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    Yesterday e Bacurau são as maiores e melhores estreias da semana

    29 de agosto de 2019 /

    Os cinemas recebem sete estreias nesta quinta (29/8), incluindo dois lançamentos importantes, que, num caso de rara felicidade cinéfila, também tem a distribuição mais ampla da semana. “Yesterday” não é apenas “bom”. É um dos melhores filmes do ano e já entrou para a relação dos cults do século 21. A trama é uma grande homenagem aos Beatles, manifestada na trajetória de um músico amador que, após um apagão mundial, se dá conta de que só ele se lembra das canções do quarteto de Liverpool. Assim, ao cantar as músicas esquecidas, torna-se o artista mais popular de todos os tempos. Essa premissa de realidade alternativa foi roteirizada pelo rei das comédias românticas britânicas, Richard Curtis (de “Quatro Casamentos e um Funeral”, “Um Lugar Chamado Notting Hill” e “Simplesmente Amor”), é estrelada por Himesh Patel (da série “Damned”) em seu primeiro papel no cinema e tem direção de Danny Boyle (de “Trainspotting” e “Quem Quer Ser um Milionário?”). O outro destaque é um dos filmes brasileiros mais premiados do ano. Vencedor do Prêmio do Juri do Festival de Cannes, “Bacurau” oferece uma mistura de gêneros que envolve o espectador numa trama misteriosa/metáfora de resistência. Estrelado por Sonia Braga (“Aquarius”), Barbara Colen (idem), Karine Teles (“Benzinho”) e pelo alemão Udo Kier (do clássico “Suspiria”), entre outros, o suspense dos diretores Kleber Mendonça Filho (“Aquarius”) e Juliano Dornelles (“O Ateliê da Rua do Brum”) retrata o drama de um povoado isolado no nordeste que descobre que não consta mais no mapa. E se torna alvo de atentados. A comédia sobre um mundo sem os Beatles ocupa 335 cinemas, enquanto a produção nacional premiada em Cannes está sendo lançada em 250 complexos. Dentre os demais lançamentos, destaca-se ainda o terror “Verão de 84”. O clima lembra “Stranger Things”, numa homenagem aos filmes sinistros com crianças dos anos 1980. Na trama, depois de suspeitar que seu vizinho policial é um serial killer, um grupo de amigos adolescentes passa o verão espionando-o e coletando evidências, mas à medida que tentam descobrir a verdade, a situação se torna cada vez mais perigosa. O filme tem direção da trupe canadense RKSS (Roadkill Superstar), formada por François Simard e os irmãos Yoann-Karl e Ainouk Whissell, que assinaram o cult “Turbo Kid”, um “Mad Max de bicicletas” lançado em 2015, após diversos curtas focados no universo nerd. A lista tem ainda o filme que deu o empurrão que faltava para a EuropaCorp quebrar, “Anna – O Perigo Tem Nome”, dirigido pelo Luc Besson, e mais três comédias, duas delas brasileiras. Confira abaixo a lista completa dos títulos que chegam aos cinemas, com suas sinopses e trailers. Yesterday | Reino Unido | Comédia Após sofrer um acidente, um cantor-compositor (Himesh Patel) acorda numa estranha realidade, onde ele é a única pessoa que lembra dos Beatles. Passando a cantar as músicas de seus ídolos como se fossem suas, o protagonista faz um sucesso gigante, mas a fama tem seu preço. Bacurau | Brasil | Suspense Pouco após a morte de dona Carmelita, aos 94 anos, os moradores de um pequeno povoado localizado no sertão brasileiro, chamado Bacurau, descobrem que a comunidade não consta mais em qualquer mapa. Aos poucos, percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade pela primeira vez. Quando carros se tornam vítimas de tiros e cadáveres começam a aparecer, Teresa (Bárbara Colen), Domingas (Sônia Braga), Acácio (Thomas Aquino), Plínio (Wilson Rabelo), Lunga (Silvero Pereira) e outros habitantes chegam à conclusão de que estão sendo atacados. Falta identificar o inimigo e criar coletivamente um meio de defesa. Verão de 84 | EUA | Terror Quando chega o período de férias, Davey (Graham Verchere) e os amigos pré-adolescentes do bairro começam a suspeitar que as crianças estão desaparecendo no local. Um dia, ele tem a impressão de ver um garoto sumir dentro da casa de Mackey (Rich Sommer), um policial conhecido e estimado pelos habitantes. Os quatro amigos passam a reunir provas de que estão morando perto de um assassino em série, embora os adultos não acreditem nestas teorias mirabolantes. Quanto mais eles investigam a vida do vizinho misterioso, mais se expõem a um possível perigo mortal. Anna – O Perigo Tem Nome | França | Ação Oficialmente, Anna Poliatova (Sasha Luss) é uma modelo famosa e muito requisitada pelas marcas de luxo ao redor do mundo, mas o maior segredo que esconde é que ela é uma das assassinas mais perigosas e bem treinadas da KGB. No entanto, Anna fará de tudo para se sentir liberta da repressão do governo russo. Minha Lua de Mel Polonesa | França | Comédia Anna (Judith Chemla) e Adam (Arthur Igual) são dois franceses de origem judaica que têm um bebê recém-nascido. Quando o avô de Adam os convida para uma celebração no vilarejo onde mora, no interior da Polônia, cada um vê a oportunidade de viajar de uma maneira diferente. Enquanto ele não se empolga muito com a ideia, embora esteja feliz por retomar a vida de casal, ela quer aproveitar para conhecer melhor as raízes de sua própria família. O que parecia uma simples viagem se transforma em uma jornada de autoconhecimento e aceitação. O Amor Dá Trabalho | Brasil | Comédia Malandro e aproveitador, Ancelmo (Leandro Hassum) morre e acaba ficando preso no limbo. Para garantir seu lugar no céu, ele precisa praticar uma boa ação e bancar o cupido, pois recebe a missão de unir um homem (Bruno Garcia) e uma mulher (Flávia Alessandra) com personalidades muito divergentes. A Mulher do meu Marido | Brasil | Comédia Depois de alguns anos de casamento com Pedro (Paulo Tiefenthaler), Joana (Luana Piovani) descobre que está sendo traída. Mesmo triste, ela percebe que o caso extraconjugal faz bem ao marido, que se mostra mais atencioso com a família, então finge não saber do relacionamento. Um dia, Joana conhece o argentino Martin (Francisco Andrade) e começa a ter um caso tórrido com ele. Mas a ciranda se complica quando ela percebe que a esposa de Martin é Pilar (Aylin Prandi), a amante de seu marido.

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    Remake de Brinquedo Assassino é o lançamento mais amplo nos cinemas

    22 de agosto de 2019 /

    O remake do terror “Brinquedo Assassino” é a estreia mais ampla desta quinta-feira (22/8), que traz mais dois filmes para o público dos shopping centers e, para variar, melhores opções em circuito limitado. O novo Chucky chega ao Brasil mais de dois meses depois de seu lançamento nos Estados Unidos, onde, inclusive, já saiu de cartaz com prejuízo financeiro. Muito diferente do clássico dos anos 1980, a nova versão do boneco é praticamente um robô, com um sistema de inteligência artificial conectado à chamada “internet das coisas”, em vez de um simples brinquedo de plástico possuído pela alma de um serial killer. Com voz de Mark Hamill (o Luke Skywalker de “Star Wars”), ele realmente não é o mesmo Chucky que os fãs lembram, para o bem e para o mal. Sem assustar, ao menos faz rir com elementos de terror trash. Os shoppings também exibem uma animação chamada de “Os Brinquedos Mágicos”, que, como o título quase confessa, é um “Toy Story” made in China – com todo o estigma antigamente associado aos produtos chineses “inspirados” em originais americanos. E há “Socorro, Virei uma Garota!”, filme brasileiro de título problemático (porque virar garota é ruim?), roteiro batido de troca mágica de corpos (um “Se Eu Fosse Você” adolescente) e tantos clichês machistas que nem vale a pena enumerar. Mas que também tem Thati Lopes (“Porta dos Fundos: Contrato Vitalício”). A menina é um fenômeno. Brilha mais que todos os defeitos da produção – e são muitos, da seleção musical mais ridícula da história do cinema brasileiro às piadas infames do primeiro ato. Infelizmente, ela só surge no segundo ato, após se tornar a versão feminina do protagonista, justificando o título. É pouco. O circuito limitado compensa os cinéfilos com pérolas cinematográficas. Obrigatório, “Pássaros de Verão” consegue a façanha de juntar conteúdo de arte com cenas de ação, oferecendo uma espécie de prólogo de “Narcos”. O filme de Cristina Gallego e Ciro Guerra (“O Abraço da Serpente”) conta a história da origem do tráfico de drogas na Colômbia, em meio à população indígena e antes de Pablo Escobar, e arrecadou uma coleção gigante de prêmios internacionais, do Ariel (o Oscar mexicano) ao Fênix (O Oscar latino). Além do grande destaque colombiano, há dois dramas europeus para se conferir. Ambos oferecem olhares para relacionamentos a dois. O italiano “Entre Tempos” é bastante ousado em termos estéticos, ao contar uma história de amor entre duas pessoas sem nome, a partir de uma colagem de memórias diferentes dos amantes. Também venceu vários prêmios, inclusive no Festival de Veneza. Já o francês “Amor Impossível” é menos preocupado com a paixão, apresentada de forma desamorosa, e mais com seu resultado: uma filha rejeitada pelo pai de família abastada, que cresce para rejeitar a mãe pobre. Foi indicado a quatro Césars (o Oscar francês). A seleção tem outro filme brasileiro, “Uma Noite Não É Nada”, que perpassa um tema recorrente no cinema nacional, a fixação potencialmente pedófila de homens mais velhos sobre garotinhas em idade escolar. No filme de Alain Fresnot (“Família Vende Tudo”), a jovem paraense Luiza Braga é uma lolita drogada e sem-vergonha que chega a ser estuprada por seu professor (Paulo Betti, de “Chatô: O Rei do Brasil”), tratado como simpatia pela produção. Comparado a isso, “Socorro, Virei uma Garota!” chega a ser feminista. Confira abaixo a lista completa das estreias da semana com suas sinopses e trailers. Brinquedo Assassino | EUA | Terror Andy (Gabriel Bateman) e sua mãe se mudam para uma nova cidade em busca de um recomeço. Preocupada com o desinteresse do filho em fazer novos amigos, Karen (Aubrey Plaza) decide dar a ele de presente de aniversário um boneco tecnológico que, além de ser o companheiro ideal para crianças e propor diversas atividades lúdicas, executa funções da casa sob comandos de voz. Os problemas começam a surgir quando o boneco Chuck se torna extremamente possessivo em relação a Andy e disposto a fazer qualquer coisa para afastar o garoto das pessoas que o amam. Socorro, Virei uma Garota! | Brasil | Comédia Júlio (Victor Lamoglia) é um garoto tímido, praticamente invisível aos olhos de seus colegas de colégio. Um dia, ao ver uma estrela cadente, ele faz um pedido: deseja ser a pessoa mais popular da escola. Logo ele se transforma em uma garota, Júlia (Thati Lopes), que é extremamente popular. Sem saber como lidar com o corpo feminino que acabou de ganhar, ele precisa ainda lidar com a proximidade de Melina, a garota por quem é perdidamente apaixonado. Pássaros de Verão | Colômbia | Drama Andy (Gabriel Bateman) e sua mãe se mudam para uma nova cidade em busca de um recomeço. Preocupada com o desinteresse do filho em fazer novos amigos, Karen (Aubrey Plaza) decide dar a ele de presente de aniversário um boneco tecnológico que, além de ser o companheiro ideal para crianças e propor diversas atividades lúdicas, executa funções da casa sob comandos de voz. Os problemas começam a surgir quando o boneco Chuck se torna extremamente possessivo em relação a Andy e disposto a fazer qualquer coisa para afastar o garoto das pessoas que o amam. Entre Tempos | Itália, França | Drama Lui (Luca Marinelli) e Lei (Linda Caridi) são duas pessoas completamente diferentes entre si, mas que formam um casal intenso e apaixonado. Juntos durante anos, seus sentimentos estão em conflito constante, mostrando uma montanha-russa emocional entre eles: enquanto Lui acredita em um futuro brilhante, Lei não consegue deixar de viver no passado. Ao longo dos anos, o par colecionou frustrações, alegrias, tristezas e angústias. Um Amor Impossível | França | Drama No final dos anos 1950 em Châteauroux, Rachel, uma funcionária de escritório, conhece Philippe, um jovem brilhante de uma família burguesa. Desta breve relação nasce uma menininha, Chantal. Philippe se recusa a casar com alguém fora de sua classe social e Rachel terá que criar a filha sozinha. Porém, uma batalha de mais de dez anos pelo reconhecimento paterno de Philippe desencadeia revelações inesperadas. Uma Noite Não É Nada | Brasil | Drama São Paulo, meados da década de 1980. Agostinho, um decadente professor de física de um supletivo noturno, acaba se apaixonando por uma de suas alunas, Márcia, uma mulher bem mais jovem que ele, emocionalmente perturbada e soropositiva. Eles começam um relacionamento e logo a coisa se torna séria, fazendo com que Agostinho comece a arriscar seu casamento com Januária. Os Brinquedos Mágicos | China | Animação São Paulo, meados da década de 1980. Agostinho, um decadente professor de física de um supletivo noturno, acaba se apaixonando por uma de suas alunas, Márcia, uma mulher bem mais jovem que ele, emocionalmente perturbada e soropositiva. Eles começam um relacionamento e logo a coisa se torna séria, fazendo com que Agostinho comece a arriscar seu casamento com Januária. O Verde Está do Outro Lado | Brasil, Chile | Documentário Desde 1980, a gestão da água foi privatizada em todo o Chile, levando pequenos agricultores à ruína e debilitando milhares de famílias. O congresso chileno concorda com a necessidade de mudar as leis, mas encontra dificuldade para combater a grande influência de grandes empresas da agricultura e mineração. Um retrato sobre a realidade e consequências do modelo econômico implantado há quase 40 anos.

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    Era uma Vez… em Hollywood é a principal estreia de cinema da semana

    14 de agosto de 2019 /

    Principal lançamento desta quinta-feira (15/8), “Era uma Vez… em Hollywood” finalmente chega ao Brasil, quase um mês após sua consagração nos Estados Unidos. Um dos maiores sucessos comerciais da carreira de Quentin Tarantino reúne, pela primeira vez no mesmo filme, os astros Leonardo DiCaprio e Brad Pitt, que já tinham trabalhado com o diretor em “Django Livre” e “Bastardos Inglórios”, respectivamente. Eles vivem um ator em decadência e seu dublê de longa data, que veem Hollywood e o mundo mudar de forma radical em 1969, enquanto Sharon Tate, casada com o cineasta Roman Polanski – e vivida por Margot Robbie – passa a representar uma nova geração nos cinemas. Mas a felicidade dela não vai durar muito, pois o psicopata Charles Manson logo começa a aparecer em sua vizinhança. Tem muito mais gente famosa no elenco e referenciada no filme, que dividiu opiniões, mas agradou em cheio aos fãs do diretor, acostumados a seu estilo subversivo de cinema. Obrigatório para cinéfilos e também para quem busca apenas uma boa diversão. O detalhe é que, apesar da expectativa, “Era uma Vez… em Hollywood” vai ter lançamento mediano, em cerca de 300 salas – 10% do circuito. Isto acontece porque “Nada a Perder 2” vai ocupar o dobro de telas. Obrigatório (literalmente) para fiéis da Igreja Universal, a segunda parte da cinebiografia do bispo Edir Macedo já tem sessões esgotadas. Mas não deve repetir o fenômeno do primeiro longa, a maior bilheteria nacional de todos os tempos. A diferença começa pelo lançamento muito menor: em 600 salas, enquanto a primeira parte foi distribuída em 1,1 mil. Além disso, o site Ingresso.com revelou que a pré-venda, iniciada em 15 de de junho, é 4,5 vezes menor do que o montante do filme anterior. O site não divulga números exatos. Com isso, o circuito limitado recebe apenas três filmes nesta semana. O melhor é a comédia “Noite Mágica”, de Paolo Virzi (“A Primeira Coisa Bela”), que presta homenagem à era de ouro do cinema italiano e tem 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. Mas vale registrar que o documentário brasileiro “Espero Tua (Re)Volta”, de Eliza Capai, foi um dos vencedores das premiações paralelas do Festival de Berlim 2019. Exibido na mostra Generation, dedicada a filmes sobre a juventude, o longa venceu o prêmio da organização Anistia Internacional e o Prêmio da Paz, que é dado pela Fundação Heinrich Böll, como expoente do “cinema comprometido com a coragem cívica”. O filme aborda as ocupações de escolas de 2015 pelo movimento estudantil, tema que já foi superado pelas novas manifestações de estudantes contra a política educacional do governo Bolsonaro. Confira abaixo a lista completa das estreias da semana com suas sinopses e trailers. Era uma Vez… em Hollywood | EUA | Drama Noite Mágica | Itália | Comédia Certo dia, um dos maiores produtores de cinema na Itália é encontrado morto dentro de um rio. Os principais suspeitos são três jovens roteiristas que tiveram contato com ele recentemente. Durante uma noite, os três são levados à delegacia para serem interrogados. Esta será a oportunidade de relembrarem seus percursos, que coincidem com o declínio da Era de Ouro das produções italianas. Nada a Perder 2 | Brasil | Drama Após deixar a prisão, em 1992, Edir Macedo (Petrônio Gontijo) lidera a Igreja Universal do Reino de Deus em busca de seu maior sonho: a construção do Templo de Salomão, réplica do local homônimo citado na Bíblia, localizado em São Paulo. Eu Sou Brasileiro | Brasil | Drama Léo (Daniel Rocha) passou a sua vida inteira tentando se tornar um jogador de futebol famoso e bem sucedido, mas a rotina suburbana nunca aliviou o seu lado. No entanto, mesmo com todos os problemas, ele faz o mesmo que todo bom brasileiro: não desiste e continua tentando. Na intenção de dar a volta por cima, Léo vai para o tudo ou nada e arrisca uma última grande chance. Espero tua (Re)volta | Brasil | Documentário Um retrato do movimento estudantil que ganhou força a partir do ano de 2015 ocupando escolas estaduais por todo Brasil. Acompanhando três jovens do movimento e com imagens de arquivo de manifestações desde 2013, o documentário tenta compreender as ocupações e as suas principais pautas a partir do ponto de vista dos estudantes envolvidos.

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    Estreias: Simonal e circuito limitado salvam a semana de horrores americanos

    7 de agosto de 2019 /

    A programação de cinema desta quinta (8/8) traz nada menos que 15 estreias, e três delas são simultâneas com os Estados Unidos. A mais ampla é um filme de cachorro, que simbolicamente se tornou o primeiro título da Fox distribuído pela Disney no Brasil. “Meu Amigo Enzo” segue uma fórmula sentimental manipuladora capaz de deixar “Marley e Eu” parecendo uma comédia, embora o cachorro tenha a voz de Kevin Costner e ensine lições de vida. Críticos fãs de cachorros deram 55% de aprovação no Rotten Tomatoes. Os outros dois títulos americanos tiveram maior exposição de marketing, mas pouco tempo de repercussão crítica. O embargo às resenhas do terror “Histórias Assustadoras para Contar no Escuro” durou até esta quinta. Isso geralmente acontece quando o estúdio acha o filme assustador. De ruim. Mas não é o caso, já que abriu com 90% de aprovação, antes de descer para 81%. Apesar de todos os clichês, ainda é uma produção de Guilllermo Del Toro (“A Forma da Água”). O cineasta vencedor do Oscar também assina a história, mas a direção é do norueguês André Øvredal, e essa divisão de tarefas afetou um pouco a identidade da obra, que resultou mais genérica que o esperado. Já o embargo de “Rainhas do Crime” acabou na quarta, e isso deu tempo suficiente para a constatação do desastre: 18% de aprovação. É a pior nota já recebida por um filme (de cinema) estrelado pela atriz Melissa McCarthy. Ambos foram comparados a versões de sucessos recentes, respectivamente “It – A Coisa” e “As Viúvas”. Assim, o brasileiro “Simonal”, cinebiografia do cantor Wilson Simonal, acaba sendo uma opção razoável entre os lançamentos do circuito (relativamente) amplo. Mesmo com simplicidade narrativa, venceu três prêmios no Festival de Gramado do ano passado e descreve muito bem a ambiguidade política brasileira, ao lembrar como a esquerda perseguiu o artista negro mais bem-sucedido do país. As opções são melhores no circuito limitado, em que se destaca o suspense argentino “Vermelho Sol”. Passado nos anos 1970, a trama noir acompanha um advogado respeitado de cidade pequena, que é insultado e perseguido por um estranho, recém-chegado com desejo de vingança. O confronto leva a uma fatalidade, mas melhor que a investigação que se segue é a crítica ao espírito humano diante da corrupção. A imprensa americana considerou o longa, uma coprodução brasileira dirigida por Benjamín Naishtat (“Bem Perto de Buenos Aires”), nada menos que uma obra-prima com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. Igualmente incensado, o drama israelense “Não Mexa com Ela” atingiu 97% com uma trama sob medida para os tempos de empoderamento feminino e movimento #MeToo, ao seguir uma funcionária em ascensão numa grande empresa que, enquanto busca equilibrar o trabalho intenso com as tarefas de mãe de família, sofre assédio do patrão. A autenticidade com que o drama se desenrola é uma verdadeira História Assustadora para Contar no Escuro do cinema. A seção de temas polêmicos também inclui “Rafiki”, primeiro filme de temática LGBTQIA+ realizado no Quênia, sobre duas garotas impedidas de assumir sua paixão por sua comunidade que não aceita a homossexualidade. Tem 94% no Rotten Tomatoes, mas a verdade é que a boa vontade em relação ao tema pesa muito nesta nota positiva. Quem preferir uma opção mais singela, a dica é o indiano “Retrato do Amor”, que conta uma história típica de comédias românticas, em que desconhecidos fingem namoro para agradar parente doente e acabam se apaixonando. O curioso é que, mesmo com essa história de Sessão da Tarde, o diretor Ritesh Batra evita todos os clichês hollywoodianos. Ele já tinha se mostrado mestre no gênero com o premiado “Lunchbox” (2013) e este é mais um acerto. 79% no Rotten Tomatoes Há outras opções fora dessa curadoria. Confira abaixo a lista completa das estreias da semana com suas sinopses e trailers. Simonal | Brasil | Biografia Musical Dono de voz marcante, carisma encantador e charme irresistível, Wilson Simonal (Fabrício Boliveira) nasceu para ser uma das maiores vozes de todos os tempos da música brasileira. No entanto, após anos de sucesso conquistado com muito trabalho, suas finanças descontroladas o levam a, num rompante de ignorância, tomar decisões que marcarão para sempre sua carreira. Histórias Assustadoras para Contar no Escuro | EUA | Terror A cidade de Mill Valley é assombrada há décadas pelos mistérios envolvendo o casarão da família Bellows. Em 1968, a jovem Sarah (Kathleen Pollard), uma garota problemática que mantinha um relacionamento ruim com os pais, foi ao porão para escrever um livro repleto de histórias macabras. Décadas mais tarde, um grupo de adolescentes descobre o livro e passa a investigar o passado de Sarah. No entanto, as histórias do livro começam a se tornar reais. Rainhas do Crime | EUA | Drama Criminal Nova York, janeiro de 1978. Kathy (Melissa McCarthy), Ruby (Tiffany Haddish) e Claire (Elisabeth Moss) são casadas com mafiosos irlandeses, que comandam os negócios em Hell’s Kitchen. Quando eles são presos pela polícia, o trio fica a mercê de Little Jackie, novo chefão local, que se recusa a lhes dar o dinheiro necessário para seu sustento. Com isso, Kathy, Ruby e Claire decidem unir forças para criar sua própria “família”, oferecendo apoio e proteção a pequenos comerciantes locais. Com o tempo, o poder das mulheres cresce ao ponto não só de incomodar Little Jackie, mas também chamar a atenção da máfia italiana. Meu Amigo Enzo | EUA | Drama Denny Swift (Milo Ventimiglia) é um piloto de corridas arrojado com um talento especial para dirigir sob chuva. Um dia, ao ir para o trabalho, encontra um filhote de cachorro que decide adotar. Ele ganha o nome de Enzo, em homenagem ao criador da Ferrari, e passa a acompanhá-lo em todos os lugares, ganhando um apreço especial pela adrenalina das corridas, seja ao assisti-las ao vivo ou pela televisão. Com o passar dos anos, a amizade entre Denny e Enzo sofre profundas mudanças quando o piloto conhece, e se apaixona, por Eve (Amanda Seyfried). Vermelho Sol | Argentina, Brasil, França | Suspense Claudio é um advogado de meia idade que vive uma vida calma e confortável com sua esposa em uma pequena cidade da Argentina da década de 1970. Quando um detetive particular aparece na sua cidade determinado em localizar um estranho com quem ele brigou meses atrás em um restaurante, seu mundo é virado de cabeça para baixo. Não Mexa com Ela | Israel | Drama Orna (Liron Ben Shlush) é mãe de três filhos pequenos e está passando por dificuldades financeiras, com o restaurante do seu marido quase sem dar lucro. Quando ela consegue um emprego de assistente em uma luxuosa imobiliária, parece que sua sorte vai mudar, mas conforme cresce dentro da empresa ela se torna alvo de assédio de seu chefe, Benny (Menashe Noy), que efetua desde comentários sobre sua roupa e cabelo até agressivas sugestões. Retrato do Amor | Índia | Drama Pressionado por sua família a se casar o mais rápido possível, um fotógrafo de Mumbai convence uma tímida estranha a fingir ser a sua noiva durante a visita da avó. Apesar da relutância, ela aceita a proposta e os dois desenvolvem um laço totalmente inesperado. Rafiki | Quênia, França | Drama Kena (Samantha Mugatsia) e Ziki (Sheila Munyiva) são grandes amigas e, embora suas famílias sejam rivais políticas, as duas continuaram juntas ao longo dos anos, apoiando uma a outra na batalha pela conquistas de seus sonhos. A relação de amizade transforma-se em um romance que passa a afetar a rotina da comunidade conservadora em que vivem. As jovens terão que escolher entre experienciar o amor que partilham ou se distanciar em função de uma vida segura. Mulheres Armadas, Homens na Lata | França | Comédia Sem trabalho ou diploma, Sandra, ex-Miss Pas-de-Calais, volta a morar com a mãe no sul da França, depois de 15 anos na Côte d’Azur. Contratada na fábrica de conservas local, ela rejeita constantemente o assédio sexual de seu chefe e acaba matando-o acidentalmente quando tenta se defender. A primeira reação de Sandra e suas amigas da empresa, que presenciam o crime, é chamar socorro. Quando elas descobrem uma mala cheia de dinheiro no armário do homem morto, o jogo muda e elas decidem ficar com a fortuna a qualquer preço. Fourteen | EUA | Drama Ao longo de uma década, uma jovem torna-se cada vez mais debilitada e disfuncional devido a uma doença mental impossível de ser diagnosticada com clareza. Enquanto as pessoas mais distantes desconfiam que o problema tenha outras raízes, seus amigos mais próximos e familiares procuram as melhores formas para ajudá-la sem danificar seu cotidiano. Leste Oeste | Brasil | Drama Ezequiel (Felipe Kannenberg) é um ex-piloto que vive há 15 anos longe de sua cidade natal. Depois de todo esse tempo, ele decide voltar para disputar sua última corrida. Lá, ele vai ter que enfrentar alguns personagens de seu passado, como seu antigo affair, Stela (Simone Iliescu), e também Ângelo (José Maschio), o patriarca da família. Ele também vai cruzar com Pedro (Bruno Silva), um jovem de 16 anos que sonha em pilotar. Voando Alto | Alemanha | Animação O pequeno Manou passou sua vida inteira acreditando que era uma gaivota, quando na realidade ele é filho de um casal de andorinhas. Enquanto tenta aprender a voar, ele percebe que nunca será capaz de alçar grandes voos e foge de casa. Mas quando os animais correm perigo de vida devido a uma nova ameaça, só ele será capaz de salvar o dia. My Hero Academia – Dois Heróis | Japão | Animação Deku e All Might são convidados para a principal exposição mundial de habilidades de Quirk e inovações tecnológicas de heróis: a I-Expo. Lá, Deku conhece Melissa, uma garota que é Quirkless assim como ele já foi. Tudo ia bem, quando o sistema de segurança do evento é hackeado por vilões e a sociedade ameaçada. O Amigo do Rei | Brasil | Documentário Misturando-se entre o documental e o ficcional, o maior crime ambiental da história do Brasil é explorado através de suas mais variadas perspectivas. Tratando do rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, Minas Gerais, o deputado federal Rey Naldo (Luciano Chirolli) mostra ao Congresso Nacional como a política e a mineração se relacionam de maneira íntima. Alma Imoral | Brasil | Documentário O documentário trata sobre transgressão, buscando entender o anseio do ser-humano em viver novos relacionamentos e se tornar outras pessoas a partir do próprio conceito de evolução, deixando de se apoiar apenas em contextos bíblicos e obrigações morais.

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    Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw é a maior estreia de cinema da semana

    31 de julho de 2019 /

    “Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw” é o maior lançamento de cinema desta quinta (1/8). Com distribuição em mais de 1,5 mil salas, tem alcance exagerado como sua premissa. Mistura de 007, “Missão Impossível”, “48 Horas” e super-heróis, o primeiro derivado da franquia “Velozes e Furiosos” tem tom mais absurdo que a saga central, em que motoristas de rachas viram agentes secretos para salvar o mundo. A troca infinita de farpas entre Dwayne Johnson (Hobbs) e Jason Statham (Shaw), enquanto enfrentam um supervilão e sua organização maligna, diverte mais que a sucessão de cenas de ação sem limites, e justificam os 69% de aprovação no Rotten Tomatoes. As demais estreias da semana ocupam o circuito limitado, dividindo-se entre três títulos brasileiros e três franceses. O destaque é “A Última Loucura de Claire Darling”, em que a lenda viva Catherine Deneuve contracena com sua filha real, Chiara Mastroianni, numa história de mãe e filha distantes que se reconectam quando a matriarca resolve vender tudo o que tem, anunciando que é seu último dia de vida. Tem 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. Confira abaixo a lista completa das estreias da semana com suas sinopses e trailers. Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw | EUA | Ação Desde que se conheceram, em “Velozes e Furiosos 7”, Luke Hobbs (Dwayne Johnson) e Deckard Shaw (Jason Statham) constantemente bateram de frente, não só por inicialmente estarem em lados opostos mas, especialmente, pela personalidade de cada um. Agora, a dupla precisa unir forças para enfrentar Brixton (Idris Elba), um anarquista alterado geneticamente que se tornou uma ameaça biológica global. Para tanto, eles contam com a ajuda de Hattie (Vanessa Kirby), irmã de Shaw, que é também agente do MI6, o serviço secreto britânico. A Última Loucura de Claire Darling | França | Comédia É o primeiro dia de verão e o último de Claire Darling (Catherine Deneuve), ou é isso que ela pensa. Claire espalha todos os seus pertences no gramado, desde o pêndulo remanescente da história da França até a infinidade de lâmpadas Tiffany. Enquanto uma horda de curiosos e vizinhos retira essas antiguidades por alguns centavos, cada objeto ecoa a vida trágica e extravagante de Claire Darling. Meu Bebê | França | Comédia Quando Jade (Thaïs Alessandrin), a filha mais nova de Héloïse (Sandrine Kiberlain), está prestes a completar 18 anos e anuncia que vai para o Canadá completar seus estudos, a decisão causa um inesperado impacto na mãe. A relação entra em um clima de saudosismo antecipado, e as duas passam a refletir sobre o passado e o futuro. Os Dois Filhos de Joseph | França | Comédia Para Ivan (Mathieu Capella), um menino de 13 anos, seu pai Joseph (Benoît Poelvoorde) e seu irmão mais velho Joachim (Vincent Lacoste) são o principal modelo de vida. Porém, em determinado momento os dois falham e o jovem percebe como pode ser ruim conhecê-los, afinal, eles são tigres. No Coração do Mundo | Brasil | Drama Contagem, Minas Gerais. Dentro da comunidade local, Marcos (Leo Pyrata) se vira diariamente com os pequenos crimes que comete. Quando reencontra Selma (Grace Passô), uma antiga amiga, ele se convence da possibilidade de executar um assalto bem-sucedido. Mas o plano só pode ser colocado em prática com a ajuda de uma terceira pessoa, e Ana (Kelly Crifer), namorada de Marcos, hesita em participar. Abaixo a Gravidade | Brasil | Drama Ao descobrir que sofre de uma grave doença, Bené (Everaldo Pontes) entra num sério dilema, pensando se deve se tratar ou espera o desenvolvimento natural da patologia. Sua amizade com a jovem e descolada Letícia leva o homem, que vive há anos isolado em uma comunidade rural no interior da Bahia, de volta para a cidade grande e todo o seu caos. Bloqueio | Brasil | Documentário Brasil, maio de 2018. As eleições presidenciais se aproximam enquanto a crise econômica e política se intensifica. Em meio ao caos, a classe dos caminhoneiros, responsável pelo abastecimento das grandes cidades, inicia um bloqueio nas estradas, agravando as tensões. No entanto, em meio às reivindicações por melhores condições de trabalho, surge também um discurso pró intervenção militar que destoa.

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    Democracia em Vertigem manipulou foto histórica para esconder armas de militantes mortos pela ditadura

    30 de julho de 2019 /

    A revista Piauí alertou para a manipulação de uma imagem no documentário “Democracia em Vertigem”. Duas armas foram retirados de uma fotografia histórica, que aparece aos seis minutos no documentário dirigido e narrado por Petra Costa. É uma fotografia em preto e branco onde há dois homens mortos, um deles identificado pela cineasta como “o mentor dos meus pais: Pedro Pomar”. Petra explica então que seu nome é uma homenagem feita por seus pais a Pedro. No retrato, o jornalista Pedro Ventura Felipe de Araújo Pomar e Ângelo Arroyo, dirigentes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), aparecem mortos e ensanguentados, após serem executados na manhã do dia 16 de dezembro de 1976 pelas forças sob o comando do Segundo Exército, numa casa térrea na rua Pio XI, em São Paulo. O episódio ficou conhecido como a Chacina da Lapa. No documentário, os corpos aparecem desarmados. Entretanto, a mesma fotografia, anexada a um dos laudos da morte de Pedro Pomar, datado de 27 de dezembro de 1976 e arquivado no Instituto de Criminalística de São Paulo, traz um revólver do lado direito do corpo de Pomar e uma carabina embaixo da mão direita de Arroyo. Procurada pela Piauí, Petra Costa disse que estava esperando alguém reparar para tocar no assunto. Por e-mail, a documentarista confirmou que a foto é a mesma e as armas foram digitalmente retiradas da fotografia usada no filme. “Há uma razão para isso, e eu estava esperando que alguém do público notasse. Como afirmei no documentário, Pedro era o mentor político da minha mãe, e foi amplamente reconhecido que a polícia plantou armas ao redor dos corpos dos ativistas assassinados, como uma desculpa para seus assassinatos brutais”, escreveu Petra. A diretora continuou: “Há um debate significativo sobre a veracidade das armas nesta cena, com muitos comentários. E até a própria Comissão da Verdade trouxe evidências para as alegações de que a polícia plantou as armas após a morte de Pedro, e por isso optei por remover esse elemento e homenagear a Pedro com uma imagem mais próxima à provável ‘verdade’.” De fato, existem documentos públicos, livros e artigos que apontam uma manipulação da cena daquele crime pelas forças militares. Um deles é o relatório da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, criada no governo Fernando Henrique Cardoso para reconhecer mortes e desaparecimentos, e indenizar familiares de vítimas da ditadura militar. Nele, há o relato de Maria Trindade, ocupante da casa na Lapa e única sobrevivente do massacre. Ela afirmou que Pomar não havia caído na posição em que se encontra na fotografia, tampouco estava de óculos no momento em que fora alvejado. O repórter Nelson Veiga, da TV Bandeirantes, que foi o primeiro jornalista a chegar à cena do crime, disse à Folha de S.Paulo, dez anos depois do massacre, que, quando entrou na residência, não havia armas perto dos corpos de Pomar e Arroyo. “Pela disparidade de forças, aconteceu ali uma matança”, disse o repórter. Um laudo independente, do médico Antenor Chicarino, constatou que “diversas lesões existentes na vítima foram omitidas no laudo. Dentre outras, foi omitida a menção a lesões típicas compatíveis com ‘zona de tatuagem’ – lesões que indicam proximidade do disparo – assim como ferimento perfuro contuso em região temporal anterior, possivelmente correspondente a tiro de execução”, diz texto de denúncia do MPF de São Paulo. Segundo testemunhas, foram cerca de vinte minutos de tiros e pânico na vizinhança da Lapa durante a operação. E depois o corpo de Pomar foi enterrado com um nome falso no cemitério de Perus. “Com o intuito de dificultar sua exumação e, assim, a apuração da fraude”, diz a denúncia do MPF. Em 1980, a família de Pomar descobriu o paradeiro dos restos mortais e fez o translado para o Pará, terra natal do jornalista. Assim, há indícios evidentes de que a cena do crime foi forjada pelos militares, colocando as armas perto dos militantes mortos para justificar a execução. E Petra Costa justifica essa manipulação para fazer a sua manipulação em seu filme. “Afirmo que a imagem da morte de Pedro foi marcada por essas armas colocadas ao redor do seu corpo após sua morte. E senti uma oportunidade para corrigir um erro percebido por muitos”, declarou. A revista, então, foi ouvir a opinião de outras pessoas envolvidas na história, para saber o que acharam da falsificação da imagem. O jornalista Pedro Estevam da Rocha Pomar, neto do dirigente comunista e autor de uma coleção de livros chamados “Massacre na Lapa”, sobre o ataque em 1976, disse que não concorda com a retirada. “Tenho certeza de que ela fez isso com as melhores intenções, de boa-fé. Ainda assim, acho um erro. Não há porquê. Devia ter mantido a foto como ela é. A própria foto original já tinha uma adulteração da cena do crime… Era melhor ter mostrado a foto e contado o seu contexto.” Eduardo Escorel, montador de documentários premiados como “Cabra Marcado para Morrer” e “Santiago”, de Eduardo Coutinho, e diretor de “Imagens do Estado Novo – 1937-45”, trabalhou por quatro meses como consultor de montagem de “Democracia em Vertigem” em 2017, e disse que não soube da alteração da imagem até a estreia do longa. A alteração da fotografia também não é mencionada no filme, que está em cartaz no catálogo da Netflix em 150 países. “Há documentaristas que encenam, inventam, fazem referências inexistentes, ou atribuem aos personagens coisas que eles nunca fizeram. Existe uma tendência do cinema de desenvolver uma área comum entre a ficção e o documentário. Isso não quer dizer que não persista uma diferença. Mesmo quando o documentário trabalha com elementos ficcionais, de recriações, e mesmo neste caso, o espectador precisa estar advertido sobre o que está vendo. Adulterar uma imagem qualquer e fazer essa imagem passar por algo que ela não é, acho um procedimento equivocado”, diz Escorel. Na opinião dele, um procedimento possível seria dedicar mais tempo a essa foto e relatar sua história. Outro seria colocar uma nota ou uma legenda no fim do filme, dizer que a foto foi alterada e por qual motivo. “O compromisso ético do documentarista é com o espectador. E iludir o espectador, ao meu ver, não é próprio do documentário”, afirma Escorel. Claro que essa visão de que documentarista tem compromisso ético é tão idealizada quanto a lenda de que jornalista é isento. Na verdade, filmes baseados em imagens reais e depoimentos nada mais são que trabalho de edição para criar uma narrativa. No caso, o filme de Petra Costa se insere na “narrativa do golpe”, como outras produções feitas por cineastas militantes em torno do Impeachment da presidente Dilma Rousseff. Manipular imagem real faz parte da construção dessa narrativa. O que contraria a tese é descartado. Entretanto, o produto manipulado é apresentado como “factual”. Não é um fenômeno exclusivo de documentários da “esquerda”. Vem aí, a seguir, o “filme do mito”, “Nem Tudo se Desfaz”, de Josias Teófilo, que vai abordar o mesmo período de “Democracia em Vertigem” e contar história radicalmente oposta, com conclusão conflitante. Trata-se de uma guerra cultural de retóricas, onde o que menos importa é a “verdade”. Ou melhor, cada lado tem a sua “verdade”, e ela permite maquiar fotos sem aviso para os espectadores. Porque até a manipulação é justificada com o nome dela, da “verdade”.

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    Estreias: Circuito limitado é salvação de semana repleta de filmes ruins

    25 de julho de 2019 /

    Os filmes que chegam aos cinemas de shopping centers nesta quinta (25/7) são muito ruins. O pior, “As Trapaceiras”, teve só 14% de aprovação no Rotten Tomatoes e é o filme com maior distribuição na semana. Trata-se de um remake de sexo trocado de “Os Picaretas” (1999), com Anne Hathaway (“Colossal”) e Rebel Wilson (“A Escolha Perfeita”) nos papéis anteriormente desempenhados por Steve Martin e Eddie Murphy. A outra comédia, “As Rainhas da Torcida”, traz Diane Keaton (“Do Jeito que Elas Querem”) como cheerleader da Terceira Idade e obteve 35% de aprovação. Menos mau, o drama “Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal”, com Zac Effron (“Baywatch”) em papel de serial killer galã, ficou com 56% – e foi lançado direto pela Netflix nos EUA. Em contraste, no circuito limitado, os lançamentos são ótimos. A salvação dos cinéfilos estão nos cinemas pequenos das grandes cidades. Com 100% no Rotten Tomatoes, o drama francês “O Professor Substituto” não é o que o título nacional sugere – isto é, a velha história do professor que inspira um grupo de jovens excluídos – , mas um retrato da juventude niilista atual. Pessimista ao extremo, a obra adaptada e dirigida por Sébastien Marnier (“Irrepreensível”) passa longe de ser edificante e explora sua tensão com a trilha da dupla eletrônica Zombie Zombie. Quem prefere comédia também não precisa se contentar com as tristezas americanas em cartaz. “O Mistério de Henri Pick” tem 83% no RT e gira em torno de um crítico literário mau-humorado (Fabrice Luchini, de “Dentro de Casa”), que vê a vida virar do avesso ao questionar a autoria do livro-sensação do momento na França, supostamente escrito por um pizzaiolo falecido. Insultado nas ruas e abandonado pela própria esposa, ele não dá o braço a torcer e decide tirar a limpo a história da obra, encontrada numa loja de manuscritos inéditos e sofisticada demais para sua origem humilde ser verídica. A direção e o roteiro cheio de reviravoltas são de Rémi Bezançon (da premiada animação “Zarafa”). Com 90%, “O Mistério do Gato Chinês” é uma fantasia de Chen Kaige, diretor dos premiados “Adeus Minha Concubina” (1993) e “O Imperador e o Assassino” (1998). Trata-se de um blockbuster asiático repleto de efeitos visuais sobre um gatuno literal, um gato criminoso que reflete uma superstição chinesa do século 18. Mistério e comédia se juntam de forma surreal. A lista ainda tem o brasileiro “A Serpente”, peça de Nelson Rodrigues filmada em preto e branco, que traz Lucélia Santos (“Casa Grande”) em papel duplo, como irmãs gêmeas, além de Matheus Nachtergaele (“Trinta”) e trilha de Fábio Trummer (da banda Eddie) e Pupillo (Nação Zumbi). Exibido no Festival do Rio de 2016, esperou três anos por vagas nos cinemas. A distribuição corajosa é da Cavideo, do cineasta Cavi Borges (“Salto no Vazio”). Confira abaixo a lista completa das estreias da semana com suas sinopses e trailers. O Professor Substituto | França | Drama Um professor comete suicídio se jogando pela janela da sala de aula, em frente aos alunos adolescentes. Em seu lugar é contratado Pierre Hoffman (Laurent Lafitte) como professor substituto, que logo percebe que um grupo de seis dos seus novos alunos parece indiferente ao que acontece à sua volta. Aos poucos, Hoffman nota que este pequeno grupo exerce uma estranha influência sobre o resto da escola, inclusive na direção. Cada vez mais obcecado por eles, o professor passa a segui-los até descobrir quais são seus planos. O Mistério de Henri Pick | França | Comédia Daphné Despero (Alice Isaaz) é uma ambiciosa editora em busca de novos romances para publicar. Um dia, enquanto visita seu pai, ela conhece uma livraria de manuscritos rejeitados. Lá, ela se encanta com uma história nunca antes publicada, escrita por um pizzaiolo bretão chamado Henri Pick. Admirada com o talento encontrado, ela começa a pesquisar sobre o autor e acaba descobrindo que ele faleceu há dois anos. Com o apoio da família de Pick, o manuscrito é publicado e imediatamente vira uma febre em toda a França, entrando para a lista de mais vendidos e gerando fascínio sobre a história do autor. Como parte da turnê de divulgação do livro, Daphné e a família de Pick são convidadas para ir ao programa de Jean-Michel Rouche (Fabrice Luchini), um crítico literário pedante e desagradável, que não hesita em questionar todos os pontos da história de Henri Pick. Convencido de que se trata de uma farsa, Jean-Michel inicia uma trajetória em busca da verdade sobre o mais novo best-seller francês. O Mistério do Gato Chinês | China, Japão | Fantasia Durante a dinastia Tang, na China, um gato misterioso começa a atacar altos membros da Corte Imperial, deixando uma série de mortos. Dois homens muito diferentes, o poeta chinês Bai Letian (Huang Xuan) e o monge japonês Kûkai (Shôta Sometani) decidem unir forças para descobrir o que existe por trás do animal místico. Aos poucos, eles descobrem segredos na história da nobreza, envolvendo uma bela concubina amada pelo Imperador, mas atacada pelo povo. O gato constituiria, na verdade, o acerto de contas por um crime jamais solucionado. A Serpente | Brasil | Drama Lígia e Guida (ambas interpretadas por Lucélia Santos) são duas irmãs que vivem na mesma casa. Quando a doce Lígia enfim se casa com Décio (Sílvio Restiffe), ela espera ser deflorada na noite de núpcias, mas o homem é impotente. Mais tarde, ele a troca por uma lavadeira. Sentindo-se rejeitada, a recém-casada tenta o suicídio, mas é resgatada no último momento por Guida. A partir deste momento, a irmã virgem cede aos flertes do cunhado Paulo (Matheus Nachtergaele) e faz sexo com ele. Quando Guida descobre a traição em sua própria cama, a família entra em crise. Uma cova é cavada do lado de fora da casa, e fica claro que alguém precisa morrer. Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal | EUA | Drama Cinebiografia de Ted Bundy (Zac Efron), serial killer que matou, pelo menos, 30 mulheres em sete estados norte-americanos durante a década de 1970. Bundy se tornou famoso em todo o país, em parte por causa da fama de sedutor, que levou a conquistar várias fãs, e em parte por ter efetuado sua própria defesa nos tribunais. A trajetória do psicopata é contada pelo ponto das mulheres que amou: Liz Kendall (Lily Collins), com quem se casou, e Carole Ann Boone (Kaya Scodelario), amante que o apoiou durante o longo julgamento nos tribunais. As Rainhas da Torcida | EUA | Comédia Diagnosticada com câncer terminal, a solitária Martha (Diane Keaton) decide se livrar de todos os seus pertences pessoais e se mudar para uma comunidade de idosos com o intuito de esperar a morte chegar. Em seus últimos meses, ela quer uma vida tranquila, lendo livros e interagindo com poucas pessoas, mas ao conhecer sua nova vizinha, Sheryl (Jacki Weaver), uma mulher ativa e barulhenta, Martha vê seus planos indo por água abaixo, já que a nova companhia faz questão de se manter constantemente presente. A medida que a relação das duas se desenvolve, uma forte amizade surge e Sheryl incentiva Martha a treinar os passos de líder de torcida novamente, como fazia na época da escola. Resistente, a protagonista topa a ideia e juntas elas montam um clube para empoderar diversas mulheres acima dos 60 anos. Para fazer isso, elas precisam enfrentar o preconceito de todos e treinar para uma importante competição. As Trapaceiras | EUA | Comédia Beaumont-sur-mer, Riviera Francesa. Josephine (Anne Hathaway) e Penny (Rebel Wilson) são duas manipuladoras, conhecidas pela arte de extorquir milionários. No entanto, enquanto a primeira é sofisticada, a segunda tem métodos muito menos elegantes. De início Josephine aceita Penny como sua pupila, mas logo se percebe que na verdade a intenção era usá-la para um golpe específico e, logo em seguida, descartá-la. Surge então uma disputa entre elas, sobre quem conseguirá antes a quantia de US$ 500 mil de Thomas Westerburg (Alex Sharp), um prodígio da tecnologia, que está hospedado na cidade.

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    O Rei Leão é a principal estreia de cinema da semana

    18 de julho de 2019 /

    Mais um lançamento da Disney domina a programação de cinema desta semana. Acompanhado por grande campanha publicitária, discos, brinquedos e McLanches felizes, “O Rei Leão” é um remake do desenho clássico de 1994 com efeitos visuais de última geração. O realismo é tanto que por vezes parece mais um documentário da National Geographic. Até que os bichos começam a falar. E cantar. O diretor é o mesmo de “Mogli, o Menino-Lobo”, Jon Favreau. Mas o resultado, apesar de visualmente arrojado, não encantou tanto. Culpa, justamente, do excesso de realismo, que comprometeu a fantasia da trama. Mesmo em 2D “antiquado”, o original dos anos 1990 mantém ampla vantagem na comparação. Na avaliação do Rotten Tomatoes, a diferença é brutal: 93% para o original e 56% para a cópia moderna. E para baixar ainda mais a expectativa do público brasileiro, as versões dubladas em português, disponibilizadas na maioria dos cinemas nacionais, não tem Beyoncé. Sem empolgar, a programação desta quinta (18/7) traz apenas mais quatro títulos e dois deles são documentários – inclusive um comercial de cerveja enrustido. Apesar do nome do diretor Fatih Akim (“Em Pedaços”) em “O Bar Luva Dourada” ser uma isca para cinéfilos, nenhuma das ficções compensa sair de casa durante o inverno, quando há coisas muito melhores para se assistir em streaming. De todo modo, o grotesco filme alemão é o mais diferente da lista e o exato oposto da beleza plástica de “O Rei Leão”. Confira abaixo a relação completa das estreias da semana com suas sinopses e trailers. O Rei Leão | EUA | Animação Simba (Donald Glover) é um jovem leão cujo destino é se tornar o rei da selva. Entretanto, uma armadilha elaborada por seu tio Scar (Chiwetel Ejiofor) faz com que Mufasa (James Earl Jones), o atual rei, morra ao tentar salvar o filhote. Consumido pela culpa, Simba deixa o reino rumo a um local distante, onde encontra amigos que o ensinam a mais uma vez ter prazer pela vida. O Bar Luva Dourada | Alemanha | Suspense Na década de 1970, os habitantes da cidade de Hamburgo sofrem quando os jornais começam a noticiar o desaparecimento sucessivo de vários cidadãos seguindo um padrão específico. Começa então uma das mais complexas investigações de assassinatos em série que o local já havia presenciado até o momento. Jornada da Vida | França | Drama Um ator francês (Omar Sy) de descendência senegalesa faz uma viagem à África para promover o seu livro. No local, descobre que um de seus maiores fãs é Yao, um garotinho que efetuou uma longa viagem sozinho para vê-lo. Comovido com a história do menino, decide acompanhá-lo de volta à sua casa e, no percurso, confronta-se com suas próprias raízes. Palace II – Três Quartos com Vista para o Mar | Brasil | Documentário No dia 22 de fevereiro de 1998, o conhecido prédio Palace II sofreu um desabamento inesperado, deixando 8 mortos e quase 200 famílias desabrigadas. Considerado um dos maiores desastres na história da engenharia civil brasileira, até hoje alguns dos culpados não foram punidos pelo descaso, e as pessoas envolvidas no acidente lembram-se muito bem dos momentos cruciais, antes, durante e depois da queda. Em Busca da Cerveja Perfeita | Brasil | Documentário Durante uma viagem de mais de 10.000 km, o diretor Heitor Dhalia explora o universo cervejeiro com o objetivo de responder a pergunta “Existe uma cerveja perfeita?”. Para tentar descobrir, ele conversa com mais de 20 especialistas no assunto e traça um panorama completo da bebida, que é uma das mais amadas do mundo. Feito com patrocínio da fábrica de cervejas Ambev.

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    Estou Me Guardando para quando o Carnaval Chegar tem dimensão reflexiva surpreendente

    15 de julho de 2019 /

    “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005), primeiro longa-metragem do diretor pernambucano Marcelo Gomes, está entre as melhores produções brasileiras do século 21. “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo” (2009), dirigido por Gomes e Karim Ainouz, é um filme experimental brilhante e um dos produtos mais criativos da nossa filmografia recente. O que recomenda vivamente o trabalho do cineasta. Marcelo Gomes fez ainda “Era uma Vez Eu, Verônica” (2012) e “Joaquim” (2017), e codirigiu com Cao Guimarães “O Homem das Multidões” (2013). Uma trajetória bastante sólida e consistente. Seu novo trabalho, “Estou Me Guardando para quando o Carnaval Chegar” tem título quilométrico, que remete a uma música de Chico Buarque. No entanto, é um documentário com uma abordagem simples, clara e direta, que dá conta de uma realidade bem mais complexa do que a sua aparência faria supor e alcança uma dimensão reflexiva surpreendente. Como um filme que se constrói ao caminhar sobre o tema e ao encontrar elementos novos a cada passo, a narrativa se estabelece à medida em que é capaz de ouvir o outro com atenção e, de algum modo, interagir, participar e intervir no seu objeto de estudo. O personagem do documentário é a cidade de Toritama, no Agreste de Pernambuco, que era uma localidade pacata, que Marcelo Gomes conheceu quando criança, acompanhando seu pai em visitas de trabalho. Era, não é mais. Foram justamente a agitação e as mudanças em Toritama, visíveis ao passar pelas estradas locais, que chamaram a atenção dele. Agora Toritama se define como a capital do jeans. 20% de toda a produção de jeans do Brasil vem de lá, cerca de 20 milhões de peças por ano produzidas em fábricas de fundo de quintal, que são chamadas de facções. É surpreendente que uma cidade com 40 mil habitantes tenha uma produção assim tão grande para ostentar. E por que isso acontece? Em síntese, porque tudo que se faz lá, o tempo inteiro, é trabalhar. Cada casa ou conjunto delas vira uma oficina de costura individual ou coletiva. Quase todos parecem preferir trabalhar por sua conta e risco, como e quando quiser, sem carteira assinada na fábrica. Com a certeza de que o que produzirem vai ser comprado. Ou porque já foi combinado ou porque vai ser vendido nas grandes feiras que atraem público de todos os cantos. Como mais peças ou partes de peças costuradas resultam em pequenas quantidades de dinheiro, quanto mais se faz mais se ganha. Conclusão, a maioria dos moradores/produtores da cidade trabalha continuamente desde cedo até tarde da noite. Em casa mesmo, sem horário. Ou melhor, sem horário para viver, só para trabalhar, comer e dormir, com direito a uma hora de TV, provavelmente para ver a novela. Uma espécie de escravidão não só consentida, mas buscada pela população. Que dela não se queixa, com poucas exceções. Acha que está muito bom assim, sente-se livre e dona do seu nariz. Ou melhor, do seu negócio. Muito curioso esse microcosmo do capitalismo que toma de assalto e transforma radicalmente uma pequena localidade, que já não tem espaço nem para criar galinhas ou fazer caminhar os bodes que restaram pela cidade, cruzando a rodovia. Se isso parece estranho e surpreendente, o que dizer da obsessão absoluta de toda a população em, obrigatoriamente, passar o Carnaval na praia? Custe o que custar, ninguém fica, todos saem para tomar banhos de mar, beber, fazer alguma fantasia, batucar e dançar no Carnaval. Se não tiver dinheiro, vende o que tem – fogão, geladeira – ou toma emprestado, para depois pagar ou recomprar o que vendeu. O que não pode é perder o Carnaval. Marcelo Gomes filmou a cidade nos dias de Carnaval e só então reencontrou o silêncio e as ruas vazias do seu tempo de criança. O mundo do trabalho e o do lazer (ou férias) se colocam em oposição. Oposição não é bem a palavra. Talvez espaço e tempo estanques, separados. Trabalho todo o tempo. Parada no Carnaval, fora da cidade, como obrigação incontornável. Trabalho parece ser só dinheiro e o dinheiro vira uma dependência, é só ele que importa. Prazer no período mágico do Carnaval, tratado como obrigação tanto quanto a atividade produtiva. Mas há também prazer no trabalho e nos resultados obtidos. Por que não é possível integrá-los, mesclá-los, equilibrar algumas coisas, diante da obsessão em fabricar cada vez mais e mais e obter o dinheiro desejado? Fico pensando nos mecanismos da Internet – e-mails, WhatsApp, outras redes sociais – nos tomando um tempo absurdo de trabalho não remunerado, quando a tecnologia teria de ter vindo para nos poupar tempo e permitir o ócio criativo. Parece que também nos deixamos escravizar com gosto, ou simplesmente o esquema nos engole. Isso também tem a ver com abdicar da liberdade para seguir um salvador da pátria, um mito qualquer? O ótimo documentário de Marcelo Gomes nos faz pensar em muitas coisas como essas, que não estão no filme, mas na minha cabeça, nesse momento. A música do Chico Buarque, que está no filme, e tem como estribilho “Estou Me Guardando para quando o Carnaval Chegar” fazia alusão á liberdade que o sujeito viveria com o fim da ditadura militar opressora, restritiva de todas as liberdades e que tinha como oposição o Carnaval libertador. Não é o sentido, aqui, o Carnaval, no caso, é uma liberação momentânea de um trabalho que, no fim das contas, embora não pareça, é também opressivo, mas que dura pouco e nada muda. O filme ganhou o prêmio do Júri e da Abraccine (Associação Brasileira dos Críticos de Cinema) no festival É Tudo Verdade 2019. E está sendo exibido na sessão Vitrine, com preço reduzido, em grande número de cidades brasileiras.

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    Relançamento de Vingadores: Ultimato joga estreias da semana no circuito limitado

    11 de julho de 2019 /

    O relançamento de “Vingadores: Ultimato” é a estreia mais ampla desta quinta (11/7), um caso nunca visto antes de filme que volta sem nunca ter saído de cartaz e de versão estendida que não estende um segundo sequer da trama. Mas graças a esse caça-níquel e aos blockbusters em exibição, as verdadeiras estreias da semana foram praticamente restritas ao circuito limitado. Entre as novidades, “Atentado ao Hotel Taj Mahal” tem o maior lançamento. Conhecido no resto do mundo como “Hotel Mumbai”, o longa transforma em suspense a reconstituição dramática de um ataque terrorista que aconteceu em 2008 num dos hotéis mais luxuosos da Índia, repleto de estrangeiros. O bom elenco internacional destaca Dev Patel (“Lion”), Armie Hammer (“Me Chame pelo Seu Nome”) e Nazanin Boniadi (“Counterpart”). Elogiado pela crítica americana, tem 76% de aprovação no Rotten Tomatoes. O resto da programação se restringe a três lançamentos europeus e um documentário brasileiro, que é, na verdade, o melhor da lista. “Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar”, do veterano cineasta pernambucano Marcelo Gomes, retrata a rotina de uma cidadezinha no agreste conhecida por suas confecções de jeans, onde todos são obcecados pelo trabalho. Por vezes, parece uma obra de ficção. Mas seus personagens são reais. Exibido no Festival de Berlim, foi premiado no recente É Tudo Verdade. Outro lançamento premiado, o drama francês “Inocência Roubada”, reflete sobre o trauma do abuso infantil numa mulher adulta. Estreia do casal de diretores Andréa Bescond e o ator Eric Métayer, venceu o César de Melhor Roteiro e Atriz Coadjuvante (Karin Viard). Entretanto, é o outro francês, “Amor à Segunda Vista”, que tende a conquistar mais público. A história do homem que vai parar numa realidade paralela, em que o amor de sua vida nem sabe que ele existe, é uma comédia romântica fantasiosa. O estilo tem dominado produções nacionais recentes, mas o diretor Hugo Gélin (de “Uma Família de Dois”) evita clichês para divertir com criatividade. Por fim, o infantil alemão “A Pequena Travessa” é a última opção. Literalmente. Confira abaixo a lista completa das estreias da semana com suas sinopses e trailers. Atentado ao Hotel Taj Mahal | EUA | Thriller Mumbai, Índia, 2008. Um grupo de terroristas chega à cidade de barco, disposto a promover uma série de ataques em locais icônicos da cidade. Um deles é o luxuoso hotel Taj Mahal, bastante conhecido pela quantidade de estrangeiros e artistas que nele se hospedam. Quando os ataques começam, o humilde funcionário Arjun (Dev Patel) tenta ajudar todos a se protegerem, enquanto David (Armie Hammer) e Zahra (Nazanin Boniadi) buscam algum meio de retornar ao quarto em que estão hospedados, já que nele está seu bebê e Sally (Tilda Cobham-Hervey), sua babá. Amor à Segunda Vista | França | Comédia Do dia para a noite, Raphael (François Civil) acorda em um universo paralelo onde ele nunca conheceu Olivia (Joséphine Japy), o amor da sua vida. Agora ele precisa reconquistar a sua esposa, mesmo sendo um completo estranho para ela. Enquanto Raphael tenta entender exatamente o que aconteceu, ele corre contra o tempo para não perdê-la. Inocência Roubada | França | Drama Aos oito anos, Odette (Andréa Bescond) gostava de pintar e desenhar, como todo criança inocente. Eventualmente, ela também brincava com os adultos, por isso não recusou participar de uma “guerra de cócegas” com um homem mais velho, amigo de seus pais. Anos depois, Odette é uma adulta assombrada pelos traumas da infância, algo que ela vem tentando esquecer através da dança, atividade que ela pratica profissionalmente. A Pequena Travessa | Alemanha | Infantil Lilli Susewind (Malu Leicher) tem a habilidade de falar com animais, mas, fora seus pais, ninguém sabe deste segredo. Quando ela conhece Jess (Aaron Kissiov), um menino divertido e misterioso de sua nova escola, decide contar para ele. Juntos, os dois precisam achar um filhote de elefante que foi roubado do zoológico da cidade. Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar | Brasil | Documentário Na cidade de Toritama, considerada um centro ativo do capitalismo local, mais de 20 milhões de jeans são produzidas anualmente em fábricas caseiras. Orgulhosos de serem os próprios chefes, os proprietários destas fábricas trabalham sem parar em todas as épocas do ano, exceto o carnaval: quando chega a semana de folga, eles vendem tudo que acumularam e descansam em praias paradisíacas.

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    Homem-Aranha: Longe de Casa é o grande lançamento da semana nos cinemas

    3 de julho de 2019 /

    Os cinemas brasileiros voltam a ser monopolizados por uma produção de super-heróis. “Homem-Aranha: Longe de Casa” estreia nesta quinta-feira em 1,6 mil salas, após bater recordes de arrecadação na China e nos Estados Unidos. Bastante elogiado pela crítica internacional, o filme é continuação direta do blockbuster “Vingadores: Ultimato” e mostra o herói (Tom Holland) ainda processando os eventos recentes, crise existencial potencializada para chegada de Mysterio (personagem vivido por Jake Gyllenhaal). Com muitas reviravoltas – algumas óbvias para os leitores dos quadrinhos clássicos – e uma surpresa inesperada para os fãs da trilogia original do Aranha, é tão bom quanto o divertido “Homem-Aranha: Volta ao Lar” e mais um blockbuster garantido para o MCU (Universo Cinematográfico da Marvel). Todos os demais lançamentos da semana são restritos ao circuito limitado – isto é, só entram em cartaz em um punhado (ou menos) de cidades. O melhor da programação alternativa é o drama “A Árvore dos Frutos Selvagens”, do célebre cineasta turco Nuri Bilge Ceylan (“Era uma Vez na Anatólia”, “Winter Sleep”). Exibido no Festival de Cannes, tem ritmo lento, mas compensa com uma fotografia e conteúdo primorosos, ao usar a experiência de um jovem, que retorna para sua pequena comunidade após a faculdade, como reflexão sobre a vida na Turquia moderna – e no mundo. Atingiu 95% de aprovação no site Rotten Tomatoes. O resto da seleção inclui um documentário sobre o diretor brasileiro Neville D’Almeida (“A Dama do Lotação”) e três longas franceses. O destaque desta lista é a comédia “Um Homem Fiel”, segundo longa dirigido pelo ator Louis Garrel, que segue os passos do pai (o cineasta Philippe Garrel) ao filmar o tema favorito do cinema francês: a infidelidade. O próprio Garrel assina o roteiro e também se escalou no papel principal para ser disputado por sua esposa, Laetitia Casta, e a jovem filha do ator Johnny Depp, Lily-Rose Depp. Confira abaixo a lista completa das estreias da semana com suas sinopses e trailers. Homem-Aranha: Longe de Casa | EUA | Super-Heróis A Árvore dos Frutos Selvagens | Turquia | Drama Sinan (Doğu Demirkol) é um jovem apaixonado por literatura que sempre sonhou em se tornar um grande escritor. Ao retornar para o vilarejo em que nasceu, ele faz de tudo para conseguir juntar dinheiro e investir na sua primeira publicação. O problema é que seu pai deixou uma dívida que atrapalhará os seus planos. Um Homem Fiel | Comédia | França Nove anos depois de deixá-lo pelo seu melhor amigo, a agora viúva Marianne (Laetitia Casta) volta para o jornalista Abel (Louis Garrel). Porém, o que parece um belo recomeço logo se mostra bem mais complicado e Abel se vê enrolado em um monte de drama, como as maquinações do estranho filho de Marianne e a questão de afinal o que aconteceu com o ex marido dela. Cézanne e Eu | Drama | França A história de amizade e rivalidade entre o pintor Paul Cézanne (Guillaume Canet) e o escritor Émile Zola (Guillaume Gallienne). Paul é rico. Emile é pobre. Mas dessa união irá surgir uma amizade que resiste ao tempo e às diferenças sociais. Os amigos, que se conheceram no colégio Saint Joseph, aprenderam desde crianças a compartilharem tudo um com o outro. Mas, na busca por realizar seus sonhos, os dois vão aprender a enfrentar os desafios da vida e, principalmente, sobre o valor da verdadeira amizade. Boas Intenções | Comédia | França Isabelle (Agnès Jaoui) dedica todo o seu tempo ao trabalho humanitário, ajudando imigrantes, doando roupa, preparando comida e ministrando aulas de francês para estrangeiros. Um dia, quando uma professora mais jovem aparece no mesmo centro onde ela dá aulas, Isabelle começa a se sentir ultrapassada. Enquanto se envolve numa competição com a novata, começa a negligenciar o marido e os filhos, criando outros problemas para solucionar além da miséria no mundo. Neville D’Almeida: Cronista da Beleza e do Caos | Brasil | Documentário Através de entrevistas, raras imagens de arquivo e um vasto material iconográfico, esse documentário busca resgatar a vida e o trabalho do cineasta Neville D’Almeida, desde a era do Cinema Marginal até o presente. Responsável por grandes sucessos como “A Dama da Lotação” e “Os Sete Gatinhos” e premiado em inúmeros festivais, Neville ainda assim teve muitos problemas com a censura durante o regime militar e também com o que ele chama de “ditadura dos editais”.

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    Turma da Mônica, Pets 2 e Annabelle 3 disputam as bilheterias de cinema da semana

    27 de junho de 2019 /

    Os cinemas recebem três candidatos a blockbuster nesta quinta-feira (27/6), que devem travar uma disputa acirrada nas bilheterias. Dois deles são lançamentos infantis. O outro é um terror com crianças e boneca. O destaque é, sem dúvidas, “Turma da Mônica – Laços”, primeiro filme live-action baseado nos personagens de quadrinhos de Mauricio de Sousa. Deveria estar, inclusive, em mais salas. Mas pesou a força da multinacional Universal, que colocou a animação “Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2” na maior quantidade de cinemas. O filme dirigido por Daniel Resende (de “Bingo: O Rei das Manhãs”) é melhor que o desenho animado e tem muito mais apelo para o público brasileiro. Para os mais crescidinhos, “Annabelle 3: De Volta para Casa” chama atenção por parecer praticamente “Invocação do Mal 3”. A trama resgata o casal Warren (Vera Farmiga e Patrick Wilson) e mostra o que acontece quando sua filha pequena (a precoce Mckenna Grace) precisa passar uma noite sozinha com a babá adolescente na casa da família, cheia de artefatos malignos como a própria Annabelle. O resultado é “uma noite no museu”… do terror. O circuito limitado exibe mais três longas brasileiros e uma produção francesa. Entre eles, está um dos melhores filmes de 2019. Não há elogios capazes de fazer justiça a “Divino Amor”, novo filme de Gabriel Mascaro (“Boi Neon”), que tem impressionantes 100% de aprovação no site americano Rotten Tomatoes. Visionário, o longa foi filmado antes da eleição de Jair Bolsonaro, mas previu um país de futuro extremamente conservador. A trama se passa em 2027, após o Carnaval perder a primazia para a festa evangélica do Amor Supremo, uma espécie de rave cristã que marca a espera pela segunda vinda de Jesus. Neste futuro, equipamentos eletrônicos reforçam a proibição de aborto ao escanear mulheres grávidas e pastores fazem plantão em drive-thrus da fé, para aconselhar crentes em tudo. Provocador. Instigante. “Handmaid’s Tale” brasileiro. Muitos adjetivos mais. Outra alternativa aos filmes de shopping, o envolvente longa francês “Cyrano Mon Amour” conta a história dos bastidores da peça “Cyrano de Bergerac”, escrita por Edmond Rostand no final do século 19. Mais fantasia que cinebiografia, o lançamento também é um exemplar bastante ilustrativo dos critérios bizarros que marcam a “tradução” dos títulos de filmes no Brasil. A obra que chega por aqui com nome francês se chama… “Edmond”… na França! Confira abaixo a lista completa das estreias da semana com suas sinopses e trailers. Turma da Mônica – Laços | Brasil | Infantil Floquinho, o cachorro do Cebolinha (Kevin Vechiatto), desapareceu. O menino desenvolve então um plano infalível para resgatar o cãozinho, mas para isso vai precisar da ajuda de seus fiéis amigos Mônica (Giulia Benite), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira). Juntos, eles irão enfrentar grandes desafios e viver grandes aventuras para levar o cão de volta para casa. Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2 | EUA | Animação Nova York. A vida de Max e Duke muda bastante quando sua dona tem um filho. De início eles não gostam nem um pouco deste pequeno ser que divide a atenção, mas aos poucos ele os conquista. Não demora muito para que Max se torne superprotetor em relação à criança, o que lhe causa uma coceira constante. Quando toda a família decide passar uns dias em uma fazenda, os cachorros enfrentam uma realidade completamente diferente com a qual estão acostumados. Annabelle 3: De Volta para Casa | EUA | Terror Quando Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) deixam sua casa durante um fim de semana, a filha do casal, a pequena Judy Warren (Mckenna Grace), é deixada aos cuidados de sua babá (Madison Iseman). Mas as duas entram em perigo quando a maligna boneca Annabelle, aproveitando que os investigadores paranormais estão fora de jogo, anima os letais e aterrorizantes objetos contidos na Sala dos Artefatos dos Warren. Divino Amor | Brasil | Sci-Fi Joana (Dira Paes) trabalha como escrivã em um cartório e, profundamente religiosa e devota à ideia da fidelidade conjugal, sempre tenta demover os casais que volta e meia surgem pedindo o divórcio. Tal situação sempre a deixa à espera de algum reconhecimento, pelos esforços feitos. Entretanto, a situação muda quando ela própria enfrenta uma crise em seu casamento. Cyrano Mon Amour | França | Drama Em 1897, Edmond Rostand (Thomas Solivérès) não tem nem 30 anos de idade ainda, mas já tem dois filhos e muitos anseios. Desesperado por trabalho e há dois anos sem conseguir escrever nada, ele oferece ao renomado Benoît-Constant Coquelin (Olivier Gourmet) uma nova peça, uma comédia heroica a ser entregue na época das festas. Só tem um problema, ele ainda não a escreveu. Esta peça viria a ser o clássico “Cyrano de Bergerac”. O Olho e a Faca | Brasil | Drama Roberto (Rodrigo Lombardi) trabalha numa base de petróleo e passa longos meses afastado da esposa e dos dois filhos. Nos momentos de distância, inicia um relacionamento com outra mulher. Um dia, Roberto recebe uma promoção no emprego, forçando-o a ficar ainda menos presente para a família e os amigos. Blitz | Brasil | Drama Depois de ter sido acusado do assassinato de uma jovem durante uma Blitz em uma escola, a vida do Cabo Rosinha (Rui Ricardo Dias) começa a desmoronar completamente. Enquanto habitantes da cidade onde mora se revoltam contra ele, sua esposa corre contra o tempo para descobrir o que realmente aconteceu antes que a situação traga consequências fatais.

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    Democracia em Vertigem reflete impasses do cinema militante no Brasil

    24 de junho de 2019 /

    Lamento profundamente discordar da grande onda de encantamento e comoção em torno de “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, mas gostaria de propor uma reflexão sobre porque esse filme me pareceu tão insatisfatório. Gostaria de começar lançando uma pergunta: a quem esse filme se destina? Petra tem como objetivo promover uma análise panorâmica sobre as transformações políticas de nosso país. Como um país que guiava em direção à democracia, enfrentou, em tão pouco tempo, uma descontinuidade abrupta, a ponto de a diretora considerar que a democracia foi na verdade “um sonho efêmero”? A base dessa pergunta já revela os pressupostos políticos da realizadora. A questão não é propriamente “de que lado ela (ou o filme) está” mas quais os métodos utilizados pelo filme para dar forma ao seu discurso. E o que o desenvolvimento desse discurso provoca como reflexão sobre o curso de nosso país. Pois bem: a partir dessa ambição panorâmica a nível macro, Petra adiciona um elemento típico de sua filmografia – uma análise pessoal, como uma espécie de documentário em primeira pessoa. Contemplar a presença da morte, do fracasso ou da culpa já estava presente no seu anterior “Elena” (2012). O desafio de “Democracia” é então articular o drama familiar individual em primeira pessoa com a observação macro dos rumos políticos do país. Na dimensão individual, Petra lança alguns elementos. O principal deles é a sua própria voz-over, que se afasta das imponentes “vozes-de-deus” em tom “branco” e preenche a camada sonora com um perfil humano comum. O segundo é a reflexão sobre o choque de perspectivas entre seus pais, antigos militantes de esquerda (sua mãe chegou a ser presa no mesmo local de Dilma), e a tradição de seus avós, ricos empresários da Andrade Gutierrez, uma das empresas denunciadas na Lava Jato. Petra então é herdeira direta desses dois grupos opostos que fracassaram – os militantes de esquerda e a elite empresarial brasileira. No entanto, os impasses dessa filiação não são aprofundados de fato pela realizadora. “Democracia em Vertigem” não é uma reflexão sobre a posição de classe da realizadora ou sobre o fracasso de uma geração, aos moldes de filmes que trabalham as fissuras da linguagem documental, aprofundando e complexificando suas cicatrizes, como “Os Dias com Ele” (2012), de Maria Clara Escobar, um duro acerto de contas da própria realizadora com seu pai, ou mesmo “Santiago” (2007) e “No Intenso Agora” (2017), de João Moreira Salles. A inclusão do elemento familiar ou íntimo acaba servindo na verdade como mero entremeio para a principal função do filme: a construção de uma narrativa sobre as transformações do regime político brasileiro, ou ainda, a perda de legitimação do Partido dos Trabalhadores e a ruptura da tradição democrática. A forma como Petra constrói essa narrativa macropolítica articula as imagens de arquivo com a própria narração de Petra, que, por boa parte do filme, meramente ilustra e costura o que as imagens em si não conseguem propor. Assim, a voz-over, mais do que investir no documentário em primeira pessoa, funciona como alicerce para a corroboração da construção de uma narrativa (um discurso) sobre o país. É ela quem no fundo apresenta o que é o filme. A forma didática e linear, com relações de causa-e-efeito forçadas, sem grandes sutilezas, desvela uma narrativa sem grandes novidades em relação ao discurso hegemônico da esquerda. São raros os momentos em que o filme procura inserir camadas de cinza ou questionamentos sobre algumas contradições e paradoxos internos do PT. São raros os momentos em que o filme reflete sobre a própria produção dessas imagens, sobre suas lacunas ou fissuras. Um deles, notável exceção, ocorre durante a posse de Dilma, quando Lula, Dilma e Marisa descem a rampa do Planalto, com a companhia de Temer. Nesse momento, o filme promove uma leitura dessa imagem como um certo prenúncio do impeachment, visto o nítido isolamento de Temer em relação aos outros três corpos. Em outro deles, Dilma confidencia a Lula, no momento imediatamente após a confirmação do resultado da sua primeira eleição como presidente: “você que inventou essa”. Nesses momentos, parece que o filme escapa de sua vocação apriorística e se abre para as dobras e os paradoxos das imagens. São momentos em que o filme se liberta da necessidade de corroborar um discurso e mergulha em simplesmente olhar para as imagens e tentar entender o que elas dizem, suas camadas e hiatos. Sinto falta no filme de Petra que ela realmente olhe para as imagens, antes de manuseá-las como função no interior da narrativa. Ou seja, as imagens parecem que estão aprisionadas diante do discurso prévio da realizadora. Petra lida com essas imagens sem deixá-las respirar ou falar por si mesmas, mas as mostra apenas se servem como testemunha ou elemento de acusação, ou ainda como mera peça de uma grande tapeçaria, como se realizasse uma narrativa típica do cinema clássico, mas com imagens que não lhe pertencem. O que sobrevive do filme de Petra não é sua narrativa de costura forçada, em grande máquina industrial, simulando um look semicaseiro, mas os pequenos momentos em que as imagens, sorrateiras e traiçoeiras, se libertam do arremedo totalizante da realizadora e se deixam revelar em suas bordas e lacunas. Mas aqui volto a pergunta inicial: a quem o filme se destina? Pela exposição minuciosa dos grandes temas já exaustivamente apresentados pela grande imprensa, como um grande resumo jornalístico, sem apresentar grandes novidades ou reflexões mais aprofundadas, me parece que o filme se destina primordialmente para um público que não tem muita intimidade com o desenrolar dos fatos, especialmente para o público estrangeiro. Ainda mais pelo fato de o filme ser produzido e distribuído mundialmente pela Netflix, a suspeita se reforça. Alguns poderiam estranhar o fato de uma empresa internacional – que se movimenta para aprovar a regulação do VOD no país, ainda em suspenso, favoravelmente a seus interesses comerciais, inclusive articulando sua inclusão no Conselho Superior de Cinema – produzir um filme com um discurso claramente oposto ao governo no poder. Mas “Democracia em Vertigem” é o outro lado de “O Mecanismo” – série de José Padilha que causou polêmica ao tratar, por meio da ficção, os acontecimentos da Lava Jato de forma um tanto caricata e irresponsável, como um mero thriller policial. É o avesso que confirma a regra, já que, no fundo, o que a empresa busca, para além de sua inclinação ideológica, é a realização de produtos que gerem dinheiro. E o valor, no mundo do capitalismo cognitivo, está diretamente relacionado com o quanto de buzz o filme consegue movimentar nas mídias, nas redes sociais, de uma classe média pronta para consumir esses produtos. Ou seja, a ideologia do capital é o próprio capital. Pois se a democracia está em vertigem, em crise ou em risco, “Democracia em Vertigem” nunca se põe verdadeiramente em risco, nunca provoca de fato o espectador para as contradições de seu momento histórico ou para o papel e a função das imagens. Meramente ilustrativo sobre um discurso firmemente sustentado a priori, descrito pela narração em over, “Democracia” arrola um conjunto de tautologias, repetindo para o público de esquerda os mantras já fartamente conhecidos por ele. Concluo então pensando como pode ser o cinema político. No mundo de grandes dualismos em que vivemos, a política no cinema não deve ser dissociada da questão da liberdade. O fracasso de “Democracia em Vertigem” é que o projeto tautológico da realizadora raramente estimula que o espectador veja o mundo com seus próprios olhos. Guiando-o pelas mãos a partir de uma identificação com a própria posição da realizadora, o público (de esquerda) de “Democracia em Vertigem” passeia pela narrativa confortavelmente, como se estivesse descorporificado, com se flanasse pelas belas imagens de Brasília a bordo de um dos drones que sobrevoam a paisagem. Há aqueles que criticam a posição de Petra analisando as contradições de seu “lugar de fala”, que exacerba sua leitura classista dos acontecimentos – ou seja, a diretora, mesmo filha de militantes, permanece seguramente ancorada no seu lugar de privilégio. Mas nem recorro a esse ponto. Para além da falta de coerência entre a articulação entre o íntimo e o coletivo, destinada aos brasileiros e estrangeiros da “esquerda do Netflix”, o grande problema de “Democracia” está na superficialidade de sua visão de país. Problema que também perpassa, ou atravessa, um elemento crucial, tipicamente cinematográfico: sua falta de ousadia, sua incapacidade de sonhar, sua atrofia em imaginar aquilo que as imagens e os discursos prontos não respondem de supetão. No fundo, a tautologia de “Democracia em Vertigem”, ao construir uma narrativa fechada dos vilões que surrupiaram o poder, reflete a falta de um projeto político-estético para o cinema de esquerda do país de hoje – ou ainda, os impasses de certo cinema militante hoje no país. Por isso, o que me espanta não é propriamente o filme realizado por Petra mas especialmente a recepção – rápida e instantânea – que o filme atingiu num certo público – em especial cineastas e artistas de esquerda. Uma adesão instantânea que bloqueia os paradoxos do discurso apresentado pelo filme. Uma reação que me parece refletir um certo “desespero”, como se esse filme fosse uma âncora, bússola ou mapa, para mostrar à sociedade que é preciso acreditar nessa narrativa para que possamos sobreviver à loucura ou à tormenta. Mais interessante que o filme tem sido acompanhar a recepção de “Democracia em Vertigem”. A comoção em torno do filme acaba evidenciando a profunda falta de perspectivas e a crise de pensamento da hegemonia da esquerda brasileira. Se quisermos virar o jogo, precisamos de narrativas melhores.

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