Crítica: John Wick 3 aumenta a ação, mas pausa a franquia para criar “universo”



John Wick, um ex-assassino profissional (o melhor de todos), voltou à ativa para vingar seu cachorro no longa original. Depois, o personagem de Keanu Reeves precisou encarar as consequências de seus atos, enfrentar a máfia italiana e sobreviver ao segundo filme (o melhor de todos), só para encher os fãs de expectativa para uma terceira parte que prometia ser colossal.

Afinal, John Wick termina o filme anterior com a cabeça à prêmio e assassinos do mundo inteiro interessados na recompensa.

A trégua da luta épica entre o protagonista e a morte certa é de apenas uma hora. Após isso, não há para onde fugir. E é exatamente no fim dessa paz momentânea que começa “John Wick 3: Parabellum”.

É John contra o mundo. Agonizante, sem saída com a morte à espreita e esperando para dar o bote, e ainda assim um protagonista incansável, sem pausar nem por um segundo desde o começo da caçada do filme passado. E enfrentando os mais variados e criativos ataques, de facas e machados até livros (!) e coices de cavalos.

Assim começa “John Wick 3”, tenso, divertidíssimo, sugerindo o filme de ação mais espetacular de todos os tempos.

Mas a promessa não se confirma, porque o diretor Chad Stahelski tem planos. Ele quer ampliar a franquia e criar um universo que pretende ser mais que uma história de tiros e pancadarias.

Com isso, abandona pela metade as lições de “Mad Max: Estrada da Fúria” e “Missão: Impossível – Fallout”, thrillers de tramas simples, que impulsionam sua narrativa via ação. Com pouquíssimas palavras, são filmes que só não são mudos porque são barulhentos demais.



Há uma mudança brusca no ritmo quando o Sr. Wick encontra as personagens de Anjelica Huston, Halley Berry e outros, que pausam a ação para conduzir o protagonista do nada a lugar nenhum – ou o deserto – em sua jornada. O objetivo é claramente povoar a franquia com novos personagens e elementos para as continuações.

Aliás, sabe o que significa Parabellum? É “prepare-se para a guerra”, subtítulo que mostra a verdadeira intenção do filme, de ser apenas uma preparação, afinal a tal guerra ainda não começou. Sim, teremos o já confirmado “John Wick 4”.

O que não tira o mérito de Keanu Reeves no papel que ele nasceu para fazer. O cara é uma lenda. E mesmo aos trancos e barrancos, ele sustenta bem o filme.

Felizmente, o longa também é recheado por ótimas cenas de ação, como o “pega pra capar” (literalmente) com os dois cachorros da personagem de Halle Berry – que tem aqui seu momento mais relevante no cinema desde seus dias de Bond girl.

E há uma clara tentativa de compensar a enrolação com um clímax gigantesco com tiroteios e lutas intermináveis, que entretanto não repetem o impacto do começo do filme, justamente porque são… intermináveis.

Mas, ok, quem encarou a fila para ver o terceiro John Wick já sabe o que esperar, e os fãs recebem o que pagaram. A ação intensa é o que “Parabellum” tem de melhor. A diferença é que desta vez há uma pausa para ir ao banheiro no meio dos tiros.


Otávio Almeida é formado em Publicidade e Propaganda e Jornalismo. Nasceu no Rio de Janeiro, mora em São Paulo, mas sempre torcerá pelo Flamengo. É fã de Star Wars, Steven Spielberg, Stanley Kubrick, Blade Runner, Martin Scorsese, Indiana Jones, Frank Capra, Billy Wilder, John Ford, Clint Eastwood, O Senhor dos Anéis, Woody Allen, George Lucas, Lawrence da Arábia, Quentin Tarantino, Rocco e Seus Irmãos, James Cameron e Chinatown. Além de editor do Hollywoodiano, escreve sobre cinema como colaborador da revista Preview.



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