Midway surpreende com estreia à frente de Doutor Sono na América do Norte
“Midway – Uma Batalha em Alto Mar” surpreendeu o mercado, ao abrir em 1º lugar nos Estados Unidos e Canadá com uma bilheteria de US$ 17,5 milhões. Mas os valores baixos da arredação indicam mais um problema de desempenho de “Doutor Sono”, terror que continua “O Iluminado” (1980) e entrou em cartaz cercado de expectativas. Imaginava-se uma vitória tranquila da mais nova adaptação de Stephen King. Entretanto, fez apenas US$ 14,1 milhões, em 2º lugar. Dirigido por Roland Emmerich, “Midway” recria a maior batalha natal da 2ª Guerra Mundial, que já tinha rendido um blockbuster em 1976 e foi considerado um longa à moda antiga (antiquado, em outras palavras), com aprovação de apenas 44% pela crítica cotada pelo site Rotten Tomatoes. Entretanto, o elenco com atores famosos e jovens populares – o cantor Nick Jonas, entre eles – , somada à expectativa de cenas de ação do diretor de “Independence Day” (1996), ajudou-o a vender mais ingressos que o estimado. “Doutor Sono” foi lançado em 500 salas a mais, o que só deve aumentar a incredibilidade da Warner, que imaginava repetir o fenômeno de “It – A Coisa”. Afinal, a produção agradou a crítica, com 74% de aprovação, e também conta com atores conhecidos – Ewan McGregor e Rebecca Ferguson. No entanto, os espectadores ficaram mais entusiasmados com “Midway”, e não apenas na bilheteria, conforme atesta a nota A no CinemaScore, que pesquisa a opinião do público, enquanto o terror atingiu um B+. Mesmo com a vitória, “Midway” não pode comemorar. US$ 17,5 milhões não é bilheteria de abertura digna para uma superprodução que custou mais de US$ 100 milhões. A Lionsgate não está em posição financeira confortável para somar um novo prejuízo em suas contas. A aposta, agora, é transformar a atenção gerada pela conquista norte-americana em atrativo para o mercado internacional. A estreia no Brasil vai acontecer na próxima semana, em 20 de novembro. O fim de semana ainda trouxe mais dois lançamentos aos cinemas da América do Norte. A trama infantil de “Brincando com Fogo”, estrelada por John Cena, e a comédia romântica natalina “Uma Segunda Chance para Amar”, com Emilia Clarke, abriram em 3º e 4º lugares, respectivamente. Ambos tiraram notas baixas junto à crítica e parecem produções típicas da Netflix. “Uma Segunda Chance para Amar” chega aos cinemas brasileiros em 28 de novembro, enquanto “Brincando com Fogo” tem previsão de estreia apenas para janeiro de 2020. O Top 5 se completa com “Exterminador do Futuro: Destino Sombrio”, que caiu do 1º para o 5º lugar em apenas uma semana. Fracasso nos EUA, onde ainda se arrasta para atingir US$ 50 milhões, a continuação de ficção científica está com praticamente US$ 200 milhões mundiais. Enquanto isso, “Coringa” continua em campanha para ingressar no clube dos bilionários. Se repetir a arrecadação deste fim de semana, a carteirinha de membro exclusivo será emitida já no próximo domingo (17/11). Ao todo, a adaptação dos quadrinhos atingiu com US$ 984,7 milhões mundiais neste fim de semana. Confira abaixo os rendimentos dos 10 filmes mais vistos no fim de semana nos Estados Unidos e no Canadá, e clique em seus títulos para ler mais sobre cada produção. BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. Midway – Batalha em Alto Mar Fim de semana: US$ 17,5M Total EUA e Canadá: US$ 17,5M Total Mundo: US$ 17,5M 2. Doutor Sono Fim de semana: US$ 14,1M Total EUA e Canadá: US$ 14,1M Total Mundo: US$ 19,7M 3. Brincando com Fogo Fim de semana: US$ 12,8M Total EUA e Canadá: US$12,8M Total Mundo: US$ 15,3M 4. Uma Segunda Chance para Amar Fim de semana: US$ 11,6M Total EUA e Canadá: US$ 11,6M Total Mundo: US$ 14,7M 5. Exterminador do Futuro: Destino Sombrio Fim de semana: US$ 10,8M Total EUA e Canadá: US$ 48,4M Total Mundo: US$ 199,3M 6. Coringa Fim de semana: US$ 9,3M Total EUA e Canadá: US$ 313,4M Total Mundo: US$ 984,7M 7. Malévola: Dona do Mal Fim de semana: US$ 8M Total EUA e Canadá: US$ 97,3M Total Mundo: US$ 430,3M 8. Harriet Fim de semana: US$ 7,2M Total EUA e Canadá: US$ 23,4M Total Mundo: US$ 23,4M 9. Zumbilândia: Atire Duas Vezes Fim de semana: US$ 4,5M Total EUA e Canadá: US$ 66,6M Total Mundo: US$ 101,9M 10. Família Addams Fim de semana: US$ 4,2M Total EUA e Canadá: US$ 91,4M Total Mundo: US$ 154,8M
Crise nas Infinitas Terras vai ganhar aftershow apresentado por Kevin Smith
A rede CW vai exibir seu primeiro “aftershow”. Trata-se de “Crisis Aftermath”, um programa dedicado aos eventos do crossover deste ano do Arrowverse, “Crise nas Infinitas Terras”, que será apresentado pelo cineasta Kevin Smith (“O Balconista”). O nome “aftershow” é derivado da primeira produção do gênero, “The After Show”, criado em 2006 pela MTV Canadá para acompanhar os realities “Laguna Beach” e “The Hills”. Este tipo de programa ganhou popularidade após o lançamento de “Talking Dead”, que vai ao ar nos Estados Unidos (e na Fox Premium no Brasil) após os episódios de “The Walking Dead”, mas nunca tinha sido realizado antes na TV aberta. “Crisis Aftermath” será exibido como programa especial. Por enquanto, tem confirmadas apenas duas edições, em 8 de dezembro, após a série “Supergirl”, e 10 de dezembro, após “The Flash”. São também os dois primeiros dias do crossover. Por coincidência, o apresentador Kevin Smith já dirigiu episódios das duas séries. A produção de um after-show também dá ideia da dimensão do crossover, da expectativa do canal para a audiência do evento e principalmente o impacto que “Crise nas Infinitas Terras” deverá ter nas séries de super-heróis da DC Comics exibidas pela CW. Espera-se mortes – Brandon Routh, intérprete de Ray Palmer/Atom/Elektron até já se despediu do público – e consequências drásticas para o futuro das séries – incluindo spin-offs e o final de “Arrow” – , resultante de uma narrativa sobre o fim do multiverso. Disparado o maior crossover já tentado na história da televisão, “Crise nas Infinitas Terras” será exibido entre dezembro e janeiro ao longo de cinco episódios individuais das séries “Arrow”, “The Flash”, “Supergirl”, “Legends of Tomorrow” e a estreante “Batwoman”. Embora sua série tenha ficado de fora desta lista, até o herói Raio Negro (Black Lightning) vai participar da produção. Sem esquecer personagens de séries e filmes clássicos da DC Comics, como “Smallville”, “Batman” (de 1966), “Batman do Futuro”, “Superman – O Retorno”, “Birds of Prey” e outras produções. Veja abaixo o anúncio do programa nas redes sociais. Ver essa foto no Instagram #CrisisOnInfiniteEarths is coming, and so is the aftershow! Crisis Aftermath, hosted by @thatkevinsmith, will go in-depth to explore every angle of this year’s 5-episode crossover! Uma publicação compartilhada por Arrow (@cw_arrow) em 8 de Nov, 2019 às 2:25 PST
Finais de Arrow, Supernatural e The Good Place têm datas de exibição definidas
As redes americanas The CW e NBC divulgaram as datas em que “Arrow”, “Supernatural” e “The Good Place” vão acabar. A primeira baixa acontecerá na CW, com o final de “Arrow” programado para o dia 28 de janeiro, duas semanas após a conclusão do crossover “Crise nas Infinitas Terras”. A série que deu origem ao Arrowverse se encerrará em sua 8ª temporada, mas deixará um legado duradouro de personagens e produções derivadas, além de um novo spin-off centrado em heróis remanescentes da atração. Dois dias depois, será a vez de “The Good Place” se despedir na NBC. O final será um episódio especial de 90 minutos, com exibição marcada para 30 de janeiro nos Estados Unidos. A decisão de concluir a trama de forma precoce, na 4ª temporada, foi do próprio criador da atração, Mike Schur, com o objetivo de contar uma história completa e preservar a qualidade do programa – uma das séries de comédia mais bem-avaliadas da TV americana. “Supernatural” se despedirá bem mais tarde, no dia 18 de maio, após 15 temporadas. Série mais duradoura da CW – é anterior à própria fundação do canal, que surgiu da fusão de dois outros – , vai sair do ar sem ter rendido nenhum spin-off – mas não por falta de tentativas. “Arrow” e “Supernatural” são exibidas pelo canal pago Warner no Brasil, enquanto “The Good Place” pode ser vista pela Netflix.
Coringa vira a adaptação de quadrinhos mais lucrativa de Hollywood
De acordo com as contas da revista Forbes, “Coringa” se tornou o filme de quadrinhos mais lucrativo de Hollywood. O longa dirigido por Todd Phillips superou a arrecadação mundial de US$ 950 milhões nesta sexta (8/11), o que representa mais de 15 vezes o seu orçamento de US$ 62,5 milhões. Mas o mais curioso é que “Vingadores: Ultimato”, filme de maior bilheteria em todos os tempos, nem entra no Top 5 de lucratividade apresentado pela publicação. Antes de “Coringa”, a adaptação que mais deu retorno financeiro tinha sido “O Máskara”, que arrecadou US$ 351 milhões com um orçamento de US$ 26 milhões. Ainda segundo a Forbes, o Top 5 do gênero se completa com “Venom” (faturou US$ 854 milhões com um orçamento de US$ 90 milhões), “Batman” (US$ 411 milhões com um orçamento de US$ 35 milhões) e “Deadpool” (US$ 783 milhões com um orçamento de US$ 58 milhões). Este ranking, entretanto, não considera as despesas de marketing e divulgação, nem as variações de impostos e taxas sobre os filmes em diferentes países – na China, por exemplo, o retorno para Hollywood é de apenas 25% da arrecadação. O que torna o termo “lucrativo” impreciso. De todo modo, a Forbes prevê que “Coringa” ultrapassará US$ 1 bilhão nas bilheterias. Quando isso acontecer, a produção da Warner irá bater um recorde mais mensurável, tornando-se o filme mais barato a atingir a marca – até o momento, “Jurassic Park” tem essa honra, por ter custado US$ 63 milhões.
Stephen Amell compartilha foto de sua última cena como Arqueiro Verde
O ator Stephen Amell postou no Twitter a foto da última cena em que veste o uniforme de Arqueiro Verde. Em clima de despedida com o fim de “Arrow”, o ator escreveu “Uma última vez” ao lado da imagem (acima), dando adeus ao personagem que interpreta desde 2012. Os fãs, porém, podem encarar a despedida de forma positiva. Como o ator encerrou sua participação no crossover “Crise nas Infinitas Terras” há duas semanas, aumentam as chances de Oliver/Arqueiro Verde contrariar as previsões pessimistas e sobreviver ao fim do multiverso das séries da DC Comics. Em sua reta final, “Arrow” tem apresentado alguns dos melhores episódios já escritos e produzidos de toda a série. Vai terminar no auge por decisão do próprio Amell, mas deixará um grande legado. Na verdade, um universo de séries, chamado apropriadamente de Arrowverso, além de um spin-off com os personagens remanescentes. “Arrow” vai acabar em janeiro, duas semanas após o crossover “Crise nas Infinitas Terras”. No Brasil, a série é exibida pelo canal pago Warner. Ver essa foto no Instagram One last time. Uma publicação compartilhada por Stephen Amell (@stephenamell) em 7 de Nov, 2019 às 2:02 PST
Arrow: Prévia mostra encontro emocionante entre Arqueiro Verde e seus filhos do futuro
A rede The CW divulgou o trailer e uma cena completa do próximo episódio de “Arrow”, que destacam o emocionante encontro entre Oliver/Arqueiro Verde (Stephen Amell) e seus filhos já crescidos, Mia (Katherine McNamara) e William (Ben Lewis), transportados do futuro. A viagem no tempo vai juntar as duas narrativas que corriam paralelas na série, preparando também o lançamento do spin-off centrado em Mia, a filha rebelde do herói. Como mostra o trailer, não foi apenas o Team Arrow do futuro que viajou a 2019. E os times do presente e do futuro precisarão se juntar para enfrentar o Exterminador (Deathstroke) de 2040, filho de John Diggle (David Ramsey). Em sua reta final, “Arrow” vai acabar em janeiro, após um último crossover com as séries dos Arrowverso, intitulado “Crise nas Infinitas Terras”. No Brasil, a série é exibida pelo canal pago Warner.
Colin Farrell negocia papel de Pinguim no novo filme de Batman
A produção de Batman deu uma acelerada nesse começo de semana com novas negociações de elenco. Após as discussões com Andy Serkis (“Pantera Negra”) vazarem na imprensa, agora vem a notícia de que Colin Farrell (“Dumbo”) está conversando com o diretor Matt Reeves (“Planeta dos Macacos: A Guerra”) sobre o papel de Pinguim. Assim como aconteceu em relação ao Alfred de Serkis, a Warner não fez um anúncio oficial, mas as negociações com Farrell já chegaram nas publicações americanas que cobrem a indústria cinematográfica. Anteriormente, a Warner chegou a ter conversas com Jonah Hill sobre o papel de Pinguim, mas o acordo não foi finalizado por divergências financeiras e criativas. Caso confirmados, Serkis e Farrell vão se juntar Robert Pattinson (“Bom Comportamento”), que vai interpretar o herói em “The Batman”, substituindo Ben Affleck após três filmes (“Batman vs. Superman”, “Esquadrão Suicida” e “Liga da Justiça”), além de Jeffrey Wright (“Westworld”) como Comissário Gordon, Zoë Kravitz (“Big Little Lies”) como Mulher-Gato e Paul Dano (“12 Anos de Escravidão”) como Charada. Escrito e dirigido por Matt Reeves, “The Batman” tem previsão de estreia para junho de 2021.
Andy Serkis negocia viver Alfred no novo filme de Batman
O novo filme de Batman definiu mais um intérprete de personagem importante da mitologia dos quadrinhos da DC Comics. O ator Andy Serkis, que viveu o vilão Ulysses Klaue em “Pantera Negra”, está negociando o papel de Alfred Pennyworth, o mordomo de Bruce Wayne. O diretor do filme conhece bem Serkis. Matt Reeves comandou dois longas da franquia “Planeta dos Macacos”, em que o ator inglês deu vida ao macaco César (Caesar). O papel não deve ser grande, porque Serkis também está bastante ocupado com a pré-produção de sua própria produção de super-herói, “Venom 2”, que ele vai dirigir. Ou, então, as filmagens de “The Batman” não devem começar tão cedo. A Warner ainda não fez um anúncio oficial, mas a notícia das negociações com Serkis já chegou nas publicações americanas que cobrem a indústria cinematográfica. O ator Robert Pattinson (“Bom Comportamento”) vai interpretar o herói em “The Batman”, substituindo Ben Affleck, que viveu o personagem em “Batman vs. Superman”, “Esquadrão Suicida” e “Liga da Justiça”. A produção também já escalou Jeffrey Wright (“Westworld”) como Comissário Gordon, Zoë Kravitz (“Big Little Lies”) como Mulher-Gato e Paul Dano (“12 Anos de Escravidão”) como Charada. Escrito e dirigido por Matt Reeves (“Planeta dos Macacos: A Guerra”), “The Batman” tem previsão de estreia para junho de 2021.
Scorsese vs Marvel: Diretor continua guerra infinita com novo ataque publicado no New York Times
Martin Scorsese está transformando sua crítica sobre como a Marvel reduz o cinema a franquias de parques temáticos numa franquia em si mesma. O novo capítulo dessa guerra infinita foi publicado na segunda-feira (4/11) na forma de um artigo opinativo no jornal The New York Times, que não acrescenta elementos novos na discussão, mas reforça tudo o que diretor já disse. Enquanto a manchete do ensaio (“Martin Scorsese: Eu disse que os filmes da Marvel não são cinema. Deixe-me explicar”) parece potencialmente conciliatória, o texto do cineasta só oferece desdém à Marvel Studios. Seu alvo principal é a mitologia abrangente dos filmes e sua abordagem formulística. “Alguns dizem que as filmes de Hitchcock eram todos parecidos, e talvez isso seja verdade – o próprio Hitchcock se questionou sobre isso. Mas a mesmice dos filmes de franquia de hoje é outra coisa diferente. Muitos dos elementos que definem o cinema como eu o conheço estão nos filmes da Marvel. O que não existe é revelação, mistério ou perigo emocional genuíno. Nada está em risco. Os filmes são feitos para satisfazer um conjunto específico de demandas de consumo e projetados como variações em um número finito de temas”. “Muitos filmes de franquia são feitos por pessoas de considerável talento e arte. Você pode ver isso na tela. O fato de os filmes em si não me interessarem é uma questão de gosto e temperamento pessoal. Sei que, se eu fosse mais jovem, se tivesse amadurecido mais tarde, ficaria empolgado com esses filmes e talvez até quisesse fazer um. Mas eu cresci quando cresci e desenvolvi um senso de cinema – do que é cinema e do que poderia ser – que passa tão longe do universo Marvel quanto nós, na Terra, de Alpha Centauri.” Vale considerar que, se fosse mais velho, Scorsese também não teria problema em se empolgar com a Marvel, já que teria crescido em meio aos seriados de aventura, que inventaram o termo “cliffhanger” e a falta de perigo emocional genuíno. Seu contemporâneo George Lucas é o primeiro a admitir ter se inspirado nos seriados dos anos 1930 e 1940, em particular “Flash Gordon” (por sinal, também uma adaptação de quadrinhos), para criar “Star Wars”. E, de fato, é muito interessante que Scorsese reclame da Marvel, mas silencie sobre “Star Wars”, de seu amigo Lucas, ou sobre outras franquias de colegas prestigiados, como “Jurassic Park”, de Steven Spielberg, “Aliens”, de Ridley Scott, “O Senhor dos Anéis”, de Peter Jackson, e “O Exterminador do Futuro”, de James Cameron. Até Francis Ford Coppola, que ecoou seus ataques contra a fábrica de franquias da Marvel, desenvolveu seu próprio universo cinematográfico com três “O Poderoso Chefão”. Para Scorsese, o problema é amplificado pela natureza interconectada dos filmes da Marvel e o uso de personagens arquetípicos, enredos melodramáticos e riscos supostamente sem consequências, que reduziriam os filmes de super-heróis a algo artisticamente estridente e economicamente perigoso para o futuro do cinema. “Eles são sequências no nome, mas remakes em espírito, e tudo neles é oficialmente sancionado porque não pode realmente ser de outra maneira. Essa é a natureza das franquias modernas de cinema: pesquisadas no mercado, testadas pelo público, avaliadas, modificadas, reavaliadas e refeitas novamente até estarem prontas para o consumo. Outra maneira de dizer seria que eles são tudo o que os filmes de Paul Thomas Anderson ou Claire Denis ou Spike Lee ou Ari Aster ou Kathryn Bigelow ou Wes Anderson não são. Quando assisto a um filme de qualquer um desses cineastas, sei que vou ver algo absolutamente novo e ser levado a áreas de experiência inesperadas e talvez até inomináveis. Meu senso do que é possível ao contar histórias com imagens e sons em movimento será expandido.” A visão de Scorsese reflete uma escola de cinema que busca pensar o diretor como autor de obras de identidades claramente definidas. Para ele, os filmes da Marvel são produções de comitê, mais criação de um produtor, no caso Kevin Feige, do que de cineastas e, portanto, seriam todos iguais. Mas é importante lembrar que essa mesma escola de pensamento, desenvolvida entre os anos 1950 e 1960 na revista francesa Cahiers do Cinema, destacava que diretores como Hitchcock, John Ford e outros mestres de Hollywood criaram obras autorais num sistema de estúdio muito mais opressivo que o atual, que os tratava como meros funcionários de projetos encomendados. Se algum dia assistir aos filmes da Marvel, Scorsese perceberá que deve desculpas a colegas de profissão por usar esse argumento. “Guardiões da Galáxia” de James Gunn, “Thor: Ragnarok”, de Taika Waititi, e “Pantera Negra”, de Ryan Coogler, são tão autorais quanto os títulos de qualquer um dos cineastas citados por ele. Além disso, as produções são muito diversas entre si. O tom de espionagem setentista de “Capitão América: Guerra Civil” não tem nada a ver com o humor escrachado de “Homem-Formiga e a Vespa”. E há, sim, um envolvimento emocional genuíno do público em relação ao destino dos personagens. A morte do Tony Stark, de Robert Downey Jr., em “Vingadores: Ultimato”, gerou comoção tão grande quanto o destino de Jack, de Leonardo DiCaprio, em “Titanic”, filme vencedor de 11 Oscars. Mas, para Scorsese, a abordagem de franquia dos filmes da Marvel estaria sufocando o cinema “de verdade”. “Há entretenimento audiovisual mundial e há cinema. Eles ainda se sobrepõem de tempos em tempos, mas isso está se tornando cada vez mais raro. E temo que o domínio financeiro de um esteja sendo usado para marginalizar e até menosprezar a existência do outro. Para quem sonha em fazer filmes ou está apenas começando, a situação neste momento é brutal e inóspita para a arte. E o simples ato de escrever essas palavras me enche de uma tristeza terrível. ” A frase final revela que o problema, na verdade, pode ser outro. “Pantera Negra”, por exemplo, foi considerado cinema, no sentido mais artístico possível, pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, tornando-se o primeiro lançamento do gênero indicado ao Oscar de Melhor Filme. Não apenas isso. “Coringa” venceu o Festival de Veneza, reduto tradicional do cinema de arte. E agora Scorsese encara a possibilidade concreta de a adaptação de quadrinhos de Todd Phillips disputar o Oscar 2020 como favorito contra, vejam só, seu novo filme, “O Irlandês”. Ele desqualifica o gênero “filmes de super-heróis” como um todo, no momento que seus pares valorizam cada vez mais os aspectos artísticos desse mesmo gênero. Não só isso. A insistência de Scorsese com o assunto Marvel não deixa de ser um estratagema para desviar atenção de seu problema particular com a questão. Afinal, seu novo filme é uma produção da Netflix, que foi boicotada pelos donos das salas de cinemas. Para os exibidores, “O Irlandês” não seria cinema “de verdade”. Ao polemizar de forma gratuita com o estúdio dos super-heróis, o cineasta busca claramente mudar de assunto e evitar a polêmica que o envolve. A estridência de Scorsese contrasta com que sua turnê de divulgação de “O Irlandês” não aborda de jeito nenhum. Afinal, “O Irlandês” é cinema ou filme para ver no celular? Netflix é cinema? A Academia deve premiar filmes feitos para streaming? Spielberg já disse que não, que filmes da Netflix, como “O Irlandês”, são telefilmes e deveriam concorrer ao Emmy. Qual a opinião de Scorsese sobre isso? O que ele tem a dizer sobre o tema, contribuindo para uma discussão que pode realmente definir os rumos da arte cinematográfica? Nada. Absolutamente nada. Ou melhor, diz que tanto faz. “Não importa com quem você faça seu filme, o fato é que as telas na maioria dos multiplex estão repletas de filmes de franquias”. E, de fato, tem sido assim… por toda a História do cinema – ou, pelo menos, desde 1916, quando a sequência do infame “O Nascimento de uma Nação” entrou em cartaz.
Novo Exterminador do Futuro perde para Malévola e Coringa em sua estreia no Brasil
“O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio” repetiu no Brasil o clima de decepção que cerca seu lançamento mundial. A estreia do longa rendeu apenas o 3º lugar no ranking, com R$ 6,7 milhões em ingressos vendidos e público de 373 mil pessoas no fim de semana, segundo levantamento da consultoria Comscore. O desempenho foi pior que filmes que já estão há tempos em cartaz. “Malévola — Dona do Mal” manteve a liderança nas bilheterias nacionais, com público de 517 mil pessoas e faturamento de R$ 9 milhões em ingressos. Após três fins de semana, o conto de fadas sombrio arrecadou R$ 56 milhões e foi visto por 3,4 milhões de brasileiros. “Coringa” foi o segundo filme mais assistido do fim de semana, com 405 mil espectadores e arrecadação de R$ 7,4 milhões. Em cinco semanas no circuito nacional, o longa acumula bilheteria de R$ 136,2 milhões e público de 8,5 milhões de espectadores. Única estreia brasileira a emplacar no Top 10, a comédia “Maria do Caritó” abriu em 8º lugar entre os mais assistidos entre quinta e domingo (3/11). O filme com Lilia Cabral foi exibido em 83 salas, visto por 17 mil pessoas e rendeu R$ 298 mil. Confira abaixo a lista dos dez filmes de maior bilheteria no Brasil, no levantamento semanal da consultoria Comscore. TOP 10 #bilheteria #cinema Final Semana 30/10 a 3/11:1. Malévola – Dona do Mal2. Coringa 3. Exterminador do Futuro4. A Familia Adams5. Zumbilandia – Atire Duas Vezes6. A Odisseia dos Tontos7. Downtown Abbey – O Filme8. Maria do Caritó9. Projeto Gemini10. Angry Birds 2 — Comscore Movies BRA (@cSMoviesBrazil) November 4, 2019
Scorsese admite ter considerado produzir Coringa, “uma obra notável”
Martin Scorsese admitiu que considerou produzir “Coringa”, estrelado por Joaquin Phoenix, que é claramente inspirado por sua filmografia – em particular, pelos filmes “Taxi Driver” e “O Rei da Comédia”. Em entrevista para a BBC, o cineasta disse que pensou muito sobre o longa nos últimos quatro anos e ainda citou a participação de Emma Tillinger Koskoff, sua colaboradora de longa data, na produção do filme da DC. “Decidi que não tinha tempo para isso. Todd me disse ‘Marty, isso é seu’ e eu respondi ‘Não sei se eu quero’. Por razões pessoais, eu não quis me envolver, mas conheço o roteiro muito bem”, contou Scorsese, citando o diretor Todd Phillips. Ele elogiou o resultado final. “Tem uma energia real e Joaquin. É uma obra notável”. Mas afirmou que adaptações de quadrinhos não são a sua praia. “Não poderia fazer o passo seguinte, que é transformar a abstração do Coringa num personagem de quadrinhos. Isso não significa que é uma forma de arte ruim, apenas não é para mim … Os filmes de super-heróis, como eu disse, são outra forma de arte. Eles não são fáceis de fazer. Muitas pessoas muito talentosas estão fazendo um bom trabalho e muitos jovens realmente gostam deles. Mas eu realmente acho que é a extensão de um parque de diversões”. Scorsese se envolveu em uma polêmica recentemente ao afirmar que os lançamentos da Marvel “não são cinema”. Posteriormente, ele aprofundou o comentário, citando que gostaria de mais apoio das redes de cinema, que “parecem estar mais favoráveis a parques de diversão e filmes de histórias em quadrinhos”. Scorsese, na verdade, fez várias declarações sobre o tema, ao divulgar “O Irlandês”, seu novo filme que será lançado na Netflix – que, segundo outros dizem, não é cinema. Veja a entrevista integral de Scorsese para a BBC no vídeo abaixo.
Estreia em 1º lugar não impede Destino Sombrio da franquia Exterminador do Futuro
“O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio” estreou em 1º lugar nas bilheterias dos Estados Unidos e Canadá, mas com um rendimento muito abaixo das expectativas do estúdio. Concebido para abrir uma nova trilogia, teve a tarefa muito dificultada pelo faturamento de US$ 29M (milhões) no final de semana. As projeções indicavam uma estreia de US$ 40M, o que já seria problemático para uma produção com orçamento de US$ 185M. Ainda assim, a falta de empolgação do público norte-americano foi compensada por bom desempenho internacional. O filme rendeu mais US$ 94,6M no exterior, puxado pelo mercado chinês (US$ 28M), chegando a um total mundial de US$ 123,6M. Mas, apesar do dinheiro chinês (só 25% dele retorna a Hollywood), vai dar prejuízo. E será a segunda superprodução milionária do cineasta James Cameron a implodir finanças em 2019, após o fracasso comercial de “Alita: Anjo de Combate”. Para aumentar a preocupação da Disney, Cameron trabalha em continuações de “Avatar” orçadas em US$ 1 bilhão. O alerta deve estar piscando em vermelho na mesa do CEO Bob Iger. Sem aliviar, o filme ainda dividiu opiniões entre a crítica. Conseguiu 69% de aprovação no Rotten Tomatoes, mas apenas 55% entre os críticos top (da grande imprensa). Falando candidamente sobre os bastidores da produção, Cameron confessou ter entrado em brigas ferozes com o diretor Tim Miller sobre a edição do filme. “O sangue ainda está escorrendo das paredes”, admitiu, em tom quase de brincadeira. O Top 3 do fim de semana norte-americano completou-se com “Coringa”, que praticamente atingiu US$ 300M no mercado doméstico, e “Malévola: Dona do Mal”, outro desastre financeiro de 2019. As bilheterias registraram ainda três novas estreias. Cinebiografia da ex-escrava abolicionista Harriet Tubman, “Harriet” abriu em 4º lugar com US$ 12M de arrecadação e elogios rasgados da imprensa (77% de aprovação entre os tops do Rotten Tomatoes). Apesar do circuito limitado e críticas medianas (55% dos tops), o suspense noir “Brooklyn Sem Pai nem Mãe”, dirigido e estrelado por Edward Norton, também conseguiu entrar no Top 10. Apareceu em 9º lugar, à frente da animação “Arctic Dogs”, um desastre com grande distribuição e pouca recomendação (17% no RT). Destes últimos, apenas “Brooklyn Sem Pai nem Mãe” tem estreia marcada no Brasil: em 5 de dezembro. Confira abaixo os rendimentos dos 10 filmes mais vistos no fim de semana nos Estados Unidos e no Canadá, e clique em seus títulos para ler mais sobre cada produção. BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. Exterminador do Futuro: Destino Sombrio Fim de semana: US$ 29M Total EUA e Canadá: US$ 29M Total Mundo: US$ 123,6M 2. Coringa Fim de semana: US$ 13,9M Total EUA e Canadá: US$ 299,6M Total Mundo: US$ 934M 3. Malévola: Dona do Mal Fim de semana: US$ 12,1M Total EUA e Canadá: US$ 84,3M Total Mundo: US$ 383,2M 4. Harriet Fim de semana: US$ 12M Total EUA e Canadá: US$ 12M Total Mundo: US$ 12M 5. Família Addams Fim de semana: US$ 8,49M Total EUA e Canadá: US$ 85,2M Total Mundo: US$ 129,2M 6. Zumbilândia: Atire Duas Vezes Fim de semana: US$ 7,3M Total EUA e Canadá: US$ 59,3M Total Mundo: US$ 87,1M 7. A Hora da sua Morte Fim de semana: US$ 5,8M Total EUA e Canadá: US$ 17,7M Total Mundo: US$ 21,4M 8. Black and Blue Fim de semana: US$ 4M Total EUA e Canadá: US$ 15,4M Total Mundo: US$ 15,5M 9. Brooklyn Sem Pai nem Mãe Fim de semana: US$ 3,6M Total EUA e Canadá: US$ 3,6M Total Mundo: US$ 3,6M 10. Arctic Dogs Fim de semana: US$ 3,1M Total EUA e Canadá: US$ 3,1M Total Mundo: US$ 3,1M
Coringa ultrapassa US$ 900 milhões de bilheteria mundial
O filme “Coringa”, estrelado por Joaquin Phoenix, ultrapassou os US$ 900 milhões de bilheteria mundial na noite de sábado (2/11). De acordo com analistas americanos, o longa, que estreou em outubro, terminará sua passagem pelos cinemas com uma arrecadação em torno dos US$ 950 milhões. A produção pode até atingir a marca do US$ 1 bilhão, mas a possibilidade é bem pequena. Mesmo sem se tornar bilionário, o filme já é considerado um dos maiores sucessos da história do estúdio Warner, porque custou apenas US$ 55 milhões para ser produzido e não dispendeu rios de dinheiro em publicidade. Há, inclusive, quem defenda que “Coringa” deu mais lucro para a Warner que o recordista histórico “Vingadores: Ultimato” para a Disney, pelo investimento gigantesco naquela produção. A adaptação dos quadrinhos da DC Comics ainda detém um recorde de arrecadação como o filme com classificação etária “R” (para maiores nos Estados Unidos) de maior bilheteria mundial em todos os tempos. Mas este título é discutível, uma vez que a classificação “para maiores” não se sustenta em muitos países. Na França, por exemplo, “Coringa” foi exibido para maiores de 12 anos. No Brasil, para maiores de 16 anos. O longa é para maiores nos Estados Unidos e em poucos países mais – nem o Canadá adotou essa classificação. E foi justamente a falta de censura mais elevada que ajudou o filme a virar sucesso internacional. Não por acaso, a maior parte de sua fortuna vem do exterior – US$ $588,8 milhões, contra US$ 289,5 milhões no mercado doméstico.









