Dois Papas: Crítica americana aposta em Oscar para o novo filme de Fernando Meirelles
O filme “Dois Papas” (The Two Popes), do brasileiro Fernando Meirelles, está sendo cotado para o Oscar pela imprensa americana. A produção foi considerada a grande surpresa do Festival de Telluride, ponto de partida para candidatos à premiação nos Estados Unidos, que iniciou na sexta (30/8) no interior do estado do Colorado. Exibido sem a mesma fanfarra que envolveu outros títulos “oscarizáveis”, deixou a crítica impressionada e rasgando elogios, tanto para seus protagonistas quanto para o roteiro e a direção. O consenso é que se trata do melhor filme internacional do diretor de “Cidade de Deus” (2002), muito melhor que “O Jardineiro Fiel” (2005), premiado com um Oscar (Melhor Atriz para Rachel Weisz). O longa aborda o período que precedeu a renúncia do Papa Bento 16, interpretado por Anthony Hopkins, e a relação dele com o Papa Francisco, vivido por Jonathan Pryce. Um dos elementos destacados é justamente a química entre os atores veteranos. “O que torna ‘Dois Papas’ um filme delicioso, além do roteiro divertido, é a possibilidade de ver os dois atores experientes se divertindo por duas horas. Hopkins e Pryce ilustram o que é realmente a arte de atuar. Não se trata apenas de ter carisma e cativar a audiência. Qualquer estrela do cinema pode fazer isso. Mas esses dois atores vão além. Não há nada que eles não possam fazer”, elogiou o site The Wrap. “Ancorado por duas performances impressionantes de Anthony Hopkins e Jonathan Pryce, o filme é um triunfo da escrita e também do cinema sem ostentação”, escreveu a revista The Hollywood Reporter. A qualidade dos diálogos entre os dois foi bastante festejada pla crítica americana. “O primeiro triunfo do filme é que os diálogos bem escritos entre os dois homens são completamente convincentes. Não há como saber o que poderia ter sido dito por esses dois homens muito diferentes, mas a partir de tudo o que sabemos sobre seus antecedentes, a troca de idéias parece muito plausível”, descreveu o site da THR. “Os conflitos são muitos — a visão de mundo é oposta, mas eles compartilham do amor a Deus e à Igreja. Boa parte de ‘Dois Papas’ é simplesmente um diálogo entre esses dois homens, salpicado de ótimas frases”, resumiu o site The Wrap. Apesar das longas conversas entre os personagens, a imprensa americana mostrou-se particularmente impressionada com o fato de o filme não ser teatral e conseguir prender a atenção. E os méritos são de Fernando Meirelles. “Esse diálogo não transforma o filme em uma conversa teatral, que seria mais adequada para o palco. Isso é por causa da direção rápida de Meirelles e o fato de a vida de Bergoglio ser revisitada em extensos flashbacks”, apontou o site The Playlist. A recepção calorosa da crítica ainda rendeu comparações com o vencedor do Oscar 2019. “‘Dois Papas’ surgiu de surpresa com o tipo de recepção emocional e entusiasmada que me fez lembrar de ‘Green Book’ no ano passado”, ponderou o site Deadline. O filme que venceu o Oscar em fevereiro passado também teve sua première em Telluride. Entusiasta da produção, Pete Hammond, o veterano crítico do Deadline, fez diversas previsões de Oscar para o longa, inclusive a inclusão tanto de Jonathan Pryce e Anthony Hopkins na categoria de Melhor Ator. “Como separá-los?”. Hammond ainda revelou que a maioria das pessoas com quem conversou elogiou o filme e ainda o considerou o melhor do festival. “’Este é o melhor filme que vi no festival’” foi um refrão comum. E ouvi esses elogios dos principais membros da Academia aqui na cidade, incluindo Sid Ganis e Kathleen Kennedy, que exaltaram seus louvores para mim”, contou o jornalista do Deadline. O problema para as pretensões de “Dois Papas” em relação ao Oscar é que se trata de uma produção da Netflix. Não bastasse a intolerância de alguns membros da Academia a filmes feitos para streaming, este ano a Netflix vem mais forte que qualquer outro estúdio em busca de indicações ao Oscar. “História de um Casamento”, com Adam Driver e Scarlett Johansson, também está sendo elogiadíssimo. E ainda há “O Irlandês”, épico de mais de três horas de Martin Scorsese, que vai abrir o Festival de Nova York, no fim do mês. O grande desafio de “Dois Papas”, bem como dos dois filmes citados, será convencer a Academia a abraçar o streaming. Neste sentido, a Netflix já acenou com lançamentos antecipados e mais longos no cinema para estas produções. Uma estratégia considerada importante para superar as ressalvas dos mais tradicionalistas. “Dois Papas” será exibido a seguir no Festival de Toronto, já na próxima segunda (9/9), onde encontrará a mídia televisiva e repercussão ainda maior. E se os elogios continuarem, será difícil a Academia resistir.
Elenco se despede de Suits após final das gravações da série
Os astros de “Suits” foram às redes sociais neste fim de semana para se despedir da produção, aproveitando o término das gravações da 9ª e última temporada. Gabriel Macht, intérprete do protagonista Harvey Specter, postou agradecimentos aos colegas do elenco e aos fãs por quase uma década de produção. Ele fez menção até sua esposa, Jacinda Barrett, que participou de três episódios da série. “Essa vida nos ofereceu muito, algumas coisas fáceis, muitas desafiadoras, inúmeras milhas de distância e horas, dias e meses nos separando de nossos entes queridos, sem mencionar anos de sacrifício em tantos níveis. Conto minhas bênçãos por você estar comigo até o doce e amargo final de uma era”, escreveu, ao publicar uma foto em que o casal aparece deixando o set. Ele também publicou uma imagem da cidade de Toronto, no Canadá, onde a série era gravada, refletida no retrovisor de seu carro, prometendo voltar como visitante. “Obrigado Toronto por sua gentileza, seu orgulho e a forma como receberam minha família e eu. Voltarei para visita, seja a trabalho, rever amigos ou apenas caminhar pelos velhos cenários”. Patrick J. Adams, que retornou brevemente para se participar dos episódios finais como Mike Ross, já tinha se antecipado com um post com a foto do nome de seu personagem na porta de seu trailer. “Como uma luva”, descreveu, sobre a volta ao papel. Sarah Rafferty, que deu vida a Donna Paulsen desde a 1ª temporada, mostrou-se mais emocionada, publicando uma série de fotos e vídeos homenageando os profissionais e a produção da série. Entre elas, imagens ao lado dos atores Katherine Heigl, Dulé Hill e Rick Hoffman, que interpretam os advogados Samantha Wheeler, Alex Williams e Louis Litt. “Um prazer trabalhar com essas almas lindas, talentosas e incrivelmente generosas. Vou manter vocês comigo”, escreveu. Rick Hoffman, por sua vez, escolheu destacar a diretora de casting da série, Bonnie Zane, responsável por juntar todos os atores na produção – que, claro, também fez seu post pessoal. Até Gina Torres, que ganhou uma série derivada para sua personagem Jessica Pearson, resgatou uma foto antiga com o elenco original reunido — inclusive Meghan Markle, antes de se tornar a duquesa de Sussex – , para homenagear os colegas. “A quantidade de vida pela qual passamos juntos de mãos dadas, mantendo espaço ou testemunhando à distância é impressionante”, recordou. “Vocês sempre terão meu profundo amor e respeito”. Ao final, Aaron Korsh, criador da série, resumiu o sentimento no Twitter de forma sucinta: “Foi um longa dia”, referindo-se às horas finais de gravação. O produtor-roteirista tirou o sábado (31/8) para responder perguntas de fãs e ainda assumiu não saber qual será seu próximo projeto. “‘Suits’ foi tão pessoal que eu não tenho ideia do que fazer a seguir. De todo modo, num lado mais pessoal, estou entusiasmo pelo tempo livre para passar com a família”. Atualmente em hiato, “Suits” volta à programação do canal pago americano USA Network na próxima quarta (4/9), para encerrar sua história com mais quatro capítulos. Mas o universo criado por Korsh não acabou realmente. Ele continuará a ser apresentado na série “Pearson”, atualmente em sua temporada inaugural. Os episódios de “Suits” são disponibilizados no Brasil pela Netflix. Ver essa foto no Instagram 9 years ago I started the @suits_usa journey. It all began with the most important person in my life by my side. This life that has offered us so much…some easy, many challenging, countless miles apart and hours, days, and months separating us and our loved ones not to mention years of sacrifice on so many levels. I count my blessings you sticking with me through to the bitter sweet end of this era. As I have thanked my wonderful crew, my talented ensemble, and the fantastic fans that keep coming back for more…I am most grateful for @jacindabarrett because without her there is no way any of this would have happened. #wedidit #SandL #proofisinthepudding #love #nextchapterstartsrightnow Uma publicação compartilhada por Gabriel Macht (@iamgabrielmacht) em 29 de Ago, 2019 às 8:24 PDT Ver essa foto no Instagram Thank you Toronto for your kindness, your hometown pride, your welcoming my family and I. We will be back to visit #wethenorth whether it be to work again, see friends, or walk the old haunts. #suits #therecruit #theothers #whiteout #thelastkiss #audreyhepburnstory #DC #zerohour so long for now. Uma publicação compartilhada por Gabriel Macht (@iamgabrielmacht) em 30 de Ago, 2019 às 4:22 PDT Ver essa foto no Instagram 133 episodes of operating A camera takes an epic kind of endurance. Thank you #michaelsoos. Your artistry, patience, loyalty has made #suits all that it is today. ? Uma publicação compartilhada por Sarah Rafferty (@iamsarahgrafferty) em 24 de Ago, 2019 às 11:30 PDT Ver essa foto no Instagram So it’s the last week of a nine year dream, and the person responsible for bringing me in to meet my boss, and reading with me, supporting me every step of the way, and therefore changing my entire life is @bonnieezane . The amount of talented co-workers Bonnie has cast through the nine years is endless. Her warmth and sense of humour, and passion for casting every fun role around us was contagious. A family member for life. Thank you dear Bonnie. I love you. Uma publicação compartilhada por Rick Hoffman (@rickehoffman) em 23 de Ago, 2019 às 1:42 PDT Ver essa foto no Instagram Final pre fit with our goddess of tailoring...we often have up to three fittings per look where Olena tweaks and tweaks to perfection. I feel like I’ve spent more time with her over these last years than I have with Santtu. ?She is tireless, and makes every piece of wardrobe feel like a superhero costume. I’m gonna miss meeting you in my trailer at 5am, Olenes and paying homage to your Ukrainian accent. ?❤️? Uma publicação compartilhada por Sarah Rafferty (@iamsarahgrafferty) em 27 de Ago, 2019 às 6:08 PDT Ver essa foto no Instagram We did it Cli! Happy last day of getting Donna’s mojo on. Thank you for sweeping into my life five years ago and working your magic with my hair and heart. 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If I were to pick a moment when I “knew”, it would be this one. The beginning and the end of life as we knew it. After our first season @netaporter did a runway fashion show inspired by @suits_usa fashion. Here we are all lined up afterwards. In the years since then the amount of LIFE that we have walked through together by holding hands, holding space or bearing witness from a distance is staggering. And until recently I felt like the college graduate that kept going home to do laundry and grab a good meal, until I found my way again. But now, Mom and Dad have sold the house, packed up the RV and are off to destinations unknown and I find myself at a loss. A bit untethered all over again. When I left This beautiful family the first time, I was not on social media. My thoughts were my own. My salute to the MOST delicious cast and crew, was wonderfully private, including hugs I can still feel. Today I say goodbye for the second and last time to all that made this show so very extraordinary. You know who you are. You will forever have my deepest love and respect. ❤️❤️ And if at all possible, could someone grab one of Harvey’s balls on the way out, for me??? Thanks!! #weveallleftthebuilding ??? #onlyloveisreal Stop crying!! Cuz if you miss us you can #streamanyfuckingtime Uma publicação compartilhada por Gina Torres (@iamginatorres) em 28 de Ago, 2019 às 3:44 PDT Ver essa foto no Instagram 10 years...9 seasons... Saying goodbye to @suits_usa isn’t going to be easy. I am so grateful to have been part of this show. I truly love this cast so much. Their voices have lived in my head for 9 seasons. It has been so bittersweet to be here for these final days. ???❤️ Thank you, Aaron Korsh, for allowing to hitch on to this decade-long ride. Uma publicação compartilhada por Bonnie Zane (@bonnieezane) em 24 de Ago, 2019 às 7:25 PDT It was a long day... https://t.co/IEWVwlmDvX — Aaron Korsh (@akorsh9) September 1, 2019 Yes. #Suits was so personal I have no idea how to follow it. On the other personal side however, am excited for more family/personal time. https://t.co/CPBZe09ctZ — Aaron Korsh (@akorsh9) September 1, 2019
Kevin Hart sofre acidente de carro e é hospitalizado com lesões nas costas
O ator Kevin Hart se envolveu em um grave acidente de carro em uma rodovia na cidade de Calabasas, na Califórnia, na madrugada deste domingo (1/9). Um outro homem e uma mulher também estavam no veículo, que ficou completamente destruído. O carro era um item de colecionador, um Plymouth Barracuda de 1970, considerado um dos maiores clássicos entre os muscle cars americanos. Ele foi parar cerca de 3 metros para fora da estrada. Hart não estava dirigindo o veículo no momento do acidente, mas os policiais confirmaram que ele é o dono do carro. O comediante e seu motorista sofreram “graves lesões nas costas”, segundo apurou o site TMZ, e precisaram ir a um hospital. Já a mulher, terceira ocupante do carro, não precisou ser hospitalizada. O comediante chegou a compartilhar em seu Instagram uma foto do carro acidentado, revelando que ele comprou o veículo em julho para comemorar seu aniversário de 40 anos. “Eu adicionei mais músculos à minha família pelos meus 40 anos”, escreveu, revelando que tinha até batizado o veículo – um nome premonitório. “Bem-vindo em casa, ‘Ameaça'”. Veja abaixo. Kevin Hart está atualmente em cartaz com o filme “Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw” e voltará às telas em janeiro com “Jumanji: Próxima Fase”. Ver essa foto no Instagram I added some more muscle to the family for my 40th….welcome home "Menace" #MuscleCarLover Uma publicação compartilhada por Kevin Hart (@kevinhart4real) em 8 de Jul, 2019 às 5:59 PDT
Bolsonaro diz que vai nomear diretor evangélico na Ancine
O presidente Jair Bolsonaro disse que quer na Agência Nacional de Cinema (Ancine) um diretor de perfil evangélico. Em almoço com jornalistas, Bolsonaro afirmou que pretende encontrar alguém que saiba “recitar 200 versículos bíblicos”, tenha o joelho machucado de tanto rezar e carregue a bíblia “encaixada debaixo do braço” para comandar a agência. “É um certo exagero, mas eu sou um presidente conservador”, acrescentou, ao comentar o decreto que na sexta-feira (30/8) exonerou Christian de Castro Oliveira da presidência da entidade, e voltando a demonstrar descontentamento com a gestão liberal da Ancine. Bolsonaro também disse recentemente que iria nomear um ministro “terrivelmente evangélico” para o STF (Supremo Tribunal Federal) e que contava com um ministro “terrivelmente evangélico” na AGU (Advocacia Geral da União). Com essa linha de atuação, ele avança sobre a divisão entre estado e religião estabelecida pela Constituição. “O estado é laico, mas nós somos cristãos”, já disse e repetiu outras vezes, como defesa de sua atuação. A intensão de Bolsonaro parece ser realmente transformar em realidade a distopia imaginada pelo filme “Divino Amor”, de Gabriel Mascaro. Com 100% de aprovação no site Rotten Tomatoes, “Divino Amor” mostra um Brasil do futuro tão “terrivelmente evangélico” que nem carnaval tem mais. E onde regras rígidas e vigilância constante impedem a população de se desviar dos ideais consagrados pela religião. Por identificar em Bolsonaro o grande arquiteto dessa distopia, Mascaro nem sequer inscreveu seu filme para disputar uma vaga entre os selecionados ao Oscar de Melhor Filme Internacional. O cineasta tem profunda clareza de que “Divino Amor” jamais seria escolhido numa comissão estabelecida por ministério do atual governo, cuja pauta é evangelicamente “terrível”, a começar por defender “filtros” (outro nome para censura) no cinema nacional.
O Rei Leão supera Os Vingadores e vira 7ª maior bilheteria de todos os tempos
O remake de “O Rei Leão” continua lotando cinemas no mundo inteiro. O longa ainda é o 3º mais visto do momento na América do Norte e, graças à arrecadação deste final de semana, atingiu a 7ª maior bilheteria mundial de todos os tempos. O desenho animado que parece live action já soma, ao todo, US$ 1,56 bilhão. E, com isso, superou neste domingo (1/9) “Os Vingadores” (US$ 1,51 bilhão em 2012). Animação com maior faturamento da História e líder em arrecadação do estúdio Walt Disney, “O Rei Leão” segue em cartaz nos cinemas.
Bilheterias: Invasão ao Serviço Secreto lidera fim de semana sem grandes lançamentos nos EUA
Num fim de semana sem grandes lançamentos, apenas um filme faturou mais de US$ 10 milhões na América do Norte. “Invasão ao Serviço Secreto” fez US$ 11,5M (milhões), o que foi suficiente para se manter em 1º lugar pela segunda semana consecutiva. Em 10 dias, o longa de ação já rendeu US$ 40,6M nos Estados Unidos e Canadá, próximo da média do faturamento de “Invasão a Londres” (2016), o capítulo anterior da trilogia estrelada por Gerard Butler. Orçado justamente em US$ 40M, “Invasão ao Serviço Secreto” precisaria fazer o triplo desse valor para zerar suas despesas de produção (sem P&A, gastos de cópias e publicidade) e vai depender muito do mercado internacional para atingir sua meta. “Invasão a Londres” conseguiu esse equilíbrio. Mas as críticas negativas podem dificultar a missão do novo longa – foram só 39% de aprovação no Rotten Tomatoes. A estreia no Brasil vai acontecer em 24 de outubro. A surpreendente comédia “Bons Meninos” também manteve sua posição da semana passada, na vice-liderança. Filme para maiores protagonizado por crianças, entre elas Jacob Tremblay (de “O Quarto de Jack”), teve arrecadação de US$ 9,1M nos últimos três dias e já está com US$ 56,1M no mercado doméstico. É um sucesso, considerando que custou US$ 20M e rendeu mais de US$ 70M em todo o mundo. Elogiado pela crítica (79% de aprovação), “Bons Meninos” segue sem previsão de lançamento no Brasil. “O Rei Leão” completa o Top 3, aumentando seu recorde mundial, que já está em mais de US$ 1,54 bilhão, como a maior bilheteria de animação de todos os tempos. Com a performance dos últimos dias, a obra avançou ainda mais no ranking mundial, superando os valores do primeiro “Os Vingadores” (US$ 1,51 bilhão em 2012). Sabia mais aqui. Vale registrar, ainda, o retorno de “Homem-Aranha: De Volta para Casa” ao ranking. A tática caça-níquel da Sony convenceu o público a rever o filme, que foi relançado nos cinemas norte-americanos na sexta-feira (30/8) com cinco minutos de cenas extras. A curiosidade dos fãs fez o super-herói dar um verdadeiro salto de aranha, da 15ª posição para 8º lugar no fim de semana, além de ter rendido US$ 4,2M a mais aos cofres do estúdio. Confira abaixo os rendimentos dos 10 filmes mais vistos entre sexta e domingo (1/9) nos Estados Unidos e no Canadá, e clique em seus títulos para ler mais sobre cada produção. BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. Invasão ao Serviço Secreto Fim de semana: US$ 11,5M Total EUA e Canadá: US$ 40,6M Total Mundo: US$ 43,6M 2. Bons Meninos Fim de semana: US$ 9,1M Total EUA e Canadá: US$ 56,1M Total Mundo: US$ 70,2M 3. O Rei Leão Fim de semana: US$ 6,7M Total EUA e Canadá: US$ 520,9M Total Mundo: US$ 1,5B 4. Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw Fim de semana: US$ 6,2M Total EUA e Canadá: US$ 157M Total Mundo: US$ 684,1M 5. Mais que Vencedores Fim de semana: US$ 5,7M Total EUA e Canadá: US$ 17,2M Total Mundo: US$ 19,4M 6. Ready or Not Fim de semana: US$ 5,6M Total EUA e Canadá: US$ 20M Total Mundo: US$ 20M 7. Histórias Assustadoras para Contar no Escuro Fim de semana: US$ 6,3M Total EUA e Canadá: US$ 27M Total Mundo: US$ 74,6M 8. Homem-Aranha: De Volta para Casa Fim de semana: US$ 4,2M Total EUA e Canadá: US$ 384,7M Total Mundo: US$ 1,1B 9. Dora e a Cidade Perdida Fim de semana: US$ 4,1M Total EUA e Canadá: US$ 49,5M Total Mundo: US$ 75,2M 10. Angry Birds 2 Fim de semana: US$ 4,1M Total EUA e Canadá: US$ 33,9M Total Mundo: US$ US$ 93,7M
Bacurau mistura ação e reflexão num filme de peso
Novo filme de Kleber Mendonça Filho (“Aquarius”) e Juliano Dornelles (“O Ateliê da Rua do Brum”), “Bacurau” é um western brasileiro. Segue a trilha dos históricos “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1963) e “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1969), de Glauber Rocha (1938-1981). Filmes que já se pautavam por grande força política e preocupação social, tentando desvendar um universo nordestino, marcado pela violência opressora, de um lado, e resistente, de outro. Dialoga também com a produção nacional que sempre teve nos cangaceiros uma fonte de inspiração permanente, oportunidade de pensar e de criar a partir da realidade do nordeste brasileiro para alcançar o país. “Bacurau” incorpora novos elementos a tudo isso. Tem invasores agressores e poderosos. Que chegam a tirar o povoado do mapa e produzem assassinatos aparentemente inexplicáveis, valendo-se até de drones com aspecto de disco voador. Falam inglês, seu comandante é um alemão com pinta e comportamento de nazista, e os colaboradores que atuam com eles falando português, além do inglês, são desprezados e descartados na primeira oportunidade. Ou seja, estamos no terreno da alegoria política, que soa tão atual, mas talvez seja mesmo uma constante da nossa história. Até porque a trama não se nutre do momento atual (foi filmado antes da eleição de Bolsonaro), embora pareça inspirado nele. Percepção acurada? Premonição? Visão apurada do processo histórico, da relação entre a casa-grande, a senzala e a dimensão internacional que as envolve. A produção mistura ação e reflexão no mesmo produto. É um filme forte, intrigante, provocador, mas é também uma aventura, muito envolvente. Por isso, pode ser visto como um filme de gênero, embora não esteja preocupado em seguir cartilhas ou convenções. Fala ao sentimento do público, mostra uma violência que tem de ser decifrada e que, afinal, leva a algumas conclusões. Talvez distintas, para cada grupo de espectadores. Mas que deve mexer com todo mundo, de um jeito ou de outro. Um elenco enorme e dedicadíssimo a seus personagens passa uma sensação de grande veracidade e remete a um mundo tão familiar quanto distante. Sonia Braga, como a dra. Domingas, reúne as dimensões da solidariedade e do descontrole, a indicar a profunda humanidade da figura que encarna. O alemão Udo Kier (astro de inúmeros terrores clássicos) é a maldade forasteira, mas também o impasse e a solidão. Bárbara Colen faz Teresa, mulher forte e lutadora. Os forasteiros colaboracionistas são patéticos, mas a gente até se esquece disso porque Karine Teles e Antonio Saboia nos conquistam pela qualidade de seus desempenhos. Thomás Aquino, como Pacote, e o inusitado bandido local Lunga, papel de Silvero Pereira, nos mostram como é estar no fio da navalha entre a fome e o crime. Todos os personagens são bem construídos e têm um ator ou atriz à sua altura. A trilha sonora é também bem marcante, vai de Gal Costa e seu objeto voador não-identificado a Geraldo Vandré, passando por Sérgio Ricardo. Marcos reconhecíveis da resistência que sempre pautou a nossa música e o nosso cinema, que combinam bem com a temática tratada no filme. A comunidade do povoado da Barra, no Rio Grande do Norte, divisa com a Paraíba, onde a maior parte do filme foi gravada, participou ativamente dos trabalhos de apoio à produção e como figurantes, contribuindo para a autenticidade das situações mostradas. “Bacurau” é um filme de peso da produção brasileira recente, que já vem recebendo o maior reconhecimento internacional, na forma de convites para mais de 100 festivais e mostras de cinema pelo mundo, e já conquistou prêmios nos festivais de cinema de Munique, de Lima e o importante Prêmio do Júri do Festival de Cannes.
Era uma Vez em Hollywood é o melhor filme de Tarantino da década
Cada novo filme de Quentin Tarantino é um acontecimento que movimenta tanto cinéfilos assíduos quanto esporádicos. Claro que a capacidade do cineasta de trazer astros do primeiro escalão também ajuda bastante. Ter Leonardo DiCaprio, Brad Pitt e Margot Robbie no mesmo filme, sem falar em participações muito especiais, como a de Al Pacino, é um chamariz e tanto. Um luxo e tanto. Mas as pessoas vão ao cinema principalmente porque se trata de um filme do cineasta. Seu novo trabalho, “Era uma Vez em… Hollywood”, é seu melhor filme desde “Bastardos Inglórios” (2009) e tira um pouco do gosto amargo que ficou com “Os Oito Odiados” (2015). Seja através dos diálogos sem pressa, seja com o modo como Tarantino brinca com o tempo mais uma vez, estendendo-o às vezes para causar suspense, como na cena de Cliff Booth (Brad Pitt) em um cenário rodeado pelos hippies liderados por Charles Manson; seja na sequência final, que nos leva à fatídica noite do dia 9 de agosto de 1969, quando ocorreu a chacina que pôs fim a vida de Sharon Tate; em todos os momentos do filme, Tarantino é dono do tempo e do espaço. Um espaço que ele recria a partir da Los Angeles do final dos anos 1960. Vale lembrar que boa parte de seus filmes se passam em um tempo indeterminado, mas com uma aura de apego ao passado muito intensa. O melhor exemplo disso é o de “Pulp Fiction – Tempo de Violência” (1994). Mas em “Era uma Vez em… Hollywood” há ueventos e pessoas reais combinadas à criações puramente tarantinescas. Em especial os protagonistas, o ator decadente Rick Dalton, vivido por DiCaprio, e seu dublê, o já mencionado personagem de Pitt. Há um clima de bromance entre os dois que lembra alguns filmes da Velha Hollywood, como os dirigidos por Howard Hawks, ainda que a amizade dos dois se manifeste da maneira bruta de Tarantino. Cada pessoa oferece o afeto da sua maneira. Mas isso não quer dizer que não se veja amor no filme. Há bastante. Especialmente amor pelo cinema. Seja o cinema de Hollywood, seja o cinema feito na Itália para exportação, por mais que o personagem de DiCaprio ache que está chegando ao fundo do poço por não conseguir espaço melhor nos Estados Unidos e encontrar um caminho aberto no cinema italiano de gênero, por ele considerado muito inferior. Engraçada a cena em que o personagem de Al Pacino lhe explica que Sergio Corbucci é o segundo melhor diretor de western spaghetti do mundo. Quanto à já famosa violência tarantinesca, seja por causa da pressão dos novos tempos, seja por maturidade mesmo, o novo filme do cineasta é o que menos exibe violência gráfica dentre todos os seus trabalhos. Ao contrário, o que mais conta é a beleza do ir e vir dos carros da época, as calçadas movimentadas com centenas de cinemas de rua, tudo muito lindo de ver com a exuberante fotografia de Robert Richardson, colaborador de Tarantino desde “Kill Bill – Volume 1” (2003). Falando em beleza, que acerto a escolha de Margot Robbie para viver Sharon Tate! Linda demais a cena dela no cinema, satisfeita com a ótima recepção do filme em que trabalha por parte do público. Há quem ache que sua presença em cena é muito pequena, quase não lhe é dado texto, mas isso acaba lhe conferindo uma aura etérea, praticamente uma deusa. E sua personagem é tão cheia de graça que é difícil não se encantar com seu sorriso, com sua alegria de passear pelas ruas e de dançar. Como se Tarantino quisesse nos mostrar o quanto a morte de uma mulher como essa é abominável. Por isso a polêmica e incrível aposta do cineasta pela sua conclusão é tão bem-vinda. No mais, há também um elogio à inocência e à infância na figura da atriz mirim Julia Butters, a menina que dá uma lição no decadente astro Rick Dalton. De resto, está havendo uma confusão de percepções sobre a questão hippie. Não há por que acreditar que o diretor tem uma visão negativa dos hippies. Aqueles hippies em especial, os envenenados pelas mensagens de Charles Mason, representam sim o mal. E, nesse sentido, Tarantino não se furta de querer mostrar o mal como definitivamente mal, como fez com os nazistas em “Bastardos Inglórios”. Pode ser uma visão simplista, mas o modo como o diretor lida com isso é de uma beleza que transcende a necessidade de maiores problematizações.
Novo Brinquedo Assassino é o melhor filme de Chucky desde o original
Chucky é um exemplo de ícone pop do cinema que conquistou esse status sem a ajuda de filmes de qualidade. Ok, o original de 1988 é legal, mas suas duas sequências são fracas e despertam mais curiosidade pelos elementos trash, como “A Noiva de Chucky”, “O Filho de Chucky” e por aí vai. Mas Chucky ressurge com tudo no novo “Brinquedo Assassino”, o primeiro filme decente desde o original. O reboot de “Brinquedo Assassino” – o roteiro do filme de 1988 não foi refilmado – é uma história inédita, que atualiza o boneco para os dias de hoje, praticamente como um robô com acesso à internet e capaz de se conectar a outros dispositivos. Uma boa ideia, vai. Mas com um pequeno erro conceitual. “Brinquedo Assassino” tem uma premissa ridícula e, ao mesmo tempo, de fácil comunicação com o público. Chucky representa o lado sombrio da criança. A materialização de seus pesadelos e pensamentos impuros. Só que o Chucky raiz com voz de Brad Dourif, apesar de ser completamente de plástico, tinha uma origem sobrenatural, típica de filme de terror. Por mais que o reboot também possa ser visto como um exemplar do gênero – e apesar de facas, sangue e mortes (bem violentas por sinal) – , o novo “Brinquedo Assassino” está mais para uma ficção científica de viés apocalíptico, que bebe na fonte das histórias de máquinas que querem dominar a humanidade. Mas é um bom filme, inesperadamente bem-humorado e divertido. Esteticamente, um longa muito mais requintado que original, o que combina com a roupagem atual de Chucky, um robô como outros de sua linha à venda nas melhores lojas. Só que ele vem zoado de fábrica graças às consequências de mão de obra escrava (legal citar isso) e assédio moral contra um funcionário, que decide se vingar da empresa. Imagine se isso vira moda! O Chucky defeituoso vai parar na casa de uma mãe solteira, vivida pela magnífica Aubrey Plaza. Seu filho, Andy (Gabriel Bateman), não parece ter mais idade para querer um boneco, mas Chucky tem wi-fi, então OK. O mais curioso do roteiro (e o que torna o filme tão divertido) é acompanhar todo o aprendizado de Chucky. Como um bebê, ele observa, repete palavras, arrisca pôr em prática os ensinamentos da vida e evolui cenas após cena. Bem mais rápido que um bebê, claro. Por exemplo, Chucky descobre que matar pode ser divertido após ver “O Massacre da Serra Elétrica 2” e Andy rindo do filme com seus amigos. Ou seja, a inteligência artificial de Chucky entende que isso pode deixar Andy feliz. Da mesma forma que eliminar aqueles que o deixam infeliz, ameaçam seu bem-estar (como faz o zelador voyeur) ou, mais tarde, por puro ciúme. Enfim, devemos proteger e buscar o melhor para nossos amigos, não? Mesmo que a vítima seja um gatinho que arranhou o menino num momento tradicional de stress felino. Mas vai explicar isso para o Chucky. A sacada de testemunhar a “educação” de Chucky pode fazer o espectador sentir pena do brinquedo em algumas cenas e, talvez, compreender suas reações (mesmo que muitas delas sejam completamente discutíveis do ponto de vista ético, digamos assim). O boneco tem um trabalho de dublagem diabólico de Mark Hamill (o Luke Skywalker), que repete algumas técnicas que ele usou para compor a voz do Coringa nos desenhos do Batman. Mas não podemos negar que funciona também para Chucky. Sua participação ainda rende ótimas menções a Luke e Han Solo. Roteiro e direção estão a cargo de dois novatos nos cinemas: o roteirista Tyler Burton Smith, que escreve videogames, e o diretor norueguês Lars Klevberg, cujo primeiro longa – “Morte Instantânea”, uma versão ampliada do curta “Polaroid” – ainda não tem previsão de estreia nos Estados Unidos. Fizeram um bom trabalho e o novo “Brinquedo Assassino” recuperou o respeito da franquia. Mas podem apostar que, depois de resgatar Chucky do lixo (trash), o estúdio vai querer continuação, noiva, filho, etc.
Pássaros de Verão conta a origem indígena do tráfico colombiano
Assim como em “O Abraço da Serpente” (2015), o novo filme de Ciro Guerra, codirigido por Cristina Gallego, põe o espectador em contato com uma cultura colombiana indígena. No caso deste “Pássaros de Verão”, é a comunidade Wayuú, mostrada por meio de uma aldeia a partir da família wayuunaiki, em cujo idioma o filme é falado, além do espanhol e do inglês. O inglês, por conta dos turistas norte-americanos que aparecem por lá, em busca de maconha. O que se vê, então, é um choque cultural, que põe em guerra a família indígena com o que ficou conhecido como la bonanza marimbera, o lucrativo comércio ilegal da maconha para os Estados Unidos, no decorrer dos anos 1970, que tem a ver com um ciclo que colocou a droga no centro das questões políticas do próprio país. O que seria uma questão local, de pequena dimensão, tornou-se base de uma guerra que alcançou grandes proporções, como mostra a história recente da Colômbia. O filme tem um enfoque diferente para a questão das drogas e dos crimes que a acompanham: a descoberta de um caminho produtivo, relativamente fácil e altamente lucrativo, que poderia ser a redenção econômica daquela comunidade, transformando-se numa guerra familiar muito sangrenta. A ambição e a tradicional defesa da honra e dos hábitos ancestrais da comunidade convivem com o mercado que se conduz por outros padrões, o das economias capitalistas, em que oferta e procura determinam ações, preços, e trazem consequências que escapam inteiramente ao controle da cultura local, acabando por praticamente destruí-la, descaracterizando-a, gerando a cizânia. “Pássaros de Verão” mostra a riqueza cultural tradicional do povo Waiuú, seus rituais religiosos e de acasalamento, suas danças, oferendas, princípios de relacionamento e inserção familiar. As drogas até fazem parte da comunidade, como costuma acontecer com quem está mais próximo das plantas e do uso medicinal delas. Mas se torna mais difícil de compreender e lidar quando o produto assume a condição de mercadoria, reverenciada e consumida com avidez e a preços vantajosos pelos forasteiros. Elas são fontes de riqueza, por um lado, e uma espécie de força do demônio, por outro. O filme é muito bem feito, instigante, original na abordagem, reafirmando os realizadores colombianos como cineastas de peso, o que está sendo reconhecido em festivais importantes, como o de Cannes. Ciro Guerra (com produção da atual codiretora Cristina Gallego) concorreu ao Oscar de filme estrangeiro com “O Abraço da Serpente”. Aquele filme foi também um dos grandes destaques da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e exibido no circuito comercial. “Pássaros de Verão” está seguindo trilha semelhante, incluindo a seleção para buscar uma indicação ao Oscar, e firmando uma filmografia muito interessante, com base na Antropologia, O tema de Guerra é a identificação dos elementos culturais ancestrais, postos em contato com elementos contemporâneos que os modificam e transformam, mas que também podem transformar, de algum modo. Via uma consciência ecológica, por exemplo, que tem muito a aprender com as culturas mais tradicionais. Também é muito relevante seu papel ao registrar os encontros e desencontros culturais de diferentes mundos que coexistem.
Simonal desmistifica história do primeiro astro pop negro do Brasil
Wilson Simonal tem uma história obtusa, com reveses duvidosos e meandros complexos, isso é fato. A música de Simonal, por sua vez, é leveza, sorriso e diversão pura, de um balanço e um swing únicos. O longa “Simonal”, de Leonardo Domingues, tenta mais uma vez resgatar e desmistificar tudo que ronda a história daquele que foi o primeiro grande astro pop negro do Brasil. O resultado final é uma cinebiografia bem acima da média da maioria lançada nos últimos anos em nosso cinema: ritmo coeso, bom recorte temporal, atuações certeiras e uma direção firme fazem do filme uma sessão imperdível. “Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei” (2009), documentário dirigido por Micael Langer, Calvito Leral e Cláudio Manoel, deu nova luz à história de Wilson Simonal dez anos atrás, quando o artista passou por redescoberta de público e mídia. “Simonal”, o novo longa, busca levar essa redescoberta a um público ainda maior, expandindo esse resgate com uma história cheia de complexidades. Simonal era astro gigante, do tipo que carregava multidões com hits geniais, porém em um jogo perigoso que envolvia ego elevado e gastos exacerbados, o artista entrou em uma espiral negativa, que o fez ter envolvimentos escusos com os militares da época. Em tempos espinhosos de ditadura militar, alimentou-se a história de que o músico era uma espécie de informante dos milicos. Pronto, estava formada a fogueira de Simonal, o “grande dedo duro dos anos 1970”. Até sua morte, em 2000, o músico viveu na obscuridade, tentando repetidamente provar que nunca dedurou ninguém. O longa de estreia de Leonardo Domingues busca reconstruir a ascensão e queda de Simonal em um arco bem definido, que começa com o encontro do músico com Carlos Imperial, passa pelo seu sucesso comercial e esmiúça a derrocada com olhar sincero. Sinceridade é uma palavra-chave em “Simonal”, já que estamos mergulhados em um mar de cinebiografias que são chapas-brancas e buscam mais contar os louros de seus biografados do que realmente uma história com vieses. O roteiro de Victor Atherino não busca pintar um Simonal perfeito e imaculado, que sofreu nas mãos de algozes, pelo contrário, apresenta um personagem extremamente humano, cheio de falhas, defeitos e erros, mas que sabia bem o afronte que era ser um astro negro e rico em um país racista como o Brasil. O personagem ganha vida nas telas por Fabrício Boliveira, que consegue captar o charme e todas as dualidades do artista. Ísis Valverde é sua principal parceria de cena, interpretando a esposa Teresa em atuação segura e convincente, apesar do mar de perucas ruins de sua caracterização (os dois já tinham trabalho juntos em “Faroeste Caboclo”, do mesmo roteirista). Há outros destaques no elenco, como a incrível personificação de Miele por João Velho, ou mesmo Mariana Lima como Laura Figueiredo. Por outro lado, Carlos Imperial, personagem fundamental do universo pop na década de 1960, é interpretado de forma canastrona por Leandro Hassum, que, mesmo ruim, ainda consegue ser menos pior que a vergonhosa interpretação do personagem feita por Bruno de Luca no recente “Minha Fama de Mau” (Lui Farias, 2019). As reconstruções de época dão o clima de ostentação e charme que rodeavam Simonal, com seus looks espalhafatosos; além disso, há charmosas inserções de letreiros e cartazes na tela, incluindo aí joguetes onde o rosto de Simonal aparece meio que confundido com o do ator Fabrício Boliveira, que refez capas e fotos icônicas do músico. Em um dos momentos mais emocionantes do filme, o diretor se vale de material documental e reexibe uma apresentação histórica de Simonal no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, com uma plateia alucinada – ver essas imagens restauradas é de arrepiar! Em tempos de artistas “cancelados”, de discussões sobre erros e perdões, é interessante refletir sobre como Simonal pagou caro demais por um erro que, aparentemente, nunca cometeu. Há uma boa lista de artistas que defenderam ao seu modo a Ditadura Militar ou mesmo que ficaram sobre o muro de forma melindrosa e nem por isso sofreram o backlash que Simonal sofreu. “Simonal”, o filme, coloca como importante pano de fundo uma questão racial que não pode ser ignorada nesse cenário. Em cena simbólica, Simonal conversa com Elis Regina, que diz “eles me perdoaram quando eu cantei o Hino, irão te perdoar agora”, no que ele responde “eles te perdoaram, mas não vão me perdoar e você sabe o porquê”. “Simonal” é filme histórico, de rememoração, mas que fala muito sobre o nosso tempo, que nos diz muito sobre raça, força e arte em 2019, por isso precisa ser visto e debatido o quanto antes.
Bloqueio revela ideologia de extrema direita por trás da greve dos caminhoneiros
Quentin Delaroche já havia dirigido um ótimo filme sobre o cenário político recente do Brasil, “Camocim” (2017), que funcionou como uma espécie de espelho da sociedade brasileira. Em “Bloqueio” (2018), somos reapresentados a um caso que aconteceu no ano passado e que gerou uma forte repercussão, a paralisação nacional dos caminhoneiros. E tem acontecido tanta coisa de 2018 para cá que quase esquecemos este momento em que o Brasil parou. Assinado por Delaroche e por Victória Álvarez, o filme tem uma estrutura bastante simples: os diretores, ao verem que aquela situação poderia ser interessante o suficiente para gerar um filme, dirigiram-se até um dos locais de concentração dos caminhoneiros. Como o documentário é o gênero cinematográfico que mais depende do acaso para seu sucesso, podemos dizer que um dos problemas de “Bloqueiro” está na ausência de personagens marcantes. Mas nem por isso deixa de ser instigante. O filme mostra que o comportamento de boa parte dos grevistas se aproximou do bolsonarismo, como se aquela ação, de modo não deliberado, tivesse ajudado a chocar o ovo da serpente. O documentário enfatiza, em meio à luta dos caminhoneiros por melhores condições de trabalho, o que há de mais controverso em seu discurso: a defesa de uma intervenção militar. E isso acaba se mostrando ridículo quando eles são forçados a encerrar a greve devido à chegada da polícia do exército. O próprio diretor pergunta a um deles, que é maltratado por um dos militares: mas não é a eles que vocês estão pedindo socorro? Depois de discursos nacionalistas e orações de grupos evangélicos, um sopro de sobriedade surge quando dois professores chegam para discutir com o grupo, tratando justamente da questão da intervenção militar como solução para todos os problemas do Brasil, para o fim da corrupção etc. Ordem e progresso, a bandeira do Brasil, o Hino Nacional, todos esses símbolos que acabaram sendo apropriados pela extrema direita, são abraçados pelos grevistas. O que gera um sentimento misto na cena em que eles cantam o Hino Nacional. Que momento esse em que vivemos, hein?
A Última Loucura de Claire Darling reúne Catherine Deneuve e sua filha Chiara Mastroianni
Ver Catherine Deneuve e Chiara Mastroianni, mãe e filha na vida real, e grandes atrizes da telona, atuando juntas no mesmo filme, já é um bom motivo para ir ao cinema. “A Última Loucura de Claire Darling”, porém, tem algo mais a oferecer. A história de Claire, que decide que sua vida chegou ao fim e resolve se desfazer de todos os seus ricos, artísticos e sofisticados pertences, a preços meramente simbólicos, tratada aqui como loucura, pode trazer algumas reflexões interessantes. Sabe-se que com o avanço da idade ocorrem algumas perdas mentais, lapsos de memória, esquecimentos, o presente fugidio, aspectos do passado que se borram, coisas assim. Não se trata de diagnóstico de Alzheimer ou similar. É a perda natural da vida, que o passar do tempo cobra. No entanto, a personagem do filme é uma pessoa lúcida, mais do que isso, inteligente, instruída, de gostos altamente sofisticados. O que ocorre é que essa lucidez acaba sendo parcial. Ou seja, parte dela se perde nesse processo de deterioração natural. O uso inadequado e a percepção do valor do dinheiro é um bom exemplo. Coisas são supervalorizadas e pagas regiamente. Ou bens e valores são esbanjados sem motivo, ou a partir de uma avaliação precária e imediata, ou, ainda, por adesão a uma causa, por exemplo, religiosa, discutível. No caso do filme da diretora Julie Bertuccelli, é a ideia de que se possa conhecer o dia ou o momento da própria morte. Antevê-lo sem estar vivendo nenhuma situação de doença ou dor extremas é, evidentemente, um delírio, que gera comportamentos extravagantes, capazes de trazer de volta à pequena aldeia, onde vive a mãe, uma filha distante, um vínculo complicado. Mãe e filha, belas mulheres, grandes atrizes, que encarnam com brilho esses papéis.












