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Filme

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    A Maldição da Chorona desrespeita a cultura mexicana

    18 de maio de 2019 /

    Chorona é uma personagem folclórica muito importante para a cultura mexicana. Sua história foi contada oralmente através dos séculos e sofreu diversas alterações com o passar dos anos, ganhando diferentes versões. Uma dessas versões fala de uma mulher do século 17, casada, mãe de dois filhos e aparentemente feliz. Porém, ao descobrir a traição do marido e tomada por um acesso de raiva, ela resolve se vingar da pior maneira possível: matando os filhos deles. Após realizar seu ato de vingança, ela se arrepende e é condenada a passar o resto da eternidade chorando. Segundo a lenda, seu choro pode ser escutado até hoje, especialmente em noites de lua cheia. Embora leve em conta o mesmo nome da lenda, o longa-metragem “A Maldição da Chorona” é desrespeitoso em relação àquele folclore, utilizando-o apenas como pano de fundo para criar um novo subproduto da franquia “Invocação do Mal”. Escrito por Mikki Daughtry e Tobias Iaconis (ambos de “A Cinco Passos de Você”), o filme tem início no ano de 1673, quando vemos uma mulher mexicana afogando seus dois filhos. Depois disso, a trama dá um salto temporal arbitrário de 300 anos e passa a se ambientar na década de 1970, na Califórnia. Passamos, então, a acompanhar a rotina de Anna Tate-Garcia (Linda Cartellini), uma assistente social viúva que precisa batalhar para conseguir cuidar do casal de filhos. Ao investigar um dos seus casos – o de uma mulher de origem mexicana cujos filhos não frequentavam a escola – , ela se depara com uma situação bizarra: a mãe estava escondida dentro do apartamento e mantinha as crianças presas no armário. Ignorando as suplicas da mulher, Anna os liberta. Mas a aparente tortura infantil era, na verdade, um ritual de proteção. Ao libertar as crianças, a protagonista também libertou o mal que os afligia. E não demora para a entidade fantasmagórica direcionar o seu olhar para Anna e sua família. A concentração da trama em torno de uma família americana é um problema moral e cultural de “A Maldição da Chorona”. A lenda é mexicana, mas nem mesmo o nome do diretor (americano) Michael Chaves no comando do longa disfarça a visão estrangeira que impera nessa produção. Nada disso, porém, é novidade. E o problema não reside necessariamente neste etnocentrismo, mas no seu contraponto. Coadjuvantes na sua própria história, os personagens latinos são retratados como versões estereotipadas de uma cultura reduzida a penduricalhos espalhados pela casa e um conhecimento inerentes do oculto. O pior é perceber como os mexicanos são progressivamente eliminados da narrativa (como é o caso do marido de Anna, cujo sobrenome “Garcia” o condena a um destino trágico antes mesmo do início da projeção) ou são vistos como vilões, como os causadores do mal (vide a personagem de Patricia Velasquez). Donald Trump ficaria satisfeito com esse filme, pois parece comprovar a sua teoria a respeito dos “perigos da imigração”. Estruturalmente, o roteiro também é falho. Não existe qualquer explicação para a maldição estar presente naquele contexto. Não sabemos porque ela estava ameaçando a família mexicana e desconhecemos o real motivo que a levou a mãe a trancar seus filhos no armário. Além do mais, algumas das escolhas narratias são mal desenvolvidas e abandonadas em seguida. Em certo momento, por exemplo, é dito que a filha pequena de Anna está sob o feitiço da Chorona e é obrigada a seguir os comandos dela. Isso parece ser esquecido já na cena seguinte, e não é explorado nem quando a Chorona se beneficiaria dessa ajuda incondicional (em vez de ficar procurando pela menina, ela poderia fazê-la vir ao seu encontro). Ainda assim, nada se compara ao momento em que a menina ignora uma instrução clara que visa a sua proteção – e de toda a sua família – para “salvar” a sua boneca que, por sinal, não corria perigo algum. A necessidade de conectar esse filme com o universo de “Invocação do Mal” também se mostra problemática. Inexplorada pela divulgação do longa, essa revelação causa mais estranhamento do que surpresa. A tal ligação com o universo criado por James Wan é feita por meio de um personagem, o padre Perez (Tony Amendola), visto em “Annabelle”, e também em uma cena de flashback, na qual aparece a boneca demoníaca. E só. A inutilidade dessa conexão é tamanha que o próprio padre Perez se afasta da narrativa logo em seguida, e não faz falta. A aproximação entre “A Maldição da Chorona” e “Invocação do Mal” se dá mais na vontade de Chaves em imitar o estilo de James Wan. Isso é perceptível, por exemplo, no plano-sequência que apresenta a família Garcia. Porém, falta ao discípulo a sutileza do mestre de priorizar a tensão, em detrimento do susto. Este é um diferencial do trabalho de James Wan em “Invocação do Mal”. Embora ele sempre opte pelo susto, este vem como uma catarse, um alívio, uma forma de avisar o espectador que o perigo passou, ao menos momentaneamente. Chaves faz o oposto. Incapaz de manter a tensão por muito tempo, ele apela para os sustos fáceis. Com isso, até acerta em alguns jump scares criativos (como aquele envolvendo um guarda-chuvas), mas o excesso acaba por banalizá-los, anestesiando o público. Tecnicamente, o filme também tem problemas. A intenção do diretor de fotografia Michael Burgess (do vindouro “Annabelle 3: De Volta Para Casa”) é mergulhar os seus personagens na escuridão, mas ele pesa a mão na sua escolha, prejudicando a compreensão do que está acontecendo na tela – que, em muitos momentos, vira um borrão escuro. Apesar de todos os problemas, “A Maldição da Chorona” teve bom rendimento nas bilheterias e deu a Chaves o cargo de diretor de “Invocação do Mal 3”, previsto para 2020. Infelizmente, isso não é motivo de celebração.

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    Jean-Claude Brisseau (1944 – 2019)

    18 de maio de 2019 /

    Morreu no último sábado (11/5) o cineasta Jean-Claude Brisseau, um dos cineastas mais controvertidos da França, adorado pelos cinéfilos, odiado pelas feministas. Ele faleceu num hospital em Paris, aos 74 anos, depois de uma doença que se estendeu por muitos anos. Brisseau surgiu em cena logo depois da nouvelle vague, lançando seu filme de estreia “La Croisée des Chemins” em 1976. Era um filme amador, em que ele fez praticamente tudo sozinho, mas acabou sendo exibido num festival e visto pelo cineasta Eric Rohmer, que o encorajou e o ajudou a entrar no cinema “comercial”. Mas Brusseau nunca foi, realmente, comercial. Desde “Um Jogo Brutal” (1983), seu cinema se caracteriza por cenas sexuais fortes. Foram quatro décadas de filmes marcados por sexualidade e muita nudez feminina. E, ao mesmo tempo, referências de alta cultura – ele era professor – , que conseguiam deixar os cinéfilos mais excitados que os nus frontais. A crítica começou a prestar atenção em sua filmografia a partir de “Do Som e da Fúria” (1988), que venceu o Prêmio Especial da Juventude do Festival de Cannes. A obra do cineasta também foi fundo no misticismo, principalmente em “Céline” (1992), uma das raras tentativas de se filmar uma santa “moderna”. Mas toda a riqueza de elementos de seus filmes acabou subestimada, após o erotismo assumir o primeiro plano nos anos 2000, durante sua trilogia sobre o prazer feminino, composta por “Coisas Secretas” (2002), “Os Anjos Exterminadores” (2006) e “A Aventura” (2008). São filmes de sexo, sexo em dobro e sexo no plural, mas também sobre metafísica e cultura. Vale observar que “Coisas Secretas” venceu um prêmio “Cultural” em Cannes. Mesmo assim, quase acabou com a carreira do diretor. Algumas atrizes o acusaram de assédio durante o casting da produção e Brisseau foi condenado a um ano de prisão e ao pagamento de uma indemnização. Isso não mudou sua determinação de filmar sexo. Após fechar sua trilogia, Brisseau lançou “A Garota de Lugar Nenhum” (2012), com o qual venceu o prêmio mais importante de sua carreira: Melhor Filme do Festival de Locarno. Na obra, ele próprio assumiu o papel principal, às voltas, claro, com uma bela mulher e suas fantasias sexuais – e metafísica e cultura. No final da vida, ele virou alvo do movimento #MeToo francês, a ponto de uma retrospectiva da sua obra na Cinemateca Francesa precisar ser cancelada por pressão “popular”. O cineasta ainda lançou “Que le Diable Nous Emporte” no ano passado, filmado em seu próprio apartamento em Paris – como já tinha feito no longa anterior – para fugir dos protestos. O filme terminava com uma gargalhada feminina. Segundo ele, inspirada nas gargalhadas mais violentas da história do cinema.

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    Remake de Meu Ódio Será Sua Herança escala Michael Fassbender, Jamie Foxx e Peter Dinklage

    17 de maio de 2019 /

    Mel Gibson começou a montar o elenco do seu próximo projeto na direção, o remake do western “Meu Ódio Será Sua Herança” (The Wild Bunch), clássico dirigido por Sam Peckinpah em 1969, que é considerado pioneiro do chamado cinema ultraviolento. A imprensa americana informa que a produção está negociando com os atores Michael Fassbender (“X-Men: Fênix Negra”), Jamie Foxx (“Django Livre”) e Peter Dinklage (“Game of Thrones”). Mas vale lembrar que não há personagem negro ou anão no filme original. A trama filmada por Peckinpah se passava em 1913 e girava em torno de uma quadrilha de foras da lei envelhecidos, que planejam um último assalto para se aposentarem, mas acabavam caindo numa armadilha, vítimas dos novos tempos do século 20. Após o massacre da maioria de seus integrantes, os remanescentes fogem pela fronteira, apenas para se verem em meio a outro conflito, durante a revolução mexicana. Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original, o longa tinha no elenco nomes como William Holden, Ernest Borgnine, Robert Ryan, Edmond O’Brien, Warren Oates e Ben Johnson. O próprio Gibson escreveu o roteiro da adaptação ao lado de Bryan Bagby (“L.I.N.X.”). Com financiamento da Warner Bros., o longa-metragem deve começar filmagens perto do fim do ano e ganhar data de lançamento em 2020. A refilmagem será o primeiro projeto de Gibson como diretor desde “Até o Último Homem”. Lançado em 2016, o épico de guerra venceu dois Oscar e rendeu outras quatro indicações, incluindo Melhor Filme e Direção, recuperando o prestígio de Gibson, arranhado por surtos públicos. Divulgação

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    Gerald Butler volta a salvar o presidente dos EUA no trailer da continuação de Invasão a Londres

    17 de maio de 2019 /

    A Lionsgate divulgou o pôster e o primeiro trailer do filme de ação “Angel Has Fallen”, ainda sem título em português, que compõe uma trilogia com “Invasão a Casa Branca” (2013) e “Invasão a Londres” (2016). A prévia traz Gerard Butler novamente tendo que salvar o presidente dos Estados Unidos de um ataque terrorista. Mas há algumas diferenças. Desta vez o presidente é vivido por Morgan Freeman, que era líder do Congresso nos filmes anteriores. E o agente secreto Mike Banning, personagem de Butler, acaba incriminado pelo atentado. Ele é o Angel do título em inglês – o anjo guardião do presidente. Assim, além de enfrentar tiros de terroristas, precisa se livrar da prisão e não poderá contar com ajuda do serviço secreto para salvar o presidente, que está na mira de um novo atentado. O elenco também inclui Piper Perabo (“Covert Affairs”), Jada Pinkett Smith (“Gotham”), Lance Reddick (“John Wick”), Tim Blake Nelson (“Quarteto Fantástico”), Nick Nolte (“Guerreiro”) e Danny Huston (“Mulher-Maravilha”). A direção é de Ric Roman Waugh (“Sem Perdão”), a história foi desenvolvida pelos criadores da franquia, Creighton Rothenberger e Katrin Benedikt, e o roteiro é de Robert Mark Kamen (de “Busca Implacável”). A estreia foi marcada para 23 de agosto nos Estados Unidos e 5 de setembro no Brasil.

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    Vídeo de bastidores do novo Brinquedo Assassino revela como Chucky é feito

    17 de maio de 2019 /

    A Orion Pictures divulgou um vídeo de bastidores do remake de “Brinquedo Assassino”, que mostra como o novo Chucky ganha vida, da fabricação aos movimentos. Conforme mostra o vídeo, Chucky é representado por vários modelos robóticos em tamanho real, com rostos capazes de demonstrar diversas emoções e movimentos que combinam animatronics (comando eletrônico) e manipulação ao velho estilo fantoche. Apesar de ser considerado um remake, o novo “Brinquedo Assassino” é bem diferente do filme dos anos 1980, já que Chucky agora é basicamente – como diz Aubrey Plaza (“Legion”) no vídeo – um robô, com um sistema de inteligência artificial conectado à chamada “internet das coisas”, que controla toda a casa de suas vítimas principais. Além disso, sua voz tem novo dono, dublada por Mark Hamill (o Luke Skywalker de “Star Wars”). No filme, Aubrey Plaza é a mãe que resolve dar o boneco de presente para o filho, vivido por Gabriel Bateman (“Quando as Luzes se Apagam”), sem saber de sua natureza sinistra. O elenco também destaca Brian Tyree Henry (“Atlanta”) como um policial. Roteiro e direção estão a cargo de dois novatos nos cinemas: o roteirista Tyler Burton Smith, que escreve videogames, e o diretor norueguês Lars Klevberg, cujo primeiro longa – “Morte Instantânea”, uma versão ampliada do curta “Polaroid” – ainda não tem previsão de estreia nos Estados Unidos. A estreia de “Brinquedo Assassino” está marcada para 25 de julho no Brasil, mais de um mês após o lançamento norte-americano.

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    Robert Pattinson é favorito para virar o novo Batman do cinema

    17 de maio de 2019 /

    O ator Robert Pattinson, que já foi vampiro na franquia “Crepúsculo”, pode virar o homem-morcego no próximo filme de Batman. Ele seria o favorito do diretor Matt Reeves (“Planeta dos Macacos: A Guerra”) para o papel, segundo apuraram diferentes publicações americanas – as rivais Variety e The Hollywood Reporter, entre elas. Quando desistiu do filme, o ator Ben Affleck revelou que o diretor buscava um ator bem mais jovem para o papel. Pattinson completou 33 anos nesta semana, uma década a menos que Affleck. Outros atores que estariam no radar de Reeves, segundo o THR, são Armie Hammer (“Me Chame pelo seu Nome”), Nicholas Hoult (“X-Men: Fênix Negra”) e Aaron Taylor-Johnson (“Vingadores: Era de Ultron”). As filmagens devem começar entre o fim de 2019 e o início de 2020 com produção da Warner Bros. O roteiro foi escrito pelo próprio Reeves, que pretende abordar o lado detetive de Batman, até então nuncaexplorado no cinema. Por coincidência, o próximo filme a ser rodado por Robert Pattinson é uma produção do diretor Christopher Nolan, que dirigiu três filmes de Batman. Ainda sem título, este longa estreia em julho de 2020 e também está sendo produzido pela Warner Bros.

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    Jogos Mortais vai ganhar continuação concebida pelo comediante Chris Rock

    16 de maio de 2019 /

    “Jogos Mortais” vai voltar outra vez ao cinema. O estúdio Lionsgate revelou nesta quinta (16/5) que a franquia vai ganhar novo capítulo assinado por um roteirista inusitado: o comediante Chris Rock (cuja vida inspirou a comédia “Todo Mundo Odeia o Chris”). Fã da saga de terror, Rock concebeu a história do próximo filme e entregou para os roteiristas Pete Goldfinger e Josh Stolberg desenvolverem. A dupla é a mesma que assinou o resgate da franquia, em “Jogos Mortais: Jigsaw” (2017). Sim, “Jogos Mortais” já tinha voltado em 2017, como muitos lembram. Mas a Lionsgate está tratando o lançamento como uma nova volta. Seria uma reviravolta? Não, o lançamento é mais do mesmo, considerando que a direção será feita por Darren Lyn Bousman, responsável pelos capítulos dois, três e quatro da franquia entre 2005 e 2007. Os produtores afirmam que Rock tem “uma visão completa” para a franquia, incluindo “várias continuações e spin-offs relacionados” à história de Jigsaw. “Estou animado com a oportunidade de levar esta história para lugares novos, inesperados, intensos e perturbadores”, declarou o comediante, em comunicado do estúdio. “Jogos Mortais” acompanha as armadilhas macabras montadas por Jigsaw, um serial killer moralista, e seus seguidores, que testam o comportamento de suas vítimas de forma violenta. Os oito filmes da franquia lançados até hoje somam US$ 970 milhões de bilheteria ao redor do mundo.

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    Bacurau divide a crítica internacional após première no Festival de Cannes

    16 de maio de 2019 /

    “Bacurau”, o representante brasileiro na disputa da Palma de Ouro em Cannes, dividiu as críticas da imprensa internacional. O filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles foi admirado pela fotografia, interpretações e ambição, mas também recebeu comentários negativos por esta mesma ambição, com alertas sobre problemas de roteiro. Veja abaixo o que disseram as principais publicações que cobrem o festival francês, onde o filme teve sua première mundial na noite de quarta (15/5). “Apesar de ser lindo visualmente e admirável em ambição, esse neo-faroeste nunca satisfaz como um todo”, resumiu a revista The Hollywood Reporter. “Apesar da violência gráfica em sua segunda parte, o terceiro longa-metragem de Mendonça Filho tem um tom mais leve do que seus trabalhos anteriores, combinando comédia ensolarada de cidade pequena com um enredo de fábula e uma pitada de realismo mágico. É uma mistura impressionantemente rica, mas talvez um pouco rica demais, mostrando-se exagerada e mal-arrematada”. “Uma versão abrasileirada de ‘Zaroff, o Caçador de Vidas’, baseado em alusões à cultura e política locais, ‘Bacurau’ é um daqueles raros filmes que seriam melhor se fossem mais burros ou menos ambiciosos”, comentou a revista Variety, que publicou uma das críticas mais negativas sobre a produção. O texto também afirma que são tantas citações que “notas de rodapé seriam mais importantes que legendas” para o público estrangeiro. “Fala sobre comunidades e exploração, até respingar tudo com sangue e músicas de ficção científica, a tal ponto que te desafia a lembrar de quais foram as questões em primeiro lugar. É perturbador e bagunçado, um sonho febril sobre um tempo perturbado no Brasil. E, ocasionalmente, diverte também”, tentou descrever o site The Wrap. “‘Bacurau’ é um trauma alucinógeno, com um toque de Alejandro Jodorowsky ou de ‘Pelos Caminhos do Inferno’, de Ted Kotcheff. Também é um faroeste vingativo que lembra Clint Eastwood em ‘Por um Punhado de Dólares’. É um filme estranho, executado com claridade e força brutais”, listou o jornal inglês The Guardian. “‘Bacurau’ tem problemas. É estranho, por exemplo, que Barbara Colen, a ótima atriz que interpretou Sonia Braga jovem em ‘Aquarius’, volte para casa para o funeral da avó e depois seja deixada de lado na história. Mas a combinação de sátira e selvageria é bastante feroz e intrigantemente única”, considerou o jornal inglês The Telegraph. “Um apelo à resistência num formato de faroeste que é difícil de acreditar ter sido formulado antes da última eleição presidencial no Brasil. E se o refinamento dramático de Bacurau nem sempre se eleva ao nível sagaz de sua intenção política, seu vigor e alegria selvagem carregam a narrativa”, descreveu o jornal francês Le Monde. “Em alguns aspectos, ‘Bacurau’ parece ser uma lógica continuação dos outros trabalhos críticos e autorais de Kleber Mendonça Filho. Ao mesmo tempo que é mais forte e inescrutável que os anteriores, ele se aprofunda em terror, quando seus fantasmas se tornam literais e seus heróis pegam em armas. Estrela de ‘Aquarius’, Sonia Braga surge sensacional mais uma vez”, elogiou o site Indiewire, que publicou a crítica mais positiva, descrevendo o filme como “maravilhoso e demente”.

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    John Wick 3 é a principal estreia da semana nos cinemas

    16 de maio de 2019 /

    Os cinemas recebem apenas oito estreias nesta quinta (16/5), com destaque para “John Wick 3 – Parabellum”, terceiro filme de uma franquia que fica melhor a cada lançamento. “John Wick 3 – Parabellum” também chega neste fim de semana nos Estados Unidos, onde recebeu críticas entusiasmadas – 93% de aprovação na média apurada pelo site Rotten Tomatoes. Com ação ainda mais frenética que os anteriores, a trama traz o personagem-título vivido por Keanu Reeves contra dezenas de assassinos que buscam uma recompensa milionária por sua morte. As muitas reviravoltas ainda aumentam o Wickverso de forma ambiciosa e surpreendente, considerando que tudo começou com um filme B dirigido por dublês há cinco anos. Os outros lançamentos são bem menos cotados, embora tenham seu público, como a animação “Uglydolls”, fracasso de crítica (30%) e bilheteria nos EUA, e “Kardec”, cinebiografia em tom teatral (solene) produzida no Brasil, que visa o mercado espírita. No circuito limitado, o destaque é a comédia argentina de humor negro “A Grande Dama do Cinema”, que marca o retorno do diretor Juan José Campanella ao cinema live-action, exatamente uma década após vencer o Oscar por “O Segredos dos Seus Olhos” (2009). De forma inusitada, o lançamento é simultâneo à estreia na Argentina. Sobre os demais títulos, há duas curiosidades: “O Sol Também é uma Estrela”, que tem apelo de romance teen da Netflix, é a terceira estreia simultânea da programação – chega neste fim de semana nos EUA – , enquanto o brasileiro “45 Dias Sem Você” está sendo disponibilizado também pela plataforma NOW. Confira abaixo os trailers e as sinopses de todas as estreias da semana. John Wick 3 – Parabellum | EUA | Ação Após assassinar o chefe da máfia Santino D’Antonio (Riccardo Scamarcio) no Hotel Continental, John Wick (Keanu Reeves) passa a ser perseguido pelos membros da Alta Cúpula sob a recompensa de U$14 milhões. Agora, ele precisa unir forças com antigos parceiros que o ajudaram no passado enquanto luta por sua sobrevivência. UglyDolls | EUA | Animação Os UglyDolls Moxy, Wage, Babo, Ice-Bat e Wedgehead rumam ao Instituto da Perfeição com o desejo de serem amados mesmo sendo diferentes. Subvertendo a ideia do feio como um adjetivo negativo, a animação mostra que não é preciso ser perfeito para ser incrível. Kardec | Brasil | Religioso A jornada de Allan Kardec (Leonardo Medeiros), nascido Hypolite Leon Denizard Rivail, desde quando trabalhava como educador em Paris até iniciar seu processo de codificação do espiritismo ao lado de sua esposa Amélie-Gabrielle Boudet (Sandra Corveloni). A Grande Dama do Cinema | Argentina | Comédia Formando um grupo improvável, uma antiga estrela do cinema mundial, um ator nos últimos dias de vida, um roteirista frustrado e um diretor peculiar fazem de tudo para preservar o universo lúdico que criaram dentro de uma clássica mansão. Quando dois jovens chegam ao local e ameaçam botar tudo a perder, eles precisam tomar atitudes drásticas. A Espiã Vermelha | Reino Unido | Suspense Em 1938, a britânica Joan Stanley estudava física em Cambridge quando se apaixonou por um jovem comunista. Na mesma época, ela foi convocada pelo Comitê de Segurança Russo (KGB) para atuar como espiã do Governo de Stalin no Reino Unido. Depois de mais de 50 anos de serviço muito bem sucedidos, ela foi descoberta e presa pela Serviço de Inteligência Britânico (MI5). O Sol Também é uma Estrela | EUA | Romance Natasha (Yara Shahidi) é uma jovem extremamente pragmática, que apenas acredita em fatos explicados pela ciência e descarta por completo o destino. Em menos de 12 horas, a família de Natasha será deportada para a Jamaica, mas antes que isso aconteça ela vê Daniel (Charles Melton) e se apaixona subitamente, o que coloca todas as suas convicções em questão. 45 Dias Sem Você | Brasil | Comédia Ao sofrer uma grande desilusão amorosa depois de aguardar por 45 dias um amor que nunca retornou, o jovem Rafael (Rafael De Bona) decide romper as próprias barreiras e embarca em uma inesperada viagem. Seu objetivo principal é ir até três locais diferentes, encontrar com três amigos que também optaram por abandonar suas vidas por outras razões. Antártica por um Ano | Brasil | Documentário Por iniciativa da Marinha do Brasil, um grupo de brasileiros – militares ou não – passa um ano inteiro na Antártica, dentro da EACF (Estação Antártica Comandante Ferraz). Eles dividem a sua experiência de passar tanto tempo consecutivo neste local isolado e inóspito.

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    Volta de Kleber Mendonça Filho a Cannes acontece sem novos protestos

    15 de maio de 2019 /

    Três anos depois de mobilizar fotógrafos no tapete vermelho de Cannes, com protestos na première de “Aquarius” contra o impeachment de Dilma Rousseff, então chamado de “golpe”, o cineasta Kleber Mendonça Filho voltou ao festival francês sem se manifestar contra o governo, em contraste com as passeatas que aconteceram no mesmo dia no Brasil. Desta vez, o cineasta pernambucano não fez nenhum tipo de manifestação política, passando com sua equipe pelo tapete sem maior alarde. Havia expectativa de que Mendonça Filho e o co-diretor do longa Juliano Dornelles, além do elenco, esboçassem algum protesto contra os cortes na educação e cultura promovido pelo governo de Jair Bolsonaro. O próprio Mendonça é alvo de um processo da Secretaria Especial da Cultura, que cobra mais de 2 milhões por divergências na prestação de contas de seu primeiro filme, “O Som ao Redor” (2012), algo que o diretor chegou a caracterizar como perseguição política. Em uma carta aberta publicada nas redes sociais no ano passado, ele afirmou estar sofrendo “uma punição inédita no Cinema Brasileiro” pela cobrança. Mas neste ano o cineasta disse, em entrevista para a imprensa internacional, que “o protesto agora é o filme”. Estrelado por Sonia Braga, Karine Telles e o alemão Udo Kier, entre outros, “Bacurau” se passa em uma cidadezinha do sertão do Nordeste que, de uma hora para outra, desaparece do mapa.

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    Zumbis abrem Festival de Cannes de baixas expectativas

    15 de maio de 2019 /

    Não deixa de ser sintomático que o Festival de Cannes tenha sido aberto na noite de quarta (14/5) por zumbis, após barrar a Netflix e seus filmes de prestígio, dignos de Oscar, como se viu em relação a “Roma” – vencedor do Festival de Veneza. “Os Mortos Não Morrem’ (The Dead Don’t Die), de Jim Jarmusch, é um filme assumidamente trash, que concorre à Palma de Ouro com Iggy Pop no papel de zumbi e um elenco repleto de estrelas – Adam Driver, Tilda Swinton, Bill Murray, Chloë Sevigny, Steve Buscemi, Selena Gomez, Tom Waits e outros que, pelo menos, dão ao tapete vermelho do festival a ilusão de glamour hollywoodiano. A trama não se preocupa com lógica, os personagens são clichês e Jarmusch ainda assumiu, em entrevista coletiva no evento, ter se inspirado em George A. Romero, o criador dos zumbis modernos, cujos filmes originais jamais foram tratados com a mesma reverência por Cannes. Por sinal, que entrevista coletiva desanimada! A crítica ficou dividida. “Como é um filme de zumbi de Jim Jarmusch? Exatamente como você esperaria: uma comédia de mortos-vivos irônica e hipster que visualiza o apocalipse de forma blasé e autoconsciente. ‘Os Mortos Não Morrem’ quer ser uma comédia macabra de ponta, mas a verdade é que está atrás da curva da cultura pop. Por isso é tão decepcionante”, tascou a revista Variety. Agora, a imprensa torce para não se decepcionar com “Dor e Glória”, de Pedro Almodóvar, “Sorry We Missed You”, do britânico Ken Loach, e “A Hidden Life”, de Terrence Malick. A lista inclui ainda “Frankie”, de Ira Sachs, “Le Jeune Ahmed”, dos irmãos Dardenne, “Matthias and Maxime”, de Xavier Dolan, “Oh Mercy”, de Arnaud Desplechin, “O Traidor”, coprodução brasileira dirigida pelo italiano Marco Bellocchio. São filmes de cineastas óbvios, que estão sempre em Cannes, como se sua inclusão fosse obrigatória ou resultado de piloto automático. O flerte com o tédio só é interrompido pela expectativa da première de “Era uma Vez em Hollywood”, o novo lançamento de Quentin Tarantino. Uma inclusão de última hora. E pela perspectiva embutida nas premières de “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, “Parasite”, de Bong Joon-ho, “Portrait de la Jeune Fille en Feu”, de Céline Sciamma, e “It Must Be Heaven”, de Elia Suleiman, representantes da nova geração. Cannes encontra-se numa encruzilhada em sua cruzada contra o streaming, mas não se deve descartar a possibilidade de surpresas. Se parece haver poucas novidades sob o sol da Riviera Francesa, o escuro do cinema sempre pode reverter as baixas expectativas inauguradas por zumbis que fazem rir.

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    James Wan vai produzir novo Mortal Kombat e as filmagens já estão marcadas

    14 de maio de 2019 /

    A franquia de games “Mortal Kombat” vai ganhar um novo filme. Steven Marshall, premiê da região sul da Austrália, anunciou que as filmagens vão começar ainda este ano em Adelaide, descrevendo o projeto como “a maior produção de um filme na história do sul da Austrália”. O cineasta James Wan (“Invocação do Mal”, “Aquaman”) é um dos produtores do projeto e emitiu um comunicado confirmando as declarações do governo australiano. “Eu estou muito feliz de trazer mais um filme para a Austrália, especialmente depois da ótima experiência de filmar ‘Aquaman’ no país”, comentou. “É ótimo que poderemos usar as locações e talentos incríveis do sul da Austrália. Será perfeito para este projeto de fantasia e ação”. A ideia de resgatar “Mortal Kombat” circula por Hollywood desde 2011, quando a Warner contratou o diretor Kevin Tancharoen, após o sucesso de seu vídeo do YouTube “Mortal Kombat: Rebirth”. Em 2013, no entanto, Tancharoen deixou o projeto, que nunca saiu do papel, citando “outras oportunidades criativas”. Wan embarcou na produção em 2015, mas avisou que não iria apressar o desenvolvimento. O estreante Simon McQuoid, diretor de publicidade, foi contratado para dirigir o filme em 2016, a partir de um roteiro desenvolvido por Dave Callaham (“Os Mercenários”) e Oren Uziel (“Anjos da Lei 2”). Não há confirmação se o projeto continua com esta configuração. A franquia já rendeu dois filmes nos anos 1990. O primeiro foi dirigido por Paul W.S. Anderson (franquia “Resident Evil”) em 1995 e é considerada a primeira adaptação bem-sucedida de um videogame. A sequência, “Mortal Kombat: Aniquilação” (1997), ficou a cargo de John R. Leonetti, que por coincidência trabalhou com James Wan como diretor de fotografia de “Invocação do Mal” (2013). Mas o filme foi um fracasso.

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    Criadores de Game of Thrones farão a próxima trilogia de Star Wars

    14 de maio de 2019 /

    Uma semana após anunciar as datas de estreia de uma nova trilogia da saga espacial “Star Wars”, o CEO da Disney, Bob Iger, revelou que os filmes serão escritos por David Benioff e D.B. Weiss, os criadores de “Game of Thrones”. A dupla foi contratada em fevereiro do ano passado para desenvolver a história, mas havia dúvidas sobre se a nova trilogia seria esse projeto, já que o diretor/roteirista Rian Johnson (de “Star Wars: Os Últimos Jedi”) também está desenvolvendo sua própria trilogia para a Lucasfilm. Bob Iger fez a confirmação durante uma palestra para investidores, em que também reforçou os planos de streaming da Disney. “Nós fizemos um acordo com Benioff e Weiss, que são famosos por ‘Game of Thrones’, e o próximo filme que lançaremos será deles. É só isso que eu posso falar por enquanto”, explicou o executivo. A frase não confirma uma trilogia completa, mas três longas de “Star Wars” ganharam destaque no calendário da Disney para a próxima década, com lançamentos marcados para os anos de 2022, 2024 e 2026. O executivo ainda contou por que a Disney decidiu deixar um intervalo de três anos entre “Star Wars: A Ascensão de Skywalker”, que será lançado em dezembro deste ano, e o próximo filme da franquia. “Achamos que seria esperto da nossa parte fazer um intervalo enquanto decidimos o que virá a seguir. Mas não vamos esperar até o lançamento [de ‘Skywalker’] para fazer planos, estamos trabalhando neste momento”, comentou. “A conclusão a que chegamos é que três anos era um intervalo apropriado, para que conseguíssemos respirar e começar tudo de novo. Queremos estar com o tanque cheio para o lançamento do próximo filme”, completou.

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