John Wick 3 aumenta a ação, mas pausa a franquia para criar “universo”
John Wick, um ex-assassino profissional (o melhor de todos), voltou à ativa para vingar seu cachorro no longa original. Depois, o personagem de Keanu Reeves precisou encarar as consequências de seus atos, enfrentar a máfia italiana e sobreviver ao segundo filme (o melhor de todos), só para encher os fãs de expectativa para uma terceira parte que prometia ser colossal. Afinal, John Wick termina o filme anterior com a cabeça à prêmio e assassinos do mundo inteiro interessados na recompensa. A trégua da luta épica entre o protagonista e a morte certa é de apenas uma hora. Após isso, não há para onde fugir. E é exatamente no fim dessa paz momentânea que começa “John Wick 3: Parabellum”. É John contra o mundo. Agonizante, sem saída com a morte à espreita e esperando para dar o bote, e ainda assim um protagonista incansável, sem pausar nem por um segundo desde o começo da caçada do filme passado. E enfrentando os mais variados e criativos ataques, de facas e machados até livros (!) e coices de cavalos. Assim começa “John Wick 3”, tenso, divertidíssimo, sugerindo o filme de ação mais espetacular de todos os tempos. Mas a promessa não se confirma, porque o diretor Chad Stahelski tem planos. Ele quer ampliar a franquia e criar um universo que pretende ser mais que uma história de tiros e pancadarias. Com isso, abandona pela metade as lições de “Mad Max: Estrada da Fúria” e “Missão: Impossível – Fallout”, thrillers de tramas simples, que impulsionam sua narrativa via ação. Com pouquíssimas palavras, são filmes que só não são mudos porque são barulhentos demais. Há uma mudança brusca no ritmo quando o Sr. Wick encontra as personagens de Anjelica Huston, Halley Berry e outros, que pausam a ação para conduzir o protagonista do nada a lugar nenhum – ou o deserto – em sua jornada. O objetivo é claramente povoar a franquia com novos personagens e elementos para as continuações. Aliás, sabe o que significa Parabellum? É “prepare-se para a guerra”, subtítulo que mostra a verdadeira intenção do filme, de ser apenas uma preparação, afinal a tal guerra ainda não começou. Sim, teremos o já confirmado “John Wick 4”. O que não tira o mérito de Keanu Reeves no papel que ele nasceu para fazer. O cara é uma lenda. E mesmo aos trancos e barrancos, ele sustenta bem o filme. Felizmente, o longa também é recheado por ótimas cenas de ação, como o “pega pra capar” (literalmente) com os dois cachorros da personagem de Halle Berry – que tem aqui seu momento mais relevante no cinema desde seus dias de Bond girl. E há uma clara tentativa de compensar a enrolação com um clímax gigantesco com tiroteios e lutas intermináveis, que entretanto não repetem o impacto do começo do filme, justamente porque são… intermináveis. Mas, ok, quem encarou a fila para ver o terceiro John Wick já sabe o que esperar, e os fãs recebem o que pagaram. A ação intensa é o que “Parabellum” tem de melhor. A diferença é que desta vez há uma pausa para ir ao banheiro no meio dos tiros.
Crime de O Caravaggio Roubado não compensa
Depois de “Viva a Liberdade”, em 2013, e “As Confissões”, em 2016, o cineasta italiano Roberto Andò vem com um suspense cheio de mistérios e coisas a serem descobertas pouco a pouco. O fio condutor é um crime ocorrido há 50 anos, numa capela de Palermo, na Sicília, o roubo da pintura Nativitá, de Caravaggio, que segue sem solução. Não seja por isso, a ficção se encarrega de criar uma história que envolve uma escritora fantasma de um roteirista bem sucedido, que é conhecida apenas como secretária de um produtor de cinema. Ela tem acesso a uma oferta de uma história espetacular, mas muito perigosa. Vai dar na máfia, claro. Afinal, estamos em Palermo. Uma trama intrincada vai se desenvolvendo. Nada, ou pouco, se dá a conhecer à primeira vista. O quebra-cabeças vai se formando, fazendo sentido, e trazendo muitos outros elementos à trama. Em especial, pelos relacionamentos que se estabelecem e se transformam, dando ritmo aos eventos. “O Caravaggio Roubado” tem boas sequências, é visualmente bonito, tem ótimos desempenhos, mas se perde na falta de fluidez. Há uma preocupação excessiva em permanecer num clima de mistério constante que, se estimula de um lado, cansa de outro. Tensão e enigma não faltarão aos espectadores que forem ver o filme. O grande destaque vai para a protagonista Valéria, desempenho excelente de Micaela Ramazzotti (atriz de “Loucas de Alegria”), e para o papel de Renato Carpentieri (“Corpo Celeste”), muito bom. Alessandro Gassman (filho do lendário ator Vittorio Gassman) está num papel menor, mas central da trama, como o roteirista Alessandro Paes. O filme conta, ainda, com a participação especial do grande cineasta polonês Jerzy Skolimovski (“Matança Necessária”).
A Grande Dama do Cinema é homenagem surpreendente a Crepúsculo dos Deuses
O título em português de “A Grande Dama do Cinema”, que batiza o filme argentino “El Cuento de las Comadrejas”, enfatiza uma das características do novo trabalho de Juan José Campanella: a homenagem ao clássico de Billy Wilder “Crepúsculo dos Deuses” (Sunset Boulevard, 1950). Esse filme seminal de Wilder é sempre lembrado como referência ou reencenado, como é o caso do musical teatral que está em cartaz em São Paulo. “A Grande Dama do Cinema” retoma essa história. Mas não se limita a trazê-la para a Argentina atual com seus personagens – a atriz, o diretor, o roteirista, agora envelhecidos, que perderam o sucesso nos anos 1970, quando vigorava a ditadura militar no país – , como acrescenta inúmeros outros elementos e situações. O marido aparece como ator e em cadeira de rodas, como um novo personagem, o quarto da trama. E, para abordar a questão da diferença geracional, um casal de jovens entra nas relações, trazendo os conceitos capitalistas de lucro máximo e ética mínima, ou nenhuma, ao contexto. Ou seja, o ponto de partida é claro, o de chegada, não. O filme de Campanella surpreende em muitos aspectos. Faz um passeio pelos gêneros cinematográficos, de forma muito competente e segura. Com muito ritmo, passa da comédia ao drama e ao suspense, com um roteiro muito rico e bem engendrado. Os diálogos, que compõem um relacionamento corrosivo, sarcástico e competitivo entre os personagens, são admiráveis, inteligentes, divertidos, tocam nas feridas, provocam e, ao mesmo tempo, esclarecem os fatos. As artimanhas dos personagens fazem jus ao seu passado glorioso, jogos exigem planejamento, ensaios e atuações para enfrentar a situação-problema que vivem no momento. O final “natural” versus o final concebido para virar o jogo é um dos grandes trunfos do filme. Há muitas sequências interessantes para se apreciar. Em uma delas, Mara fala, enquanto um filme, com seu rosto jovem, aparece projetado, os rostos e lábios se superpõem e se descolam, unindo passado e presente. A forma como se constrói a narrativa que resulta em um assassinato e a disputa por um antídoto para um veneno é realizada com perfeição. O cineasta Juan José Campanella já é bem conhecido e faz sucesso no Brasil há um bom tempo. Quem não viu “O Filho da Noiva”, de 2001, “Clube da Lua”, de 2004, e o fabuloso “O Segredo dos Seus Olhos”, de 2009? Ele é um grande talento do cinema contemporâneo de nossos hermanos, com quem rivalizamos tanto no futebol, mas de quem gostamos muito no cinema. No caso deste filme, é importante destacar o incrível trabalho do elenco, brilhante, e de quem Campanella extraiu o melhor. A grande atriz Graciela Borges vive Mara Ordóz, uma antiga diva das telas, que vive de lembranças e objetos de seu sucesso, em que se destaca um “Oscar”, pesado a ponto de ser responsável por uma morte (lembremos que Campanella levou o Oscar de filme estrangeiro por “O Segredo dos Seus Olhos”). A escadaria que notabilizou Gloria Swanson como Norma Desmond, em “Crepúsculo dos Deuses”, é coadjuvante do notável desempenho de Graciela. Mas seus parceiros de cena alcançam também grandes performances: Luis Brandoni, como Pedro, o marido de Mara, Oscar Martinez, como Norberto, o diretor, com quem ela sempre trabalhou. E o roteirista desta história passada de êxito, Martin, é vivido pelo grande Marcos Mundstock. Talvez nem todo mundo saiba que Marcos Mundstock é um multiartista, músico, escritor e comediante, um dos fundadores de um grupo extraordinário de música e humor, chamado Les Luthiers, que encanta as plateias de língua espanhola, por toda a América e Espanha, há 40 anos. Infelizmente, é pouco conhecido no Brasil. Mas seu humor sarcástico, muito característico no Les Luthiers, está magnificamente bem aproveitado em “A Grande Dama do Cinema”. Além deles, o casal de jovens atores, Clara Lago, como Bárbara, e Nicolás Francella, como Fernando, não se intimida diante dos veteranos talentos com quem contracenam, dando conta do recado muito bem.
Netflix dá susto no Festival de Cannes ao comprar dois filmes recém-premiados
A Netflix assustou os organizadores do Festival de Cannes, poucos minutos após o encerramento do evento neste sábado (25/5), ao adquirir dois filmes recém-premiados: os franceses “Atlantique”, de Mati Diop, vencedor do Grande Prêmio do Júri, e “J’ai Perdu Mon Corps” (perdi meu corpo), de Jeremy Clapin, vencedor da mostra paralela Semana da Crítica. Proibida de disputar a competição francesa com os filmes que produz, a plataforma simplesmente esperou para comprar dois longas premiados pelo festival, minutos após o encerramento oficial da competição. Independente da vontade dos organizadores do evento, vai agora lançar em streaming dois filmes premiados em Cannes. O acordo tira “Atlantique” e “J’ai Perdu Mon Corps” dos cinemas – ou pelo menos da janela tradicional cinematográfica – no mercado internacional, mas preserva o lançamento original na França, onde os filmes só serão disponibilizados em streaming depois de 36 meses da estreia em tela grande (a janela francesa é a maior do mundo). Essa solução é, ao mesmo tempo, um susto no festival, mas também um aceno de comprometimento com a agenda pró-cinemas franceses do evento. A organização de Cannes optou por barrar as produções da Netflix na competição da Palma de Ouro após a inclusão de dois títulos de streaming há dois anos, o que mobilizou o parque exibidor francês em protestos e levou o festival a mudar suas regras. Ficando do lado dos donos de cinema, Cannes recusou no ano passado a inscrição de “Roma” em sua disputa. Vetado na França, o filme de Alfonso Cuarón foi vencer o Festival de Veneza e três Oscars. “Atlantique” é um drama de temática imigratória. A história acompanha um casal de namorados do Senegal que se separa depois que o rapaz tenta a sorte em uma travessia a barco para a Europa. Além do prêmio conquistado, o filme da franco-senegalesa Mati Diop chamou atenção por ter sido o primeiro de uma diretora negra a competir pela Palma de Ouro. A cineasta é sobrinha de um dos diretores mais importantes do continente africano, Djibril Diop Mambéty (de “A Viagem da Hiena”, de 1973). Já “I Lost My Body” conta a jornada animada de uma mão decepada que busca o resto de seu corpo. A animação marca a estreia em longas do parisiense Jérémy Clapin.
Ex-gerente de negócios de Stan Lee é preso por abuso de idoso
Keya Morgan, ex-gerente de negócios da lenda dos quadrinhos Stan Lee, foi preso neste sábado (25/5) em Scottsdale, no estado americano do Arizona, acusado de abuso de idoso. Segundo o site The Hollywood Reporter, um mandado de prisão foi emitido pela justiça de Los Angeles e a vítima de abuso seria justamente Stan Lee. O empresário foi indiciado pelo escritório do promotor distrital do condado de Los Angeles no início deste mês com várias acusações relacionadas a abuso de Lee, incluindo cárcere privado. Morgan teria feito Lee acreditar que estava em perigo em sua casa e que precisava ser transferido para um local seguro (que Morgan controlava). Ele também é acusado de roubar US$ 262 mil de sessões de autógrafos do escritor, além de desviar dinheiro da conta de Lee, que os representantes do artista calculam em mais de US$ 5 milhões. A investigação começou em março de 2018. Um pouco depois disso, os representantes legais de Lee entraram com uma ordem judicial contra Morgan, que foi concedida. Na época, Morgan emitiu um comunicado negando as acusações. “Esta é uma caça às bruxas promovida por sua filha e seu advogado (de Lee). Ela não suporta o fato de o Stan gostar tanto de mim. Vou 100% provar sem sombra de dúvida que as acusações são falsas.” A fiança de Morgan foi estabelecida em US$ 300 mil. Criador dos personagens que lançaram a era Marvel dos quadrinhos, como Homem-Aranha, Homem de Ferro, Thor, X-Men, Quarteto Fantástico, Demolidor, Homem-Formiga, Doutor Estranho, Viúva Negra, Nick Fury e Hulk, Stan Lee morreu de insuficiência cardíaca em novembro passado, aos 95 anos de idade.
Lady Francisco (1940 – 2019)
A atriz Lady Francisco, que soma quatro décadas de papéis em novelas da Globo, morreu neste sábado (25/5) no Rio de Janeiro, aos 84 anos. Ela estava internada na UTI do Hospital Unimed Barra desde o início de abril após sofrer uma fratura do fêmur enquanto passeava com seus dois cachorros no Parque Guinle, região onde morava. Ela foi operada, mas seu estado de saúde se complicou, vindo a falecer após falência múltipla de órgãos. Nascida Leyde Chuquer Volla Borelli de Bourboun em 1940, em Belo Horizonte, ela era filha de comerciantes bem-sucedidos, amigos de políticos importantes, e contava ter sofrido muito na adolescência por ser considerada mal-comportada, inclusive sendo submetida a choques elétricos por um psiquiatra, a pedido da própria família. Antes de virar atriz, ela venceu diversos concursos de beleza, foi aeromoça e radialista. E marcou casamento – aos 20 anos – com um engenheiro, apenas para descobrir horas antes da cerimônia que ele tinha outra família. O casamento foi proibido, mas os dois se juntaram assim mesmo e tiveram dois filhos. Ela inciou a trajetória artística em produções locais de rádio e TV. Sua estreia na televisão foi como garota-propaganda, anunciando produtos ao vivo na TV Itacolomi, de Belo Horizonte, no final dos anos 1960. Mas só foi deslanchar após se mudar para o Rio, o que levou ao fim de sua união. Nessa época, seu pai havia perdido quase toda a fortuna no jogo e Lady Francisco não teve apoio algum para seguir a carreira. Chegou a ser assaltada, perdendo o dinheiro que tinha trazido para tentar a sorte no Rio, e precisou viver de favores para persistir em sua tentativa de conseguir trabalho, ao aparecer diariamente na porta da TV Tupi. Um dia, ela foi chamada para compor o júri do programa de Flávio Cavalcanti. Em seguida, conseguiu participação na novela “Jerônimo – O Herói do Sertão” (1972). E nunca mais parou. A atriz acabou indo para a Globo em 1975, onde atingiu popularidade quase instantânea com dois papéis exuberantes: a ex-estrela de circo Elizabeth Pappalardo em “Cuca Legal” e Rose, a secretária gostosona de Carlão, personagem icônico de Francisco Cuoco em “Pecado Capital”. A fama de “gostosa” também lhe rendeu inúmeros trabalhos no cinema durante o auge da era da pornochanchada. Para se ter ideia, no mesmo ano em que fez duas novelas, Lady Francisco apareceu em nada menos que seis filmes eróticos. Embora sua filmografia transborde produções de títulos sugestivos – “Os Maniacos Eróticos” (1975), “Viúvas Precisam de Consolo” (1979), “O Verdadeiro Amante Sexual” (1985), “Sexo Selvagem dos Filhos da Noite” (1987) etc – , Lady Francisco também fez filmes “sérios”, como “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia” (1977), de Hector Babenco, grande marco do cinema brasileiro, e em especial “O Crime do Zé Bigorna” (1977), de Anselmo Duarte, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Brasília. Mas o grande foco de sua carreira foram mesmo as novelas. Ela participou de alguns dos maiores sucessos da história da rede Globo, entre eles “A Escrava Isaura” (1976), “Locomotivas” (1977), “O Pulo do Gato” (1978), “Marrom-Glacê” (1979), “Baila Comigo” (1981), “Louco Amor” (1983), “Barriga de Aluguel” (1990), “Explode Coração” (1995), “Alma Gêmea” (2005), “Duas Caras” (2007), “Cheias de Charme” (2012), “Totalmente Demais” (2015), até “Malhação: Vidas Brasileiras” (2018), seu último trabalho, em que interpretou a milionária Lorraine. Seus papeis costumavam ter imenso apelo popular, como a ingênua manicure Gisela na novela “Louco Amor”, de Gilberto Braga, graças a facilidade com que interpretava mulheres despachadas, fogosas e divertidas, da juventude à maior idade. Entretanto, a popularidade conquistada como símbolo sexual teve outro lado. Ela denunciou ter sido abusada sexualmente por um diretor de televisão, cujo nome jamais revelou. Também foi estuprada por quatro homens ao descer de um táxi na Barra da Tijuca. Um mês depois, descobriu que estava grávida e realizou um aborto. Após a decepção de seu primeiro noivado, Lady Francisco nunca se casou. Amor, ela só teve mais um na vida, o dramaturgo Dias Gomes, após ele ficar viúvo da novelista Janete Clair.
Diretores de Bacurau comentam ironia de prêmios ao cinema nacional em Cannes e cortes no Brasil
Os diretores Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles falaram com a imprensa internacional, após seu filme “Bacurau” vencer o Prêmio do Júri do Festival de Cannes, ressaltando a importância da conquista para o momento atual do cinema brasileiro. Eles consideraram uma grande ironia o fato de produções brasileiras saírem premiadas de Cannes, no exato momento em que o governo decide cortar seu apoio ao cinema nacional. Embora tenha sido filmado antes da última eleição, “Bacurau” ressoa como uma obra de resistência ao governo conservador de Jair Bolsonaro, assim como o tema de “A Vida Secreta de Eurídice Gusmão”, de Karim Aïnouz, vencedor da mostra Um Certo Olhar (Un Certain Regard), principal seção paralela de Cannes. Como era inevitável, a dupla de diretores lamentou a atual política cultural do país, que se resume a cortes financeiros e desmontagem de programas de apoio. “Acho que este premio para ‘Bacurau’ é irônico: há um sentimento generalizado de que o cinema está sendo cortado por dentro”, , disse Mendonça na entrevista coletiva. “Temos uma construção, as coisas demoram, vimos essa construção com politicas públicas nos últimos 15 anos, mas que agora estão sendo cortadas”, completou o diretor. Seu colega na criação do longa, Juliano Dornelles, acrescentou: “É muito bom estar aqui, passar dez dias no festival, falar com pessoas ótimas, talentosas, perceber que o filme que desenvolvemos por quase dez anos ganhou essa enorme honra. Especialmente neste momento no Brasil, quando a cultura vem sendo ameaçada por esse homenzinho triste. Ontem tivemos a boa noticia, com Karim Aïnouz ganhando o Un Certain Regard. Vamos seguir fazendo filmes e enfrentar a realidade brasileira”. Um jornalista questionou e eles convidariam o presidente Bolsonaro para assistir ao longa, e Mendonça Filho considerou que essa era uma “ideia bonita”. “‘Bacurau’ é uma coprodução com a França, mas metade vem de dinheiro público brasileiro, usado com honestidade e muito trabalho. Bolsonaro tem todo direito de assistir ao filme. Pode até gostar.”
Sul-coreano Bong Joon-ho vence a Palma de Ouro no Festival de Cannes
O filme “Parasite”, do sul-coreano Bong Joon-ho, foi o vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes 2019. Um dos favoritos da crítica, o longa é uma sátira de humor negro sobre a injustiça social e narra a história de uma família pobre, em um apartamento infestado por pragas, que forja um diploma para que um dos filhos arranje emprego. Ele vai trabalhar em uma luxuosa mansão, como professor particular de uma menina milionária, e passa a indicar seus parentes para trabalhos em outras funções na mansão – mesmo que, para isso, eles precisem prejudicar outras pessoas. O diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, presidente do júri da mostra competitiva, afirmou que a premiação de “Parasite” foi unânime entre os votantes. A conquista representa uma reviravolta na trajetória do cineasta sul-coreano, que foi mal-recebido em sua passagem anterior pelo festival, simplesmente porque seu filme “Okja” (2017) era uma produção da Netflix. Desde então, o festival barrou produções de streaming em sua competição. Com a consagração de “Parasite”, feito sem participação do serviço de streaming, Cannes ressalta sua posição de que filmes da Netflix não são cinema – ou, ao menos, não são dignos de competir no festival. “Roma”, por exemplo, foi barrado na competição do ano passado – mas venceu o Festival de Veneza e três Oscars. O Grande Prêmio do Júri, considerado o 2º lugar da competição, foi para “Atlantique”, da franco-senegalesa Mati Diop. Drama sobre um casal de namorados do Senegal que se separa depois que o rapaz tenta a sorte em uma travessia a barco para a Europa, o filme foi o primeiro de uma diretora negra a competir pela Palma de Ouro. A cineasta é sobrinha de um dos diretores mais importantes do continente africano, Djibril Diop Mambéty (de “A Viagem da Hiena”, de 1973). O brasileiro “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, dividiu o Prêmio do Júri, equivalente ao 3º lugar, com “Les Misérables”, do francês Ladj Ly. Mais detalhes sobre a conquista da produção brasileira podem ser lidos aqui. Já “Les Misérables” também se destacou na competição por ter um diretor negro. O drama aborda criminalidade de menores e repressão violenta, a partir do ponto de vista de um policial novato. Nenhum dos três filmes que receberam os prêmios do júri tiveram a mesma receptividade de “Parasite”. Se não pertenciam à grande faixa de mediocridade da seleção do festival, tampouco estavam entre os favoritos da crítica a receber algum reconhecimento na competição. Dentre eles, “Bacurau” foi o que se saiu melhor na média apurada pelo site Rotten Tomatoes, com 88% de aprovação, seguido por “Atlantique”, com 87%, e “Les Misérables”, com 75%. Em termos de comparação, “Parasite” teve 96%. O prêmio de Melhor Direção ficou com os veteranos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne por “Le Jeune Ahmed” (o jovem Ahmed), sobre um jovem muçulmano que é seduzido pela radicalização islâmica. Por coincidência, o longa belga também teve pouca repercussão crítica. De fato, foi considerado um dos mais fracos de toda a competição, com apenas 54% de aprovação no Rotten Tomatoes. Neste caso, o prestígio dos Dardenne, que já venceram duas Palmas de Ouro – por “Rosetta”, em 1999, e por “A Criança”, em 2005 – , pode ter influenciado a decisão do júri. Outro veterano, o espanhol Antonio Banderas, venceu o prêmio de Melhor Ator por “Dor e Glória”, de Pedro Almodóvar. No filme, ele vive o alterego de Almodóvar, um cineasta deprimido que revisita trechos da própria vida, reencontrando antigos amores e relembrando a forte relação com sua mãe. A inglesa Emily Beecham (a Viúva da série “Into the Badlands”) ficou com o prêmio de Melhor Atriz por “Little Joe”, da austríaca Jessica Hausner. No longa, ela interpreta uma cientista que cria uma flor capaz de trazer felicidade às pessoas. Mas ao perceber que seu experimento pode ser perigoso, passa a questionar sua própria criação. “Dor e Glória” e “Little Joe” também não eram favoritos da crítica, com 88% e 71%, respectivamente. Para não dizer que a premiação foi uma decepção completa, o prêmio de Melhor Roteiro ficou com um dos filmes mais celebrados do festival: “Portrait de la Jeune Fille en Feu” (retrato da garota em fogo), da francesa Céline Sciamma, que também venceu a Palma Queer, de Melhor Filme LGBTQIA+ de Cannes. A trama se passa no século 18 e mostra como uma pintora, contratada por uma aristocrata para retratar sua filha, apaixona-se pelo seu “tema”. A produção francesa também apaixonou a crítica internacional e atingiu 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. Já o filme vencedor do Prêmio da Crítica – e que também tem 100% no RT – , “It Must Be Heaven”, do palestino Elia Suleiman, recebeu uma… Menção Especial. Entre os demais filmes que saíram sem reconhecimento, encontram-se “Era uma Vez em Hollywood”, de Quentin Tarantino, “O Traidor”, de Marco Bellocchio, e “Sorry We Missed You”, de Ken Loach. Por sinal, o filme de Tarantino chegou a receber 95% de aprovação no Rotten Tomatoes – mais que “Parasite”. O balanço inevitável da premiação leva a concluir que o Festival de Cannes 2019 foi mesmo fraquíssimo. Tivessem sido premiados os favoritos da crítica, o evento teria outro peso, ao apontar caminhos. Mas a verdade é que a seleção foi terrível, com muitos filmes medíocres, como o dos irmãos Dardenne, e até um título que conseguiu a façanha de sair do festival com 0% de aprovação, “Mektoub, My Love: Intermezzo”, de Abdellatif Kechiche – cineasta que já venceu a Palma de Ouro por “Azul É a Cor Mais Quente” (2013). O Festival de Cannes 2019 apostou no passado, com a inclusão de diversos diretores consagrados, mas pode ter prejudicado seu futuro ao subestimar obras mais contundentes de uma nova geração, representada por Suleiman e Sciamma. Claro que “Parasite” foi uma escolha esperta, mas as opções politicamente corretas e de prestígio de museu acabam pesando contra a relevância do festival. Em 2018, a mostra de Cannes já tinha ficado na sombra da seleção do Festival de Veneza. Este ano, corre risco de ser ultrapassada com folga.
Filme brasileiro Bacurau vence o Prêmio do Júri do Festival de Cannes
“Bacurau”, o representante brasileiro na disputa da Palma de Ouro em Cannes, venceu o Prêmio do Júri, equivalente ao 3º lugar da mostra competitiva. O Prêmio do Júri presidido pelo cineasta mexicano Alejandro G. Iñárritu (“O Regresso”) ainda foi compartilhado com o filme francês “Les Misérables”, de Ladj Ly. Com direção de Kleber Mendonça Filho (“Aquarius”) e Juliano Dornelles (“O Ateliê da Rua do Brum”), “Bacurau” mistura gêneros como terror, ficção científica e western. Os diretores descrevem a obra como um filme de aventura ambientado no Brasil “daqui a alguns anos”. A trama se passa em um pequeno povoado do sertão cuja tranquilidade é ameaçada após a morte, aos 94 anos, de Dona Carmelita, mulher forte e querida por quase todos. Dias depois, os moradores de Bacurau percebem que a comunidade não consta mais nos mapas. Os celulares param de funcionar, deixando os moradores isolados. Os assassinos têm carta branca para liquidar todo mundo, mas a comunidade se organiza para resistir. Ao contrário dos filmes premiados nas mostras paralelas, entre eles o brasileiro “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, “Bacurau” não foi unanimidade entre a crítica, atingindo 88% na média do Rotten Tomatoes. Admirado pela fotografia, interpretações e ambição, também recebeu comentários negativos por conta desta mesma ambição, com reclamações sobre problemas de roteiro. Estrelado por Sonia Braga (também de “Aquarius”), Barbara Colen (idem), Karine Teles (“Benzinho”) e pelo alemão Udo Kier (do clássico “Suspiria”), entre outros, “Bacurau” ainda não tem previsão de estreia comercial.
Diretora de Tomboy vence a Palma Queer com romance lésbico em Cannes
O drama francês “Portrait de la Jeune Fille en Feu” (retrato da garota em fogo, em tradução literal), da diretora Céline Sciamma (“Tomboy”), venceu a Palma Queer, premiação paralela do Festival de Cannes para o Melhor Filme LGBTQIA+. O longa, que também disputa a Palma de Ouro, narra a história de amor impossível entre duas mulheres na Bretanha do século 18. O romance é protagonizado por Noémie Merlant (“Curiosa”) e Adèle Haenel (“A Garota Desconhecida”). E a crítica amou cada segundo da projeção, com elogios rasgados e 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. “Não é só uma história lésbica, mas, acima de tudo, um grande filme”, disse em comunicado o júri da 10ª edição da Queer Palm, que foi presidido pela atriz francesa Virginie Ledoyen (“Adeus, Minha Rainha”). Curiosamente, a diretora Céline Sciamma já tinha conquistado o equivalente à Palma Queer no Festival de Berlim com um de seus primeiros filmes. Ela venceu o prêmio Teddy com “Tomboy”, em 2011. Ao todo, 19 produções concorriam ao prêmio paralelo de Cannes, incluindo o brasileiro “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. A Palma Queer também premiou o curta-metragem “The Distance Between Us and The Sky”, do grego Vasilis Kekatos.
Terror do diretor de A Bruxa coproduzido pelo Brasil vence Prêmio da Crítica em Cannes
Coprodução brasileira, o terror “The Lighthouse” (o farol), do americano Robert Eggers (“A Bruxa”), foi o vencedor do Prêmio da Crítica como Melhor Filme na seção paralela Quinzena dos Realizadores, no Festival de Cannes. Uma das obras mais elogiadas do festival deste ano, o longa atingiu 100% de aprovação no site Rotten Tomatoes. Rodado em preto e branco, traz Robert Pattinson (“Bom Comportamento”) e Willem Dafoe (“Aquaman”) como dois sujeitos que têm de cuidar de um farol isolado na região da Nova Inglaterra, no século 19. O clima é gótico e ao estilo dos melhores contos de Edgar Allan Poe. Assim como aconteceu com a “A Bruxa”, filme de estreia de Eggers, “The Lighthouse” tem coprodução da produtora paulista RT Features, de Rodrigo Teixeira. A premiação do longa se soma à vitória de “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, do cearense Karim Aïnouz, outra coprodução da RT Features, que foi eleito o Melhor Filme da mostra Um Certo Olhar, a mais importante seção paralela do Festival de Cannes, dedicada a filmes mais ousados. Já o Prêmio da Crítica para Melhor Filme da mostra competitiva ficou com “It Must Be Heaven”, do palestino Elia Suleiman, que discute identidade no país do diretor, que muitos dizem não existir. A premiação é iniciativa da Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci) e não é considerada um prêmio oficial de Cannes.
Comerciais dublados do novo Homens de Preto evidenciam tradução confusa
A Sony divulgou três comerciais dublados em português de “MIB: Homens de Preto – Internacional”, que destacam os protagonistas e alguns alienígenas da trama. As prévias mostram principalmente como é bom ver filme legendado, mas também evidenciam a confusão dos tradutores em relação ao nome da agência em que os personagens trabalham. Na maioria das vezes, ela é chamada de MIB (que é sigla de Men in Black, sem tradução), mas há descuidos que fazem o nome da agência virar “a Homens de Preto” (Men in Black em português) no meio de uma conversa, sem nenhum contexto para a diferença de denominações. O filme retoma a franquia de sucesso dos anos 1990, acompanhando a divisão dos Homens de Preto (ou seria MIB?) de Londres. E em vez de Tommy Lee Jones e Will Smith como os agentes K e J, a continuação volta a reunir os astros de “Thor: Ragnarok”, Chris Hemsworth e Tessa Thompson, como os agentes H e M. Na trama, Thor e Valquíria enfrentam skrulls. Péraí… Ah, skrulls com outro nome! O elenco também conta com as participações de Liam Neeson (“Busca Frenética”) e Emma Thompson. E ela é a única intérprete que já apareceu na franquia, em “”MIB: Homens de Preto 3” (2013). Com direção de F. Gary Gray (“Straight Outta Compton”), a continuação/spin-off/reboot/mutação estreia em 13 de junho no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos. Ambos no planeta Terra.
Homem-Aranha apresenta novos uniformes em quatro comerciais dublados
A Sony divulgou quatro comerciais dublados em português de “Homem-Aranha: Longe de Casa”, que destacam os novos uniformes do herói. A maioria das cenas exibidas já foram vistas nos trailers, mas há alguns segundos de novidades. A principal cena nova é a confirmação de que M.J. (Zendaya) realmente descobre a identidade secreta do Homem-Aranha/Peter Parker (Tom Holland). Além do casal, os vídeos enfatizam as participações do “Sr. Beck” (Jake Gyllenhaal), Nick Fury (Samuel L. Jackson) e Happy Hogan (Jon Favreau), além de não economizar spoilers sobre o destino do Homem de Ferro em “Vingadores: Ultimato”. Vale lembrar, mais uma vez, que o Sr. Beck é na verdade Mysterio, conhecido nos quadrinhos por ser um grande farsante. Ele está sendo apresentado como herói no marketing da produção, mas sempre foi vilão nas publicações da Marvel – um especialista em efeitos especiais, que usa truques para fingir ser superpoderoso. E os fãs já deduziram que as ameaças enfrentadas pelo Aranha no filme não são exatamente o que parecem. Novamente escrito por Erik Sommers e Chris McKenna, e com direção de Jon Watts, responsáveis pelo filme anterior, “Homem-Aranha: Longe de Casa” estreia em 4 de julho no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.












