Daisy Lúcidi (1929 – 2020)
A atriz Daisy Lúcidi, que estrelou diversas novelas da Globo, morreu na madrugada desta quinta-feira (7/5), aos 90 anos, vítima de covid-19. Ela estava internada no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital São Lucas, no Rio, desde o dia 25 de abril para tratar a infecção. Além de atriz, Daisy trabalhou como radialista e elegeu-se vereadora e deputada estadual pelo Rio de Janeiro. Ela foi sucesso desde criança no rádio. Começou aos 6 anos declamando poemas, fez radionovelas com Paulo Gracindo e Mário Lago na época de ouro da Rádio Nacional, e seu programa de variedades “Alô Daisy” ficou 46 anos no ar. Essa popularidade a levou ao cinema muito jovem, lançando-a nas telas com 19 anos, no musical “Folias Cariocas” (1948). A estreia na televisão, porém, aconteceu apenas na década de 1960, na minissérie “Nuvem de Fogo” (1963), de Janete Clair, na TV Rio. A carreira inclui também novelas na Tupi, antes de estrear na Globo com “Supermanoela”, em 1974. Também atuou na inovadora “O Casarão” (1976), de Lauro César Muniz. Mas, ao preferir se dedicar à política, acabou passando 31 anos longe de TV. Só retornou em “Paraíso Tropical” (2007), de Gilberto Braga, como a síndica viúva do prédio onde moravam vários personagens da trama. Daisy ainda se destacou em “Passione” (2010), de Silvio de Abreu, como Valentina, que escondia uma ambição inescrupulosa sob um sorriso amigável, fez uma participação especial na série “Tapas & Beijos”, interpretando a mãe de PC (Daniel Boaventura), e viveu Marlene, a irmã de Madá (Lady Francisco) em “Geração Brasil” (2014), antes de se despedir da TV num episódio de “Os Homens São de Marte… E é pra Lá que Eu Vou”, exibido em 2015 no canal pago GNT. Ela foi casada com o jornalista esportivo Luiz Mendes, que morreu em 2011 em decorrência da leucemia. “Semana passada, apesar de toda precaução que estávamos tendo com ela, minha avó passou mal. A caminho do hospital disse para minha irmã: ‘Não se preocupe não minha filha, não peguei essa doença’. Ironia do destino”, lamentou o neto da atriz, Luiz Claudio Mendes, no Facebook. “Seu forte amor pela vida, o motor que sempre a moveu, não a fazia enxergar a dura realidade dos números e a levou falsamente a acreditar que a morte não era opção”, continuou. “Mas, infelizmente já com 90 anos, dessa vez estava enganada, foi vencida pela frieza das estatísticas e por uma doença terrível que alguns loucos irresponsáveis teimam em querer minimizar.” “Nesse momento de dor para tanta gente no mundo e tão triste também para nossa família, nos confortamos em saber que ela teve uma vida plena e feliz, cheia de amor, vitórias e realizações, e que seu legado sempre estará presente entre nós!”, completou.
Criador e diretor de Arcanjo Renegado fazem nova série criminal para a Globoplay
O roteirista-produtor José Junior, criador das séries “A Divisão” e “Arcanjo Renegado”, sucessos da plataforma Globoplay, prepara uma nova atração criminal para a plataforma. Trata-se de “Verônica”, sobre uma criminalista que passa a trabalhar para o crime organizado. O projeto terá direção geral do cineasta Heitor Dhalia (“Serra Pelada”), que também dirigiu a série “Arcanjo Renegado”. Segundo o jornal O Globo, os dois dividirão a produção e buscarão escalar atores negros nos papéis principais. A proposta, inclusive, é contratar roteiristas negras e uma equipe técnica formada por mulheres para as gravações. O roteiro do piloto começará a ser escrito entre agosto e outubro. Originalmente, o projeto seria desenvolvido de forma independente pela AfroReggae Audiovisual, que, ainda de acordo com o jornal, já havia recebido R$ 4,7 milhões via FSA (Fundo Setorial do Audiovisual) para a produção. Com a entrada da Globo no negócio, o dinheiro será devolvido ao fundo.
Flávio Migliaccio (1934 – 2020)
O ator Flávio Migliaccio, visto recentemente na novela “Órfãos da Terra”, foi encontrado morto na manhã desta segunda (4/5) em seu sítio em Rio Bonito, no Rio de Janeiro, aos 85 anos. Junto com o corpo, o caseiro do sítio encontrou uma carta escrita pelo ator. A notícia foi confirmada pelo 35º BPM de Rio Bonito, delegacia que ainda investiga a causa da morte. Flávio nasceu no Brás, em São Paulo, em 15 de outubro de 1934, e teve uma longa carreira. Sua estreia como ator aconteceu no teatro, ainda nos anos 1950, ao lado da irmã, Dirce Migliaccio (1933-2009). Os dois participaram de diversas montagens do Teatro de Arena. Décadas depois, Dirce acabou virando a Emília, do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, e também uma das irmãs Cajazeira, de “O Bem Amado”. Do teatro, Flávio foi para as telas. E embora sua carreira televisiva tenha sido notável, seus filmes foram ainda mais impressionantes. A lista incluiu clássicos absolutos como “O Grande Momento” (1958), de Roberto Santos, precursor do Cinema Novo, a antologia “Cinco vezes Favela” (1962), no segmento de Marcos Farias, “Fábula” (1965), de Arne Sucksdorff, “A Hora e Vez de Augusto Matraga” (1965), trabalhando novamente com Santos, “Todas as Mulheres do Mundo” (1966), de Domingos de Oliveira, “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha, “Arrastão” (1967), do francês Antoine d’Ormesson, “O Homem que Comprou o Mundo” (1968), de Eduardo Coutinho, “O Homem Nu” (1968), outra parceria com Roberto Santos, “Pra Frente, Brasil” (1982), de Roberto Farias, só para citar alguns, inscrevendo seu nome na história do Cinema Novo e da comédia contemporânea brasileira. Ele também foi cineasta. Escreveu e dirigiu nada menos que sete comédias, de “Os Mendigos” (1963) até uma produção dos Trapalhões, “Os Trapalhões na Terra dos Monstros” (1989). Paralelamente, deu início à carreira televisiva na antiga rede Tupi, encontrando grande sucesso em 1972 com o papel de Xerife, na novela “O Primeiro Amor”. O personagem se tornou tão popular que ganhou derivado, “Shazan, Xerife e Cia”, série infantil que Flávio estrelou com Paulo José (o Shazan). A atração marcou época. O ator se tornou muito popular com as crianças dos anos 1970, tanto pelo Xerife quanto pelo Tio Maneco, papel que ele criou e desempenhou no cinema e na TV. O primeiro filme, “Aventuras com Tio Maneco” (1971), virou fenômeno internacional, vendido para mais de 30 países. Sua criação ainda apareceu em “O Caçador de Fantasma” (1975) e “Maneco, o Super Tio” (1978), antes de ganhar série, “As Aventuras do Tio Maneco”, exibida pela TVE entre 1981 e 1985. A estreia na rede Globo aconteceu com a novela de comédia “Corrida do Ouro”, em 1974. E vieram dezenas mais, como “O Casarão” (1976), “O Astro” (1977), “Pai Herói” (1979), “Chega Mais” (1980), “O Salvador da Pátria” (1989), “Rainha da sucata” (1990), “A Próxima Vítima” (1994), “Torre de Babel” (1998), “Vila Madalena” (1999), “Senhora do Destino” (2004), “América” (2005), “Caminho das Índias” (2007), “Passione” (2010), “Êta! Mundo Bom” (2017) e a recente “Órfãos da Terra”, exibida no ano passado, em que viveu o imigrante Mamede. Ele também fez muitas séries, com destaque para “Tapas & Beijos” (2011–2015), ao lado de Andréa Beltrão e Fernanda Torres. E se manteve ligado ao universo infantil por toda a carreira, aparecendo nos filmes “Menino Maluquinho 2: A Aventura” (1998), de Fernando Meirelles, e “Os Porralokinhas” (2007), de Lui Farias. A lista enorme de interpretações de Flávio Migliaccio ainda inclui dois dos melhores filmes sobre futebol já feitos no Brasil, “Boleiros: Era Uma Vez o Futebol…” (1998) e a continuação “Boleiros 2: Vencedores e Vencidos” (2006), ambos com direção de Ugo Giorgetti. Em 2014, ele foi homenageado no Festival de Gramado com um Troféu Oscarito honorário pelas realizações de sua carreira. Seus últimos trabalhos foram a minissérie “Hebe”, da Globoplay, e o filme “Jovens Polacas”, de Alex Levy-Heller, lançado em fevereiro passado.
Após Big Brother, Babu Santana vai aparecer em quatro filmes e planeja dirigir documentário
O ator Babu Santana (“Tim Maia”) revelou numa live no Instagram seus próximos projetos após a popularidade conseguida no “Big Brother Brasil” – ou “BBB 20”. Para começar, ele vai aparecer em quatro longas inéditos, que já tinha filmado antes de entrar no reality show da Globo. São eles: “Intervenção”, um filme de ação previsto para estrear em 10 de setembro, a comédia “Quatro Amigas numa Fria”, em que faz apenas uma participação, “Suburbanos: O Filme”, versão de cinema para a série do Multishow, e “Oeste Outra Vez”, um western alternativo que ele terminou de rodar em setembro do ano passado. Mas para seu próximo projeto, quer também dirigir. Babu pretende se unir ao amigo Luciano Vidigal, que é ator, cineasta e professor de teatro do Nós do Morro, grupo que o revelou, para realizar um documentário. A ideia é rodar de carro pelo Brasil atrás de suas raízes, buscando encontrar seus parentes de raízes africanas e origens indígenas. Ele aproveitou a live, que reuniu 40 mil pessoas, para pedir apoio da Fiat na empreitada. “Quero rodar o Brasil de Toro”, disse o ator, em referência ao carro que ganhou da montadora após sair do programa.
Globoplay libera Os Normais, A Grande Família e mais séries clássicas em streaming
A plataforma Globoplay liberou mais cinco séries de comédia que fizeram grande sucesso na TV. A partir desta segunda-feira (20/4), “Os Normais” (2001-2003), “A Grande Família” (2001-2014), “Toma Lá Dá Cá” (2007-2009), “Tapas e Beijos” (2011-2015) e “A Diarista” (2004-2007) estão liberadas de graça para não assinantes do serviço. O conteúdo permanecerá disponível gratuitamente durante 60 dias na plataforma, juntando-se a outros títulos que já tinham sido liberados, como as séries “Shippados” (2019) e “Sandy & Junior” (1999-2002), a primeira parte da novela “Amor de Mãe” e o “Sinta-se em Casa”, humorístico que Marcelo Adnet protagoniza durante a quarentena. Para completar, o serviço de streaming também tinha liberado, durante o mês passado, séries infantis como “Detetives do Prédio Azul”, “Escola de Gênios”, “Mya Go”, “Bob Zoom”, “Valentins”, “Dr. Calça Dimensional”, longas animados da Disney e todas as temporadas de “Malhação”. “Desde que o isolamento social se intensificou no país, a Globoplay vem disponibilizando, de tempos em tempos, uma série de conteúdos que podem ser acessados gratuitamente. Ao todo já foram mais de 70 títulos”, disse a plataforma, em comunicado.
4ª temporada de Sob Pressão vai abordar pandemia do novo coronavírus
A série médica da rede Globo “Sob Pressão” vai incluir o coronavírus na trama de sua 4ª temporada. A informação de que a pandemia seria tema da atração estrelada por Júlio Andrade e Marjorie Estiano foi ventilada há alguns dias por Fernando Oliveira, colunista de televisão do portal UOL, e confirmada neste domingo (19/4) numa reportagem de O Globo, sobre o impacto da quarentena nas produções de TV do Brasil. O jornal não deu outros detalhes sobre como se dará a incorporação da crise sanitária na série, que é inspirada pela precariedade do sistema público de saúde do Brasil. O roteiro da nova leva de episódios estaria sendo refeito para abordar a pandemia. Todas as produções dramáticas da TV brasileira estão com gravações suspensas por tempo indeterminado, mas os autores seguem escrevendo capítulos em suas casas, aguardando a volta de atores e equipes aos estúdios. Apesar da iniciativa, esta deve ser a única abordagem da pandemia na programação de ficção da Globo. Na mesma reportagem, Manuela Dias, autora da novela “Amor de Mãe”, disse que tocaria no tema apenas de passagem, por meio de um comentário de Davi, o ambientalista vivido por Vladimir Brichta, que falará sobre uma “possibilidade de pandemia”. Ela mencionou que a inclusão da quarentena no folhetim acabaria com a narrativa dramática. “Pensei muito sobre se deixaria a covid-19 entrar na novela. Por um lado, existe uma curiosidade de como os personagens se virariam na quarentena, mas acho que o vírus iria sequestrar a novela. Em vez de procurar Domênico, Lurdes estaria trancada tentando não pegar o coronavírus”, observou a teledramaturga.
Filipe Duarte (1973 – 2020)
O ator português Filipe Duarte, que viveu o personagem Gabo, par romântico de Adriana Esteves na recente novela “Amor de Mãe” (2019-2020), faleceu nesta sexta-feira (17/4), aos 46 anos. Segundo informações divulgadas pela imprensa portuguesa, ele não resistiu após um infarto, mas o Ministério Público do país exigiu uma autópsia para verificar infecção por covid-19. Considerado um dos melhores atores portugueses de sua geração, Duarte na verdade nasceu em Angola em 1973, de onde saiu para Portugal ainda na infância. Sua carreira começou nos palcos portugueses, onde estreou, nos anos 1990, com a Companhia Teatral do Castelo e com o Teatro da Garagem. Mas foi principalmente no cinema e na televisão que se estabeleceu. Na televisão, fez inúmeros trabalhos, entre séries, telenovelas, programas infantis e dublagens para publicidade e desenhos animados. E não apenas em Portugal, mas também na Espanha e no Brasil. Alguns dos seus papéis de maior destaque na TV foram nas séries “A Febre do Ouro Negro” (2001), “A Ferreirinha” (2004) e “Equador” (2008) e em novelas como “Fúria de Viver” (2002) e “Belmonte” (2013). No cinema, atuou em mais de 30 filmes, entre curtas e longas-metragens. A lista variada de produções inclui “A Costa dos Murmúrios” (2004), de Margarida Cardoso, que o levou de volta à África de sua infância, para filmar em Moçambique, e “A Outra Margem” (2007), de Luís Filipe Rocha, no qual interpretou um travesti amargurado com a vida, conquistando o troféu de Melhor Ator no Festival de Montreal, no Canadá. Ele também estrelou “Imagine”, de Andrzej Jakimowski, considerado o Melhor Filme Polonês de 2012 pela crítica daquele país, e no ano seguinte venceu o Globo de Ouro português de Melhor Ator por “A Vida Invisível” (2013), de Vítor Gonçalves. Os papéis mais recentes de Filipe Duarte no cinema foram em “Variações” (2019), de João Maia, no qual interpretou o fundador de uma discoteca, e “Mosquito” (2020), de João Nuno Pinto, em que viveu um militar na África, durante a 1ª Guerra Mundial. Além desses, chegou a terminar “Nothing Ever Happened”, de Gonçalo Galvão Teles, ainda sem previsão de estreia. Casado com a atriz espanhola Nuria Mencía (“A Canção de Lisboa”), Filipe tinha uma filha, Antônia, de apenas 8 anos.
Rubem Fonseca (1925 – 2020)
O escritor Rubem Fonseca morreu na tarde desta quarta (15/4). Ele sofreu um infarto no horário do almoço e foi levado às pressas para o Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, onde veio a falecer. Autor de alguns dos livros mais emblemáticos da literatura brasileira e diversos roteiros de cinema, ele completaria 95 anos em maio. Nascido em 1925, em Juiz de Fora, Minas Gerais, Rubem Fonseca se mudou para o Rio ainda criança. Formado em Direito, tornou-se comissário em um Distrito Policial do bairro de São Cristóvão, uma vivência que o inspirou a se tornar o maior escritor do gênero policial no Brasil. Ele tinha 38 anos quando publicou o primeiro livro, a coletânea de contos “Os Prisioneiros” (1963), saudada como “revelação do ano” pelo Jornal do Brasil. Outras antologias, como “A Coleira do Cão” (1965) e “Lúcia McCartney” (1967) se seguiram, reinventando a narrativa policial, ao incluir em suas tramas as rápidas e brutais transformações das grandes metrópoles brasileiras. O ápice desse estilo se deu em “Feliz Ano Novo” (1975), que chegou a ser proibido pela ditadura militar por se basear num tripé de sexo, violência e conflitos de classes. Após superar a censura, sua fama de proibidão ajudou a torná-lo um dos maiores best-sellers do escritor. Reconhecido como um dos principais contistas da literatura brasileira, Fonseca também assinou romances premiados. A estreia no gênero se deu com “O Caso Morel” (1973), rendeu o impactante “Bufo & Spallanzani” (1986) e atingiu o ápice com o icônico “Agosto” (1990), que tinha o suicídio de Getúlio Vargas como pano de fundo e a criatividade voraz de um marco literário. Muitos de seus livros viraram filmes e séries, e o próprio escritor assinou algumas adaptações como roteirista, a começar por “Lúcia McCartney, Uma Garota de Programa” (1971), dirigida por David Neves. A mesma história, baseada em seu livro de 1967, virou série em 2016. Com “Relatório de um Homem Casado” (1974), iniciou grande amizade com Flávio Tambellini, que no ano seguinte rendeu seu primeiro roteiro original, “A Extorsão” (1975), escrito em parceira com o diretor, falecido logo após o lançamento. Rubem também trabalhou com o filho do cineasta, Flávio Ramos Tambellini, na adaptação de seu livro “Bufo & Spallanzani” (2001). O escritor assinou o roteiro original de “Stelinha” (1990), de Miguel Faria Jr., que venceu o Festival de Gramado, e estreou na TV com a adaptação de “Mandrake” (1983), telefilme produzido pela Globo com direção de Roberto Farias. Esta história ainda inspirou a série de mesmo nome, sobre um advogado do submundo carioca, vivido por Marcos Palmeira na HBO, entre 2005 e 2007. Um de seus maiores sucessos cinematográficos foi a adaptação de “A Grande Arte” (1991), que ele próprio escreveu para o diretor Walter Salles. Mas após trabalhar com alguns dos principais nomes do cinema brasileiro, o escritor foi encontrar seu grande parceiro das telas em sua própria casa: seu filho, o diretor José Henrique Fonseca. Os dois adaptaram “Agosto” numa minissérie da Globo em 1993 e trabalharam juntos na estreia de José Henrique no cinema, no violento “O Homem do Ano” (2003), roteirizado por Rubem, que pela primeira vez adaptou a obra de outro autor – Patrícia Melo – , e estrelado pela nora do escritor, Claudia Abreu. José Henrique também comandou as adaptações de “Mandrake” e “Lúcia McCartney” em séries. Outras obras adaptadas do escritor ainda incluem os longas “O Cobrador” (2006), dirigido pelo mexicano Paul Leduc, “O Caso Morel” (2006), de Sheila Feitel, e “Axilas” (2016), filme derradeiro do angolano José Fonseca e Costa. Curiosamente, a última contribuição de Fonseca para as telas foi também sua única telenovela. Ele concebeu a história original de “Tempo de Amar” com sua filha, a também escritora Bia Corrêa do Lago, que foi exibida com grande sucesso pela rede Globo, entre 2017 e 2018. Rubem Fonseca não concedia entrevistas há mais de 50 anos e sua reclusão ganhou ares de folclore. Mas ele não se impunha um auto-isolamento social. Segundo a filha, o objetivo de não ter o rosto fotografado ou exibido na TV era poder caminhar à vontade pelas ruas do Leblon. “Meu pai diz que a vantagem de não ser uma pessoa conhecida é poder olhar as coisas sem ser incomodado. Para ele, o escritor tem que observar, não ser observado”, contou ela em uma entrevista de 2015, quando o pai completou 90 anos. O escritor continuou ativo até o fim da vida, tendo publicado cinco livros de contos na década passada.
Premiada com o Emmy, Malhação: Viva a Diferença ganha reprise na Globo
A temporada mais famosa de “Malhação”, intitulada “Viva a Diferença”, vai voltar ao ar em versão especial compacta, nesta segunda-feira (6/4) na rede Globo. Vencedora do prêmio Emmy Kids Internacional de 2018, a fase fez tanto sucesso que deu origem até a uma série derivada, “As Five”, produzida para a plataforma Globoplay. Exibida originalmente entre 2017 e 2018, “Malhação: Viva a Diferença” foi, como sugere seu título, a mais diferente das versões da novelinha eterna da Globo. Para começar, foi a primeira temporada ambientada em São Paulo. Mais importante que isso, a primeira a valorizar a amizade feminina, em vez de namorinhos, e a integrar personagem LGBTQIA+ entre as protagonistas, retratada não como alívio cômico ou vítima de preconceito, mas ao estilo gente como a gente. Outro fato inovador aconteceu após sua exibição, quando se tornou a primeira fase de “Malhação” a ganhar spin-off. Na trama, tudo começa durante uma pane no metrô paulista, em que Lica (Manoela Aliperti), Ellen (Heslaine Vieira), Benê (Daphne Bozaski) e Tina (Ana Hikari) se veem presas no mesmo vagão em que Keyla (Gabriela Medvedovski) entra em trabalho de parto. O nascimento da criança se torna uma experiência impactante na vida das cinco garotas, que apesar de origens e personalidades distintas, tornam-se ligadas para sempre. Escrita pelo recém-falecido Bruno Lima Penido e pelo cineasta Cao Hamburger (de “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias” e “Xingu”), a produção rompeu com o padrão dos draminhas românticos que vinham se alternando em “Malhação” para abordar cinco histórias paralelas, que, além de ilustrar diferentes estilos de vida, formaram um panorama multicultural capaz de refletir a amplitude do universo jovem paulistano. Os temas se aprofundaram, da gravidez na adolescência à rejeição sofrida por jovens LGBTQIA+, passando pelo preconceito racial e de doença (autismo), sem esquecer do empoderamento feminino. Isto teve impacto na audiência e reconhecimento da crítica. “Malhação” se tornou programa maduro, sem perder seu foco original no público jovem. A volta de “Malhação: Viva a Diferença” à televisão é consequência da suspensão das gravações de novos programas do núcleo de dramaturgia da Globo, como forma de prevenção contra o avanço da pandemia de coronavírus no Brasil. A emissora estava preparando a estreia de uma nova temporada, “Malhação: Transformação”, quando suspendeu a produção geral de seus trabalhos. Mas a opção pela reprise da temporada premiada também funciona como esforço de sinergia, já que antecede o lançamento da continuação da história, “As Five”. Ainda sem data oficial de estreia, “As Five” tinha previsão de lançamento no segundo semestre na Globoplay, mas a crise sanitária pode ter mudado esses planos. A trama pretende mostrar o reencontro das cinco amigas, “três anos, seis meses e dois dias” depois dos acontecimentos de “Malhação: Viva a Diferença”. Algumas mudaram de cidade, outras se casaram e o até o bebê que as juntou cresceu, mas o motivo do reencontro, segundo tem sido divulgado, será um enterro – de Mitsuko (Lina Agifu), mãe de Tina. Tina continua morando em São Paulo e virou uma produtora musical ao lado do namorado, Anderson (Juan Paiva). Quando a notícia da morte de sua mãe chega nas amigas, ela recebe apoio das quatro para superar o momento difícil. Mas logo vai ficar claro que cada uma delas também atravessa uma crise particular e cada uma vai tentar ajudar a outra. Veja abaixo uma apresentação da história original de “Malhação: Viva a Diferença”.
Marianne Ebert (1968 – 2020)
A atriz Marianne Ebert morreu na terça (24/3), aos 51 anos, no Rio de Janeiro. O falecimento foi anunciado pelo amigo Miguel Falabella, que contou nas redes sociais que Marianne lutava há anos contra o câncer. Também coreógrafa e dançarina, Ebert atuou em duas novelas da Globo do começo dos anos 1990: “Barriga de Aluguel” (1990), em que viveu Drica, e “Sonho Meu” (1993), onde interpretou Irene. Ambas foram ao ar na faixa das 18h. Depois destes primeiros papéis, ela abandonou a carreira no Brasil, vivendo por 25 anos em Nova York, onde chegou a participar de algumas produções americanas, como figurante nos filmes ““Guerra dos Mundos” (2005), de Steven Spielberg, e “Confusões em Família” (2009), de Raymond De Felitta, além da série “Lei & Ordem: Crimes Premeditados”. Ela voltou ao Brasil para viver com a família, após ser diagnosticada com câncer de mama, que acabou se espalhando para ossos, fígado, pleura e, mais tarde, cérebro. Em 2014, participou de seu último filme, a comédia “Vestido pra Casar” (2014), estrelada por Leandro Hassum. “Querida Marianne, você foi uma guerreira e a vida não lhe deu tréguas. Anos e anos de luta contra essa maldita doença que lhe transtornou a vida, a carreira e acabou lhe vitimando”, lamentou Falabella. “Há entretanto um momento feliz e é sobre ele que eu jogo um foco de luz nesse momento de angústia: você vivendo a Sereiazinha, no palco do teatro Clara Nunes. Nós vivíamos cheios de sonhos naquela época. Que você possa descansar em paz”, completou. Ver essa foto no Instagram Querida Marianne, você foi uma guerreira e a vida não lhe deu tréguas. Anos e anos de luta contra essa maldita doença que lhe transtornou a vida, a carreira e acabou lhe vitimando. Há entretanto um momento feliz e é sobre ele que eu jogo um foco de luz nesse momento de angústia: você vivendo a Sereiazinha, no palco do teatro Clara Nunes. Nós vivíamos cheios de sonhos naquela época. Que você possa descansar em paz. Amor. Miguel. Marianne Ebert ❤️❤️❤️ Uma publicação compartilhada por miguelfalabellareal (@miguelfalabellareal) em 24 de Mar, 2020 às 10:51 PDT
Globoplay e outros serviços da Globo limitarão qualidade de vídeos para poupar a internet no Brasil
Em comunicado divulgado neste domingo (22/3), o grupo Globo anunciou que todos os seus serviços de streaming terão uma limitação na entrega de dados a partir de segunda-feira, em resposta ao aumento do consumo de dados da internet no país nos últimos dias, devido à quarentena forçada pela pandemia de coronavírus. “A medida tem como objetivo gerar um perfil de consumo de tráfego mais conservador para evitar um possível colapso da infraestrutura de troca de tráfego público e também garantir uma experiência de qualidade em todas as plataformas”, diz a emissora. Além da Globoplay, a iniciativa atinge também G1, Globoesporte.com, GShow e Globosat Play, limitando os vídeos da empresa à resoluções SD (standard) e, no máximo, 720p. As opções resoluções mais elevadas como 4K e Full HD (1080p) serão temporariamente suprimidas. “A medida só afeta o tráfego de dados, não havendo limites para a quantidade de vídeos nem para o total de horas consumidas”, completa a empresa. Medidas semelhantes já foram adotadas na Europa, onde Netflix e YouTube atenderam pedido da União Europeia para reduzir a qualidade das suas transmissões com o objetivo de diminuir a possibilidade de um colapso por excesso de consumo da internet. Por este motivo, a Globo diz esperar que “seu movimento seja acompanhado por outros provedores de serviços na Internet, especialmente os de streaming” no Brasil. Na sexta-feira (20/3), a Netflix já tinha dito que considerava a possibilidade de diminuir a qualidade de seus vídeos também no Brasil. “Começamos com a Europa, dadas as preocupações relatadas pelo comissário sobre as redes europeias. Continuaremos a trabalhar com provedores de serviços de Internet e governos de todo o mundo e aplicaremos essas mudanças conforme necessário em outros lugares.” A Globoplay também anunciou que vai oferecer partir desta segunda-feira todos os capítulos da primeira parte de “Amor de Mãe” para não assinantes.
Globo ameaça dispensar Stênio Garcia, que é socorrido por Gloria Perez
Desesperado por perder seu contrato fixo na Globo ao entrar em quarentena como precaução contra a pandemia de coronavírus, o ator Stênio Garcia fez um apelo nas redes sociais para ser contratado para algum trabalho e assim evitar ficar desamparado durante o isolamento. Ele acabou atendido pela autora Gloria Perez, que o escalou para sua próxima novela das nove. Aos 88 anos, o ator tinha sido avisado de de que, se até 30 de março não fosse reservado por um autor ou diretor, teria seu contrato automaticamente rompido. Em um vídeo publicado nas redes sociais de sua esposa, Marilena Saade, Stênio explicou a situação: “Meu nome é Stênio Garcia. Tenho 88 anos e quase 70 anos de carreira. Estou na Globo com contrato de prazo indeterminado desde 1973. No dia 4 de março recebi um cartão vermelho e se eu não for escalado ou reservado até o dia 30 de março terei o meu contrato abruptamente interrompido”, disse o ator, que em seguida pediu que autores escrevessem um papel para ele em suas produções na emissora. “Devido ao coronavírus, não posso sair de casa. Então, eu peço que os autores e diretores da Rede Globo que me escalem, que me reservem até o dia 30 de março, para que eu possa continuar trabalhando. “Meu trabalho, como vocês sabem, é a minha vida. E eu dependo disso para me manter vivo. Muito obrigado”, finalizou o ator. Garcia foi pego de surpresa com a possibilidade de ficar desempregado. Ele estava gravando a série “Filhas de Eva” desde novembro, trabalho que acabou em fevereiro passado. Dias depois, recebeu o ultimato, afirmando que seu contrato de prazo indeterminado com a Globo corria risco de ser rompido. O ator precisou ser medicado, pois apresentou queda de pressão. Ele buscou contato com muitas pessoas, entre elas Gloria Perez. “Eu liguei para ela. Ela tem um projeto, que não é para este ano, é para o ano que vem e eu estarei nele. É certo”, contou o ator ao blog Notícias da TV, do UOL. “Trabalhei em todos os projetos da Gloria, e agora será mais um”, completa Garcia. Quando a pandemia por causa do coronavírus passar, os dois devem se encontrar para acertar detalhes. Com a situação resolvida, ele e sua esposa agora passam a quarentena da covid-19 no sítio do casal, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Ver essa foto no Instagram Meu trabalho é minha vida . Por causa do #coronavirus não posso sair em campo e por isso estou usando a rede social da minha mulher para me pronunciar e de forma digna me comunicar com todos autores e diretores que nesse momento possam criar um personagem para mim . Conto com todos vocês 🙏🏻 Uma publicação compartilhada por Marilene Saade (@mari_saade) em 17 de Mar, 2020 às 10:51 PDT
Globo cancela novelas, libera Globoplay e amplia jornalismo
A TV Globo anunciou nesta segunda-feira (16/3) que vai promover uma mudança drástica na sua grade de programação da TV aberta, além de liberar o sinal de seus canais de TV por assinatura e parte da programação da plataforma Globoplay. Em comunicado, a emissora informou que as novelas sofrerão o maior impacto. “Algumas terão seus finais antecipados e outras terão que ser interrompidas mesmo”, informa a emissora. “Por que faremos isso? Porque evitar o contato físico é fundamental na estratégia da sociedade para conter a expansão do vírus. E não há novelas sem abraços, apertos de mãos, beijos, festas, cenas de briga, cenas de amor, cenas de carinho, tudo aquilo que reflete a vida real, mas que, hoje, não pode ser encenado em segurança.” No lugar das novelas, serão programadas reprises. “Malhação: Toda Forma de Amar” terá seu final antecipado para abril. Após o encerramento da atual temporada, entrará no ar um compacto de “Malhação: Viva a Diferença”, exibida originalmente de maio de 2017 a março de 2018. “Éramos Seis” vai terminar no dia 30 e será sucedida por um compacto de “Novo Mundo”, novela de 2017 sobre a chegada da família real portuguesa ao Brasil. Esta programação também servirá para lembrar ao público do tema, que será continuado pelo projeto da novela “Nos Tempos do Imperador”, dos mesmos criadores, que tinha previsão de estreia para abril e agora foi adiada por tempo indeterminado. “Salve-se Quem Puder”, a novela das 19h, ficará no ar até 28 de abril, quando termina seu estoque de capítulos gravados. Será feita uma pausa em sua exibição, que a Globo pretende retomar após a superação da crise na saúde. Enquanto isso, a emissora exibirá em seu horário uma versão compacta de “Totalmente Demais”, com estreia marcada para 30 de março. “Amor de Mãe” acaba ainda mais cedo, já neste sábado (21/3), quando sua primeira fase chegaria ao ápice. A segunda etapa da novela foi temporariamente suspensa e, a partir de segunda-feira (23/3), em seu lugar será exibida uma versão compacta de “Fina Estampa”. “É responsabilidade social, temos que dar o exemplo”, disse Regina Casé, estrela da novela “Amor de Mãe”, em entrevista ao “Jornal Nacional”, defendendo a decisão. O jornalismo, por sinal, vai ganhar maior espaço, chegando a ocupar 11 horas consecutivas da programação, das 4h da manhã às 15h. Segundo a emissora, a decisão leva em conta a possibilidade de produzir reportagens em segurança, “mitigando os riscos, evitando contatos físicos e redobrando medidas de higiene”. Isto também fará com que os programas vespertinos de variedades da emissora tenham sua exibição suspensa. “Mais Você”, “Encontro com Fátima Bernardes”, “Globo Esporte” e “Se Joga” deixarão de ser exibidos temporariamente. A partir desta terça (17/3), o primeiro programa de jornalismo a emissora, “Hora 1” entra no ar às 4h e será seguido pelo “Bom Dia” de cada região, de 6h às 8h30. O “Bom Dia Brasil” entra em seguida, ficando no ar até as 10h, quando vai estrear “Combate ao Coronavírus”, novo programa focado na pandemia. A rede Globo também programou a exibição de filmes no horário que receberiam jogos – todos os campeonatos foram cancelados. Além disso, liberou os sinais de todos os seus canais pagos, Gloob, Gloobinho, Canal Brasil, Multishow, GNT, SporTV, SporTV 2 e SporTV 3, GNT, VIVA, Universal TV, Studio Universal, Syfy, Telecine Premium, Telecine Action, Telecine Fun, Telecine Touch, Telecine Pipoca, Telecine Cult, Megapix, Mais Globosat, BIS e OFF, além da GloboNews. Para completar, o serviço de streaming Globoplay começa a disponibilizar, a partir desta segunda e por até 30 dias, diversos conteúdos gratuitamente para não assinantes, muitos deles voltados ao público infantil, como “Detetives do Prédio Azul”, “Escola de Gênios”, “Mya Go”, “Bob Zoom”, “Valentins” e “Dr. Calça Dimensional”. A lista ainda abrange séries adultas como “Shippados” e todas as temporadas de “Malhação”.












