Zack Snyder revela função do Coringa em sua versão de Liga da Justiça
O diretor Zack Snyder revelou porque quis incluir o Coringa, interpretado por Jared Leto, em sua nova versão de “Liga da Justiça”. Em entrevista ao canal do YouTube TheFilmJunkee, ele contou que o vilão será responsável pela chamada “Knightmare Timeline”, uma distopia futurista, que foi vislumbrada em um pesadelo do Batman (Ben Affleck) em “Batman Vs Superman – A Origem da Justiça”. Nesta visão distorcida do futuro, o Superman (Henry Cavill) é corrompido por Darkseid e torna-se um ditador do planeta, a serviço do alienígena. Snyder mencionou que o Coringa estará envolvido no roubo de uma Caixa Materna que dará início a este pesadelo de Bruce Wayne. Não está claro o quanto isso será aprofundado no filme – pode ser apenas uma cena de delírio ou um grande pedaço da trama – , mas o diretor está considerando a possibilidade de continuar essa história nos quadrinhos, numa parceria com o desenhista, roteirista e chefão da DC, Jim Lee. Esta continuação provavelmente lidaria com a morte de Robin, nesse universo alternativo, pelas mãos do Coringa. “Eu sempre pensei que, de certa forma, os conflitos que acontecem ali são parte do Bruce revivendo os eventos da morte do Robin, e o que se deu com isso. Seria uma publicação interessante, mesmo que fosse apenas a história dessa morte”, considerou o diretor. A “Liga da Justiça” de Zack Snyder será lançada como uma minissérie de cerca de 4 horas de duração na HBO Max no começo de 2021. Snyder estima um lançamento em março, mas a plataforma ainda não oficializou a data.
Relançar Liga da Justiça em streaming vai custar mais que filmar Coringa inteiro
Parece incrível demais para ser verdade, mas o fato é que o famoso “Snyder Cut”, versão da “Liga da Justiça” do diretor Zack Snyder, que supostamente só precisava de pequenos ajustes para ser lançado, tem um orçamento de pós-produção maior que toda a filmagem de “Coringa”. O filme de Todd Phillips, que virou um fenômeno pop, faturou mais de US$ 1 bilhão nas bilheterias e rendeu o Oscar de Melhor Ator para Joaquin Phoenix, custou somente US$ 55 milhões para ser filmado, pós-finalizado e entregue para a Warner colocar nos cinemas. Entretanto, os retoques de Zack Snyder em “Liga da Justiça” vão custar US$ 70 milhões para o mesmo estúdio. Detalhe: a versão de “Liga da Justiça” exibida nos cinemas já tinha consumido mais de US$ 300 milhões. Em contraste com o sucesso de “Coringa”, o longa de 2017 foi destruído pela crítica (40% de aprovação no Rotten Tomatoes) e se tornou o maior fracasso de público dentre as adaptações da DC Comics neste século. Deu prejuízo com uma bilheteria mundial de US$ 657 milhões. Apesar desse retrospecto, a Warner espera que as reclamações dos fãs contra o filme se reflitam em interesse em ver como a nova cirurgia cinematográfica mudou sua aparência, retirando os enxertos de Joss Whedon, acrescentados de última hora, e inserindo mais de duas horas de cenas inéditas. Isto mesmo, o lançamento terá pelo menos 4 horas de duração e será disponibilizado como uma minissérie de quatro partes na plataforma de streaming HBO Max. Mas o orçamento exagerado para estender o que foi basicamente um grande fiasco já começou a ser explorado de modo negativo, virando piada na internet. Um antigo escritor dos quadrinhos da Liga não deixou de reconhecer a esperteza de Snyder para deixar a Warner completamente enrolada em sua megalomania. Em seu twitter, Dan Slott ironizou: “Eu tenho uma versão do diretor de um filme que quero lançar. O filme está pronto. Totalmente pronto. Na minha mão. Ele existe. Um filme completamente real e tangível. Já finalizado. Eu só preciso de US$ 70 milhões para refilmagens”… I have a director's cut of a film I'd like to release.The film is in the can.Totally in the can.Can in hand.It absolutely exists.A completely real and tangible film.That is all finished. I just need $70 million dollars for reshoots. — Dan Slott (@DanSlott) September 24, 2020
Dennis O’Neil (1939 – 2020)
O escritor e editor Dennis “Denny” O’Neil, um dos melhores roteiristas dos quadrinhos da DC Comics em todos os tempos, morreu na quinta (11/6) em sua casa de causas naturais, aos 81 anos. Ele nasceu no mês e no ano em que Batman estreou nos quadrinhos e foi responsável pelas mudanças mais importantes da trajetória do personagem. Mas, curiosamente, sua carreira começou na editora rival, contratado pelo próprio Stan Lee para escrever para a Marvel nos anos 1960. Seu começo foi com histórias do Doutor Estranho e dos X-Men. Mas, para completar sua renda, ainda desenvolvia tramas para a editora Charlton, sob pseudônimo. Só que esse “segredo” foi por terra quando o editor da Charlton, Dick Giordano, foi contratado para comandar a DC em 1968 e decidiu levar consigo seus roteiristas favoritos. Dennis, que na época assinava Denny O’Neil, foi responsável por uma revolução nos quadrinhos da DC. Em suas histórias, tornou-se pioneiro na abordagem de temas sociais em quadrinhos de super-heróis, especialmente na publicação que juntou Lanterna Verde e Arqueiro Verde numa jornada pelos rincões dos EUA. Em vez de supervilões, os personagens se depararam com racismo, miséria e vício em drogas. A história em que o antigo parceiro mirim do Arqueiro, Ricardito (Speedy), revelou-se viciado é considerada até hoje uma das mais impactantes e relevantes do gênero. Estes quadrinhos foram os primeiros a chamar atenção da grande imprensa para o fato de que super-heróis podiam ser mais que diversão infantil. “Eu saí da obscuridade total para ver meu nome em destaque no The New York Times e ser convidado para fazer talk shows”, lembrou O’Neil numa entrevista de 1986. O’Neil também tirou os super-poderes da Mulher-Maravilha, explorando sua identidade de Diana Prince em histórias de espionagem, mudou pela primeira vez a formação da Liga da Justiça, mas nenhuma dos personagens da editora foi tão afetado por seus textos quanto Batman. Na época, ninguém queria escrever Batman. O personagem estava desacreditado na editora, após ser ridicularizado na série de TV, exibida entre 1966 e 1968. Ele recebeu a missão de salvar o herói. E sua ideia foi mergulhar fundo nas trevas. Batman sofreu um reboot completo, sem que O’Neil anunciasse que era isso que estava fazendo. Para começar, tirou Robin de cena – faculdade, briga, rompimento, Titãs, etc – deixando Batman sozinho pela primeira vez em 30 anos. Um por um, ele também foi reintroduzindo os vilões clássicos. O’Neil foi quem explorou a loucura do Coringa, transformando o palhaço do crime num psicopata assassino. Fez o mesmo com o Duas Caras, etc. E ainda criou um dos maiores inimigos do herói, Ra’s Al Ghul, assim como o maior amor – Tália, a filha do vilão. O escritor também criou a personagem coadjuvante Leslie Thompkins. E suas histórias desenhadas por Neal Adams, Jim Aparo e Dick Giordano figuram entre as mais influentes já feitas sobre Batman. Ele também ajudou a ressuscitar O Sombra, personagem da era do rádio e dos pulps, que sob sua direção se transformou em personagem da DC, e ainda assinou a famosa graphic novel da luta entre Superman e Muhammad Ali. Seu sucesso o levou de volta à Marvel, onde assumiu o carro-chefe da editora, o Homem-Aranha, além de Homem de Ferro e Demolidor durante os anos 1980. Neste período, criou a Madame Teia e os vilões Homem Hídrico, Monge de Ferro (Obadiah Stane) e Lady Letal (Yuriko Oyama). Ainda editou a fase de Frank Miller à frente do Demolidor. E, ao supervisionar o lançamento dos quadrinhos dos Transformers, concebeu e nomeou ninguém menos que Optimus Prime. A DC o trouxe de volta em 1986 com uma promoção, tornando-o editor de Batman, papel que ele cumpriu durante toda a era das graphic novels sombrias do personagem, até os anos 2000. Ele lançou a revista “Batman: Lendas do Cavaleiro das Trevas” dedicada a coleções de minisséries adultas de Batman, também se dedicou ao herói Questão, criou Richard Dragon, o personagem Azrael e ainda adaptou os roteiros dos filmes “Batman Begins” (2005) e “O Cavaleiro das Trevas” (2008) em quadrinhos. Sua carreira não se resumiu aos quadrinhos. Ele escreveu livros sobre a arte sequencial e também roteiros de séries, tanto para a versão animada de Batman quanto para a primeira série live-action do Superboy. Mas também trabalhou fora do gênero, roteirizando episódios de “Fuga das Estrelas” (Logan’s Run), a série derivada do filme “Fuga do Século 23” (1976), e da animação “Comandos em Ação” (G.I. Joe). Para completar, foi professor da Escola de Artes Visuais de Manhattan. Jim Lee, atual editor-chefe da DC, chamou Denny O’Neal de “um dos arquitetos visionários da DC Comics”, citando como ele “ajudou a reviver o Batman nos anos 1970” e como continua a ser o seu “escritor favorito do Lanterna Verde até hoje”. Lee resumiu a impacto de suas obras ao lembrar que, “por meio de sua edição e redação, Denny foi um dos primeiros escritores cujo trabalho e foco em questões sociais impulsionaram os quadrinhos” para fora de seu universo infantil.
Antes de virar Coringa, Joaquin Phoenix quase foi Batman no cinema
Vencedor do Oscar por sua interpretação magistral em “Coringa”, o ator Joaquin Phoenix quase viveu Batman vários anos antes, no projeto que acabou virando “Batman Begins” (2005). Quem estava à frente dessa produção era o diretor Darren Aronofsky (“Mãe!”), que contou nesta sexta (17/4), em entrevista à revista Empire, que Joaquin Phoenix era sua principal escolha para viver Batman. Encarregado de fazer um reboot total da franquia do super-herói no começo dos anos 2000, após o fracasso de “Batman & Robin” (1997), Aronofsky contou que seu filme seria influenciado por clássicos violentos, como “Desejo de Matar”, “Operação França” e “Taxi Driver”, além dos quadrinhos de Frank Miller. Mas a Warner se assustou. Segundo o diretor, a ideia do estúdio era bem diferente, tanto que os produtores sugeriram Freddie Prinze Jr., o Fred dos filmes “Scooby-Doo”, para o papel do herói. “Eu lembro de pensar: ‘Nossa, nós estamos fazendo dois filmes diferentes aqui’. Essa história é real. Eram outros tempos. O Batman que eu escrevi era bem diferente da pegada que eles assumiram no final das contas”, contou Aronofsky. “O Batman que estava diante de mim era ‘Batman & Robin’ (1997), famoso pelos mamilos marcados no uniforme, então eu estava realmente tentando explodir isso e reinventar tudo”, explicou. Mas mesmo não conseguindo agradar ao estúdio, o diretor diz que o tempo gasto no projeto não foi totalmente perdido, já que lhe permitiu conhecer Frank Miller. “Foi algo incrível, porque eu era um grande fã de seu trabalho nas graphic novels, então apenas conhecê-lo foi emocionante na época”, lembrou o diretor. A Warner acabou cancelando a produção, mas Aronofsky ajudou a demonstrar para o estúdio que Batman precisava de um filme mais sombrio. O resultado foi a trilogia do diretor Christopher Nolan, que reinventou o herói por meio da denominação popularizada justamente nos quadrinhos de Frank Miller, como “O Cavaleiro das Trevas”.
Aves de Rapina tem lançamento digital no Brasil
O filme “Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” chega nas plataformas Google Play e Apple TV nesta quinta (26/3) no Brasil, para compra digital, uma semana antes de ser disponibilizado em outras plataformas – como Claro, Sky e Vivo Play, a partir de 2 de abril. O lançamento digital foi acelerado devido aos fechamentos dos cinemas, como medida preventiva contra a pandemia de coronavírus. A antecipação também é uma forma da Warner tentar recuperar parte do investimento gasto em sua produção. Orçado em US$ 89,5 milhões, o longa fez apenas US$ 199,1 milhões em todo o mundo, dando um prejuízo considerável. Apesar da expectativa criada em torno do filme, ele teve um desempenho fraquíssimo na América do Norte. No Brasil, o longa chegou a liderar as bilheterias em sua estreia, mas como foi um dos últimos blockbusters lançados antes do blecaute cinematográfico, teve problemas de distribuição internacional, com cinemas chineses e de parte da Ásia fechados, comprometendo ainda mais suas finanças. Escrito por Christina Hodson (“Bumblebee”) e dirigido pela chinesa Cathy Yan (“Dead Pigs”), o filme introduz o grupo de heroínas conhecido como Aves de Rapina, formado por Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell, de “True Blood”), Caçadora (Mary Elizabeth Winstead, de “Rua Cloverfield, 10”), Cassandra Cain (Ella Jay Basco, da série “Teachers”) e até a policial Renee Montoya (Rosie Perez, de “O Conselheiro do Crime”) na versão do cinema. Elas se juntam à vilã Arlequina (Margot Robbie, repetindo seu papel de “Esquadrão Suicida”) para enfrentar uma ameaça comum, representada pelo maligno Máscara Negra (Ewan McGregor de “Doutor Sono”).
Batwoman enfrentou a filha do Coringa no episódio mais recente da série
O episódio mais recente de “Batwoman”, exibido na noite de domingo (8/3) nos EUA, introduziu uma nova vilã com longa história nos quadrinhos: Duela Dent, que é mais conhecida como a filha do Coringa e sobrinha do Duas Caras, dois dos maiores inimigos de Batman. Ela foi introduzida como heroína nos quadrinhos dos Titãs em 1976, dizendo que queria remediar todo o mal feito pelo pai e pelo tio, mas o reboot de “Crise nas Infinitas Terras” bagunçou sua origem, que se tornou ainda mais complicada pelos reboots seguintes. Em certo ponto, ela foi eliminada pelo Monitor por representar uma anomalia, uma sobrevivente de Terra 3, filha do Coringa e da versão feminina do Duas Caras, ambos super-heróis em sua dimensão. Ela também apareceu como esquizofrênica, dizendo-se filha da Mulher-Gato, do Espantalho e do Charada, e até como uma mulher velha, ex-membro dos Titãs do futuro que enlouqueceu após múltiplas viagens no tempo. A versão apresentada na série reflete a aparição mais recente da personagem, pós-“Novos 52”, como uma psicopata obcecada pelo Coringa, que mutila a própria cara para se parecer com o vilão. Em seu delírio, ela busca fazer uma transfusão de sangue do Coringa para dizer que é sua filha, e tenta obter a pele do rosto do criminoso para usar como máscara. Como curiosidade, Duela tem uma rixa particular com a Arlequina, alimentada pela obsessão compartilhada pelo Coringa e pela inclusão das duas no Esquadrão Suicida. Sua aparição no episódio “Grinning from Ear to Ear”, de “Batwoman”, não deixa claro se a vilã (vivida por Alessandra Torresani) pretende assumir o papel de filha do Coringa, nem mesmo se voltará a aparecer após ser presa pela heroína (Ruby Rose). Mas sua presença proporcionou uma versão feminina do célebre duelo “Batman vs. Coringa” na televisão. “Batwoman” ainda é inédita no Brasil, mas deve chegar junto da plataforma HBO Max, que será inaugurada em maio nos EUA e lançada até o fim do ano na América Latina.
Aves de Rapina é esquadrão de suicídio criativo
A DC/Warner parece não ter se incomodado muito com as críticas negativas de “Esquadrão Suicida”, quase uma unanimidade entre os piores filmes de super-heróis já feitos. Como a presença de Margot Robbie no papel de Arlequina foi um dos poucos – senão o único – acertos do filme, o estúdio resolveu investir em um novo filme com a personagem, que no anterior aparecia como namorada do Coringa, aqui tratado como Mr. C (ou Mr. J, no original). Já na época do “Esquadrão Suicida”, muito foi falado sobre a questão do relacionamento abusivo e tóxico dos dois, e “Aves de Rapina – Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” começa justamente com a separação dos dois, o sofrimento da Arlequina e sua posterior volta por cima, com um misto de humor e violência. Aliás, é curioso como as cenas de violência parecem uma fusão dos antigos desenhos da Warner, como Pernalonga, e os filmes de gângster do estúdio – referências esboçadas na série animada do Batman que introduziu a Arlequina nos anos 1990. As cenas de Arlequina quebrando as pernas de seus inimigos – são duas que se destacam – são até bastante gráficas, mas não jorram sangue, como num cartum. Ao mesmo tempo, há uma certa leveza na condução da personagem, apesar de isso ser um tanto contraditório em relação a seus atos. Como as cenas de ação são apenas o.k., cortesia da inexperiente diretora Cathy Yan (que antes só tinha comandado um único longa indie), o que acaba se destacando é o carisma de Margot, mesmo com sua personagem reduzida a diálogos fracos. “Aves de Rapina”, começa até interessante, com uma narração que lembra um pouco os primeiros filmes de Quentin Tarantino, com idas e vindas no tempo, a partir do ponto de vista de Arlequina. Mas quando ela deixa de ser a única personagem em foco, o filme sofre. As coadjuvantes femininas que se juntam no último ato do filme acabam tendo bem menos força. A culpa é do roteiro que relega a Canário Negro (Jurnee Smollet-Bell) ao papel de motorista do gângster vivido por Ewan McGregor, um desserviço para uma personagem tão icônica, e pouco explora a Caçadora vivida Mary Elizabeth Winstead, sem mencionar as demais, completamente diferentes de suas contrapartes dos quadrinhos. Em relação ao vilão encarnado por McGregor, é impressionante como seu Máscara Negra é irritante. Até dá para relevar, levando em consideração o tom debochado do filme, mas também passa aquela impressão de desprezo do estúdio pela própria produção. De fato, apresentar heroínas de quadrinhos que não tem nada a ver com as heroínas dos quadrinhos, filmar uma história inspirada em desenhos infantis com censura para maiores e colocar uma cineasta sem experiência em cenas ação à frente de um filme que é, basicamente, uma sucessão de cenas de ação parece mesmo auto-sabotagem.
Parasita tem vitória histórica no Oscar 2020
Bong Joon Ho não tem hora para parar de celebrar. Ele avisou duas vezes que pretendia comemorar com bebidas, ao receber os troféus de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Filme Internacional por “Parasita”, na premiação do Oscar 2020, que aconteceu na noite de domingo (9/2) no Dolby Theatre, em Los Angeles. Ainda não tinha começado o primeiro drinque quando ouviu seu nome ser chamado novamente, como Melhor Diretor. Em estado de legítima perplexidade, conseguiu citar como Martin Scorsese influenciou sua carreira, além de agradecer a Quentin Tarantino por sempre falar de seus filmes quando ninguém o conhecia. E saiu do palco extasiado, acreditando ter feito História com sua participação na cerimônia. Mas estava enganado. Precisou voltar mais uma vez, quando “Parasita” venceu o Oscar de Melhor Filme do ano. O cineasta sul-coreano foi responsável pela maior surpresa dos 92 anos da História do Oscar. Isto porque nunca antes um filme falado em língua estrangeira tinha vencido o troféu principal da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA. “Parasita” venceu o troféu principal da cerimônia… e mais três. Individualmente, Bong Joon Ho ficou com quatro Oscars, o que também é um feito histórico – anteriormente, apenas Walt Disney tinha vencido quatro troféus na mesma cerimônia, mas todos como produtor e por filmes diferentes em 1954. É interessante reparar o contexto que tornou possível essa reviravolta espetacular. Ao buscar maior inclusão, após a recepção negativa da falta de representatividade racial entre os indicados ao Oscar 2016, a Academia decidiu aumentar a presença de minorias em seus quadros e ampliou convites para artistas internacionais. Cineastas, roteiristas, produtores, técnicos e atores de mais países passaram a votar na premiação, fazendo disparar a quantidade de membros da Academia, que somou quase dois mil novos eleitores do Oscar em quatro anos. Isso, sem dúvida, mexeu com o DNA do troféu. Os eleitores estrangeiros não fazem parte das panelinhas de Hollywood, não trabalharam anteriormente com os indicados e não avaliam os filmes pelo ponto de vista da indústria cinematográfica americana. Em outras palavras, seus votos desconsideram interesses do mercado local dos EUA. É fato que a vitória do francês “O Artista” em 2012 já tinha aberto uma brecha. Mesmo assim, aquele filme não era falado em idioma estrangeiro (era cinema mudo) e fazia uma homenagem a Hollywood. O sinal de que algo estava mudando foi dado apenas no ano passado, com as três vitórias do mexicano “Roma”. O filme falado em espanhol venceu, entre outros, um prêmio de Melhor Direção. A conquista de “Parasita”, claro, é muito maior, incomparável. O Melhor Filme do ano é estrelado por atores sul-coreanos que não fazem parte do SAG, realizado por um equipe estrangeira não filiada aos sindicatos hollywoodianos e exibido nos cinemas dos EUA com legendas. Se a consagração de “Moonlight”, um filme indie com diretor negro, elenco negro e temática LGBTQIA+, causou um terremoto nos bastidores da premiação em 2017 – a rede ABC exigiu mais filmes populares em nome da audiência – , a vitória de “Parasita” deve trazer consequências ainda maiores. Os otimistas podem imaginar uma abertura definitiva do prêmio – e do mercado americano – para o resto do mundo. Os realistas, porém, já devem estar calculando o tamanho da reação do mercado, dos sindicatos e dos estúdios americanos contra essa internacionalização. O slogan “America First” não venceu uma eleição nos EUA por acaso. Curioso, ainda, que “Parasita” tenha sido tão bem-recebido, em proporção inversa ao desdém dispensado a “A Despedida” (The Farewell), de Lulu Wang, barrado no Oscar. O vencedor do Spirit Awards (o “Oscar” do cinema independente) no sábado (8/2) também tinha cineasta e elenco asiático e foi exibido com legendas. Mas, diferente da obra sul-coreana, era uma produção americana, com diretora americana e diversos atores nascidos no país. Neste sentido, a eleição de “Parasita” também pode ser vislumbrada como um voto de protesto contra a seleção de concorrentes feita pela Academia – “A Despedida” não foi o único longa injustiçado. A verdade é que a tão evidente falta de diversidade entre os indicados se deu como efeito colateral da pressão de bastidores por uma seleção de filmes populares. Dentre as opções oferecidas, “Parasita” era um dos poucos filmes (ao lado de “Adoráveis Mulheres”) que não contava histórias de homens brancos heterossexuais, geralmente em luta – às vezes em guerra – por ideais masculinos de poder e superioridade. Joaquin Phoenix, que assimilou perfeitamente a mensagem de “Coringa”, fez um discurso sensível nesse sentido, ao aceitar seu Oscar de Melhor Ator. Ao falar das diferentes causas sociais que engajam seus colegas, ele sintetizou: “Lutamos contra a noção de que uma nação, um povo, uma raça, um gênero ou uma espécie tem o direito de dominar, controlar, usar e explorar a outra com impunidade”. A vitória de “Parasita” rechaçou o viés conservador ensaiado para o Oscar 2020, representado pelas histórias de homens heterossexuais brancos, que dominaram as indicações – como se esse tipo de narrativa fosse mais indicado a prêmios. Exceção gritante, o filme sul-coreano não tinha apenas etnia diversa, mas equilíbrio entre papéis masculinos e femininos, além de franco questionamento social – “marxismo cultural”, já que trata da luta de classes. A ressaca de Bong Joon Ho também é, portanto, fruto de resistência cultural. Ao barrar o cinema indie, a Academia deixou aberta uma fresta para o cinema mundial, que se transformou em saída. E, ironicamente, a empresa que trouxe o longa sul-coreano para os EUA foi um estúdio indie, o Neon, completando a vingança. Importante destacar ainda outro aspecto da internacionalização da Academia, menos evidente que a vitória de “Parasita”. No domingo, várias conquistas foram celebradas por artistas estrangeiros também em filmes americanos. Para citar alguns, o neozelandês Taika Waititi venceu a categoria de Melhor Roteiro Adaptado por “Jojo Rabbit” e a islandesa Hildur Guðnadóttir assinou a Melhor Trilha em “Coringa”. Tratam-se de vitórias com alcances duradouros, que vão além da entrega dos troféus. Lembrem-se que a simples indicação ao Oscar costuma render convite para os nomeados ingressarem na Academia. A brasileira Petra Costa, por exemplo, não venceu a disputa de Melhor Documentário – o único candidato americano faturou a categoria, numa inversão em relação ao troféu de Melhor Filme – , mas ajudará a escolher o vencedor de 2021. Mais estrangeiros estarão votando no próximo ano. Assim, se a Academia superar as pressões do mercado americano, a tendência é o Oscar continuar surpreendendo. Mas pressões, com certeza, virão. A propósito, os que comemoraram a derrota do “marxismo cultural” representado por “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, podem não ter percebido, mas o discurso da vencedora da categoria, a cineasta Julia Reichert, de “Indústria Americana”, encerrou-se com uma citação ao “Manifesto Comunista”. “Os trabalhadores têm cada vez mais dificuldade hoje em dia, e acreditamos que as coisas vão melhorar quando os trabalhadores do mundo se unirem”, disse a americana, parafraseando o slogan “Trabalhadores do mundo, uni-vos”, que se tornou célebre na obra de Karl Marx e Friederich Engels. Para completar sem alongar demais, omitindo comentários para outras categorias remanescentes, vale ressaltar, mesmo que rapidamente, o reconhecimento à brilhante fotografia do inglês Roger Deakins, verdadeiro motivo de “1917” ter sido considerado, de véspera, o maior favorito ao Oscar. A lista completa dos filmes premiados pode ser conferida abaixo. Melhor Filme – “Parasita” “Ford vs Ferrari” “O Irlandês” “Jojo Rabbit” “Coringa” “Adoráveis Mulheres” “História De Um Casamento” “1917” “Era Uma Vez Em Hollywood” Melhor Direção – Bong Joon Ho – “Parasita” Sam Mendes – “1917” Martin Scorsese – “O Irlandês” Quentin Tarantino – “Era Uma Vez Em Hollywood” Todd Phillips – “Coringa” Melhor Atriz – Renée Zellweger – “Judy” Cynthia Erivo – “Harriet” Scarlett Johansson – “História De Um Casamento” Saoirse Ronan – “Adoráveis Mulheres” Charlize Theron – “O Escândalo” Melhor Ator – Joaquin Phoenix – “Coringa” Antonio Banderas – “Dor e Glória” Adam Driver – “História De Um Casamento” Jonathan Pryce – “Dois Papas” Leonardo DiCaprio – “Era Uma Vez Em Hollywood” Melhor Atriz Coadjuvante – Laura Dern – “História De Um Casamento” Margot Robbie – “O Escândalo” Kathy Bates – “O Caso Richard Jewell” Scarlett Johansson – “Jojo Rabbit” Florence Pugh – “Adoráveis Mulheres” Melhor Ator Coadjuvante – Brad Pitt – “Era Uma Vez Em Hollywood” Tom Hanks – “Um Lindo Dia na Vizinhança” Al Pacino – “O Irlandês” Joe Pesci – “O Irlandês” Anthony Hopkins – “Dois Papas” Melhor Roteiro Adaptado – Taika Waititi – “Jojo Rabbit” Greta Gerwig – “Adoráveis Mulheres” Anthony McCarten – “Dois Papas” Todd Phillips & Scott Silver – “Coringa” Steven Zaillian – “O Irlandês” Melhor Roteiro Original – Bong Joon Ho e Han Jin Won – “Parasita” Noah Baumbach – “História De Um Casamento” Rian Johnson – “Entre Facas e Segredos” Quentin Tarantino – “Era Uma Vez Em Hollywood” Sam Mendes & Kristy Wilson-Cairns – “1917” Melhor Fotografia – Roger Deakins – “1917” Jarin Blaschke – “O Farol” Rodrigo Pietro – “O Irlandês” Robert Richardson – “Era Uma Vez Em Hollywood” Lawrence Sher – “Coringa” Melhor Figurino – Jacqueline Durran – “Adoráveis Mulheres” Arianne Phillips – “Era Uma Vez Em Hollywood” Sandy Powell e Christopher Peterson – “O Irlandês” Mayes C. Rubeo – “Jojo Rabbit” Mark Bridges – “Coringa” Melhor Edição – Andrew Buckland e Michael McCusker – “Ford vs Ferrari” Yang Jinmo – “Parasita” Thelma Schoonmaker – “O Irlandês” Tom Eagles – “Jojo Rabbit” Jeff Groth – “Coringa” Melhor Maquiagem e Cabelo – “O Escândalo” “Coringa” “Judy” “Malévola: Dona do Mal” “1917” Melhor Trilha Sonora – Hildur Guðnadóttir – “Coringa” Alexandre Desplat – “Adoráveis Mulheres” Randy Newman – “História de um Casamento” Thomas Newman – “1917” John Williams – “Star Wars: A Ascensão Skywalker” Melhor Canção Original – (I’m Gonna) Love Me Again – “Rocketman” I’m Standing With You – “Superação: O Milagre da Fé” Into the Unknown – “Frozen 2” Stand Up – “Harriet” I Can’t Let You Throw Yourself Away – “Toy Story 4” Melhor Design de Produção – “Era Uma Vez Em Hollywood” “1917” “Parasita” “O Irlandês” “Jojo Rabbit” Melhor Edição de Som -“Ford vs. Ferrari” “Era Uma Vez Em Hollywood” “Coringa” “1917” “Star Wars: A Ascensão Skywalker” Melhor Mixagem de Som – “1917” “Ford vs Ferrari” “Coringa” “Era Uma Vez Em Hollywood” “Ad Astra” Melhores Efeitos Visuais – “1917” “Vingadores: Ultimato” “O Irlandês” “O Rei Leão” “Star Wars: A Ascensão Skywalker” Melhor Animação – “Toy Story 4” “Como Treinar o seu Dragão 3” “Perdi Meu Corpo” “Link Perdido” “Klaus” Melhor Documentário – “Indústria Americana” “The Cave” “Democracia em Vertigem” “For Sama” “Honeyland” Melhor Filme Internacional – “Parasita” (Coreia do Sul) “Les Misérables” (França) “Dor e Glória” (Espanha) “Corpus Christi” (Polônia) “Honeyland” (Macedônia) Melhor Curta Animado – “Hair Love” “Kitbull” “Dcera (Daughter)” “Memorable” “Sister” Melhor Curta Documentário – “Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl)” “Life Overtakes Me” “In the Absence” “St. Louis Superman” “Walk Run Cha-Cha” Melhor Curta Live-Action – “The Neighbors’ Window” “Brotherhood” “Nefta Football Club” “Saria” “A Sister” Louise Alves
Oscar 2020 pode consagrar reacionarismo ou surpreender radicalmente
A premiação ao Oscar 2020, que acontece neste domingo (9/2), tende a consagrar um momento de conservadorismo histórico da indústria cinematográfica americana. Mas não está descartada uma surpresa radical. Os detalhes desses resultados alternativos envolvem políticas de bastidores e as próprias regras da votação. Como não há possibilidade de prêmios fora da lista de indicados, já está registrado um grande retrocesso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, ao privilegiar majoritariamente histórias de homens brancos heterossexuais, após o esforço de diversificação da organização ter rendido um número recorde de mulheres premiadas e grande representatividade racial e sexual em 2019. Vale comparar. Na lista de concorrentes de Melhor Filme no Oscar 2019 estavam “Pantera Negra”, “Infiltrado na Klan”, “A Favorita”, “Roma”, “Nasce Uma Estrela”, “Bohemian Rhapsody”, “Vice” e “Green Book”. Apenas um desses filmes representava uma história de homem branco heterossexual: “Vice”, apropriadamente sobre um político de direita dos EUA. Neste ano, as tramas sobre brancos heterossexuais totalizam seis títulos, de um total de nove indicados ao Oscar de Melhor Filme: “Ford x Ferrari”, “O Irlandês”, “Jojo Rabbit”, “Coringa”, “1917” e “Era uma Vez em Hollywood”. Extremamente masculinos, filmes como “O Irlandês” e “1917” chegam a relegar mulheres a papéis de figuração. “1917” tem uma desculpa narrativa, já que mulheres não lutaram no front da 1ª Guerra Mundial. Mas “O Irlandês”, que projeta décadas de desenvolvimento de personagens, não tem qualquer justificativa para dar a sua principal atriz menos de uma página de diálogos. Apenas uma obra indicada ao Oscar de Melhor Filme é focada em personagens femininas: “Adoráveis Mulheres”, como deixa claro o título. E apenas uma tem personagens não brancos: “Parasita”, que é estrangeiro, realizado na Coreia do Sul. Por que o Emmmy consagra séries como “Fleabag”, “A Maravilhosa Sra. Meisel” e “Killing Eve” e o Oscar não consegue reconhecer tramas femininas? Como é possível ignorar o que o Spirit Awards, premiação do cinema independente americano, reconheceu há menos de 24 horas atrás, com a consagração de “A Despedida” (The Farewell), de Lulu Wang, como Melhor Filme do ano? Note-se: uma obra-prima com protagonistas femininas, escrito e dirigido por um mulher e com elenco inteiramente asiático. E que não recebeu uma mísera indicação ao Oscar. Para contrabalançar o fato de que prevaleceram histórias de homens, um comunicado dos organizadores buscou inverter a perspectiva ao destacar que 62 mulheres foram indicadas, compondo quase um terço dos candidatos ao Oscar deste ano. Nenhuma cineasta, porém, vai disputar o prêmio 100% masculino de Melhor Diretor. Greta Gerwig, que comandou “Adoráveis Mulheres”, conseguiu, ao menos, ser lembrada na vaga de Melhor Roteiro Adaptado. Mas vale comparar novamente: o Spirit Awards destacou três mulheres cineastas em sua premiação de Melhor Direção e ainda consagrou a (agora) cineasta Olivia Wilde como Revelação do ano, por “Fora de Série”. Por que tamanha diferença? É fácil encontrar explicação, bastando observar o momento de ruptura, em que o Oscar deixou de ser ousado. A premiação de “Moonlight”, de diretor negro, com elenco negro e temática homossexual, como Melhor Filme de 2017 deu início a uma pressão brutal da rede ABC, responsável pela transmissão da cerimônia nos EUA, por filmes mais convencionais. Com a justificativa supostamente não racista e não homofóbica de que dramas indies não têm apelo comercial para atrair audiência, o canal exigiu mudanças na premiação, desde a duração do evento até a “qualidade” dos indicados, com força econômica e contratual para forçar a Academia a se submeter. Vale lembrar que foi nesta época que a organização chegou a propor um prêmio para Filme Popular, que rendeu polêmica e acabou abortado. O Oscar 2020 se apresenta como resultado final dessa pressão. Nada mais é, portanto, que uma disputa entre filmes populares, reunindo a maior competição de blockbusters por estatuetas em décadas, quiçá de toda a História da premiação. “Coringa”, filme com maior número de indicações, fez mais de US$ 1 bilhão nas bilheterias. Outros filmes de grande orçamento, como “Ford x Ferrari” e “1917”, também passaram pelo topo das bilheterias, e “Era uma Vez em Hollywood”, que fetichiza a Hollywood de antigamente, consagrou-se como um dos maiores sucessos da carreira do diretor Quentin Tarantino. Ainda por cima, todos os indicados são produções de grandes estúdios. Não há um longa independente sequer, quando a regra do século 21 era, até “Moonlight”, o contrário. O problema do Oscar também se estende aos consensos de comadres que resultam na consagração dos mais simpáticos e bonitos e não dos melhores atores, uma vez que se trata de uma votação entre colegas. Tanto que é possível garantir as premiações dos quatro nomes que disputam os prêmios de melhores intérpretes brancos deste ano: Joaquin Phoenix, Renée Zellweger, Brad Pitt e Laura Dern. Os dois primeiros seriam favoritos, de qualquer forma. Mas o quarteto inteiro? Por coincidência, são vitórias que deixam o Oscar já pouco diversificado com um tom mais loiro. Sam Mendes é outra barbada na categoria de Melhor Direção por “1917”? Está mais para seu Diretor de Fotografia, o veterano Roger Deakins. Nem dá para cravar que “1917” já pode ser considerado vencedor, horas antes da abertura do envelope de Melhor Filme. O Oscar mudou recentemente a forma como contabiliza os votos de sua categoria principal, criando a possibilidade de o vencedor não ser aquele mais votado como Melhor, e sim aquele que mais vezes aparecer nas células de votação – citado entre os melhores. Se, por exemplo, “Era uma Vez em Hollywood” (provável) ou “Parasita” (incrível) aparecer como segundo ou terceiro filme na preferência da maioria dos eleitores, pode acumular mais pontos, caso “1917” não seja eleito por unanimidade. Vale considerar que “1917”, apesar da narrativa convencional, é ousado tecnicamente, uma maravilha visual e o melhor filme de Sam Mendes desde sua estreia com “Beleza Americana”, quando venceu o Oscar pela primeira vez, há 20 anos, enquanto “Era uma Vez em Hollywood” representa seu oposto. A narrativa é anti-convencional, mas passa longe de ser o melhor trabalho de Quentin Tarantino, além de ser marginalmente racista e repetir a reviravolta subversiva de “Bastardos Inglórios” – é quase como se Tarantino virasse um sub-Tarantino, copiando a si mesmo. Só que a indústria cinematográfica adora se congratular e este filme tem até Hollywood em seu título. Uma vitória de “Parasita”, por outro lado, representaria algo completamente diferente, por abalar conceitos estabelecidos, como, por exemplo, o fato de o Oscar ser uma premiação de filmes americanos e não um troféu internacional. A vitória do francês “O Artista” em 2012 já tinha aberto uma brecha para o mundo. Mesmo assim, tratava-se de uma produção sem idioma estrangeiro (era cinema mudo) e uma homenagem a Hollywood (mais uma). “Roma” ensaiou assustar em 2019. Mas uma vitória de “Parasita”, com atores não brancos, equipe estrangeira e em língua não inglesa, seria um grande choque. Um novo paradigma. E sabe-se lá com que consequências. E o Oscar brasileiro? “Democracia em Vertigem” deveria ser o grande azarão da premiação. A disputa contra filmes premiadíssimos – e uma produção de Barack Obama – parecia encaminhar o fato de que sua vitória se resumia à própria indicação. Mas o documentário de Petra Costa ganhou grande impulso na reta final da votação, graças ao governo Bolsonaro, que o promoveu no mundo inteiro com ataques oficiais. Considerado vilão ambiental e inimigo da classe artística, por seus ataques pessoais ao “queridinho” Leonardo DiCaprio, Bolsonaro pode ter consagrado o longa com a mais inesperada vitória (ou a segunda, na possível chance de “Parasita” vencer como Melhor Filme) do Oscar 2020. A conferir, a partir das 22h, com transmissão ao vivo pelo canal pago TNT, pelo portal G1 e pela plataforma Globoplay. Mais canais de transmissão podem ser conferidos aqui.
Estrelas de Aves de Rapina dão dicas para curtir o carnaval como personagens de quadrinhos
As estrelas de “Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa” gravaram um vídeo especialmente para o Brasil, onde arriscam um pouco de português e dão dicas de como curtir o carnaval como suas personagens dos quadrinhos – com muito glitter e roupas “emprestadas”. O vídeo foi gravado por Margot Robbie (a Arlequina), Jurnee Smollett-Bell (Canário Negro), Mary Elizabeth Winstead (Caçadora), Ella Jay Basco (Cassandra Cain) e Rosie Perez (Renee Montoya). Na trama, suas personagens se aliam para enfrentar os vilões interpretados por Ewan McGregor (Máscara Negra) e Chris Messina (Victor Zsasz). Escrito por Christina Hodson (“Bumblebee”) e dirigido pela chinesa Cathy Yan (“Dead Pigs”), “Aves de Rapina” estreia nesta quinta (6/2) no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos. Fevereiro chegou e trouxe duas coisas fantabulosas: Carnaval e #AvesDeRapina. Confira as dicas que o elenco do filme preparou para aproveitar ao máximo essa festa! #AvesDeRapina, 6 de fevereiro nos cinemas. Compre já seu ingresso. pic.twitter.com/nbHEYIxtEe — Warner Bros. Pictures Brasil (@wbpictures_br) February 3, 2020
BAFTA Awards 2020: 1917 é o grande vencedor do “Oscar britânico”
A Academia Britânica de Artes Cinematográficas e Televisivas (BAFTA, na sigla em inglês) consagrou “1917” como o grande vencedor de sua premiação anual, em cerimônia realizada neste domingo (2/2) em Londres. O filme de guerra de Sam Mendes venceu sete BAFTA Awards, equivalente ao Oscar britânico, incluindo Melhor Filme duas vezes (em geral e britânico), além de Direção, Fotografia (do veterano Roger Deakins) e praticamente todos os prêmios técnicos que disputou. “1917” estava indicado a nove BAFTA Awards. Só perdeu dois, de Melhor Penteado e Maquiagem, para a equipe de “O Escândalo”, e Trilha Sonora para o trabalho da islandesa Hildur Guonadottir, uma das unanimidades da temporada em “Coringa”. Líder em indicações, “Coringa” disputou 11 troféus e perdeu a maioria. Além da trilha, conquistou o prêmio de Casting (escalação de elenco) e Melhor Ator para Joaquin Phoenix, que, ao receber seu BAFTA Award, deu o discurso mais contundente da noite. “Acho que enviamos uma mensagem muito clara às pessoas de cor de que não são bem-vindas aqui”, disse no palco centenário do Royal Albert Hall, ao condenar o fato de apenas atores brancos terem sido lembrados nas categorias de interpretação. Outra queixa foi externada pela atriz Rebel Wilson, que ironizou a falta de mulheres ao apresentar o prêmio de Melhor Direção. “Eu não acho que poderia fazer o que eles fazem. Honestamente. Não tenho saco”, apontou, acertando as partes baixas da Academia Britânica – sua versão americana deve esperar igual tratamento. A lista de atores premiados ainda incluiu Renée Zellweger (por “Judy”) como Melhor Atriz, e Brad Pitt (“Era Uma Vez em Hollywood”) e Laura Dern (“História de um Casamento”) como Coadjuvantes. Adicionando Phoenix, trata-se do mesmo quarteto que venceu SAG Awards (prêmio do Sindicato dos Atores dos EUA), Critics Choice e Globo de Ouro, numa tendência anticlimática que ajuda a tornar o Oscar previsível. Entre as animações, “Klaus”, da Netflix, que já tinha causado comoção ao vencer o Annie Awards (considerado o “Oscar da animação”), repetiu a dose, desbancando as produções da Disney, “Toy Story 4” e “Frozen 2”, e até um favorito britânico, “Shaun, o Carneiro: Farmageddon”. “Parasita” e “Jojo Rabbit” também bisaram seus prêmios no WGA Awards (do Sindicato dos Roteiristas dos EUA), respectivamente como Melhor Roteiro Original e Adaptação, com o suspense sul-coreano de Bong Joon ho confirmando ainda seu franco favoritismo como Melhor Filme em Língua Estrangeira. Para completar, outra tendência da temporada se materializou com clareza: a falta de prêmios para “O Irlandês”, superestimado longa (longuíssimo) de Martin Scorsese, que custou o dobro de “1917”. Veja a lista completa dos premiados abaixo. Melhor Filme – 1917 O Irlandês Coringa Era Uma Vez em… Hollywood Parasita Melhor Filme Britânico – 1917 Bait For Sama Rocketman Sorry We Missed You Dois Papas Melhor Direção – Sam Mendes (1917) Martin Scorsese (O Irlandês) Todd Phillips (Coringa) Quentin Tarantino (Era Uma Vez em? Hollywood) Bong Joon-ho (Parasita) Melhor Ator – Joaquin Phoenix (Coringa) Leonardo DiCaprio (Era Uma Vez em Hollywood) Adam Driver (História de um Casamento) Taron Egerton (Rocketman) Jonathan Pryce (Dois Papas) Melhor Atriz – Renée Zellweger (Judy) Jessie Buckley (As Loucuras de Rose) Scarlett Johansson (História de um Casamento) Saoirse Ronan (Adoráveis Mulheres) Charlize Theron (O Escândalo) Melhor Ator Coadjuvante – Brad Pitt (Era Uma Vez em Hollywood) Tom Hanks (Um Lindo Dia na Vizinhança) Anthony Hopkins (Dois Papas) Al Pacino (O Irlandês) Joe Pesci (O Irlandês) Melhor Atriz Coadjuvante Laura Dern (História de um Casamento) Scarlett Johansson (Jojo Rabbit) Florence Pugh (Little Women) Margot Robbie (O Escândalo) Margot Robbie (Era Uma Vez em Hollywood) Melhor Filme em Língua Estrangeira – Parasita The Farewell For Sama Dor e Glória Retrato de Uma Jovem em Chamas Melhor Documentário – For Sama Indústria Americana Apollo 11 Diego Maradona The Great Hack Melhor Animação – Klaus Frozen 2 Shaun, o Carneiro: Farmageddon Toy Story 4 Melhor Roteiro Original – Bong Joon ho e Han Jin-won (Parasita) Fora de Série Entre Facas e Segredos História de um Casamento Era Uma Vez em Hollywood Melhor Roteiro Adaptado – Taika Waititi (Jojo Rabbit) Coringa O Irlandês Adoráveis Mulheres Dois Papas Roteirista, Diretor ou Produtor Revelação – Bait – Mark Jenkin, Kate Byers e Lunn Waite For Sama – Waad Al-Kateab e Edward Watts Maiden – Alex Holmes Only You – Harry Wootliff Retablo – Álvaro Delgado – Aparicio Melhor Fotografia – Roger Deakins (1917) O Irlandês Coringa Ford vs Ferrari O Farol Melhor Trilha Sonora – Hildur Guonadottir (Coringa) 1917 Jojo Rabbit Adoráveis Mulheres Star Wars: A Ascensão Skywalker Melhor Casting – Coringa História de Casamento Era Uma Vez em Hollywood The Personal History of David Copperfield Dois Papas Melhor Edição – Andrew Buckland e Michael McCusker (Ford vs Ferrari) O Irlandês Jojo Rabbit Coringa Era Uma Vez em Hollywood Melhor Design de Produção – Dennis Gassner e Lee Sandales (1917) O Irlandês Jojo Rabbit Coringa Era Uma Vez em Hollywood Melhor Figurino – Jacqueline Durran (Adoráveis Mulheres) O Irlandês Jojo Rabbit Judy Era Uma Vez em Hollywood Melhor Som – Scott Millan, Oliver Tarney, Rachael Tate, Mark Taylor e Stuart Wilson (1917) Coringa Ford vs Ferrari Rocketman Star Wars: A Ascensão Skywalker Melhores Efeitos Especiais – Greg Butler, Guillaume Rocheron e Dominic Tuohy (1917) Vingadores: Ultimato O Irlandês O Rei Leão Star Wars: A Ascensão Skywalker Melhor Maquiagem e Cabelo – Vivian Baker, Kazu Hiro e Anne Morgan (O Escândalo) 1917 Coringa Judy Rocketman Melhor Curta Britânico – Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl) Azaar Goldfish Kamali The Trap Melhor Curta Animado Britânico – Grandad Was a Romantic In Her Boots The Magic Boat Artista Revelação (votação do público) – Micheal Ward Awkwafina Jack Lowden Kaitlyn Dever Kelvin Harrison Jr
Deputado do RS usa máscara do Coringa em sessão da Assembléia Legislativa
“Coringa” ganhou uma divulgação de fonte inesperada na reta final de sua campanha para o Oscar 2020. Durante uma sessão extraordinária da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul nesta terça (28/1), o deputado Rodrigo Maroni (Podemos) vestiu uma máscara de palhaço, que imita a maquiagem de Joaquin Phoenix no longa, como parte de um protesto pela falta de estrutura em segurança, educação e saúde no estado. “O filme foi lançado para dizer justamente o quê? Que sem educação, sem segurança e sem saúde pública, vamos ter uma sociedade de Coringas que vai estar se matando por falta de perspectiva de emprego” afirmou o deputado, antes de colocar a máscara. Para o político, sua manifestação “vai ficar na História”. Ao sair do púlpito, Maroni foi advertido por Luís Augusto Lara, presidente da Assembleia, sobre o uso da máscara. “O regimento só permite o uso de palavras. Vou pedir que não se repita isso”, avisou o político. Veja o vídeo do deputado palhaço abaixo. Apesar da “palhaçada” literal, a intervenção tem fundo sério, pois remete ao fato de que, no blockbuster hollywoodiano, Arthur Fleck virou o Coringa após o Estado cortar as verbas sociais de Gotham City, impedindo a continuidade de seu tratamento junto à assistente social que o mantinha na linha. Surtado, ele acaba liberando uma manifestação gigantesca de protestos genéricos, aproveitando a crise econômica para levar anarquia às ruas da cidade. Líder em indicações ao Oscar 2020, “Coringa” deve premiar a performance de Joaquin Phoenix e, quem sabe, “ficar na História” se conseguir surpreender e se tornar a primeira adaptação de quadrinhos a vencer a estatueta de Melhor Filme. A 92ª edição do prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA será realizada em 9 de fevereiro no Teatro Dolby, em Los Angeles, com transmissão ao vivo no Brasil pelos canais Globo e TNT.
Aves de Rapina ganha novo pôster e vídeo de bastidores de 7 minutos
A produção de “Aves de Rapina” ganhou novo pôster, para IMAX, e um vídeo de bastidores com mais de 7 minutos de duração. A prévia traz entrevistas com o elenco, o produtor e a diretora, comentando vários detalhes do filme, da coreografia de lutas ao figurino. Escrito por Christina Hodson (“Bumblebee”), dirigido pela chinesa Cathy Yan (“Dead Pigs”) e com um longo título oficial, “Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” junta a Arlequina (vida por Margot Robbie) com novas “amiguinhas”: o grupo de heroínas conhecido como Aves de Rapina, formado por Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell, de “True Blood”), Caçadora (vivida por Mary Elizabeth Winstead, de “Rua Cloverfield, 10”), Cassandra Cain (Ella Jay Basco, da série “Teachers”) e até a policial Renee Montoya (Rosie Perez, de “O Conselheiro do Crime”) na versão do cinema. Na trama, elas se aliam para enfrentar os vilões Máscara Negra (Ewan McGregor, de “Christopher Robin”) e Victor Zsasz (Chris Messina, de “The Mindy Project”). A estreia está marcada para 6 de fevereiro no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.












