Greta Thunberg: A “pirralha” que “fala qualquer besteira” vai ganhar documentário
A jovem ativista sueca Greta Thunberg será tema de um documentário da plataforma americana de streaming Hulu. Provisoriamente intitulada “Greta”, a produção tem direção do também sueco Nathan Grossman, que segue a adolescente de 16 anos desde seus primeiros dias em greve escolar. As câmeras registraram suas participações em protestos, convenções internacionais e outros eventos, promovendo a conscientização climática. Greta começou a ganhar projeção em 2018, aos 15 anos de idade, quando começou uma greve escolar por ações governamentais mais contundentes contra o aquecimento global. Na ocasião, lançou um questionamento que deixou muita gente refletindo: se vocês não se importam com o meu futuro na Terra, porque eu deveria me importar com o meu futuro na escola? Em questão de meses, a greve solitária atraiu a atenção da mídia e ganhou apoio nas redes sociais, tornando-se um movimento mundial de pressão para mudanças na polícia ambiental. Filha do ator sueco Svante Thunberg e da cantora de ópera Malena Ernman, a jovem é portadora da Síndrome de Asperger, considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) um espectro leve do autismo, que a faz dizer o que pensa e denunciar com aspereza as contradições das pessoas que falam uma coisa e fazem outra completamente diferente – como concordar que é preciso defender a Amazônia e agir em sentido oposto. Em setembro passado, ela participou de uma Cúpula da ONU para o Meio-Ambiente, em Nova York, em que acusou os governos de todos os países de condenar o futuro de sua geração pela falta de ações contra o aquecimento global. O discurso se tornou o mais reproduzidos do ano, viralizando em versões com batidas eletrônicas e guitarras de heavy metal. Veja abaixo, com direito a remix do célebre DJ Fatboy Slim. Ela terminou 2019 considerada a Personalidade do Ano pela revista Time. Até então, a pessoa mais jovem a receber o título de “Pessoa do Ano” tinha sido o pioneiro americano da aviação Charles Lindbergh que, em 1927, tinha 25 anos – 9 a mais que Greta. Mas ela não recebeu só elogios. Também foi atacada por políticos que consideram o aquecimento global uma fantasia da esquerda, como a ideia de que a Terra é redonda. Jair Bolsonaro – que, até onde se sabe, não foi diagnosticado com Asperger – a chamou de “pirralha” que “fala qualquer besteira”. “Uma pirralha de 16 anos fala qualquer besteira lá fora, qualquer besteira, falou para dar porrada no Brasil, e o pessoal dá destaque”, declarou o presidente do Brasil. A frase infeliz deve entrar no filme, que ainda não tem previsão de estreia.
Cachorro de Fuller House morre após complicações em cirurgia
O elenco da série “Fuller House”, da Netflix, anunciou nesta segunda (17/12) que o cachorro Cosmo, visto nos episódios da série, morreu após complicações em uma cirurgia. “Estamos tristes em compartilhar que o cão fiel dos Fullers, Cosmo, que cresceu em nosso set, faleceu após complicações em uma cirurgia”, lamentou um porta-voz da Netflix, em comunicado. “Nunca haverá outro como o nosso garoto. Sentiremos sua falta para sempre”, completou a declaração, junto de quatro fotos do cachorro. “Nosso doce menino Cosmo agora está correndo no céu dos cachorros”, acrescentou a atriz Candace Cameron Bure (a D.J.) em um post pessoal. “Cosmo estava em ‘Fuller House’ desde o começo e estamos de corações partidos”. O ator Elias Harger, de apenas 12 anos, que interpreta Max, filho de D.J. na série, também prestou homenagem ao “colega” de trabalho. “Eu te amo, Cosmo! RIP – Duas semanas antes do fim de ‘Fuller House’, eu perdi meu amigo”, escreveu em seu Instagram, incluindo um vídeo com várias cenas de brincadeiras com o cachorro nos bastidores das gravações da série. O golden retriever apareceu na série ainda como filhote. Sua estreia aconteceu na 1ª temporada, em 2016. Ele morreu muito jovem, com somente quatro anos. A série também vai se despedir dos fãs, encerrando-se oficialmente em 2020, após cinco temporadas. We're sad to share that the Fullers' faithful dog Cosmo, who grew up on our set, passed away after complications from surgery. There will never be another quite like our boy. 💛 We'll miss him forever. pic.twitter.com/yVjkJONdQ9 — Fuller House (@fullerhouse) December 16, 2019 Our sweet boy Cosmo is now running around in doggie heaven. I imagine he’s playing with Comet 😉 right now.Cosmo has been in Fuller House since the start and we are heartbroken that he passed away during surgery complications. You’ll be so missed love bug ❤️@fullerhouse pic.twitter.com/xzqULFRF8s — Candace Cameron Bure (@candacecbure) December 16, 2019 Ver essa foto no Instagram Two weeks before the end of @fullerhouse, I lost my buddy. I made this video to honor @cosmofullerhouse. 💔 Uma publicação compartilhada por Elias Harger (@eliasharger) em 16 de Dez, 2019 às 9:58 PST
Tarantino diz que está se “afastando” de filme de Star Trek
O diretor Quentin Tarantino afirmou que está cada vez menos propenso a comandar o próximo filme da franquia “Star Trek”. “Estou me afastando do projeto, mas ainda não tive nenhuma conversa oficial”, disse o cineasta em entrevista ao site Consequence of Sound. Foi Tarantino quem procurou o produtor J.J. Abrams e a Paramount com a ideia de fazer um filme da franquia em 2017, anunciando ainda que voltaria as atenções para esta produção após finalizar “Era Uma Vez em Hollywood”. Por conta disso, ajudou até a selecionar o roteirista Mark L. Smith (de “O Regresso”) para desenvolver a história, baseada em sua premissa. Mas o diretor também tem uma “ideia interessante” para uma terceira parte de “Kill Bill” e vem dizendo que se aposentará após finalizar o 10º filme de sua carreira – que será o próximo. Em julho, Tarantino já tinha dito ao site Deadline que ainda não tinha decidido se dirigiria o longa. Mas se o fizesse, o resultado seria uma espécie de “‘Pulp Fiction’ no espaço”. Ainda não há informações se a versão de “Star Trek” concebida por Tarantino e escrita por Mark L. Smith poderá ser realizada por outro diretor ou se o projeto será cancelado caso a desistência se cristalize. Na semana passada, o CEO da ViacomCBS, Bob Bakish, mencionou o desenvolvimento de dois filmes baseados na franquia. Um deles tem direção de Noah Hawley, criador de “Fargo” e “Legion”, e deverá contar com Chris Pine, Zachary Quinto, Karl Urban, Zoe Saldana, John Cho e Simon Pegg em seu elenco. O outro seria o de Tarantino – que ainda não teve a “conversa oficial” com o estúdio.
Disney domina lista de pré-selecionados ao Oscar de Melhor Canção
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos divulgou nesta segunda (16/12) diversas listas de filmes pré-selecionados em algumas categorias do Oscar 2020. Além de Filme Internacional, Documentário e Efeitos Visuais, também foram divulgados os 15 candidatos que estão na disputa por vagas ao prêmio de Melhor Canção Original. Assim como aconteceu na categoria de Efeitos Visuais, as produções da Disney dominam a competição musical. Foram listadas cinco canções de filmes infantis do estúdio, que representam 33,3% do total. “O Rei Leão” lidera com duas faixas, mas a música que detém o favoritismo da premiação pertence ao desenho “Frozen 2” (“Into the Unknown”, também conhecida como “Minha Intuição” no Brasil). Canções de “Aladdin” e “Toy Story 4” também entraram. Em contraste com o domínio da Disney, a seleção inclui faixas de dois documentários musicais independentes (“Toni Morrison: The Pieces I Am” e “The Bronx, USA”) e de duas produções estrangeiras (o filme sul-coreano “Parasita” e o britânico “A Loucura de Rose”). A lista também sugere as estrelas que podem aparecer no Oscar para interpretar os finalistas, com destaque para Beyoncé (por “O Rei Leão”), Elton John (“Rocketman”) e Thom Yorke (“Brooklyn – Sem Pai Nem Mãe”). Mas não Taylor Swift (“Cats”). Os finalistas de todas as categorias serão anunciados no dia 13 de janeiro e os vencedores conhecidos em 9 de fevereiro, em cerimônia transmitida ao vivo para o Brasil pelos canais TNT e Globo. Confira abaixo a lista das 15 faixas pré-selecionados para o Oscar 2020 de Melhor Canção Original. “Speechless” (Aladdin) “Letter To My Godfather” (The Black Godfather) “I’m Standing With You” (Superação: O Milagre da Fé) “Da Bronx” (The Bronx, USA) “Into The Unknown” (Frozen 2) “Stand Up” (Harriet) “Catchy Song” (Uma Aventura Lego 2) “Never Too Late” (O Rei Leão) “Spirit” (O Rei Leão) “Daily Battles” (Brooklyn – Sem Pai Nem Mãe) “A Glass of Soju” (Parasita) “(I’m Gonna) Love Me Again” (Rocketman) “High Above The Water” (Toni Morrison: The Pieces I Am) “I Can’t Let You Throw Yourself Away” (Toy Story 4) “Glasgow” (As Loucuras de Rose)
Disputa Marvel x Scorsese segue entre pré-selecionados ao Oscar de Efeitos Visuais
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos divulgou nesta segunda (16/12) diversas listas de filmes pré-selecionados em algumas categorias do Oscar 2020. Além de Filme Internacional e Documentário, também foram divulgados os 10 candidatos que continuam na disputa por vagas ao prêmio de Melhores Efeitos Visuais. A lista inclui três filmes inéditos nos cinemas, entre eles o controvertido “Cats”, cujos efeitos, responsáveis por transformar atores em gatos semi-humanos, tiveram grande rejeição nas redes sociais, por ocasião da divulgação de seu trailer. Os outros dois inéditos são o drama de guerra “1917” e a sci-fi “Star Wars: A Ascensão Skywalker”. Além do novo “Star Wars”, a Disney conseguiu emplacar a animação “O Rei Leão” e mais dois filmes da Marvel, respondendo por 40% do total de títulos listados. Quando consideradas as produções da Fox – dois fracassos produzidos por James Cameron – , a supremacia do estúdio atinge 60%. “O Irlandês”, de Martin Scorsese, também está na competição, pelo uso de efeitos para rejuvenescer seu elenco septuagenário. A inclusão ocorre depois de Scorsese polemizar, dizendo de que os filmes da Marvel “não são cinema”. É esperar para ver se a Academia concorda, numa disputa que pode chegar ao Oscar. Vale destacar ainda a inclusão de “Projeto Gemini”. Embora tenha fracassado nas bilheterias, o longa de Ang Lee aprimorou muito a tecnologia de reprodução de imagens em 3D. Os finalistas de todas as categorias serão anunciados no dia 13 de janeiro e os vencedores conhecidos em 9 de fevereiro, em cerimônia transmitida ao vivo para o Brasil pelos canais TNT e Globo. Confira abaixo a lista dos 10 filmes pré-selecionados para o Oscar 2020 de Melhores Efeitos Visuais. “1917” “Alita: Anjo de Combate” “Capitã Marvel” “Cats” “Projeto Gemini” “O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio” “O Irlandês” “O Rei Leão” “Star Wars: A Ascensão Skywalker” “Vingadores: Ultimato”
Brasileiro Democracia em Vertigem segue na disputa do Oscar 2020
O documentário brasileiro “Democracia em Vertigem”, da diretora Petra Costa, avançou na disputa pelo Oscar 2020. O filme distribuído pela Netflix apareceu entre os 15 pré-selecionados ao prêmio, numa lista divulgada nesta segunda (16/12) pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos. Com o corte sofrido por “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz, de uma lista similar na categoria de Filmes Internacionais, “Democracia em Vertigem” se tornou o último candidato em potencial do Brasil à premiação do cinema americano. A obra de Petra Costa foi eleita um dos 10 Melhores Filmes de 2019 pelo jornal The New York Times, o que ajudou em sua repercussão. Mas seu principal cabo eleitoral é o presidente Jair Bolsonaro. O documentário recorda acontecimentos políticos dos últimos anos no país, com destaque para o Impeachment de Dilma Rousseff, culminando na eleição de Bolsonaro, apresentada como ameaça para a jovem democracia nacional. De fato, desde que foi eleito, Bolsonaro se tornou um dos políticos mais controvertidos do mundo, chegando a ser chamado de “menor e mais mesquinho” dos líderes globais pelo New York Times. O filme ajuda a explicar como o Brasil foi de Lula a Bolsonaro. “Democracia em Vertigem” vai disputar uma das cinco vagas na categoria de Melhor Documentário com alguns candidatos de peso, como “For Sama”, sobre a guerra na Síria, que foi premiado em Cannes e conquistou a maioria dos prêmios de documentários em 2019, e também “Honeyland”, produção da Macedônia do Norte que venceu o Festival de Sundance e também está na lista dos pré-selecionados na categoria de Melhor Filme Internacional. Os finalistas de todas as categorias serão anunciados no dia 13 de janeiro e os vencedores conhecidos em 9 de fevereiro, em cerimônia transmitida ao vivo para o Brasil pelos canais TNT e Globo. Confira abaixo a lista dos 15 documentários pré-selecionados para o Oscar 2020. “Democracia em vertigem” “Advocate” “American Factory” “The Apollo” “Apollo 11” “Aquarela” “The Biggest Little Farm” “The Cave” “For Sama” “The Great Hack” “Honeyland” “Knock Down the House” “Maiden” “Midnight Family” “One Child Nation”
A Vida Invisível fica fora do Oscar 2020
O Brasil está fora da disputa pelo Oscar 2020 de Melhor Filme Internacional. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos divulgou nesta segunda (16/12), uma lista com um primeiro corte de indicados, e “A Vida Invisível”, o concorrente brasileiro, não ficou entre os 10 pré-selecionados. A lista reúne filmes que estavam sendo considerados favoritos ao prêmio, como “Parasita”, de Bong Joon Ho, “Dor e Glória”, de Pedro Almodóvar, e “Les Misérables”, de Ladj Ly. A seleção também emplacou “Uma Mulher Alta”, de Kantemir Balagov, lançado no fim de semana passado nos cinemas brasileiros, e “Atlantics”, de Mati Diop, disponibilizado pela Netflix em novembro. Ao contrário deste ano, em que “Roma”, de Alfonso Cuarón, venceu o então chamado Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, nenhum título latino-americano foi selecionado. “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz, era o candidato sul-americano de maior projeção, após vencer a mostra Um Certo Olhar, no Festival de Cannes, e conseguir indicação ao Spirit Awards, considerado o “Oscar do cinema independente americano”. Além disso, vinha aparecendo em listas de Melhores do Ano da imprensa americana. As chances de Oscar para o Brasil agora estão na categoria de Melhor Documentário, onde “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, conseguiu emplacar entre os pré-selecionados. Os finalistas de todas as categorias serão anunciados no dia 13 de janeiro e os vencedores conhecidos em 9 de fevereiro, em cerimônia transmitida ao vivo para o Brasil pelos canais TNT e Globo. Confira abaixo a lista das 10 produções que seguem na disputa por 5 indicações ao Oscar de Melhor Filme Internacional. “Aqueles que Ficaram” (Hungria) “Atlantics” (Senegal) “Corpus Christi” (Polônia) “Dor e Glória” (Espanha) “Honeyland” (Macedônia do Norte) “Les Misérables” (França) “Parasita” (Coreia do Sul) “The Painted Bird” (República Tcheca) “Truth and Justice” (Estônia) “Uma Mulher Alta” (Rússia)
Meses depois da Pipoca Moderna, grande imprensa “revela” que Bolsonaro paralisou setor audiovisual brasileiro
A grande imprensa brasileira, por meio do jornal Folha de S. Paulo, descobriu nesta segunda (16/12) aquilo que a Pipoca Moderna vem alardeando desde agosto: toda a verba federal de financiamento do setor audiovisual brasileiro está paralisada desde janeiro por ação deliberada do governo de Jair Bolsonaro. Produtores ouvidos pela Folha disseram que os impasses na pasta da Cultura frearam a produção audiovisual do país. Uma das principais causas seria a retenção dos recursos do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual), que é especialmente importante para a estímulo de produções independentes. A Pipoca Moderna revelou isso em agosto, sem precisar ouvir terceiros. A constatação veio do argumento usado pelo ministro da Cidadania Osmar Terra para suspender o edital que permitiria a produção de séries LGBTQIA+ atacadas pelo presidente Jair Bolsonaro numa live daquele mês. Para impedir a produção das séries LGBTQIA+, encomendadas pelo governo anterior, o ministro publicou uma portaria no Diário Oficial da União (DOU) em 21 de agosto, dando como justificativa a necessidade de recompor o Comitê Gestor do FSA, que ainda não tinha sido nomeado. Na prática, isto era uma confissão do estado de paralisação completa do financiamento do setor audiovisual brasileiro, causada por ineficiência assumida do governo federal. O impasse foi criado por um paradoxo burocrático: se a decisão sobre a destinação do dinheiro do FSA para a produção de filmes e séries depende de aval do comitê gestor, a formação deste mesmo comitê também dependia de indicações do próprio governo, que não se mobilizou nesse sentido, paralisando todo o financiamento audiovisual por inércia. Uma vez que o edital não poderia ser cumprido por não existir um comitê responsável pela distribuição das verbas do FSA, isso significava que nenhum financiamento tinha sido ou poderia ser autorizado em 2019, ao menos até a regularização deste comitê. Além da Pipoca Moderna, o ex-ministro da Cultura e deputado Marcelo Calero também chamou atenção para a armadilha preparada pelo governo para travar o investimento no audiovisual brasileiro, denunciando o que estava por trás da suspensão do edital. “É uma das justificativas mais estapafúrdias que eles podiam dar porque cabe justamente a eles definir esses comitês”, afirmou Calero ao jornal carioca O Globo. “Estão usando uma inação deles como justificativa para uma medida extrema que estão tomando”. A grande imprensa, porém, concentrou-se no caso específico das séries LGBTQIA+ suspensas, deixando passar batido o problema mais grave da paralisação completa do setor. Mesmo assim, a pressão criada em torno do tema, com direito a processo aberto pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro contra o ministro Osmar Terra, exigindo a conclusão do concurso, acabou fazendo com que o governo se visse forçado a acabar com a pantomina e finalmente nomear, com dez meses de atraso, os integrantes do comitê gestor do FSA. No final de outubro, antes de tirar a Secretaria da Cultura do Ministério da Cidadania – ela foi parar no Ministério do Turismo – , o governo finalmente nomeou seus representantes no Comitê Gestor do FSA – que, ao todo, é composto por seis membros do governo e três representantes da indústria do audiovisual. Uma vez definidos, os membros do Comitê se reuniram em 6 de novembro para destravar o FSA. Marcaram um novo encontro em 25 de novembro para aprovação do PAI (Plano Anual de Investimentos), com as diretrizes para o destino dos R$ 703,7 milhões disponíveis no fundo. O valor é proveniente da taxação do Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional) e já foi arrecadado entre as empresas de cinema, TV e telefonia – ainda cobrada, a taxa renderá mais dinheiro para 2020. No entanto, no dia seguinte à primeira reunião, o presidente Jair Bolsonaro lançou uma nova trava. Com uma canetada, transferiu a Secretaria da Cultura para o Ministério do Turismo, colocando em dúvidas o cargo de presidente do comitê, que pertencia ao Ministro da Cidadania. Com isso, os integrantes do comitê consideraram urgente adiantar o processo e votar o PAI – ou seja, a liberação da verba – antes da oficialização da transferência com publicação no DOU. Para tanto, optaram por uma votação eletrônica, que aprovou o PAI de 2019. E o que fez o governo? Questionou a votação por meio do Conselho Superior de Cinema, comitê presidido pelo Ministro da Casal Civil, Onyx Lorenzoni. Com isso, os recursos permaneceram paralisados. Assim, o governo Bolsonaro está prestes a completar um ano de paralisação no investimento do setor audiovisual, com o dinheiro taxado por meio do Condecine parado e se desvalorizando nos cofres federais. Como a verba não pode ter destinação diferente da prevista na legislação, Bolsonaro encontrou uma solução criativa para impedir seu uso. Levantamento do Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual revela que atualmente há cerca de 800 produções à espera da liberação de editais da Ancine, que estão paralisados. Desde que o FSA foi criado, em 2006, seus recursos vinham sendo liberados no máximo até maio, com a aprovação do PAI. Mas o que acontece se o ano virar sem que o PAI seja considerado aprovado? Há o risco de que esses recursos se percam, porque o governo trabalha para aprovar no Senado lei que flexibiliza o uso dos fundos públicos. O Congresso, por outro lado, tem buscado o oposto: controlar os gastos que o executivo pode fazer – ao mesmo tempo em que também busca tirar dinheiro de outros setores para aumentar descabidamente o fundo eleitoral. O fato é que “maldades” estão sendo praticadas contra os produtores de cinema, séries e até games brasileiros que utilizam o FSA para gerar conteúdo – e empregos. É possível especular que Bolsonaro possa estar apostando em quebrar de vez o setor, retirando-lhe toda a verba para sua subsistência – uma tese defendida por “liberais” da extrema direita. Mas também pode estar “apenas” querendo “dobrar” a indústria audiovisual à sua vontade. Em ambos os casos, os planos seriam frustrado pelo PAI aprovado às pressas, que liberava financiamento sem “filtros” conservadores, colocando o mercado como responsável pelas escolhas – 30% da verba, por exemplo, iria automaticamente para obras de performance artística e comercial garantida, independente do tema. O gabinete de Onyx Lorenzoni percebeu e tratou de impedir. Mas a justificativa para a nova paralisação não se sustenta. Em 2009, por exemplo, o PAI também foi aprovado por votação eletrônica. Uma nova reunião foi marcada para terça (17/12) para apreciação de um plano anual diferente, redigido pelo pastor Edilásio Barra, mais conhecido como Tutuca, evangélico recentemente nomeado para a Ancine (Agência Nacional de Cinema). Este PAI substituiria o aprovado, contendo vários “filtros”. Ou seja, o governo aceitaria liberar a verba, desde que nos limites de um novo PAI, com “filtros” já mencionados por Bolsonaro – com o objetivo de não financiar produções com temas LGBTQIA+, que contenham “pornografia”, drogas ou elementos contrários à religião (cristã), às famílias (brancas e heterossexuais) ou ao próprio governo (sem menções negativas ao Estado e suas instituições, inclusive na época da ditadura). Bolsonaro anunciou esse plano em julho, quando disse que pretendia extinguir ou censurar a Ancine. “Vai ter filtro, sim, já que é um órgão federal. Se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine. Privatizaremos ou extinguiremos. Não pode é dinheiro público ficar usado para filme pornográfico”, afirmou, na ocasião. Um mês depois, o então secretário da Cultura, Henrique Pires, demitiu-se e acusou o governo de planejar impor censura à expressão artística no Brasil por meio da implantação de “filtros” para a liberação de verbas e incentivos fiscais.
Bolsonaro defende fim de contrato do governo com a TV Escola
O presidente Jair Bolsonaro defendeu o cancelamento de contrato do Ministério da Educação com a TV Escola, que incluiu o despejo da equipe da produção. Bolsonaro alega que os programas do canal eram todos de esquerda e seguiam os pensamentos do premiado educador Paulo Freire, a quem considera um “energúmeno”. “Você conhece a programação da TV escola? Deseduca. Por que a educação do Brasil está lá embaixo? Por causa dessas programações. Agora o pessoal está criticando. Esse tipo de cultura é para acabar mesmo. Queriam renovar o contrato… R$ 350 milhões iam ser jogados no lixo”, afirmou o presidente nesta segunda-feira (16/16), em frente ao Palácio da Alvorada. “Queriam que eu assinasse o contrato, o Abraham Weintraub, de R$ 350 milhões. Quem assiste a TV Escola? Ninguém assiste, dinheiro jogado fora”, continuou Bolsonaro. Embora o morador ilustre do Palácio da Alvorada tenha ressaltado duas vezes o custo de R$ 350 milhões, a renovação do acordo de gestão com a Associação Roquette Pinto, responsável pela programação, estava avaliada em torno de R$ 70 milhões anuais, valor similar ao orçamento deste ano. O montante de R$ 350 milhões equivaleria a um contrato de cinco anos de produção. Não chega a ser nova fake news de Bolsonaro, mas é quase, ao estilo das notícias do site TV Foco. “E outra, era uma programação totalmente de esquerda. Ideologia de gênero. Tem que mudar. Daqui 5, 10 anos vai ter reflexo disso aí. 30 anos em cima dessa ideologia ai desse Paulo Freire, desse energúmeno aí que foi ídolo da esquerda”, arrematou o presidente brasileiro. A decisão de encerrar o contrato para a produção do TV Escola aconteceu após o governo encontrar dificuldades para indicar pessoas sem competência comprovada e politizar o canal com conteúdo ideológico. De acordo com documentos obtidos pelo site de direita O Antagonista, em julho o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, encaminhou ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, nomes que deveriam ser nomeados para a fundação, apesar de não terem nenhuma ligação com a área da Educação ou mesmo com Jornalismo – um era formado em Odontologia e o outro em curso de escolta armada. Os apadrinhados acabaram rejeitados. Apesar disso, o conteúdo da TV Escola, que existe desde 1995 com teor educacional voltado para professores e estudantes, sofreu sim influência do governo. O diretor-geral, Francisco Câmpera, foi indicado ainda na gestão do ex-ministro Ricardo Vélez, e a associação ainda abrigou integrantes da ala mais ideológica do governo, como Eduardo Melo, que é diretor adjunto. Isto aconteceu após o Ministério da Educação atrasar repasses neste ano para a associação, o que vinha dificultando a continuidade das operações do canal. Para completar, na semana passada a emissora passou a transmitir uma série sobre a história do Brasil com visão fortemente ideológica, cujo tom revisionista enfatizava a religião e minimizava a importância dos não brancos para o país, acompanhada por entrevistas com o escritor Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo, e outros porta-vozes da extrema direita. Ou seja, o canal tinha programas que não eram “totalmente de esquerda”. Alguns eram até “totalmente de direita”, afinados com o “pensamento” ideológico de Bolsonaro. Com a quantidade de trabalho que normalmente envolve presidir uma república de tamanho continental, é até desculpável que o presidente do Brasil não tivesse tempo para assistir a TV Escola. Mas ao opinar sobre o que não viu e decretar descontinuidade do que desconhece, Bolsonaro obriga a imprensa a trabalhar dobrado para restabelecer a verdade para o público. Importante reparar ainda que o presidente disse que o dinheiro do TV Escola poderia ser usado para outros programas e citou um canal chamado Ines, voltado para surdos. Contudo, a produção de conteúdo desse canal, vinculado ao Ines (Instituto Nacional de Educação de Surdos), também é feita pela Associação Roquette Pinto. A citação pode ser outro caso de desinformação ou parte de um plano maior de “despejo” da associação em seu governo. Neste sentido, vale lembrar que, ao confirmar que o contrato com a Roquette Pinto não seria renovado, o Ministério da Educação afirmou, em nota oficial, que “estuda a possibilidade de as atividades do canal serem exercidas por outra instituição da administração pública”. A declaração sugere que outra empresa deverá assumir as operações do(s) canal(is), possivelmente com novo aporte financeiro (verbas públicas) e, no caso de emplacar um “caráter emergencial”, sem litação, o que possibilitaria a escolha de associação ligada aos interesses do governo – ou de integrantes do governo. A conferir.
The Hollywood Reporter inclui brasileiras de A Vida Invisível na lista das melhores atuações de 2019
A revista americana The Hollywood Reporter divulgou nesta segunda (16/12) uma lista com as 25 melhores atuações de cinema em 2019, de acordo com seus críticos, e teve brasileiras na seleção. A dupla formada por Carol Duarte e Julia Stockler, protagonistas de “A Vida Invisível”, entrou no ranking. “É irônico que um grande filme sobre irmandade envolva duas irmãs que passam boa parte do filme cruelmente separadas”, escreveu o crítico David Rooney sobre a performance da dupla, que foi considerada em conjunto. “No entanto, o laço criado no começo do filme de Karim Aiunouz é indelével, graças à intensidade única destas relativas novatas, cujas emoções se desenrolam à beira de uma ansiedade dolorosa. Da frustração que beira a insanidade à vulnerabilidade nervosa, elas acabam chegando em uma resignação de partir o coração”, completou. Além de Stockler e Duarte, a lista incluiu outras performances de filmes feito fora dos EUA, como Antonio Banderas (“Dor e Glória”), Pierre Deladonchamps e Vincent Lacoste (“Conquistar, Amar e Viver Intensamente”), Nora Hamzawi (“Vidas Duplas”), Tom Mercier (“Synonymes”), e Noémie Merlant e Adèle Haenel (“Retrato de uma Jovem em Chamas”). Destes, apenas o filme de Pedro Almodóvar (“Dor e Glória”) está na disputa de Filme Internacional com “Vida Invisível”. A revista também citou os desempenhos hollywoodianos de Brad Pitt (“Era Uma Vez em Hollywood”), Joaquin Phoenix (“Coringa”), Joe Pesci (“O Irlandês”), Lupita Nyong’o (“Nós”), Eddie Murphy (“Meu Nome É Dolemite”), Alfre Woodard (“Clemency”), Taylor Russell (“Waves”), Mary Kay Place (“A Vida de Diane”), George MacKay (“1917”), Jennifer Lopez (“As Golpistas”), Chris Galust e Lolo Spencer (“Give Me Liberty”), Adam Driver e Scarlett Johansson (“História de um Casamento”), Awkwafina (“The Farewell”) e Timothée Chalamet (“Adoráveis Mulheres”). Mas não os elogiados trabalhos de Adam Sandler em “Jóias Brutas” (Uncut Gems) e Renée Zellweger em “Judy”.
Star Trek: Picard tem renovação garantida antes da estreia
A série “Star Trek: Picard” garantiu sua renovação antes mesmo da estreia. A produção da CBS All Access, que continua as aventuras do capitão de “Star Trek: A Nova Geração”, responsável por resgatar a franquia televisiva nos anos 1980, ganhou um grande incentivo fiscal da Califórnia para produzir novos capítulos, no valor de US$ 20,45 milhões, razão da sinalização informal de sua continuidade. A plataforma americana ainda não fez o anúncio oficial. Prevista para janeiro, a série vai mostrar o que aconteceu com Jean-Luc Picard (Patrick Stewart) desde que foi visto pela última vez, há quase duas décadas – no filme “Jornada Nas Estrelas: Nêmesis” (2002). Aposentado, ele é trazido de volta à ação por um pedido de ajuda de uma jovem em perigo (vivida por Isa Briones, de “Ladrões”), que chama sua atenção para uma grande ameaça. Sem contar com apoio ou consideração da Federação, Picard decide juntar uma equipe de voluntários, entre renegados e velhos conhecidos, para uma nova missão. Mas não sem antes consultar/despedir-se de seus antigos companheiros de tripulação, o que também vai permitir aos fãs descobrirem o destino dos demais personagens da série clássica “Star Trek: Nova Geração” – como já demonstrou o primeiro trailer divulgado. A novíssima geração de tripulantes de “Picard”, por sua vez, será formada por Alison Pill (de “Scott Pilgrim Contra o Mundo” e “Vice”), Harry Treadaway (“Penny Dreadful”, “Mr. Mercedes”), Santiago Cabrera (“Heroes”, “Big Little Lies”), Michelle Hurd (“Demolidor”, “Blindspot”) e Rebecca Wisocky (“Devious Maids”), além de incluir Jeri Ryan, que retoma o papel da borg Sete de Nove (Seven of Nine), de “Star Trek: Voyager”. A equipe de produção destaca Michael Chabon (roteirista de “John Carter”) como showrunner, sob supervisão executiva de Alex Kurtzman, que conduz a saga espacial desde o filme “Star Trek” (2009) e é o chefão da franquia. “Star Trek: Picard” é uma produção original da CBS All Access, mas será disponibilizada no Brasil pela Amazon Prime Video, a partir de 24 de janeiro de 2020 – um dia depois da estreia nos Estados Unidos. Vale a pena rever abaixo o primeiro trailer divulgado pela Amazon.
Você: Trailer legendado da 2ª temporada apresenta novo alvo do psicopata
A Netflix divulgou o primeiro trailer legendado da 2ª temporada de “Você” (You), que mostra o personagem vivido por Penn Badgley em nova cidade, com nova identidade e novo alvo, num clima de muita tensão embalado por um cover pop de “Creep”, rock clássico do Radiohead. No vídeo, Joe se apresenta como Will, enquanto envolve uma nova vítima. Interpretada por Victoria Pedretti (a Nell de “A Maldição da Residência Hill”), Love Quinn é uma aspirante a chef de cozinha que não liga muito para redes sociais. Ela também está tentando se recuperar de uma grande tragédia quando conhece Joe/Will, sentindo uma conexão profunda com ele. Tudo parece perfeito, até que surge uma “ex” para perturbar o “relacionamento”: Candace (Ambyr Childers), uma “namorada” que conseguiu escapar do psicopata. Enquanto a 1ª temporada foi uma coprodução entre a Netflix e o canal pago americano Lifetime, o serviço de streaming produz sozinho a continuação, que é inspirada no segundo livro da coleção literária de Caroline Kepnes, intitulado “Corpos Ocultos” – lançado no mês passado no Brasil. A adaptação dos livros como série tem produção de Greg Berlanti (criador de todas as séries da DC Comics do canal CW) e Sera Gamble (criadora de “The Magicians”), e os novos episódios serão disponibilizados no dia 26 de dezembro em streaming.
Drácula: Série dos criadores de Sherlock ganha primeiro trailer legendado da Netflix
A Netflix divulgou o pôster e o primeiro trailer legendado de “Drácula”, série coproduzida pela rede britânica BBC, que revisita a famosa história de terror gótico de Bram Stoker. A prévia evoca passagens conhecidas do romance clássico, mas também traz novidades, como freiras armadas com estacas de madeira. O projeto foi desenvolvido pelos roteiristas-produtores Mark Gatiss e Steven Moffat, criadores de “Sherlock”, que vão escrever todos os episódios, e traz o ator dinamarquês Claes Bang (de “The Square: A Arte da Discórdia”) como o personagem-título. Por sinal, a produção de “Drácula” vai seguir o mesmo formato de “Sherlock”, com uma 1ª temporada curta, contendo capítulos de longa duração, como se cada história fosse um filme. Ao todo, foram encomendados três episódios de 90 minutos, que contarão como o vampiro da Transilvânia medieval vai parar na “moderna” Londres vitoriana, do final do século 19. “Drácula” traz de volta o personagem de Stoker à TV seis anos após o cancelamento de uma série homônima da rede NBC, que trouxe Jonathan Rhys Meyers no papel-título em 13 episódios. A atração será o primeiro projeto televisivo de Gatiss e Moffat desde o lançamento da 4ª temporada de “Sherlock” em janeiro de 2017. Moffat também era o showrunner de “Doctor Who” até o ano passado e atualmente desenvolve uma série baseada na sci-fi “The Time Traveler’s Wife” para a HBO. A série será exibida em três dias consecutivos, a partir de 1 de janeiro no Reino Unido, e chegará ao mercado internacional, via streaming, em 4 de janeiro.












