Diretores de Bacurau comentam ironia de prêmios ao cinema nacional em Cannes e cortes no Brasil



Os diretores Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles falaram com a imprensa internacional, após seu filme “Bacurau” vencer o Prêmio do Júri do Festival de Cannes, ressaltando a importância da conquista para o momento atual do cinema brasileiro. Eles consideraram uma grande ironia o fato de produções brasileiras saírem premiadas de Cannes, no exato momento em que o governo decide cortar seu apoio ao cinema nacional.

Embora tenha sido filmado antes da última eleição, “Bacurau” ressoa como uma obra de resistência ao governo conservador de Jair Bolsonaro, assim como o tema de “A Vida Secreta de Eurídice Gusmão”, de Karim Aïnouz, vencedor da mostra Um Certo Olhar (Un Certain Regard), principal seção paralela de Cannes.

Como era inevitável, a dupla de diretores lamentou a atual política cultural do país, que se resume a cortes financeiros e desmontagem de programas de apoio.

“Acho que este premio para ‘Bacurau’ é irônico: há um sentimento generalizado de que o cinema está sendo cortado por dentro”, , disse Mendonça na entrevista coletiva.


“Temos uma construção, as coisas demoram, vimos essa construção com politicas públicas nos últimos 15 anos, mas que agora estão sendo cortadas”, completou o diretor.

Seu colega na criação do longa, Juliano Dornelles, acrescentou: “É muito bom estar aqui, passar dez dias no festival, falar com pessoas ótimas, talentosas, perceber que o filme que desenvolvemos por quase dez anos ganhou essa enorme honra. Especialmente neste momento no Brasil, quando a cultura vem sendo ameaçada por esse homenzinho triste. Ontem tivemos a boa noticia, com Karim Aïnouz ganhando o Un Certain Regard. Vamos seguir fazendo filmes e enfrentar a realidade brasileira”.

Um jornalista questionou e eles convidariam o presidente Bolsonaro para assistir ao longa, e Mendonça Filho considerou que essa era uma “ideia bonita”.

“‘Bacurau’ é uma coprodução com a França, mas metade vem de dinheiro público brasileiro, usado com honestidade e muito trabalho. Bolsonaro tem todo direito de assistir ao filme. Pode até gostar.”



Chris Thomas é uma eterna estudante de cinema com algumas pós-graduações e radicada em Paris há uma década.



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