Selma Blair confessa estar mal com sintomas de esclerose múltipla
A atriz Selma Blair postou um desabafo em seu Instagram, ao comentar seu atual estado de saúde. Ela sofre de esclerose múltipla e tem falado publicamente de todo o sofrimento trazido pela doença, conforme ela evolui, sem dourar a pílula. “Essa é a questão: eu me sinto mal. É isso que acontece. Não tem nenhuma luz brilhante glamourosa. É óbvio. São longas noites. Quase todas as noites. Os músculos no meu rosto e pescoço têm espasmos. Ou ficam tão contraídos que eu não acho uma forma de alongar. E eu estou tentando há três horas. No chão, alongando. Eu tive uma virose. Obrigada, Arthur! E eu estou ainda mais derrotada agora. Por enquanto. Mas eu não morro por isso”, começou Selma em seu texto, citando seu filho, Arthur Saint Bleick, de 8 anos. A atriz de 47 anos continuou: “Eu sou forte o suficiente para não ser mais derrubada por um urso comum. São ótimas notícias. Uma validação excelente. Eu me recupero. Eu tropecei semana passada. Na rua. Eu não me lembro de isso acontecer. Ou da dor. Me contaram. E meu tornozelo está torcido e isso me faz sentir ainda mais frágil. Uma simples torção no tornozelo. E eu sou sortuda por um milhão de motivos. Eu sei. E eu ainda me sinto sozinha e vulnerável e com medo sobre o futuro como mãe solteira”, ponderou. “Eu não estou mais perto de morrer do que ninguém. Eu só estou machucada. Parece que eu estou quebrando. Então existe uma verdade a ser contada para qualquer um que esteja se sentindo assim. É triste. E assustador. Não se sentir bem. E eu sinto muito mal. Essa sou eu para vocês. Nas primeiras horas da manhã. Porque eu não sei mais o que fazer e eu quero tanto melhorar. Que a luz positiva esteja sempre a nossa volta. E nos guie para fora da escuridão”, refletiu. Por fim, agradeceu: “Obrigada a todos por serem o meu maior amor. Eu estou indo devagar. Eu preciso me recuperar. Eu quero me recuperar. E eu nem sei o que isso realmente significa. Eu mando para todos um calor reconfortante. Todos nós precisamos”, encerrou. Apesar da doença, Selma Blair não parou de trabalhar. Desde que os sintomas se manifestaram, ela contou com apoio e ajuda da equipe de “Outra Vida” (Another Life) para estrelar a 1ª temporada da série, que foi renovada pela Netflix. Também apareceu em episódios de “Perdidos no Espaço” (Lost in Space) e integrou o elenco de dois filmes, entre eles a continuação ainda inédita do romance teen “After”, reprisando seu papel como mãe da protagonista vivida por Josephine Langford. Ver essa foto no Instagram This is the thing. I feel sick. This is what happens. There is no bright light of glamour. Of course. It is long nights. Almost all nights. My muscles in my face and neck are in spasm. Or so tight I can’t even find a way to stretch. And I have been trying for three hours. On the ground stretching. I have had the stomach flu. Thanks Arthur! And I am even more sideways now. For now. But I am not killed by it. I am strong enough not to be taken down any more than the average bear. That’s great news. Excellent reassurance. I recover. I stepped wrong last week. In the street. I don’t remember it happening. Or the pain. I was told. And my ankle is sprained and it makes me feel even more fragile. A simple ankle sprain. And I am lucky on a million counts. I know. And I am still feeling alone and vulnerable and scared about the future as a single mom. I’m not dying any more than anyone. I am just hurting. It feels like I am just breaking down. So there’s a truth to give to anyone else feeling this way. It’s just miserable. And scary. To feel unwell. I am so sorry. This is just me to you. In the early hours of the morning. Cause I don’t know what else to do and I want so much to do better. May the silver lining surround us all. And guide us out of the darkest. Thank you all for being the biggest loves. I am in a slow time. I need to recover. I want to recover. And I don’t know what that even really means. 💛. I send you all a reassuring warmth. We all need it. Uma publicação compartilhada por Selma Blair (@selmablair) em 11 de Fev, 2020 às 4:26 PST
Macauley Culkin diz que nunca viu Michael Jackson abusar de menores
Macauley Culkin, que até hoje é lembrado como o pequeno Kevin de “Esqueceram de Mim” (1990), aceitou falar sobre sua relação com Michael Jackson, durante uma entrevista à revista Esquire, publicada nesta terça (11/2). Hoje com 39 anos, o ator tinha apenas 11 quando estrelou o clipe de “Black and White” em 1991, iniciando sua amizade com o cantor. Nos anos seguintes, estouraram acusações de pedofilia contra Michael, o que ele sempre negou. Na entrevista, Culkin garante que, durante sua convivência com o Rei do Pop, numa sofreu abuso nem testemunhou nada nesse sentido. “Olhe, essa é a verdade: ele nunca fez nada comigo. Eu nunca o vi fazer nada. E especialmente neste momento da vida, eu não tenho motivos para esconder nada”, afirmou o ator. “Eu não diria que virou moda ou algo assim, mas agora seria um bom momento para falar. E, se eu tivesse algo para falar, eu falaria com certeza. Mas não, eu nunca vi nada: ele nunca fez nada.” No passado, Culkin chegou a se comparar com o cantor, dizendo que ambos tiveram infâncias semelhantes, foram alçados à fama muito cedo, e por isso tinham uma ligação especial – ainda que tivessem 22 anos de diferença. O último encontro entre eles aconteceu em 2005, quando Culkin teve de testemunhar no julgamento de Michael Jackson, acusado de intoxicar e molestar um garoto de 13 anos. Mas eles não conversaram na ocasião. “Melhor não nos falarmos”, disse Jackson, de acordo com Culkin. “Não quero influenciar seu testemunho.” O cantor foi absolvido. Quatro anos depois, morreu por uma overdose por medicamentos. Durante a conversa com a Esquire, Culkin contou uma história que ilustra como as pessoas pensam que ele teria sido abusado por Michael. “Uma vez eu cruzei com James Franco em um avião. Eu tinha encontrado com ele dois ou três anos antes. Nós nos acenamos enquanto guardávamos nossas malas de mão. Foi logo depois de ‘Leaving Neverland’ [documentário com acusações contra o cantor] e ele falou: ‘Então, aquele documentário, né?’. E foi tudo o que ele falou. Eu fiquei meio: ‘Aham…’. Silêncio. Então ele disse: ‘O que você achou?’. Eu virei e falei: ‘Você quer falar sobre algum amigo SEU morto?’. Ele respondeu: ‘Não, não quero’. Então, eu disse: ‘Legal, cara, foi bom te ver”, concluiu. Culkin também revelou um conselho que deu para Paris Jackson, que é sua afilhada, quando a filha do Rei do Pop se tornou mais “pública”. “Não se esqueça de ser boba, não se esqueça de tirar algo desta experiência toda e não se esqueça de sempre ter algo na manga”, completou
Filha de Dwayne “The Rock” Johnson vai disputar campeonato de luta livre
A filha do astro Dwayne “The Rock” Jonhson, Simone Garcia Johnson, entrou na WWE, organização responsável pelos campeonatos de luta livre na TV americana. A WWE anunciou nesta terça (11/2) que Simone Johnson irá se reportar ao Performance Center em Orlando, onde começará oficialmente o seu treinamento para participar de lutas televisionadas. Segundo o site Uproxx, o objetivo da WWE é transformar a jovem de 18 anos em “uma estrela mundial da empresa”. Ao assinar com a WWE, Simone vai dar sequência a um legado da família. Antes de estrear no cinema, seu pai se projetou como The Rock, em lutas da WWE, e seu avô, Rocky Johnson, é considerado uma lenda das lutas livres americanas. A garota é a única filha do relacionamento do astro de filmes de ação com Dany García. Eles ficaram casados por 10 anos, de 1997 a 2007. Dwayne Johnson tem mais duas filhas com a atual namorada Lauren Hashian: Jasmine, de três anos, e Tiana, de um ano.
Paula Kelly (1943 – 2020)
A atriz, cantora e dançarina Paula Kelly, de clássicos como “Charity, Meu Amor” e “Aconteceu num Sábado”, morreu de problemas cardíacos no domingo (9/2) em Inglewood, na Califórnia, aos 76 anos. Filha de um músico de jazz, Kelly nasceu em Jacksonville, Flórida, e cresceu em Nova York, onde frequentou a High School of Music & Art e a prestigiosa academia Juilliard, de onde saiu para se tornar uma bailarina de companhias lideradas pelos célebres Martha Graham e Alvin Ailey. Kelly estreou na Broadway aos 21 anos, no musical “Something More!” (1964), chegou a dançar no Oscar em 1968 e no ano seguinte apareceu dançando nua na revista Playboy, o que a tornou bastante conhecida. Ela já tinha estrelado a montagem de “Sweet Charity” como a dançarina Helene, quando o famoso diretor-coreógrafo Bob Fosse assumiu o projeto de transformar o musical num filme, escalando-a no mesmo papel nas telas. Os dois tinham trabalhado juntos na Broadway e estrearam juntos no cinema. Na adaptação cinematográfica de 1969, batizada no Brasil de “Charity, Meu Amor”, Kelly atuou, cantou e dançou ao lado de Shirley MacLaine e Chita Rivera, brilhando nos números musicais de “Hey, Big Spender” e “There’s Gotta Be Something Better Than This”. O sucesso do filme, indicado a três Oscars, lançou-a ao estrelato e ela aproveitou a fama para se estabelecer como coreógrafa. A partir de 1970, passou a organizar coreografias de especiais de TV de artistas famosos, como Harry Belafonte, Gene Kelly e Sammy Davis Jr, além de coreografar os longas “Um Doido Genial” (1970), “Lost in the Stars” (1974) e “Peter Pan” (1976), dos quais também participou como atriz. Paralelamente, procurou se diversificar como atriz, aparecendo em clássicos da ficção científica, como “O Enigma de Andrômeda” (1971), adaptação de Michael Crichton (o autor de “Jurassic Park” e “Westworld”), e “No Mundo de 2020” (1973), com Charleton Heston, e principalmente em filmes icônicos da era blaxploitation, como “A Essência de um Roubo” (1972), com trilha de Salomon Burke, “O Terrível Mister T” (1972), musicado por Marvin Gaye, “The Spook Who Sat by the Door” (1973), com composições de Herbie Hacock, e “Aconteceu num Sábado” (1974), dirigido e estrelado por Sidney Poitier. O fim do ciclo original do cinema negro em Hollywood a levou para a televisão. Após papéis recorrentes nas séries “San Francisco Urgente” e “Police Woman”, acabou recebendo duas indicações ao Emmy: como Melhor Atriz Coadjuvante de Série de Comédia em 1984, pelo papel da defensora pública Liz Williams em “Night Court”, e Melhor Atriz de Minissérie em 1989, por “The Women of Brewster Place”. Ela ainda estrelou a comédia dramática “Nos Palcos da Vida” (1986), ao lado de Richard Pryor, e “Romance Arriscado” (1993), mas o resto de sua carreira nas telas foram papéis em séries. Alguns se destacaram, como a feroz senhora Ginger Jones em “Santa Barbara” (1984-85) e a governanta que teria lançado um feitiço vodu contra as “Super Gatas”, em um episódio de 1987. Kelly foi casada com o diretor britânico Donald Chaffey (“Meu Amigo, o Dragão”) de 1985 até a morte dele em 1990.
Raphael Coleman (1994 – 2020)
O ator britânico Raphael Coleman, que estreou no cinema aos 10 anos, em “Nanny McPhee, a Babá Encantada” (2005), morreu na sexta-feira passada (7/2), aos 25 anos. A informação foi confirmada pela mãe e o padrasto por meio de redes sociais. Eles explicaram que Raphael sofreu um colapso, no meio de uma viagem relacionada a sua luta em defesa do meio-ambiente e não conseguiu ser salvo. “Descanse em paz, meu querido filho Raphael Coleman”, escreveu a mãe, que afirmou que o filho não tinha não tinha problemas de saúde. “Ele morreu fazendo que amava, trabalhando pela causa mais nobre de todas. A sua família não podia estar mais orgulhosa. Vamos comemorar tudo o que ele conseguiu em sua curta vida e valorizar seu legado”, completou a mãe. Depois de viver uma das crianças sob os cuidados da “Nanny McPhee” (Emma Thompson), Coleman participou ainda de mais dois filmes: o terror “Anjo Maldito” e a sci-fi “Contatos de 4º grau”, ambos em 2009. Ele largou a atuação disso e se tornou ativista, viajando o mundo em defesa da preservação do meio ambiente.
Sindicato dos técnicos de efeitos visuais reclamam do Oscar por piada com Cats
A Visual Effects Society (VES), sindicato dos técnicos de efeitos visuais dos EUA, emitiu uma nota oficial em protesto contra uma piada da transmissão do Oscar 2020 às custas dos responsáveis pelos efeitos de “Cats”, um dos piores filmes e maiores fracassos do ano passado. Os efeitos de “Cats” são amplamente considerados responsáveis pela rejeição do público ao filme. Mas esse consenso informal ganhou peso oficial durante o evento de domingo (9/2), quando James Corden e Rebel Wilson subiram ao palco do Dolby Theatre para entregar o Oscar de Melhores Efeitos Visuais. Além de surgirem fantasiados como seus personagens em “Cats”, eles ironizaram a própria produção: “Como membros do elenco de ‘Cats’, ninguém melhor do que nós entende a importância de bons efeitos visuais!”. A piada rendeu gargalhadas e aplausos entre os presentes na cerimônia de premiação. Mas a Sociedade de Efeitos Visuais não achou graça. “Em uma noite que trata de homenagear o trabalho de artistas talentosos, é imensamente decepcionante que a Academia tenha feito dos efeitos visuais o alvo de uma piada”, manifestou-se a VES em nota oficial. “Ela degradou a comunidade global de profissionais especializados em efeitos visuais, que vem realizando um trabalho excelente, desafiador e visualmente impressionante para alcançar a visão dos cineastas”. “Nossos artistas, técnicos e inovadores merecem respeito por suas notáveis contribuições ao entretenimento filmado e não devem ser apresentados como o bode expiatório conveniente para fazer o público rir. No futuro, esperamos que a Academia honre adequadamente o ofício de efeitos visuais – e todos os ofícios, incluindo cinematografia e edição de filmes – porque todos nós o merecemos”, encerra a nota. Curiosamente, os efeitos de “Cats” também foram zoados na própria premiação do sindicato, o VES Awards, que aconteceu em janeiro passado. Na ocasião, o ator Patton Oswalt brincou: “A franquia ‘Star Wars’ terminou após 50 anos e, após uma exibição, a franquia ‘Cats’ também”.
Vencedora do Oscar de Melhor Documentário cita slogan comunista no Oscar 2020
O Oscar 2020 foi palco de um manifesto político, que meio século atrás, durante a caça às bruxas e lista negra da Guerra Fria, poderia resultar em prisão nos EUA. Mas muitos nem repararam. Enquanto muitos ainda comemoravam a derrota do “marxismo cultural” representado por “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, a cineasta Julia Reichert, vencedora da categoria de Melhor Documentário com “Indústria Americana”, agradeceu seu Oscar com uma citação ao “Manifesto Comunista”, de 1848. “Os trabalhadores têm cada vez mais dificuldade hoje em dia, e acreditamos que as coisas vão melhorar quando os trabalhadores do mundo se unirem”, disse a americana, parafraseando o slogan “Trabalhadores do mundo, uni-vos”, que se tornou célebre na obra de Karl Marx e Friederich Engels. Detalhe: o filme de Reichert e Steven Bognar, disponível na Netflix, foi produzido pelo ex-presidente dos EUA Barack Obama e sua mulher, Michelle Obama.
Pedro Bial se diz vítima, não se desculpa e repete frase machista contra Petra Costa
O apresentador Pedro Bial dobrou sua aposta no discurso machista contra Petra Costa, diretora do documentário “Democracia em Vertigem”, indicado ao Oscar 2020. Em artigo publicado no jornal O Globo deste domingo (9/2), ele disse que “experimentou um linchamento virtual” por ter criticada a diretora brasileira pelo filme, que tem 97% de aprovação no site Rotten Tomatoes, e voltou a repetir uma das frases machistas de seu ataque original. A polêmica começou numa entrevista à Rádio Gaúcha nesta semana, em que Bial afirmou que “Democracia em Vertigem” é uma “ficção alucinada”, “vai contando as coisas num pé com bunda danado”, com “narração miada, insuportável, onde ela [Petra Costa] fica choramingando o filme inteiro”. Acusado de machismo, inclusive por colegas, como a ex-repórter da Globo Cristina Serra, Bial ainda arrematou: “É um filme de uma menina dizendo para a mamãe dela que fez tudo direitinho, que ela está ali cumprindo as ordens e a inspiração de mamãe, somos da esquerda, somos bons, não fizemos nada, não temos que fazer autocrítica”. O ataque gratuito e de tom machista, que desrespeita a carreira premiada da jovem cineasta, foi amplamente criticado nas redes sociais. Por conta disso, Bial resolveu se defender. Mas sem pedir desculpas, assumindo papel de vítima e reforçando o machismo de suas convicções. “É com a carcaça moída e esfolada de tanta pancada virtual que venho a público acenar: bandeira branca. Amor. Eu peço paz”, escreveu, vitimista e parafraseador. “Esta semana, experimentei, mais uma vez, o que é estar na parte linchada de um linchamento virtual. Eu, que vivo de acolher as opiniões das pessoas, caí na temeridade de dar a minha. Eu não peço desculpas, nem peço que me peçam desculpas”, continuou. “Apanho sem berrar, só não me venham com o machismo de tratar como menina indefesa uma mulher que sabe bem se defender”. Importante lembrar que quem chamou a cineasta de menina foi o próprio Bial, não as pessoas que reclamaram desse menosprezo machista do apresentador. Além disso, como afirmou, ele não pediu desculpas. Bial disse ainda não reclamar, reclamando, “da prática jornalística de tirar de contexto e contrastar, a fim de buscar a essência da notícia”. “Parece fácil, mas é um exercício difícil, onde se erra mais do que se acerta. Por exemplo, publica-se antes a frase editada “é uma menina sob as ordens de mamãe”, do que a integral ‘numa leitura psicanalítica mais profunda, é uma menina sob as ordens de mamãe'”, escreveu. Ou seja, ele repetiu a crítica machista para defender-se, num jornal de grande circulação nacional, e ainda acrescentou justificativa pseudo-científica. Numa leitura psicanalista mais profunda, o caso não se encaixa como ato falho. Já se estabeleceu como padrão de comportamento.
Oscar 2020 pode consagrar reacionarismo ou surpreender radicalmente
A premiação ao Oscar 2020, que acontece neste domingo (9/2), tende a consagrar um momento de conservadorismo histórico da indústria cinematográfica americana. Mas não está descartada uma surpresa radical. Os detalhes desses resultados alternativos envolvem políticas de bastidores e as próprias regras da votação. Como não há possibilidade de prêmios fora da lista de indicados, já está registrado um grande retrocesso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, ao privilegiar majoritariamente histórias de homens brancos heterossexuais, após o esforço de diversificação da organização ter rendido um número recorde de mulheres premiadas e grande representatividade racial e sexual em 2019. Vale comparar. Na lista de concorrentes de Melhor Filme no Oscar 2019 estavam “Pantera Negra”, “Infiltrado na Klan”, “A Favorita”, “Roma”, “Nasce Uma Estrela”, “Bohemian Rhapsody”, “Vice” e “Green Book”. Apenas um desses filmes representava uma história de homem branco heterossexual: “Vice”, apropriadamente sobre um político de direita dos EUA. Neste ano, as tramas sobre brancos heterossexuais totalizam seis títulos, de um total de nove indicados ao Oscar de Melhor Filme: “Ford x Ferrari”, “O Irlandês”, “Jojo Rabbit”, “Coringa”, “1917” e “Era uma Vez em Hollywood”. Extremamente masculinos, filmes como “O Irlandês” e “1917” chegam a relegar mulheres a papéis de figuração. “1917” tem uma desculpa narrativa, já que mulheres não lutaram no front da 1ª Guerra Mundial. Mas “O Irlandês”, que projeta décadas de desenvolvimento de personagens, não tem qualquer justificativa para dar a sua principal atriz menos de uma página de diálogos. Apenas uma obra indicada ao Oscar de Melhor Filme é focada em personagens femininas: “Adoráveis Mulheres”, como deixa claro o título. E apenas uma tem personagens não brancos: “Parasita”, que é estrangeiro, realizado na Coreia do Sul. Por que o Emmmy consagra séries como “Fleabag”, “A Maravilhosa Sra. Meisel” e “Killing Eve” e o Oscar não consegue reconhecer tramas femininas? Como é possível ignorar o que o Spirit Awards, premiação do cinema independente americano, reconheceu há menos de 24 horas atrás, com a consagração de “A Despedida” (The Farewell), de Lulu Wang, como Melhor Filme do ano? Note-se: uma obra-prima com protagonistas femininas, escrito e dirigido por um mulher e com elenco inteiramente asiático. E que não recebeu uma mísera indicação ao Oscar. Para contrabalançar o fato de que prevaleceram histórias de homens, um comunicado dos organizadores buscou inverter a perspectiva ao destacar que 62 mulheres foram indicadas, compondo quase um terço dos candidatos ao Oscar deste ano. Nenhuma cineasta, porém, vai disputar o prêmio 100% masculino de Melhor Diretor. Greta Gerwig, que comandou “Adoráveis Mulheres”, conseguiu, ao menos, ser lembrada na vaga de Melhor Roteiro Adaptado. Mas vale comparar novamente: o Spirit Awards destacou três mulheres cineastas em sua premiação de Melhor Direção e ainda consagrou a (agora) cineasta Olivia Wilde como Revelação do ano, por “Fora de Série”. Por que tamanha diferença? É fácil encontrar explicação, bastando observar o momento de ruptura, em que o Oscar deixou de ser ousado. A premiação de “Moonlight”, de diretor negro, com elenco negro e temática homossexual, como Melhor Filme de 2017 deu início a uma pressão brutal da rede ABC, responsável pela transmissão da cerimônia nos EUA, por filmes mais convencionais. Com a justificativa supostamente não racista e não homofóbica de que dramas indies não têm apelo comercial para atrair audiência, o canal exigiu mudanças na premiação, desde a duração do evento até a “qualidade” dos indicados, com força econômica e contratual para forçar a Academia a se submeter. Vale lembrar que foi nesta época que a organização chegou a propor um prêmio para Filme Popular, que rendeu polêmica e acabou abortado. O Oscar 2020 se apresenta como resultado final dessa pressão. Nada mais é, portanto, que uma disputa entre filmes populares, reunindo a maior competição de blockbusters por estatuetas em décadas, quiçá de toda a História da premiação. “Coringa”, filme com maior número de indicações, fez mais de US$ 1 bilhão nas bilheterias. Outros filmes de grande orçamento, como “Ford x Ferrari” e “1917”, também passaram pelo topo das bilheterias, e “Era uma Vez em Hollywood”, que fetichiza a Hollywood de antigamente, consagrou-se como um dos maiores sucessos da carreira do diretor Quentin Tarantino. Ainda por cima, todos os indicados são produções de grandes estúdios. Não há um longa independente sequer, quando a regra do século 21 era, até “Moonlight”, o contrário. O problema do Oscar também se estende aos consensos de comadres que resultam na consagração dos mais simpáticos e bonitos e não dos melhores atores, uma vez que se trata de uma votação entre colegas. Tanto que é possível garantir as premiações dos quatro nomes que disputam os prêmios de melhores intérpretes brancos deste ano: Joaquin Phoenix, Renée Zellweger, Brad Pitt e Laura Dern. Os dois primeiros seriam favoritos, de qualquer forma. Mas o quarteto inteiro? Por coincidência, são vitórias que deixam o Oscar já pouco diversificado com um tom mais loiro. Sam Mendes é outra barbada na categoria de Melhor Direção por “1917”? Está mais para seu Diretor de Fotografia, o veterano Roger Deakins. Nem dá para cravar que “1917” já pode ser considerado vencedor, horas antes da abertura do envelope de Melhor Filme. O Oscar mudou recentemente a forma como contabiliza os votos de sua categoria principal, criando a possibilidade de o vencedor não ser aquele mais votado como Melhor, e sim aquele que mais vezes aparecer nas células de votação – citado entre os melhores. Se, por exemplo, “Era uma Vez em Hollywood” (provável) ou “Parasita” (incrível) aparecer como segundo ou terceiro filme na preferência da maioria dos eleitores, pode acumular mais pontos, caso “1917” não seja eleito por unanimidade. Vale considerar que “1917”, apesar da narrativa convencional, é ousado tecnicamente, uma maravilha visual e o melhor filme de Sam Mendes desde sua estreia com “Beleza Americana”, quando venceu o Oscar pela primeira vez, há 20 anos, enquanto “Era uma Vez em Hollywood” representa seu oposto. A narrativa é anti-convencional, mas passa longe de ser o melhor trabalho de Quentin Tarantino, além de ser marginalmente racista e repetir a reviravolta subversiva de “Bastardos Inglórios” – é quase como se Tarantino virasse um sub-Tarantino, copiando a si mesmo. Só que a indústria cinematográfica adora se congratular e este filme tem até Hollywood em seu título. Uma vitória de “Parasita”, por outro lado, representaria algo completamente diferente, por abalar conceitos estabelecidos, como, por exemplo, o fato de o Oscar ser uma premiação de filmes americanos e não um troféu internacional. A vitória do francês “O Artista” em 2012 já tinha aberto uma brecha para o mundo. Mesmo assim, tratava-se de uma produção sem idioma estrangeiro (era cinema mudo) e uma homenagem a Hollywood (mais uma). “Roma” ensaiou assustar em 2019. Mas uma vitória de “Parasita”, com atores não brancos, equipe estrangeira e em língua não inglesa, seria um grande choque. Um novo paradigma. E sabe-se lá com que consequências. E o Oscar brasileiro? “Democracia em Vertigem” deveria ser o grande azarão da premiação. A disputa contra filmes premiadíssimos – e uma produção de Barack Obama – parecia encaminhar o fato de que sua vitória se resumia à própria indicação. Mas o documentário de Petra Costa ganhou grande impulso na reta final da votação, graças ao governo Bolsonaro, que o promoveu no mundo inteiro com ataques oficiais. Considerado vilão ambiental e inimigo da classe artística, por seus ataques pessoais ao “queridinho” Leonardo DiCaprio, Bolsonaro pode ter consagrado o longa com a mais inesperada vitória (ou a segunda, na possível chance de “Parasita” vencer como Melhor Filme) do Oscar 2020. A conferir, a partir das 22h, com transmissão ao vivo pelo canal pago TNT, pelo portal G1 e pela plataforma Globoplay. Mais canais de transmissão podem ser conferidos aqui.
Adam Sandler zoa o Oscar ao vencer o Spirit Awards em discurso aplaudidíssimo
Premiado como Melhor Ator no Film Independent Spirit Awards 2020, Adam Sandler teve a vitória mais aplaudida da cerimônia, que aconteceu na noite de sábado (8/2) em Santa Mônica, na Califórnia. Ele também arrancou muitas gargalhadas ao contar piadas durante seu discurso de agradecimento pelo troféu por “Jóias Brutas”, aproveitando para manifestar seu “desprezo” pelos eleitores da Academia, que deixaram seu nome de fora da disputa do Oscar. Conforme o comediante engatou uma voz rouca e empostada de discurso, o público não parou de rir um segundo sequer. “Algumas semanas atrás, quando eu fui, entre aspas, “desprezado pela Academia”, me lembrei de quando eu cursava o ensino médio e fui excluído da cobiçada categoria superlativa de Mais Bonito no anuário escolar”, disse Sandler. “Essa honra coube a um babaca que vestia jaqueta jeans e penas no cabelo chamado Skipper Jenkins.” “Mas meus colegas de classe acabaram me homenageando com a designação supostamente menos prestigiosa de Melhor Personalidade”, continuou o ator premiado. “E hoje à noite, ao olhar em volta desta sala, percebo que o Independent Spirit Awards é o melhor prêmio de personalidade de Hollywood.” “Que todos aqueles filhos da mãe babacas de penas no cabelo ganhem o Oscar amanhã à noite. A boa aparência deles desaparecerá com o tempo, enquanto nossas personalidades independentes brilharão para sempre!”, Sandler completou, aplaudido pela multidão de colegas. Ele ainda brincou sobre como suas comédias sempre foram filmes indies de temáticas sociais. “Billy Madison, um Herdeiro Bobalhão”? “Uma abordagem destemida do sistema educacional americano sob a visão de um sociopata privilegiado chamado Billy f**ing Madison… “O Rei da Água”? “Minha exploração abrasadora do pebolim nas faculdades americanas e a manipulação de atletas socialmente incapazes como o Sr. Bobby Boucher”. “Sempre tentei vender minhas verdades com um espírito verdadeiramente independente e, ao mesmo tempo, recebi alguns cheques de pagamento realmente perturbadores. ” Veja abaixo a íntegra do discurso, em inglês sem legendas. E confira aqui a lista completa dos vencedores da premiação, considerada o “Oscar do cinema independente americano”.
Spirit Awards 2020: A Despedida e Adam Sandler vencem o “Oscar do cinema independente”
O Film Independent Spirit Awards, premiação anual mais badalada do cinema independente americano, entregou suas estatuetas aos melhores filmes e artistas de 2020 na noite deste sábado (8/2). E o resultado, evidenciado pela vitória de “A Despedida” (The Farewell) e o reconhecimento aos talentos responsáveis por “Jóias Brutas” (Uncut Gems), demonstra o quanto a produção autoral indie se distanciou da indústria cinematográfica mais tradicional, representada pelo Oscar. Em franco contraste com as polêmicas enfrentadas pelo Oscar em 2020, o Spirit Awards consagrou uma história feminina, dirigida por uma mulher, como Melhor Filme do ano. E reconheceu que atores não precisam ser exclusivamente brancos para merecer troféus – todas as cinco indicadas na categoria de Melhor Atriz eram mulheres “de cor”. Os poucos quilômetros que separam a praia de Santa Mônica, onde aconteceu a cerimônia do Spirit, e o Dolby Theatre, em Los Angeles, onde o Oscar será entregue em poucas horas, nunca pareceram tão distantes, na forma de festejar o que representa qualidade no cinema atual. Para dar noção do quão distantes, basta apontar que apenas três filmes americanos de ficção, “História de um Casamento”, “O Farol” e “Judy”, fazem intersecção entre os indicados das duas premiações. Ao optar por superproduções milionárias de estúdios tradicionais, o Oscar virou as costas para a criatividade indie, que a Academia costumava premiar até a fatídica noite de 2017 em que “Moonlight”, drama sobre um negro gay, venceu a estatueta de Melhor Filme e escandalizou os conservadores. As consequências dessa ruptura são claras. Os principais dramas adultos dos EUA, que geralmente ganhavam estreias nacionais nas semanas que antecediam o Oscar, não tiveram lançamento no Brasil em 2020. Pior: nem sequer têm previsão de chegar ao circuito nacional. Da lista de vencedores do Spirit Awards, o público brasileiro só conhece o que saiu pela Netflix, “Jóias Brutas” e “História de um Casamento”, a dupla que foi indicada ao Oscar, “Judy” e “O Farol”, e a comédia “Fora de Série”, que rendeu à atriz transformada em diretora Olivia Wilde o Spirit de Melhor Estreia indie. A grande consagração de “A Despedida”, na verdade, repara uma injustiça brutal do Oscar contra o filme de Lulu Wang, inédito no Brasil. Podendo indicar até 10 longas na disputa de Melhor Filme, a Academia nomeou apenas 9. E deixou de fora essa verdadeira obra-prima, que tem 98% de aprovação no Rotten Tomatoes. Além de Melhor Filme, o reconhecimento de “A Despedida” estendeu-se a Zhao Shuzhen, uma estrela veterana de novelas da China, como Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel de Nai Nai – a vovó doente que movimenta a trama. Ela não pôde comparecer à cerimônia, devido ao surto de coronavírus em seu país. O longa mais premiado, porém, foi “Jóias Brutas”, com três troféus: de Melhor Direção, conquistado pelos irmãos Benny Safdie & Josh Safdie, Melhor Edição e Melhor Ator para Adam Sandler. Sinal de apreciação do desempenho, o anúncio da vitória de Sandler rendeu aplausos demorados, mas, apesar dessa sonora unanimidade, a performance elogiadíssima do ator também acabou subestimada pelo Oscar. A premiação de intérpretes serviu inclusive como antítese do consenso de comadres, que se estende do SAG Awards ao Oscar, por romper com a previsibilidade no anúncio dos vencedores. Se Rennée Zellewegger, Melhor Atriz por “Judy”, manteve sua condição de barbada, os demais premiados nem sequer disputam o Oscar. Além de Sandler e Shuzhen, também é o caso de Willem Dafoe, Melhor Ator Coadjuvante por “O Farol”. “O Farol” ainda venceu o prêmio de Melhor Fotografia, para Jarin Blaschke, que é a categoria solitária que disputa no Oscar. Já o outro candidato americano da Academia consagrado pelo Spirit Awards, “História de um Casamento”, conquistou a estatueta de Roteiro para o cineasta Noah Baumbach e o troféu Robert Altman, que homenageia a melhor combinação de diretor e elenco. Para completar, na disputa de Melhor Filme Internacional, “O Parasita” confirmou sua condição de principal obra do ano, superando, entre outros, o brasileiro “Uma Vida Invisível” para aumentar a sua já vasta coleção de troféus. Confira abaixo a lista completa dos premiados. Melhor Filme – A Despedida (The Farewell) A Hidden Life Clemency História de Um Casamento Jóias Brutas Melhor Direção – Benny Safdie & Josh Safdie, por Jóias Brutas Robert Eggers, por O Farol Alma Har’el, por Honey Boy Lulius Onah, por Luce Lorene Scafaria, por As Golpistas Melhor Filme de Estreia – Fora de Série, de Olivia Wilde The Climb, de Michael Angelo Corvino A Vida de Diane, de Kent Jones The Last Black Man in San Francisco, de Joe Talbot Laure de Clermont-Tonnere, de The Mustang A Gente se Vê Ontem, de Stefon Bristol Melhor Atriz – Renée Zellweger, por Judy Karen Allen, por Colewell Hong Chau, por Driveways Elisabeth Moss, por Her Smell Mary Kay Place, por A Vida de Diane Alfre Woodard, por Clemency Melhor Ator – Adam Sandler, por Jóias Brutas Chris Galust, por Give Me Liberty Kelvin Harrison Jr., por Luce Robert Pattinson, por O Farol Matthias Schoenaerts, por The Mustang Melhor Atriz Coadjuvante – Zhao Shuzhen, por A Despedida Jennifer Lopez, por As Golpistas Taylor Russell, por Waves Lauren “Lolo” Spencer, por Give Me Liberty Octavia Spencer, por Luce Melhor Ator Coadjuvante – Willem Dafoe, por O Farol Noah Jupe, por Honey Boy Shia LaBeouf, por Honey Boy Jonathan Majors, por The Last Black Man in San Francisco Wendell Pierce, por Burning Cane Melhor Roteiro – Noah Baumbach, por História de um Casamento Jason Begue & Shawn Snyder, por Ao Pó Voltará Ronald Bronstein, Benny Safdie & Josh Safdie, por Uncut Gems Chinonye Chukwu, por Clemency Tarrell Alvin McCraney, por High Flying Bird Melhor Roteiro de Estreia – Fredrica Bailey & Stefon Bristol, por A Gente Se Vê Ontem Hannah Bos & Paul Thureen, por Driveways Bridget Savage Cole & Danielle Krudy, por Blow the Man Down Jocelyn Deboer & Dawn Luebbe, por Greener Grass James Montague & Craig W. Sanger, por The Vast of Night Melhor Filme Internacional – Parasita (Coreia do Sul) A Vida Invisível (Brasil) Os Miseráveis (França) Retrato de uma Jovem em Chamas (França) Retablo (Peru) The Souvenir (Reino Unido) Melhor Documentário – Indústria Americana Apollo 11 For Sama Honeyland Island of the Hungry Ghosts Melhor Fotografia – Jarin Blaschke, por O Farol Todd Banhazi, por As Golpistas Natasha Braier, por Honey Boy Chanarun Chotrungroi, por The Third Wife Pawel Pogorzelski, por Midsommar: O Mal Não Espera a Noite Melhor Edição – Ronald Bronstein & Benny Safdie, por Jóias Brutas Julie Béziau, por The Third Wife Tyler L. Cook, por Sword of Trust Louise Ford, por O Farol Kirill Mikhanovsky, por Give me Liberty John Cassavetes Award (para filmes feitos por menos de US$ 500 mil) – Give Me Liberty Burning Cane Colewell Premature Loucas Noites com Emily Melhor Cineasta Revelação – Ernesto Green, por Premature Ash Mayfair, por The Third Wife Joe Talbot, por The Last Black Man in San Francisco Melhor Produtor Revelação – Mollye Asher Krista Parris Ryan Zacarias Truer Than Fiction Award (revelação em documentário) – Nadia Shihab, por Jaddoland Khalik Allah, por Black Mother Davy Rothbart, por 17 Blocks Erick Stroll & Chase Whiteside, por América Bonnie Award (para cineastas mulheres) – Kelly Reichardt Marielle Heller Lulu Wang Robert Altman Award (Melhor combo de elenco e direção) – História de um Casamento
Framboesa de Ouro: Cats lidera indicações ao troféu dos piores do cinema
A organização responsável pelo troféu Framboesa de Ouro, também conhecido como Razzies (diminutivo de raspberries/framboesas), divulgou a lista dos indicados a seu tradicional prêmio anual de piores do cinema. A seleção de ruindade de 2020 destaca entre os favoritos o musical “Cats”, que recebeu nove indicações e ainda emplacou quatro integrantes de seu elenco na lista da pramiação. Mas a disputa é acirrada com “Um Funeral em Família”, de Tyler Perry, e “Rambo: Até o Fim”, estrelado por Sylvester Stallone, que concorrem a oito troféus. “Cats”, “Funeral” e “Rambo” ainda competem pela consagração como Pior Filme do ano com o suspense “The Fanatic”, estrelado por John Travolta, e o terror “A Assombração de Sharon Tate”, variação trash de “Era uma Vez em Hollywood”, que traz Hilary Duff no papel interpretado por Margot Robbie no longa de Tarantino. Entre as desonras individuais, o destaque é Tyler Perry, que obteve cinco indicações por “Um Funeral em Família”, duas vezes como ator, uma como atriz, outra como roteirista e ainda outra (que cita seu nome três vezes) como “combo”, por contracenar consigo mesmo. Criado em 1980, o Framboesa de Ouro serve como antítese da cerimônia do Oscar, apontando que a indústria cinematográfica não produz só “obras de arte”. Recentemente, o prêmio também passou a reconhecer o esforço de atores que venceram o troféu e surpreenderam com demonstração de talento em filmes posteriores, de qualidade reconhecida. Em 2020, o favorito ao troféu Redenção é Adam Sandler, um vencedor contumaz do Framboesa de Ouro, que impressionou a crítica com seu desempenho em “Jóias Brutas”, tão bom que muitos gostariam de tê-lo visto reconhecido pelo Oscar. Eddie Murphy (por “Meu Nome É Dolemite”), Jennifer Lopez (“As Golpistas”), Will Smith (“Aladdin”) e até Keanu Reeves (“John Wick 3” e “Toy Story 4”) são seus concorrentes no único troféu positivo do evento, que este ano ainda não tem data determinada para ser entregue. A cerimônia dos Razzies normalmente acontece na noite anterior ao Oscar, mas devido à antecipação da data do 92º prêmio da Academia, os detalhes da entrega do Troféu Framboesa de Ouro de 2020 ainda não foram definidos. Veja a lista de indicados: Pior Filme “Cats” “A Assombração de Sharon Tate” “The Fanatic” “Um Funeral em Família” “Rambo: Até o Fim” Pior Ator James Franco – “Zeroville” David Harbour – “Hellboy” Matthew McConaughey – “Serenity” Sylvester Stallone – “Rambo: Até o Fim” John Travolta – “The Fanatic” e “Trading Paint” Pior Atriz Hilary Duff – “A Assombração de Sharon Tate” Anne Hathaway – “As Trapaceiras” e “Serenity” Francesca Hayward – “Cats” Tyler Perry – “Um Funeral em Família”, como Madea Rebel Wilson – “As Trapaceiras” Pior Atriz Coadjuvante Jessica Chastain – “X-Men: Fênix negra” Cassi Davis – “Um Funeral em Família” Judi Dench – “Cats” Fenessa Pineda – “Rambo: Até o Fim” Rebel Wilson – “Cats” Pior Ator Coadjuvante James Corden – “Cats” Tyler Perry – “Um Funeral em Família”, como Joe Tyler Perry – “Um Funeral em Família”, como rio Heathrow Seth Rogan – “Zeroville” Bruce Willis – “Vidro” Pior Direção Fred Durst – “The Fanatic” James Franco – “Zeroville” Adrian Grunberg – “Rambo: Até o Fim” Tom Hooper – “Cats” Neil Marshall – “Hellboy” Pior Roteiro “Cats” – Lee Hall e Tom Hooper “A Assombração de Sharon Tate” – Danial Farrands “Hellboy” – Andrew Cosby “Um Funeral em Família” – Tyler Perry “Rambo: Até o Fim” – Matthew Cirulnick e Sylvester Stallone Pior Combo Quaisquer par meio felino/meio humano de “Cats” Jason Derulo e seu “membro” esterilizado por computação, em “Cats” Tyler Perry e Tyler Perry (ou Tyler Perry) em qualquer cena de “Um Funeral em Família” Sylvester Stallone e sua raiva impotente em “Rambo: Até o Fim” John Travolta e qualquer roteiro que ele aceite Pior Remake ou Sequência “X-Men: Fênix Negra” “Godzilla II – Rei dos Monstros” “Hellboy” “Um Funeral em Família” “Rambo: Até o Fim” Pior Desrespeito à Propriedades e Vidas Humanas “Dragged Across Concrete” “A Assombração de Sharon Tate” “Hellboy” “Coringa” “Rambo: Até o Fim” Prêmio de Redenção Eddie Murphy – “Meu nome é Dolemite” Keanu Reeves – “John Wick 3” e “Toy Story 4” Adam Sandler – “Joias Brutas” Jennifer Lopez – “As Golpistas” Will Smith – “Aladdin”
Robert Conrad (1935 – 2020)
O ator Robert Conrad, que ficou conhecido como o cowboy espião James West na década de 1960, morreu neste sábado (8/2) aos 84 anos. “Ele viveu uma vida maravilhosamente longa e, embora a família fique triste com sua morte, viverá para sempre em seus corações”, disse o porta-voz da família, sem informar mais detalhes sobre o falecimento. Nascido em Chicago, Illinois, em 1º de março de 1935, Conrad se mudou para Los Angeles em 1958 e encontrou sucesso quase instantâneo ao ser contratado para estrelar a série “Hawaiian Eye”, em 1959, como Tom Lopaka, sócio de uma agência de detetives no Havaí. A produção durou quatro temporadas, até 1963, e se tornou tão popular que o personagem do ator ainda apareceu em quatro crossovers na série “77 Sunset Strip”. Mas foi a atração seguinte que marcou sua carreira. Exibida entre 1965 e 1969, “James West” (The Wild Wild West) acompanhava as aventuras do personagem-título e seu parceiro Artemus Gordon (Ross Martin), um mestre dos disfarces, como os primeiros agentes do Serviço Secreto dos EUA, enfrentando supervilões que ameaçavam o governo Ulysses S. Grant (de 1869 até 1877). A série combinava duas tendências disparatadas, mas que faziam sucesso na mesma época: as tramas de espionagem de James Bond e as séries de western, como “Paladino do Oeste” e “Bat Masterson”. Embora também durado quatro temporadas, seus 104 episódios se multiplicaram em reprises infinitas, devido ao fato de “James West” ter sido uma das primeiras séries coloridas da TV – a partir da 2ª temporada. A produção à cores também consagrou os olhos azuis do ator, cuja intensidade se tornou uma marca registrada tão conhecida quanto seus músculos, apertados numa roupa extremamente justa para delírio do público feminino – e LGBTQIA+, claro. As calças de James West eram tão justas que costumavam rasgar nas gravações, o que fez o ator desenvolver predileção por cuecas azuis – da mesma cor das roupas do personagem. Repleta de lutas, cavalgadas, trens em disparada e ação intensa, “James West” também permitiu a Conrad explorar sua capacidade física. Décadas antes de Tom Cruise se provar destemido, ele ficou conhecido nos bastidores de Hollywood por dispensar dublês e fazer as cenas mais perigosas da produção – riscos que eram muito maiores então, devido à precariedade dos equipamentos de prevenção de acidentes do período. Durante a gravação de um episódio, o ator quase morreu ao cair de uma altura de 4 metros direto no chão de cimento. Ele sofreu o que descreveu como “uma fratura linear de quinze centímetros com alta concussão temporal”. O acidente fez os executivos da rede CBS obrigarem o astro da série a usar dublês. Mas assim que Conrad se sentiu curado, voltou a “quebrar algumas coisas”, como sempre fazia. Por conta disso, tornou-se um dos poucos atores reconhecidos no Hall da Fama dos Dublês. De fato, sua carreira foi praticamente consequência de sua capacidade de se arriscar. Logo em seu começo, quando surgiu fazendo figurações em séries, ele conseguiu um papel de índio em “Maverick”, cuja participação no episódio se resumia a levar um tiro e cair do cavalo. Ele caiu para trás, tão bem e de forma tão corajosa, que o diretor e os produtores perceberam que aquele novato era dinheiro no banco – contratavam um ator e ganhavam um dublê grátis. Os olhos azuis, o físico encorpado, a vaga semelhança com James Dean, o fato de sua mãe trabalhar como relações públicas da Warner e namorar um executivo do estúdio também ajudaram, é verdade. Mas isso também alimentou o impulso de se provar merecedor dos papéis, arriscando-se com força maior. Essa ousadia, porém, acabou tornando “James West” mais realista que sua premissa fantasiosa propunha. E após os assassinatos de Robert Kennedy e Martin Luther King Jr. em 1968, a violência na TV passou a ser condenada por políticos em busca de um bode expiatório, levando a opinião pública a questionar seus próprios gostos em relação às séries de ação. A polêmica acabou levando ao cancelamento da atração em 1969, quando ainda era uma das mais vistas da TV americana. As reprises mantiveram “James West” popular por pelo menos mais uma década, inspirando os produtores a retomarem o personagem numa série de telefilmes, entre o final dos anos 1970 e o começo de 1980. Até que Will Smith encarnou o personagem no cinema, ridicularizando e enterrando a franquia. Conrad chamou o longa de 1999 de “horrível” e “patético” e foi à cerimônia do Framboesa de Ouro para aceitar o troféu de Pior Filme do ano como representante não oficial da produção. Embora ele tenha protagonizado diversas outras séries, nenhuma outro papel lhe rendeu o mesmo destaque. A exceção entre os cancelamentos em 1ª temporada que se seguiram foi “Black Sheep Squadron”, trama de guerra que durou dois anos, entre 1976 e 1978, e pelo qual Conrad foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator de Série Dramática, como o Major Greg “Pappy” Boyington, um piloto que realmente existiu. Ele ainda brilhou em “Centennial” (1979), minissérie sobre 200 anos da história do Colorado, que dizia ter sido seu trabalho favorito. Conrad também teve uma pequena carreira cinematográfica, chegando a interpretar o gângster “Pretty Boy” Floyd em “Eu Sou Dillinger” (1965) e o próprio Dillinger em “A Mulher de Vermelhp” (1979), além de atuar na sátira “O Homem com a Lente Mortal” (1982), ao lado do “007” Sean Connery, e na comédia “Um Herói de Brinquedo” (1996), com Arnold Schwarzenegger. Apareceu ainda em inúmeras séries clássicas como ator convidado. O primeiro papel importante foi ninguém menos que o pistoleiro Billy the Kid num episódio de 1959 de “Colt 45”, e o último aconteceu numa participação especial de 2000 na série “Nash Bridges”. Artista versátil, ele até gravou discos, sob o nome de Bob Conrad, e aproveitou sua fama de “durão” em campanhas publicitárias, virando garoto-propaganda das pilhas Eveready. Casado duas vezes, deixa oito filhos e 18 netos.












