Veja todas as vitórias, os discursos e os melhores momentos do Spirit Awards 2018
A premiação do Film Independent Spirit Awards 2018, que consagrou o terror “Corra!” e seu diretor, Jordan Peele, não foi transmitida no Brasil. Mas graças ao canal oficial do prêmio no YouTube, é possível assistir aos vídeos dos seus melhores momentos, com todos os agradecimentos, comemorações e sorrisos dos vencedores. Apresentada pelos comediantes Nick Kroll e John Mulaney (da animação “Big Mouth”) pelo segundo ano consecutivo, a cerimônia aconteceu na tarde de sábado em sua locação habitual – em tendas armadas na praia de Santa Monica, na Califórnia. Mas ao contrário de outras premiações da temporada, o Spirit Awards não foi marcado por nenhum protesto específico. Os artistas não foram de roupas pretas nem usaram broches de alguma causa. Veja abaixo os vídeos dos melhores momentos e confira aqui a lista completa dos vencedores.
Corra! vence o Spirit Awards 2018, o Oscar do cinema independente
O Spirit Awards 2018, considerado o Oscar do cinema independente americano, consagrou o terror “Corra!”, de Jordan Peele, como Melhor Filme indie do ano. Além disso, a premiação realizada na tarde de sábado (3/3) na Califórnia rendeu a Peele o troféu de Melhor Direção. “Nós filmamos esse filme em 23 dias, e ninguém fez para ganhar um cachê, mas porque todos acreditaram em contar uma história que não tinha sido vista antes e que precisava existir”, disse Peele, em seu agradecimento. “Para mim, está claro que estamos no início de um renascimento neste momento, em que histórias dos outsiders, histórias das pessoas nesta sala, as mesmas histórias que os cineastas independentes têm contado há anos, são honradas, reconhecidas e celebradas. Estou tão orgulhoso de estar aqui com esse grupo de pessoas. Isso não teria acontecido sem todos aqui ou sem as pessoas que compraram ingressos e contaram sobre o filme e levaram mais pessoas a vê-lo”, completou. É interessante apontar que, nos últimos quatro anos, o vencedor do Spirit Awards também venceu o Oscar de Melhor Filme – são eles: “12 Anos de Escravidão” (2013), “Birdman” (2014), “Spotlight” (2015) e “Moonlight” (2016). Essa sequência é maior que a coincidência registrada no Gotham Awards, o outro prêmio indie do cinema americano, que “acertou” os últimos três premiados do Oscar e este ano premiou “Me Chame pelo seu Nome”. Por sinal, o filme de Luca Guadagnino também era favorito ao Spirit Awards, com o maior número de indicações. Mas só venceu dois dos seis prêmios que disputou: Melhor Fotografia e, na ausência de Gary Oldman – “O Destino de uma Nação” não é um filme indie – , Melhor Ator com o jovem Timothée Chalamet. As demais categorias de interpretação repetiram os SAG Awards, com prêmios para Francis McDormand e Sam Rockwell, de “Três Anúncios Para um Crime”, e Allison Janney, de “Eu, Tonya”. Entre os prêmios sem equivalentes no Oscar, destacaram-se a comédia de humor negro “Ingrid Goes West” como Melhor Filme de Estreia – com o diretor Matt Spicer fazendo uma dedicação especial à atriz Aubrey Plaza – , “Mudbound” pelo elenco e Chloé Zhao, de “The Rider”, como cineasta feminina – sobre Greta Gerwig, que venceu o Spirit de Melhor Roteiro, por “Lady Bird”. Para completar a listagem principal, “Visages Villages” faturou a categoria de Documentário e o chileno “Uma Mulher Fantástica” foi eleito o Melhor Filme Estrangeiro. Como todos os anos, a cerimônia de premiação aconteceu em tendas armadas na praia de Santa Monica, na Califórnia. Mas ao contrário de outras premiações da temporada, o Spirit Awards não foi marcado por nenhum protesto específico. Os artistas não foram de roupas pretas nem usaram broches de alguma causa. Confira abaixo a lista completa dos premiados. E veja aqui os vídeos com todas as vitórias, as comemorações e os discursos de agradecimentos. Vencedores do Independent Spirit Awards 2018 Melhor Filme “Corra!”, de Jordan Peele Melhor Direção Jordan Peele (“Corra!”) Melhor Filme de Estreia “Ingrid Goes West”, de Matt Spicer Melhor Atriz Francis McDormand (“Três Anúncios Para um Crime”) Melhor Ator Timothee Chalamet (“Me Chame pelo seu Nome”) Melhor Atriz Coadjuvante Allison Janney (“Eu, Tonya”) Melhor Ator Coadjuvante Sam Rockwell (“Três Anúncios Para um Crime”) Melhor Roteiro Greta Gerwig (“Lady Bird”) Melhor Roteiro de Estreia Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani (“Doentes de Amor”) Melhor Fotografia Sayombhu Mukdeeprom (“Me Chame pelo Seu Nome”) Melhor Edição Tatiana S. Riegel (“Eu, Tonya”) Melhor Documentário “Visages Villages”, de JR e Agnès Varda Melhor Filme Estrangeiro “Uma Mulher Fantástica”, de Sebastián Lelio (Chile) Prêmio John Cassavetes (filme feito por menos de US$ 500 mil) “Life and Nothing More”, de Antonio Méndez Esparza Prêmio Robert Altman (melhor elenco) “Mudbound” Prêmio Bonnie (melhor cineasta feminina) Chloé Zhao (“The Rider”)
Paddington 2 vira o filme mais bem-avaliado do Rotten Tomatoes em todos os tempos
Há dois meses, “Lady Bird” se tornou o filme mais bem-avaliado do Rotten Tomatoes em todos os tempos, acumulando 164 críticas com 100% de aprovação. A façanha virou notícia, mas também estimulou um blogueiro a escrever uma crítica negativa do filme para chamar atenção, derrubando-o de sua posição histórica. Agora, outro filme alcançou a mesma marca, com aprovação unânime de 164 críticas positivas. “Paddington 2” virou o novo recordista de boas avaliações registradas pelo Rotten Tomatoes. As conquistas de “Lady Bird” e agora “Paddington 2” são notáveis, porque nenhum filme desde “Toy Story 2” (1999) tinha conseguido tantas críticas positivas nos Estados Unidos. Ainda mais nestes tempos, em que qualquer um se diz crítico de cinema e busca atenção por contrariar os mais experientes. Por outro lado, as boas avaliações tornam ainda mais decepcionante a baixa bilheteria de “Paddington 2” em sua estreia na América do Norte. A produção infantil britânica abriu no fim de semana passado apenas em 5º lugar, com US$ 15 milhões, após já ter se consolidado como sucesso no Reino Unido. Na continuação do longa de 2014, o ursinho falante atrapalhado é confundido com um ladrão e vai parar na cadeia, após ser incriminado pelo vilão, um ator e mestre dos disfarces vivido por Hugh Grant (“Florence: Quem é Essa Mulher?”). Com roteiro e direção de Paul King, que comandou o longa original, “Paddington 2” estreia no Brasil em 1 de fevereiro.
Lady Bird: Estreia na direção de Greta Gerwig bate recorde de avaliação positiva no Rotten Tomates
O filme que marca a estreia na direção da atriz Greta Gerwig (a eterna “Frances Ha”) virou oficialmente o mais bem avaliado do cinema americano em todos os tempos, ao menos no ranking do site Rotten Tomatoes. Produção indie, “Lady Bird” superou o antigo campeão, a animação “Toy Story 2”, com a melhor pontuação já registrada no site. A comédia dirigida por Gerwig e estrelada por Saoirse Ronan (“Brooklyn”) atingiu 100% de aprovação no agregador de críticas da imprensa americana. Ao todo, o site contabiliza 164 resenhas positivas e nenhuma negativa sobre a produção. O número impressionante representa uma crítica positiva a mais do que “Toy Story 2” obteve em 1999, quando também comemorou a aprovação unanime. “Lady Bird” evoca a juventude de Gerwig como adolescente rebelde e inconformista. Com Ronan no papel de protagonista, o filme acompanha uma garota do Norte da Califórnia, que é tratada como ovelha negra da família pela própria mãe (Laurie Metcalf, a mãe de Sheldon na série “The Big Bang Theory”), mas ela própria se vê como uma joaninha (ladybird), querendo voar. Com distribuição do estúdio indie A24, “Lady Bird” foi lançado em 3 de novembro nos Estados Unidos em circuito limitadíssimo, sem nem sequer entrar na mira do CinemaScore, que pesquisa a opinião do público sobre os filmes em cartaz no país. Mesmo assim já arrecadou US$ 10 milhões. Sua aprovação não se resume à imprensa. O filme já conquistou indicações aos principais prêmios do cinema indie americano, concorrendo a três troféus no Gotham Awards e quatro no Spirit Awards, mas a expectativa é que também dispute o Oscar 2018. Infelizmente, a distribuição no Brasil acabou nas mãos da Universal, que tradicionalmente não valoriza a temporada de premiações, e marcou a estreia nacional do filme apenas para daqui a cinco meses. Isto mesmo: em abril, um mês após os resultados do Oscar. Espera-se que o bom senso prevaleça ao descaso. Veja o trailer da produção abaixo:
Me Chame pelo Seu Nome lidera indicações ao Spirit Awards, o “Oscar do cinema independente”
As indicações ao Spirit Awards, considerado o Oscar do cinema independente americano, foram divulgadas nesta terça (21/11) em Los Angeles. E um dos filmes que tem sido apontado como favorito ao Oscar real se destacou na lista com o maior número de nomeações. “Me Chame pelo Seu Nome”, de Luca Guadagnino, disparou como o mais citado, concorrendo em seis categorias, incluindo Melhor Filme. Exibido no Festival do Rio, o longa retrata um romance entre um jovem (Timothée Chalamet) e um homem mais velho (Armie Hammer), e deve estrear em janeiro no circuito comercial brasileiro. O filme é coproduzido pela produtora brasileira RT Features, de Rodrigo Teixeira, que também está por trás de mais duas obras indicadas: “A Ciambra” (que disputa o troféu de Melhor Direção) e “Patti Cake$” (Melhor Filme de Estreia). O terror racial “Corra!” também recebeu bastante reconhecimento, com cinco indicações em categorias importantes. Ele vai disputar o troféu de Melhor Filme com “Me Chame pelo Seu Nome” e os elogiados “Projeto Florida”, de Sean Baker, “Lady Bird”, que é o primeiro filme dirigido pela atriz Greta Gerwig, e “The Rider”, de Chloé Zhao, todos já consagrados no circuito dos festivais. A lista ainda traz várias indicações para “Bom Comportamento”, “I, Tonya”, “Columbus”, “Beatriz at Dinner”, “Beach Rats”, “O Sacrifício do Cervo Sagrado”, “Três Anúncios para um Crime”, “Ingrid Goes West”, “Doentes de Amor” e “O Artista do Desastre”. E grande variedade acaba chamando atenção pelo que ficou de fora: a ausência de produções da Netflix. Nem “Já Não Me Sinto Em Casa Nesse Mundo”, de Macon Blair, vencedor do Festival de Sundance, supostamente a mostra mais importante da cena indie americana, foi citado – após ser adquirido e exibido na plataforma de streaming. A principal aposta da Netflix para o Oscar, “Mudbound”, de Dee Rees, ficou com a única menção da companhia: o troféu Robert Altman, anualmente concedido ao melhor conjunto de elenco e diretor. Este prêmio não tem concorrentes e o vencedor (este ano, “Mudbound”) é determinado pelos organizadores do prêmio. A cerimônia de premiação acontece em 3 de março, na praia de Santa Monica, na Califórnia, um dia antes da entrega do Oscar. Confira abaixo a lista dos principais indicados. Indicados ao Spirit Awards 2018 Melhor Filme “Me Chame pelo seu Nome”, de Luca Guadagnino “Projeto Florida”, de Sean Baker “Corra!”, de Jordan Peele “Lady Bird”, de Greta Gerwig “The Rider”, de Chloé Zhao Melhor Direção Jonas Carpignano (“A Ciambra”) Luca Guadagnino (“Me Chame pelo seu Nome”) Jordan Peele (“Corra!”) Benny e Josh Safdie (“Bom Comportamento”) Chloé Zhao (“The Rider”) Melhor Filme de Estreia “Columbus”, de Kogonada “Ingrid Goes West”, de Matt Spicer “Menashe”, de Joshua Z Weinstein “Oh Lucy”, de Atsuko Hirayanagi “Patti Cake$”, de Geremy Jasper Melhor Atriz Salma Hayek (“Beatriz at Dinner”) Francis McDormand (“Três Anúncios Para um Crime”) Margot Robbie (“I, Tonya”) Saoirse Ronan (“Lady Bird”) Shinobu Terajima (“Oh Lucy”) Regina Williams (“Life and Nothing More”) Melhor Ator Timothee Chalamet (“Me Chame pelo seu Nome”) Harris Dickinson (“Beach Rats”) James Franco (“O Artista do Disastre) Daniel Kaluuya (“Corra!”) Robert Pattinson (“Bom Comportamento”) Melhor Atriz Coadjuvante Holly Hunter (“Doentes de amor”) Allison Janney (“I, Tonya”) Laurie Metcalf (“Lady Bird”) Lois Smith (“Marjorie Prime”) Taliah Lennice Webster (“Bom Comportamento”) Melhor Ator Coadjuvante Nnamdi Asomugha (“Crown Heights”) Armie Hammer (“Me Chame pelo seu Nome”) Barry Keoghan (“O Sacrifício do Cervo Sagrado”) Sam Rockwell (“Três Anúncios Para um Crime”) Bennie Safdie (“Bom Comportamento”) Melhor Roteiro Greta Gerwig (“Lady Bird”) Azazel Jacobs (“The Lovers”) Martin McDonagh (“Três Anúncios Para um Crime”) Jordan Peele (“Corra!”) Mike White (“Beatriz at Dinner”) Melhor Roteiro de Estreia Kris Avedisian (“Donald Cried”) Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani (“Doentes de Amor”) Ingrid Jungermann (“Women Who Kill”) Kogonada (“Columbus”) David Branson Smith e Matt Spicer (“Ingrid Goes West”) Melhor Fotografia Thimios Bakatakis (“O Sacrifício do Cervo Sagrado”) Elisha Christian (“Columbus”) Hélène Louvart (“Beach Rats”) Sayombhu Mukdeeprom (“Me Chame pelo Seu Nome”) Joshua James Richards (“The Rider”) Melhor Edição Ronald Bronstein e Benny Safdie (“Bom Comportamento”) Walter Fasano (“Me Chame pelo Seu Nome”) Alex O’Flinn (“The Rider”) Gregory Plotkin (“Corra!”) Tatiana S. Riegel (“I, Tonya”) Melhor Documentário “The Departure”, de Lana Wilson “Faces Places”, de JR e Agnès Varda “Last Men in Aleppo”, de Firas Fayyad, Steen Johannessen e Hasan Kattan “Motherland”, de Ramona S. Diaz “Quest”, de Santiago Rizzo Melhor Filme Estrangeiro “Uma Mulher Fantástica”, de Sebastián Lelio (Chile) “120 Batimentos por Minuto”, de Robin Campillo (França) “Lady Macbeth”, de William Oldroyd (Reino Unido) “I Am Not a Witch”, de Rungano Nyoni (Reino Unido/França) “Loveless”, de Andrey Zvyagintsev (Rússia)
Moonlight é o grande vencedor do “Oscar indie”
O drama “Moonlight” foi o grande vencedor do Independent Spirit Awards, principal premiação do cinema indie, considerado o “Oscar do cinema independente americano”. O filme escrito e dirigido por Barry Jenkins conquistou todos os cinco prêmios que disputava: Melhor Filme, Direção, Roteiro, Edição e Fotografia, além do troféu Robert Altman de melhor elenco. Por causa do troféu Robert Altman, cujo vencedor é definido previamente, nenhum dos atores de “Moonlight” disputou prêmios de interpretação. Assim, Casey Affleck ficou com o troféu de Melhor Ator por “Manchester à Beira-Mar” e Isabelle Huppert com mais uma estatueta de Melhor Atriz por “Elle” – um dia depois de conquistar o César, na França. Entre os coadjuvantes, Ben Foster venceu por “A Qualquer Custo” e Molly Shannon surpreendeu com o reconhecimento a seu trabalho em “The Other People”. Dos três brasileiros que concorriam, apenas um celebrou. O produtor Rodrigo Teixeira compartilhou a vitória do filme “A Bruxa” em duas categorias, Melhor Filme de Estreia e Melhor Roteiro de Estreia. O terror é uma coprodução da empresa brasileira RT Features, de Teixeira, com estúdios americanos. “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, que concorria na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira, perdeu para o alemão “Toni Erdmann”, de Maren Ade. Já “Melhores Amigos”, que concorria a Melhor Roteiro, escrito pelo americano Ira Sachs e o brasileiro Maurício Zacharias, foi um dos longas que perdeu para “Moonlight”. Confira abaixo a lista completa dos premiados. Vencedores do Independent Film Awards 2017 Melhor Filme Moonlight Melhor Diretor Barry Jenkins (Moonlight) Melhor Atriz Isabelle Huppert (Elle) Melhor Ator Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar) Melhor Atriz Coadjuvante Molly Shannon (Other People) Melhor Ator Coadjuvante Ben Foster (A Qualquer Custo) Melhor Roteiro Barry Jenkins (Moonlight) Melhor Filme de Estreia A Bruxa Melhor Roteiro de Estreia Robert Eggers (A Bruxa) Melhor Edição Joi McMillon e Nat Sanders (Moonlight) Melhor Direção de Fotografia James Laxton (Moonlight) Melhor Documentário O.J.: Made in America Melhor Filme Estrangeiro Toni Erdmann (Alemanha e Romênia) Prêmio John Cassavetes (Melhor Filme Feito com Menos de US$ 500 mil) Spa Night Prêmio Robert Altman (Melhor Elenco) Moonlight
Moonlight é um poema em três estrofes sobre desilusões e masculinidade
“Moonlight – Sob a Luz do Luar” tem o encanto de se apresentar como um poema em três estrofes. A primeira trata de uma criança franzina, tímida e de olhos assustados (interpretada pelo estreante Alex Hibbert), que depois revela-se um adolescente frágil (Ashton Sanders) que sofre bullyng na escola e, por fim, torna-se um traficante adulto de aparência intimidadora (Trevante Rhodes). Chiron adulto é um gigante. Usa uma prótese de ouro na boca para lembrar quem manda no pedaço. A natureza e o significado da masculinidade é uma das principais preocupações que o filme tira da peça “In Moonlight Black Boys Look Blue”, escrita por Tarell Alvin McCraney , e adaptada e dirigida para o cinema por Barry Jenkins. Numa periferia violenta de Miami, o que você deve aprender? O quão duro você tem que ser? E o quanto deve ser cruel? A iniciação de Chiron em tais perguntas parece ser através do medo e da confusão. Primeiro, encontramos o menino em fuga, escapando de um monte de outras crianças. Chiron é menor que a maioria deles – seu apelido humilhante é Little. Seu esforço para entender essa diferença – para descobrir a conexão entre a homofobia do pátio de escola de seus pares e seus próprios desejos confusos – é uma das pistas ao longo do qual sua crônica episódica prossegue. Outra, igualmente dolorosa e complicada, diz respeito ao relacionamento dele com a mãe, Paula (Naomie Harris, de “007 – Operação Skyfall”). O crack dissolve qualquer laço de afetividade da mulher com o filho. Sem condições de ser educado, Chiron busca refúgio na casa de um narcotraficante (o ótimo Mahershala Ali, da série “Luke Cage”). O menino idolatra o fora da lei como se esse fosse um cantor de rap. Apesar de barra pesada, o sujeito tem desenvoltura, uma fala suave e uma certa vergonha de admitir para o garoto, que ironicamente ele é o responsável pelo vício e o processo de destruição da matriarca. Olhando por um viés realista, é muito difícil acreditar no dono de uma boca de tráfico como um sujeito com pendor humanista. Ainda que Mahershala seja um ator de categoria para nos convencer que o personagem tem lá suas contradições, esse humanismo é um exagero. Se analisarmos com mais profundidade, não é apenas o personagem do traficante que soa artificial, pouco de “Moonlight” se sustenta se olharmos para o filme como um drama realista. Não há policiais na rua, nem tensão, e mesmo a violência nunca aparece em primeiro plano. O próprio Chiron sofre injustiças, mas é desenhado como um personagem leve. Ele é fofo, um Simba da periferia. E mesmo quando finalmente cresce e assume a boca de fumo de seu pai postiço, sabemos que, no fundo, Chiron continua a ser um cara legal. Neste sentido, é impressionante como “Moonlight” se aproxima muito de “La La Land”. Quando a realidade se pronuncia de uma forma muito aguda, os protagonistas de ambos os filmes tendem a se refugiar num mundo imaginário. Em “La La Land”, a evasão se dá pelo canto e pela dança, em “Moonlight”, o refúgio está no mar e numa noite ao luar. Mas “Moonlight” não é apenas o filme indie do momento, é o candidato ao Oscar (concorrendo em oito categorias) que melhor afronta a América que elegeu o presidente Donald Trump. O filme trata da identidade do homem pobre, negro e gay norte-americano, algo que não está inscrito na atual agenda política e social republicana. Nele, há uma ausência quase completa de pessoas brancas. Mesmo assim, o diretor Jenkins é um cineasta inteligente demais para reduzir seus personagens a símbolos. Ele não generaliza. Ele simpatiza. Cada momento é infundido com o que o poeta Hart Crane chamou de “consanguinidade infinita”, o vínculo misterioso que nos liga uns aos outros e que só uma imaginação artística alerta e sensível pode tornar visível. Jenkins aposta nessa consanguinidade, e vende isso pra gente como poesia. Uma poesia cheia de nuances, que inquieta e emociona.
Comédia da Netflix que venceu o Festival de Sundance 2017 ganha trailer legendado
A Netflix divulgou o trailer legendado de “Já Não Me Sinto em Casa Nesse Mundo”, comédia indie que venceu o Festival de Sundance 2017. O filme gira em torno de Ruth (Melanie Lynskey, da série “Two and a Half Men”), uma auxiliar de enfermagem que sofre uma crise existencial e decide que não vai mais aguentar sacanagens da vida quando sua casa é assaltada. Com a ajuda de seu vizinho Tony (Elijah Wood, da trilogia “O Senhor dos Anéis”), fã de artes marciais, ele resolve fazer justiça com as próprias mãos e acaba se vendo perigosamente envolvida na luta contra um grupo de criminosos degenerados. O elenco ainda inclui Jane Levy (“O Homem nas Trevas”), Christine Woods (série “About a Boy”), Devon Graye (“Os 13 Pecados”) e Robert Longstreet (“O Abrigo”). “Já Não Me Sinto em Casa Nesse Mundo” marca a estreia do ator Macon Blair (“Sala Verde”) na direção e chega à Netflix na sexta, dia 24 de fevereiro.
Comédia indie da Netflix vence o Festival de Sundance
O Festival de Sundance, reconhecido por projetar o melhor do cinema independente norte-americano, anunciou na noite de sábado (28/1) os vencedores de sua edição de 2017, consagrando a comédia de humor negro “I Don’t Feel at Home in This World Anymore” e o documentário “Dina” com os principais prêmios de seu júri. Estreia na direção do ator Macon Blair (“Sala Verde”), “I Don’t Feel at Home in This World Anymore” traz Melanie Lynskey (série “Two and a Half Men”) no limite de sua paciência com a falta de educação e cortesia das pessoas, após descobrir que sua casa foi roubada. Irritada e deprimida com a ineficácia da polícia, ela encontra ajuda num vizinho intenso, vivido por Elijah Wood (série “Dirk Gently’s Holistic Detective Agency”), que a estimula a tomar uma atitude. Mas virar justiceiros não é tão fácil quanto eles imaginam. Veja o trailer aqui. A comédia indie fechou com a Netflix e já tem lançamento marcado para fevereiro. Mas se a negociação foi financeiramente interessante para os produtores, a distribuição por streaming logo no começo do ano implode qualquer pretensão que o filme pudesse ter em relação ao Oscar 2018. Caso acordos do gênero virem tendência, podem, inclusive, diminuir o brilho de Sundance. Afinal, o festival tem ajudado a revelar grandes talentos, como o badalado Damien Chazelle, cujo filme anterior, “Whiplash”, venceu o Festival de Sundance em 2014 e o atual, “La La Land”, disputa 14 troféus no Oscar 2017. Já “Dina” apresenta um retrato nada convencional de romance, acompanhando um casal real de autistas de meia-idade. Dirigido por Antonio Santini e Dan Sickes, o filme celebra as diferenças e conquistou a crítica em Sundance. O público, entretanto, preferiu o documentário “Chasing Coral”, de Jeff Orlowski, sobre mudanças climáticas, e o drama “Crown Heights”, em que o diretor Matt Ruskin focou a injustiça do sistema judiciário, contando a história real de um jovem negro inocente que passou 21 anos preso. Detalhe: este filme terá distribuição da Amazon! Na competição internacional, os vencedores coincidiram em tema, ao expressarem a crise no Oriente Médio. Foram premiados o documentário “Last Men in Aleppo”, sobre os destroços da cidade síria citada em seu título, e “The Nile Hilton Incident”, suspense do sueco Tarik Saleh, que mostra a corrupção no Egito antes da Primavera Árabe (movimento social que destituiu o governo). Ironicamente, o prêmio para o filme “golpista” foi entregue por Sônia Braga (“Aquarius”). O Brasil concorria com “Não Devore Meu Coração”, primeiro longa individual de Felipe Bragança (“A Alegria”), que foi considerado amador pela crítica americana. Vencedores do Festival de Sundance 2017 FICÇÃO NORTE-AMERICANA Grande Prêmio do Júri “I Don’t Feel at Home in This World Anymore” Prêmio do Público “Crown Heights” Melhor Direção Eliza Hittman (“Beach Rats”) Melhor Roteiro Matt Spicer e David Branson Smith (“Ingrid Goes West”) Prêmio Especial do Júri por Melhor Atuação Chanté Adams (“Roxanne Roxanne”) Prêmio Especial do Júri por Melhor Direção Maggie Betts (“Novitiate”) Prêmio Especial do Júri por Melhor Fotografia Daniel Landin (“Yellow Birds”) DOCUMENTÁRIO NORTE-AMERICANO Grande Prêmio do Júri Dina Prêmio do Público “Chasing Coral” Melhor Direção Peter Nicks (“The Force”) Melhor Roteiro Yance Ford (“Strong Island”) Prêmio Especial do Júri por Melhor Edição Kim Roberts e Emiliano Battista (“Unrest”) Prêmio Especial Orwell “Icarus” Prêmio Especial do Júri por Filmagem Inspiradora Amanda Lipitz (“Step”) FICÇÃO MUNDIAL Grande Prêmio do Júri “The Nile Hilton Incident” Prêmio do Público “I Dream in Another Language” Melhor Direção Francis Lee (“God’s Own Country”) Melhor Roteiro Kirsten Tan (“Pop Aye”) Prêmio Especial do Júri por Visão Cinematográfica Jun Geng (“Free and Easy”) Prêmio Especial do Júri por Melhor Fotografia Manu Dacosse (“Axolotl Overkill”) DOCUMENTÁRIO MUNDIAL Grande Prêmio do Júri “Last Men in Aleppo” Prêmio do Público “Joshua: Teenager vs. Superpower” Melhor Direção Pascale Lamche (“Winnie”) Melhor Roteiro Catherine Bainbridge e Alfonso Maiorana (“Rumble: The Indians Who Rocked the World”) Prêmio Especial do Júri por Melhor Edição Ramona S. Diaz (“Motherland”) Prêmio Especial do Júri por Melhor Fotografia Rodrigo Trejo Villanueva (“Machines”)
Mostra de Tiradentes premia filmes dirigidos por mulheres
O filme “Baronesa”, de Juliana Antunes, foi o vencedor da 20ª Mostra de Cinema de Tiradentes, recebendo o Troféu Barroco, conferido pelo Júri da Crítica, e o Prêmio Helena Ignez, entregue pela primeira vez. Ele foi criado para celebrar um destaque feminino e que foi dado a Fernanda de Sena, diretora de fotografia do longa. O trabalho marca a estreia de Juliana Antunes na direção e é apenas o terceiro filme dirigido por uma mulher a vencer o festival. A trama gira em torno de duas vizinhas em um bairro de periferia de Belo Horizonte, que buscam evitar os conflitos do tráfico. O público, porém, preferiu outro título. O documentário “Pitanga”, que marca a estreia da atriz Camila Pitanga como diretora (em parceria com o cineasta Beto Brant), foi escolhido o Melhor Filme na votação popular. O longa traça a trajetória do ator Antônio Pitanga, pai de Camila. E se integra à consagração das mulheres cineastas realizada pelo evento, assim como o vencedor na categoria de Melhor Curta da Mostra Foco: “Vando Vulgo Vedita”, de Andréia Pires e Leonardo Mouramateus. O Júri Jovem, composto por pessoas selecionadas através de uma oficina de crítica cinematográfica, foi responsável pelo prêmio da Mostra Olhos Livres, que reúne filmes com uma linguagem mais autoral e menos convencional. O troféu foi entregue à “Lamparina da Aurora”, produção maranhense dirigida por Frederico Machado, proprietário da Lume Filmes e também responsável por um festival no Nordeste. O longa-metragem gira em torno das memórias de um casal de idosos em uma fazenda abandonada. Os diretores dos filmes premiados receberão incentivos de empresas patrocinadoras para a realização de um novo trabalho, como recursos para locação de equipamentos e para pós-produção. Confira abaixo todos os premiados da 20ª Mostra de Tiradentes. Vencedores da Mostra de Tiradentes 2017 Melhor Filme da Mostra Aurora pelo Júri da Crítica Barones, de Juliana Antunes Melhor Filme da Mostra Olhos Livres pelo Júri Jovem Lamparina da Aurora, de Frederico Machado Melhor Filme pelo Júri Popular Pitanga, de Camila Pitanga e Beto Brant Melhor Curta da Mostra Foco pelo Júri da Crítica Vando Vulgo Vedita, de Andréia Pires e Leonardo Mouramateus Melhor Curta pelo Júri Popular Procura-se Irenice, de Marcos Escrivão e Thiago B. Mendonça Prêmio Helena Ignez para Destaque Feminino Fernanda de Sena, diretora de fotografia de Baronesa Prêmio Aquisição Canal Brasil Vulgo Vando Vedit, de Andréia Pires e Leonardo Mouramateus
Melanie Lynskey e Elijah Wood viram justiceiros em trailer de comédia indie da Netflix
A Netflix divulgou quatro fotos e o trailer da comédia de humor negro “I Don’t Feel at Home in This World Anymore”. A prévia mostra como Melanie Lynskey (série “Two and a Half Men”) atinge o limite de paciência com a falta de educação e cortesia das pessoas ao descobrir que sua casa foi roubada. Irritada e deprimida com a ineficácia da polícia, ela encontra ajuda num vizinho intenso, vivido por Elijah Wood (série “Dirk Gently’s Holistic Detective Agency”), que a estimula a tomar uma atitude. Mas virar justiceiros não é tão fácil quanto eles imaginam. O elenco ainda inclui Jane Levy (“O Homem nas Trevas”), Christine Woods (série “About a Boy”), Devon Graye (“Os 13 Pecados”) e Robert Longstreet (“O Abrigo”). O filme marca a estreia do ator Macon Blair (“Sala Verde”) na direção e faz parte da seleção do Festival de Sundance. A estreia na Netflix vai acontecer em 24 de fevereiro.
Emily Browning canta no teaser do drama indie Golden Exits
O drama indie “Golden Exits” ganhou seu primeiro teaser, que traz Emily Browining cantando, sem acompanhamento, uma versão triste de “New York Groove”, de Russ Ballard – que foi sucesso na voz do guitarrista do Kiss Ace Frehley em 1978. O filme tem roteiro e direção de Alex Ross Perry (“Rainha do Mundo”) e acompanha duas famílias do Brooklyn, em Nova York, que embarcam numa narrativa de infelicidade quando uma garota estrangeira rompe o equilíbrio de ambas. O elenco ainda inclui Analeigh Tipton (“Lucy”), Chloë Sevigny (“Amor e Amizade”), Mary-Louise Parker (série “Weeds”), Lily Rabe (série “American Horror Story”), Jason Schwartzman (“O Grande Hotel Budapeste”) e o eterno “Beastie Boy” Adam Horovitz. Selecionado para o Festival de Sundance, “Golden Exists” ainda não tem previsão de estreia comercial.
Sônia Braga será jurada do Festival de Sundance
A atriz Sônia Braga (“Aquarius”) será uma das juradas do Festival de Sundance em 2017, anunciou a organização do evento nos EUA. Ela fará parte do juri responsável por premiar filmes internacionais de cineastas emergentes, na mostra de Cinema Mundial. Neste ano, o filme brasileiro “Não Devore Meu Coração!”, estrelado por Cauã Reymond (minissérie “Dois Irmãos”) e dirigido por Felipe Bragança (“A Alegria”), integra a competição na categoria World Cinema. Além de Sônia Braga, o júri também contará com a atriz e produtora chinesa Nai An (“Os Amantes do Rio”) e a cineasta grega Athina Rachel Tsangari (“Attenberg”). Já a parte americana do festival indie terá entre os jurados deste ano os atores Gael Garcia Bernal (“Neruda”), Peter Dinklage (série “Game of Thrones”), Jody Hill (criador das séries “Eastbound & Down” e “Vice Principals”), Jacqueline Lyanga (diretora do AFI Festival) e Jeannine Oppewall (diretora de arte de “Los Angeles: Cidade Proibida”, “Garotos Incríveis” e “Ultimos Dias no Deserto”). O Festival de Sundance de 2017 começa na próxima quinta, dia 19, e vai até o dia 29 de janeiro em Park City, Utah.











