Dinheiro que pode salvar indústria audivisual está bloqueado há 17 meses por Bolsonaro
Jair Bolsonaro já demonstrou claramente como gosta de governar: criando crises para causar paralisias setoriais. O caso mais dramático acontece na área da Cultura. Ao tomar posse em Brasília, ele transformou o MinC em Secretaria e a subordinou ao Ministério da Cidadania. Poucos meses depois, trocou tudo de novo, transformando a Cultura num apêndice do Ministério do Turismo. Só que “esqueceu” de completar totalmente a mudança, criando impasses no organograma que deixam a pasta numa espécie de limbo, dividida entre dois ministérios. Paralelamente, Bolsonaro também “esqueceu” de nomear representantes de comitês e agências, vetou renovações de leis de incentivo, impediu patrocínios de estatais e reduziu a importância do secretário especial da Cultura até transformá-lo num cargo figurativo e tapa-buraco. Aliados do presidente espalham nas redes sociais que a atual secretária, Regina Duarte, já estaria com os dias contados. Ela foi empossada sob ataques de bolsonaristas e, dois meses depois, ainda não terminou o processo de definir os novos chefes de fundações, museus, entidades, pastas, etc, devido a vetos daquele que teria lhe dado “carta branca”. Quando cair, quem assumir seu lugar provavelmente recomeçará todas as nomeações de novo, com nova “carta branca” de Bolsonaro. A repetição escancarada do método revela a tática de mudar tudo, o tempo todo, para que nada aconteça e ninguém faça coisa alguma. Esta paralisia por incompetência planejada tem acumulado uma fortuna nos cofres do governo. E ajudado a quebrar setores que Bolsonaro considera inimigos. Em crise desde antes da pandemia do novo coronavírus, graças à suspensão de fontes de verbas que dependiam de liberação estatal, a indústria audiovisual brasileira experimenta uma agonia sem precedentes. Enquanto isso, o governo deixa parado mais de R$ 700 milhões do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual), que deveriam ter sido liberados no começo de 2019. O método das demissões em série, desorganização estrutural e sabotagem assumida fizeram com que o governo Bolsonaro levasse 12 meses para viabilizar a criação do comitê responsável por formular editais e gerir o FSA. E mesmo formado há cinco meses, o comitê ainda não se reuniu uma vez sequer para deliberar sobre a verba – sua função primordial. Por conta disso, o dinheiro que poderia salvar a indústria audiovisual do país está bloqueado há 17 meses sob o caos criado propositalmente pelo governo Bolsonaro. Embora a secretaria da Cultura tenha sido transferida para o Ministério do Turismo, o comitê gestor do FSA ainda está ligado, em seu organograma, ao Ministério da Cidadania. Essa é uma das confusões propositais que impedem o andamento de muitas medidas. São propositais, porque o presidente não faz nada para colocar ordem na situação, apesar de apelos de representantes do setor e provavelmente da própria Regina Duarte. Mas não há pressa. Para manter tudo parado, Bolsonaro só avança para dar ré. Outro exemplo dessa estratégia de rodar parafuso espanado materializa-se na iniciativa de nomear para a Ancine pessoas que o mercado jamais pressionaria para que assumissem logo suas funções. Bolsonaro indicou em fevereiro um pastor, Edilásio Barra, o Tutuca, e a produtora de um festival evangélico, Veronica Blender, para duas de três vagas que estão abertas na diretoria da Ancine desde o ano passado. Nomes sem nenhuma representatividade, quase nulidades no mercado, e até agora nenhum dos dois foi sabatinado pelo Senado. A situação de Blender é até pior. Sua indicação sequer foi enviada para análise pelo Planalto. Com tanta inércia, o dinheiro do FSA continua aplicado e rendendo juros. Estes juros não podem ser revertidos diretamente em novos projetos. Eles são remetidos ao Tesouro Nacional. Como a taxa Condecine, que gera o montante do FSA, não deixou de ser cobrada, os mais de US$ 700 milhões declarados, relativos a taxação da indústria audiovisual em 2018, já dobraram e começam a triplicar. Os números totais não foram revelados. Mas o governo deve ter mais de US$ 1,5 bilhão da indústria audiovisual bloqueados, enquanto o setor quebra. Como o comitê gestor não formula editais nem providencia a gestão dessa verba, a Ancine resolveu formular sua própria política para o dinheiro, propondo emprestar à juros para cineastas e produtores. O dinheiro, que deveria servir como investimento em fomento, viraria assim instrumento bancário. Só que até esse desvio de objeto – pode chamar de acinte – precisaria de aval do comitê gestor… Enquanto isso, a indústria segue quebrando, porque subestima Bolsonaro. Muitos ainda acham que é possível argumentar com o governo do “e daí?”. Já deveria ser evidente que o FSA só será liberado por via judicial.
Petra Costa diz que coronavírus revela “ódio pela humanidade” de alguns políticos
A cineasta Petra Costa, indicada ao Oscar 2019 pelo documentário “Democracia em Vertigem”, apresentou uma masterclass de três horas em streaming no festival de cinema suíço Visions du Reél, na quinta-feira (30/4), em que falou de seu próximo projeto, o documentário “Distopia”, sobre as consequências da pandemia do novo coronavírus. Falando sobre o aspecto político da covid-19, ela diz ter constatado que a doença deixou claro o fascismo de alguns líderes políticos, especialmente no Brasil. “Eu acho que a pandemia revela muito do que não era óbvio para todos: essa retórica fascista estava escondida atrás da retórica do ódio pelo diferente, pela esquerda, pelo Partido dos Trabalhadores, pelos artistas, gays, mulheres”, opinou a cineasta, em registro da revista Variety. “O que o coronavírus mostra é que se trata de um ódio pela humanidade. Um desejo por morte”, apontou. O novo filme de Petra Costa, cujo título veio à tona na palestra, é um filme sobre o isolamento social a partir do ponto de vista da população brasileira, conforme atravessa o atual período. Para reunir as imagens, ela fez um pedido em suas redes sociais para que pessoas de todo o país encaminhassem vídeos com seus cotidianos e testemunhos da pandemia. “Estamos coletando narrativas e perspectivas de várias pessoas sobre suas quarentenas. Eu convido a qualquer um que queira compartilhar suas imagens e vamos pagar por tudo caso as utilizemos. Adoraríamos compor um mosaico com as mais variadas visões”, ela explicou. Contatos e vídeos devem ser encaminhados para o email dystopia@buscavidefilmes.com. A tendência é que o resultado seja tão polarizador quanto “Democracia em Vertigem”, pois o Brasil jamais deixou de lado a polarização desde o Impeachment de Dilma Rousseff, culminando na eleição de Jair Bolsonaro à presidência. Na palestra, Petra explicou que “Democracia em Vertigem” foi resultado de seu tempo. “O filme só poderia ser polarizador porque o que aconteceu era polarizador. Construíram um muro em frente ao Congresso. Qualquer filme sobre o que aconteceu no Brasil nos últimos cinco anos seria polarizador”, explicou. “Eu já estava lidando com essa divisão dentro da minha própria família e como encontrava essa contradição do Brasil ali”, relembrou. Sobre a possibilidade de uma continuação de seu documentário mais famoso e premiado, Petra deixou a questão em aberto. “É algo que me assombra também. Não tenho resposta para isso ainda”, admitiu.
Após Big Brother, Babu Santana vai aparecer em quatro filmes e planeja dirigir documentário
O ator Babu Santana (“Tim Maia”) revelou numa live no Instagram seus próximos projetos após a popularidade conseguida no “Big Brother Brasil” – ou “BBB 20”. Para começar, ele vai aparecer em quatro longas inéditos, que já tinha filmado antes de entrar no reality show da Globo. São eles: “Intervenção”, um filme de ação previsto para estrear em 10 de setembro, a comédia “Quatro Amigas numa Fria”, em que faz apenas uma participação, “Suburbanos: O Filme”, versão de cinema para a série do Multishow, e “Oeste Outra Vez”, um western alternativo que ele terminou de rodar em setembro do ano passado. Mas para seu próximo projeto, quer também dirigir. Babu pretende se unir ao amigo Luciano Vidigal, que é ator, cineasta e professor de teatro do Nós do Morro, grupo que o revelou, para realizar um documentário. A ideia é rodar de carro pelo Brasil atrás de suas raízes, buscando encontrar seus parentes de raízes africanas e origens indígenas. Ele aproveitou a live, que reuniu 40 mil pessoas, para pedir apoio da Fiat na empreitada. “Quero rodar o Brasil de Toro”, disse o ator, em referência ao carro que ganhou da montadora após sair do programa.
Vida de Mauricio de Sousa vai virar filme
A vida de Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica, vai virar filme, com produção e direção de Pedro Vasconcelos (de “Fala Sério, Mãe!”). O roteiro será inspirado na autobiografia “Maurício – A História Que Não Está no Gibi”, lançada em 2017 e que homenageia os 60 anos de carreira do artista. Assim como o livro, o filme deve fazer um longo passeio pela história de Maurício, indo desde a infância humilde em Mogi das Cruzes, quando ele descobriu a paixão pelos quadrinhos após encontrar um gibi em uma lata de lixo, a época em que atuou como repórter policial, o início da carreira de desenhista, o lançamento da tirinha de Bidu, a inspiração nos filhos para criar novos personagens, o estouro da Mônica e assim por diante, até os dias atuais, com o sucesso de seu próprio estúdio, Maurício de Sousa Produções, que além de quadrinhos produz séries e filmes baseados em seus personagens. O elenco ainda não foi escalado, mas a expectativa de lançamento do filme é apenas para 2023.
Rubem Fonseca (1925 – 2020)
O escritor Rubem Fonseca morreu na tarde desta quarta (15/4). Ele sofreu um infarto no horário do almoço e foi levado às pressas para o Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, onde veio a falecer. Autor de alguns dos livros mais emblemáticos da literatura brasileira e diversos roteiros de cinema, ele completaria 95 anos em maio. Nascido em 1925, em Juiz de Fora, Minas Gerais, Rubem Fonseca se mudou para o Rio ainda criança. Formado em Direito, tornou-se comissário em um Distrito Policial do bairro de São Cristóvão, uma vivência que o inspirou a se tornar o maior escritor do gênero policial no Brasil. Ele tinha 38 anos quando publicou o primeiro livro, a coletânea de contos “Os Prisioneiros” (1963), saudada como “revelação do ano” pelo Jornal do Brasil. Outras antologias, como “A Coleira do Cão” (1965) e “Lúcia McCartney” (1967) se seguiram, reinventando a narrativa policial, ao incluir em suas tramas as rápidas e brutais transformações das grandes metrópoles brasileiras. O ápice desse estilo se deu em “Feliz Ano Novo” (1975), que chegou a ser proibido pela ditadura militar por se basear num tripé de sexo, violência e conflitos de classes. Após superar a censura, sua fama de proibidão ajudou a torná-lo um dos maiores best-sellers do escritor. Reconhecido como um dos principais contistas da literatura brasileira, Fonseca também assinou romances premiados. A estreia no gênero se deu com “O Caso Morel” (1973), rendeu o impactante “Bufo & Spallanzani” (1986) e atingiu o ápice com o icônico “Agosto” (1990), que tinha o suicídio de Getúlio Vargas como pano de fundo e a criatividade voraz de um marco literário. Muitos de seus livros viraram filmes e séries, e o próprio escritor assinou algumas adaptações como roteirista, a começar por “Lúcia McCartney, Uma Garota de Programa” (1971), dirigida por David Neves. A mesma história, baseada em seu livro de 1967, virou série em 2016. Com “Relatório de um Homem Casado” (1974), iniciou grande amizade com Flávio Tambellini, que no ano seguinte rendeu seu primeiro roteiro original, “A Extorsão” (1975), escrito em parceira com o diretor, falecido logo após o lançamento. Rubem também trabalhou com o filho do cineasta, Flávio Ramos Tambellini, na adaptação de seu livro “Bufo & Spallanzani” (2001). O escritor assinou o roteiro original de “Stelinha” (1990), de Miguel Faria Jr., que venceu o Festival de Gramado, e estreou na TV com a adaptação de “Mandrake” (1983), telefilme produzido pela Globo com direção de Roberto Farias. Esta história ainda inspirou a série de mesmo nome, sobre um advogado do submundo carioca, vivido por Marcos Palmeira na HBO, entre 2005 e 2007. Um de seus maiores sucessos cinematográficos foi a adaptação de “A Grande Arte” (1991), que ele próprio escreveu para o diretor Walter Salles. Mas após trabalhar com alguns dos principais nomes do cinema brasileiro, o escritor foi encontrar seu grande parceiro das telas em sua própria casa: seu filho, o diretor José Henrique Fonseca. Os dois adaptaram “Agosto” numa minissérie da Globo em 1993 e trabalharam juntos na estreia de José Henrique no cinema, no violento “O Homem do Ano” (2003), roteirizado por Rubem, que pela primeira vez adaptou a obra de outro autor – Patrícia Melo – , e estrelado pela nora do escritor, Claudia Abreu. José Henrique também comandou as adaptações de “Mandrake” e “Lúcia McCartney” em séries. Outras obras adaptadas do escritor ainda incluem os longas “O Cobrador” (2006), dirigido pelo mexicano Paul Leduc, “O Caso Morel” (2006), de Sheila Feitel, e “Axilas” (2016), filme derradeiro do angolano José Fonseca e Costa. Curiosamente, a última contribuição de Fonseca para as telas foi também sua única telenovela. Ele concebeu a história original de “Tempo de Amar” com sua filha, a também escritora Bia Corrêa do Lago, que foi exibida com grande sucesso pela rede Globo, entre 2017 e 2018. Rubem Fonseca não concedia entrevistas há mais de 50 anos e sua reclusão ganhou ares de folclore. Mas ele não se impunha um auto-isolamento social. Segundo a filha, o objetivo de não ter o rosto fotografado ou exibido na TV era poder caminhar à vontade pelas ruas do Leblon. “Meu pai diz que a vantagem de não ser uma pessoa conhecida é poder olhar as coisas sem ser incomodado. Para ele, o escritor tem que observar, não ser observado”, contou ela em uma entrevista de 2015, quando o pai completou 90 anos. O escritor continuou ativo até o fim da vida, tendo publicado cinco livros de contos na década passada.
Ricos de Amor: Comédia romântica com Giovanna Lancellotti ganha trailer
A Netflix divulgou o pôster e o trailer de “Ricos de Amor”, comédia romântica brasileira estrelada por Danilo Mesquisa (“Spectros”) e Giovanna Lancellotti (“Tudo por um Pop Star”). Na trama, o jovem Teto (Danilo Mesquita) é filho do poderoso Teodoro (Ernani Moraes), um empresário bem-sucedido conhecido como “O Rei do Tomate”. Teto leva uma vida de playboy até conhecer Paula (Giovanna Lancellotti), uma estudante de medicina que luta por sua própria independência. E para conquistá-la, mente sobre as suas origens e acaba se atrapalhando para manter a farsa de ser pobre. A prévia também mostra o DJ Alok, em participação especial no filme, interpretando a si mesmo. O elenco ainda inclui Fernanda Paes Leme, Lellê, Bruna Griphao, Jeniffer Dias e Jaffar Bambirra. Dirigido por Bruno Garotti (“Cinderela Pop”), “Ricos de Amor” estreia em 30 de abril na plataforma.
Rainha: Vida de Xuxa vai virar filme
A vida da apresentadora Xuxa Meneghel vai virar filme. Segundo a coluna de Leo Dias, no UOL, a produção vai se chamar “Rainha”. De acordo com o colunista, o filme começará pela história de Dona Alda, mãe de Xuxa. Em fase de pré-produção, o longa tem boa parte de sua equipe formada por estrangeiros, a maioria radicada em Los Angeles. A produção, que ainda não tem previsão de estreia, será a primeira biografia de Xuxa em qualquer mídia. Até então, ela não aceitava qualquer tipo de proposta de biografia, escrita ou filmada, por focar demais em sua vida pessoal. Esta história teria outra abordagem. Isto é, tende a ser chapa branca. Xuxa, que viveu o auge de sua carreira nos anos 1980, comemora 57 anos nesta sexta-feira (27/3).
Festival É Tudo Verdade começa sua primeira edição digital
Ao completar 25 anos, o maior festival de documentários do país, o É Tudo Verdade, deu início nesta quinta (26/3) à sua primeira edição digital. Em comunicado, a produção do evento afirmou que o festival “reformulou seu programa original, diante das restrições radicais de mobilidade e do fechamento das salas de cinema e centros culturais em suas sedes em São Paulo e no Rio de Janeiro”. Com isso, o É Tudo Verdade foi dividido em duas etapas. Na primeira fase, os documentários ficarão disponíveis em um festival digital até o dia 5 de abril nos sites do Itaú Cultural, Canal Brasil Play e Spcine Play. “Em setembro, a segunda fase apresentará a vigorosa produção inédita selecionada para as mostras competitivas brasileira e internacional e programas fora de concurso”, informa o evento. Dos 83 longas, médias e curtas-metragens previstos para a programação oficial, 30 poderão ser acessados pela internet. O Itaú Cultural, por exemplo, disponibiliza a série “A Herança da Coruja”, do francês Chris Marker, o ciclo A Situação Cinema, com cinco longas brasileiros sobre o setor audiovisual, e quatro obras (três longas e um curta) da mostra Os Primeiros Premiados, que relembra a primeira edição do festival. O Spcine Play vai abrigar a mostra As Diretoras no É Tudo Verdade, com dez longas dirigidos por mulheres, já exibidos em edições passadas do evento, além de oito títulos (três longas e cinco curtas) da seção Ano 1, que relembra a edição inaugural de 1996, e dois documentários sobre José Mojica Marins, o Zé do Caixão, morto no mês passado. Para completar, o Canal Brasil Play programou as duas temporadas da série “Cineastas do Real”, que reúne 26 entrevistas com documentaristas brasileiros realizadas por Amir Labaki, fundador do É Tudo Verdade. O acesso a todos os conteúdos é gratuito.
Kleber Mendonça Filho disponibiliza seu primeiro longa-metragem de graça na internet
O diretor Kleber Mendonça Filho (“Bacurau”) resolveu disponibilizar gratuitamente seu primeiro longa, “Crítico” (2008), na plataforma de vídeos Vimeo. Ele fez o anúncio pelo Twitter, incluindo ainda um trailer da produção. Tecnicamente, “Crítico” (2008) não é o primeiro filme do diretor, que começou sua carreira em 1997, dirigindo curta-metragens. “Crítico” foi seu primeiro longa-metragem, mas não é uma obra de ficção. Trata-se de um documentário, realizado ao longo de nove anos, que reúne depoimentos de 70 críticos e cineastas sobre o cinema. Mendonça Filho ainda comentou as condições em que seu o filme foi lançado. “‘Crítico’ só poderia ter sido feito num momento do país onde filmes eram considerados trabalho e colaboração real com a cultura. Fomos pagos mínima e dignamente”. “Esse filme tem momento que eu registrei no Copacabana Palace onde colega jornalista fala com Samuel L. Jackson achando que era Laurence Fishburne. Jackson olha pra mim e diz “Tá vendo? Isso sempre acontece!”, completou. A obra foi um passo importante na carreira do diretor, que fez seu primeiro longa de ficção, “O Som ao Redor”, em 2012, e com apenas mais dois filmes – “Aquarius” e “Bacurau” – tornou-se um dos cineastas brasileiros de maior reconhecimento internacional. Abri Grátis no Vimeo CRÍTICO (2008) meu 1o filme. 9 anos entrevistando cineastas e críticos em +10 países, um filme bem pequeno e roots mas q com o passar do tempo guarda registros curiosos sobre o Cinena. O trailer é esse e o link está aqui: https://t.co/KAWRSfq8qV. Enjoy✌🏼 pic.twitter.com/2lfmgv3aEK — Kleber Mendonça Filho (@kmendoncafilho) March 25, 2020
A Vida Invisível e Democracia em Vertigem são indicados ao Prêmio Platino
Mesmo com o cancelamento da cerimônia deste ano, o Prêmio Platino, premiação do cinema Ibero-Americano, manteve o anúncio de seus indicados a melhores artistas e filmes do ano passado, destacando produções espanholas. A 7ª edição da premiação valorizou “La Trinchera Infinita”, do trio Aitor Arregi, Jon Garaño e Jose Mari Goenaga, como candidato ao maior número de prêmios, concorrendo em oito categorias. Ele é seguido por “Dor e Glória”, de Pedro Almodóvar, e “Mientras Dure la Guerra”, de Alejandro Amenábar, que disputam sete troféus. Dois longas de diretores brasileiros, “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz, e “Monos”, de Alejandro Landes, que é radicado na Colômbia, disputam o prêmio de Melhor Filme com “La Trinchera Infinita” e “Dor e Glória”. A seleção nacional também inclui Carol Duarte, indicada ao prêmio de Melhor Atriz por “A Vida Invisível”, o longa “A Cidade dos Piratas”, de Otto Guerra, como Melhor Animação, e “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, como Melhor Documentário. De acordo com os organizadores da premiação, os indicados aforam escolhidos por um júri internacional composto por 12 personalidades da indústria audiovisual ibero-americana. Mas apesar da divulgação da lista, ainda não há previsão para a realização do evento. A cerimônia estava marcada para 3 de maio no Barceló Maya Convention Center, em Riviera Maya (México). Porém, na semana passada, a Entidade de Gestão dos Direitos dos Produtores Audiovisuais (Egeda) e a Federação Ibero-Americana de Produtores de Cinema e Audiovisual (Fipca), que organizam a premiação, anunciaram que ela não aconteceria neste ano. Os troféus só deverão ser entregues em 2021, devido à crise global desencadeada pela pandemia do novo coronavírus.
Suspenso pelo coronavírus, festival É Tudo Verdade disponibilizará 30 filmes online
Assim como as estreias de cinema, teatro e os shows, festivais e grandes eventos também foram cancelados ou adiados no Brasil devido a pandemia de coronavírus. Entre eles está o maior festival de documentários do país, o É Tudo Verdade, que na semana que vem comemoraria 25 anos. Previsto para 26 de março, o É Tudo Verdade foi adiado para o final de setembro. Mas a data original será aproveitada para o lançamento de um mini-festival online, com diversos títulos da seleção deste ano disponibilizados na internet, numa parceria com Itaú Cultural, Spcine Play e Canal Brasil Play. Dos 83 longas, médias e curtas-metragens previstos para o evento, 30 poderão ser acessados pela internet entre 26 de março e 5 de abril, período em que o festival seria realizado. O Itaú Cultural, por exemplo, disponibiliza a série “A Herança da Coruja”, do francês Chris Marker, o ciclo A Situação Cinema, com cinco longas brasileiros sobre o setor audiovisual, e quatro obras (três longas e um curta) da mostra Os Primeiros Premiados, que relembra a primeira edição do festival. O Spcine Play vai abrigar a mostra As Diretoras no É Tudo Verdade, com dez longas dirigidos por mulheres, já exibidos em edições passadas do evento, além de oito títulos (três longas e cinco curtas) da seção Ano 1, que relembra a edição inaugural de 1996, e dois documentários sobre José Mojica Marins, o Zé do Caixão, morto no mês passado. Por fim, o Canal Brasil Play programa duas temporadas da série “Cineastas do Real”, que reúne 26 entrevistas com documentaristas brasileiros realizadas por Amir Labaki, fundador do É Tudo Verdade. O acesso a todos os conteúdos é gratuito.
Em meio à quebradeira do audiovisual, Ancine passa a exigir bandeiras brasileiras em filmes
O audiovisual brasileiro, que já estava em crise devido à falta de ações do governo Bolsonaro, teme a maior quebradeira de todos os tempos no setor. E a Ancine parece não se importar. As principais entidades representantes do audiovisual brasileiro se reuniram em meio à crise causada pela pandemia coronavírus, para protocolar um ofício às autoridades pedindo medidas emergenciais de socorro. O documento enfatiza que a interrupção da produção audiovisual no país pode levar centenas de milhares de trabalhadores da área (artistas, produtores e técnicos) a entrar em situação de vulnerabilidade social e econômica. O texto é endereçado ao Congresso, aos ministérios da Economia e do Turismo, à secretaria Especial da Cultura e à Ancine (a a Agência Nacional do Cinema), entre outros. As entidades clamam por medidas de contenção de danos e de reativação do setor que só dependem de botar em prática ações previstas desde 2018, mas que ainda não ocorreram, levando a uma paralisação do setor antes mesmo da pandemia de covid-19. Desde que Jair Bolsonaro assumiu a presidência, nenhum dinheiro foi liberado para novos projetos do audiovisual brasileiro, criando uma situação ainda mais grave para os profissionais desse segmento – que gera mais de 300 mil empregos diretos e indiretos. “É notório saber que a paralisação imposta ao setor já gerou danos imensos ao longo dos meses. Agora estamos em calamidade”, afirmou Cíntia Domit Bittar, diretora da Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro (API). Entre as medidas pedidas, está a liberação imediata dos recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) de 2018 para projetos já contratados — recursos esses que já estão disponíveis, mas travados. Pedem também que a Ancine prorrogue por no mínimo 12 meses todos os prazos para a execução dos projetos contemplados com dinheiro público. Ao mesmo tempo, a Ancine publicou uma nova medida nesta quinta-feira (19/3) no Diário Oficial da União, que acabou soando como deboche. Decisão de reunião da diretoria colegiada tornou obrigatória a inclusão da bandeira do Brasil em projetos audiovisuais financiados com dinheiro público. A não aplicação das novas disposições da norma será “considerada contravenção sujeita à multa”, de acordo com o texto. Nenhuma medida de emergência para salvar a indústria cinematográfica brasileira foi anunciada, provavelmente sob orientação do governo que, até a semana passada, considerava a pandemia de coronavírus uma “histeria” exagerada pela mídia alarmista. Em comunicado, a Ancine informou que ainda “estuda a adoção de medidas de caráter geral”. Mas “desde logo enfatiza que todos os casos serão analisados individualmente, inclusive para efeito de uma eventual suspensão de prazos ou afastamento de responsabilidade”. Proveniente do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual), a verba do setor correspondia a mais de R$ 700 milhões em 2018 e está completando aniversário de 15 meses parada, após ser cobrada por meio de taxação do setor audiovisual e não liberada por parte da Ancine. O valor arrecadado em 2019, por sua vez, nem sequer começou a ser mencionado.
Semana marca início de meses sem estreias de cinema
Pela primeira vez, a semana não trará novos filmes aos cinemas brasileiros. Como precaução contra a pandemia do coronavírus, as distribuidoras cancelaram todas as estreias previstas para esta quinta-feira (19/3). Embora ainda existam salas abertas, especialmente em shoppings, alguns locais, como Rio de Janeiro, Brasília, Salvador e Campo Grande já fecharam seus cinemas. Além disso, algumas empresas optaram por se antecipar às decisões dos governos estaduais, baixando as portas por conta própria. Em São Paulo, o Espaço Itaú de Cinema, Petra Belas Artes e Cinesala anunciaram na segunda (16/3) a decisão de suspender suas atividades por tempo indeterminado. Já as grandes redes, como UCI, Cinepólis e Cinemark dizem seguir as orientações da Feneec (Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas), que não preveem alterações e restrições no funcionamento das salas. O Feneec pede que os governos estatuais tomem suas decisões. Mas, sem lançamentos, as salas devem ter pouca lotação e diminuir o perigo de contaminação por coronavírus. Entre os títulos que chegariam às telas nesta quinta estava “Um Lugar Silencioso – Parte 2”, sequência do terror que surpreendeu nas bilheterias em 2018. A suspensão da estreia foi uma decisão mundial do estúdio Paramount, que vale para todos os países. Mas até produções nacionais tiveram suas exibições adiadas. Originalmente previsto para esta quinta, o filme “Três Verões”, que rendeu a Regina Casé o prêmio de Melhor Atriz no Festival do Rio, foi adiado indefinidamente, assim como os lançamentos de “A Menina que Matou os Pais” e “O Menino que Matou Meus Pais”, sessão dupla sobre o crime de Suzane von Richthofen, que deveria chegar às telas no próximo fim de semana. Por sinal, as próximas semanas devem ser iguais, sem lançamentos, até a crise de saúde entrar em curva descendente – o que vai demorar meses. Considerando as projeções apresentadas pelo Ministério da Saúde, a normalização só deve acontecer na primavera, se nenhuma surpresa desagradável acontecer.












