Filmes online: O melhor da Netflix, Amazon, HBO Max e VOD pro fim de semana
Com lançamentos fortes em streaming, o fim de semana reflete aumento das opções com a chegada da HBO Max e o acirramento da competição entre as plataformas. O serviço da Warner oferece, por sinal, um das melhores alternativas do cinema em casa. “Nem um Passo em Falso” traz o diretor Steven Soderbergh de volta aos golpes mirabolantes e as muitas reviravoltas da franquia “Onze Homens e um Segredo”. Com influência do cinema noir, a trama tem traição atrás de traição, envolvendo criminosos de todos os tipos e um grande elenco encabeçado por Don Cheadle (“Vingadores: Ultimato”) e Benicio Del Toro (“Sicario”). Na Amazon, a fanfarra se concentra na sci-fi “A Guerra do Amanhã”, estrelada por Chris Pratt (“Guardiões da Galáxia”), que cumpre seu papel, mas dá saudades das sutilezas de “Tropas Estelares” (1997). Trata-se de uma história básica de guerra contra alienígenas para salvar o planeta, com o diferencial de que a humanidade precisa viajar no tempo para travar a luta no futuro. “Rua do Medo”, a aposta da Netflix, é bastante ambiciosa: uma trilogia de terror lançada durante três fins de semana consecutivos. E a primeira parte tem tudo para agradar aos fãs do gênero. Nem parece se inspirar numa obra infanto-juvenil – a famosa coleção literária de mesmo nome escrita por R.L. Stine, o “Stephen King das crianças”, que criou “Goosebumps”. Passado em 1994, o longa também é uma boa homenagem ao gênero slasher, dos psicopatas mascarados. Fãs de terror têm mais duas sugestões para conferir em locação digital nos serviços de VOD: a forte antologia “Maratona do Terror”, com vários sustos, e o surpreendente “Shirley”, em que Elisabeth Moss (“The Handsmaid’s Tale”) interpreta a escritora Shirley Jackson, autora de “A Assombração da Casa da Colina” (The Haunting of Hill House), best-seller de 1959 que inspirou a série da Netflix batizada no Brasil de “A Maldição da Residência Hill”. A história de suspense é supostamente baseada num caso real. A lista também destaca animações de talentos brasileiros. Mas enquanto “Miuda e o Guarda-Chuva”, de Amadeu Alban, é uma unanimidade para crianças de todas as idades, “America: The Motion Picture”, que é parcialmente animada pelo Combo Studio, tende a dividir opiniões ao mostrar a luta pela independência dos EUA como uma história de super-heróis patrióticos engraçadinhos. Tem mais, inclusive um documentário premiado. Confira abaixo a seleção (com os trailers) dos 10 melhores filmes disponibilizados em streaming nesta semana. Nem um Passo em Falso | EUA | Suspense (HBO Max) A Guerra do Amanhã | EUA | Sci-Fi (Amazon Prime Video) Rua do Medo: 1994 | EUA | Terror (Netflix) Shirley | EUA | Suspense (Apple TV, Google Play, NOW, Vivo Play) Maratona do Terror | EUA | Terror (Apple TV, NOW, Vivo Play) Memórias de um Amor | Reino Unido | Drama (Apple TV, Google Play, Looke, Vivo Play, YouTube Filmes) Minhas Férias com Patrick | França | Comédia (Apple TV, Google Play, Now, Vivo Play, YouTube Filmes) Miuda e o Guarda-Chuva | Brasil | Animação (Apple TV, Google Play, Now, Vivo Play, YouTube Filmes) America: The Motion Picture | EUA | Animação (Netflix) Três Estranhos Idênticos | Reino Unido, EUA | Documentário (Netflix)
Wagner Moura vira membro da Academia do Oscar
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA, responsável pela premiação do Oscar, anunciou ter convidado 395 artistas e executivos a ingressar em seus quadros neste ano – cerca de metade do número da turma do ano passado. A classe de 2021 inclui alguns brasileiros, como o ator Wagner Mora (que também dirigiu “Marighella”), o diretor de fotografia João Atala (“Democracia em Vertigem”), a editora Karen Akerman (“A Febre”) e os produtores Paula Barreto (“Lula, o Filho do Brasil”), Fabiano Gullane (“Babenco: Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer Parou”) e Andrea Barata Ribeiro (“Marighella”). A lista completa se divide numa composição de 46% de mulheres, 39% de comunidades étnicas/raciais sub-representadas e 53% de representantes internacionais de 49 países fora dos Estados Unidos. Ao todo, 89 dos convidados já receberam indicação ao Oscar, incluindo 25 vencedores. Os nomes mais conhecidos são astros como Robert Pattinson (o novo Batman), Leslie Odom Jr (“Uma Noite em Miami”), Andra Day (“Estados Unidos vs. Billie Holiday”), Steven Yeun, Ye-ri Han e Yuh-Jung Youn (os três por “Minari”), além de cineastas como Lee Isaac Chung (também de “Minari”), Emerald Fennell (“Bela Vingança”), Shaka King (“Judas e o Messias Negro”), Florian Zeller (“O Pai”) e Craig Brewer (“Meu Nome É Dolemite”). Os novos membros vão votar com os cerca de 8 mil artistas, técnicos e executivos que integram a Academia para eleger os premiados do Oscar 2022.
“Os Croods 2” é a principal estreia de cinema da semana
A animação “Os Croods 2: Uma Nova Era” é a principal estreia da semana, chegando a quase 700 cinemas brasileiros sete meses após seu lançamento nos EUA. A crítica americana achou melhor que o primeiro (76% de aprovação no Rotten Tomatoes) e, com US$ 171 milhões arrecadados em todo o mundo, chegou até a ser considerado um dos raros sucessos da pandemia. E é mesmo bem divertido. Na trama, a família cro-magnon original encontra a primeira família metrossexual (ou neolítica), que é bem mais avançada, com conhecimentos agrícolas, mas também preocupações com a aparência – da barba hipster bem cultivada aos chinelos de estilo havaianas. A versão em português traz as vozes de Juliana Paes e Rodrigo Lombardi, enquanto a dublagem original em inglês volta a reunir o elenco formado por Nicolas Cage (“A Cor que Caiu do Espaço”), Emma Stone (“La La Land”), Ryan Reynolds (“Deadpool”), Catherine Keener (“Corra!”), Clark Duke (“A Ressaca”) e Cloris Leachman (“Eu Só Posso Imaginar”) em seu último papel, como a vovó. As novidades ficam por conta de Peter Dinklage (“Game of Thrones”), Leslie Mann (“Não Vai Dar”) e Kelly Marie Tran (“Star Wars: Os Últimos Jedi”) como os dubladores da família Betterman (ou, em português, os Bem Melhores). Escrito pelos irmãos Dan e Kevin Hageman (roteiristas de “Hotel Transilvânia” e “Uma Aventura Lego”), o filme marca a estreia na direção de Joel Crawford, que trabalhou no departamento artístico dos três “Kung Fu Panda” e “Uma Aventura Lego 2”. A programação alternativa consiste apenas de um documentário sobre a trajetória do grupo musical Rumo, um dos destaques da chamada Vanguarda Paulistana dos anos 1980, que marcou época entre elogios da crítica e premiações. Confira os trailers abaixo. Os Croods 2: Uma Nova Era | EUA | Animação Rumo | Brasil | Documentário
Walter Salles vai filmar “sumiço” de Rubens Paiva pela ditadura militar
O diretor Walter Salles vai voltar a dirigir um filme passado no Brasil, 13 anos depois de seu último filme de temática nacional, “Linha de Passe” (2008). Segundo o site americano Deadline, o cineasta brasileiro vai adaptar “Ainda Estou Aqui”, livro de Marcelo Rubens Paiva sobre a luta de sua mãe, Eunice Silva, contra a ditadura militar que matou e sumiu com seu pai. O papel principal será interpretado pela atriz Mariana Lima (“Onde Está Meu Coração”). Eunice era uma dona de casa que se viu forçada a se tornar ativista política quando o marido, o deputado Rubens Paiva, foi preso e sofreu sumiço durante a custódia do regime militar. Na época, Marcelo tinha 11 anos e Salles, amigo da família, observou toda a dor dos Paiva de perto. Essa proximidade também serviu de inspiração para o desenvolvimento do projeto. “A maioria dos meus projetos pessoais exigia processos de desenvolvimento muito longos, ‘Central do Brasil’, que foi de cinco anos, e ‘Diários de Motocicletas’, quatro”, disse Salles ao site. “Nenhum levou tanto tempo quanto esse que eu, em parte, era testemunha quando tinha 13 anos”. “Um dia, o inesperado aconteceu quando o pai foi levado para o quartel-general militar para um interrogatório. Ninguém naquele momento sabia que era a última vez que o veriam. Isso coincidiu com um momento desse regime totalitário brasileiro, onde as coisas começaram a se tornar extremamente violentas, e onde houve censura e tortura”, explicou o diretor. Sobre a escolha de Mariana, Salles explica que procurava um papel para ela em seus filmes há algum tempo: “Mariana é uma atriz de teatro extraordinária e uma das atrizes de cinema mais sensíveis de sua geração no Brasil. Conversamos sobre trabalharmos juntos, mas esperei para encontrar o papel que pudesse realmente se beneficiar de seu extraordinário talento para dar à luz a essa personagem”. O roteiro da adaptação está a cargo de Murilo Hauser (“A Vida Invisível”) e as filmagens devem começar no início de 2022 com financiamento da Library Pictures International e distribuição internacional da produtora francesa Wild Bunch.
“Velozes e Furiosos 9” ocupa 90% dos cinemas brasileiros
O lançamento de “Velozes e Furiosos 9” deve ocupar 90% das salas de cinema do país nesta quinta (24/6), num cenário que resume tanto a ansiedade do circuito por um blockbuster capaz de trazer o público de volta quanto o abandono de qualquer vestígio de regulamentação do mercado pela Ancine. Dirigido por Justin Lin, que retorna à saga após um hiato de dois filmes, o longa tem algumas das cenas mais mirabolantes de toda a franquia. Com 65% de aprovação no Rotten Tomatoes, agradou menos que os anteriores, mas mesmo assim vem fazendo sucesso entre o público, já tendo faturado US$ 300 milhões no mercado internacional. Os fãs parecem não se cansar das manobras fisicamente impossíveis e dos enredos absurdos. Desta vez, um personagem tido como morto aparece como se nada tivesse acontecido, o vilão é um irmão do protagonista, que ninguém tinha mencionado nos oito longas anteriores, e os personagens saem em disparada até na Lua! A principal novidade é justamente a introdução de John Cena (“Bumbleblee”) como o vilão da vez, que também é o irmão-surpresa de Dominic Toretto, vivido por Diesel. Outro destaque é a presença de Anitta na trilha sonora – que rendeu até capa na revista Billboard para a brasileira. No circuito limitado, a principal estreia é “Os Melhores Anos de uma Vida”, terceiro filme de Claude Lellouch com os personagens de “Um Homem, uma Mulher”, cult romântico de 1966, que volta a reunir os atores Jean-Louis Trintignant e Anouk Aimée. A programação se completa com três dramas brasileiros: “Noites de Alface”, primeiro longa de Zeca Ferreira, que desenvolve um mistério em torno do envelhecimento e a solidão, “Anna”, de Heitor Dhalia (“Tungstênio”), sobre a obsessão de um diretor teatral com uma montagem de Shakespeare, e “4×100 – Correndo por um Sonho”, de Tomas Portella (“Operações Especiais”), fábula de união e superação esportiva que acabou atropelada pela realidade – não houve Olimpíada em 2020 e o lançamento do próprio filme, feito em 2019, foi adiado pela pandemia. Veja abaixo os trailers dos cinco lançamentos de cinema da semana. Velozes e Furiosos 9 | EUA | Ação Os Melhores Anos de uma Vida | França | Drama Noites de Alface | Brasil | Drama Anna | Brasil | Drama 4×100 – Correndo por um Sonho | Brasil | Drama
Brasileiro “A Última Floresta” vence prêmio do público do Festival de Berlim
O público do Festival de Berlim celebrou a qualidade do cinema brasileiro neste domingo (20/6) com a premiação de “A Última Floresta”, de Luiz Bolognesi, com o troféu de Melhor Filme da Mostra Panorama. O longa nacional disputava com 15 produções de diferentes países e se provou o favorito dos frequentadores da Berlinale, que este ano se dividiu em duas fases devido à covid-19. Por causa da pandemia, a 71ª edição do tradicional festival alemão teve uma primeira mostra virtual em março, exclusiva para o júri e a crítica, que consagrou o romeno “Bad Luck Banging or Loony Porn”, de Radu Jude, com a Palma de Ouro, e uma “mostra de verão”, com as primeiras exibições públicas dos filmes selecionados durante este mês de junho. Escrito por Bolognesi em parceria com o xamã Davi Kopenawa, “A Última Floresta” mostra a luta dos yanomamis no Norte da Amazônia contra o avanço criminoso dos garimpeiros sobre suas terras. “O prêmio é extremamente importante para chamar atenção para esse genocídio indígena que está acontecendo no Brasil”, comentou Bolognesi à imprensa em Berlim, registrado por “O Globo”. “No momento, os yanomamis estão sob ataque de garimpeiros. Já foram três aldeias atacadas com tiros e bombas, e o governo não toma as medidas legais para retiriar os garimpeiros invasores e nem sequer proteger os indígenas”, denunciou. A narrativa, porém, combina denúncia social com o universo mágico dos yanomani, que acreditam que o mundo dos sonhos é real. Com isso, muitas cenas aludem à crenças e explicitam a agonia de um povo dividido entre as tradições e o perigo de mantê-las diante de um inimigo perigoso. “A Última Floresta” foi o segundo filme de Bolognesi sobre a luta dos brasileiros nativos premiado no Festival de Berlim. Ele já tinha recebido uma uma menção honrosa em 2018 pelo documentário “Ex-Pajé”, que mostrou o drama de um líder indígena subjugado por religiosos evangélicos. O público votou em peso no filme brasileiro, que foi recebido com aplausos avassaladores, conforme o próprio diretor registrou em seu Instagram. E também na produção local “Mr. Bachmann and his class”, de Maria Speth, uma fábula de inclusão na qual uma professora carismática ajuda seus alunos, que vêm de diferentes países, a se sentirem em casa na Alemanha. “Mr. Bachmann” venceu o troféu do público entre os filmes da mostra principal. Segundo a Berlinale, 5.658 votos foram computados. A vitória de Luiz Bolognesi em Berlim aconteceu um dia após outra conquista importante do cinema brasileiro na Europa, com a premiação do longa animado “Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente”, de Cesar Cabral, no sábado (19/6) no Festival de Annecy, na França. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Luiz Bolognesi (@luizbolognesi66) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Luiz Bolognesi (@luizbolognesi66)
Animação de “Bob Cuspe” é premiada no Festival de Annecy
“Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente” foi premiado neste sábado (19/6) no Festival de Annecy, na França. O primeiro longa-metragem de Cesar Cabral, feito pela Coala Filmes de São Paulo, conquistou a láurea principal da seção Contracampo, destinada a obras mais ousadas, na edição de 60 anos do evento mais prestigioso do mundo para as produções animadas. O filme foi feito com bonecos ao longo de cinco anos, utilizando a técnica de stop motion (na qual objetos são fotografados quadro a quadro para passar a ilusão de movimento) e com a voz do ator Milhem Cortaz (“O Lobo Atrás da Porta”) no papel do punk de periferia dos quadrinhos de Angeli. O próprio Angeli aparece na trama, numa versão animada, disposto a dar a Bob Cuspe o mesmo fim da Rê Bordosa. Mas o punk não aceita a extinção (afinal, “punk’s not dead!”) e parte para um acerto de contas. A vitória é mais um reconhecimento ao talento brasileiro. Annecy, que é conhecido como uma espécie de Cannes da animação, e já consagrou várias obras brasileiras, como os longas “Uma História de Amor e Fúria” (2013), de Luiz Bolognesi, e “O Menino e o Mundo” (2014), de Alê Abreu. Também é um feito de resistência cultural no momento em que a Ancine e a Secretaria de Cultura promovem a maior paralisação de incentivos da história do cinema nacional. Não por acaso, a produtora Coala Filmes comemorou a vitória em seu Instagram com #forabolsonaro e #foragenocida. Veja abaixo. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Coala Filmes (@coalafilmes_)
Kleber Mendonça Filho entra em antologia francesa sobre sexo
O cineasta brasileiro Kleber Mendonça Filho (“Bacurau”) juntou-se a outros cinco diretores internacionais em “Shining Sex”, uma antologia francesa de curtas que tem como tema o êxtase sexual. Os demais integrantes do projeto são os franceses Lucile Hadzihalilovic (“Evolução”), Bertrand Mandico (“Os Garotos Selvagens”), o casal Hélène Cattet e Bruno Forzani (“Amer”) e o japonês Sion Sono (“Culpada por Romance”). O curta de Mendonça Filho deve representar o caso de amor entre duas pessoas que se entregam ao “prazer sensual” em um salão de dança no Brasil. A lista de histórias antecipadas também inclui a paixão de um jovem por uma sereia. A produção terá distribuição da empresa francesa Wild Bunch e foi anunciada no mercado paralelo de negócios do Festival de Cannes de 2021. Ainda em fase de desenvolvimento, o projeto não tem previsão de lançamento.
Estreias de cinema destacam terror, musical e cinema brasileiro
Os cinemas recebem seis lançamentos nesta quinta (17/6). “Espiral – O Legado de Jogos Mortais”, continuação da franquia “Jogos Mortais”, é o mais popular. O filme é o segundo desde o suposto “Final” da franquia e tem como curiosidade o fato de ser estrelado e produzido pelo comediante Chris Rock (“Lá Vêm os Pais”). Na trama, um serial killer sádico inspira-se em Jigsaw para levar adiante novos assassinatos brutais. O detalhe é que, desta vez, seus alvos são policiais. Já o melhor filme é “Em um Bairro de Nova York”, adaptação do espetáculo da Broadway “In the Heights” (título original), de Lin-Manuel Miranda (autor do fenômeno “Hamilton”). Trata-se de uma história romântica, que explora a experiência latina nos EUA sem uma cena sequer de violência – ao contrário de “Amor, Sublime Amor”, por exemplo. Focada no tema dos sonhos dos imigrantes, a trama otimista é contagiante e inspira cenas de tirar o fôlego. Mas seu apelo é menor do que acredita a Warner, porque traz cantoria do começo ao fim, o que exige um tipo especifico de público, acostumado com o teatro musical. A programação também coloca em cartaz dois dramas brasileiros. Vencedor de dois troféus em Gramado, “Veneza” tem direção de Miguel Falabella (“Polaróides Urbanas”) e Hsu Chien Hsin (“Quem Vai Ficar com Mário”) e conta a história de Gringa, uma cafetina que, na velhice, sonha reencontrar o único homem que amou. O título se refere à cidade italiana que seria o destino desse amor de juventude. A célebre atriz espanhola Carmen Maura (“Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”) vive a versão idosa de Gringa, enquanto Macarena García (“Branca de Neve”) interpreta a Gringa jovem. O filme ainda tem uma história de transfobia que contrasta com seu clima sonhador. Já “Helen” marca a estreia do diretor Andre Meirelles Collazzo e, apesar do título nomear uma menina que quer presentear a avó (a grande Marcelia Cartaxo), seu grande personagem é o bairro do Bixiga, em São Paulo. A lista se completa com o drama britânico “Algum Lugar Especial”, premiado no Festival de Varsóvia e feito para partir corações com sua história sobre um pai terminal (James Norton) que quer dar um futuro para o filho pequeno, e a comédia francesa “A Boa Esposa” em que Juliette Binoche (“Acima das Nuvens”) interpreta uma viúva antiquada, professora de prendas domésticas, que precisa virar uma mulher moderna para sobreviver. Em um Bairro de Nova York | EUA | Musical Espiral – O Legado de Jogos Mortais | EUA | Terror Veneza | Brasil | Drama Algum Lugar Especial | Reino Unido | Drama A Boa Esposa | França | Comédia Helen | Brasil | Drama
Julio Calasso (1941-2021)
O cineasta, ator e produtor musical Julio Calasso morreu na sexta-feira (11/6), aos 80 anos. A informação foi confirmada pela família, mas a causa da morte não foi divulgada. O artista paulistano trocou o curso de Filosofia pelos Teatros Oficina e Arena em 1964. Mas já no ano seguinte se encantou pelo cinema, iniciando a carreira como assistente de Geraldo Sarno no emblemático documentário “Viramundo”. Ele passou três anos trabalhando em produção, roteiro e edição na antiga TV Excelsior, de onde saiu para se tornar assistente de produção do clássico “O Bandido da Luz Vermelha”, de Rogério Sganzerla, marco do cinema marginal, no qual também estreou como ator. Seu passo seguinte foi escrever, produzir e dirigir seu próprio filme, “Longo Caminho da Morte”, em 1972. O longa narrava a vida e morte do Coronel Orestes (Othon Bastos), fazendeiro de café decadente, e antecipava temas como sustentabilidade, a falência da política e da vida no planeta. Foi selecionado para os festivais de Locarno e Nova Deli, mas acabou proibido de participar pela censura federal. A ditadura impediu que Calasso fosse mais apreciado, impactando sua carreira. Desencantado, ele abandonou a direção e até mesmo o cinema, virando produtor artístico de grupos musicais como Joelho de Porco, Novos Baianos, Sindicato e da carreira solo de Moraes Moreira. Até o dia em que recebeu convite para um pequeno papel em “O Vampiro da Cinemateca” (1977), de Jairo Ferreira. Voltou a ser convidado a atuar em “O Baiano Fantasma” (1984), de Denoy Oliveira, “Filme Demência” (1986), de Carlos Reinchenbach, “A Dama do Cine Shanghai” (1987), de Guilherme de Almeida Prado, e quando reparou já tinha virado ator de várias obras, com muitas outras pela frente. Paralelamente, o amor à sétima arte o levou a se tornar idealizador de mostras alternativas e itinerantes, como Cinema Bandido, Cinema de Invenção, Cinema Negro e Cine Teatro Brasil. Entre 1998 e 2007, finalmente voltou a pegar a câmera para começar a filmar imagens de espetáculos teatrais ousados, que resultaram em três documentários licenciados para a Sesc TV. Essa iniciativa foi a semente de sua volta à direção de cinema, com a obra “Plínio Marcos – Nas Quebradas do Mundaréu”, documentário lançado em 2015 com a participação de Neville d’Almeida e Tônia Carrero. Nos últimos anos, Colasso tinha sido descoberto pelas séries, integrando o elenco de “Unidade Básica” e “Me Chama de Bruna” (ambas em 2016). Entre seus últimos trabalhos, destacam-se ainda o filme “Estamos Juntos” (2011), de Toni Venturi, e a comédia “Fala Sério, Mãe!” (2017), de Pedro Vasconcelos, com a qual se despediu das telas.
“Três Verões” se destaca na pré-seleção do Prêmio Platino
O filme brasileiro “Três Verões”, de Sandra Kogut, tornou-se um dos principais concorrentes ao Prêmio Platino de Cinema Ibero-Americano deste ano, atingindo um total de sete indicações durante a fase de pré-seleção. A organização divulgou nesta sexta-feira (11/6) os filmes que concorrem à vagas nas categorias finais do prêmio, destacando também o drama colombiano “El Olvido que Seremos”, dirigido pelo veterano cineasta espanhol Fernando Trueba, que lidera a lista com 12 indicações. Entre os títulos mais nomeados também aparecem o argentino “Las Siamesas”, de Paula Hernández (com 8 indicações), o espanhol “Las Niñas” (com 6), de Pilar Palomero, e os mexicanos “El Baile de los 41”, de David Pablos, e “Ya No Estoy Aquí”, de Fernando Frias (com 5). Os números se referem a uma primeira triagem, que seleciona 20 candidatos para cada categoria. Ao todo, 141 filmes e séries foram listados na disputa. Eles deverão passar por nova triagem para resultar numa seleção final de 4 títulos por categoria. Os finalistas serão anunciados em breve. A cerimônia de premiação acontecerá no próximo dia 3 de outubro, no IFEMA Palacio Municipal de Madri, para distinguir os melhores filmes e séries do ano nos 23 países ibero-americanos. O Brasil está sendo representado na disputa das melhores séries pelas produções “Arcanjo Renegado”, da Globoplay, e “Bom Dia, Verônica”, da Netflix.
Facada em Bolsonaro vai virar filme
O cineasta Josias Teófilo, que estreou com o documentário “O Jardim das Aflições”, sobre o guru bolsonarista Olavo de Carvalho, vai lançar um curta-metragem sobre o atentado à faca contra Jair Bolsonaro em setembro de 2018, quando o capitão reformado ainda era candidato à presidência. A trama não será uma reprise de “Os 12 Macacos”, em que um homem considerado maluco era enviado no tempo para impedir um genocida de causar o apocalipse com um vírus contagioso, apenas para falhar na tentativa de matar seu alvo. Em vez disso, trata-se de um documentário com depoimentos de Carlos e Eduardo, filhos de Bolsonaro, além do deputado Gil Diniz e do advogado Victor Metta. O curta é resultado de sobras de outro trabalho. São imagens que não entraram na versão final do próximo documentário de Teófilo, “Nem Tudo se Desfaz”, sobre a ascensão de Bolsonaro, que deve ser lançado ainda neste ano.
Cinemas recebem animação, drama premiado e quatro filmes brasileiros
Os exibidores de cinema apostam em “Spirit – O Indomável” para manter a tendência de aumento no público durante mais um fim de semana. A produção da DreamWorks Animation tem a maior distribuição desta quinta (10/6), chegando a cerca de 300 salas. Infelizmente, também é uma das animações mais fracas do estúdio, uma reciclagem da reciclagem. O filme é uma adaptação da série “Spirit Riding Free” da Netflix, que por sua vez era inspirada no longa animado “Spirit: O Corcel Indomável” (2002). Só que a obra original, indicada ao Oscar, não tinha garotinhas galopando, mas índios. A nova versão troca o contexto histórico-cultural por uma trama com DNA de fábula de princesinha. Com direção de Elaine Bogan (“Como Treinar o Seu Dragão – A Série”) e do brasileiro Ennio Torresan (chefe de arte de “Abominável”), o longa acompanha a menina Lucky Prescott, que tem sua vida alterada para sempre ao se mudar da cidade grande para um pequeno vilarejo fronteiriço, onde se torna amiga de um cavalo selvagem chamado Spirit. Em circuito limitado, o destaque é “First Cow – A Primeira Vaca da América”, que só não apareceu no Oscar porque seu pequeno estúdio, A24, não tinha dinheiro para fazer campanha conjunta para dois títulos e optou por “Minari”. Mesmo assim, o novo longa da diretora Kelly Reichardt (“Certas Mulheres”) venceu nada menos que 24 prêmios e foi eleito pelos críticos de Nova York como o melhor filme do ano passado. A trama gira em torno de um padeiro habilidoso (John Magaro) em viagem para o Velho Oeste que encontra uma verdadeira conexão com um imigrante chinês também em busca de sua fortuna. Juntos, eles percebem que podem ficar ricos ao transformar o leite da primeira vaca da região em biscoitos. Infelizmente, a vaca não é deles. E o que se segue é uma fábula sobre amizade, capitalismo e sustentabilidade. A programação ainda inclui o drama alemão “Eu Estava em Casa, Mas…”, que rendeu o Urso de Prata do Festival de Berlim à diretora Angela Schanelec (“Uma Tarde Qualquer”) e é uma verdadeira aula sobre a técnica cinematográfica. Mas… o que chama realmente atenção no leque de opções é o lançamento simultâneo de quatro longas brasileiros de ficção. A maior expectativa recai sobre “Acqua Movie”, primeiro longa do premiado pernambucano Lírio Ferreira desde “Sangue Azul” em 2014. O road movie é passado no mesmo universo do cult “Árido Movie” (2005), com fotografia e elenco impressionantes. Um contraste enorme com “AmarAção”, cheio de problemas, que é quase cinema de guerrilha pela falta de recursos evidentes. Mas em termos de narrativa coesa são as comédias bobas que se saem melhor. O tema sobrenatural de “Missão Cupido” é realmente para não se levar a sério e rende boa diversão, enquanto “Quem Vai Ficar com Mário?” parte de uma premissa com pontos de conexão com “A Gaiola das Loucas” para, além de fazer rir, ajudar a refletir sobre preconceito sexual. Veja abaixo os trailers de todos os lançamentos. Spirit – O indomável | EUA | 2021 First Cow – A Primeira Vaca da América | EUA | 2020 Acqua Movie | Brasil | 2020 Quem Vai Ficar com Mário? | Brasil | 2020 Missão Cupido | Brasil | 2020 AmarAção | Brasil, França, Israel | 2020 Eu Estava em Casa, Mas | Alemanha, Sérvia | 2020












