Três Verões: Drama premiado com Regina Casé ganha trailer
A Vitrine Filmes divulgou o pôster e o trailer de “Três Verões”, novo filme da diretora Sandra Kogut (“Campo Grande”), que rendeu prêmios de Melhor Atriz para Regina Casé (“Que Horas Ela Volta?”) nos festivais do Rio e de Antalya, na Turquia. De ampla carreira internacional, o longa fez sua estreia mundial no Festival de Toronto, no Canadá, também foi premiado no Festival de Havana, em Cuba, e teve première nacional durante a 43ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. “Três Verões” retrata o Brasil contemporâneo por meio do olhar de Madá (Casé), caseira de um condomínio de luxo à beira-mar. A trama mostra, sob seu ponto de vista, o desmantelamento de uma família em função dos dramas políticos recentes que abalaram o país. O filme se passa ao longo de três anos consecutivos (2015, 2016 e 2017), sempre na última semana do ano, entre o Natal e o Ano Novo, na luxuosa casa de veraneio da família. O personagem de Madá está entre dois mundos, ela é a dona da casa sem realmente ser: Madá manda nos empregados, mas é também submissa aos patrões. Em 2015 tudo parece ir bem, mas em 2016 a mesma festa é cancelada e em 2017 os empregados precisam ser criativos. O filme pergunta o que acontece com aqueles que gravitam em torno dos ricos e poderosos quando a vida destes desmorona, ao mesmo tempo em que registra as mudanças sociais e políticas dos últimos anos no Brasil, ilustrada por meio da prisão do patrão (Otávio Müller, de “Segunda Chamada”) por corrupção. Coprodução com a França, “Três Verões” também traz em seu elenco Jéssica Ellen (“Filhos da Pátria”), Gisele Fróes (“O Menino no Espelho”) e seu pai, o veterano Rogério Fróes (“Magnífica 70”). A estreia está marcada para 19 de março nos cinemas brasileiros.
De Perto Ela Não É Normal: Comédia brasileira repleta de famosos ganha primeiro trailer e fotos
Mais um monólogo teatral vai virar filme brasileiro. Depois do sucesso de “Minha Mãe É uma Peça” e “Os Homens São de Marte… E é pra Lá que eu Vou”, Suzana Pires adapta e estrela “De Perto Ela Não é Normal”, que ela apresentou nos palcos em 2006. A H2O divulgou as primeiras fotos e o trailer, em que Suzana se multiplica em três personagens diferentes. A protagonista é uma mulher madura, casada com seu amigo de infância, Pedrinho (Marcelo Serrado) e com duas filhas crescidas, que segue exatamente a vida tradicional prescrita por sua mãe. Mas quando as filhas saem de casa e ela reencontra sua Tia Suely, Suzie resolve dar uma guinada na vida e ir em busca de si mesma. A prévia mostra a transição de Suzie de “mãe de família” para mulher empoderada e bem-sucedida. O vídeo também é cheio de celebridades televisivas e piadas escatológicas. Isto é, não se trata de uma comédia sofisticada, mas de humor popularzão. Entre os famosos do elenco estão as cantoras Ivete Sangalo e Gaby Amarantos, os apresentadores Angélica e Otaviano Costa, os comediantes Samantha Schmütz, Heloisa Perissé, Orlando Drummond e Cristina Pereira, a travesti Jane Di Castro, o ex-“A Fazenda” Gominho e o veterano símbolo sexual Henri Castelli, um deus de sunga branca. A adaptação marca a estreia de Suzana Pires como roteirista de cinema. A direção é de Cininha de Paula (“Crô em Família” e “Duas de Mim”) e o filme tem coprodução da Escarlate e Globo Filmes, com distribuição da H20. “De Perto Ela Não É Normal” chega aos cinemas no dia 2 de abril.
Run This Town: Thriller político com Ben Platt e Nina Dobrev ganha primeiro trailer
A Quiver divulgou o pôster e o trailer de “Run This Town”, suspense político canadense carregado de humor negro e baseado num escândalo real. A trama gira em torno de um vídeo comprometedor, que pode derrubar o prefeito de Toronto se vazar na imprensa. Uma cópia acaba nas mãos de um jornalista iniciante que, indeciso sobre o que realmente as imagens representam, resolve usá-lo para alavancar sua carreira. O elenco destaca Ben Platt (“The Politician”) como o protagonista, além de Mena Massoud (“Aladdin”), Nina Dobrev (“The Vampire Diaries”), Scott Speedman (“Animal Kingdom”), Jennifer Ehle (“Vox Lux”), Gil Bellows (“Eyewitness”) e um irreconhecível Damian Lewis (“Billions”) sob camadas de látex, no papel do já falecido prefeito Rob Ford. “Run This Town” é o primeiro longa escrito e dirigido por Ricky Tollman. A estreia vai acontecer um ano após a première mundial no Festival SXSW (South by Southwest), um dos mais importantes festivais de cinema indie dos EUA. O lançamento está marcado para o dia 6 de março, mas não há previsão para o Brasil.
Emma: Novo trailer e pôsteres de personagens destacam elogios e figurinos de época
A Universal divulgou uma coleção de pôsteres e um novo trailer de sua adaptação de “Emma”, comédia romântica baseada na obra clássica de Jane Austen. A prévia destaca os elogios da crítica, após a estreia nesta sexta (14/2) no Reino Unido, bem como o tom bem-humorado. Já os cartazes apresentam individualmente um dos maiores destaques da produção. Os atores são bons, mas o que chama realmente atenção é o figurino de época dos personagens, criado por Alexandra Byrne, vencedora do Oscar por “Elizabeth: A Era de Ouro” (2007). A nova versão de “Emma”, que está sendo grafada no exterior como “Emma.”, traz a atriz Anya Taylor-Joy (“A Bruxa”) no papel-título, vivido por Gwyneth Paltrow em 1996, uma jovem do começo do século 19 que adora arranjar namoros e casamentos para seus amigos, causando mil confusões, mas se vê totalmente perdida quando o assunto é sua própria vida amorosa. O Sr. Knightley, pretendente de Emma, é vivido pelo ator britânico Johnny Flynn (“Genius”) e o elenco ainda inclui Bill Nighy (“Questão de Tempo”), Gemma Whelan (“Game of Thrones”), Mia Goth (“Suspiria”), Josh O’Connor (“The Crown”) e Callum Turner (“Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald”). A direção é de Autumn de Wilde, que estreia em longas-metragens após dirigir vários clipes do músico Beck, e o lançamento está marcado para 23 de abril no Brasil, dois meses após a chegada nos cinemas dos Estados Unidos.
Continuação do romance adolescente After ganha teaser legendado
A Diamond Films divulgou o teaser legendado de “After: Depois da Verdade”, continuação do romance adolescente “After”, que foi um dos maiores fracassos de público e crítica do ano passado. Feito por apenas US$ 14 milhões, “After” foi um fiasco tão grande que não conseguiu se pagar com a bilheteria norte-americana, tendo faturado apenas US$ 12 milhões nos EUA e Canadá. No Brasil, ficou menos de um mês em cartaz. Só conseguiu juntar US$ 52,1 milhões em todo mundo graças ao público adolescente europeu. Eles são os culpados pela continuação. Com míseros 17% de aprovação no site Rotten Tomatoes, “After” se consolidou como uma espécie de “Cinquenta Tons de Cinza” para virgens. Como aquele longa, também surgiu como uma fanfic com todos os clichês do gênero, em que uma protagonista romântica recatada encontra um rebelde bonitão e “perde a cabeça”. Já viram “Amor sem Fim” ou “Crepúsculo”? É igual. A trama acompanha uma jovem chamada Tessa Young (Josephine Langford, irmã caçula de Katherine Langford) em seu primeiro semestre de faculdade. Conhecida por ser aluna dedicada, filha obediente e namorada fiel, ela se vê em uma nova situação quando conhece e se apaixona pelo “misterioso” Hardin Scott (Hero Fiennes Tiffin, sobrinho de Ralph Fiennes), que mostra ser o oposto dela, um completo rebelde. Na continuação, o jogo vira. Tessa já não é tão recatada, enquanto Hardin continua um idio… um completo “rebelde”. Depois do fracasso do primeiro filme, a adaptação mudou de mãos. Susan McMartin (roteirista das séries “Mom” e “Two and a Half Men”) foi substituída por Mario Celaya, que estreia na função, e a diretora Jenny Gage acabou trocada por Roger Kumble (do cult “Segundas Intenções”). A prévia deixa claro o que essas mudanças alteraram no tom: o after do “After” é sobre sexo. Ou seja, deixa de ser pré-pubescente para entrar na fase hormonal. O elenco de apoio, que não é tão fraco quanto os protagonistas, ainda inclui Dylan Sprouse (“Zack & Cody: Gêmeos à Bordo”), Selma Blair (“Outra Vida”) e Candice King (“The Vampire Diaries”). A produção não tem data de estreia, mas mesmo com todo o retrospecto tenebroso, a perspectiva aberta pelo teaser deixou muitos menores histéricos nas redes sociais. Será que, desta vez, vão pagar pra ver?
The Green Knight: Terror medieval com Dev Patel ganha primeiro trailer
O estúdio indie americano A24 divulgou o pôster e o primeiro trailer de “The Green Knight”. Em clima de terror medieval e repleto de imagens impressionantes, a prévia oferece uma visão alternativa para a lenda dos Cavaleiros da Távola Redonda. Na trama, Sir Gawain (Dev Patel, de “Lion”) parte em uma jornada para combater uma criatura sobrenatural gigante. O filme tem direção de David Lowery (“Meu Amigo, O Dragão”) e ainda destaca em seu elenco Alicia Vikander (“Tomb Raider”), Joel Edgerton (“O Rei”), Sean Harris (“Missão: Impossível – Efeito Fallout”), Barry Keoghan (“Dunkirk”), Erin Kellyman (“Han Solo”), Kate Dickie e Ralph Ineson (ambos de “A Bruxa”). A estreia de “The Green Knight” está marcada para 29 de maio nos EUA e ainda não há previsão para seu lançamento no Brasil.
Espíritos Obscuros: Terror produzido por Guillermo del Toro ganha primeiro trailer legendado
A 20th Century Studios (ex-Fox) divulgou o pôster nacional e o primeiro trailer legendado do terror “Antlers”, que ganhou o título de “Espíritos Obscuros” no Brasil. Trata-se, na verdade, do terceiro trailer do filme – os dois primeiros não foram disponibilizados no país – , que a antiga Fox Searchlight divulgou em dezembro passado nos EUA. Curiosamente, apesar dessa enorme defasagem, a estreia nacional vai acontecer antes do lançamento em seu país de origem. O filme chega aos cinemas em 16 de abril no Brasil, um dia antes dos Estados Unidos. Baseada no conto “The Quiet Boy”, de Nick Antosca (criador de “Channel Zero”), a trama se centra na relação de um menino e uma criatura que vive em sua casa, que ele alimenta de animais mortos e a quem chama de “pai”. Até que o monstro escapa, deixando um rastro de mortes sangrentas para a polícia investigar. O elenco é encabeçado por Keri Russell (“The Americans”), que vive a professora da criança, e Jeremy T. Thomas (“The Righteous Gemstones”) no papel do menino. Além deles, também há destaque para Jesse Plemons (“El Camino”) como um policial. “Espíritos Obscuros” tem direção de Scott Cooper (“Aliança do Crime”) e foi produzido pelo vencedor do Oscar Guillermo del Toro (“A Forma da Água”).
The Iron Mask: Jackie Chan e Arnold Schwarzenegger brigam em trailer de fantasia russa
A Signature Entertainment divulgou o trailer americano de “The Iron Mask”, filme russo que conta com Jackie Chan e Arnold Schwarzenegger em seu elenco. A prévia traz Schwarzenegger e Chan brigando no interior da Torre de Londres. E logo fica claro que todas as participações dos dois astros acontecem na mesma cena, picotada e estendida ao longo do vídeo. Isto porque o filme, na verdade, é continuação de “Império Proibido” e estrelado pelo inglês Jason Flemyng (“X-Men: Primeira Classe”), que volta ao papel do cartógrafo do século 18 Jonathan Green. Depois de mapear a Transilvânia no primeiro longa – maior bilheteria russa de 2014 – , o personagem recebe do czar Pedro, o Grande, a missão de mapear o Leste da Rússia, junto ao território chinês, onde encontra criaturas bizarras, princesas e mestres de artes marciais. Jackie Chan e Arnold Schwarzenegger fazem apenas uma pequena participação no longa, que ainda inclui no elenco Yao Xingtong (“Operação Zodíaco”), Charles Dance (série “Game of Thrones”) e o falecido Rutger Hauer (do “Blade Runner” original) num de seus últimos trabalhos. Com direção de Oleg Stepchenko (de “Império Proibido”), o filme estreou em setembro passado na Rússia e na China com o título de “Journey to China: The Mystery of Iron Mask”. O lançamento está marcado para abril nos EUA e ainda não há previsão para o Brasil.
Fim de Festa: Vencedor do Festival do Rio ganha trailer
A Imovision divulgou o pôster e o primeiro trailer de “Fim de Festa”, filme vencedor do Festival do Rio – que também ganhou o troféu Redentor de Melhor Roteiro. Segundo longa dirigido por Hilton Lacerda, “Filme de Festa” retoma a parceria de “Tatuagem” entre o cineasta e o ator Irandhir Santos – e que também inclui vários outros filmes roteirizados por Lacerda. O elenco ainda inclui Suzy Lopes (“Bacurau”), Ariclenes Barroso (“Me Chama de Bruna”) e Hermila Guedes (“Segunda Chamada”). Na trama, Irandhir vive um detetive de polícia que tenta desvendar um crime que aconteceu durante o Carnaval. Ao voltar antecipadamente de suas férias, ele passa a investigar a morte de uma jovem turista francesa e, durante o inquérito, depara-se com fatos que se confundem com sua própria história. O filme retrata situações do Brasil atual e é parcialmente inspirado no caso real da turista alemã Jennifer Kloker, assassinada em 2010 em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife, a mando da própria sogra. “Fim de Festa” tem estreia marcada para o dia 5 de março.
A Caçada: Universal lança novo trailer e retoma estreia do filme que Trump chamou de racista
A Universal divulgou um novo trailer, poster e data de estreia para “A Caçada” (The Hunt), filme que quase desistiu de lançar. O cartaz, inclusive, faz referência ao fato de que a produção estava originalmente prevista para setembro passado, mas agora chegará aos cinemas americanos em 13 de março. O thriller satírico foi adiado em meio a uma onda de atentados nos EUA e um dia após sofrer um ataque explícito do presidente Trump no Twitter. “A Hollywood liberal é racista no maior nível, com muita raiva e muito ódio”, escreveu Trump em agosto. “Eles gostam de se definir como ‘elite’, mas não são elite. Na verdade, são as pessoas às quais eles fazem oposição que são elite. O filme que está para sair foi feito para inflamar e causar o caos. Eles criam sua própria violência e tentam culpar os outros. Eles são os verdadeiros racistas, e muito ruins para o nosso país”, completou o presidente dos EUA. “A Caçada” mostra uma dúzia de integrantes da extrema direita americana que acordam em uma clareira e percebem que estão sendo caçados por milionários da esquerda liberal. Tramas de caçada humana por esporte fazem parte do DND de Hollywood desde o clássico “Zaroff, o Caçador de Vidas” (1932). Mas “A Caçada” injeta crítica social no contexto. Isto incomodou Trump que, vale lembrar, costuma usar o termo “racista” apenas para se referir a ataques contra pessoas brancas. Ele chamou Spike Lee de “racista” após o cineasta fazer um discurso político no Oscar 2019, e chegou a se referir à série “Black-ish”, sobre uma família negra, como “racismo no maior nível”. Por outro lado, quando precisou se manifestar a respeito do ataque de supremacistas brancos contra ativistas negros, que resultou numa morte, Trump preferiu dizer que havia pessoas de bem dos dois lados. O trailer e o pôster demonstram que, após ponderar, o estúdio resolveu transformar o ataque de Trump em marketing. Um letreiro no meio do vídeo afirma que “o filme mais falado do ano é um que ninguém ainda viu”, enquanto o cartaz destaca frases sensacionalistas contra a produção. Para completar, a prévia ainda destaca clichês e preconceitos odiosos, seja nas falas dos direitistas pobres, que sugerem que atores não são pessoas reais, seja nos diálogos dos esquerdistas ricos, que transformam correção política numa caricatura insensível. “A Caçada” foi escrita por Nick Cuse e Damon Lindelof, que estabeleceram sua parceria criativa na série “The Leftovers”, onde o primeiro atuou como roteirista da equipe comandada pelo segundo – um episódio escrito pelos dois foi indicado a prêmio do Sindicato dos Roteiristas. Lindelof ainda trabalhou famosamente com o pai de Nick, Carlton Cuse, na série “Lost”. A direção é de Craig Zobel, que também dirigiu episódios de “The Leftovers”, além dos filmes “Obediência” (2012) e “Os Últimos na Terra” (2015). A produção é de Jason Blum, que ainda produziu o “racista” (no sentido trumpiano da palavra) “Corra!” (2017), indicado ao Oscar de Melhor Filme. Já o elenco traz vários astros de séries, como Betty Gilpin (“GLOW”), Emma Roberts (“American Horror Story”), Justin Hartley (“This Is Us”), Ike Barinholtz (“The Mindy Project”), Glenn Howerton (“It’s Always Sunny in Philadelphia”) e Hilary Swank (“Trust”). Todos brancos, como destaca uma das falas do vídeo abaixo. Ainda não há previsão para a estreia no Brasil.
Jóias Brutas consagra atuação esplendorosa de Adam Sandler
Lançado no Brasil pela Netflix, “Jóias Brutas” (Uncut Gems) pode assustar quem der play pelo nome do comediante Adam Sandler nos créditos. Inesperado dentro da carreira do ator, o filme é um passo seguro na filmografia dos irmão Ben e Josh Safdie, que lançaram o excelente “Bom Comportamento” em 2017 e que aqui expandem o universo alucinado de seus personagens. Ignorado pelo Oscar, mas vencedor do “Oscar indie” (o Spirit Awards), Sandler é a grande força do filme ao alcançar uma atuação esplendorosa (que lembra sua parceria com Paul Thomas Anderson no ótimo “Embriagados de Amor”, 2002), dando conta de um personagem complexo e cheio de meandros. Howard (Sandler) é um vendedor de joias que tem contato com atletas e celebridades; entre negociatas, apostas e uma opala negra bruta, o personagem parece se perder em uma espiral complexa. O público é tragado para o círculo em que ele se mete por meio de uma câmera veloz, que mexe pra lá e pra cá, enquanto acompanhamos diálogos altos, com um monte de homens a levantar a voz e gritar como crianças birrentas. Ao lado de Sandler, destacam-se as atuações de LaKeith Stanfield (de “Desculpe te Incomodar” e “Corra”) e Idina Menzel (de “Frozen”) e a grande surpresa, a estreante Julia Fox, que domina a tela como a amante de Howard. Além de toda a gritaria dos personagens, o frenesi de “Joias Brutas” é completado pela trilha labiríntica de Daniel Lopatin (a.k.a. Oneohtrix Point Never), que amplifica a experiência do filme, levando o espectador para lugares mais estranhos e inesperados. “Joias Brutas” é uma experiência poderosa para quem se deixa levar por Sandler e os irmãos Safdie. De todo modo, recomenda-se manter um chá calmante sempre à mão.
Um Lindo Dia na Vizinhança vale por uma sessão de psicanálise
Há filmes que, por uma razão ou outra, têm o poder de encontrar uma brecha e levar o espectador por caminhos emocionais que jamais imaginava seguir. É o caso de “Um Lindo Dia na Vizinhança”, de Marielle Heller, que foca Fred Rogers, lendário apresentador de um programa infantil americano que já foi objeto do ótimo documentário “Won’t You Be my Neighbor?” e que neste filme é interpretado por Tom Hanks, especialista na representação humana da bondade e da honestidade. Não há nenhum problema nisso, nessa escolha, e a interpretação de Hanks não é o que podemos chamar de uma imitação de Rogers. Mas a voz suave está lá. Tão suave e tão acolhedora que fala fundo a quem se permitir. Embora o filme seja capaz de ganhar o público desde o começo, com a proposta de emular o programa de Mr. Rogers, com a apresentação do próprio em tela quadrada, com um visual de VHS e com cenários antiquados (que foram usados pelo apresentador desde o fim dos anos 1960 até o início do novo milênio), e até a história do personagem principal, o jornalista Lloyd Vogel (Mathew Rhys), ser interessante e tocante, é na verdade um momento, em particular, que dispara a emoção e envolve a ponto de fazer chorar quase convulsivamente. (Quem ainda não viu o filme, não deve continuar lendo – aviso de spoiler) Trata-se do momento em que Mr. Rogers e Lloyd estão em um café. O jornalista já havia tirado sua carapaça mais cínica em relação a Rogers e já era considerado, diante de seu entrevistado, pertencente ao grupo das “broken people”, depois do que acabara de acontecer com seu pai e de seu longo período de mágoa. Mr. Rogers pede para que ele faça um pequeno exercício: dedique um minuto de silêncio para pensar em todas as pessoas que o amaram, que foram responsáveis por moldar seu caráter e sua personalidade. Como que por um passe de mágica, todos no café também ficam calados e reflexivos. As lágrimas vêm. E aquele exercício pedido por Mr. Rogers é também um exercício que pode ser feito pelo espectador. Não se trata, portanto, de apenas se solidarizar com o personagem, mas de se fundir a ele, de certa forma. E o resultado faz com que tudo o mais se torne pequeno, como se o amor recebido e o amor dado virem o que há de mais importante em nossas vidas e um imenso sentimento de gratidão, de compreensão da vida e de amor nos abraçasse. Claro que para chegar neste momento intenso, que acontece após uma hora de drama, é preciso acompanhar a trajetória do protagonista e também um pouco de seu encontro com esse homem tão especial, que é vegetariano, que faz orações diárias para pessoas com quem se importa, e que pede a pessoas que estão “mais próximas de Deus” que orem por ele. Isso, aliás, pode ser visto em uma determinada cena do filme, mas também podemos ler no artigo publicado na revista Esquire pelo jornalista – a entrevista apresentada no filme aconteceu de verdade. “Um Lindo Dia na Vizinhança” pode ser visto como uma obra sobre perdão – curiosamente, o filme anterior de Marielle Heller se chamava “Poderia Me Perdoar?” -, mas também mais do que isso, até mesmo ser uma obra capaz de resgatar a nossa esperança na humanidade, a fé em coisas que são possíveis de se fazer sem que machuquemos o outro ou a nós mesmos. A cena final que mostra Mr. Rogers ao piano demonstra o quanto ele se esforça para fazer isso, o quanto é também um ser imperfeito e necessitado de uma força imensa que, entretanto, parece possuir naturalmente. Claro que tudo isso pode ser deixado de lado para se considerar que o filme é uma grande bobagem sentimental, uma sucessão de clichês batidos de melodramas, filtrar tudo de maneira mais crítica. Afinal, há realmente um limite para o que se aceita ou não dentro de um drama que se utiliza de recursos emocionais mais intensos, e isso varia muito de pessoa para pessoa. Assim, a grande realização deste filme, que procura se moldar aos ensinamentos, sabedoria popular e até estilo à moda antiga de Mr. Rogers, é tirar o público da carapaça dura de autoproteção que deixa todos mais cínicos e distantes de quem foram um dia na infância, como se o cinema se transformasse em um consultório de psicanálise e confrontasse o espectador com seu lado mais fragilizado para torná-lo mais forte.
Espiral: Novo terror da franquia Jogos Mortais ganha trailer legendado
A Paris Filmes divulgou o trailer legendado do novo “Jogos Mortais”, o segundo desde o suposto “Final” da franquia. Batizado de “Espiral: O Legado de Jogos Mortais” (“Spiral: From the Book of Saw”), o longa também ganhou fotos e um pôster americano da Lionsgate. O novo filme é estrelado e produzido pelo comediante Chris Rock (“Lá Vêm os Pais”), mas é terror mesmo. Na trama, um serial killer sádico inspira-se em Jigsaw para levar adiante novos assassinatos brutais. O detalhe é que, desta vez, seus alvos são policiais. Chris Rock interpreta um dos policiais que investiga o crime. O elenco também destaca Samuel L. Jackson (“Capitã Marvel”), Max Minghella (o Nick de “The Handmaid’s Tale”), Marisol Nichols (a Hermione de “Riverdale”), Zoie Palmer (“Dark Matter”), Nazneen Contractor (“Ramson”) e Dan Petronijevic (“Letterkenny”). Fã de longa data da “Jogos Mortais”, Chris Rock ajudou a desenvolver a história do novo filme em parceria com Pete Goldfinger e Josh Stolberg, que escreveram “Jigsaw” (2017), o longa mais recente da franquia. Já a direção está cargo de Darren Lynn Bousman, responsável por “Jogos Mortais 2”, “3” e “4” entre 2005 e 2007.












