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    Lina Wertmüller (1928-2021)

    9 de dezembro de 2021 /

    A cineasta italiana Lina Wertmüller, primeira mulher indicada ao Oscar de Melhor Direção, morreu na manhã desta quinta-feira (9/12) em Roma, aos 93 anos. “A Itália lamenta a partida de Lina Wertmüller, uma diretora que com sua classe e estilo incomparáveis deixou uma marca permanente em nossa cinematografia e em todo o mundo”, manifestou-se o ministro italiano da Cultura, Dario Franceschini. Agitadora desde a juventude, ela conseguiu a façanha de ser expulsa de 15 escolas católicas diferentes, antes de encontrar um meio de expressão nas artes, decidindo ainda jovem trabalhar no cinema e no teatro. Ela deu seus primeiros passos para virar cineasta com 25 anos de idade, ao conseguir o cargo de assistente de direção no musical “…e Napoli Canta!” (1953). Destacando-se na função, ela chegou a trabalhar como assistente do mestre Federico Fellini no clássico “8 1/2” (1963). No mesmo ano, escreveu e dirigiu seu primeiro longa, o drama “The Basilisks”, concebido na tradição do neorrealismo italiano. Fez depois mais duas comédias, incluindo “Não Brinque com o Mosquito” com a cantora Rita Pavone, que inaugurou sua longa e bem-sucedida parceria com o ator Giancarlo Giannini, e até um western spaghetti (“A Pistoleira de Virginia”) antes de se tornar reconhecida por suas obras iconoclastas na década de 1970. O filme da virada foi “Mimi, o Metalúrgico” (1972), que rendeu o David di Donatello (o Oscar italiano) a Giancarlo Giannini pelo papel-título, um operário comunista em fuga da máfia e em meio a um caso extraconjugal. A partir daí, Wertmüller se especializou em obras satíricas, que combinavam política, humor e sexo. Seu filme seguinte, “Amor e Anarquia” (1973), acompanhava uma conspiração de bordel contra o fascismo e rendeu outro prêmio para Giannini, desta vez no Festival de Cannes. Em 1974, ela lançou um de seus trabalhos mais populares: “Por um Destino Insólito”, em que uma socialite naufraga numa ilha com um marinheiro comunista (obviamente Giannini) e, em pouco tempo, a luta de classe se transforma em guerra de sexos. A comédia fez tanto sucesso que inspirou um remake dirigido por Guy Richie e estrelado por sua então esposa Madonna em 2002. Sua obra-prima, porém, foi “Pasqualino Sete Belezas”. O filme de 1975 acompanhava um homem comum (sim, Giannini) que opta sempre pelo caminho mais fácil, tomando decisões que o levam a situações cada vez piores em plena 2ª Guerra Mundial, até se ver submetido às vontades de uma mulher obesa no comando de um campo de concentração nazista. O filme sobre desgraças em série lhe rendeu consagração mundial e foi indicado a nada menos que quatro Oscars: Melhor Filme Estrangeiro, Ator (Giancarlo Giannini), Roteiro Original e Direção para Wertmüller. Foi a primeira vez que uma mulher disputou o Oscar de Direção, feito que só voltou a acontecer duas décadas mais tarde, quando a neozelandesa Jane Campion foi indicada por “O Piano” em 1993. Após a indicação, Wertmüller assinou um contrato com a Warner Bros para fazer quatro filmes em inglês, resultando em sua estreia na língua de Hollywood, “Dois Perdidos numa Noite de Chuva” – que apesar da mudança de idioma, continuou a trazer Giannini como ator principal, agora ao lado de Candice Bergen. Só que o filme foi um fracasso tão grande que fez a Warner romper o contrato. Ela se vingou de Hollywood juntando dois dos atores mais famosos da Itália em seu lançamento seguinte, “Amor e Ciúme” (1978), estrelado por Sophia Loren e Marcello Mastroianni. Giannini continuou a bordo como coadjuvante, mas o “rebaixamento” resultou no fim da longa parceria. Um detalhe curioso é que o título original de “Amor e Ciúme” entrou no Guinness como o mais longo da História do Cinema – em italiano, o filme foi chamado de “Un fatto di sangue nel comune di Siculiana fra due uomini per causa di una vedova. Si sospettano moventi politici. Amore-Morte-Shimmy. Lugano belle. Tarantelle. Tarallucci e vino”. Os lançamentos continuaram com “Camorra” (1985), premiado no Festival de Berlim, e “Em Noite de Lua Cheia” (1989), exibido no Festival de Veneza, que ainda mobilizaram a crítica nos anos 1980, mas “Sábado, Domingo e Segunda” (1990), com Sophia Loren, “Ninfeta Italiana” (1996), com Stefania Sandrelli, e “Ferdinando e Carolina” (1999) já não causaram o mesmo impacto. Seu último longa de ficção foi “A Casa dos Gerânios” em 2004, embora tenha continuado a realizar telefilmes e documentários, antes de se voltar exclusivamente ao teatro na última década, onde desenvolveu trabalhos até sua morte. Em 2019, ela recebeu um Oscar honorário por suas realizações, bem como uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.

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    Astros de “Harry Potter” se reencontram na primeira foto do especial da HBO Max

    9 de dezembro de 2021 /

    O reencontro dos astros de “Harry Potter”, Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint, é o destaque da primeira imagem do especial da HBO Max em comemoração aos 20 anos dos filmes. Intitulado “Harry Potter – 20 Anos de Magia: De Volta a Hogwarts”, o reencontro foi gravado no set de Londres onde o primeiro filme foi feito, e mostrará o elenco em meio aos cenários de Hogwarts. Embora os 20 anos de “Harry Potter e a Pedra Filosofal” tenham sido comemorados em novembro passado, “De Volta a Hogwarts” será exibido no dia 1º de janeiro na HBO Max. A plataforma de streaming tem se especializado nesse tipo de projeto, já tendo exibido com sucesso especiais de reencontro das séries “Um Maluco no Pedaço” (Fresh Prince of Bel-Air) e “Friends”. A reunião do elenco de “Harry Potter” será a primeira versão desse formato dedicada à produções cinematográficas. Além dos intérpretes de Harry, Hermione e Ron, o especial também contará com Tom Felton (Draco Malfoy), Robbie Coltrane (intérprete de Hagrid), Helena Bonham Carter (Bellatrix Lestrange), Gary Oldman (Sirius Black), Ralph Fiennes (Voldemort), Jason Isaacs (Lucius Malfoy), Imelda Staunton (Dolores Umbridge), Bonnie Wright (Ginny Weasley), Evanna Lynch (Luna Lovegood), o diretor Chris Columbus e outras estrelas dos oito filmes. Curiosamente, quem não aparece na lista de convidados do reencontro é a escritora J.K. Rowling, que se desentendeu com os principais intérpretes da saga e foi rejeitada até por comunidades de fãs de “Harry Potter”. O motivo foi sua postura transfóbica, disfarçada de feminismo, em seu site pessoal e nas redes sociais. Radcliffe, Watson e Grint renegaram os argumentos da criadora de “Harry Potter”, colocando-se ao lado das pessoas transexuais. Apesar disso, a Warner continua a parceria com a escritora no desenvolvimento dos prólogos de “Harry Potter”. Escrito por ela, “Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore” será lançado em abril de 2022.

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  • Etc

    Lendário artista da DC Comics revela ter câncer terminal

    8 de dezembro de 2021 /

    O lendário artista de quadrinhos George Pérez, que desenhou alguns dos maiores clássicos da DC Comics, como o crossover “Crise nas Infinitas Terras” e a reformulação dos “Novos Titãs”, best-seller da editora, revelou nesta semana que tem de seis meses a um ano de vida, devido a um câncer de pâncreas em fase terminal. No anúncio em suas redes sociais, o artista de 67 anos também disse que planeja uma grande sessão final de autógrafos para se despedir dos fãs. “É difícil acreditar que já se passaram quase três anos desde que anunciei formalmente minha aposentadoria da produção de quadrinhos devido à minha visão deficiente e outras enfermidades causadas, principalmente, por meu diabetes. Na época, fiquei lisonjeado com a quantidade de homenagens e depoimentos que meus fãs e colegas me deram”, disse ele, em uma publicação feita em sua página no Facebook. “As palavras gentis ditas nessas ocasiões foram tão emocionantes que eu costumava brincar que ‘a única coisa que faltava nesses eventos era eu deitado em uma caixa'”, continuou. Mas o que pareceu piada antes, agora é encarada como tragédia. Isso porque, ao passar por uma cirurgia por obstrução do fígado no dia 29 de novembro, ele recebeu a confirmação de um câncer de pâncreas no estágio 3. “É impossível de ser operado e minha expectativa de vida estimada é de seis meses a um ano. Me deram a opção de quimioterapia e radioterapia, mas depois de avaliar quanto dos meus dias restantes seriam consumidos por consultas médicas, tratamentos, internações hospitalares e ainda lidar com a burocracia, muitas vezes estressante e frustrante do sistema médico, optei por deixar a natureza seguir seu curso e aproveitarei o tempo que me resta o mais plenamente possível, com minha linda esposa de mais de 40 anos, minha família, amigos e meus fãs”, afirmou ele. Ele contou que, desde que recebeu o diagnóstico e prognóstico, tem recebido muito amor, apoio e ajuda, tanto prática quanto emocional, das pessoas mais próximas. “Eles me deram paz”, contou o artista. Perez disse que já deixou seus negócios em ordem e agora quer se despedir dos fãs. “Ainda posso assinar meu nome, e espero coordenar uma última sessão de autógrafos em massa para ajudar a tornar minha passagem um pouco mais fácil”, confessou. Ele também espera poder fazer uma última aparição pública para que possa ser fotografado com o maior número possível de fãs, com a condição de abraçar cada um deles. “Eu só quero ser capaz de dizer adeus com sorrisos e também com lágrimas”, disse o quadrinista. “Eu sei que muitos de vocês terão perguntas ou comentários para fazer, e em vez da especulação e da falta de comunicação bem-intencionada, potencialmente prejudicial, voltarei à arena da mídia social, iniciando uma nova conta no Facebook, onde fãs e amigos podem se comunicar comigo ou com meu representante para atualizações e esclarecimentos”, acrescentou. “É muito edificante saber que você levou uma vida boa, que trouxe alegria para tantas vidas e que deixará este mundo um lugar melhor porque fez parte dele”, finalizou. A parceria de Perez com o roteirista Marv Wolfman na década de 1980 é uma das mais famosas dos quadrinhos americanos e especialmente por “Crise nas Infinitas Terras” continua a influenciar histórias atuais. A trama clássica inspirou um crossover do Arrowverso na televisão. E sua revolução na antiga “Turma Titã” foi o ponto de partida da série “Titãs”. Perez também marcou os quadrinhos da “Mulher-Maravilha” e do “Superman”, tanto como artista quanto como roteirista, criou a armadura agora tradicional do vilão Lex Luthor e também desenhou os “Vingadores”, na Marvel. Sua última criação foi “Sirens”, uma publicação independente da editora BOOM! Studios, lançada em 2014.

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    Marilyn Manson é acusado de ameaçar filho de Evan Rachel Wood

    6 de dezembro de 2021 /

    O cantor Marilyn Manson é acusado pela atriz Evan Rachel Wood (“Westworld”) de ameaçar seu filho de 8 anos de idade — fruto do relacionamento dela com o ator Jamie Bell. A informação foi publicada pelo jornal britânico Daily Mail. De acordo com o tabloide, as ameaças ocorreram neste ano, logo após a atriz denunciar o cantor por abuso e agressão sexual. Por essa razão, Wood instalou janelas à prova de balas, uma porta de aço e uma cerca de segurança ao redor de sua casa em Los Angeles, nos Estados Unidos. “Tenho muito medo do alegado criminoso”, afirmou Evan em documentos legais obtidos pelo Daily Mail. “Eu sofri graves lesões físicas e emocionais traumáticas em suas mãos e temo que ele busque retaliação contra mim por testemunhar, prejudicando a mim, nosso filho e membros de minha família”, completou a atriz sobre Manson. As ameaças seriam relacionadas ao julgamento de processos contra o cantor, que contarão com testemunho de atriz. “Em minha experiência, o alegado criminoso sempre foi muito retaliatório e deixou claro que iria arruinar minha vida”, ela explicou. Evan Rachel Wood foi a primeira mulher a acusar Marilyn Manson de abuso sexual. Em fevereiro deste ano, ela usou seu perfil nas redes sociais para denuncar o cantor, com quem namorou de 2006 a 2010. “Estou aqui para expor esse homem perigoso e denunciar as indústrias que o permitem agir, antes que ele arruíne outras vidas. Eu estou ao lado das muitas vítimas que não vão mais se silenciar”, escreveu. Isto abriu caminho para várias outras denúncias. Logo depois, a atriz Esmé Bianco (“Game of Thrones”) revelou que foi drogada, esfaqueada, perseguida com um machado e estuprada por Manson. Esmé Bianco, a modelo Ashley Morgan Smithline e a ex-assistente do cantor, Ashley Walters, deram entrada em processos contra o cantor.

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    Octavia Spencer diz que sua casa tem um fantasma famoso

    6 de dezembro de 2021 /

    A atriz Octavia Spencer (“Estrelas Além do Tempo”) revelou no programa “Ellen DeGeneres Show” que mora com um fantasma famoso. Segundo a atriz, sua casa é “assombrada” por uma antiga estrela de Hollywood. “Cresci assistindo westerns e comprei esta casa, que pertencia a um cara que fazia westerns, então devo ser fã dele”, explicou Spencer, sem revelar o nome do antigo morador, que supostamente continua ocupando a residência. Talvez o fantasma saiba que ela é fã, porque Spencer contou que seu espírito é muito mais amigável do que assustador. “Meu fantasma poderia me assombrar, mas ele não me assombra. Temos limites”, afirmou, acrescentando que passou a confiar nele como uma espécie de “segurança espiritual” de sua residência. “Eu o amo porque ele meio que separa as pessoas más que não deveriam estar lá. Ele os expulsa. Se eles ficarem na minha casa, não vão querer voltar. E é assim que sei que eles não pertencem àquele lugar. E é assim que me sinto a respeito.” A casa em que Octavia Spencer mora é uma mansão construída em 1927 em Toluca Lake, região que já foi ocupada por muitos astros durante a era de ouro de Hollywood. Moravam lá, por exemplo, Bob Hope, Bette Davis, W. C. Fields, Dorothy Lamour, Bing Crosby, Frank Sinatra e William Holden, que, por sinal, fez um punhado de westerns clássicos enquanto residia no local. Ela comprou a mansão em 2013 por U$ 841 mil — o equivalente a R$ 4,7 milhões, de acordo com a cotação atual do dólar. Veja abaixo a entrevista em que a atriz fala de seu fantasma camarada.

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  • Etc

    Ridley Scott manda jornalista se “f*der” em entrevista

    6 de dezembro de 2021 /

    Um vídeo que se tornou viral no fim de semana, ao aparecer no Twitter, revelou que o diretor de cinema Ridley Scott não tem mais idade para dar entrevistas. O veterano cineasta de 84 anos mandou um jornalista russo se “f*der” durante uma entrevista por teleconferência, ao ouvir um elogio a “O Último Duelo”, que ele considerou ofensa a seus trabalhos anteriores. O jornalista Anton Vladimirovich Dolin disse, em tom elogioso, considerar que “O Último Duelo” possuía maior precisão histórica que filmes anteriores do diretor, como “Cruzada” (2005) e “Robin Hood” (2010) – que receberam críticas negativas em todo o mundo. Mas antes que pudesse completar o comentário, começou a ouvir o cineasta disparar “Vá se f*der” várias vezes. Nas últimas semanas, Scott tem sido notícia por declarações polêmicas, em que já vinha baixando o nível. Entre outras coisas, ele declarou que o fracasso de bilheterias de “O Último Duelo” era “culpa” da geração millennial “e seus celulares f*didos”, e que a família Gucci, que reclamou das invenções históricas e do elenco de “Casa Gucci” “deveria se considerar f*didamente sortuda” por contar com Al Pacino como intérprete de seu ancestral. Os herdeiros da Gucci querem ir à Justiça contra o cineasta. Thank you, Sir Ridley, for the ultimate answer to any and all people measuring "realism" and "historical accuracy" in period films. That's one for the books. pic.twitter.com/35JLcGsa0g — Ilya Glazkov (@IlGlaz) December 3, 2021

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    Martha De Laurentiis (1954–2021)

    6 de dezembro de 2021 /

    A produtora Martha De Laurentiis, responsável pelos filmes e séries com o personagem Hannibal Lecter, morreu no domingo (512) em sua casa, aos 67 anos, após uma longa batalha contra um câncer cerebral. Ela era viúva do famoso produtor Dino De Laurentiis (“Barbarela”, “King Kong”), com quem teve duas filhas, Carolyna De Laurentiis e Dina De Laurentiis. Dina divulgou um comunicado no domingo após a morte de sua mãe. “Minha mãe era uma alma calorosa, generosa e otimista – meu pai sempre se referia a ela como sua ‘luz do sol’ – e uma protetora feroz”, disse ela. “Uma esposa, mãe e avó preciosas e uma amiga que tocou a tantos, assim como uma provedora – e protetora – de pessoas criativas nos filmes e na televisão que ela amava. Ela colocava a família em primeiro lugar, mas levantava todas as manhãs apaixonada por ampliar o legado de meu pai e continuar a forjar o seu próprio. Sua bondade, inteligência e graça continuarão a nos inspirar.” Nascida Martha Schumacher em 10 de julho de 1954, ela foi coroada a Miss Júnior de Ohio em 1972, chegando a trabalhar brevemente como modelo em Nova York antes de seguir sua paixão no cinema, integrando a contabilidade dos filmes cultuados “Os Selvagens da Noite” (1979) e “Lobos” (1981). Ela se juntou à empresa de Dino De Laurentiis como contadora assistente durante o filme “Na Época do Ragtime” (1981), de Milos Forman, e foi promovia a assistente de produção durante a adaptação de “Chamas da Vingança” (1984), de Stephen King. O terror estrelado por Drew Barrymore também deu início a sua longa parceria de produção com Dino. O sucesso de “Chamas da Vingança” fez Martha crescer na empresa e se especializar em obras de Stephen King, de quem produziu “Olhos de Gato” (1985), “A Hora do Lobisomem” (1985) e “Comboio do Terror” (1986). Na época, Dino construiu o que hoje é o Screen Gems Studios em Wilmington, na Carolina do Norte, onde foram realizados vários longas de sua empresa, desde fracassos gigantescos como “King Kong 2” (1986) até hits inesperados como “Uma Janela Suspeita” (1987), ambos produzidos por Martha. O casal oficializou seu relacionamento em 1990. Eles não apenas se casaram como formaram uma sociedade profissional com o lançamento da produtora De Laurentiis Co., que emplacou vários sucessos. A lista inclui “Hannibal” (2001), “Dragão Vermelho” (2002) e “Hannibal, a Origem do Mal” (2007), adaptações da obra literária de Richard Harris, que serviram como continuação e prólogos de “O Silêncio dos Inocentes” (1991). Após a morte de Dino em 2010, Martha continuou como chefe da De Laurentiis Co, por onde desenvolveu a série “Hannibal”, que trouxe Mads Mikkelsen como o serial killer Hannibal Lecter ao longo de três temporadas elogiadíssimas. Entre seus últimos trabalhos estão o filme “Ártico” (2018) na Netflix, também estrelado por Mikkelsen, e o desenvolvimento do remake de “Chamas da Vingança”, atualmente em pós-produção para uma estreia em 2022.

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    Mila Moreira (1949–2021)

    6 de dezembro de 2021 /

    Mila Moreira, uma das primeiras modelos a virar atriz no Brasil, morreu na madrugada desta segunda (6/12), na emergência do hospital CopaStar, no Rio, após sofrer uma gastroenterite em Paraty. Ela começou a carreira de modelo aos 14 anos, quando venceu o concurso Miss Luzes da Cidade, organizado pelo jornal Última Hora. Logo depois, foi contratada pela Rhodia e se tornou uma estrela dos eventos de moda feitos para promover os fios sintéticos da empresa. A carreira não a impediu de continuar os estudos e ela se formou Psicologia. Ser modelo também a colocou na TV, como jurada no programa do apresentador Chacrinha nos anos 1970. Sua desenvoltura chamou atenção e Mila acabou convidada para fazer novelas. Foram dezenas, a partir de “Marron Glacê”, em 1979, em que viveu a responsável pelo bufê que dava nome à produção. “Quando virei atriz, todo mundo criticava. Houve muito preconceito dos colegas. Achavam que eu era caso do Cassiano [Gabus Mendes, autor da novela]”, ela contou em entrevista à Folha de S. Paulo há cinco anos. Na verdade, ela tinha uma relação com Cassiano Gabus Mendes, mas de grande amizade, já que foi casada nos anos 1970 com o ator Luis Gustavo, cunhado do autor. Ela se separou de Luis Gustavo antes de virar atriz, mas nunca perdeu a amizade, chegando a contracenar com o ex em vários trabalhos de Gabus Mendes. Assim, acabou se tornando parte da família de atores favoritos do escritor, que a incluiu em praticamente todas suas novelas, geralmente em papéis de mulheres ricas, de grande classe. Mila saiu de “Marron Glacê” direto para “Plumas e Paetês” (1981), “Elas por Elas” (1982) e a série derivada “As Aventuras de Mário Fofoca” (1982), chegando até a fazer uma participação como ela mesma na novela “Ti Ti Ti” (1985), sobre o mundo da moda. A parceria seguiu por uma década, com “Champagne” (1983), “Que Rei Sou Eu?” (1989), “Meu Bem, Meu Mal” (1990) e “O Mapa da Mina” (1993), até a morte de Cassiano naquele ano. A atriz ainda participou de dois remakes póstumos do velho amigo: “Anjo Mau” em 1997 e “Ti Ti Ti” em 2010. Os trabalhos com Cassiano a fizeram ser reconhecida como atriz e ela não teve problemas em continuar a carreira, trabalhando com vários autores consagrados, como Gilberto Braga, com quem fez “Corpo a Corpo” (1984), “Paraíso Tropical” (2007) e a minissérie “Anos Rebeldes” (1992), Daniel Más em “Bambolê” (1987), Sílvio de Abreu, no fenômeno de audiência “A Próxima Vítima” (1995), Aguinaldo Silva em “A Indomada” (1997), Carlos Lombardi em “O Quinto dos Infernos” (2002), Ana Maria Moretzsohn em “Sabor da Paixão” (2003), Walther Negrão em “Como uma Onda” (2005), Manoel Carlos em “Viver a Vida” (2009), Alcides Nogueira em “Ciranda de Pedra” (2008) e o remake de “O Astro” (2011). Ela demorou, porém, a firmar uma segunda parceria tão forte como tinha com Cassiano. Isto só foi acontecer no final de sua carreira, com Maria Adelaide Amaral, de quem gravou as minisséries “Os Maias” (2001) e “JK” (2006), além das novelas “Um Só Coração” (2004), “Queridos Amigos” (2008), “Sangue Bom” (2013) e “A Lei do Amor” (2016), seu último trabalho na Globo. Na época, deu uma entrevista ao jornal O Globo, em que lamentou ainda ser chamada de ex-modelo. “Sabe há quanto tempo não piso numa passarela? 37 anos! Fui modelo durante 11, 12 anos e tenho que carregar isso para o resto da vida”, reclamou. Os 37 anos citados correspondem a sua carreira de atriz, em que fez praticamente uma novela atrás da outra. Tanto trabalho lhe deixou pouco tempo livro para se aventurar por outros meios de expressão. Ainda assim, encaixou três filmes, todos sucessos de bilheteria da década de 1980: “Os Saltimbancos Trapalhões” (1981), de J.B. Tanko, “Aguenta Coração” (1984), de Reginaldo Faria, e “Dias Melhores Virão” (1989), de Cacá Diegues.

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    Vídeo mostra teste de Ed Sheeran para versão britânica de “La Casa de Papel”

    4 de dezembro de 2021 /

    Depois de aparecer em “Alerta Vermelho”, Ed Sheeran está em campanha para participar de outra atração da Netflix. Um vídeo divertido mostra o cantor fazendo teste para entrar na versão britânica de “La Casa de Papel”. Divulgado nas redes sociais da série, o vídeo traz Sheeran tentando o papel de Glasgow na nova versão – mas pede para o personagem ser rebatizado como Ipswich, uma cidadezinha inglesa onde ele cresceu. Ele também faz teste para viver o Professor e canta algumas canções ao violão como sugestões para a trilha da série. Ao final, recebe uma ligação de Álvaro Morte, o verdadeiro Professor, que se interessou por sua ideia para o remake – roubar o Palácio de Buckingham, residência oficial da Rainha da Inglaterra – e, como seu famoso personagem, lhe oferece uma parceria no assalto. Apesar da brincadeira, “La Casa de Papel” vai mesmo ganhar um remake internacional, mas não no Reino Unido. A produção será refeita na Coréia do Sul e já confirmou o ator Park Hae-soo, um dos protagonistas da trama de “Round 6”, no papel de Berlim. Já o sucesso original espanhol que conquistou o mundo chegou oficialmente ao fim na sexta (3/12), com o lançamento dos cinco capítulos finais da série criada por Álex Pina no catálogo da plataforma de streaming. Bienvenido a la Resistencia, Ed Sheeran.Welcome to the Resistance, Ed Sheeran.#LCDP5 #MoneyHeist pic.twitter.com/fAbVEMICd8 — La Casa de Papel (@lacasadepapel) December 1, 2021

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    Marc Beauchamps (1959-2021)

    4 de dezembro de 2021 /

    O produtor Marc Beauchamps, fundador da distribuidora Lumière e responsável pelo lançamento de vários filmes da chamada retomada do cinema brasileiro, morreu neste sábado (4/12) em um hospital do Rio de Janeiro, poucos dias antes de completar 62 anos. Ele lutava contra o câncer há sete anos, teve um AVC e não resistiu. Nascido na França, o produtor chegou ao Brasil aos 19 anos e dirigiu o primeiro documentário sobre Serra Pelada, em parceria com Gustavo Hadba, que se tornou um dos maiores fotógrafos do cinema brasileiro. Em seguida, criou a empresa Inicial Brasileira, que exportava filmes nacionais para a França. Em 1989, ele fundou a Lumière com Bruno Wainer, com a ideia de trazer filmes franceses ao Brasil. Só que acabou criando aquela que, durante anos, foi a maior distribuidora de filmes no Brasil. A empresa também representou a Miramax, trazendo “Delicatessen”, “Pulp Fiction” e mais de 100 clássicos modernos ao país. Ao longo de 20 anos, a Lumière também impulsionou a combalida indústria cinematográfica nacional, que tinha sofrido com Collor o mesmo que padece agora com Bolsonaro, colocando nos cinemas alguns dos maiores marcos do renascimento da produção local – filmes como “Central do Brasil” (1998), “Pequeno Dicionário Amoroso” (1997), “Cidade de Deus” (2002), “Madame Satã” (2002) e “Olga” (2004). Todos estes, mesmos “Central do Brasil”, que ele apenas distribuiu, ainda trazem seu nome nos créditos como produtor. De fato, a participação da empresa de Beauchamps na produção de “Cidade de Deus” foi que possibilitou os contratos de distribuição internacional do filme de Fernando Meirelles com a Miramax e a Wild Bunch nos EUA e França, e essa parceria também culminou na estratégia vitoriosa de marketing que levou o longa a ser indicado a quatro Oscars. Na vida particular, porém, o vício em drogas cobrou um preço elevado na vida do produtor Em 2013, ele foi preso pela Interpol no Rio, acusado de tráfico internacional e levado à França, onde foi condenado à pena de três anos de prisão pela prática dos crimes de transporte, posse, aquisição e exportação de entorpecentes. A prisão chocou o meio cultural brasileiro e, em 2016, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou sua extradição. Ela acabou absolvido ao chegar ao país, mas seus negócios nunca se recuperaram. Sócio de Beauchamps na Lumière, Bruno Wainer acabou fundando a Downtown Filmes, que hoje é a maior produtora do cinema brasileiro. Marc Beauchamps era casado com a fotógrafa Fernanda Vasconcelos e deixa três filhos. Bruno Beauchamps, por sinal, seguiu a carreira do pai e fundou sua própria distribuidora, a Pagu Filmes.

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    Críticos de Nova York elegem filme japonês como melhor do ano

    4 de dezembro de 2021 /

    O drama japonês “Drive My Car”, de Ryusuke Hamaguchi, foi eleito o Melhor Filme de 2021 pelo Círculo de Críticos de Cinema de Nova York (NYFCC, na sigla em inglês) na noite de sexta-feira (3/12). Vencedor do prêmio de Melhor Roteiro do Festival de Cannes deste ano e indicado pelo Japão a disputar uma vaga no Oscar de Melhor Filme Internacional, o longa acompanha um diretor viúvo que, ao ser convidado a comandar uma peça em Hiroshima, passa a contar com os serviços de uma motorista estoica, com quem começa a dividir histórias e segredos. Os críticos de Nova York também votaram em Lady Gaga (por “Casa Gucci”) e Benedict Cumberbatch (por “Ataque dos Cães”) como melhores atores do ano. Título mais premiado da lista, “Ataque dos Cães” ainda rendeu citações a Jane Campion pela Melhor Direção e a Kodi Smit-McPhee como Melhor Ator Coadjuvante. Kathryn Hunter foi eleita Melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação em “The Tragedy of Macbeth”. A lista ainda incluiu os vencedores de outras duas votações desta semana. “Licorice Pizza” (Melhor Filme da votação do National Board of Review, na quinta) como Melhor Roteiro e “A Filha Perdida” (Melhor Filme do Gotham Awards, na segunda) como Melhor Direção de Estreia – premiando, respectivamente, os cineastas Paul Thomas Anderson e Maggie Gyllenhaal. O musical “Amor, Sublime Amor”, de Steven Spielberg, levou o prêmio de Melhor Fotografia, “A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas” foi a Melhor Animação, o dinamarquês “Flee”, de Jonas Poher Rasmussen, foi eleito Melhor Documentário, e o norueguês “The Worst Person in the World”, de Joachim Trier, destacou-se como Melhor Filme Estrangeiro. Fundado em 1935, o NYFCC inclui críticos de jornais, revistas e blogs especializados, mas não integrantes da crítica televisiva, por isso tende a favorecer uma produção mais independente. No ano passado, o vencedor de sua votação foi o drama indie “First Cow”, de Kelly Reichardt, que nem sequer foi indicado ao Oscar. Veja abaixo o trailer de “Drive My Car”, que ainda não tem previsão de estreia no Brasil.

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    CCXP começa segunda edição virtual e gratuita

    4 de dezembro de 2021 /

    A Comic Con Experience (CCXP) começa sua edição 2021 neste sábado (4/12), que acontece de forma virtual pelo segundo ano consecutivo devido a pandemia de covid-19. Por conta disso, o evento chega ao público de forma gratuita – mas há um passe especial no valor de R$ 50 que garante conteúdos exclusivos. A experiência do ano passado aconteceu antes que estúdios como Disney, Netflix e Warner percebessem as vantagens de fazer suas próprias versões de Comic Con virtual por conta própria, sem pagar pedágio para terceiros. E era esperado que esse desenvolvimento afetasse a CCXP. Ela está menor que o costume – com um dia a menos – , sem investimento de Disney e com a seleta participação da Netflix completamente desconhecida até a hora H. Este detalhe da Netflix reflete como o aspecto virtual também tirou o controle do evento das mãos dos organizadores. Na véspera da estreia, eles ainda informavam a realização de painéis dos quais não tinham informações para passar, deixando subentendido que todas as iniciativas – desde pauta, escalação de convidados e produção – corriam por conta de quem “comprou” o espaço para participar. Apesar de dividir sua programação em seis palcos virtuais diferentes, para os fãs de filmes e séries a ação se concentra no chamado Thunder Stage/Arena – todos as denominações são, por motivo inexplicado, em inglês. As atrações deste palco foram divididas por marcas. No sábado estão confirmadas Netflix, Globoplay, Crunchyroll, HBO Max, Sony e Paramount. No domingo, MSP (Mauricio de Sousa Produções), Globo Filmes, Amazon Prime Video e Warner. Entre as participações artísticas mais aguardadas estão as de Keanu Reeves e outros integrantes de “Matrix Ressurections”, a presença de Patrick Stewart para falar da série “Star Trek: Picard”, Karl Urban por conta de “The Boys”, o cineasta Francis Ford Coppola para comemorar 50 anos de “O Poderoso Chefão”, Mauricio de Sousa revelando novos projetos, John Cena no clima da série “Peacemaker” (Pacificador) e, segundo comunicado da HBO Max, “uma surpresinha de ‘House of Dragons'”, o spin-off de “Game of Thrones”. Também estão previstos lançamentos e apresentações de projetos das editoras Marvel e DC, comércio de brinquedos e acessórios geeks, conversas sobre games e e-sports, concurso de cosplay, sorteio de brindes, além de bate-papos e workshops com artistas de quadrinhos – entre eles, o veterano Jim Davis, criador de “Garfield”. Por sinal, a cartunista Laerte é a grande homenageada da edição, fazendo sua participação neste sábado às 15h07, no palco Artists’ Valley. Para este ano, ainda há uma promessa de melhoria na parte tecnológica do evento. A plataforma de acesso foi modificada para favorecer a acessibilidade – um problema na edição de 2020. Com isso, os organizadores esperam poder comemorar um crescimento no número de acessos em comparação ao ano passado – que teve um público total de 1,5 milhão de pessoas. A transmissão será feita pela plataforma Twitch por meio de 11 canais, que exibirão o que acontece nos diferentes painéis. Mas não haverá acesso gratuito fora do streaming oficial. Quem quiser conferir mais tarde, só tem a opção do ingresso Digital Experience (R$ 50), que, entre outras coisas, dá acesso posterior aos vídeos dos painéis – disponíveis até o dia 5 de janeiro.

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    Secretaria da Cultura coloca outro acervo em risco após incêndio na Cinemateca

    3 de dezembro de 2021 /

    Quatro meses após o incêndio na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, a secretaria da Cultura comandada pelo ex-“Malhação” Mario Frias é alvo de uma denuncia publicada no jornal O Globo nesta sexta (3/12), por colocar outro precioso acervo cinematográfico em risco. Segundo apuração do jornal, Frias teria contrato sem licitação uma empresa “fantasma”, sem funcionários e sediada em uma caixa postal dentro de um escritório virtual, para conservação e manutenção do Centro Técnico Audiovisual (CTAv), um edifício da União que reúne relíquias do cinema nacional em Benfica, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro. O incêndio da Cinemateca mal tinha sido contido quando o próprio CTAv decidiu encomendar um estudo técnico sobre as condições de sua estrutura em agosto passado, revelando que o local também corria risco de incêndio e até desabamento. Num dos trechos, o documento ressaltava o “desaprumo de telhas na fachada frontal”, que poderia cair a qualquer momento. Em novembro, Frias assinou a contratação da Construtora Imperial, por meio de uma portaria de dispensa de licitação, para resolver o problema. Contratada pela bagatela de R$ 3,6 milhões, a empresa tem sede na Paraíba, ou seja, a 2.400 km do Rio de Janeiro, onde o trabalho será realizado. Seu endereço é um escritório virtual especializado em fazer “gestão de correspondências” para dezenas de firmas. A Construtora Imperial nunca prestou serviços para o governo federal, não tem um site ou qualquer meio eletrônico que detalhe os serviços que ela presta. E, de acordo com a base de dados do Ministério da Economia, não possuiu funcionários. Mesmo assim, a empresa já tinha prestado pequenos serviços para prefeituras da Paraíba. Com Sertãozinho, por exemplo, fechou um contrato de R$ 154 mil. Com Guarapari da Paraíba, foi contratada por R$ 190 mil. Ambos os serviços foram na área de obras esportivas. Mais curioso ainda: a empreiteira virtual pertence a Danielle Nunes de Araújo, que, no início do ano passado, se inscreveu no programa de auxílio emergencial do governo e recebeu o benefício disponível para desempregados por oito meses seguidos – R$ 3,9 mil no total. A reportagem apurou que a necessidade era real. Entre parentes e pessoas próximas, Danielle não é conhecida como empresária do ramo da construção, mas sim como dona de casa de perfil discreto e que recentemente estava passando por dificuldades financeiras. Procurada pela reportagem de O Globo, ela disse não saber sequer os detalhes da obra que faria para a Secretaria Especial da Cultura. Disse apenas que era para “demolir e reconstruir um prédio lá no Rio”. O edital de contratação da Secretaria Especial de Cultura, no entanto, não trata de qualquer “demolição” do prédio. O documento destaca que os recursos empenhados na obra servirão para a realização de “serviços técnicos especializados na área de engenharia para manutenção preventiva, corretiva, conservação predial e arquitetônica”. Criado em 1985 a partir de uma parceria entre a antiga Embrafilme e o National Film Board, do Canadá, o CTAv é responsável por um acervo com mais de seis mil títulos. O órgão também fornece apoio à produção cinematográfica nacional por meio de empréstimos de equipamentos e estúdios, a custo zero. Cineastas como Sérgio Sanz (1941-2019) e Gustavo Dahl (1938 – 2011) já passaram pela direção da instituição. Os bens históricos incluem 15 mil latas de filme, 20 mil negativos fotográficos e cerca de 1,5 mil cartazes. Entre as relíquias, há parte da coleção do diretor pioneiro Humberto Mauro (1897-1993) e películas originais de “Limite” (1931), obra-prima de Mário Peixoto, além de “O que foi o carnaval de 1920” (1920), de Alberto Botelho. Contatada por e-mail e por telefone ao longo dos últimos dias, a secretaria de Cultura não respondeu aos questionamentos da reportagem nem explicou por que uma empresa que não tem sede nem funcionários foi contratada sem licitação. O órgão também não respondeu quais os critérios foram adotados para a escolha da construtora e não esclareceu se fez vistoria prévia na empresa ou se conhece sua especialização notória na área de preservação de bens culturais, condição para dispensa de licitação.

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