Nasce uma Estrela é um show de talento na frente e atrás das câmeras
Uma frase dita no final de “Nasce uma Estrela” pelo ator e (agora) diretor Bradley Cooper define a abordagem do filme. “Música é, essencialmente, 12 notas entre qualquer oitava. 12 notas e a oitava repete. É a mesma história sendo contada de novo e de novo. Tudo o que um artista pode oferecer ao mundo é como ele enxerga essas 12 notas.” Além de ter seu contexto na trama, é a forma como o astro justifica a repetição dos roteiros contados diversas vezes por Hollywood, incluindo seu próprio remake. A diferença estaria na interpretação de cada artista – ou cineasta. Diferentes gerações tiveram seu “Nasce uma Estrela” – este é o quarto – e, por isso, é quase um milagre que o diretor de primeira viagem não tenha oferecido o previsível mais do mesmo. Pelo contrário, conta sua versão com tanta paixão que a torna relevante para os tempos atuais, extremamente carentes de boas histórias que exalem valores básicos da humanidade, como amizade, amor, bondade, coisas que perdemos pelo caminho. E o filme de Bradley Cooper não tem medo de ser feliz ao abraçar seu romantismo exacerbado e por vezes brega. Ora, existe sentimento mais brega que o amor? Cooper não tem a mínima vergonha disso e se aproveita do momento cínico que o mundo vive para emprestar um pouco de frescor a uma fórmula tão desgastada. Entrega, assim, um filme emocionante e que vicia, porque gruda como chiclete da mesma forma que um belo refrão. Mas nada disso seria possível sem uma musa inspiradora. Neste caso, Lady Gaga, que é sim boa atriz e, mais que isso, entrega talvez a melhor performance de uma cantora famosa no cinema desde Cher em “Feitiço da Lua”, de 1987. E o melhor elogio que se pode fazer nem é esse. É que ela consegue fazer o público esquecer que está diante de Lady Gaga. Até mesmo quando sua personagem começa a ficar famosa e cantar cada vez mais. Todo mundo conhece a trama de “Nasce uma Estrela”. Músico decadente e alcoólatra (Jackson Maine) ganha uma segunda chance não na carreira, mas na vida ao abrir as portas do showbusiness para uma cantora amadora, porém promissora (Ally). Bradley Cooper optou por falar e cantar (muito bem) pra dentro, o que tem tudo a ver com Jackson Maine, personagem reprimido e autodestrutivo. Não por acaso recebeu conselhos de Eddie Vedder para cantar, embora mantenha um estilo mais Chris Cornell no quesito comportamento. Por sua vez, ele próprio se disse influenciado por Neil Young – a banda mais recente do roqueiro canadense o acompanha nas músicas. Mas é interessante como o ator engrossa a voz para revelar a surpreendente opção pela técnica: seu personagem é irmão de Sam Elliott, com seu melhor papel em anos e dono de um dos vozeirões mais imponentes e inconfundíveis de Hollywood. É visível a evolução de Cooper como ator e dá pra cravar que ele nunca esteve tão bem quanto em “Nasce uma Estrela”. Mas o que nasce de verdade aqui é um novo diretor americano talentoso, que ainda pode dar muitas alegrias para o cinema, pois mostrou dominar algo que Hollywood valoriza muito: o equilíbrio entre integridade artística e viés comercial (um recado nas entrelinhas do próprio roteiro que bate sutilmente na indústria fonográfica). Sobretudo, Cooper sabe contar uma história, mesmo que dê uma acelerada aqui e ali no processo, como um noivado que vira casamento da noite para o dia e a estreia nos palcos da personagem de Lady Gaga num piscar de olhos, que é a melhor cena do filme ao som da melhor canção feita para o cinema nos últimos anos, “Shallow”, embora tenhamos também as ótimas “Maybe It’s Time”, “I’ll Never Love Again” e “Black Eyes” – a trilha sonora está vendendo tanto quanto os ingressos de cinema. Outro momento acelerado é quando o empresário de Ally fala algumas verdades e toma uma decisão polêmica sem pensar muito ou discutir com a moça a respeito das consequências. Mas ao invés de criticar Bradley Cooper, é válida a tentativa de se colocar no lugar do artista, que costuma ser intenso e trazer tudo à flor da pele. Por exemplo, os olhares que brilham quando Jackson e Ally se encontram no início do filme. E se você prefere a primeira metade de “Nasce uma Estrela”, é porque o amor é lindo e você foi fisgado. Se a segunda metade parece mais pesada é porque a vida não é fácil e a realidade, mais cedo ou mais tarde, bate à nossa porta. Imagine, então, que essa história é sobre artistas que transparecem mil vezes mais sensibilidade em relação a um mero mortal. Até “La La Land” também se inspirou nas versões anteriores de “Nasce uma Estrela”. No filme de Bradley Cooper, essa linha tênue entre estar nas nuvens ou no inferno é refletida quando as lentes do diretor de fotografia Matthew Libatique estão seguindo Ally e Jackson, principalmente nos palcos, e se perdem entre flashes e sombras. A opção por deixar os rostos dos atores bem próximos à câmera sugere um mergulho interno, como se ela quisesse olhar dentro deles para tentar entender o que estão pensando seus personagens. Compare como o filme abre com Jackson de costas, cabisbaixo, rasgando sua guitarra, envolto pela penumbra, enquanto o final é dominado por cores fortes e Ally cantando como nunca cantou antes, até o último frame que traz Lady Gaga olhando para frente – na verdade para vocês, espectadores, que assistiram ao show. São imagens claras de transição, do ocaso de um artista ao momento em que nasce uma estrela.
Trilha de Nasce uma Estrela lidera parada de discos da Billboard
Além das boas bilheterias, “Nasce uma Estrela” também está liderando as paradas de sucessos musicais. A trilha sonora do filme, com músicas cantadas por Lady Gaga e Bradley Cooper, abriu em 1ª lugar no ranking dos álbuns mais vendidos da revista Billboard, o Hot 200, publicado nesta terça (16/10). Lançado pela Interscope Records em 5 de outubro, o disco vendeu o equivalente a 231 mil cópias em sua primeira semana de comercialização. Deste total, 162 mil foram vendas de CDs físicos. O resultado é o maior lançamento de uma trilha sonora desde “Cinquenta Tons de Cinza”, que vendeu 258 mil cópias em sua primeira semana em 2013. O desempenho aumenta a façanha de Lady Gaga como cantora mais bem-sucedida da década, já que a trilha conta como seu quinto disco a abrir em 1ª lugar desde 2011. Os demais são “Born This Way” (2011), “Artpop” (2013), “Cheek to Cheek” (2014) e “Joanne” (2016). Nenhuma outra artista feminina emplacou tantos discos em 1º lugar no mesmo período. O sucesso é tanto que cinco canções da trilha sonora emplacaram posições na Billboard Hot 100, principal parada de singles dos EUA. A lista é liderada por “Shallow”, primeiro dueto de Lady Gaga e Bradley Cooper no filme, que está na 5ª posição do ranking.
Venom e Nasce uma Estrela não dão chances a Primeiro Homem nas bilheterias da América do Norte
“Venom” e “Nasce uma Estrela” mantiveram suas posições de domínio nas bilheterias em seu segundo fim de semana em cartaz na América do Norte. Mesmo com grande queda de faturamento, acima dos 56%, o filme do anti-herói da Marvel faturou bem, US$ 35,7 milhões, para se manter no 1º lugar. Mas “Nasce uma Estrela” mostrou-se mais resistente. Seus US$ 28 milhões representaram uma queda de apenas 35% em relação à semana de estreia. O sucesso dos dois filmes prejudicou o principal lançamento da sexta (12/10), o drama de época “Primeiro Homem”, sobre a conquista da Lua nos anos 1960, que abriu em 3º lugar com uma bilheteria considerada fraca, US$ 16,5 milhões. O desempenho abaixo das projeções veio, ao menos, acompanhado por elogios da crítica, que deram ao novo filme do diretor Damien Chazelle (“La La Land”) 88% de aprovação. Em 4º lugar e com arrecadação próxima, “Goosebumps 2 – Halloween Assombrado” não teve esta compensação. Foi destruído pela crítica, com 43% no Rotten Tomatoes. Já a terceira estreia ampla da semana, “Maus Momentos no Hotel Royale”, ficou apenas em 7º lugar. Nem as críticas positivas (72%) animaram o público a prestigiar o novo filme do ator Chris Hemsworth (“Vingadores: Guerra Infinita”), escrito e dirigido por Drew Goddard (indicado ao Oscar pelo roteiro de “Perdido em Marte”), que rendeu US$ 7,2 milhões. Neste caso, a nota de consolação é seu baixo orçamento. Custou menos que todos os demais, US$ 32 milhões. Mas precisaria faturar uns US$ 100 milhões para sair do vermelho, o que parece difícil. De todo modo, ainda há todo o mercado internacional para equilibrar os fracassos americanos. Mercado, por sinal, que também está dominado por “Venom” e “Nasce uma Estrela”, ajudando os dois a se pagarem com sobras em apenas duas semanas. “O Primeiro Homem” já chega ao Brasil na próxima quinta (18/10). Já “Maus Momentos no Hotel Royale” está previsto somente para janeiro, uma data tão distante que pode até virar lançamento direto em VOD. BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. Venom Fim de semana: US$ 35,7m Total EUA e Canadá: 142,8m Total Mundo: US$ 378,1m 2. Nasce uma Estrela Fim de semana: US$ 28m Total EUA e Canadá: US$ 94,1m Total Mundo: US$ 135,3m 3. O Primeiro Homem Fim de semana: US$ 16,5m Total EUA e Canadá: US$ 16,5m Total Mundo: US$ 25,1m 4. Goosebumps 2 – Halloween Assombrado Fim de semana: US$ 16,2m Total EUA e Canadá: US$ 16,2m Total Mundo: US$ 19,9m 5. PéPequeno Fim de semana: US$ 9,3m Total EUA e Canadá: US$ 57,6m Total Mundo: US$ 110,2m 6. Operação Supletivo – Agora Vai! Fim de semana: US$ 8m Total EUA e Canadá: US$ 59,8m Total Mundo: US$ 75,2m 7. Maus Momentos no Hotel Royale Fim de semana: US$ 7,2m Total EUA e Canadá: US$ 7,2m Total Mundo: US$ 11,2m 8. O Mistério do Relógio na Parede Fim de semana: US$ 3,9m Total EUA e Canadá: US$ 62,2m Total Mundo: US$ 101,8m 9. O Ódio que Você Semeia Fim de semana: US$ 1,7m Total EUA e Canadá: US$ 2,4m Total Mundo: US$ 2,4m 10. Um Pequeno Favor Fim de semana: US$ 1,3m Total EUA e Canadá: US$ 52m Total Mundo: US$ 83m
Nasce uma Estrela é o destaque da programação de cinema da semana
O fim de semana das crianças traz três estreias infantis, mas o principal lançamento é para adultos. A quarta versão de “Nasce uma Estrela” conta uma história manjada, que potencialmente deveria atrair apenas os fãs de Lady Gaga. Mas o ator Bradley Cooper surpreende em sua estreia na direção, ao envolver até quem já sabe como tudo termina antes mesmo de entrar no cinema. Para quem nunca viu nenhuma versão desta história de 81 anos, Cooper vive um cantor que mergulha no alcoolismo, conforme sua carreira entra em decadência. Mas antes de chegar ao fundo do poço, ele descobre e se apaixona por uma jovem cantora (Lady Gaga), que pretende lançar ao estrelato. E logo o sucesso dela acaba lhe ofuscando. Elogiadíssimo em sua première no Festival de Veneza, “Nasce uma Estrela” também é para cinéfilos. E pode surpreender no Oscar. Vale observar que a nova versão segue as mudanças da trama introduzidas na filmagem dos anos 1970 (com rock em vez de Hollywood), estrelada por Barbra Streisand, que, por sinal, venceu o Oscar de Melhor Canção. Dentre os filmes infantis, o destaque é a produção brasileira, que também é um musical. “Tudo por um Popstar” gira em torno de três colegas de colégio do interior que surtam quando descobrem que sua boy band favorita vai dar show no Rio e todos os ingressos estão esgotados. Logicamente, elas vão fazer tudo para ver os ídolos, desde participar em concurso até apelar para desmaio na frente do hotel em que eles estão hospedados. E pouco importa que os pais tenham proibido a viagem. O elenco traz Maisa Silva (de “Carrossel”) num de seus papéis de maior destaque, ao lado de Klara Castanho (de “É Fada”) e Mel Maia (“Através da Sombra”). A trama é a terceira adaptação cinematográfica de um livro de Thalita Rebouças, escritora especialista em filmes para menininhas – já adaptada em “É Fada!” e “Fala Sério, Mãe!”. Mas não deixa de ser uma história igualmente já vista no cinema antes, e com final melhor – procurem “Detroit, a Cidade do Rock” (1999) ou “Spike Island” (2012). “Goosebumps 2 – Halloween Assombrado” e “Cinderela e o Príncipe Secreto” são bem mais fracos. A continuação de “Goosebumps” conta quase a mesma história do primeiro filme com menor orçamento e piores efeitos. E a animação segue a linha de reinvenção dos contos de fada com computação barata, inaugurada por “Deu a Louca na Chapeuzinho” (2005). O mais incrível é que “Cinderela” parece sugerir que a computação gráfica não evoluiu nada desde aquele filme. Em outras palavras, não é uma produção da Pixar. O circuito limitado também inclui uma obra centrada em criança, o italiano “Minha Filha”. Exibido no Festival de Berlim e com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes, acompanha uma menina divida entre a mãe que a criou desde pequena (Valeria Golino) e a mãe biológica (Alba Rohrwacher), que ressurge querendo levá-la embora. Igualmente focado na dissolução da família e com os mesmos 100% no Rotten Tomatoes, o húngaro “Um Dia” marca a estreia na direção de Zsófia Szilágyi, diretora assistente de “Corpo e Alma” (vencedor do Festival de Berlim do ano passado). Acompanhando uma mulher tão ocupada com a rotina que mal tem tempo para perceber que seu casamento acabou, a obra recebeu o prêmio da crítica na mostra Quinzena dos Realizadores do último Festival de Cannes. Há mais duas estreias limitadas de menor apelo. Confira abaixo as sinopses e veja os trailers para conhecer todas os lançamentos da semana. Nasce uma Estrela | EUA | Drama Musical A jovem cantora Ally (Lady Gaga) ascende ao estrelato ao mesmo tempo em que seu parceiro Jackson Maine (Bradley Cooper), um renomado artista de longa carreira, cai no esquecimento devido aos problemas com o álcool. Os momentos opostos nas carreiras acabam por minar o relacionamento amoroso dos dois. Tudo por um Popstar | Brasil | Comédia Musical A boy band Slavabody Disco Disco Boys, febre entre as mocinhas de todo o Brasil, anuncia que irá tocar no Rio de Janeiro. Fãs de carteirinha do grupo, as adolescentes e melhores amigas Gabi (Maísa Silva), Manu (Klara Castanho) e Ritinha (Mel Maia) farão de tudo para que seus pais deixem que elas assistam ao show do grupo fora da cidade onde moram. Goosebumps 2 – Halloween Assombrado | EUA | Fantasia Sonny (Jeremy Ray Taylor) e Sam (Caleel Harris) são grandes amigos, que encontram um livro incompleto guardado dentro de um baú, em uma casa abandonada na véspera do Halloween. Ao abri-lo, eles despertam o boneco Slappy (Avery Lee Jones), que surge inesperadamente. Criação do autor R.L. Stine (Jack Black), ele usa os jovens e ainda a irmã de Sonny, Sarah (Madison Iseman), para criar sua própria família de monstros. Cinderela e o Príncipe Secreto | EUA | Fantasia Contada por outro ponto de vista, a clássica história da Cinderela aqui não envolve amor à primeira vista ou sapatinho de cristal. Cinderela decide ir ao baile convencida por seus amigos ratos, que sonham com o banquete do palácio, e auxiliada por uma fada madrinha aprendiz. Em pleno baile, o grupo descobre algo terrível e inicia uma ousada aventura para reverter o feitiço de uma terrível bruxa e desmascarar o príncipe ilegítimo. Minha Filha | Itália | Drama A guarda de uma menina está sob disputa de duas mães, a de criação e a biológica, que almeja tê-la de volta. No centro do conflito, Vittoria (Sara Casu) se vê obrigada a lidar com questões existenciais muito acima do seu nível de maturidade, prestes a fazer uma escolha que a afetará a sua vida para sempre. Um Dia | Hungria | Drama Anna é mãe de três filhos, casada e trabalhadora. Sempre correndo contra o tempo para conseguir cumprir todos os seus prazos e promessas, Anna sente que seu casamento está desmoronando. Sem conseguir conciliar tudo, ela prevê o que está prestes a acontecer, sem poder fazer nada a respeito. Djon África | Portugal, Brasil, Cabo Verde | Drama A história de Miguel “Tibars” Moreira, mais conhecido como Djon África, filho de cabo-verdianos, que nasceu e cresceu em Portugal. Sem jamais ter conhecido seu pai, acaba descobrindo que ele mora em Tarrafal e decide aventurar-se além-mar, mesmo sem muitas pistas, à sua procura. Amanhã Chegou | Brasil | Documentário Durante muitas décadas, sonho e consumo material foram duas coisas que sempre andaram juntos. Por mais que esta associação de pensamento ainda seja perpetuada na sociedade atual, hoje tenta-se desmitificar a ideia de que dinheiro sempre será poder. Enquanto a escolha do consumidor leva órgãos governamentais a destruírem culturas nativas e o meio-ambiente, algumas instituições tentam fazer diferente.
Lady Gaga canta soul em novo clipe da trilha de Nasce uma Estrela
Lady Gaga divulgou um novo clipe da trilha de “Nasce uma Estrela”. Desta vez, trata-se da música “Look What I Found”. O vídeo começa com uma cena em que a personagem da atriz cantarola a melodia da canção para Bradley Cooper em um restaurante, e logo a cena passa para um estúdio de gravação, onde um piano passa acompanhar a cantora. Aos poucos, novos instrumentos são incluídos na base, inclusive sopros de metal, resultado num soul grandioso. Só faltou o coral gospel e uma intérprete clássica do gênero. Definitivamente, uma ótima música e nada parecida com o repertório tradicional de Lady Gaga, numa gravação que remete mais a Carla Thomas e ao soul da Stax. Em “Nasce Uma Estrela”, Lady Gaga interpreta uma cantora iniciante que ganha uma chance de se tornar conhecida com o apoio de um músico veterano (Cooper), com quem se envolve. Mas quando ela passa a fazer sucesso, ele entra em decadência, vítima do alcoolismo, que atrapalha até o romance com a nova estrela. Além de marcar a estreia da cantora como atriz de cinema, o filme também é o primeiro dirigido por Bradley Cooper, além da quarta versão desta história de 81 anos levada às telas. O lançamento está marcado para quinta-feira (11/10) no Brasil.
Venom bate recorde de bilheteria em sua estreia na América do Norte
Mantendo a tradição de sucesso das adaptações da Marvel, a estreia de “Venom” bateu o recorde de maior arrecadação do mês de outubro na América do Norte com US$ 80 milhões no fim de semana. O ótimo desempenho comprovou o acerto da estratégia da Sony, que embargou as críticas do filme até a véspera da exibição, impulsionando a pré-venda de seus ingressos. Com isso, “Venom” nem sentiu o impacto das avaliações negativas, que oscilaram de 28% a 31% no Rotten Tomatoes, entre quinta e domingo (7/10), e chegou a superar a abertura deste ano de “Homem-Formiga e a Vespa” (US$ 75 milhões), da própria Marvel. O mercado internacional também deu ótimo retorno, elevando o total mundial para US$ 205,2 milhões. São valores que incentivam o investimento na criação de um universo cinematográfico com os coadjuvantes dos quadrinhos do Homem-Aranha. Mas a cautela sugere esperar um pouco mais, pelo resultado da segunda semana, após o boca-a-boca se encontrar com as críticas duras, para avaliar se o entusiasmo do público persiste e o que se faz necessário para avançar nos planos. Em 2ª lugar, “Nasce uma Estrela” vendeu mais ingressos que o esperado, faturando US$ 41,2 milhões. O filme custou só US$ 40 milhões para ser produzido (40% do investimento em “Venom”) e tinha censura elevada (“R”, para maiores de 17 anos), por isso seu desempenho foi considerado um enorme sucesso e comemorado pela Warner como se tivesse aberto no topo das bilheterias. Primeiro longa dirigido por Bradley Cooper e estrelado por Lady Gaga, “Nasce uma Estrela” também conquistou a crítica, com 91% de aprovação. A estreia no Brasil está marcada para a próxima quinta-feira (11/10). Entre os lançamentos limitados, ainda chamou atenção o interesse gerado por “O Ódio que Você Semeia”, cuja roteirista morreu na quinta-feira (4/10). Lançado em apenas 36 salas, fez US$ 500 mil e abriu em 13º lugar, faturando mais por sala que “Nasce uma Estrela”. O filme também se tornou o mais bem-avaliado da semana, com 96% no Rotten Tomatoes. Chega no Brasil em 6 de dezembro. Confira abaixo os rendimentos dos 10 filmes mais vistos no final de semana nos Estados Unidos e no Canadá, e clique em seus títulos para ler mais sobre cada produção. BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. Venom Fim de semana: US$ 80m Total EUA e Canadá: 80m Total Mundo: US$ 205,2m 2. Nasce uma Estrela Fim de semana: US$ 41,2m Total EUA e Canadá: US$ 41,2m Total Mundo: US$ 56,6m 3. PéPequeno Fim de semana: US$ 14,9m Total EUA e Canadá: US$ 42,7m Total Mundo: US$ 75,2m 4. Operação Supletivo – Agora Vai! Fim de semana: US$ 12,2m Total EUA e Canadá: US$ 46,7m Total Mundo: US$ 58,7m 5. O Mistério do Relógio na Parede Fim de semana: US$ 7,2m Total EUA e Canadá: US$ 55m Total Mundo: US$ 79,3m 6. Um Pequeno Favor Fim de semana: US$ 3,4m Total EUA e Canadá: US$ 49m Total Mundo: US$ 76,4m 7. A Freira Fim de semana: US$ 2,6m Total EUA e Canadá: US$ 113,3m Total Mundo: US$ 346,6m 8. O Parque do Inferno Fim de semana: US$ 2m Total EUA e Canadá: US$ 8,8m Total Mundo: US$ 9,5m 9. Podres de Ricos Fim de semana: US$ 2m Total EUA e Canadá: US$ 169,1m Total Mundo: US$ 225,9m 10. O Predador Fim de semana: US$ 900 mil Total EUA e Canadá: US$ 49,9m Total Mundo: US$ 123,3m
Bradley Cooper vai ganhar homenagem da PETA por escalar seu próprio cachorro em Nasce uma Estrela
A química entre Lady Gaga e Bradley Cooper não foi a única parceria elogiada de “Nasce Uma Estela”. Cooper, que também é diretor do filme, experimentou outro ótimo relacionamento na tela com um “intérprete” diferente. Ele escalou seu próprio cachorro como bichinho de estimação do casal da trama. No filme, Charlie viveu a si mesmo, e demonstrou sua enorme conexão com o astro. A participação do cachorro chamou atenção da ONG Peta (sigla de Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais), mais ativa entidade de proteção aos animais nos Estados Unidos, que se inspirou na escalação de Charlie para promover um novo prêmio, intitulado de Prêmio de Compaixão em Filmes. Cooper será o primeiro homenageado, por não ter alugado um cachorro de uma empresa de amestradores para as filmagens. “O cachorro feliz, adorável e muito amado de Bradley Cooper rouba a cena – e o coração dos espectadores – nesse filme, porque fica claro que ele ama estar ao lado do seu pai da vida real”, afirmou a vice-presidente do Peta, Lisa Lange, em um anúncio divulgado pela revista americana People. “Nós já testemunhamos diversos casos de abuso e negligência com cachorros dentro e fora do set e esperamos que o tipo de decisão feita por Cooper abra um precedente para todos em Hollywood começarem a fazer o mesmo.” Durante a pré-estreia de “Nasce Uma Estrela” em Los Angeles, Bradley Cooper declarou à People que o nome de Charlie é uma homenagem ao pai do ator. “Os personagens principais do filme não têm uma criança juntos, mas eles têm esse cachorro e eu queria que isso fizesse parte da história”, explicou. A participação no filme foi o primeiro trabalho de Charlie em Hollywood. O cachorro aparece nos créditos do longa e até ganhou uma página no IMDB, uma base de dados online sobre as estrelas do cinema. O musical estreou na sexta (5/10) nos Estados Unidos e arrebatou a crítica, com 91% de aprovação na medição do Rotten Tomatoes. A estreia no Brasil está marcada para a próxima quinta-feira, dia 11 de outubro.
Fãs de Lady Gaga lançam campanha negativa contra Venom nos cinemas. Entenda
“Venom” já teve suas primeiras sessões para a imprensa, mas as críticas continuam embargadas pela Sony, numa estratégia para manter o público distante de possíveis avaliações negativas. Claro que isso não impede o surgimento de comentários nas redes sociais. Alguns jornalistas americanos já escreveram que o filme deve decepcionar os fãs dos quadrinhos, mas divertir quem já achava que ia ser um desastre. Entretanto, tem chamado atenção a quantidade de anônimos que também passaram a se manifestar com opiniões demolidoras contra o filme. Quase todos usando as mesmas palavras. “Eu sou um grande fã da Marvel, mas acabo de assistir ‘Venom’ e não sei o que dizer. Facilmente, o pior filme do ano. Eu esperava muito mais e agora estou desapontado”. O detalhe é que só a imprensa teve acesso ao filme. E tamanha negatividade passou a ser comentada nas próprias redes sociais. O mistério intrigou o site Buzzfeed, que buscou entrar em contato com os usuários em campanha contra “Venom”. E um deles respondeu. “Somos nós, fãs de Lady Gaga, usando identidades falsas para criticar e estreia de ‘Venom’. Ambos os filmes serão lançados no mesmo dia, e queremos mais audiência para ‘Nasce Uma Estrela'”. disse um monstrinho da internet. Os Little Monsters, como se autodenominam os fãs de Gaga, resolveram atacar “Venom” para que “Nasce uma Estrela” vença a batalha das estreias e abra em 1º lugar nas bilheterias dos EUA. Sem empurrão artificial, o filme da cantora chega muito bem cotado, com críticas liberadas há mais de um mês, desde a première elogiadíssima no Festival de Veneza. No Rotten Tomatoes, a avaliação é 95% positiva. O burburinho é tanto que se espera indicações ao Oscar, senão para Gaga (melhor atriz) pelo menos para o surpreendente Bradley Cooper (como melhor ator e melhor diretor). No Brasil, os dois filmes vão estrear em datas diferentes. “Venom” será lançado nesta quinta-feira (5), enquanto “Nasce Uma Estrela” chega só na semana seguinte, dia 11 de outubro.
Lady Gaga e Bradley Cooper cantam balada poderosa em clipe da trilha de Nasce uma Estrela
Lady Gaga divulgou um clipe da trilha de “Nasce uma Estrela” em seu canal no YouTube. A música se chama “Shallow” e é uma balada cantada em dueto com o ator Bradley Cooper. Assim como a cantora surpreendeu muita gente pelo desempenho dramático no filme, o ator também impressiona ao virar roqueiro. Ao explicar as influências que adotou para dar vida a seu personagem, o ator assumiu ter se inspirado em Neil Young. E inclusive tocou no filme com a banda de apoio do velho músico, Promise of the Real, liderada pelo guitarrista Lukas Nelson, filho da lenda do country Willie Nelson. O clipe destaca a performance de Shallow” numa captação que mescla a gravação de estúdio com uma encenação ao vivo diante de uma plateia numerosa de festival. O dueto foi gravado diante de uma multidão de fãs de Lady Gaga, durante um intervalo do Coachella, no ano passado. As cenas transmitem energia de show real. Em “Nasce uma Estrela”, Cooper vive um cantor que mergulha no alcoolismo, conforme sua carreira entra em decadência. Mas antes de chegar ao fundo do poço, ele descobre e se apaixona por uma jovem cantora (Lady Gaga), que pretende lançar ao estrelato. E logo o sucesso dela acaba lhe ofuscando. Esta é a quarta vez que esta história é levada às telas, mas a apenas segunda passada no mundo da música, após justamente a versão mais recente, filmada em 1976 com Kris Kristofferson e Barbra Streisand como cantores de country rock. Nas versões iniciais, de 1937 e 1954, os bastidores do relacionamento dos protagonistas envolviam a indústria cinematográfica. O roteiro é de Will Fetters, conhecido por adaptações dos livros “Um Homem de Sorte” (2012) e “O Melhor de Mim” (2014), ambos do escritor Nicholas Sparks. E na direção está o próprio Bradley Cooper, estreando na função. Uma estreia, por sinal, muito elogiada durante a première mundial do filme no Festival de Veneza 2018. O lançamento está marcado para 11 de outubro no Brasil, uma semana após os Estados Unidos.
Bradley Cooper se inspirou em Neil Young para viver roqueiro em Nasce uma Estrela
A Warner divulgou um vídeo de bastidores de “Nasce uma Estrela” focado na transformação de Bradley Cooper em roqueiro. Ao explicar as influências que adotou para dar vida ao papel de Jackson Maine, o ator assume sua inspiração em Neil Young. Ele conta como evoluiu sua visão do personagem de cantor country para astro do rock, influenciado pela colaboração com o músico Lukas Nelson. Ele decidiu escalar músicos de verdade para ser sua banda de apoio, e se dedicar a aprender a cantar e melhorar sua destreza na guitarra com ajuda de Nelson. Os dois também passaram horas no estúdio de gravação para criar e registrar as músicas do filme, e, segundo Nelson, Cooper começou a ficar parecido fisicamente com ele para o papel. A escolha da banda do guitarrista, Promise of the Real, também passou pelo fato de seus músicos gravarem e excursionarem com Neil Young desde 2015. Eles tinham o som que Cooper queria para seu personagem. “Eu tinha na minha cabeça esse jeito como deveria soar a guitarra do Jackson. Isso teve grande influência de Neil Young. As palhetadas dele não simplesmente soam na guitarra, ele ataca ela”, diz Bradley sobre o músico canadense no vídeo. Um detalhe que não é mencionado nessa conversa, mas que ficará claro para quem for ver o filme, é que Cooper adotou também alguns maneirismos de outro músico, em especial o tom grave e monótono da voz de Willie Nelson. O famoso astro country é justamente o pai de Lukas Nelson. Em “Nasce uma Estrela”, Cooper vive um cantor que mergulha no alcoolismo, conforme sua carreira entra em decadência. Mas antes de chegar ao fundo do poço, ele descobre e se apaixona por uma jovem cantora (Lady Gaga), que pretende lançar ao estrelato. E logo o sucesso dela acaba lhe ofuscando. Esta é a quarta vez que esta história é levada às telas, mas a apenas segunda passada no mundo da música, após justamente a versão mais recente, filmada em 1976 com Kris Kristofferson e Barbra Streisand como cantores de country rock. Nas versões iniciais, de 1937 e 1954, os bastidores do relacionamento dos protagonistas envolviam a indústria cinematográfica. O roteiro é de Will Fetters, conhecido por adaptações dos livros “Um Homem de Sorte” (2012) e “O Melhor de Mim” (2014), ambos do escritor Nicholas Sparks. E na direção está o próprio Bradley Cooper, estreando na função. Uma estreia, por sinal, muito elogiada durante a première mundial do filme no Festival de Veneza 2018. O lançamento está marcado para 11 de outubro no Brasil, uma semana após os Estados Unidos.
Bradley Cooper e Lady Gaga cantam em prévias dramáticas de Nasce uma Estrela
A Warner divulgou quatro vídeos e um novo pôster do remake de “Nasce uma Estrela”. As prévias destacam o clima dramático da história, com Bradley Cooper (“Sniper Americano”) e Lady Gaga (série “American Horror Story”), que aparece quase irreconhecível sem maquiagem. Ambos também cantam nos vídeos, quando ele demonstra um novo talento e ela outro, como atriz. Na trama, Cooper vive um cantor que mergulha no alcoolismo, conforme sua carreira entra em decadência. Mas antes de chegar ao fundo do poço, ele descobre e se apaixona por uma jovem cantora, que pretende lançar ao estrelato. E logo o sucesso dela logo acaba lhe ofuscando. Esta é a quarta vez que esta história é levada às telas, mas a apenas segunda passada no mundo da música, após justamente a versão mais recente, filmada em 1976 com Kris Kristofferson e Barbra Streisand como cantores de country rock. Nas versões iniciais, de 1937 e 1954, os bastidores do relacionamento dos protagonistas envolviam a indústria cinematográfica. O roteiro é de Will Fetters, conhecido por adaptações dos livros “Um Homem de Sorte” (2012) e “O Melhor de Mim” (2014), ambos do escritor Nicholas Sparks. E na direção está o próprio Bradley Cooper, estreando na função. Uma estreia, por sinal, muito elogiada durante a première mundial do filme no Festival de Veneza 2018. O lançamento está marcado para 11 de outubro no Brasil, uma semana após os Estados Unidos.
Nasce uma Estrela eletriza Festival de Veneza com aplausos e elogios para Bradley Cooper e Lady Gaga
Lady Gaga e Bradley Cooper eletrizaram o Festival de Veneza 2018 com a estréia mundial de “Nasce uma Estrela”. Literalmente. Caiu até raio, que chegou a interromper a projeção. Mas nem isso abalou o entusiasmo do público, que aplaudiu o filme intensamente, por oito minutos – um minuto a mais que “Roma”, que já tinha caído nas graças da plateia italiana. Quando as luzes se acenderam, diversas pessoas ainda choravam, tamanho o envolvimento obtido pela estreia de Bradley Cooper como diretor. Ele também atua no filme, que ainda marca o primeiro grande papel da carreira de Lady Gaga. A dupla foi elogiadíssima pela crítica internacional, que dispensou ao longa com os mesmos 94% de aprovação obtidos por “Roma”, na média apurada pelo Rotten Tomatoes. Se o filme estivesse na competição veneziana – foi exibido em sessão especial – certamente seria candidato a prêmios. O sisudo jornal The Guardian deu cinco estrelas, rasgando superlativos e chamando Lady Gaga de “sensacionalmente boa”. A revista Time também exaltou Lady Gaga, cuja performance foi rotulada de “um nocaute”. A química do casal formado pela cantora e Cooper foi considerada “um par perfeito” pelo The Telegraph e “dinamite” pelo The Wrap. Mas os maiores elogios foram reservados ao diretor de primeira viagem. “A estrela que realmente nasceu aqui foi Bradley Cooper como diretor”, descreveu o site The Playlist. “Nasce uma Estrela” tem estreia comercial prevista para 5 de outubro nos Estados Unidos e apenas um mês depois, em 11 de novembro, no Brasil.
Festival de Veneza começa com mais prestígio e mais polêmicas que nunca
O Festival de Veneza começa nesta quarta (29/8) com o prestígio de ter premiado o último vencedor do Oscar e de ser o tapete vermelho mágico que mais vezes levou à consagração da Academia dos Estados Unidos neste século. Mas também com muitas polêmicas, as novas e as velhas de sempre. Enquanto seu diretor artístico Alberto Barbera celebra o número de talentos e astros que desfilarão pelo Lido até 8 de setembro, “tão grande que é impossível lembrar todos os nomes agora”, o cineasta Guillermo del Toro, vencedor do festival passado (e do Oscar) por “A Forma da Água” e presidente do júri deste ano, apelou para a organização do evento para que aumente o número de filmes dirigidos por mulheres. Pelo segundo ano seguido, a seleção principal do Festival de Veneza tem só um filme dirigido por mulher – “The Nightingale”, de Jennifer Kent. “Eu acho que o objetivo tem que ser 50% [de filmes dirigidos por mulheres] até 2020. Se conseguirmos alcançar até 2019, ainda melhor”, comentou Del Toro, durante a entrevista coletiva que deu início ao festival. “Esse é um problema de verdade, na nossa cultura em geral”. “Não é uma questão de estabelecer uma ‘cota’, mas uma questão de se sincronizar ao tempo em que vivemos, ao momento em que estamos tendo essa conversa. Eu acho que isso é necessário há décadas, senão séculos. Não é uma polêmica, é um problema de verdade”, concluiu. Barbera tinha dito que se demitiria se implementassem cotas no festival, justificando que qualidade não tem gênero. Mas até o Brasil já demonstrou que isso é falácia, ao apresentar os candidatos a representar o país no Oscar, numa lista com 40% de filmes dirigidos por mulheres. Além disso, o Festival de Toronto, que acontece quase simultaneamente a Veneza, fez o compromisso descrito por del Toro, de ter metade de sua programação preenchida por filmes de cineastas femininas até 2020. Mais que isso, está apoiando uma marcha de mulheres, com pautas de igualdade de direitos, durante sua programação. O problema de Veneza, festival mais antigo do mundo, é a cultura machista italiana, alimentada por séculos de educação católica. Por isso, enquanto mulheres se preparam para celebrar suas conquistas na América do Norte, outras mulheres planejam protestar contra a dificuldade de encontrar espaço no festival de cinema europeu. O choque de visões de mundo é enorme. Mas esta não é a única polêmica alimentada pela programação do Festival de Veneza. O evento também estendeu seu tapete para as produções da Netlix, apresentando seis no total, e nisso entrou em sintonia com Toronto, seu rival do outro lado do Atlântico. Ambos aceitaram a realidade dos fatos, de que a Netflix é hoje a maior produtora de filmes do mundo e, em busca por validação, tem investido em cineastas consagrados, de Martin Scorsese a Alfonso Cuarón. Enquanto Cannes se deixou intimidar pelo bullying dos donos de cinema, a ponto de barrar a Netflix de competir pela Palma de Ouro, Veneza terá produções de streaming disputando o Leão de Ouro. E, considerando o impacto obtido pelos filmes do festival italiano no Oscar, virou peça estratégica dos planos de dominação mundial da plataforma. Quando Ryan Gosling pisar no Lido para a première de “O Primeiro Homem”, de Damien Chazelle, que abrirá o festival, será um pequeno passo para o ator de Hollywood, mas um grande passo para o cinema mundial. Visto cada vez mais como marco inaugural da temporada de prêmios, para destacar quem tem potencial de Oscar, Veneza pode colocar “Roma”, produção da Netflix dirigida por Cuarón, na rota da consagração da Academia. E até comprovar que Lady Gaga é atriz e Bradley Cooper é diretor, com a colaboração dos dois em “Nasce uma Estrela”. O festival que começa nesta quarta apontará muitos rumos para o cinema nos próximos meses, mas nem por isso deixará de ser convocado a entrar em maior sintonia com os rumos do mundo em geral.











