamente com Hanna (Marg Helgenberger). Um dia, Gloria (Betty Gilpin), uma aspirante a cantora, aparece sem avisar na vida dos dois com uma notícia surpreendente: Hanna tem uma neta, chamada Clarity. Com o tempo, o cãozinho percebe como a menina é negligenciada pela mãe e decide que seu objetivo nesta vida é cuidar dela e protegê-la, incondicionalmente. Patrulha Canina: Super Filhotes | EUA | Animação Depois que um misterioso meteoro cai na Baía da Aventura, Chase, Marshall, Skye, Ryder e Rubble correm para tentar preservar o local, mas acabam passando por uma experiência muito mais louca. Ao presenciarem uma estranha energia verde emanando da cratera, eles ganham poderes. O Homem que Matou Dom Quixote | Espanha, Portugal, Reino Unido | Aventura Quando faz seu filme de conclusão de estudos, o jovem cineasta Toby (Adam Driver) viaja à Espanha para filmar uma versão independente de Dom Quixote. Para o ator principal, escala um sapateiro da região (Jonathan Pryce), que nunca trabalhou no cinema antes. Doze anos se passam e Toby, agora um renomado diretor de comerciais de televisão, tem a oportunidade de fazer uma superprodução também baseada no livro de Cervantes. Ele retorna à Espanha, começa as gravações, mas logo enfrenta uma crise criativa. Buscando inspiração, tenta reencontrar os atores do projeto anterior. Toby descobre que o sapateiro enlouqueceu e realmente acredita ser Dom Quixote. Pior ainda, o cavaleiro maluco confunde Toby com seu fiel escudeiro, Sancho Pança. Memórias da Dor | França | Drama Na França ocupada por nazistas, a escritora Marguerite Duras (Melanie Thierry) busca por pistas do paradeiro do marido preso por ações na resistência, se aproximando de um inimigo que é também fã. Reprovada por seus amigos, a decisão é a porta de entrada pra uma espiral de desespero que se estende por vários meses. Beatriz | Brasil, Portugal | Drama Marcelo (Sérgio Guizé), um escritor, e Beatriz (Marjorie Estiano), uma advogada, se mudam para Lisboa. A moça logo encontra um emprego em uma empresa portuguesa, mas seu marido não tem tanta sorte em começar a escrever o seu novo romance. Quando finalmente decide como tema da história o ciúme, tem como inspiração sua própria esposa. Para que o livro seja uma trama de sucesso, Beatriz resolve ajudá-lo: seu objetivo é construir uma personagem feminina que alimente a criatividade do escritor, só que ela vai longe demais, vivendo situações intensas e comprometedoras em uma vida dupla sem controle. Eu Acredito | EUA | Religião Brian (Rowan Smyth) é um menino de 9 anos de idade que tem um encontro sobrenatural com o poder de Deus. Porém seu pai, um apresentador de televisão ateu, não fica nem um pouco feliz com essa sua nova aventura. Tudo só fica mais complicado quando, com a ajuda de um pastor da igreja local e um veterano machucado, os milagres produzidos pela fé de Brian se transformam em notícia na cidade. Amazônia Groove | Brasil | Documentário Um retrato aprofundado, um mergulho apaixonado na música regional da Amazônia, especialmente a música característica do Pará, estruturado através da alternação entre as histórias dos músicos tradicionais da região – responsáveis pelo Boi Bumbá e por ritmos tradicionais das localidades, por exemplo – e a invasão da tecnologia que, recentemente, possibilitou o desenvolvimento de gêneros musicais como o tecnobrega. A História de um Sonho – Todas as Casas do Timão | Brasil | Documentário Fundado por um grupo de operários no bairro de Bom Retiro, o Sport Club Corinthians Paulista hoje é considerado um dos times mais importantes da história do futebol brasileiro: mas nem sempre foi assim. Visto com repúdio, devido a seu sucesso entre classes menos favorecidas, foi necessário muita luta para que o clube chegasse ao patamar que possui hoje.

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    Trailer do documentário Democracia em Vertigem reflete a queda do petismo

    5 de junho de 2019 /

    A Netflix divulgou o pôster e o trailer de “Democracia em Vertigem”, um dos muitos documentários gravados durante o processo de Impeachment de Dilma Rousseff. O diferencial é que a diretora Petra Costa se coloca na trama como narradora, assumindo o parcialismo da narrativa, ao mesmo tempo em que amplia a abordagem para além do Impeachment, mostrando a prisão de Lula e a ascensão de Bolsonaro. A prévia tem ótimas imagens, que confirmam o talento da ainda jovem Petra Costa como uma das melhores documentaristas brasileiras. Mas isso não significa que a verdade pessoal da narradora possa ser confundida com a verdade de uma apuração isenta. Documentários tendem a ser parciais, já que não seguem regras jornalísticas, e podem ser manipuladores quando adotam uma abordagem impressionista. A forma como Lula surge no vídeo, quase um santo milagreiro, e a forma como Petra narra a ascensão do petismo passam longe da isenção. A família da documentarista é muito ligada ao ex-presidente preso. Petra é herdeira da Andrade Gutierrez, uma das empresas enredadas na Lava-Jato, que teria pago despesas da eleição de Dilma. Um médico afirma que a família pagou uma cirurgia plástica para Lurian, filha de Lula, que morou com Marília Andrade, mãe de Petra, em Paris. Lurian diz que trabalhou como babysitter no período, possivelmente da própria cineasta, que era uma criança na época. Além disso, a mãe da cineasta também comprou um sítio ao lado do de Lula, em Atibaia. Frequentavam-se. A diretora pode ter explorado essa familiaridade para conseguir acesso exclusivo (uma das frases do pôster destaca o “acesso sem igual”), como nos registros das últimas horas de ‘Lula livre”. Uma das cenas do vídeo mostra Lula por volta deste momento, num carro, bem perto da câmera, dizendo que queria ter feito mais. O tom de mártir, sugerido pela montagem, contrasta com reportagens que revelaram o arrependimento de importantes petistas em não ter feito “mais” para aparelhar a máquina estatal, de modo a manter o partido no poder. Aparelhamento que acabou rendendo corrupção, a Lava-Jato, polarizou o país e culminou na eleição de Bolsonaro. A prévia de “Democracia em Vertigem” exalta uma parte importante da história recente do Brasil. E demonstra contar muito bem, de forma extremamente profissional e artística. Mas o próprio filme serve de exemplo para os motivos que levaram à queda do petismo – a narrativa mitológica, imbuída numa missão de salvação nacional, em tom de seita. É de extremo bom senso redobrar a atenção diante de narrativas que confundem democracia com um projeto de poder. Democracia não pertence a um partido – isto costuma ser outra coisa. Não acaba quando o rival vence uma eleição. Ao contrário, consiste em aceitar a alternância de poder, mesmo que o adversário seja… Bolsonaro. De fato, a falta de autocrítica do partido de Lula e a visão acrítica de seus seguidores, bem representada no trailer de “Democracia em Vertigem”, acabou sendo o maior responsável pela vitória da extrema direita ultraconservadora, eleita com o voto anti-petista. Vale lembrar que a empresa da família da documentarista fez a autocrítica que os petistas se recusam a formalizar: “Reconhecemos que erros graves foram cometidos nos últimos anos e, ao contrário de negá-los, estamos assumindo-os publicamente”, disse um anúncio da Andrade Gutierrez, publicado após firmar um acordo de leniência com o Ministério Público Federal, ao ser pega na operação Lava-Jato. O pôster diz que o filme já está disponível. O trailer revela que a estreia está marcada para 19 de junho em streaming. Até nisso, há duas “verdades” distintas.

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    História Secreta do Pop Brasileiro: Minissérie ganha trailer com histórias deliciosas de Xuxa e Gretchen

    1 de junho de 2019 /

    A minissérie documental “História Secreta do Pop Brasileiro”, sobre os segredos de bastidores e gravações de hits dos anos 1970 e 1980, ganhou seu primeiro trailer. E a prévia é deliciosa, repleta de histórias sensacionais. Concebida pelo jornalista André Barcinski, a produção de oito episódios mostra como a indústria de discos nacionais criou artistas fictícios e transformou músicos brasileiros em gringos, além de revelar o processo de criação de hits de Gretchen, Xuxa e até do tema de abertura de “Chaves”. Com mais de 4 minutos de duração, a prévia mostra, por exemplo, como o compositor Paulo Massadas conseguiu fazer Xuxa cantar pela primeira vez para gravar um disco. “Eu não sabia bem quem era a Xuxa”, conta Massadas. “De fato, ela não cantava. Ela falou: ‘Eu não canto’. Ela botava o fone. E o que ela estava ouvindo no fone? Minha voz. Ela tenta sair atrás da minha voz.” O método também incluía segurar as mãos da modelo-apresentadora. “Ao mesmo tempo, eu segurava nas mãos dela e pressionava para dar o ritmo”, o produtor explica, demonstrando como fez para ela manter o tom. Outra história divertida é sobre o início da carreira de Gretchen. Ela revela que, no início, foi orientada para não cantar, apenas fazer “gritinhos” e “sussurros”. “O [produtor] Mister Sam disse: ‘Não quero que você cante. Quero que você esqueça que é uma cantora. Você vai só fazer o que eu mando. Quero que você dê uns gritinhos. Que você faça uns sussurros”. Os gemidos viraram marca registrada da cantora. A onda de cantores românticos dos anos 1970 que gravavam músicas em inglês também ganha destaque, revelando como Maurício Alberto se transformou em Morris Albert, Jessé virou Tony Stevens e até Fabio Jr teve seu período de Mark Davis. A série vai ter première no Festival In-Edit, em São Paulo, em 17 de junho, onde seus três primeiros episódios serão exibidos, seguidos de um debate. A estreia televisiva deve acontecer em julho no canal pago Music Box Brasil.

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    Rocketman é a melhor estreia de cinema da semana

    30 de maio de 2019 /

    Das oito estreias desta quinta (30/5), três chegam um dia antes do lançamento nos Estados Unidos. E vêm ocupar um circuito já saturado de blockbusters. Cinebiografia do cantor Elton John, “Rocketman” é disparada a melhor opção da programação. Muito diferente de “Bohemian Rhapsody”, ainda que compartilhe o diretor (Dexter Fletcher foi quem salvou o filme do Queen após a demissão de Bryan Singer), é mais musical e, mesmo com seus arroubos de fantasia poética, fiel à realidade. Taron Egerton, praticamente um menino em “Kingsman: Serviço Secreto” (2014), surpreende no papel principal. E, claro, não faltam hits. O detalhe é que o próprio ator canta os sucessos, sem fazer dublagem – ao contrário, novamente, de “Bohemian Rhapsody”. Já “Godzilla II: Rei dos Monstros” é um desastre literalmente monstruoso. Filme escuro e confuso, prova que não basta aumentar os efeitos visuais para justificar uma continuação. Sem história coerente (o diretor e roteirista Michael Dougherty assinou os roteiros fracos de “Superman, o Retorno” e “X-Men: Apocalipse”), acabou pisoteado pela crítica nos EUA, com 45% de aprovação na média do Rotten Tomatoes após a avaliação de 83 resenhas. Em menos salas, o suspense “Ma” traz Octavia Spencer, vencedora do Oscar por “Histórias Cruzadas” (2011), como uma tiazinha aterrorizadora. O diretor Tate Taylor é o mesmo de “Histórias Cruzadas”. Mas não leva sua premissa ao extremo – o que rendeu 65% no Rotten Tomatoes, em 43 resenhas apuradas. No circuito limitado, os dois destaques têm temáticas similares. Uma das boas surpresas americanas do ano passado (80% no RT), “Anos 90” é um drama indie com skatistas, que marca a estreia do ator Jonah Hill (“Anjos da Lei”) como roteirista e diretor. O brasileiro “Dias Vazios” também acompanha jovens oprimidos com desejo de liberdade, e da mesma forma representa a estreia do roteirista e diretor Robney Bruno Almeida. Confira abaixo mais detalhes, como os trailers e as sinopses, de todas as estreias da semana. Rocketman | EUA | Cinebiografia Musical A trajetória de como o tímido Reginald Dwight (Taron Egerton) se transformou em Elton John, ícone da música pop. Desde a infância complicada, fruto do descaso do pai pela família, sua história de vida é contada através da releitura das músicas do superstar, incluindo a relação do cantor com o compositor e parceiro profissional Bernie Taupin (Jamie Bell) e o empresário e o ex-amante John Reid (Richard Madden). Godzilla II: Rei dos Monstros | EUA | Fantasia Nesta continuação que se passa cinco anos após “Godzilla” (2014), os integrantes da agência Monarch precisam lidar com a súbita aparição de vários monstros, incluindo Mothra, Rodan e Ghidorah. Enquanto buscam uma aliança com o próprio Godzilla a fim de garantir o equilíbrio da Terra, os humanos acabam fazendo parte de uma grande disputa por poder protagonizada por titãs. Ma | EUA | Suspense Maggie (Diana Silvers) e seus amigos, todos menores de idade, estão tentando descolar bebidas alcóolicas em um mercado quando conhecem Sue Ann (Octavia Spencer), uma mulher adulta que usa sua identidade para ajudá-los. Além de comprar as bebidas, ela decide oferecer sua casa para que eles organizem uma festa com o pessoal do colégio. Os eventos acabam se tornando uma rotina do grupo, até que os jovens começam a identificar um comportamento estranho da dona da casa, que se torna cada vez mais controladora e obsessiva. Anos 90 | EUA | Drama Aos 13 anos, Stevie (Sunny Suljic) é um garoto de Los Angeles tentando curtir o início da adolescência enquanto tenta relevar o relacionamento abusivo com o irmão mais velho. Em plena década de 1990, ele descobre o skate e aprende lições de vida com o seu novo grupo de amigos. Dias Vazios | Brasil | Drama Silvânia, interior de Goiás. Jean (Vinícius Queiroz) é um jovem revoltado, que não suporta a cidade onde vive. Ele namora Fabiana (Nayara Tavares) e vive contestando a freira (Carla Ribas) que coordena a escola em que estuda. Dois anos após o desaparecimento do casal, outro aluno da mesma escola decide escrever um livro sobre o assunto. Trata-se de Daniel (Arthur Ávila), também pessimista, que conversa apenas com a namorada, Alanis (Natália Dantas). Obcecado pela história de Jean e Fabiana, Daniel busca por pistas sobre o que aconteceu com eles, de forma que possa concluir seu livro. Compra-me um Revólver | México | Drama Em um mundo cheio de violência, onde as mulheres se prostituem e são mortas, uma garota usa uma máscara do Hulk e uma corrente no tornozelo para esconder seu gênero, e ajuda o pai, um viciado atormentado, a cuidar de um campo de beisebol abandonado, onde os traficantes jogam. Um dia, o pai da menina é chamado para tocar em uma festa organizada por um traficante e ele não tem escolha senão levar sua filha junto. No dia seguinte, Hulk acorda cercada pelo caos e pela morte e precisa lutar por sua liberdade. Zaatari – Memórias do Labirinto | Brasil, Argentina | Documentário No deserto de Mafrak, localizado na fronteira entre a Síria e a Jordânia, se desenvolve um dos maiores campos de refugiados do mundo, onde uma nova cartografia é estabelecida. Milhares de Famílias se arriscam diariamente para chegar no local, buscando abrigo no meio do caos de uma guerra civil que já matou mais de 400 mil pessoas. Rindo à Toa – Humor sem Limites | Brasil | Documentário Desde que a política brasileira foi considerada oficialmente reaberta em 1988, uma nova vertente do humor nacional começou a surgir. Utilizando-se de artifícios que por muitos anos foram proibidos, os humoristas da década de 1980 foram inspirados por ídolos que precisaram enfrentar a censura e cumpriram o difícil desafio de realizar humor em um país cuja criatividade era cerceada.

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