Novos filmes: “Cyrano” e as estreias do cinema em casa
Repleta de títulos inéditos e/ou de passagem relâmpago pelos cinemas brasileiros, a programação de estreias digitais da semana reúne astros conhecidos e premiados, como Peter Dinklage e Joaquin Phoenix, traz o filme que lançou a carreira internacional de Maria Fernanda Cândido, surpreende com tramas originais, assusta, emociona e diverte bastante. Veja abaixo 10 sugestões para acompanhar com pipoca durante o fim de semana em casa. | CYRANO | VOD* Inédita nos cinemas brasileiros, a nova adaptação de “Cyrano de Bergerac”, que traz Peter Dinklage (o Tyrion de “Game of Thrones”) no papel principal, chega às telas como a mais diferente de todas. Para começar, a escalação de Dinklage muda totalmente o aspecto físico de Cyrano, que deixa de ser o feioso narigudo da peça clássica de Edmond Rostand (1868-1918) para se tornar uma pessoa com nanismo. Só que a novidade das telas é notícia velha nos palcos. O ator viveu o papel no teatro em 2019, no circuito off-Broadway de Nova York. Aquela montagem tinha Blake Jenner (de “Glee”) no papel do galã Christian, e aí o filme inova mais, ao escalar Kelvin Harrison Jr. (o Fred Hampton de “Os 7 de Chicago”) e transformar o jovem cadete num homem negro. Pra quem não lembra desta história bastante conhecida, Cyrano é apaixonado por Roxanne (vivida no filme por Haley Bennett, de “O Diabo de Cada Dia”), mas ela só tem olhos para o belo e simplório Christian. Conformado, o feio tenta ensinar ao belo como conquistar sua amada, fazendo-o assinar cartas românticas de sua autoria e a declarar poemas arrebatadores que ele criou. Mas isso cria problemas óbvios, porque Christian não é nada romântico e decepciona Roxanne num encontro real, sem a simulação de Cyrano. Para complicar ainda mais, ainda há um pretende rico (Ben Mendelsohn, de “Capitã Marvel”) querendo a amada de todos. E tudo isso se passa durante uma guerra. Esta trama já foi encenada de muitas formas, desde aventura clássica de capa espada até comédia romântica moderna, mas desta vez se materializa como um musical dirigido por Joe Wright (de “Anna Karenina” e “Orgulho e Preconceito”), em que os poemas viram música e o triângulo amoroso tira todos para dançar. | EMERGÊNCIA | AMAZON PRIME VIDEO Boa surpresa da Amazon, esta ótima comédia junta elementos hilários a uma trama com consciência social, e marca um começo brilhante na carreira cinematográfica da roteirista K.D. Dávila (da série “Motherland: Fort Salem”), premiada no Festival de Sundance de 2022 pela estreia em longa-metragem. É pra rir, mas também sentir um tapa na cara. A trama acompanha o dilema de dois estudantes negros e seu amigo latino, que, ao se preparar para uma maratona de festas universitárias, deparam-se com uma jovem branca desmaiada de bêbada em seu dormitório, mas têm medo de ajudá-la por poderem ser mal interpretados. Debatendo se chamam a polícia, os universitários tomam a pior decisão e a levam para seu carro. Enquanto isso, sua irmã acaba de perceber sua falta na festa de uma fraternidade vizinha, resolvendo localizá-la pelo sinal do celular. Uma decisão ruim leva à outra, com inúmeras consequências e a complicação extra de a menina desmaiada ser menor de idade. O filme é baseado num curta que a roteirista premiada e o diretor novato Carey Williams fizeram em 2018. Eles se juntam novamente na versão ampliada, trabalhando desta vez com um elenco de jovens atores conhecidos, como RJ Cyler (“Power Rangers”) e Sabrina Carpenter (“Crush à Altura”), entre outros. Elogiadíssima pela capacidade de perturbar e divertir ao mesmo tempo, tem 93% de aprovação no Rotten Tomatoes. | SEMPRE EM FRENTE | VOD* Primeiro filme de Joaquin Phoenix após vencer o Oscar por “Coringa”, o drama em preto e branco traz o ator como um documentarista que pretende entrevistar crianças sobre a situação do mundo. Nesse processo, estabelece um relacionamento tênue, mas transformador, com seu sobrinho sem filtros de 8 anos, que ele leva em suas viagens. “Sempre em Frente” tem roteiro e direção de Mike Mills, que não lançava uma nova obra desde “Mulheres do Século 20” em 2016. E embora tenha passado ao largo do Oscar 2022, o menino Woody Norman (“Troia: A Queda de Uma Cidade”), que vive o sobrinho, foi indicado ao BAFTA (o Oscar britânico) como Melhor Ator Coadjuvante. Elogiadíssimo pela crítica, atingiu uma avaliação até mais positiva que muitos indicados ao prêmios da Academia – 94% de aprovação no Rotten Tomatoes. | O TRAIDOR | CLARO TV+ Coprodução com o Brasil, o longa do maestro italiano Marco Bellocchio (“A Bela Que Dorme”) é uma cinebiografia de Tommaso Buscetta, o primeiro chefe de alto escalão da máfia a se transformar em informante da justiça – o traidor do título. Buscetta viveu o Brasil por um período e a produção tem cenas rodadas no Rio de Janeiro, além de destacar, em seu primeiro papel internacional, Maria Fernanda Cândido como a mulher do mafioso, que o convence a tomar a decisão de cooperar com a justiça italiana em 1984. A repercussão positiva da produção, que conquistou 21 prêmios importantes, abriu as portas para a atriz atuar no exterior. O filme traz Pierfrancesco Favino (da série “Marco Polo”) no papel do mafioso e foi o grande vencedor do David Di Donatello (o Oscar italiano) de 2020. | KLONDIKE – A GUERRA NA UCRÂNIA | VOD* A diretora Marina Er Gorbach concebeu seu filme, exibido sob elogios no Festival de Sundance em janeiro e premiado em Berlim em fevereiro, como um alerta ao mundo sobre a situação da Ucrânia. Mas após a invasão do país pela Rússia, quatro dias após a Berlinale, “Klondike” acabou se tornando ainda mais relevante, um retrato da população submetida ao que o título no Brasil chama de “Guerra na Ucrânia”. A trama, na verdade, aborda o conflito civil do leste do país de 2014, época em que começaram os bombardeios de separatistas apoiados por Moscou. A personagem principal é Irka, jovem grávida que vive com o marido num vilarejo sob a sombra da violência, até tudo virar destroços. A destruição de seu lar é refletida pelo esfacelamento de famílias, com irmãos se dividindo entre “russos” e ucranianos. Com o teto caindo sob suas cabeças, o casal grávido também representa a luta pelo direito à vida em meio ao caos. Por todo o contexto, a obra atingiu 95% de aprovação no Rotten Tomatoes. | A MULHER DE UM ESPIÃO | MUBI O cineasta Kiyoshi Kurosawa tem se alternado entre terrores cultuados e dramas premiados. O novo trabalho pertence ao segundo grupo e conquistou nove prêmios internacionais, inclusive Melhor Direção no Festival de Veneza de 2020. A trama gira em torno da decisão de um comerciante de deixar sua esposa no Japão para viajar até a China no começo da 2ª Guerra Mundial, onde testemunha um ato de barbárie. Suas ações causam mal-entendidos, ciúmes e problemas legais para sua esposa. | EXIT | CLARO TV+, VIVO PLAY, VOD* A divertida comédia de ação sul-coreana acompanha um rapaz derrotado pela vida que vira herói nacional. Ele faz aulas de alpinismo para conquistar uma garota que não se importa com esse esforço e ainda é humilhado pela mãe que questiona seu futuro profissional como escalador de montanhas desempregado. Mas quando um gás venenoso começa a fazer vítimas fatais em Seul, sua habilidade subestimada é a única coisa capaz de salvá-lo, impulsionando-o a subir em prédios cada vez mais altos para escapar da nuvem tóxica, enquanto sua façanha mobiliza uma torcida televisiva. Destacando Jo Jung-Suk (da série “Oh My Ghost”) como protagonista e a cantora Yoona (do grupo K-pop Girls’ Generation) como sua musa alpinista, o primeiro longa escrito e dirigido por Lee Sang-geun registra 83% de críticas positivas no Rotten Tomatoes. | SMALL ENGINE REPAIR | CLARO TV+, VIVO PLAY, VOD Um thriller poderoso sobre masculinidade tóxica, alimentado por excelentes interpretações. Escrito, dirigido e estrelado por John Pollono (“This Is Us”), que adapta uma peça de sua própria autoria em sua estreia atrás das câmeras, o filme independente entrega sua origem teatral ao se passar em grande parte no interior de uma garagem mecânica. É onde três velhos amigos, interpretados por Pollono, Jon Bernthal (“O Justiceiro”) e Shea Whigham (“Perry Mason”) viram a noite celebrando seu reencontro, após um deles voltar da prisão. Mas depois de muito whisky, marshmellows e causos, um jovem traficante abastado (Spencer House, de “The Society”) adentra o recinto, convocado pelo ex-presidiário dono da garagem. É neste momento que ele revela suas verdadeiras intenções, cobrando dos amigos um pequeno favor em nome de sua filha (Ciara Bravo, de “Wayne”). A guinada só vem depois de mais de metade do filme, mas é tão claustrofóbica quanto o recinto em que acontece. | MENTIRA NADA INOCENTE | CLARO TV+, VIVO PLAY, VOD* Premiado no circuito dos festivais norte-americanos, o quarto filme do casal canadense Yonah Lewis e Calvin Thomas (ambos de “Amy George”) retrata o golpe de uma estudante universitária que finge ter câncer. Ela raspa o cabelo, falsifica diagnósticos e enfrenta até um tratamento agressivo para levantar fundos numa campanha beneficente, conquistar um bolsa de estudos e deixar de trabalhar. Sua falsa condição também a transforma numa celebridade no campus, rendendo-lhe todo o apoio que sempre sonhou, de colegas, professores e até da namorada, nunca antes tão atenciosa. Tudo vai bem, até que os responsáveis pela bolsa pedem cópias de seus exames médicos, o que a conduz a uma espiral de desespero e transforma o drama num thriller psicológico. Destaque para a performance de Kacey Rohl (a vilã Marina de “The Magicians”), que raspou mesmo a cabeça diante das câmeras para a produção. | NOME PRÓPRIO | NETFLIX Até então inédita em streaming, esta produção nacional de 2007 se mantém forte pelo retrato de sua personagem, inspirada nos escritos de Clara Averbuck, e pela interpretação de Leandra Leal, dando sinais de grandeza em seu primeiro filme como protagonista adulta. Na trama, ela busca levar uma vida extrema para poder escrever a respeito em seu blog, rompendo barreiras e correndo riscos como uma mulher sozinha contra tudo. Vencedor do Festival de Gramado, o filme conta com direção do veterano Murilo Salles (“Nunca Fomos Tão Felizes”), que só fez outro longa de ficção desde então, “O Fim e os Meios”, em 2015. Mas o mais curioso é reparar como a conexão discada da era dos blogs datou rápido diante da ascensão dos influencers de redes sociais. É praticamente uma relíquia para a geração de Instagramers e Tiktokers, reforçando que a internet não forma mais escritores, mas exibicionistas. * Os lançamentos em VOD (video on demand) podem ser alugados individualmente em plataformas como Apple TV, Google Play, Microsoft Store, Loja Prime e YouTube, entre outras, sem necessidade de assinatura mensal.
Filme de abertura de Cannes muda título por causa da guerra na Ucrânia
O filme de abertura do Festival de Cannes 2022 vai mudar de nome. “Z (comme Z)” teve seu título original alterado em razão da guerra entre Rússia e Ucrânia. Isto porque a letra “Z” ganhou nova conotação, ao começar a ser pintada nos tanques do exército russo como símbolo da invasão do país vizinho. O “Z” virou uma espécie de distintivo de apoio à guerra, adotado pelos simpatizantes de Vladimir Putin – e muitos já o comparam à suástica nazista. Dirigido por Michel Hazanavicius, vencedor do Oscar por “O Artista” (2011), o longa agora se chamará “Coupez” (“cortar”, em português). Vale apontar que o título original era um trocadilho em francês, que juntava a letra Z, de zumbi, com a expressão “comme ci” (“assim”). O filme é uma comédia sobre uma equipe de filme de zumbis, que, durante a produção em uma cidade do interior, é atacada por zumbis de verdade. “O título talvez tenha sido engraçado quando terminamos o filme há vários meses, mas não é mais e admito. Meu filme foi feito para trazer alegria e sob nenhuma circunstância eu gostaria que ele fosse associado direta ou indiretamente a essa guerra. Estou, portanto, muito feliz por mudar o título e, nesta medida, assinalar o meu total apoio ao povo ucraniano. Aproveito esta oportunidade para agradecer a todas as equipes de produção, distribuição, promoção e exposição que ajudaram a tornar esta decisão possível”, destacou Hazanavicius em comunicado à imprensa. A troca do título original não interferiu no nome internacional da produção, “Final Cut” (“Edição Final”). Curiosamente, este nome evoca de forma mais clara o título em inglês de “One Cut of the Dead”, comédia japonesa de 2017 em que Hazanavicius se baseou para realizar seu filme. No Brasil, a cultuada comédia japonesa ganhou o título de “Plano-Sequência dos Mortos”. O elenco da produção francesa destaca Romain Duris (“Albergue Espanhol”) e a esposa do diretor, Bérénice Béjo (também de “O Artista”), além de trazer Matilda Lutz (“Vingança”) entre os coadjuvantes. A abertura em Cannes vai acontecer no dia 17 de maio. Veja abaixo os primeiros teasers da produção e o cartaz com o novo título.
“Ghost in the Shell” terá novo filme. Veja o trailer
A Netflix divulgou o pôster e o trailer legendado de “Ghost in the Shell SAC_2045 – Guerra Sustentável”. O longa animado é uma versão resumida, com a inclusão de cenas inéditas e nova colorização, da mais nova produção da longeva franquia, a série “Ghost in the Shell SAC_2045”. A longa trajetória de “Ghost in the Shell” começou nos mangás escritos e desenhados por Masamune Shirow em 1989, mas só foi explodir na cultura pop seis anos depois, ao originar o cultuado anime homônimo de 1995. Comparado ao impacto de “Akira” (1988), o longa original apresentou a obra de Shirow ao mundo ocidental e influenciou todas as produções focadas em sci-fi cyberpunk que vieram depois – inclusive a trilogia “Matrix”. O sucesso de filme de 1995 deu origem a uma franquia animada, composta por mais três longas, quatro OVAs (filmes lançados diretamente em vídeo) e duas séries de televisão, além de uma adaptação live-action estrelada por Scarlett Johansson, que foi muito criticada por trazer uma atriz não asiática no papel principal. Todos os lançamentos acompanham investigações da major Mokoto Kusanagi, comandante ciborgue de uma unidade de combate ao terrorismo cibernético chamada Seção 9, que luta contra uma conspiração de hackers, cujo objetivo é levar anarquia às ruas de uma megacidade japonesa do futuro. Quem assina o novo longa é Michihito Fujii, que estreia na saga animada após uma carreira repleta de longas premiados, como “A Jornalista” (2019), que virou uma série da Netflix em janeiro passado. O filme estreia em 9 de maio, duas semanas antes do lançamento da 2ª temporada de “Ghost in the Shell SAC_2045”, prevista para 23 de maio.
Novo anime do diretor de “Your Name” ganha primeiro teaser
A Toho divulgou dois pôsteres e o teaser do novo filme de Makoto Shinkai, diretor de alguns dos animes mais famosos dos últimos tempos, como “Your Name” (2016) e “O Tempo com Você” (2019). Intitulada em inglês “Suzume’s Door-Locking” (Suzume no Tojimari), a animação escrita e dirigida por Shinkai acompanha a adolescente Suzume, que encontra uma porta mágica em meio a ruínas em sua pequena cidade no Japão. Ao tentar passar por ela, Suzume percebe que outros portais semelhantes por todo o país também se abrem, causando destruição ao seu redor. É quando ela decide desfazer seu erro e partir para fechar todas as portas, buscando desvendar o mistério por trás delas. Em comunicado sobre a produção, Shinkai apontou que a trama é uma metáfora. “Precisamos pensar em como fechar as muitas portas que deixamos abertas em nossas vidas”, mencionou. A estreia está marcada para 11 de novembro no Japão e ainda não há previsão de lançamento nos demais países.
Trailer anuncia novos episódios de “Ghost in the Shell”
A Netflix divulgou o pôster e o trailer legendado em inglês da 2ª temporada de “Ghost in the Shell: SAC_2045”, que traz novas aventuras de Motoko Kusanagi, estrela da longeva franquia animada “Ghost in the Shell”, em bela computação gráfica. O anime é uma coprodução dos estúdios Production IG e Sola Digital Arts, com direção de uma dupla de peso: Shinji Aramaki (“Appleseed”) e Kenji Kamiyama (“Ghost in the Shell: Stand Alone Complex”). Uma união curiosa e apropriada, considerando que o criador do mangá original de “Ghost in the Shell, Masamune Shirow, também criou “Appleseed”. Aramaki e Kamyama também trabalharam juntos na série “Ultraman”, da Netflix. A longa trajetória de “Ghost in the Shell” começou em quadrinhos em 1989, mas só foi explodir na cultura pop seis anos depois, ao originar o cultuado anime homônimo de 1995. Comparado ao impacto de “Akira” (1988), o longa animado apresentou a obra de Shirow ao mundo ocidental e influenciou todas as produções focadas em sci-fi cyberpunk que vieram depois – inclusive a trilogia “Matrix”. O sucesso de filme de 1995 deu origem a uma franquia animada, composta por mais três longas, quatro OVAs (filmes lançados diretamente em vídeo) e duas séries de televisão. O que acabou chamando atenção de Hollywood e rendendo uma adaptação live-action estrelada por Scarlett Johansson, que foi muito criticada por trazer uma atriz não asiática no papel de Kusanagi. Todos os lançamentos acompanham investigações da major Mokoto Kusanagi, comandante ciborgue de uma unidade de combate ao terrorismo cibernético chamada Seção 9, que luta contra uma conspiração de hackers, cujo objetivo é levar anarquia às ruas de uma megacidade japonesa do futuro. Antes da série da Netflix, a última animação da franquia tinha sido “Ghost in the Shell: The New Movie”, de 2015, que concluía a trama da série “Ghost in the Shell: Arise”. A estreia dos novos episódios de “Ghost in the Shell: SAC_2045” vai acontecer em maio em streaming.
“Evangelion” é eleito melhor anime do ano em premiação do Japão
“Evangelion 3.0+1.0 Thrice Upon a Time” e a 1ª temporada do anime “Jujutsu Kaisen” foram eleitos animes do ano nas categorias filme e série, respectivamente, no Tokyo Anime Award Festival, que completa 20 anos como principal premiação dedicado ao gênero das animações japonesas. Além dos citados, a série “Demon Slayer” também se destacou em várias categorias da premiação. O evento ainda consagrou Hideaki Anno, criador da franquia “Evangelion”, com os troféus de Melhor Roteiro e Melhor Direção por seu trabalho no último filme da saga, iniciada em 1995 com o lançamento da cultuada série “Neon Genesis Evangelion”. Já o prêmio de Melhor Animação ficou com Akira Matsushima por “Demon Slayer”. Todos os filmes de “Evangelion” estão disponíveis no Brasil na Amazon Prime Video, enquanto “Jujutsu Kaisen” e “Demon Slayer” podem ser assistido na plataforma Crunchyroll. A segunda série também está na Netflix. Veja abaixo o trailer de “Evangelion 3.0+1.0 Thrice Upon a Time”. Mas quem ficar com vontade de assistir, precisa saber que o filme é o quarto de uma tetralogia. Ele só faz sentido para quem assistir aos três lançamentos anteriores.
Os talentos que fizeram história na lista do Oscar 2022
A lista de indicados ao Oscar 2022 registrou alguns feitos históricos. Vários “pela primeira vez” e até um “pela décima vez”. Denzel Washington foi quem atingiu sua 10ª indicação à honraria máxima do cinema, por seu desempenho em “A Tragédia de Macbeth”. Ele já tem dois Oscars, como Melhor Ator Coadjuvante em 1990, por “Tempos de Glória”, e Melhor Ator em 2002, por “Dia de Treinamento”. A marca aumenta seu destaque como ator negro mais reconhecido de todos os tempos. Outro recorde foi atingido por Steven Spielberg na disputa de Melhor Direção. O veterano cineasta alcançou uma marca histórica com a indicação, tornando-se o primeiro diretor a concorrer ao prêmio em seis décadas diferentes – nos anos 1970 por “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, nos 1980 por “Os Caçadores da Arca Perdida” e “ET: O Extraterrestre”, nos 1990 por “A Lista de Schindler” e “O Resgate do Soldado Ryan”, nos 2000 por “Munique”, nos 2010 por “Lincoln” e agora por “Amor, Sublime Amor”. Assim como Denzel, ele já venceu duas vezes. Kenneth Branagh quebrou um recorde diferente, ao se tornar a pessoa mais indicada em diferentes categorias do Oscar. Ele chegou à sete categorias com as três indicações por “Belfast”: Melhor Filme (como produtor), Roteiro Original e Direção. As demais indicações de sua carreira incluem Melhor Ator (por “Henrique V”), Ator Coadjuvante (“Sete Dias com Marilyn”), Roteiro Adaptado (“Hamlet”) e Curta-Metragem (“Swan Song”), além de uma menção anterior em Direção (“Henrique V”). A cineasta Jane Campion igualmente fez História como a primeira mulher a disputar duas vezes o Oscar de Melhor Direção. Ela foi indicada pela primeira vez em 1994 com “O Piano” – e ainda concorre neste ano na categoria de Melhor Roteiro Adaptado. O Oscar ainda reuniu, pela primeira vez, dois casais entre os indicados a prêmios de interpretação. Kirsten Dunst e Jesse Plemons concorrem ao Oscar de Melhor Atriz e Ator Coadjuvante (por “Ataque dos Cães”), enquanto os espanhóis Penélope Cruz e Javier Bardem disputam as categorias de Melhor Atriz e Ator (por “Mães Paralelas” e “Apresentando os Ricardos”, respectivamente). Entre os intérpretes, Troy Kotsur ainda virou o primeiro ator surdo a ser indicado ao prêmio. Ele disputa o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “No Ritmo do Coração”, onde, curiosamente, faz par com Marlee Matlin, a única atriz surda vencedora do Oscar, por “Filhos do Silêncio” em 1987. Ao todo, nove atores receberam as primeiras nomeações de suas carreiras: Kristen Stewart (“Spencer”), Jessie Buckley (“A Filha Perdida”), Ariana DeBose (“Amor, Sublime Amor”), Aunjanue Ellis (“King Richard”), Ciarán Hinds (“Belfast”) e os citados Troy Kotsur (“No Ritmo do Coração”), Kirsten Dunst, Jesse Plemons e Kodi Smit-McPhee (“Ataque dos Cães”). Quem ainda não chegou lá, mas pode virar recordista se vencer, é o compositor Lin-Manuel Miranda, indicado pela segunda vez ao Oscar de Melhor Canção por “Encanto”. Caso leve o troféu, ele entrará no clube VIP do EGOT, sigla que se refere às conquistas do Emmy (troféu da televisão dos EUA), Grammy (da música), Oscar (cinema) e Tony (teatro). Só lhe falta a validação da Academia para atingir a consagração completa do entretenimento americano. Na relação de filmes, a principal façanha ficou por conta da indicação tripla de “Flee”. A produção norueguesa dirigida por Jonas Poher Rasmussen é o primeiro longa indicado simultaneamente nas categorias de Melhor Filme Internacional, Animação e Documentário. Muitos questionaram porque “Mães Paralelas”, a nova obra de Pedro Almodóvar, não apareceu também na lista de Melhor Filme Internacional, tendo rendido indicações para Penélope Cruz e sua trilha sonora. O motivo foi o pior possível: a Espanha simplesmente esnobou o filme e não o inscreveu na disputa (o comitê do país selecionou “El Buen Patrón”, que não foi indicado). Enquanto a Academia não mudar as regras da categoria (restrita à indicações burocráticas de comitês sem relação com o Oscar), esse tipo de falha vai seguir dando o que falar – e lamentar. Em compensação, o diretor Ryûsuke Hamaguchi conseguiu um feito que nem Akira Kurosawa conquistou: “Drive My Car” se tornou o primeiro longa japonês indicado ao Oscar de Melhor Filme. Vencedor do Festival de Sundance, “No Ritmo do Coração” também deixou sua marca como o primeiro título da Apple (exibido com exclusividade na Apple TV+ nos EUA) indicado na categoria principal. E vale apontar que a Netflix tem dois títulos nesta lista: “Ataque dos Cães” e “Não Olhe para Cima”. Para completar, quem disse que filme ruim não disputa o Oscar? Com apenas 49% de aprovação da crítica, “Um Príncipe em Nova York 2” conseguiu uma indicação em Melhor Maquiagem e Cabelo, categoria que, de forma vergonhosa, já chegou a premiar um filme ainda pior: “Esquadrão Suicida” (só 26% no Rotten Tomatoes) em 2017.
“Sing 2” é a principal estreia de cinema da semana
Os cinemas recebem cinco lançamentos nesta quinta (6/12), com destaque para a animação musical “Sing 2”, com distribuição no maior número de salas. A segunda estreia mais ampla é um filme de ação: “King’s Man: A Origem”, prólogo ultraconservador da franquia “Kingsman”. Os demais lançamentos são um derivado da série anime “My Hero Academy” e dois títulos de circuito limitado – o novo Woody Allen e uma produção japonesa premiada. Confira abaixo os trailers e mais detalhes de cada estreia. SING 2 A continuação de “Sing: Quem Canta Seus Males Espanta” (2016), animação-karaokê em que bichos buscam o estrelato cantando sucessos da música pop, volta a reunir os integrantes do concurso de calouros do primeiro filme. Desta vez, eles convencem um magnata do entretenimento a bancar seu grande show, mentindo que um cantor lendário será a atração principal. Só que o tal ídolo do rock se encontra recluso. Além da volta dos dubladores originais, incluindo Matthew McConaughey, Reese Witherspoon, Scarlett Johansson, Taron Egerton, Tori Kelly e Nick Kroll, “Sing 2” traz ninguém menos que Bono Vox, do U2, como o cantor icônico que os protagonistas tentam convencer a retomar a carreira. Envolvida na produção – e com várias músicas na trilha – , a banda U2 compôs a música-tema do desenho. Para não ficar atrás, a versão dublada em português também incluiu alguns cantores brasileiros, com destaque para Sandy, Lexa, Wanessa Camargo, Paulo Ricardo, Any Gabrielly e até a dupla de pai e filho Fábio Jr e Fiuk. Uma boa alternativa, já que a maioria das cópias chegam dubladas. KING’S MAN – A ORIGEM Concebido como prólogo da franquia “Kingsman”, este filme também pode ter virado o epílogo das adaptações dos quadrinhos de Mark Millar após fracassar nas bilheterias e com a crítica dos EUA (43% de aprovação no Rotten Tomatoes). Passada na época da 1ª Guerra Mundial, a trama conta a origem da agência de espionagem britânica escondida nos fundos de uma alfaiataria de Londres, mas sem a diversão dos primeiros filmes e com um subtexto assumidamente pró-conservadorismo, enaltecendo a suposta superioridade da elite britânica em plena era da brutalidade colonialista. Novamente dirigido por Matthew Vaughn, responsável pelos dois “Kingsman” anteriores, o filme reúne um elenco grandioso, encabeçado por Ralph Fiennes (o M da franquia “James Bond”), Harris Dickinson (“Mentes Sombrias”), Gemma Arterton (“Mistério no Mediterrâneo”), Djimon Honsou (“Capitão Marvel”) e Rhys Ifans (“O Espetacular Homem-Aranha”), que vive o vilão/alívio cômico Rasputin. O FESTIVAL DO AMOR O último filme de Woody Allen foi realizado em meio à campanha de difamação movida por seus filhos, Dylan e Ronan Farrow, que retomaram antigas acusações por um suposto abuso cometido contra Dylan quando ela tinha sete anos, em 1992. Inocentado na época, mas condenado 30 nos depois na opinião pública, Allen perdeu parceiros de negócios e viu atores que venceram o Oscar com sua ajuda virarem-lhe as costas. Por conta disso, “O Festival do Amor” é o mais independente de seus filmes, sem produtora americana ou grandes astros. Rodado no verão de 2019 em San Sebastián, na Espanha, a trama gira em torno de um casal americano que participa do Festival de cinema local. O elenco é basicamente europeu, formado pelos espanhóis Elena Anaya (“A Pele que Habito”) e Sergi López (“O Labirinto do Fauno”), o francês Louis Garrel (“O Oficial e o Espião”), o austríaco Christoph Waltz (“007 Contra Spectre”) e dois atores americanos nos papéis principais, Gina Gershon (“Riverdale”) e Wallace Shawn (“Young Sheldon”). RODA DO DESTINO Premiado com o Urso de Prata no Festival de Berlim do ano passado, o filme de Ryûsuke Hamaguchi (“Asako I & II”) acompanha três casais em histórias paralelas de romance. As situações incluem um inesperado triângulo amoroso, uma armadilha de sedução que dá errado e um encontro resultante de um mal-entendido, que conduzem a escolhas e arrependimentos. Hamaguchi terminou o ano em alta devido a outro drama lançado em 2021, “Drive My Car”, considerado favorito para o Oscar de Melhor Filme Internacional. MY HERO ACADEMIA – MISSÃO MUNDIAL DE HERÓIS Terceiro longa derivado da série animada japonesa, o filme acompanha a ameaça de uma organização sinistra, que planeja eliminar todos os humanos com superpoderes, forçando os heróis em treinamento a trabalhar como equipe. O detalhe é que eles têm apenas duas horas para salvar o mundo. Atualmente em sua 5ª temporada, a série original é disponibilizada na plataforma Crunchyroll.
Hayao Miyazaki confirma que está trabalhando em novo anime
O famoso diretor de anime Hayao Miyazaki, vencedor do Oscar por “A Viagem de Chihiro” e fundador do célebre Studio Ghibli, confirmou que abandonou sua aposentadoria para fazer mais um longa-metragem de animação aos 80 anos de idade. Em entrevista ao jornal New York Times, Miyazaki reforçou notícias anteriores de que seu novo trabalho será baseado no livro “How Do You Live?”, de Genzaburo Yoshino. Publicado em 1937, o livro segue um adolescente em Tóquio que vai morar com seu tio depois que seu pai morre. O romance é um dos favoritos do diretor. Miyazaki não confirmou se o filme teria o mesmo nome do livro, mas quando questionado por que estava voltando para dirigir, ele simplesmente respondeu “Porque eu queria”. Na verdade, o diretor está trabalhando neste projeto desde 2017, o que significa tecnicamente que nunca se aposentou de fato – apenas tirou férias longas. O cofundador e produtor do Studio Ghibli, Toshio Suzuki, descreveu o novo filme como “fantasia em grande escala”. Mas ele também é um filme artesanal, por ser desenhado à mão. Segundo Suzuki, mesmo com 60 pessoas envolvidas em sua produção, o ritmo de trabalho resulta em um minuto de desenho finalizado por mês. Ou seja, a cada ano são completados 12 minutos da produção. Por isso, a expectativa é finalizar a obra apenas em 2023. Miyazaki se aposentou várias vezes ao longo de sua carreira, sendo a primeira no final dos anos 1990. No entanto, um ano depois, ele voltou a dirigir o filme “A Viagem de Chihiro”, que ao vencer o Oscar de 2002 o reenergizou para continuar trabalhando. Seu último filme foi “Vidas ao Vento”, biografia ficcional do aviador e engenheiro da aviação Jiro Horikoshi, lançado em 2013. Foi na ocasião da première deste anime, durante o Festival de Veneza, que o diretor anunciou sua aposentadoria pela última vez.
Hirokazu Kore-eda vai fazer filme e série na Netflix
A Netflix fechou um acordo com o grande cineasta japonês Hirokazu Kore-eda para desenvolver dois projetos, um filme e uma série. Em vídeo divulgado num evento da Netflix no Japão nesta quinta (10/11), o vencedor da Palma de Ouro de 2018 com o drama “Assunto de Família” revelou que será o showrunner da série e dirigirá vários episódios. “A Netflix e eu estamos nos unindo para criar uma série dramática e um filme de grande orçamento que serão diferentes de meus trabalhos anteriores. Vocês ainda precisarão esperar um pouco antes que eles sejam concluídos e disponibilizados, mas eu incorporo elementos diferentes daqueles dos filmes de cinema e tento criar trabalhos interessantes”, comentou Kore-eda no vídeo. “Provavelmente, a escala do novo filme será diferente dos filmes que fiz antes”, continuou, indicando que terá a sua disposição um orçamento bem maior que o costume. “Além disso, a série dramática não seria realizada se eu não colaborasse com a Netflix”, acrescentou. Não há detalhes sobre os projetos, que não tiveram nem sequer seus títulos divulgados.
Cinemas recebem “O Último Duelo”, “Fátima” e novo “Halloween”
As estreias de cinema desta quinta (14/10) trazem quatro lançamentos amplos: “O Último Duelo”, “Halloween Kills – O Terror Continua”, “Fátima – A História de um Milagre” e “Amarração do Amor”. A concorrência impede que algum se destaque, com distribuição dividida entre 300 e 200 telas cada – longe das mais de mil salas que têm impulsionado os mais recentes blockbusters no país. “O Último Duelo” permite ao diretor Ridley Scott (“Gladiador”) retomar sua paixão por épicos históricos. Baseado em eventos que teriam ocorrido na França do século 14, a trama gira em torno da denúncia de estupro de uma mulher casada. O escândalo leva o marido, recém-chegado das cruzadas, a requisitar o direito de duelar até a morte com o acusado, que nega ter abusado dela. O embate é extremamente violento e reflete toda a misoginia da época – que persiste ainda hoje. O ótimo elenco destaca Matt Damon (com quem Scott trabalhou em “Perdido em Marte”) e Adam Driver (“Star Wars: Os Últimos Jedi”) como os duelistas, Jodie Comer (“Killing Eve”) na pele da mulher ultrajada e, como coadjuvante de luxo, um loiro e irreconhecível Ben Affleck (“Liga da Justiça”), que também assina o roteiro com seu velho amigo Matt Damon. Os dois parceiros não concebiam um roteiro juntos desde que venceram o Oscar por “Gênio Indomável”, que eles igualmente estrelaram em 1997. Sequência do revival de 2018, “Halloween Kills” junta três gerações de mulheres da família de Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) e outros sobreviventes antigos da franquia, iniciada em 1978, para enfrentar pela (pen)última uma vez o psicopata Michael Myers. Os fãs já sabem que este não é o fim da história, que será concluída no próximo filme – e nos próximos depois do último – , o que ajuda a explicar o desânimo da crítica internacional com a produção – teve apenas 54% de aprovação (medíocre) no Rotten Tomatoes, o que, diga-se de passagem, é o mesmo nível de “Fátima”. Produção religiosa sobre a conhecida história das três crianças que contaram ter visto Nossa Senhora nos arredores de sua aldeia portuguesa em 1917, o maior atrativo de “Fátima” é a participação especial de Sônia Braga (“Bacurau”) como versão mais velha de uma das crianças, Lúcia, que se tornou uma freira famosa. Mas há outra curiosidade nesse projeto: o fato de a direção ser assinada pelo italiano Marco Pontecorvo, diretor de fotografia de “Game of Thrones” e filho do famoso cineasta Gillo Pontecorvo (1919–2006), que chegou a ser taxado como comunista pela ditadura militar brasileira – graças a filmes célebres como “A Batalha de Argel” (1966), “Queimada” (1969) e “Ogro” (1979). Também com tema religioso, a programação espreme ainda uma comédia brasileira: “Amarração do Amor”, sobre os problemas de um casal de religiões diferentes, que tem as cenas roubadas pela coadjuvante Cacau Protásio. Os quatro longas mencionados chegam nas principais cidades do Brasil, mas a programação tem mais quatro lançamento em circuito limitado, que entram em cartaz em pouquíssimas telas. Todos os títulos podem ser conferidos abaixo, junto com seus trailers, na relação completa das estreias de cinema. O Último Duelo | EUA | Ação Halloween Kills – O Terror Continua | EUA | Terror Fátima – A História de um Milagre | EUA | Drama Amarração do Amor | Brasil | Comédia Taís e Taiane | Brasil | Drama Uma Janela para o Mar | Espanha, Grécia | Drama Sob as Escadas de Paris | França | Drama Seus Olhos Dizem | Japão | Drama
Sonny Chiba (1939-2021)
O icônico ator japonês Sonny Chiba, que o público ocidental conhecmais pela participação em “Kill Bill”, de Quentin Tarantino, morreu nesta quinta (19/8) aos 82 anos, por complicações da covid-19. Ele estava internado num hospital desde o dia 8 de agosto, desenvolveu pneumonia e acabou não resistindo. Com meio século de carreira, Sonny Chiba apareceu em inúmeros filmes japoneses populares e até blockbusters americanos, exibindo sua técnica exuberante em artes marciais, que o levou a interpretar grandes mestres em sua carreira. O jovem Sadaho Maeda começou a estudar artes marciais na Nippon Sport Science University em 1957 com o mestre de caratê Masutatsu “Mas” Oyama e ganhou a faixa preta de primeiro grau em 1965. Mais tarde, ele interpretou o próprio Oyama em uma trilogia de filmes, “Combate Mortal”, “Karate Bearfighter” e “Karate for Life”, no final dos anos 1970. Em 1984, ele recebeu a faixa preta de quarto grau. Também foi faixa-preta em ninjutsu, shoreinji kempo, judô, kendo e goju-ryu karate. Ele começou a atuar em 1959, quando finalmente assumiu o nome de Sonny Chiba e eventualmente Shin’ichi Chiba. Seus primeiros papéis foram como dublê em programas de tokusatsu (super-heróis mascarados japoneses), onde substituía o ator principal, mas logo se destacou em uma série de thrillers do diretor japonês Kinji Fukasaku, com quem colaborou frequentemente, e na ficção científica “Invasion of the Neptune Men” em 1961. Chiba estrelou sua primeira franquia em 1970, graças ao sucesso do thriller criminal “Yakuza Cop”, onde viveu um policial infiltrado na máfia japonesa. A produção rendeu três continuações no espaço de dois anos. Seu primeiro filme de artes marciais veio depois, “Karate Kiba”, em 1973. Já o reconhecimento internacional foi consequência da repercussão de “Street Fighter” de 1974, que foi lançado nos Estados Unidos pela New Line Cinema com uma classificação X (mais usada para a pornografia) por sua violência extrema. Para aproveitar o impacto, a trama virou uma trilogia e até ganhou spin-off, “Sister Street Fighter”, tudo no mesmo ano! A popularidade de “Street Fighter” transformou Chiba num astro de ação e o levou a estrelar adaptações de mangás populares, como “Lobisomem Enfurecido” (1975) e o cultuado “Golgo 13 – A Missão Kowloon” (1977), além de muitos filmes de samurais e ninjas, incluindo os clássicos “A Conspiração do Clã Yagyu” (1978), “Portal do Inferno” (1981) e “A Guerra dos Ninja” (1982), em que expandiu suas atividades para virar coreógrafo de cenas de ação. Sua estreia em Hollywood aconteceu em 1992, no filme de ação “Águia de Aço III: Ases do Céu”, que o levou a ser contratado para outras produções B lançadas diretamente em vídeo. Sem receber o devido reconhecimento nos EUA, acabou consagrado pelo cinema de Hong Kong com o papel de vilão num dos maiores clássicos modernos do gênero wuxia (artes marciais e fantasia), “Os Cavaleiros da Tempestade” (1998), de Andrew Lau, em que viveu o terrível Lorde Conquistador da humanidade. Ao decidir homenagear o cinema de ação asiático em “Kill Bill”, Tarantino reservou para Chiba o papel de Hattori Hanzo, um espadachim lendário transformado em dono de restaurante de sushi que no “Volume 1” (2003) da saga de vingança fabrica uma espada samurai para a Noiva (Uma Thurman). Ele também apareceu em “Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio” como Kamata, um chefe da Yakuza e tio do principal antagonista, Takashi (Brian Tee), numa homenagem a seus thrillers criminais dos anos 1970. Seus últimos trabalhos foram “Outbreak Z”, um filme B americano de zumbis estrelado por Wesley Snipes, e “Bond of Justice: Kizuna”, uma história de vingança contra a Yakuza. Ambos ainda estão inéditos.
Diretor de “Alice in Borderland” vai filmar “My Hero Academia”
A Lionsgate contratou o cineasta japonês Shinsuke Sato, especialista em adaptações live-action de mangás – como “Gantz”, “I Am a Hero” e a série “Alice in Borderland” – para comandar a versão com atores do popular “My Hero Academia”. Com isso, o projeto anunciado em 2018 finalmente começa a sair do papel. Shinsuke Sato é o primeiro nome da equipe, que ainda não tem sequer roteirista contratado. O estúdio pretende realizar o filme com um elenco ocidental e falado em inglês. Sensação em todo o mundo, “My Hero Academia” foi criado por Kohei Horikoshi em 2014, já tem mais de 50 milhões de cópias impressas e em 2019 ganhou o prêmio Harvey de melhor mangá. A trama também foi adaptada num anime, que se tornou um hit internacional e está atualmente em sua 5ª temporada. Em clima de quadrinhos de super-heróis, a trama se passa em um mundo onde a maioria da população tem um poder ou “peculiaridade”. O personagem principal é um fanboy chamado Izuku Midoriya, que nasceu sem peculiaridades e, portanto, não pode realizar seu sonho de ir para a academia de super-heróis. Depois de um encontro casual com All Might, o maior super-herói do mundo, Midoriya promete trabalhar o máximo que puder, com ou sem poderes, para se tornar um símbolo de paz e esperança para o mundo. O mangá é publicado no Brasil pela JBC, enquanto o anime é exibido no serviço de streaming Funimation.












