Atriz de It: A Coisa vira Nancy Drew no trailer do novo filme da detetive mirim
A Warner liberou o primeiro trailer da adaptação de “Nancy Drew e a Escada Secreta” (Nancy Drew and the Hidden Staircase), que traz Sophia Lilis (“It: A Coisa”) no papel da famosa detetive-mirim. A prévia foi divulgada com exclusividade no programa de TV da apresentadora Ellen DeGeneres, que é produtora do filme. Embora a prévia apresente a trama como o primeiro caso da personagem literária, na verdade “Nancy Drew e a Escada Secreta” é a segunda história, escrita em 1930 por Mildred Wirt Benson, sob o pseudônimo de Carolyn Keene. E contém elementos de mistério sobrenatural. O livro, inclusive, já foi adaptado para o cinema em 1939, como o quarto e último filme da franquia original estrelada por Bonita Granville – que décadas depois produziria os filmes e a série de “Lassie”. Assim como na obra original, Nancy é apresentada como uma pré-adolescente que vive com seu pai na cidadezinha de River Heights e resolve mistérios que envolvem os jovens da vizinhança. Mas o roteiro de Nina Fiore e John Herrera (ambos de “The Handmaid’s Tale”) atualiza a trama, acrescentando a vivacidade de Veronica Mars e de Velma (de “Scooby-Doo”), duas “versões modernas” de Nancy Drew, além de transformá-la em skatista. Publicados desde 1930, os livros da jovem detetive já venderam mais de 80 milhões de exemplares em todo o mundo, tendo sido traduzidos em 45 línguas diferentes. A personagem também já apareceu em cinco filmes e duas séries televisivas (nos anos 1970 e 1990), além de games de computador e produtos variados. O filme mais recente foi lançado em 2007 e trazia Emma Roberts (série “Scream Queens”) no papel-título. A direção do novo longa é de Katt Shea (“A Maldição de Carrie”) e o elenco ainda inclui Sam Trammel (“True Blood”), Andrea Anders (“De Repente uma Família”), Laura Wiggins (“O Chamado 3”), Zoe Renee (“Jinn”) e Mackenzie Graham (“Darlin'”). “Nancy Drew e a Escada Secreta” estreia em 15 de março nos EUA e ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.
Como Treinar seu Dragão 3 encerra trilogia de forma emocionante
A trilogia sobre a improvável amizade entre o garoto viking e seu dragão chega ao fim como uma das mais bem equilibradas do cinema. “Como Treinar seu Dragão 3” é tão bom quanto a parte 2, que por sua vez era tão boa quanto o primeiro filme. A Dreamworks atinge um feito raro na animação, construindo uma pequena saga que evolui surpreendendo, ao mesmo tempo em que mantém a identidade original. No novo e último filme da franquia, Soluço é o líder de seu povo vivendo o sonho de uma comunidade pacífica entre humanos e dragões. Mas a chegada de um caçador dessas criaturas vai não apenas colocar os animais em risco, como também todo o modo de vida de sua tribo. A premissa parece mais do mesmo, mas o roteiro a aproveita apenas como ponto de partida para desenvolver melhor seus personagens e suas situações. E talvez este seja o grande diferencial dos longas “Como Treinar seu Dragão”: são sempre sobre relações. Se o primeiro filme lidava com o preconceito e a necessidade de se juntar e compreender o outro para juntos irem além, o segundo tratava de encontros, desencontros e perdas, obrigando tanto Soluço quanto seu dragão Banguela a amadurecerem de forma forçada, assumindo suas respectivas lideranças. Isto feito, para onde a história poderia ir? Em direção ao mais difícil aprendizado: o de abrir mão, compreender que as coisas muitas vezes podem não ser como quereremos e que está tudo bem assim. A trilogia “Como Treinar seu Dragão” revela ser, ao final, um conto sobre crescimento, refletido num garoto e em seu Fúria da Noite. Soluço e Banguela estão ligados não apenas pela mútua relação necessária para voarem, mas também pelo aprendizado conjunto na construção de uma das amizades mais emocionantes já forjadas na tela grande. E o terceiro filme traz todos os elementos que fizeram esta franquia tão especial: personagens cativantes, momentos sublimes de beleza plástica e emocional, sequências de ação muito bem executadas e dilemas pessoais com os quais todos temos que lidar. A série de livros de Cressida Cowell ganhou no cinema uma adaptação vibrante e afetuosa que vai deixar saudades. E algumas lágrimas também.
Homem-Aranha no Aranhaverso revoluciona animações e filmes de super-heróis
“Homem-Aranha no Aranhaverso” é uma explosão de criatividade em todos os quesitos para quem achava que filme de super-herói já esgotou uma fórmula que dizem existir por aí. E também é, sim, o melhor filme solo do herói em 15 anos – desde que Sam Raimi entregou “Homem-Aranha 2”. Trata-se de uma animação. Mas fora das características visuais que Pixar, Disney e DreamWorks padronizaram e acostumaram o mundo inteiro. Mistura com maestria animação tradicional, digital, 3D e o escambau. Mais que isso: traduz a linguagem dos quadrinhos para a tela de maneira revolucionária, visceral, porém orgânica, sem jamais distrair o espectador da história com a beleza de suas imagens. É o tradicional filme de origem virado do avesso. Como diz o título, “Homem-Aranha no Aranhaverso” tem um roteiro loucão que aposta na abertura de infinitas possibilidades, com dimensões e realidades paralelas colidindo para gerar a reunião improvável de diferentes versões do Amigo da Vizinhança. Para embarcar nessa viagem, que fica cada vez mais brisada, graças principalmente às cabeças piradas dos roteiristas Phil Lord e Chris Miller (“Uma Aventura Lego”), o filme confia em duas certezas básicas: todo mundo ama o Homem-Aranha e qualquer um pode usar uma máscara de herói. Não importa cor da pele, classe social, nacionalidade, forma física, idade, gênero ou orientação sexual, o Homem-Aranha do novo século abraça diversidade e representatividade, que sempre estiveram enraizadas no conceito de Stan Lee sobre seus super-heróis: ser diferente é normal e legal demais. O velho Peter Parker de sempre faz parte da história. Velho mesmo, barrigudo, com a barba por fazer, mas de outra dimensão, porque a trama se passa na realidade de Miles Morales (o antigo universo Ultimate da Marvel), completamente diferente daquele que os fãs estão acostumados – para se ter ideia o Peter Parker da dimensão de Miles é loiro e o Dr. Octopus é uma mulher. Mas tem mais. Gwen Stacy de outra dimensão, que ganha poderes de Aranha em vez de Peter, o Aranha Noir, uma garota aranha de visual anime e até um porco aranha antropomórfico. Hilário. E todos vindos de épocas diferentes dos quadrinhos do herói. A animação da Sony é uma homenagem sem precedentes ao personagem da Marvel em diversas mídias, eras e segmentos, e faz desde reverências a Stan Lee e Steve Ditko, os criadores do herói, até piadinhas sobre o merchandising. É dirigido por Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman, mas é importante ressaltar a força criativa de Phil Lord e Chris Miller, jovens talentos que iniciaram a carreira com um desenho animado absolutamente maluco, “Tá Chovendo Hamburguer”, transformaram “Uma Aventura Lego” em franquia e recentemente foram demitidos de “Han Solo: Uma História Star Wars”, porque foram ousadinhos demais. Azar da Disney, pois “Han Solo” fracassou com a direção burocrática de Ron Howard, enquanto “Homem-Aranha no Aranhaverso” atingiu uma galáxia de elogios. E o impacto dessa animação no cenário pop é merecidamente tão forte que a Sony não somente abriu portas para uma nova franquia com inegável apelo popular, como também colocou pressão para cima da concorrência (Pixar, DreamWorks) e dos próprios filmes do Homem-Aranha com Tom Holland.
Juliet, Nua e Crua esconde sátira pop sob verniz de comédia romântica
Sexto romance lançado pelo britânico Nick Hornby, “Juliet, Naked” (2009) foi um respiro de alivio após o pouco inspirado “Slam” (2008) – já adaptado ao cinema. O filme que virou “Juliet, Nua e Crua” parece expurgar, com delicadeza, a egolatria pop que jorrava em litros dos personagens de “Alta Fidelidade” (1995), obra mais famosa do escritor. É quase uma tiração de sarro que, no entanto, ganha brilho num momento capital da trama, que une Duncan (Chris O’Dowd), um fã absolutamente apaixonado (sim, é redundância, mas era preciso reforçar) por um cantor que desapareceu do mapa nos anos 1990, sua namorada Annie (Rose Byrne), uma historiadora da arte afundada na areia movediça de uma cidade onde absolutamente nada acontece, e Tucker Crowe (Ethan Hawke), o tal músico sumido. Tucker lançou o álbum “Juliet” (1993), incluso pela revista Rolling Stone na lista de “Melhores Álbuns sobre Término de Relacionamento de Todos os Tempos”, e depois renegou o disco (sabe o sentimento de Dylan sobre “Blood on The Tracks”? O mesmo). Duncan criou um site para discutir a obra e a vida de Tucker e idolatra tanto “Juliet” que o brilho do álbum apaga absolutamente Annie. Mas tudo isso está prestes a virar do avesso: a audição do disco de demos “Juliet Naked” divide o casal (“Isso é uma obra prima”, diz Duncan enquanto Annie critica: “Como alguém pode achar que um rascunho é melhor que o produto final?”) e será o estopim para uma grande mudança. Para quem não é do universo pop, “Juliet, Nua e Crua” pode soar como uma comédia romântica doce, correta e funcional do diretor Jesse Peretz (“O Ex-Namorado da Minha Mulher”). Porém, para apaixonados por cultura pop e rock alternativo (a trilha traz sobras de Ryan Adams, Conor Oberst, Robyn Hitchcock e Nathan Larson), há uma peça satírica deliciosa escondida por trás da comédia romântica doce, correta e funcional. No caso de Nick Hornby, preste sempre atenção nas entrelinhas. A mágica acontece ali. E há muita mágica presente aqui. Divirta-se.
WiFi Ralph é crossover publicitário com mais marcas que personagens
Ao contrário de “Detona Ralph”, que priorizou uma história ao invés da tentar agradar os fãs de games, “WiFi Ralph: Quebrando a Internet” se perde entre referências. É basicamente um fiapo de roteiro que se apoia num excesso de check-ins e curtidas pelo maior crossover publicitário já feito no cinema. E além de se referir a si mesma na história, a Disney ainda passa a mensagem de que amizade via Facebook e WhatsApp deve ser tão valorizada quanto brincar com crianças no mundo real – o oposto do que todos falam, por sinal. Para começo de conversa, o filme de 2012, ainda que desenvolvido sob a direção criativa de John Lasseter, nunca foi um “Toy Story”, “Procurando Nemo”, “Wall-e”, “Divertidamente” ou “Up”. No padrão Pixar, teria ficado no segundo escalão. Mas para a Disney pós-“O Rei Leão” até que ficou de bom tamanho. A parceria do estúdio com Lasseter depois renderia “Zootopia” e “Moana”, saindo-se melhor que alguns lançamentos da própria Pixar. Mas “Detona Ralph” se contentava em ser uma aventura extremamente divertida com personagens adoráveis, ao mesmo tempo que prestava homenagem aos games do século passado e aos gamers de todas as gerações. “WiFi Ralph”, por sua vez, encosta os coadjuvantes anteriores para apresentar novos personagens (fraquíssimos) e demora a começar para valer. Os primeiros minutos são puro marasmo, oferecendo uma série de referências a games que estão lá somente para satisfazer nerds, que buscam nada mais que referências. Pior que isso: denunciam logo de cara que não há muito o que contar na continuação, como tinha ficado claro durante os créditos finais de “Detona Ralph”. É por isso que Ralph (voz de John C. Reilly, nas versões em inglês) e Vanellope (voz de Sarah Silverman) saem do limitado mundo dos velhos arcades e partem rumo ao universo de possibilidades infinitas da internet para recuperar uma peça fundamental do jogo da princesa, “Corrida Doce”. Quando Ralph e Vanellope entram na rede, o filme de Phil Johnston e Rich Moore mostra o que tem de melhor: as técnicas de animação evoluíram muito de 2012 para 2018, rendendo um visual limpinho e gigantesco para ilustrar a imensidão da internet. Também é bastante criativa a maneira como caracterizaram os avatares dos usuários, os pop-ups, o Instagram, os vírus, a deep web, os jogos onlines e os vídeos babacas que viralizam no YouTube. Mas “WiFi Ralph” também convida o público a apontar “Ei, ali está a logo do Facebook!”, “Os passarinhos são o Twitter!”, “Ah, os Stormtroopers!”, “Caramba, o Homem de Ferro!”, “Iti malia! São as princesas Disney!”, “A Branca de Neve digital ficou com cara de louca, não?”, “Vi o Google lá em cima!”, “Olha o Pinterest!”. Referências que parecem ocupar mais espaço que a própria história, porque roteiro que é bom, nada. Um lampejo começa a ser esboçado da metade para o final. Pena que não dialogue com o resto do filme, embora os minutos iniciais de “WiFi Ralph” joguem algumas pistas no ar que se perdem rapidamente. É uma mensagem ousada para a Disney, mas também questionável, porque a animação é feita essencialmente para crianças e o verdadeiro público-alvo provavelmente não terá maturidade suficiente para assimilar. Além disso, a ideia de valorizar a comunicação via redes sociais parece anúncio pago das grandes marcas que estampam diversas cenas de “WiFi Ralph”. No fim, fica a sensação de que alguém revisou o roteiro para inserir marketing de conteúdo no lugar da história. Apesar de contar com um universo cheio de potencial, a Disney fez de “Detona Ralph” uma jornada completa e centrada nas redenções de dois personagens. Já “WiFi Ralph” se encanta pelo tamanho desse universo, que engole os dois personagens, deixando-os sem rumo. Sobram referências e falta história no roteiro bagunçado, que tem até um inesperado número musical, supostamente engraçadinho, com uma canção ruim de doer.
Bumblebee é o E.T. da franquia Transformers
Você viu esse filme várias vezes, e em embalagens diferentes, mas a fórmula de “E.T.” com visual de “Transformers” não tinha muito como dar errado. Foi preciso contar uma história (vejam só que coisa básica), ter um pouco de noção (e não só explosões) e um diretor promissor (Travis Knight) querendo mostrar serviço para fazer de “Bumblebee” o melhor filme da franquia. De longe. Em resumo, é um filme que dá para assistir. E bem divertido, diga-se de passagem. O filme solo que a gente não sabia que precisava do Transformer mais querido do planeta, trocou os clichês grandiosos de Michael Bay pela sensibilidade de Travis Knight, um novato que encantou com a animação “Kubo e as Cordas Mágicas” e assumiu a franquia mais execrada de Hollywood com a esperança de realizar um milagre. E conseguiu. Nunca antes a crítica gostou tanto de um Transformer. Antes de tudo, e ao contrário de Michael Bay, Knight proibiu câmeras tremidas, deixando toda a ação visível ao olho humano. Livrando o público da dor de cabeça, tratou de tirar-lhe também o peso das costas, entregando um filme mais leve, inclusive no senso de humor. Além disso, corrigiu os rumos da franquia ao retomar os melhores momentos do primeiro “Transformers”, o único até aqui que parece ter sido produzido por Steven Spielberg. Knight voltou ao filme de 2007 para contar a história do menino e seu carro-robô. No caso, da menina e seu fusca-autobot. Além disso, o diretor aproveitou o fato de “Bumblebee” ser um prólogo passado nos 1980 para incorporar o espírito da época – em que Spielberg fez “E.T” e reinou absoluto como rei dos blockbusters. Tanto em cena, ao reproduzir o tipo de aventura juvenil daquela era, quando na trilha, cheia de músicas que marcaram a década – The Smiths, A-ha, Simple Minds, Duran Duran, Rick Astley, Tears for Fears, entre outros. Tirando os efeitos visuais, absolutamente modernos, “Bumblebee” parece pertencer à época que retrata. Tem cara de cinemão da década de 1980. Mas não pense que o filme é antiquado. A começar por trazer uma protagonista feminina, que não precisa de homem nenhum para alcançar seus objetivos – como Ripley, na franquia “Alien”. Não está ali só para beijar um cara na cena final nem para gritar de medo diante do menor perigo. Hailee Steinfeld já tinha provado seu talento precoce em “Bravura Indômita”, filmão de 2010 dos Irmãos Coen, que lhe rendeu até indicação ao Oscar. São nove anos de lá até aqui e, como já tinha mostrado em “Quase 18”, ela virou estrela. Seu talento ajuda a transmitir a emoção necessária para a transição dramática da história. Pois se “Bumblebee” é divertido, também traz aquele momento de dar nó na garganta. É “E.T.” telefonando dos anos 1980 para o cinema atual. “Bumblebee” ainda evita erros de outros prólogos, como “Han Solo”, que tentam se conectar aos longas originais atirando referências para fãs, antes mesmo de ter um roteiro definido. Isso abre possibilidades para que “Bumblebee” tenha sua própria franquia sem se preocupar com o que foi visto antes. Não é uma novidade, mas é um recomeço muito bem feito – e com direito a usar e abusar dos efeitos sonoros do desenho antigão dos Transformers. Parecia que tinham vergonha disso, mas como a nostalgia impera em “Bumblebee”, até o famoso som de transformação foi (bem) recuperado.
Bird Box não é o fim do mundo, mas lembra o Fim dos Tempos
“Bird Box” não é o pior filme do mundo. É uma “Tela Quente” bem mais interessante que “Fim dos Tempos” (2008), aquela porcaria do M. Night Shyamalan, que vem aí de novo com “Vidro”. Ele é um diretor bem mais talentoso e com um repertório narrativo cheio de soluções visuais mais criativas que a dinamarquesa Susanne Bier. Mas colocou Mark Wahlberg para falar com uma planta em “Fim dos Tempos”, enquanto Sandra Bullock não passa vergonha em “Bird Box” e sabe atuar. Claro que, quando a referência imediata vem de um filme ruim que quase ninguém lembra que viu, a coisa não pode ser muito bonita. Mas também não precisa vendar os olhos para encarar “Bird Box”, porque Sandra Bullock é uma mulher capaz de tudo. Poucas atrizes sabem transitar entre drama e comédia com tamanha eficiência e experiência para segurar qualquer filme nas costas, atraindo praticamente toda a atenção do público. E ainda tem uma garotinha sensacional no elenco, a pequena notável Vivien Lyra Blair, além do talento promissor de Trevante Rhoades, de “Moonlight”, embora John Malkovich, Sarah Paulson e Jackie Weaver aparecem apenas pela obrigação de manter as contas em dia. “Bird Box” é sobre algo que surge do nada e que não pode ser visto, então, leva as pessoas a cometer suicídio. Alienígenas? Entidades malignas? A câmera não mostra e é melhor assim. Talvez seja uma metáfora para a depressão, o medo que de nós mesmos e da possível e consequente desistência da vida. Ótimo que o espectador possa entender “Bird Box” como quiser, afinal arte é uma experiência bem pessoal. E a analogia sobre depressão não é absurda, pois a jornada da personagem de Sandra envolve sua aceitação da maternidade, solução que representa sua própria razão para viver. Pena que a diretora Susanne Bier dilua qualquer simbologia em prol do melodrama e de uma história mais convencional. Fica a sensação de que o roteiro de Eric Heisserer (“A Chegada”), baseado no livro de Josh Malerman, precisava de um olhar mais profundo para traduzir a reflexão que parece ter repercutido mais em quem leu a obra original. Em vez disso, a trama prefere investir nos momentos clichês da estupidez humana, que existem em nove de cada dez filmes que flertam com o terror – como abrir portas para estranhos no meio do caos, ver uma notícia sobre suicídio em massa na Rússia e ignorar o fato como se fosse a coisa mais normal do mundo, e correr por uma floresta com os olhos vendados só para tomar inúmeros tombos. Para se arriscar em um território tão explorado é preciso desbravar fronteiras e percorrer caminhos jamais percorridos. Não é o que faz Susanne Bier que, numa era não muito distante, conquistou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por “Em um Mundo Melhor” (2010). Era de se esperar mais dela. Especialmente após outro filme com temas mais ou menos similares ir muito além e se destacar em 2018, o excelente “Um Lugar Silencioso”.
Sam Elliott é o homem que matou Hitler e o Pé Grande em trailer de fantasia premiada
O estúdio indie RLJ divulgou o pôster e o trailer de “The Man Who Killed Hitler and Then The Bigfoot”, aventura fantasiosa que traz o veterano Sam Elliott (“Nasce uma Estrela”) como o personagem do título, o homem que matou Hitler e depois o Pé Grande. A prévia se alterna entre flashbacks para o passado do protagonista, como o soldado responsável por assassinar o Führer, e o presente, quando o governo o recruta para uma nova missão: impedir uma epidemia espalhada pelo Pé Grande nas florestas norte-americanas. O detalhe é que esse delírio agradou a crítica, com 85% de aprovação no site Rotten Tomatoes, e até venceu um festival americano – de Nevada. Alguns dos elogios foram, inclusive, destacados no trailer. A direção e o roteiro são de Robert D. Krzykowski (produtor de “The Woman – Nem Todo Monstro Vive na Selva”), que estreia nas funções, e o elenco conta ainda com Aidan Turner (“Poldark”), Ron Livingston (“A Million Little Things”), Caitlin FitzGerald (“UnReal”), Larry Miller (“O Professor Aloprado”) e Ellar Coltrane (“Boyhood”). A estreia está marcada para o dia 8 de fevereiro nos Estados Unidos e não há previsão para lançamento no Brasil.
Homem-Aranha ganha novo trailer em formato de celular, com Ramones e cenas inéditas
A Sony divulgou um novo trailer de “Homem-Aranha: Longe de Casa”. Editado como um vídeo de celular (mais Snapchat que Stories) e ao som de “I Wanna Be Sedated”, clássico de viagem dos Ramones, ele mostra algumas cenas inéditas do voo de Peter Parker (Tom Holland) para a Europa. Vale considerar que a inclusão dos Ramones não é aleatória. Além de a banda ser tão nova-iorquina quanto o herói, também gravou a música-tema do desenho clássico do Aranha em 1995. De todo modo, a prévia vai apenas até a aparição de Nick Fury (Samuel L. Jackson), que interrompe as férias do herói para alistá-lo numa missão. Novamente escrito por Erik Sommers e Chris McKenna, e com direção de Jon Watts, responsáveis pelo filme anterior, “Homem-Aranha: Longe de Casa” estreia em 4 de julho Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.
Lindsay Lohan negocia com lobisomens em trailer de terror trash
A carreira de Lindsay Lohan continua em marcha ré, conforme atesta o trailer de “Among the Shadows”, provavelmente a pior prévia de uma produção estrelada pela atriz. Trash ao extremo e sem a menor preocupação de explicar a trama, o vídeo traz Lohan contratando uma detetive lobisomem para encontrar seu marido desaparecido. Em meio aos clichês, montagens amadoras e lutas mal-coreografadas, há um complô qualquer. Primeiro filme de Lohan desde “Vale do Pecado” (2013), também traz no elenco Charlotte Beckett (de “Penny Dreadful”) como a lobisomem principal, além de John Flanders (“A Conexão Francesa”), Gianni Capaldi (“Porta do Inferno”) e diversos iniciantes. A direção é de Tiago Mesquita (“Insegurança”) e não há previsão de estreia – ou seja, deve sair direto em VOD. A distribuidora Phoenicia também divulgou um pôster. Veja abaixo.
Dogman: Thriller premiado do diretor de Gomorra ganha trailer americano
A Magnolia divulgou o pôster e o trailer americanos de “Dogman”, um dos filmes europeus mais premiados e comentados de 2018. Dirigido por Matteo Garrone (“Gomorra”), acompanha um frágil cuidador de cachorros que é arrastado para cima e para baixo por um ex-boxeador brutamontes, que diz ser seu amigo enquanto o aterroriza, brutaliza e o faz testemunhar crimes. O ator Marcello Fonte foi premiado no Festival de Cannes e considerado o Melhor Ator Europeu de 2018 pela Academia Europeia, por seu desempenho no papel-título, como o cuidador de cachorros. Lançado em maio do ano passado na Itália, o filme tem sua estreia americana marcada para 12 de abril e ainda não tem previsão para chegar ao Brasil.
Jesse Eisenberg volta a querer ficar rico com informática em trailer de drama indie
A Orchard divulgou o pôster e o trailer do drama indie com toques de humor “The Hummingbird Project”, em que Jesse Eisenberg (“A Rede Social”) volta a viver um geniozinho ambicioso com planos para se tornar milionário. E para isso faz sociedade com um irreconhecível Alexander Skarsgård (“Big Little Lies”) calvo. Os dois vivem primos nova-iorquinos que descobrem o verdadeiro valor de negociar na Bolsa de Valores com a velocidade da fibra ótica. Como lucros podem ser obtidos por decisões tomadas em milisegundos, uma linha de fibra ótica que ligue o Kansas a Nova York pode representar bilhões de vantagens. E esta é uma oferta que um investidor não consegue recusar. O problema é que desta vez o cérebro do negócio é Skarsgård e Eisenberg soa meio vigarista, ao vender a capacidade da dupla para realizar o negócio. E, para complicar, sua ex-chefe percebe a jogada e decide fazer de tudo para superá-los nas apostas em alta velocidade do mercado financeiro. Roteiro e direção são de Kim Nguyen (do impactante “A Feiticeira da Guerra”) e o elenco ainda inclui Salma Hayek (“Dupla Explosiva”), Michael Mando (“Better Call Saul”) e Sarah Goldberg (“Barry”). Exibido no Festival de Toronto, o filme tem estreia comercial marcada para 15 de março nos EUA e não tem previsão de lançamento no Brasil. The Hummingbird Project
Trailer de Homem-Aranha: Longe de Casa teria batido recorde de visualizações
A Sony Pictures afirma que o primeiro trailer de “Homem-Aranha: Longe de Casa” foi mais visto que qualquer outro já lançado pelo estúdio em suas primeiras 24 horas. Segundo dados da própria Sony, o vídeo teve 130 milhões de visualizações em seu primeiro dia. O recorde supera a marca do primeiro trailer de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar”, visto 116 milhões de vezes em 24 horas – e que veio a faturar US$ 334,2 milhões no mercado doméstico e US$ 880,1 milhões em todo o mundo. Mas não é possível comprovar, já que os números supostamente somam todas as reproduções nas mais diferentes redes sociais de todos os países em que a Sony disponibilizou o vídeo. E olha que tem pegadinha nessa afirmação, já que o estúdio disponibilizou trailers completamente diferentes para os Estados Unidos e o resto do mundo. O total somaria os dois trailers? Cheio de easter eggs, o trailer foi bastante analisado. Mas o único número de visualizações comprovável é o do YouTube, que registra “apenas” 27,4 milhões de visualizações do vídeo americano em três dias. Novamente estrelado por Tom Holland e com direção de Jon Watts, que trabalharam juntos no filme anterior, “Homem-Aranha: Longe de Casa” estreia em 4 de julho no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.












