Bacurau divide a crítica internacional após première no Festival de Cannes



“Bacurau”, o representante brasileiro na disputa da Palma de Ouro em Cannes, dividiu as críticas da imprensa internacional. O filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles foi admirado pela fotografia, interpretações e ambição, mas também recebeu comentários negativos por esta mesma ambição, com alertas sobre problemas de roteiro.

Veja abaixo o que disseram as principais publicações que cobrem o festival francês, onde o filme teve sua première mundial na noite de quarta (15/5).

“Apesar de ser lindo visualmente e admirável em ambição, esse neo-faroeste nunca satisfaz como um todo”, resumiu a revista The Hollywood Reporter. “Apesar da violência gráfica em sua segunda parte, o terceiro longa-metragem de Mendonça Filho tem um tom mais leve do que seus trabalhos anteriores, combinando comédia ensolarada de cidade pequena com um enredo de fábula e uma pitada de realismo mágico. É uma mistura impressionantemente rica, mas talvez um pouco rica demais, mostrando-se exagerada e mal-arrematada”.

“Uma versão abrasileirada de ‘Zaroff, o Caçador de Vidas’, baseado em alusões à cultura e política locais, ‘Bacurau’ é um daqueles raros filmes que seriam melhor se fossem mais burros ou menos ambiciosos”, comentou a revista Variety, que publicou uma das críticas mais negativas sobre a produção. O texto também afirma que são tantas citações que “notas de rodapé seriam mais importantes que legendas” para o público estrangeiro.

“Fala sobre comunidades e exploração, até respingar tudo com sangue e músicas de ficção científica, a tal ponto que te desafia a lembrar de quais foram as questões em primeiro lugar. É perturbador e bagunçado, um sonho febril sobre um tempo perturbado no Brasil. E, ocasionalmente, diverte também”, tentou descrever o site The Wrap.



“‘Bacurau’ é um trauma alucinógeno, com um toque de Alejandro Jodorowsky ou de ‘Pelos Caminhos do Inferno’, de Ted Kotcheff. Também é um faroeste vingativo que lembra Clint Eastwood em ‘Por um Punhado de Dólares’. É um filme estranho, executado com claridade e força brutais”, listou o jornal inglês The Guardian.

“‘Bacurau’ tem problemas. É estranho, por exemplo, que Barbara Colen, a ótima atriz que interpretou Sonia Braga jovem em ‘Aquarius’, volte para casa para o funeral da avó e depois seja deixada de lado na história. Mas a combinação de sátira e selvageria é bastante feroz e intrigantemente única”, considerou o jornal inglês The Telegraph.

“Um apelo à resistência num formato de faroeste que é difícil de acreditar ter sido formulado antes da última eleição presidencial no Brasil. E se o refinamento dramático de Bacurau nem sempre se eleva ao nível sagaz de sua intenção política, seu vigor e alegria selvagem carregam a narrativa”, descreveu o jornal francês Le Monde.

“Em alguns aspectos, ‘Bacurau’ parece ser uma lógica continuação dos outros trabalhos críticos e autorais de Kleber Mendonça Filho. Ao mesmo tempo que é mais forte e inescrutável que os anteriores, ele se aprofunda em terror, quando seus fantasmas se tornam literais e seus heróis pegam em armas. Estrela de ‘Aquarius’, Sonia Braga surge sensacional mais uma vez”, elogiou o site Indiewire, que publicou a crítica mais positiva, descrevendo o filme como “maravilhoso e demente”.



Chris Thomas é uma eterna estudante de cinema com algumas pós-graduações e radicada em Paris há uma década.



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