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Carlos Alberto de Nóbrega passará por cirurgia para implantar marcapasso

Apresentador de 90 anos contraiu vírus que agravou insuficiência cardíaca e provocou arritmias. Procedimento está marcado para segunda-feira

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Série

Antonio Banderas e Nicolas Cage se juntam em True Detective

Dupla protagonizará a 5ª temporada da série policial da HBO, que terá nova investigação em Nova York e gravações a partir de 2027

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17 de outubro de 2026
Filme

TikTok bane conta de documentário crítico a Elon Musk

Plataforma suspende divulgação de "Musk" por supostas violações políticas durante expansão do filme para quase 500 salas de cinema nos EUA

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17 de outubro de 2026
Etc

Tia Milena troca Bolsonaro por Lula: “Se eu virei, o Brasil também pode”

Vice-campeã do BBB 26 admite que votou no ex-presidente, explica a influência de seu antigo círculo social e anuncia voto em Lula

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17 de outubro de 2026
Etc

Famosos fazem o L com camisa da Seleção em onda pró-Lula

Chico Buarque, Pabllo Vittar, Rafa Vitti, Deborah Bloch, Alanis Guillen, Marjorie Estiano, Sophie Charlotte, Xamã e dezenas de artistas aderem à campanha para recuperar o verde-amarelo

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17 de outubro de 2026
  • Filme

    Continuação de Top Gun ganha novo trailer legendado

    16 de dezembro de 2019 /

    A Paramount divulgou um novo pôster e o segundo trailer de “Top Gun: Maverick”, em versões legendada e dublada. Por sinal, a prévia repete muitas das imagens vista no trailer anterior para estabelecer o retorno de Maverick e sua nova função, além de incluir diversas cenas de manobras aéreas à jato. De volta ao papel que o consagrou como astro de ação em 1986, Tom Cruise garante que fez todas as cenas sem truques ou dublês, inclusive aquelas em que aparece pilotando aviões de caça. E ninguém duvida, sabendo como ele é. A continuação vai reencontrar seu personagem Maverick como um instrutor na escola de pilotos da Marinha, que tem como novo aprendiz o filho de Goose (Anthony Edwards), que morreu em 1986. O personagem é interpretado por Miles Teller (“Whiplash”). Não foram divulgadas descrições dos demais personagens, mas o elenco é grande. Os atores da produção incluem Jennifer Connelly (“Noé”), que aparece numa relação com Maverick, Glen Powell (“Estrelas Além do Tempo”), Ed Harris (“Westworld”), Jon Hamm (“Mad Men”), Charles Parnell (“Transformers: A Era da Extinção”), Jay Ellis (“Insecure”), Bashir Salahuddin (“GLOW”), Danny Ramirez (“The Gifted”), Monica Barbaro (“Chicago Justice”), Lewis Pullman (filho de Bill Pullman, visto em “A Guerra dos Sexos”) e até Val Kilmer, que reprisa seu papel como Iceman. A direção está a cargo de Joseph Kosinski, que já dirigiu Cruise em “Oblivion” (2013). O filme tem estreia marcada para 25 junho no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.

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  • Filme

    Nelson Hoineff (1948 – 2019)

    16 de dezembro de 2019 /

    O jornalista, crítico e cineasta Nelson Hoineff morreu neste domingo (15/12), aos 71 anos. A informação foi compartilhada pelas redes sociais do diretor, sem que fosse informada a causa da morte. Como jornalista, ele ficou conhecido pela criação do “Documento Especial”. Exibido pela primeira vez em 2 de agosto de 1989, na Rede Manchete, o programa foi pioneiro no uso da câmera escondida, longos planos sem corte e por retratar pessoas e situações ignoradas pela imprensa. Em 430 episódios, a produção abordou da prostituição à grupos neonazistas. Entre suas maiores audiências, estão uma reportagem sobre a Igreja Pentecostal, feita inteiramente com câmera escondida, e um especial polêmico com o tema “Os Pobres Vão à Praia”, refletindo o preconceito dos cariocas – que é grande sucesso no YouTube até hoje. Outro episódio, “Vidas Secas”, dedicado à fome no Nordeste, rendeu a Hoineff um prêmio no Festival da TV de Monte Carlo, em Mônaco. Ele dirigiu vários episódios do programa, que chegou a ser líder de audiência em seu auge, em 1990. E acabou usando esta experiência para virar cineasta, notabilizando-se por formar uma filmografia de documentários premiados sobre diversas personalidades da cultura brasileira. Seus longas incluem “O Homem Pode Voar” (2006), uma reflexão sobre Santos Dumont, “Alô Alô Teresinha” (2009), que venceu Festival Cine-PE ao retratar o Chacrinha, “Caro Francis” (2010), perfil de Paulo Francis premiado no Festival de Paulínia, “Cauby: Começaria Tudo Outra Vez” (2015), sucesso comercial focado no cantor Cauby Peixoto, e seu longa final, “Eu, Pecador”, sobre o cantor e político Agnaldo Timóteo. Hoineff se especializou em cinema pela NYU (Universidade de Nova York) e em novas tecnologias da televisão pela New School for Social Research, em Nova York. Também foi membro do Conselho Consultivo da Secretaria do Audiovisual, fundador e por quatro vezes presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro, co-fundador da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Televisão, da qual foi vice-presidente por duas gestões, além de ter ajudado a lançar o Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro.

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  • Filme

    Frozen 2 ultrapassa US$ 1 bilhão em bilheteria antes da estreia no Brasil

    15 de dezembro de 2019 /

    Ainda inédito no Brasil, o filme “Frozen 2” superou a marca de US$ 1 bilhão em bilheteria mundial neste domingo (15/12). Ao todo, são US$ 366,5 milhões arrecadados nos Estados Unidos e Canadá e US$ 666 milhões no resto do mundo, somando US$ 1,033 bilhão de faturamento global. No mercado internacional, a China lidera a venda de ingressos, com US$ 111,5 milhões de arrecadação, seguida pela Coréia do Sul (US$ 85,4 milhões), Japão (US$ 67,3 milhões), Reino Unido (US$ 49,6 milhões), Alemanha (US$ 39,9 milhões) e França (US$ 37 milhões). O montante total ainda é inferior à bilheteria do primeiro longa, que fez US$ 1,2 bilhão em 2013. A diferença é que “Frozen” levou 15 semanas para atingir US$ 1 bilhão, enquanto a continuação precisou de apenas quatro semanas e ainda não chegou a vários países. No Brasil, por exemplo, a estreia só vai acontecer no primeiro fim de semana de janeiro. A expectativa é que “Frozen 2” supere a arrecadação do anterior, considerando que já quebrou diversos recordes financeiros, inclusive de maior estreia animada mundial de todos os tempos. O desempenho de “Frozen 2” também ajudou a Disney a quebrar um recorde histórico de faturamento, fazendo com que o estúdio se tornasse o primeiro a atingir US$ 10 bilhões de bilheteria anual no mundo, em todos os tempos. Dirigido por Jennifer Lee e Chris Buck, “Frozen 2” foi o sexto filme da Disney a atingir a marca bilionária neste ano – após “Vingadores: Ultimato” (US$ 2,8 bilhões), “O Rei Leão” (US$ 1,66 bilhão), “Capitão Marvel” (US$ 1,13 bilhão), “Toy Story 4” (US$ 1,07 bilhão) e “Aladdin” (US$ 1,05 bilhão). Trata-se, por sinal, de outro recorde. Até então, a Disney tinha conseguido emplacar apenas quatro filmes com mais de US$ 1 bilhão num único ano, durante 2016. Já o máximo que uma rival conseguiu foram três – a Universal, em 2015.

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  • Filme

    Jumanji: Próxima Fase estreia com recordes na América do Norte

    15 de dezembro de 2019 /

    A estreia de “Jumanji: Próxima Fase” acabou com três semanas de liderança e muitos recordes de “Frozen 2” nas bilheterias da América do Norte. A comédia de aventura com Dwayne “The Rock” Johnson, Jack Black, Kevin Hart e Karen Gillan fez US$ 60,1 milhões entre sexta e domingo (15/1) nos Estados Unidos e Canadá, muito mais do que a Sony esperava, com uma abertura 40% maior que o filme anterior, “Jumanji: Bem-Vindo A Selva” – que rendeu US$ 36,1 milhões em 2017. O resultado transformou “Jumanji: Próxima Fase” na maior estreia de uma comédia lançada no mês de dezembro na América do Norte, em todos os tempos. A bilheteria também é a maior já faturada pela Sony Pictures numa estreia de dezembro. E tem um detalhe: o filme fez o mesmo sucesso no exterior. Como foi lançado na semana passada em vários países, seu total mundial já está em US$ 212,6 milhões. Mas não há valores em reais neste montante. O lançamento no Brasil está marcado apenas para 16 de janeiro. De todo modo, a crítica achou pior que o primeiro, com registro de 66% de aprovação no Rotten Tomatoes – contra 76% do anterior. A Disney, porém, nem ligou para os recordes do rival, porque ainda está comemorando o sucesso de “Frozen 2”. A animação perdeu uma posição no ranking, mas já soma US$ 366,5 milhões no mercado doméstico e atingiu a marca encantada de US$ 1 bilhão na bilheteria mundial. Mais detalhes sobre essa realização podem ser conferidos aqui. “Entre Facas e Segredos”, um dos poucos títulos do ranking que podem ser vistos no Brasil, fecha o Top 3. Apesar do elenco estelar, a produção tem orçamento modesto para os padrões dos grandes estúdios de Hollywood (US$ 40 milhões) e se pagou com três semanas em cartaz (com US$ 162,2 milhões mundiais). Duas estreias completam o Top 5: “O Caso Richard Jewell”, de Clint Eastwood, baseado num fato real que voltou a render polêmica com a exibição, e o terror “Natal Sangrento” (Black Christmas), ambos com rendimentos medíocres. Mas enquanto o drama de Eastwood ainda pode prosperar devido às críticas positivas (77% de aprovação) e possíveis indicações a prêmios na temporada, “Natal Sangrento” enfrenta má vontade generalizada – crítica (44%) e público (nota D+ no CinemaScore) odiaram. “O Caso Richard Jewell” estreia em 2 de janeiro no Brasil, enquanto o segundo remake do clássico canadense “Noite do Terror” (Black Christmas, 1974) deve chegar por aqui direto em VOD. Confira abaixo os rendimentos dos 10 filmes mais vistos no fim de semana na América do Norte, e clique em seus títulos para ler mais sobre cada produção. BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. Jumanji: Próxima Fase Fim de semana: US$ 60,1M Total EUA e Canadá: US$ 60,1M Total Mundo: US$ 212,6M 2. Frozen 2 Fim de semana: US$ 19,1M Total EUA e Canadá: US$ 366,5M Total Mundo: US$ 1B 3. Entre Facas e Segredos Fim de semana: US$ 9,2M Total EUA e Canadá: US$ 78,9M Total Mundo: US$ 162,2M 4. O Caso Richard Jewell Fim de semana: US$ 5M Total EUA e Canadá: US$ 5M Total Mundo: US$ 5M 5. Natal Sangrento Fim de semana: US$ 4,4M Total EUA e Canadá: US$ 4,4M Total Mundo: US$ 7,5M   6. Ford vs. Ferrari Fim de semana: US$ 4,1M Total EUA e Canadá: US$ 98,2M Total Mundo: US$ 184,6M 7. Queen & Slim Fim de semana: US$ 3,6M Total EUA e Canadá: US$ 33,1M Total Mundo: US$ 33,1M 8. Um Lindo Dia na Vizinhança Fim de semana: US$ 3,3M Total EUA e Canadá: US$ 49,3M Total Mundo: US$ 49,3M 9. Dark Waters – O Preço da Verdade Fim de semana: US$ 2M Total EUA e Canadá: US$ 8,8M Total Mundo: US$ 9,2M 10. Crime sem Saída Fim de semana: US$ 1,1M Total EUA e Canadá: US$ 26,3M Total Mundo: US$ 37,8M

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  • Filme

    A Vida Invisível merece todo o reconhecimento que vem conquistando

    15 de dezembro de 2019 /

    A reflexão sobre o machismo e a condição opressora vivida pelas mulheres de gerações passadas – nossas mães, nossas avós etc – já era um tema caro a Karim Aïnouz desde seu primeiro filme, o curta-metragem “Seams” (1993), realizado quando o cineasta morava nos Estados Unidos, e que poderia muito bem servir como extra de alguma edição especial em BluRay de “A Vida Invisível” (2019), o novo e premiado filme do diretor cearense. Em “Seams”, Aïnouz entrevista sua mãe, suas tias e sua avó, a fim de saber como era o casamento, como era o relacionamento com os homens no passado. E a presença masculina, na grande maioria dos relatos, se mostrava, para usar um termo atual, tóxica. Em “A Vida Invisível”, o diretor adapta o romance “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, da jornalista pernambucana Martha Batalha, que conta a história de duas irmãs vivendo no Rio de Janeiro dos anos 1950, e que são separadas pelo destino, com a ajuda de homens capazes de oprimir, mentir e maltratar essas mulheres. No caso, o patriarca da família de Eurídice (Carol Duarte) e Guida (Julia Stockler) é essa principal mão poderosa e opressora. Mas, como um filme que abraça o melodrama com todas as forças, “A Vida Invisível” também brinca bastante com as ironias perversas da vida, com a forma como tudo parece conspirar para que aquelas duas irmãs não se vejam. A separação ocorre pela primeira vez quando Guida foge com um marinheiro grego e volta para casa grávida e frustrada – o jovem que parecia ser o seu príncipe encantado era na verdade um canalha. Guida vê como opção voltar para a casa dos pais, mas é expulsa pelo pai, que ainda conta que a irmã Eurídice está na Europa. Mal sabia Guida que sua irmã havia se casado com um homem patético, vivido por Gregório Duvivier, e que morava ali mesmo, no Rio de Janeiro. A cena do casamento e a noite de núpcias do novo casal passa toda a sensação de desconforto extremo da mulher. Na verdade, ela é praticamente estuprada na primeira noite. A imagem dos dois se olhando no espelho, após o sexo nada bom para a jovem, é memorável. Enquanto Guida se esforça para viver uma vida de mãe solteira, Eurídice tenta não engravidar, a fim de conseguir sua tão sonhada vaga em um conservatório de música. Ela é pianista e gostaria muito de estudar piano, aprofundar-se naquilo que mais ama. As duas, porém, vão vivendo uma vida de frustrações – Guida não consegue novos relacionamentos estáveis com os homens e Eurídice acaba engravidando contra sua vontade. O filme também afasta uma visão romântica da maternidade. É importante destacar que as duas protagonistas não são mulheres conformadas com suas condições no mundo do patriarcado. Guida é independente e tenta ser alegre, ir a festas e ter aventuras passageiras com alguns homens; Eurídice, por sua vez, tenta, à sua maneira, mesmo grávida, a vaga no conservatório. Enquanto isso, o filme vai entrecortando a narrativa com as cartas que Guida envia para a irmã, no endereço de seus pais, sonhando que um dia elas seja respondidas. Infelizmente, passam-se anos e as cartas não chegam a Eurídice. É uma situação bastante triste, que aproxima “A Vida Invisível” de um tipo de melodrama mais duro, como o do alemão Rainer Werner Fassbinder, do que dos exemplares clássicos hollywoodianos, como os filmes de Leo McCarey, que provocam o choro com mais facilidade. No filme de Aïnouz, o choro fica preso na garganta, pelo menos em boa parte da metragem. O filme foi gravado em película com uma câmera intacta de 1960, o que passa uma impressão de obra saída de tempos atrás, embora haja um diálogo direto com o momento atual. No aspecto visual, há ainda uma busca pelas cores saturadas na fotografia de Hélène Louvart, responsável pela direção de fotografia de “Feliz como Lázaro” (2018), de Alice Rohrwacher, e o uso do vermelho com certa constância, além da umidade do verde das árvores. E, há, claro, a presença maravilhosa de Fernanda Montenegro como a versão idosa de Eurídice, para fechar com chave de ouro este trabalho, vencedor da mostra Um Certo Olhar em Cannes, indicado ao Spirit Awards e um dos favoritos à vaga no Oscar, na categoria de Melhor Filme Internacional. Karim Aïnouz e toda a equipe, incluindo o produtor Rodrigo Teixeira, merecem todo o sucesso que a obra anda conquistando mundo afora. E isso em um momento necessário para o cinema brasileiro, que ao mesmo tempo que chegou a um ponto de excelência e de visibilidade mundial em festivais, segue sendo atacado por um governo estúpido. Estúpido, burro e perverso, como o pai de Eurídice e Guida.

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  • Filme

    Carcereiros – O Filme tem ritmo e ação impressionantes, mas história fraca

    15 de dezembro de 2019 /

    “Carcereiros – O Filme” é uma adaptação da série de TV produzida pela Globoplay. A proposta desta versão cinematográfica é narrar uma história curta, que funcione tanto para os fãs da atração quanto para quem não a conhece. Espécie de “Operação – Invasão” (2011) brasileiro, o longa-metragem dirigido por José Eduardo Belmonte (“Alemão”) aposta em um ritmo frenético e ação quase ininterrupta, numa trama que se desenrola no período de uma única noite. O resultado técnico atesta a maturidade que o cinema de gênero – no caso, o thriller de ação – vem atingindo no Brasil. Escrito por Marçal Aquino, Fernando Bonassi, Dennison Ramalho e Marcelo Starobinas, o roteiro acompanha Adriano (Rodrigo Lombardi), um carcereiro acostumado a caminhar pela linha tênue que separa as grades do presídio e a violência dos prisioneiros. Adriano procura sempre resolver os conflitos por meio do diálogo, tratando os presos com respeito e dignidade. Além disso, ele respeita as “leis” que regem o interior da prisão, local que ele próprio compara ao microcosmo de um país, com governos distintos e diferença de classes. A própria arquitetura do espaço serve para reforçar tal ideia. Existem aqueles que ficam no topo e aqueles que ficam embaixo. As brigas entre as diferentes facções não afetam os “gravatas”, indiferentes a quem se encontra no poder. Mesmo em meio à aparente tranquilidade, Adriano sempre transita com cuidado, como se carregasse uma dinamite em mãos. O pavio é aceso com a chegada de Abdel Mussa (Kaysar Dadour), um terrorista internacional que precisa passar uma noite na prisão, antes de ser transferido. A presença de Mussa causa uma reestruturação forçada no local, com presos sendo trocados de celas e conflitos se agravando. A explosão acontece quando um grupo paramilitar invade o presídio, aparentemente em busca do criminoso internacional. E mais combustível é jogado na fogueira quando os próprios prisioneiros planejam um ataque contra o terrorista. Em meio a ataques que acontecem – literalmente – de todos os lados, Adriano precisa proteger o prisioneiro, ao mesmo tempo em que coloca sua própria vida em risco. Concebendo sequências impressionantes – como a que mostra a invasão do presídio –, Belmonte procura transmitir o sentimento de ameaça constante utilizando-se da câmera na mão, como forma de colocar o público no meio da ação. O recurso amplifica o sentimento de urgência. O problema é que as vezes a câmera treme demais e isso, somado à fotografia escura, dificulta a compreensão do que está acontecendo em cena. Ainda assim, Belmonte é hábil em outras escolhas visuais. É notável, por exemplo, a sutiliza com que ele apresenta o personagem de Dan Stulbach em certo momento, introduzindo-o à narrativa sem chamar atenção para isso. Em meio ao frenesi da trama, “Carcereiros – O Filme” peca, justamente, na composição dos seus personagens-título. Pois se por um lado é notável a cena em que Adriano pega uma arma, mas a larga em seguida, lembrando-se da sua verdadeira função, em outros momentos essa função parece ser esquecida tanto por ele quanto pelo filme. Muitas das mortes ocorridas ao longo da narrativa são culpa – direta ou indireta – das ações do protagonista. São suas escolhas de levar certos prisioneiros para determinados lugares que causam muitos dos problemas. Adriano começa o filme se apresentando como uma espécie de intermediário entre a sociedade além dos muros do presídio e as pessoas que estão lá dentro. Mas ele termina se tornando muito mais passivo do que intermediário. E vê-lo, ao final, assumindo crédito pelo resultado da operação é no mínimo contraditório.

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  • Filme

    O Juízo oferece suspense sobrenatural para refletir e deslumbrar

    15 de dezembro de 2019 /

    “O Juízo” é uma incursão do cinema brasileiro no gênero suspense, terror. Assim como outras tentativas bem sucedidas realizadas anteriormente, ele contribui para ampliar o alcance do nosso cinema para além dos documentários, comédias e dramas que têm marcado a produção nacional crescente. Considerado um suspense sobrenatural, é, na verdade, um filme que crava na trama as marcas da história brasileira, do extrativismo à escravidão, que deixaram uma dívida que remonta a séculos e está na construção da vergonhosa desigualdade, preconceito e racismo, que vivemos até hoje. Mérito, claro, do talento de escritora da roteirista Fernanda Torres que, infelizmente, não participa do filme de seu marido, Andrucha Waddington, como atriz. Em compensação, Fernanda Montenegro, sua mãe, está lá, brilhante como sempre. O filme tem mesmo uma característica familiar. Joaquim Torres Waddington, filho do diretor e da roteirista, estreia no cinema como ator neste filme. Para além das relações familiares, o elenco tem Felipe Camargo, Carol Castro e Criolo, em papeis centrais e o grande Lima Duarte em participação especial. O que mais entusiasma em “O Juízo” nem é a sua história, muito boa, ou seu superelenco, mas seu apuro visual. Enquadramentos belíssimos, do alto, na água, nos caminhos molhados (o filme é quase todo passado na chuva), nos ambientes de uma fazenda, supostamente mineira, na verdade filmada no Estado do Rio. Uma fotografia esmaecida, esfumaçada, escurecida, concretiza uma narrativa que remete a trevas, com grande beleza e explora também com eficiência a luminosidade do fogo. Ótimo trabalho do diretor de fotografia Azul Serra. Destaque também para a direção de arte de Rafael Targat. Um trabalho de equipe muito bem coordenado por Andrucha Waddington. O enredo remete a uma família, Augusto (Felipe Camargo), Tereza (Carol Castro) e o filho Marinho (Joaquim Torres Waddington), que vão em busca de colocar a vida em ordem, resolvendo problemas econômicos e do alcoolismo de Augusto, assumindo morar numa fazenda isolada e abandonada, herdada do avô. A propriedade, porém, traz o carma de uma traição, envolvendo um homem escravizado, Couraça (Criolo) e sua filha, uma dívida ancestral. Diamantes estão envolvidos na história, colocando a cobiça como parte integrante e trágica da narrativa. Mais suspense que terror, fantasmagórico, mas realista e indutor de reflexão, “O Juízo” é um filme que se vê com prazer, com destaque para o esmero visual, que merece ser apreciado com atenção.

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  • Filme

    Candidato russo ao Oscar, Uma Mulher Alta retrata traumas femininos de guerra

    15 de dezembro de 2019 /

    “Uma Mulher Alta” é um drama humano que remete a questões femininas, como a reprodução, num contexto de guerra, em que as mulheres estão mutiladas, abaladas psicologicamente, sofrendo as consequências do conflito que recém-terminou. A trama se passa em Leningrado (hoje, São Petersburgo) em 1945, ao final da 2ª Guerra Mundial, em que a cidade sofreu um dos piores cercos da história. O olhar do filme, inspirado no livro “A Guerra Não Tem Rosto de Mulher”, de Svetlana Aleksiévitch, é justamente sobre as consequências que a guerra deixa na vida e no corpo das mulheres. Um enfoque de gênero muito apropriado, já que o que conhecemos mais é o efeito bélico que destrói os homens, sempre vistos como protagonistas, os principais atores da trama. No evento abordado em “Uma Mulher Alta” reconhece-se também uma situação que envolveu mais intensamente as mulheres no contexto de guerra na resistência russa. As personagens que representam essas mulheres são Iya (Viktoria Miroshnichenko), a grandona desajeitada que inspira o título brasileiro, e Masha (Vasilisa Perelygina). Figuras heroicas pelo que fizeram e continuam fazendo pelos mutilados e mutiladas de guerra, como elas próprias. Tentam reconstruir suas vidas, como todos, mas esbarram em barreiras pessoais que remetem de forma direta à guerra que tiveram de vivenciar. E, ao tentarem se desvencilhar ou contornar suas limitações, acabam por gerar novos dramas e problemas, ao invés de superá-los ou vencê-los. Tudo isso é mostrado numa narrativa que enfatiza os sentimentos, a frustração e o desespero, em especial, numa caracterização de época feita com muito cuidado e delicadeza. A paleta de cores em que dominam o verde e o ocre dá destaque a esse drama e o calor dos sentimentos. Os veículos e os objetos de cena são em grande parte autênticos da época, cedidos por museus russos, como o dos transportes. As recriações e o figurino procuram respeitar com fidelidade os ambientes e as pessoas, sem exagerar no sentido passadista. Há uma intenção de tomar aquele momento e situação passados como fontes de reflexão para o presente, em sintonia com uma visão feminista atual. Duas ótimas jovens atrizes protagonizam o trabalho, oferecendo força e consistência psicológica a suas personagens. Os homens e as outras mulheres com quem elas contracenam complementam e valorizam esse bom desempenho das estreantes Viktoria Miroshnichenko e Vasilisa Perelygina. O diretor Kantemir Balagov em seu segundo longa, após “Tesnota”, de 2017, realiza um trabalho com a câmera que produz envolvimento e tensão, enquadramentos que nos aproximam da personalidade daquelas mulheres e nos põem dentro do forte drama que elas vivem. “Uma Mulher Alta” é a indicação russa para concorrer ao Oscar de Melhor Filme Internacional, já passou por vários festivais internacionais, tendo alcançado premiações em Cannes (Melhor Direção e Prêmio da Crítica na mostra Um Certo Olhar) e também em Genebra, Montreal e Estocolmo.

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  • Filme

    Um Dia de Chuva em Nova York mostra desilusão de Woody Allen com a vida

    15 de dezembro de 2019 /

    Chegará o dia em que os filmes dos anos 2010 de Woody Allen serão revalorizados. Claro que isso só o tempo dirá, mas, a impressão que dá, vendo “Um Dia de Chuva em Nova York” (2019), é que o tom do filme lembra bastante o de algumas obras de Éric Rohmer ou de Hong Sang-soo. Não há um compromisso com o naturalismo nas interpretações, no ritmo das falas. No caso do filme de Allen, a velocidade dos acontecimentos é coerente com a agilidade dos diálogos. Há, como sempre, a projeção da própria persona de Woody Allen em seus personagens, e isso se vê em ambos os protagonistas. Enquanto Timothée Chalamet simboliza aquele aspecto mais amargo e pouco entusiasmado com a vida, ainda que não tanto quanto o protagonista de “Homem Irracional” (2015), que chegava ao niilismo, temos também a personagem entusiasmada, vivida com encanto por Elle Fanning. Ele vem de uma família abastada de Manhattan, embora não fique nada à vontade com suas origens e viva fugindo dos familiares e de uma festa que deveria estar presente; ela também vem de família rica, seu pai é um banqueiro em Tucson, Arizona, mas é alvo de chacota, por causa do lugar de origem, pelos amigos nova-yorquinos de Gatsby (personagem de Chalamet), que a consideram uma caipira. O filme começa com uma narração em voice-over por Gatsby, que confessa estar apaixonado por Ashleigh (Fanning), e isso lhe traz mais prazer de viver. Ela precisa ir a Nova York para entrevistar um famoso diretor de cinema para seu trabalho na faculdade e os dois partem para um par de dias em Manhattan. Gatsby tinha seus planos para o dia com Ashleigh: visitar museus, comer em bons restaurantes, passear bastante. Mas aí surgem alguns empecilhos, já que o diretor (Liev Schreiber), muito provavelmente por parecer atraído pela jovem estudante, decide dar-lhe um furo de reportagem, dizer o quanto está desgostoso com o projeto e ainda por cima mostrar uma prévia do novo filme, ainda em fase de produção. Uma oportunidade dessas Ashleigh não ia perder. E por isso vai adiando o encontro com o namorado, que vai sendo cada vez mais deixado de lado. As trajetórias de Gatsby e Ashleigh vão seguindo por caminhos opostos com relação ao encaminhamento de como ver a vida: enquanto ela parece uma criança em uma loja de doces à frente daquele universo hollywoodiano, com homens mais velhos da indústria bastante interessados sexualmente naquela jovem bela e com um figurino que lembra uma colegial, ela parece totalmente dona da situação, tanto por ser desejada até mesmo por um ator símbolo sexual (personagem de Diego Luna). Enquanto isso, sentindo uma falta enorme da namorada, Gatsby visita um set de filmagens de um amigo estudante de cinema e dá de cara com a irmã de uma ex-namorada, Chan (Selena Gomez), uma personagem atraente. Ele acaba participando do filme e a cena de beijo dos dois, num dos takes, é um dos pontos altos da temperatura erótica do filme. A outra cena boa, sensualmente falando, envolve a chegada de Ashleigh à casa do personagem de Diego Luna. Há quem veja a situação de Ahsleigh, ao final dessa situação, como humilhante, e talvez seja mesmo, mas há também algo de belamente erótico e perverso. Paralelamente, enquanto Ashleigh recebe uma bofetada ao ser exposta ao doce e ao amargo do showbizz hollywoodiano, Gatsby, ao ter uma conversa com a mãe, passa a ter uma ideia melhor de sua vida e de suas origens. Assim, “Um Dia de Chuva em Nova York” se torna um filme que apresenta uma visão agridoce da vida, num clima de desilusão que mistura parte do romantismo visto recentemente em “Magia ao Luar” (2014) com a amargura e a certeza de que a vida é que dá as cartas de “Café Society” (2016). Completando tudo isso, a fotografia linda do mestre Vittorio Storaro, que trabalhou com Allen no anterior “Roda Gigante” (2017), apresenta uma luz tão bela e tão própria do trabalho do cinematógrafo, que só é um pouco suavizada pela presença da chuva, símbolo das situações emocionalmente instáveis da vida de todos os personagens. Além do mais, não deixa de ser um alívio poder compartilhar mais uma vez o universo familiar e delicioso dos filmes de Allen, depois de tanta confusão causada pelas acusações de sua filha adotiva, que quase impediram o lançamento do filme, ao resgatar polêmicas da década de 1990 jamais comprovadas, mas revigoradas nesse momento de caça às bruxas. Mesmo agora, depois de ter entrado em um acordo com a Amazon, “Um Dia de Chuva em Nova York” segue inédito em seu país de origem. Enquanto isso, Allen já tem um novo filme em fase de pós-produção, rodado na Espanha.

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    Descubra três dramas que disputam indicações ao Oscar de Melhor Filme Internacional

    15 de dezembro de 2019 /

    Três filmes de passagem recente e meteórica pelo circuito comercial brasileiro representam indicações de seus países ao Oscar. Surpreendentemente, seguem em exibição, mas num só cinema ou num só horário. E são bons filmes, que mereceriam ser conhecidos. “Retablo” O filme é de 2017, foi exibido na Mostra de São Paulo do ano passado, mas é a indicação do Peru para o Oscar 2020, na categoria de Melhor filme internacional. Dirigido pelo cineasta e psicólogo Álvaro Delgado-Aparício, em seu primeiro longa, é um filme que lida com tradições, folclore, e um ambiente conservador, que torna tudo mais complicado e dramático. A trama aborda a tradição artística dos retablos – caixas artesanais portáteis, de madeira, com porta, que contém figuras de massa pintadas, que representam cenas religiosas ou cotidianas de famílias abastadas da elite local, como, por exemplo, dos políticos. É um belo trabalho que o reconhecido artesão Noé desenvolve e capacita seu filho adolescente de 14 anos, Segundo, para sucedê-lo. A narrativa se baseia na visão do adolescente. E foca na relação pai e filho. Essa bela arte tradicional será posta em xeque quando uma cena homoerótica é flagrada e não consegue ser assimilada pela sociedade conservadora e religiosa da localidade. Mais do que isso: é fortemente rejeitada e perseguida, sem abrir nenhuma possibilidade de assimilação. Como Segundo vai lidar com isso? Que caminho vai tomar? É por aí que o filme se coloca, questionando a visão conservadora, e explorando as manifestações artísticas e folclóricas que merecem ser preservadas. 101 min. “A Camareira” O drama de Lila Avilés, de 2018, é a indicação mexicana para concorrer ao Oscar de Filme Internacional. Sua narrativa concentra-se na vida penosa e frustrante de Eve, uma jovem mãe solteira que trabalha como camareira num hotel de luxo, na cidade do México, sem tempo para nada, nem mesmo para ver com regularidade seu bebê, cuidado por outra pessoa. Acompanhamos sua rotina e, como espectadores, vamos percebendo pouco a pouco o que a move, que expectativas tem, por onde passa seu desejo, que planos alimenta para o futuro e que ações toma, com base nisso. Vemos que o trabalho pesado e cansativo até promete, mas não cumpre. O que resulta disso é angustiante, especialmente quando uma esperança que parecia tão concreta não se realiza. Aí é que o filme ensaia caminhos e possibilidades, mas acaba não encontrando propriamente um rumo para a personagem. Ou prefere deixar em aberto, só sugerindo, esse rumo. As soluções individuais são mesmo muito complicadas, ou virtualmente inexistentes, quando um sistema explorador não oferece saídas reais, apenas doura a pílula, sendo até acolhedor ou afetivo sob alguns aspectos, mas sem resolver o cerne da questão. É como aquela história do gerente do banco que não resolve o que você precisa, mas o trata bem, oferece cafezinho e tal. De que adianta? “A Camareira” é um filme de clima, que nos põe no centro da vida de uma trabalhadora modesta, sem preparo, mas dedicada à função que ocupa, e que ousa ter esperança. Em certos contextos, no entanto, até sonhar é difícil. “Adam” Produção do Marrocos de 2018, dirigida por Maryam Touzani e indicada para concorrer pelo país ao Oscar de Filme Internacional, é um filme sobre mulheres desamparadas, cada qual à sua maneira. Põe em contato duas mulheres, uma, viúva com uma filha ainda pequena, que tenta sobreviver de forma estoica e a muito custo. Que se enrijece, endurece, mas não verga. É sua defesa, indispensável. Pelo menos até que encontra e acolhe uma jovem grávida, fora do casamento, o que é um problema moral no Marrocos, vagando pelas ruas sem casa ou trabalho. Do encontro das duas, vêm novas perspectivas. Uma modificará a outra, abrindo espaços para novas possibilidades e esperanças, num contexto muito difícil para ambas. Na verdade, para o trio, já que a menina que vive na casa, onde elas acabarão convivendo, servirá de elemento catalizador da relação, com a indispensável perspectiva do futuro que as crianças trazem. A maternidade está no centro dessa trama, em que as relações ocupam o lugar principal. A sempre possível perspectiva de mudança e o encontro consigo mesmo servem de elementos para uma história contada com sensibilidade e respeito pelos sentimentos, desejos e idiossincrasias de cada uma.

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    Anna Karina (1940 – 2019)

    15 de dezembro de 2019 /

    A atriz Anna Karina, mais que musa, um ícone da nouvelle vague, morreu no sábado (14/12) em Paris, aos 79 anos, em decorrência de um câncer. “O cinema francês ficou órfão. Perdeu uma de suas lendas”, afirmou o ministro da Cultura da França, Franck Riester, no Twitter. Nascida na Dinamarca, a atriz de rosto pálido e grandes olhos azuis foi morar em Paris ainda menor de idade, pedindo carona com a ideia de se tornar atriz. Acabou virando modelo. E foi por sugestão de Coco Chanel que mudou seu nome verdadeiro, Hanne Karin Bayer, para Anna Karina. Jean-Luc Godard, que a dirigiu em nada menos do que sete filmes, a descobriu em um anúncio e propôs um pequeno papel em “Acossado” (1960) com Jean Seberg e Jean-Paul Belmondo. Mas, inicialmente, ela rejeitou sua proposta, chamando-o de atrevido por querer que ela filmasse sem roupas. O cineasta continuou insistindo, até que ela aceitou estrelar “O Pequeno Soldado”, um drama sobre a guerra da Argélia. Durante as filmagens, os dois começaram um romance que duraria vários anos. Mas, por causa do tema (terrorismo), o filme enfrentou censura e só foi lançado três anos depois, em 1963. Assim, a lenda de Anna Karina acabou se materializando nas telas em seu segundo filme com Godard, “Uma Mulher É Uma Mulher” (1961). E, de forma arrebatadora, o desempenho hipnotizante lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Berlim, com apenas 20 anos de idade. A dupla lançou mais clássicos absolutos, como o drama “Viver a Vida” (1962), que rendeu os closes mais lindos e tristes de Anna Karina, enquanto sua personagem decaía para a prostituição – e inventava o estilo de moda “street” – , a comédia criminal “Bando à Parte” (1964), em que ela protagonizou uma das danças mais charmosas da história do cinema, a influente sci-fi modernista “Alphaville” (1965), o thriller que virou pop art “O Demônio das Onze Horas” (1965), com Jean-Paul Belmondo, e a sátira “Made in U.S.A.” (1966). Cada um dos papéis era incrivelmente diferente um do outro, resultando numa das mais prolíficas e criativas parcerias entre um casal diante e atrás das câmeras – e que foi homenageada pelo cartaz do Festival de Cannes do ano passado. Além dos filmes de Godard, ela ainda abrilhantou outros títulos obrigatórios da nouvelle vague, como o feminista “Cléo das 5 às 7” (1962), de Agnès Varda, e o impactante “A Religiosa” (1966), de Jacques Rivette. Mas não filmou com Claude Chabrol nem com François Truffaut, outros mestres do movimento. “Era a mulher de Jean-Luc. Isso certamente lhes dava um pouco de medo”, ela chegou a comentar, em entrevista. O relacionamento com Godard, porém, foi marcado por uma tragédia, a perda de um filho que ela esperava, que a deixou estéril. Anna Karina também sofreu muito com o machismo do marido. A última vez que o casal se viu foi há cerca de 30 anos, quando um programa da TV francesa organizou um encontro sem avisá-la. Ela desabou em lágrimas diante das câmeras, sendo recriminada por Godard. Desde então, não houve mais contato. “Ele está na Suíça e não abre a porta”, ela disse em 2005. “Não, não fico triste. Afinal, é a vida dele”. Sem arrependimentos, o tsunami que ela causou na nouvelle vague a tornou cobiçada pelo cinema comercial, levando-a a estrelar o sucesso “A Ronda do Amor” (1965), de Roger Vadim, e até produções televisivas. De forma significativa, Anna Karina estrelou e batizou o primeiro telefilme colorido da TV francesa, “Anna”, escrito pelo cantor Serge Gainsbourg em 1967. Foi nessa época que também estourou como cantora, gravando o tema do telefilme, “Sous le Soleil Exactement”, de Gainsbourg. Logo, ela se tornou maior que o mercado local, iniciando uma carreira internacional com a obra-prima do neo-realismo italiano “Mulheres no Front” (1965), de Valerio Zurlini, seguida pelo clássico “O Estrangeiro” (1967), do grande Luchino Visconti, em que contracenou com outro mito da interpretação, Marcello Mastrioianni. Também enveredou por aventuras do cinema britânico – “Mago, O Falso Deus” (1968), com Michael Caine, e “Antes do Inverno Chegar” (1968), com David Niven – e pelo “novo cinema alemão” – “O Tirano da Aldeia” (1969), de Volker Schlöndorff, e “Roleta Chinesa” (1976), de Rainer Werner Fassbinder – , chegando a Hollywood com “Justine” (1969), curiosamente como coadjuvante de outra estrela da nouvelle vague, Anouk Aimée. Após trabalhar com tantos mestres do cinema, Anna decidiu dirigir seu primeiro filme, “Vivre Ensemble”, uma história de amor entre drogas e álcool, lançada em 1973, que ela definiu como “um retrato da minha juventude”. Depois disso, só voltou a comandar mais um longa, “Victoria”, já em 2003. Mas não abandonou a paixão por diretores, casando-se sucessivamente com mais três: Pierre Fabre, Daniel Duval e o americano Dennis Berry, com quem viveu de 1982 até sua morte. Anna Karina teve presença constante nas telas até 1990, adorada pelos discípulos da nouvelle vague – entre outros, ela estrelou o primeiro longa de Benoît Jacquot, “The Musician Killer” (1976). Mas depois disso enfrentou dois grandes hiatos na carreira. Após cinco anos sem filmar, ela voltou a convite de seu colega de geração Jacques Rivette, para integrar o elenco do elogiadíssimo “Paris no Verão” (1995), emendando um longa do marido Dennis Berry, “Chloé” (1996), como uma prostituta veterana, ao lado da então ninfeta Marion Cotillard. Depois de um segundo espaçamento de meia década, vieram seus filmes finais: “O Segredo de Charlie” (2002), do americano Jonathan Demme, “Eu, César” (2003), nova parceria com o marido diretor, e “Victoria” (2008), sua despedida – escrita, dirigida e estrelada por ela própria.

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    Globoplay alfineta comercial de Bruno Gagliasso na Netflix

    15 de dezembro de 2019 /

    A Globoplay devolveu uma alfinetada na Netflix, depois que Bruno Gagliasso gravou um comercial fazendo teste para entrar numa série da plataforma. No vídeo, ele se dizia disposto a fazer qualquer papel, “não sendo novela” – numa referência a seus últimos personagens televisivos, que não o agradaram, nem à crítica. A gravação foi realizada para promover a assinatura de contrato do ator para estrelar duas produções em streaming. Mas a Globoplay não deixou passar batido, respondendo, de forma bem-humorada que “Tá liberado fazer séries e novelas por aqui”. O texto ainda acrescenta: “A boa notícia é que eu tenho os dois”, e inclui fotos de Gagliasso em vários papéis desempenhados na rede Globo. O ator começou a carreira profissional aos 17 anos e atuou em 15 novelas, 4 peças e 4 filmes. Destaque para o esquizofrênico Tarso Cadore em “Caminho das Índias” (Globo, 2009), o assassino em série Eduardo Borges da minissérie “Dupla Identidade” (Globo, 2014) e o vilão Timóteo Cabral de “Cordel Encantado” (Globo, 2011). Sua premiada carreira – são mais de 20 nomeações – incluem duas estatuetas do Emmy por “Caminho das Índias” e “Joia Rara”. Veja abaixo a resposta da Globoplay e clique aqui para lembrar como a provação começou. Ufa! Tá liberado fazer séries e novelas por aqui. A boa notícia é que eu tenho os dois. pic.twitter.com/v2eRmexqQZ — globoplay (@globoplay) December 12, 2019

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    Ingresso.com passa a incluir nota do Rotten Tomatoes nas vendas online

    15 de dezembro de 2019 /

    O site Ingresso.com começou nesta semana a incorporar a nota do Rotten Tomatoes na descrição dos filmes em cartaz nos cinemas brasileiros. Portal americano que agrega resenhas de cinema, o Rotten Tomatoes ficou conhecido por criar um ranking de aprovação de filmes com base na média de opiniões da crítica. Estes indicadores agora ficarão visíveis no site e aplicativo do Ingresso.com, ajudando o público a decidir que filme escolher. Vale lembrar que o Ingresso.com faz parte do grupo Fandango, maior rede de ingressos online dos Estados Unidos, que há tempos já inclui as notas do Rotten Tomatoes junto das sinopses dos filmes. Além de valores percentuais de aprovação, que vão de 0 a 100%, o Rotten Tomatoes também três avaliações principais: “podre”, para longas que com menos de 60% de avaliações positivas, “fresco”, para filmes com mais de 60% de críticas positivas, e “fresco certificado” para os que conseguem mais de 75% de aprovação. Além da classificação de críticos, o site também oferece avaliações do público, que já foram motivos de controvérsia devido a campanhas de fãs e manipulações de robôs. Entretanto, são duas coisas diferentes e a avaliação da crítica permanece bastante confiável.

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