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    Star Wars: Censura chinesa não vê importância em beijo LGBTQIA+ de A Ascensão Skywalker

    18 de dezembro de 2019 /

    A Disney não precisou aplicar truques mentais de Jedi nos censores de cinema da China, para que o filme “Star Wars: A Ascensão Skywalker” fosse aprovado sem cortes para o mercado aquele país. Após cortar cenas de afeto LGBTQIA+ até nas cinebiografias “Bohemian Rhapsody” e “Rocketman”, sobre artistas assumidamente gays, os censores de Pequim não viram nada demais no beijo ligeiro e pouco destacado de duas personagens femininas secundárias da produção. O público das pré-estreias do filme, exibidas na noite de quarta (18/12) em Pequim e Xangai, relataram que o momento foi mantido. Vale lembrar que filmes de temas assumidamente gays têm sido proibidos no país. E não é incomum que filmes de ficção científica sejam lançados com cortes no país. O beijo homossexual de Michael Fassbender foi cortado de “Alien: Covenant” em 2017, por exemplo. Por outro lado, o “momento gay” da fábula “A Bela e a Fera”, foi exibido sem cortes ou “avisos aos pais”. As autoridades do país chegaram até a chamar a atenção para sua tolerância nesse caso, com o porta-voz do Partido Comunista Chinês twittando na época: “Polêmico momento gay mantido no ‘A Bela e a Fera’ da Disney. O filme lançado em 17 de março na China não requer orientação para público menor de idade”. Os segundos LGBTQIA+ de “A Ascenção de Skywalker” acontecem perto do final do filme, quando duas integrantes da Resistência compartilham um beijo durante uma sequência de comemoração. Elas são personagens secundárias e não aparecem muito no filme. O fato de os censores chineses não se incomodarem com isso reforça o tom negativo de algumas críticas ao longa nos Estados Unidos, onde ele foi chamado de covarde por ousar tão pouco. O jornal Los Angeles Times enumerou a cena do beijo em sua lista de problemas da produção, considerando-a “uma migalha para os fãs que esperavam que a química entre Poe e Finn seria algo além de uma amizade”. Os fãs da saga especulavam desde “Star Wars: O Despertar da Força” (2015) a possibilidade de um casal formado por Poe Dameron (Oscar Isaac) e Finn (John Boyega), o que acabou não acontecendo. Segundo o diretor J.J. Abrams, a admiração entre eles é platônica. Ou seja, não sai do armário. “Star Wars: A Ascensão Skywalker” estreia nesta quinta (19/12) no Brasil.

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    Star Wars: A Ascensão Skywalker registra primeiro beijo LGBTQIA+ da saga

    18 de dezembro de 2019 /

    “Star Wars: A Ascensão Skywalker” tornou-se o primeiro filme da saga a contar com um beijo entre personagens do mesmo sexo. Mas não há spoilers nessa revelação. O beijo é trocado entre duas integrantes da Resistência, personagens secundárias, em um momento de comemoração. A cena é tão rápida, que pode passar batida por quem piscar no momento em que acontece sua projeção. O diretor J.J. Abrams já havia adiantado, em entrevista à revista Variety, que acenaria a uma representação mais diversa no longa. “No caso da comunidade LGBTQ, foi importante para mim que as pessoas que assistem ao filme se sintam representadas”, ele afirmou. Entretanto, a repercussão da cena não aconteceu exatamente como Abrams e a Disney poderiam esperar. E não devido a uma suposta reação dos grupos reacionários de extrema direita que já tinham atacado a nova trilogia por ter muitas mulheres. Algumas das críticas publicadas sobre o filme consideraram a atitude de incluir o beijo hipócrita e até covarde. O jornal Los Angeles Times enumerou a cena em sua lista de problemas da produção, considerando-a “uma migalha para os fãs que esperavam que a química entre Poe e Finn seria algo além de uma amizade”. Os fãs da saga especulavam desde “Star Wars: O Despertar da Força” (2015) a possibilidade de um casal formado por Poe Dameron (Oscar Isaac) e Finn (John Boyega), o que acabou não acontecendo. Segundo Abrams, a admiração entre eles é platônica. Ou seja, não sai do armário. “Aquele relacionamento, para mim, é muito mais profundo que uma relação romântica”, disse. “Os dois têm um laço profundo (…) por causa do desejo de serem tão íntimos quanto são, tão inseguros quanto são, mas ainda serem corajosos e bravos”, acrescentou. “Star Wars: A Ascensão Skywalker” estreia nesta quinta (19/12) no Brasil.

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    “Não tenho vergonha”: Charlize Theron detalha o dia em que sua mãe matou seu pai

    18 de dezembro de 2019 /

    Durante a divulgação do filme “Escândalo”, que trata de assédio sexual no ambiente de trabalho do canal Fox News, a atriz Charlize Theron abordou seu próprio “escândalo” pessoal. Em entrevista ao site de notícias NPR, ela assumiu que “não se envergonha” de falar sobre o momento em que sua mãe matou seu pai para se defender. A atriz tinha 15 anos quando o pai alcoólatra atirou contra a porta do quarto onde ela estava escondida com a mãe. “Nenhuma das balas nos atingiu, o que é um milagre. Mas em legítima defesa, ela acabou com a ameaça”, contou, detalhando o que aconteceu. Charlize cresceu numa fazenda no interior de Johanesburgo, na África do Sul, com a mãe, Gerda, e o pai, Charles. Ela descreve o pai como um “homem muito doente” e diz que viver com um alcoólatra era “uma situação bastante desesperadora”. “A imprevisibilidade de viver com um dependente químico é algo que te marca para o resto da vida, mais do que aquele evento específico, que aconteceu numa noite”, diz. Ao falar sobre o que aconteceu, a atriz diz que o pai estava tão bêbado que “não deveria ter sido capaz de caminhar quando entrou em casa com uma arma.” “Minha mãe e eu estávamos no quarto, encostadas atrás da porta, e ele tentou forçar a entrada. Então, fizemos pressão, atrás da porta, para impedir que ele entrasse.” Segundo Charlize, o pai, então, deu um passo atrás e “simplesmente atirou contra a porta três vezes”. Por sorte, balas não atingiram mãe e filha. Foi então, diz a atriz, que a mãe “encerrou a ameaça, em legítima defesa”. Gerda não foi condenada, já que a Justiça entendeu que ela agiu em defesa própria e da filha. A atriz afirmou que não faz segredo da violência que vivenciou na família. Ao contrário. “Eu não tenho vergonha de falar sobre isso, porque acho que quanto mais falamos sobre essas coisas, mais percebemos que não somos os únicos a passar por isso”, diz. Vencedora do Oscar em 2004 (pelo filme “Monstro”), Charlize também abordou sua história de assédio, quando um diretor de cinema a tocou inapropriadamente, após convidá-la para um teste na casa dele. Charlize diz que ela pediu desculpas ao homem antes de deixar a residência, algo que a fez sentir “raiva” de si mesma. “Eu me culpei muito por não ter dito as coisas certas, por não ter feito todas aquelas coisas que a gente gostaria de acreditar que faria em situações assim”, disse, afirmando compreender o que sentiu Megyn Kelly, a apresentadora de TV que ela interpreta em “O Escândalo”. O filme, que também é estrelado por Nicole Kidman e Margot Robbie, conta a história das mulheres que trabalhavam na Fox News e que acusaram o então CEO da emissora, Roger Ailes, de assédio sexual. Charlize diz que o filme explora “a área cinzenta do assédio sexual”, similar ao que ela vivenciou na vida real. “Nem sempre se trata de abuso físico. Nem sempre é estupro”, explica. “Há um dano psicológico às mulheres, que são submetidas ao uso diário e casual de linguagem, toques ou ameaças de demissão. Essas são coisas que eu definitivamente vivenciei.”

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    Netflix é convocada pelo Congresso para esclarecer Especial de Natal do Porta dos Fundos

    17 de dezembro de 2019 /

    Chegamos neste ponto. A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça (17/12) requerimento de autoria do deputado federal e pastor Julio Cesar Ribeiro para a realização de audiência pública com a presença de representante da Netflix para esclarecimentos sobre o filme “A Primeira Tentação de Cristo”, especial de Natal do grupo Porta dos Fundos. Na produção exibida pela plataforma de streaming, o grupo Porta dos Fundos encena o retorno de Jesus dos 40 dias no deserto, insinua uma relação amorosa entre Jesus e Satanás e ainda sugere que Cristo, Maria e José formariam um triângulo amoroso. “O filme é uma verdadeira afronta aos valores cristão, ultraje a fé e a figura de Jesus Cristo e dos seus discípulos. Nós entendemos que uma obra de arte pode abordar diferentes aspectos a respeito desse período histórico sem fazer nenhum tipo de caricatura ou ofensa à imagem de Jesus. No entanto, este filme é uma verdadeira afronta aos mandamentos constitucionais, constitui crime previsto no Código Penal e verdadeira afronta religiosa aos valores cristãos”, afirmou Julio Cesar. O deputado, que é pastor da Igreja Universal, caracteriza a produção como vilipêndio, conforme art. 208 do Código Penal. O artigo se refere a ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato religioso e já foi usado para prender um pastor da Universal no famoso caso do “Chute na Santa”, em que o então pastor Sérgio Von Helder foi condenado a dois anos e dois meses de prisão por crimes de discriminação religiosa e vilipêndio a imagem da Nossa Senhora de Aparecida, chutada durante um programa de televisão da Universal, em 1995, como protesto contra o feriado nacional dedicado à santa negra – “boneco feio, horrível e desgraçado”. A expertise em Código Penal também decorre de Julio Cesar Ribeiro ter sido citado em denúncias de corrupção no âmbito da operação Drácon e responder a processo penal por envolvimento em um esquema de propinas na Câmara Legislativa do Distrito Federal. A Netflix já informou que não se manifestará a respeito da convocação para Audiência Pública. Embora este tenha sido o primeiro requirimento aprovado sobre o tema, a Câmera dos Deputados recebeu diversos outros a respeito do Especial de Natal, desde moções de repúdio contra a plataforma até Audiência Pública para saber os critérios utilizados na seleção de conteúdo do serviço. Um abaixo-assinado que pede a remoção do filme do catálogo da plataforma também circula na internet com mais de 2 milhões de assinaturas. Na prática, porém, os deputados nada podem fazer, além de mostrar o pior que a política brasileira tem a oferecer para uma empresa multinacional, que tem investido – sem incentivos – numa das áreas mais prejudicadas pela ineficiência e má vontade do governo federal – a produção de filmes e séries nacionais. Sem outra função além de servir de cortina de fumaça para réus processados por corrupção, de olho em eleitores desavisados, a convocação da Netflix só vai tumultuar e atrasar ainda mais a pauta de votações necessárias ao país, dispersando o Congresso em assuntos que lhe não cabem – lembrando o básico: quem julga questões constitucionais é o STF. Afinal, enquanto o Brasil for uma democracia, a censura federal é proibida pela Constituição. Não deveria mesmo ser preciso lembrar, mas há muito político falando em AI-5 ultimamente. Para decorar, este é o refrão: “É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. Para completar, talvez o Congresso não saiba que o Porta dos Fundos venceu o Emmy Internacional por seu Especial de Natal do ano passado, que também satirizou Jesus Cristo, com o mesmo tom satírico e na mesma Netflix. Em 25 de novembro, o programa foi eleito a Melhor Comédia de 2019… do mundo.

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    Petição contra Especial de Natal do Porta dos Fundos ultrapassa 2 milhões de assinaturas

    17 de dezembro de 2019 /

    A petição contra o especial de Natal “A Primeira Tentação de Cristo”, do grupo Porta dos Fundos, atingiu mais de 2 milhões de assinaturas. O abaixo-assinado no site Change.org tem o objetivo de sensibilizar a Netflix para que retire a produção do seu catálogo. Além desta petição principal, várias outras têm se espalhado em sites similares. Há uma petição acontecendo até na Colômbia, que aponta que o especial “ofende gravemente aos cristãos e ao nosso senhor Jesus Cristo”. “Este filme é uma falta de respeito ao cristianismo e em especial a Deus”, escreveu o criador da campanha em espanhol. A polêmica também ajudado a divulgar o programa, que aumentou muito a sua exposição e trouxe até novos assinantes ao canal do grupo no YouTube – onde fantasmas de especiais passados podem assombrar ainda mais quem não gostou do atual. No especial, Jesus (Gregorio Duvivier) retorna para a casa dos pais, após uma viagem de 40 dias no deserto, a tempo de festejar seu aniversário de 30 anos, mas chega acompanhado por Orlando (Fabio Porchat), um rapaz espalhafatoso e afetado. A partir daí, os diálogos trazem uma série de insinuações de que os dois têm um relacionamento amoroso. Também há várias piada sobre a traição sofrida por José e o interesse carnal de Maria em Deus. Este conteúdo tem se provado divisivo. Além da petição, um bispo de Pernambuco lançou um pedido de boicote à Netflix e deputados conservadores se manifestaram com considerações sobre os limites do humor. Integrantes do clero mais baixo multiplicaram requerimentos para que a Câmara dos Deputados aprovasse uma moção de repúdio contra a plataforma e realizasse até Audiência Pública com a presença de representante da Netflix para prestar esclarecimentos sobre o filme. Um dos requirimentos mais curiosos exige saber os critérios utilizados na seleção de conteúdo do serviço. Diante da polêmica, o Porta dos Fundos disse, por meio de sua assessoria, que “valoriza a liberdade artística e faz humor e sátira sobre os mais diversos temas culturais e da nossa sociedade”. Repetidamente, os humoristas ainda se manifestaram no mesmo tom de forma individual. Já a Netflix informou que não irá se pronunciar sobre o ocorrido, mas salientou que valoriza a liberdade de expressão artística e lembrou que a parceria com o Porta dos Fundos rendeu recentemente o Emmy Internacional de Melhor Comédia, vencido pelo especial de Natal do ano passado.

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    Disputa Marvel x Scorsese segue entre pré-selecionados ao Oscar de Efeitos Visuais

    16 de dezembro de 2019 /

    A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos divulgou nesta segunda (16/12) diversas listas de filmes pré-selecionados em algumas categorias do Oscar 2020. Além de Filme Internacional e Documentário, também foram divulgados os 10 candidatos que continuam na disputa por vagas ao prêmio de Melhores Efeitos Visuais. A lista inclui três filmes inéditos nos cinemas, entre eles o controvertido “Cats”, cujos efeitos, responsáveis por transformar atores em gatos semi-humanos, tiveram grande rejeição nas redes sociais, por ocasião da divulgação de seu trailer. Os outros dois inéditos são o drama de guerra “1917” e a sci-fi “Star Wars: A Ascensão Skywalker”. Além do novo “Star Wars”, a Disney conseguiu emplacar a animação “O Rei Leão” e mais dois filmes da Marvel, respondendo por 40% do total de títulos listados. Quando consideradas as produções da Fox – dois fracassos produzidos por James Cameron – , a supremacia do estúdio atinge 60%. “O Irlandês”, de Martin Scorsese, também está na competição, pelo uso de efeitos para rejuvenescer seu elenco septuagenário. A inclusão ocorre depois de Scorsese polemizar, dizendo de que os filmes da Marvel “não são cinema”. É esperar para ver se a Academia concorda, numa disputa que pode chegar ao Oscar. Vale destacar ainda a inclusão de “Projeto Gemini”. Embora tenha fracassado nas bilheterias, o longa de Ang Lee aprimorou muito a tecnologia de reprodução de imagens em 3D. Os finalistas de todas as categorias serão anunciados no dia 13 de janeiro e os vencedores conhecidos em 9 de fevereiro, em cerimônia transmitida ao vivo para o Brasil pelos canais TNT e Globo. Confira abaixo a lista dos 10 filmes pré-selecionados para o Oscar 2020 de Melhores Efeitos Visuais. “1917” “Alita: Anjo de Combate” “Capitã Marvel” “Cats” “Projeto Gemini” “O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio” “O Irlandês” “O Rei Leão” “Star Wars: A Ascensão Skywalker” “Vingadores: Ultimato”

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    Um Dia de Chuva em Nova York mostra desilusão de Woody Allen com a vida

    15 de dezembro de 2019 /

    Chegará o dia em que os filmes dos anos 2010 de Woody Allen serão revalorizados. Claro que isso só o tempo dirá, mas, a impressão que dá, vendo “Um Dia de Chuva em Nova York” (2019), é que o tom do filme lembra bastante o de algumas obras de Éric Rohmer ou de Hong Sang-soo. Não há um compromisso com o naturalismo nas interpretações, no ritmo das falas. No caso do filme de Allen, a velocidade dos acontecimentos é coerente com a agilidade dos diálogos. Há, como sempre, a projeção da própria persona de Woody Allen em seus personagens, e isso se vê em ambos os protagonistas. Enquanto Timothée Chalamet simboliza aquele aspecto mais amargo e pouco entusiasmado com a vida, ainda que não tanto quanto o protagonista de “Homem Irracional” (2015), que chegava ao niilismo, temos também a personagem entusiasmada, vivida com encanto por Elle Fanning. Ele vem de uma família abastada de Manhattan, embora não fique nada à vontade com suas origens e viva fugindo dos familiares e de uma festa que deveria estar presente; ela também vem de família rica, seu pai é um banqueiro em Tucson, Arizona, mas é alvo de chacota, por causa do lugar de origem, pelos amigos nova-yorquinos de Gatsby (personagem de Chalamet), que a consideram uma caipira. O filme começa com uma narração em voice-over por Gatsby, que confessa estar apaixonado por Ashleigh (Fanning), e isso lhe traz mais prazer de viver. Ela precisa ir a Nova York para entrevistar um famoso diretor de cinema para seu trabalho na faculdade e os dois partem para um par de dias em Manhattan. Gatsby tinha seus planos para o dia com Ashleigh: visitar museus, comer em bons restaurantes, passear bastante. Mas aí surgem alguns empecilhos, já que o diretor (Liev Schreiber), muito provavelmente por parecer atraído pela jovem estudante, decide dar-lhe um furo de reportagem, dizer o quanto está desgostoso com o projeto e ainda por cima mostrar uma prévia do novo filme, ainda em fase de produção. Uma oportunidade dessas Ashleigh não ia perder. E por isso vai adiando o encontro com o namorado, que vai sendo cada vez mais deixado de lado. As trajetórias de Gatsby e Ashleigh vão seguindo por caminhos opostos com relação ao encaminhamento de como ver a vida: enquanto ela parece uma criança em uma loja de doces à frente daquele universo hollywoodiano, com homens mais velhos da indústria bastante interessados sexualmente naquela jovem bela e com um figurino que lembra uma colegial, ela parece totalmente dona da situação, tanto por ser desejada até mesmo por um ator símbolo sexual (personagem de Diego Luna). Enquanto isso, sentindo uma falta enorme da namorada, Gatsby visita um set de filmagens de um amigo estudante de cinema e dá de cara com a irmã de uma ex-namorada, Chan (Selena Gomez), uma personagem atraente. Ele acaba participando do filme e a cena de beijo dos dois, num dos takes, é um dos pontos altos da temperatura erótica do filme. A outra cena boa, sensualmente falando, envolve a chegada de Ashleigh à casa do personagem de Diego Luna. Há quem veja a situação de Ahsleigh, ao final dessa situação, como humilhante, e talvez seja mesmo, mas há também algo de belamente erótico e perverso. Paralelamente, enquanto Ashleigh recebe uma bofetada ao ser exposta ao doce e ao amargo do showbizz hollywoodiano, Gatsby, ao ter uma conversa com a mãe, passa a ter uma ideia melhor de sua vida e de suas origens. Assim, “Um Dia de Chuva em Nova York” se torna um filme que apresenta uma visão agridoce da vida, num clima de desilusão que mistura parte do romantismo visto recentemente em “Magia ao Luar” (2014) com a amargura e a certeza de que a vida é que dá as cartas de “Café Society” (2016). Completando tudo isso, a fotografia linda do mestre Vittorio Storaro, que trabalhou com Allen no anterior “Roda Gigante” (2017), apresenta uma luz tão bela e tão própria do trabalho do cinematógrafo, que só é um pouco suavizada pela presença da chuva, símbolo das situações emocionalmente instáveis da vida de todos os personagens. Além do mais, não deixa de ser um alívio poder compartilhar mais uma vez o universo familiar e delicioso dos filmes de Allen, depois de tanta confusão causada pelas acusações de sua filha adotiva, que quase impediram o lançamento do filme, ao resgatar polêmicas da década de 1990 jamais comprovadas, mas revigoradas nesse momento de caça às bruxas. Mesmo agora, depois de ter entrado em um acordo com a Amazon, “Um Dia de Chuva em Nova York” segue inédito em seu país de origem. Enquanto isso, Allen já tem um novo filme em fase de pós-produção, rodado na Espanha.

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    Deuses Americanos: Orlando Jones é demitido por passar “mensagem errada aos negros dos EUA”

    14 de dezembro de 2019 /

    O ator Orlando Jones revelou nas redes sociais que foi demitido da série “Deuses Americanos” (American Gods), disponibilizada pela Amazon no Brasil. Segundo ele, Charles Eglee, showrunner da 3ª temporada, considerou que a raiva de seu personagem, Mr. Nancy, passa “uma mensagem errada para os negros dos EUA”. “Obrigado, fãs de ‘Deuses Americanos’. Sei que vocês têm MUITAS perguntas sobre a demissão. Como sempre, prometi dizer a vocês a verdade e nada além disso. Sempre, Mr. Nancy”, ele escreveu no Twitter, junto do vídeo. “Fui demitido de ‘Deuses Americanos’. Não haverá mais Mr. Nancy. Não deixem que essas pessoas digam que gostam de Mr. Nancy, porque não é verdade. Não vou dar nomes, mas o novo showrunner da 3ª temporada é nascido em Connecticut e educado em Yale. Então, ele é muito esperto e acha que a raiva de Mr. Nancy é uma mensagem errada para os negros dos EUA”, contou o ator, que tinha sido promovido a produtor durante a 2ª temporada e chegou até a escrever episódios, no período de incerteza da série, após a saída dos showrunners originais, Bryan Fuller e Michael Green, que se desentenderam com a empresa responsável pela atração. “É isso mesmo: esse homem branco está sentado naquela cadeira de decisão. Ele com certeza tem muitos amigos negros que o aconselham e deixaram claro que era preciso se livrar daquele deus negro zangado. Ou ele poderia incitar uma revolta ao estilo de Denmark Vesey neste país. Quer dizer, o que mais poderia ser?”, continuou. Denmark Vesey, citado por Jones, era um escravo que ganhou na loteria, comprou sua própria liberdade, virou dono de marcenaria e pastor da igreja Metodista. Em suma, era um “preto bem sucedido” do século 18, que ainda assim sofria perseguição racial e teve até sua Igreja fechada. Sem se dobrar, ele decidiu usar sua influência entre a população afro-americana para enfrentar o sistema racista e escravista, organizando uma das maiores insurreições civis da história norte-americana. Jones agradeceu ao escritor Neil Gaman, autor do livro em que a série é baseada, e aos showrunners originais pela oportunidade. Mas também acrescentou em suas postagens que Gabrielle Union, Heidi Klum e Nick Cannon “disseram que a Fremantle é um pesadelo”, referindo-se à produtora da série. “Eles te tratam como um cidadão de segunda classe por fazer o seu trabalho bem” e avisou que ainda tem “mais por vir” a respeito da demissão. A atriz Gabrielle Union, que também foi recentemente demitida da 14ª temporada do programa “America’s Got Talent”, produzido por Fremantle, retweetou a mensagem de Jones e acrescentou: “Ohhhhhhhhhhhh … Vamos conversar, meu amigo. #StrongerTogether (Mais fortes juntos)”. Pelo jeito, tem realmente muito “mais por vir”. Thank you #AmericanGods fans.I know ya'll have LOTS of questions about the firing. As always I promise to tell you the truth and nothing but. ❤️ Always, Mr. Nancy🙏🏿 pic.twitter.com/sDouoQlUMd — Orlando Jones (@TheOrlandoJones) December 14, 2019 Correction: I was fired Sept 10, 2019 like @itsgabrielleu @OfficialMelB @NickCannon @heidiklum all have said @FremantleUS is a nightmare. They treated you like a 2nd class citizen for doing your job to well. Stay tuned. More to come. #AngryGetsShitDone pic.twitter.com/DQYtaMfs8O — Orlando Jones (@TheOrlandoJones) December 14, 2019

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    Jane Fonda chama Bolsonaro de patético, risível e piada

    13 de dezembro de 2019 /

    Uma das atrizes mais famosas de todos os tempos, também conhecida por suas posições políticas, Jane Fonda chamou o presidente Jair Bolsonaro de “piada”. A declaração foi feita em entrevista à revista Veja, em que ela comentou as acusações feitas contra o ator Leonardo DiCaprio por Bolsonaro. “É patético. É risível. É uma piada (…) Eu acompanho a política brasileira. Estava em Michigan durante as eleições presidenciais brasileiras, quando Bolsonaro foi eleito. Alguns brasileiros me viram e começaram a chorar ao dizer que ele havia ganhado a disputa presidencial. Eles sabiam o que significava para seu país aquela vitória e não conseguiram se conter. Eu me senti muito mal. Já passei um tempo no Brasil, amo o país, amo seu povo, e sinto muito que tenha chegado a esse ponto”, declarou a atriz Ela também comparou o brasileiro a Donald Trump, na medida em que toma decisões que não levam em conta o povo e o futuro, apenas o dinheiro. “É um homem que permite as queimadas na Floresta Amazônica em troca de dinheiro, em nome da produção agrícola, mas sem cuidado algum, suja. Ele não entende que está potencialmente destruindo um órgão vital do planeta, com a Amazônia em chamas — além do ridículo, reafirmo, de culpar Leonardo DiCaprio e os ambientalistas. Respeito a coragem e o sacrifício dos brigadistas que foram injustamente presos, recentemente. Calá-los é como tentar coibir a imprensa livre. Mas vocês vão superar isso. Assim como nós, americanos, conseguiremos superar esse período com Donald Trump”. Aos 81 anos, a atriz estrela atualmente a série “Grace and Frankie”, na Netflix, e lidera manifestações sobre o meio-ambiente nos Estados Unidos. Só neste ano, ela recebeu prêmios do PGA (Sindicato dos Produtores dos EUA) e do BAFTA (Academia Britânica de Cinema de Televisão) pelas realizações de sua carreira, que incluem dois Oscars (por “Klute” e “Amargo Regresso”) e mais cinco indicações ao prêmio máximo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

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    The Witcher ganha “trailer final” legendado

    12 de dezembro de 2019 /

    A Netflix divulgou o “trailer final” legendado de “The Witcher”, que apresenta a trama central: a fuga da princesa Ciri (que, curiosamente, é apresentada com seu nome completo e menos popular, Cirilla), após a invasão de seu reino, em busca de proteção com Geralt de Rivia. Na série, Henry Cavill (“Batman vs. Superman”) vive Geralt de Rivia, caçador de monstros num mundo de fantasia medieval, onde as pessoas frequentemente se mostram mais maldosas que as próprias criaturas que ele caça. Tudo que ele deseja é ser deixado sozinho e em paz, mas o destino coloca em seu caminho uma poderosa feiticeira e uma jovem princesa com um segredo, e os três precisarão aprender a compartilhar juntos a sobrevivência nesse universo. O papel marca a volta de Cavill às séries. Ele ficou conhecido após estrelar “The Tudors”, entre 2007 e 2010. Desde então, o ator britânico virou um dos astros de maior destaque de Hollywood, não só como Superman em “O Homem de Aço”, “Batman vs Superman” e “Liga da Justiça”, mas também em filmes de ação como “Missão: Impossível – Efeito Fallout” e “O Agente da U.N.C.L.E.”. Já as protagonistas femininas são Freya Allan (da série “Into the Badlands”), escalada como a Princesa Ciri(lla), e Anya Chalotra (“Wanderlust”) como a feiticeira Yennefer. Mas o elenco é vastíssimo e tem vários outros personagens relevantes. A lista inclui Anna Shaffer (Romilda Vane nos filmes de “Harry Potter”) como Tris Marigold, Jodi May (“Game of Thrones”) como a Rainha Calanthe, Björn Hlynur Haraldsson (“Fortitude”) como o cavaleiro Eist, Adam Levy (“Knightfall”) como o druida Mousesack, MyAnna Buring (“Ripper Street”) na pele de Tissaia, Mimi Ndiweni (“Rellik”) como Fringilla, Therica Wilson-Reed (“Profile”) como Sabrina, Eamon Farren (“Twin Peaks”) como Cahir, Joey Batey (“Knightfall”) como Jaskier, Lars Mikkelsen (“Sherlock”) como Stregobor, Royce Pierreson (“Wanderlust”) como Istredd, Maciej Musiał (“1983”) como Sir Lazlo e Wilson Radjou-Pujalte (“Dickensian”) como Dara. Sem esquecer a multidão de intérpretes secundários: Rebecca Benson (Marilka), Shane Attwooll (Nohorn), Luke Neal (Vyr), Matthew Neal (Nimir), Tobi Bamtefa (Danek), Sonny Serkis (Martin), Roderick Hill (Fletcher), Inge Beckmann (Aridea), Charlotte O’Leary (Tiffania), Natasha Culzac (Toruviel), Amit Shah (Torque) e Tom Canton (Filavandrel). Assim como “Game of Thrones”, a série de streaming é baseada numa famosa saga literária de fantasia, criada pelo escritor polonês Andrzej Sapkowski. A diferença é que “The Witcher” foi adaptado para videogame antes de virar série, criando maior expectativa em relação a seu visual. A adaptação está a cargo da roteirista e produtora Lauren Schmidt Hissrich, que exerceu as duas funções nas séries do “Demolidor” e “Os Defensores”. A estreia vai acontecer em 20 de dezembro e a série já foi renovada para sua 2ª temporada.

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    Petição contra Especial de Natal do Porta dos Fundos passa de 1 milhão de assinaturas

    12 de dezembro de 2019 /

    A petição contra o especial de Natal “A Primeira Tentação de Cristo”, do grupo Porta dos Fundos, foi turbinada por campanhas de grupos religiosos e conservadores e já reuniu mais de 1 milhão de assinaturas pelo “Impeachment” do filme. O objetivo da manifestação no site Change.org é para que a Netflix retire a produção do seu catálogo. O conteúdo do programa, que satiriza Jesus Cristo no Natal, irritou profundamente uma parcela da população. Além da petição, um bispo de Pernambuco pediu boicote à Netflix e houve até requerimento para que a Câmera de Deputados divulgue nota de repúdio contra a plataforma. No especial, Jesus (Gregorio Duvivier) retorna para a casa dos pais, após uma viagem de 40 dias no deserto, a tempo de festejar seu aniversário de 30 anos, mas chega acompanhado por Orlando (Fabio Porchat), um rapaz espalhafatoso e afetado. A partir daí, os diálogos trazem uma série de insinuações de que os dois têm um relacionamento amoroso. Também há várias piada sobre a traição sofrida por José e o interesse carnal de Maria em Deus. Houve até famosos que se manifestaram, como o ator Carlos Vereza, que atacou o grupo de humoristas nas redes sociais: “Porta dos Fundos. Vocês são lamentáveis como viventes. Embora Jesus não precise de defesa, principalmente a minha, vocês imaginam que podem debochar, não do Mestre, que é perdão antecipado, mas do maior país católico do planeta e dos que creem num Ser que modificou a história, antes e depois Dele”, escreveu o ator em um texto publicado no Facebook. Como de praxe, o tema foi bastante explorado por políticos. Além do pedido de requerimento, pedido pela deputada federal Chris Tonietto, seu colega Eli Borges fez um discurso em plenário repudiando a produção que, segundo ele, zomba da fé cristã, e Eduardo Bolsonaro usou o Twitter para divulgar um cartaz onde afirma que a “Netflix ataca cristãos”. Diante da polêmica, o Porta dos Fundos disse, por meio de sua assessoria, que “valoriza a liberdade artística e faz humor e sátira sobre os mais diversos temas culturais e da nossa sociedade”. Já a Netflix informou que não irá se pronunciar sobre o ocorrido, mas salientou que valoriza a liberdade de expressão artística e lembrou que a parceria com o Porta dos Fundos rendeu recentemente o Emmy Internacional de Melhor Comédia, vencido pelo especial de Natal do ano passado.

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    Novos quadrinhos de Batman zoam Bolsonaro

    12 de dezembro de 2019 /

    Uma nova história em quadrinhos do universo do super-herói Batman está chamando atenção por fazer referência política ao Brasil. Lançado na quarta-feira (11/12) nos EUA, o primeiro volume de “Dark Knight Returns: The Golden Child” mostra Gotham City tomada por protestos e a repercussão disso na mídia. O detalhe é que um dos “tuítes” desenhados evoca Bolsonaro, com uma frase que poderia realmente ter sido dita pelo presidente tuiteiro do Brasil. No desenho, o Twitter se chama, na verdade, Peegeon, e é lá que um usuário chamado JM Bozo escreve: “Se dependesse de mim, todo cidadão de bem teria uma arma de fogo em casa”. Ao lado do texto, há uma caricatura que remete ao rosto de JM Bolsonaro. Nos EUA, “todo cidadão de bem” pode ter uma arma de fogo em casa. Mas a frase armamentista é incluída na trama em contraste com a violência desenfreada que toma conta da cidade, virando praticamente uma piada no contexto. “Dark Knight Returns: The Golden Child” também já rendeu polêmica na China, onde os desenhos foram condenados por evocar os manifestantes pela democracia em Hong Kong. Os quadrinhos foram escritos por Frank Miller e tem desenhos do quadrinista gaúcho Rafael Grampá. A história é protagonizada pela Batwoman, que comanda um levante contra o vilão Coringa, durante uma violenta campanha pela reeleição do “Governador” – personagem que é uma alusão a Donald Trump, atualmente também em campanha para se reeleger nos Estados Unidos. Curiosamente, a Marvel também abordou o Brasil recentemente, mostrando o país como uma nação hostil, ao lado de Venezuela, Irã e Coreia do Norte, em quadrinhos dos “X-Men”. A tentativa do prefeito bispo do Rio, Marcelo Crivella, de censurar quadrinhos dos X-Men na Bienal do Livro, e ataques do presidente polemista, Jair Bolsonaro, a astros de Hollywood apenas alimentam a impressão negativa do país na mídia americana.

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  • Filme

    Roman Polanski: “Há anos tentam fazer de mim um monstro”

    11 de dezembro de 2019 /

    O diretor Roman Polanski falou pela primeira vez sobre a mais recente denúncia de estupro de que foi acusado, apresentada pela francesa Valentine Monnier em novembro passado. Chamando a acusação de uma “história bizarra”, ele acabou atacando o produtor Harvey Weinstein, grande catalizador do ultraje que originou o movimento de denúncias #MeToo, como responsável pela onda de difamações que o acompanha nos últimos anos. Em entrevista à revista Paris Match, que chega às bancas na quinta-feira (12/12), trazendo Polanski na capa, o cineasta de 86 anos “nega absolutamente” tudo do que acusado, como já tinha feito há um mês através de seu advogado. Monnier disse ter sido agredida e estuprada por Polanski em 1975, na Suíça, quando tinha 18 anos. Ao declarar que se lembra dela “vagamente”, o diretor de cinema acrescentou que “evidentemente não guarda na memória o que ela conta, pois é falso”. Em um depoimento publicado no início de novembro pelo jornal francês Le Parisien, dias antes do lançamento do mais recente filme de Polanski, “An Officer and a Spy” (J’accuse), a fotógrafa e ex-modelo contou que, que quando foi esquiar em Gstaad (Suíça), junto com outra jovem, hospedou-se na casa do cineasta e que ele a “agrediu” e em seguida “a estuprou, fazendo-a sofrer todos os tipos de mazelas”. “Isso é uma loucura! (…) Toma como testemunhas três amigos meus presentes no chalé: meu assistente Hércules Bellville, Gérard Brach e sua esposa, Elizabeth. Os dois primeiros morreram – muito conveniente, pois já não podem confirmar ou refutar o que ela disse. Em relação à senhora Brach, o jornal não a encontrou”, prossegue o cineasta, que classifica essa história como “bizarra”. Valentine Monnier disse não ter feito uma denúncia porque o crime estava prescrito. Mas que havia decidido apresentar publicamente esta denúncia devido à estreia do novo filme do diretor, que faz referência a um famoso erro judicial francês, o caso Dreyfus, em que um inocente é injustamente condenado por um crime que não cometeu. Polanski já teceu comentários comparando o seu caso, em que foi julgado por estupro em 1977, com o de Dreyfus. Ela foi a sexta mulher a acusar Polanski de estupro. O cineasta é considerado foragido pela justiça dos Estados Unidos, após se exilar na França em meio ao julgamento de 1977 em que se declarou culpado de ter mantido relações sexuais com Samantha Geimer, então com 13 anos. Ela foi compensada financeiramente por Polanski e ainda escreveu um livro sobre sua história, e nos últimos anos vem defendendo o diretor por considerar que ele cumpriu sua pena – ficou preso alguns dias nos anos 1970 e novamente em 2009, além de ficar impedido de trabalhar em Hollywood mulheres surgiram com denúncias de abuso sexual de décadas atrás. As denúncias anteriores também relataram casos acontecidos nos anos 1970. A atriz alemã Renate Langer, vista em “Amor de Menina” (1983) e “A Armadilha de Vênus” (1988), relatou ter sido estuprada duas vezes em 1972, quando ela tinha 15 anos e Polanski 39, também na casa do cineasta em Gstaad, na Suíça. Logo após o primeiro ataque, Polanski teria convidado Langer para figurar em seu filme “Que?”, como pedido de desculpas. O segundo abuso teria acontecido durante as filmagens, em Roma. A atriz revelou que, para se defender, chegou a jogar uma garrafa de vinho e outra de perfume no diretor. Outras acusações partiram da atriz britânica Charlotte Lewis (“O Rapto do Menino Dourado”), que denunciou ter sido estuprada em 1983, quando ela tinha 16 anos, de uma mulher identificada apenas como Robin, que acusa o diretor de tê-la estuprado nos anos 1970, também quando tinha 16 anos, e de Marianne Barnard, atacada em 1975 aos 10 anos de idade, durante uma sessão de fotos em que Polanski lhe pediu que posasse usando apenas um casaco de pele em uma praia de Los Angeles. A maioria das denúncias só veio à tona recentemente, durante o auge do movimento #MeToo, que Polanski já chamou de “histeria coletiva” e “hipocrisia”. Por conta das novas denúncias, o cineasta foi expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, que lhe premiou com o Oscar de Melhor Direção por “O Pianista”, em 2003. Na conversa com a Paris Match, o cineasta francês culpou o produtor Harvey Weinstein, denunciado de abuso sexual por mais de 80 mulheres e catalizador do movimento #MeToo, pela perseguição que diz sofrer. Ele acusou Weinstein de ter “desenterrado” seu caso com Samantha Geimer, que “não interessava a ninguém”, durante a campanha do Oscar de 2003, para prejudicar o favoritismo de seu filme “O Pianista” – e que mesmo assim conquistou três estatuetas, inclusive uma para o próprio Polanski. “Seu assessor de imprensa foi o primeiro a me chamar de ‘estuprador de crianças'”, declarou o cineasta na entrevista, acrescentando que “há anos tentam fazer de mim um monstro”. A denúncia mais recente chegou a gerar piquetes de manifestantes femininas na frente de cinemas e campanhas de boicote ao novo filme do cineasta. Mesmo assim, “An Officer and a Spy” (J’accuse) liderou as bilheterias na França em sua primeira semana em cartaz. Com mais de 501 mil ingressos vendidos, a obra teve a “melhor estreia da carreira” do veterano diretor.

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