Modo Avião vira o filme de língua não inglesa mais visto da Netflix
“Modo Avião”, estrelado por Larissa Manoela, virou o filme em língua não inglesa mais popular na história da Netflix. A plataforma anunciou o sucesso da produção em suas redes sociais, revelando números. De acordo com a postagem (veja abaixo), o longa foi assistido em quase 28 milhões de lares desde o lançamento, em 23 de janeiro. E não foram apenas brasileiros que se interessaram: dois terços da audiência vieram do exterior, de países como Estados Unidos, México, França e Alemanha. Apesar desse sucesso de público, “Modo Avião” não agradou à crítica internacional. Apenas dois críticos citados no Rotten Tomatoes optaram por assistir ao filme e ambos consideram a historinha muito clichê e desaprovaram. O veredito do site Decider, inclusive, era para o público pular a produção – não no sentido em que Sandy & Júnior cantam, mas para evitar mesmo. “Modo Avião” é baseado num conceito do mexicano Alberto Bremmer (“Ya Veremos”). A versão brasileira foi escrita por Renato Fagundes (“Vai que Cola – O Começo”) e Alice Name-Bomtempo (“Vai que Cola” – a série), e a direção ficou a cargo de César Rodrigues (“Vai que Cola – O Filme”). Na trama, Larissa Manoela vive uma “influencer” adolescente das redes sociais que não larga o celular, até que um série de acidentes faz sua família tomar uma atitude drástica e mandá-la para “Jupiter” – lugar também conhecido como a fazenda de seu avô (Erasmo Carlos) sem cobertura de celular – , onde aprende uma lição sobre a importância da família e de amizades reais – a tal moral da história. 🚨✈️ Alerta de hit ✈️🚨 Modo Avião é o filme de língua não inglesa mais popular na Netflix até hoje! Quase 28 milhões de lares assistiram ao filme desde o lançamento, há quatro semanas – dois terços deles fora do Brasil, em países como Estados Unidos, México, França e Alemanha. pic.twitter.com/HhqkYkGQ4k — Netflix Brasil (@NetflixBrasil) February 27, 2020
O Homem Invisível é a principal estreia da semana nos cinemas
As estreias mais amplas da semana são dois filmes de terror. Enquanto “A Hora da sua Morte” faz parte da atual leva de títulos realmente horrorosos do gênero, “O Homem Invisível” se destaca com aclamação da crítica internacional. Primeiro terror bem-avaliado de 2020, “O Homem Invisível” atingiu 91% de aprovação no site Rotten Tomatoes e também estreia neste fim de semana nos EUA, impulsionado por uma recepção entusiasmada da imprensa, que não economiza elogios à interpretação da atriz Elisabeth Moss (de “The Handmaid’s Tale”). No roteiro “hitchcockiano” do diretor Leigh Whannell (que criou as franquias “Jogos Mortais” e “Supernatural”), o monstro clássico imaginado pelo escritor H.G. Wells no fim do século 19 – e transformado num filme icônico de 1933 pela própria Universal – vira numa metáfora de relacionamento tóxico, em que um macho controlador se torna invisível para aterrorizar a ex-mulher, que todos consideram louca por denunciar a verdade. Além de tenso, tem conteúdo. O circuito limitado, por sua vez, assume aparência de programação de festival, trazendo filmes de dois cineastas vencedores de Cannes. “Você Não Estava Lá” é o novo drama do britânico Ken Loach, vencedor da Palma de Ouro por “Eu, Daniel Blake” (2016). Dando continuidade às suas obras de denúncia social, o diretor foca a uberização da economia, ilustrada pelas consequências do trabalho informal na vida de uma família. Já “Uma Vida Oculta” é a cinebiografia de um fazendeiro austríaco que se recusou a aderir à ideologia nazista e lutar na 2ª Guerra Mundial. A direção é de Terrence Malick, que conquistou a Palma de Ouro por “A Árvore da Vida” (2011). O resto da programação tem mais boas opções: “Meu Nome É Sara”, outro drama sobre a opressão nazista, traz a perspectiva de uma adolescente judia que se passa por católica para escapar do Holocausto; “Martin Eden”, adaptação da obra de Jack London, rendeu a Copa Volpi (de Melhor Ator) a Luca Marinelli no Festival de Veneza passado; e “Tarde para Morrer Jovem” premiou a chilena Dominga Sotomayor Castillo com o troféu de Melhor Direção no Festival de Locarno. Completa a lista o brasileiro “Jovens Polacas”. Confira abaixo mais detalhes, com todos os títulos, sinopses e trailers das estreias da semana. O Homem Invisível | EUA | Terror Presa em um relacionamento violento e controlador com um rico e brilhante cientista, Cecilia Kass foge com a ajuda de sua irmã, de sua amiga de infância e de sua filha adolescente. Quando seu ex abusivo comete suicídio e deixa para ela uma parte de sua vasta fortuna, Cecilia suspeita que a morte dele seja uma farsa. À medida que uma série de coincidências sinistras passam a acontecer, sua sanidade começa a se desfazer enquanto ela tenta provar que está sendo caçada por alguém que ninguém pode ver. A Hora da sua Morte | EUA | Terror Quando uma enfermeira faz o download de um aplicativo que afirma prever o momento em que uma pessoa morre, ela descobre que só tem três dias de vida. Com o relógio correndo e uma figura assombrando-a, ela deve encontrar uma maneira de salvar sua vida antes que o tempo acabe. Você Não Estava Lá | Reino Unido | Drama Na esperança de que o trabalho independente possa resolver seus problemas financeiros, um motorista de entregas do Reino Unido e sua esposa, lutando para criar uma família, acabam presos no círculo vicioso dessa forma moderna de exploração do trabalho. Uma Vida Oculta | EUA, Alemanha | Drama Franz Jägerstätter (August Diehl) é um fazendeiro austríaco que, ao seu recusar a lutar junto ao exército alemão durante a 2ª Guerra Mundial, é condenado à pena de morte por traição à pátria. Meu Nome é Sara | EUA | Drama Sara é uma judia polonesa de 13 anos que é acolhida e encontra trabalho ao mentir que é católica para um fazendeiro e sua esposa, durante a 2ª Guerra Mundial. Mas logo descobre que sua mentira pode ter consequências graves para seus empregadores. Martin Eden | Itália | Drama Adaptação do romance homônimo de Jack London. Martin Eden é um jovem marinheiro de baixa renda que se apaixona por Elena, uma menina burguesa, e decide perseguir seu sonho de virar escritor. Quando ele começa a conviver com a sociedade aristocrática, se sente deslocado de tudo que faz parte de sua essência. Então se envolve em círculos socialistas, colocando-se em conflito com Elena e seu mundo burguês. Tarde para Morrer Jovem | Chile, Brasil | Drama Com a volta da democracia ao Chile nos anos 1990, um grupo de famílias que vive em uma comunidade isolada aos pés dos Andes busca construir um novo mundo distante dos excessos urbanos, enquanto acompanha o amadurecimento das crianças e adolescentes num novo momento do país. Jovens Polacas | Brasil | Drama Baseado no livro homônimo de Esther Largman. A história de mulheres judias iludidas pela possibilidade de uma nova vida e traficadas do leste europeu para a prostituição no Rio de Janeiro no início do século 20. Ao ser entrevistada pelo jornalista Ricardo, Mira busca em sua memória detalhes de sua vida e rotina com sua mãe e faz as pazes com seu passado sombrio.
Filme Bacurau inspira profusão de fantasias de Carnaval
O filme “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, inspirou bastante fantasias no Carnaval de todo o Brasil, dos blocos de Recife ao paulista A Espetacular Charanga do França, onde virou quase tema. Os desfiles dos últimos dias registraram uma profusão de Lungas, o cangaceiro queer vivido pelo ator Silvero Pereira, e também de Domingas, a personagem de Sônia Braga. Lunga, porém, foi claramente a fantasia favorita, levando foliões a desfilarem com facões de plástico e avisos de que vieram “matar os fascistas”. No filme, Lunga lidera cangaceiros que defendem a cidade de Bacurau de mercenários estrangeiros que querem exterminar os moradores como se fossem alvos de caça. O diretor Kleber Mendonça Filho já tinha previsto o sucesso, ao reparar em algumas fantasias que estavam surgindo no começo do ano. “Pelo que entendi, Bacurau vai ser relançado no carnaval, mas não em forma de filme”, ele escreveu em seu Instagram. “Bacurau” conquistou reconhecimento internacional com o Prêmio do Juri no Festival de Cannes de 2019, além de vencer os festivais de Munique e Lima, entre outras premiações.
Guerra Cultural: Bruna Linzmeyer revela que muitos filmes que ia fazer foram cancelados
Em meio a conversas fúteis de Carnaval – gosta de folia?, como vai a vida amorosa? – a atriz Bruna Linzmeyer (“O Grande Circo Místico”) desabafou com a revista Quem, em plena Sapucaí, na noite de domingo (24/2), que a crise política que ameaça o cinema brasileiro é muito maior do que a imprensa tem noticiado. Enquanto via o desfile das escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro, ela contou que muitos filmes que tinha concordado em estrelar não serão mais realizados, devido ao impasse criado no setor pelo governo Bolsonaro. “Muitos filmes que eu ia fazer foram cancelados, muitos trabalhadores do cinema estão sem emprego, migrando para a televisão. As pessoas estão tentando se virar, mas está bem perigoso mesmo”, ela afirmou. Um levantamento realizado no começo do mês pelo jornal O Globo apurou que entre 400 e 600 projetos audiovisuais estão atualmente paralisados no Brasil. O governo Bolsonaro não publicou nenhum edital de fomento em 2019 e a aprovação do orçamento do ano passado foi confirmada apenas em dezembro, ainda assim deixando sua liberação para 2020. Normalmente, a verba do FSA (Fundo do Setor Audiovisual) é encaminhada no começo de cada ano, não no seu final. Na prática, isto significa que Bolsonaro paralisou a liberação da verbas para o audiovisual brasileiro desde que assumiu o governo. E ainda não liberou. O dinheiro que se encontra parado não faz parte do orçamento federal para outras áreas, como Saúde, Educação, etc. Não é fruto de Imposto de Renda, mas de uma taxa de mercado, chamada Condecine, que incide exclusivamente sobre o lucro da própria atividade cultural – é paga por produtoras, emissoras e provedores de conteúdo – e vinculada à aplicação no próprio mercado. Portanto, é uma verba que não pode ser realocada. Este montante, que alimenta o FSA, serve para regular e fomentar a produção, e supera R$ 700 milhões só em 2019, valor coletado entre janeiro e dezembro de 2018 e estacionado há mais de um ano. Detalhe: mesmo tendo sentado em cima dessa fortuna, o governo não deixou de cobrar a taxa. Isso significa que uma soma equivalente ao valor de 2019 já deve ter sido levantada (entre janeiro e dezembro passados) para 2020. Graças a isso, é bastante provável que o total de recursos paralisados pelo governo, que deveriam estar fomentando o audiovisual brasileiro, esteja atualmente girando em torno de R$ 1,5 bilhão. Enquanto o governo senta nesse dinheiro, “muitos trabalhadores do cinema estão sem emprego”, como relatou Bruna Linzmeyer.
Internet descobre que Sérgio Mallandro viveu história de Parasita em comédia de 1990
A internet levantou uma discussão divertida sobre “Parasita”. Tudo começou com um post que afirmou que a obra de Bong Joon-ho, premiado com o Oscar de Melhor Filme, era a versão sul-coreana de “Sonho de Verão”, uma comédia estrelada por Sérgio Mallandro em 1990. Os motivos da comparação são o enredo básico da trama. No filme brasileiro, um casal dono de uma grande mansão resolve passar férias na Europa. Só que o taxista que os leva ao aeroporto (Sérgio Mallandro) se aproveita da situação. Ele consegue se hospedar na casa fingindo ser um sobrinho dos donos. Depois, ainda leva a namorada para morar com ele. E ela, por sua vez, traz um casal de amigos. No final, tudo acaba em festa com as Paquitas. A grosso modo, a história pode ser resumida exatamente como “Parasita”. Um rapaz vai até uma mansão de desconhecidos e começa a conviver com os moradores. Depois, coloca uma jovem lá pra dentro também. Essa mulher, por sua vez, traz mais um casal para frequentar o local. Paulo Sérgio de Almeida, o diretor da comédia de 1990, acabou se divertindo com a comparação. “Acho que os filmes não tem nada a ver, mas achei isso [a comparação] engraçadíssimo, de um bom humor incrível”, disse o cineasta, em entrevista ao jornal O Globo. “O ‘Parasita’ tem várias abordagens, essa talvez nem seja a mais importante. Mas achei muito interessante essa leitura, essa capacidade de achar semelhanças”. Para quem quiser tirar a dúvida se "Parasita" é remake de "Sonho de Verão" tá aqui a análise do filme nacional feita pelo @debandalarga https://t.co/ugepDttamG — O Poderoso Chofer (@OPoderosoChofer) February 22, 2020 Dos motivos da internet ser fantástica: alguém se deu conta de que o plot de Parasita é muito parecido com o do filme Sonho de Verão, do Sérgio Mallandro AAAAAA IEIÉ pic.twitter.com/vZzaB6QApL — Joca (Jorge Luís Rocha) (@OGrandeJoca) February 21, 2020 Será ? https://t.co/pzUMYmr6xI pic.twitter.com/38Ef5Qhf0N — Sérgio Mallandro (@MallandroSergio) February 21, 2020
Carnaval: Leandra Leal homenageia cinema brasileiro com fantasia inspirada em seu primeiro filme
A atriz Leandra Leal resolveu homenagear o cinema brasileiro no Carnaval, fantasiando-se de “A Ostra e o Vento”. Ela postou fotos do look no Instagram, sob o lema “Viva o Carnaval e o cinema nacional”. “A Ostra e o Vento” foi o primeiro filme de sua carreira. Dirigido por Walter Lima Jr. e lançado em 1997, o longa também rendeu os primeiros prêmios internacionais da atriz, que venceu troféus por sua interpretação em festivais de Biarritz (França) e Miami (EUA). “Se não fosse esse filme, nada seria. Vai ter carnaval! Vai ter folia, alegria, arte, folia, cinema e sonho!”, comemorou a estrela, usando ainda a #SeguraOBacurau, em referência ao filme “Bacurau”, de Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho. Ver essa foto no Instagram Look de hoje: #AOstraEOVento😍 Viva o Carnaval e o Cinema Nacional! #Começou #SeguraOBacurau #SemRival ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ 💄: @brennomelo ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ 👗: @thaysajafet Uma publicação compartilhada por Leandra Leal (@leandraleal) em 21 de Fev, 2020 às 1:56 PST Ver essa foto no Instagram Começou o carnaval 2020! #semrival viva o cinema nacional Homenagem ao meu primeiro filme “A Ostra e o Vento”. Se não fosse esse filme, nada seria. Vai ter carnaval! Vai ter folia, alegria, arte, folia, cinema e sonho! #seguraobacurau #semrival Uma publicação compartilhada por Leandra Leal (@leandraleal) em 21 de Fev, 2020 às 2:35 PST
Guerra Cultural: Servidores da Cultura divulgam carta aberta contra política de Bolsonaro para o setor
A Associação dos Servidores do Ministério da Cultura, que mantém o nome original apesar do Ministério ter virado Secretaria da Cultura, divulgou uma carta aberta em protesto contra a “política cultural” do governo Bolsonaro após uma assembleia de seus integrantes realizada nesta semana, que também contou com funcionários do Iphan e da Fundação Palmares. O documento, endereçado à sociedade, critica o “esvaziamento e o desmonte do setor” que vem ocorrendo “desde o início de 2019”, e também o “comprometimento ideológico autoritário e fascista” de dirigentes da área, que ameaçam as políticas públicas de Cultura. “A área da Cultura do Governo Federal (…) tem vivido um momento de turbulência política e administrativa. O reflexo pode ser visto na extinção do Ministério da Cultura, na diminuição do orçamento e consequente estagnação na execução de ações; na falta de diretrizes para o setor; na descontinuidade de políticas de estado como o Plano Nacional de Cultura e o Sistema Nacional de Cultura, entre outros”, diz o documento, que segue. “Como se não bastasse, o envolvimento dos dirigentes das instituições de cultura com atos de censura, perseguição, comprometimento ideológico autoritário e fascista vem ameaçando o propósito de uma política pública em consonância com o disposto na Constituição Federal de 1988, em seus artigos 215 e 216”. O desmonte do setor, que vem ocorrendo desde o início de 2019, teria começado com a transformação “desastrosa” do antigo Ministério da Cultura em pasta do Ministério da Cidadania, alegando que, desde então, “os recursos são priorizados para projetos de assistência social, e as políticas de Cultura acabam ficando em segundo plano”. Segundo o documento, nos mais de 30 anos de existência do Ministério da Cultura, as políticas culturais fomentaram a valorização da identidade nacional por meio do apoio de diversas áreas, como o cinema e às artes, por exemplo. Entretanto, atualmente há uma “tentativa de transformar a área da Cultura em um espaço de doutrinação e censura pelos recentes gestores nos últimos meses” e que isso deve ser combatido, afirmando que os funcionários da área da Cultura não admitirão esse tipo de atuação. Leia a carta na íntegra: Prezado Cidadão, A área da Cultura do Governo Federal, a qual inclui as políticas públicas para os museus, o patrimônio cultural, as manifestações artísticas, cênicas, literárias, audiovisuais, além de acervos bibliográficos de extrema importância para a história e a memória do Brasil, tem vivido um momento de turbulência política e administrativa. O reflexo pode ser visto na extinção do Ministério da Cultura, na diminuição do orçamento e consequente estagnação na execução de ações; na falta de diretrizes para o setor; na descontinuidade de políticas de estado como o Plano Nacional de Cultura e o Sistema Nacional de Cultura, entre outros. Como se não bastasse, o envolvimento dos dirigentes das instituições de cultura com atos de censura, perseguição, comprometimento ideológico autoritário e fascista vem ameaçando o propósito de uma política pública em consonância com o disposto na Constituição Federal de 1988, em seus artigos 215 e 216. No mundo contemporâneo, a área da Cultura é responsável por metas do desenvolvimento socioeconômico dos países, tendo um papel significativo em setores como o turismo e a educação. No Brasil, nos mais de 30 anos de existência do Ministério da Cultura, as políticas culturais fomentaram a valorização da identidade nacional por meio do apoio às expressões da cultura popular, ao cinema, às artes, à formação de público, à ampliação de equipamentos culturais, à apropriação social do patrimônio cultural, ao incentivo da iniciativa privada às produções artísticas – são estes alguns exemplos. O Ministério da Cultura, desde sua criação em 1985, primou pela liberdade de expressão e criação fora e dentro da instituição. Aqui é importante destacar que, ao longo das décadas, o estabelecimento de quadro de servidores qualificados tecnicamente, que ingressaram por meio de concurso público, possibilitou a defesa e a execução de projetos e ações voltados a todos os públicos, sendo movidos pela riqueza dos saberes e práticas culturais que conectam os diversos grupos e comunidades que configuram a sociedade brasileira. Ressaltamos que a área da Cultura, em todas as suas dimensões, tem por obrigação o desenvolvimento de políticas que se destinem a toda a população, e que não estejam contaminadas por interesses particulares, credos específicos ou ideologia que suprima as liberdades e os direitos culturais. E nós, como prestadores do serviço público nesta área, devemos cumprir com as atribuições do estado democrático de direito e assegurar à sociedade uma oferta de projetos e programas que seja ampla e diversa como é o Brasil, sem filtros religiosos, filosóficos ou políticos. A desastrosa alocação do setor no Ministério da Cidadania demonstrou que políticas culturais não cabem no arcabouço assistencialista daquela pasta. A forma de organização e implementação das políticas diferem de tal maneira que inviabilizam qualquer tipo de atuação conjunta. Os recursos são priorizados para projetos de assistência social, e as políticas de cultura acabam ficando em segundo plano. Os servidores já haviam se posicionado da seguinte forma: “A junção da pasta da Cultura com outras políticas que diferem essencialmente na forma de implantação, princípios, modelos e atuação tem impedido a continuidade /de uma proposta efetivamente cidadã, voltada para processos mais humanos nas suas relações políticas e sociais.” Fonte: AsMinC: Os Servidores da Cultura e o Papel na Construção de Uma Dimensão Ampla para o Setor Cultura, Desmonte do Estado e Desenvolvimento: AFIPEA-2019. Não devemos retroceder! A pouco expressiva economia em despesas administrativas e de custeio, ou na insignificante redução de cargos, não é argumento suficiente para a extinção do Ministério da Cultura sob a forma da Secretaria Especial da Cultura: são perdas irreparáveis o esvaziamento e o desmonte do setor, que vêm ocorrendo paulatinamente desde o início de 2019. Além disso, a tentativa de transformar a área da Cultura em um espaço de doutrinação e censura pelos recentes gestores nos últimos meses deve ser combatida. Os servidores da Cultura não admitem esse tipo de atuação, conclamando a sociedade a se juntar na defesa das instituições públicas e na formação de um quadro de gestores que estejam preparados técnica e eticamente para os cargos. Acreditamos que é possível retomar a construção de uma política de estado no setor e nos colocamos à disposição para apoiar o trabalho, utilizando os critérios técnicos e administrativos que fazem parte da prática do quadro de servidores da Cultura. Assembléia da Associação dos Servidores do Ministério da Cultura de 19/2/2020
Guerra Cultural: Recorde de filmes brasileiros no Festival de Berlim não tem apoio do governo
O Festival de Berlim, que começou na quinta-feira, virou um marco da produção cinematográfica brasileira. Não apenas por conta da presença recorde de filmes nacionais — 19, incluindo coproduções — , que rendeu destaque até da revista americana Variety, mas pelo paradoxo que este reconhecimento internacional representa diante do desdém do governo do Brasil e ao desmonte da política cultural que permitiu esse sucesso. A edição do recorde também é primeira edição do Festival de Berlim em que os filmes selecionados não contam com apoio financeiro do governo federal para participar do evento. Desde que foi criada em 2001, a Ancine costumava apoiar mais do que a presença dos profissionais em quase cem festivais e laboratórios pelo mundo, mas também a confecção de material gráfico e cópias legendadas, o transporte das cópias para o exterior, seu armazenamento e conservação, além das despesas com a exportação. Em setembro passado, contudo, a diretoria da agência anunciou a suspensão do programa de apoio internacional, alegando falta de recursos. Em comunicado, a Ancine, sem querer (querendo?), culpa o governo Bolsonaro, ao alegar que o Programa de Apoio a Festivais foi “temporariamente” cortado “devido ao contingenciamento orçamentário determinado pelo Governo Federal”. O comunicado lembra ainda que o governo paralisou os trabalhos da Ancine, ao mencionar que a diretoria colegiada foi recomposta somente em janeiro de 2020, e só então “voltou a deliberar sobre as pautas represadas durante a vacância de diretores”. Deste modo, apenas a partir das primeiras reuniões da diretoria o programa poderá “ser reavaliado”. Mas já não foi nas duas primeiras, realizadas em fevereiro, onde houve a ratificação da suspensão e, por outro lado, aprovação de verbas para viagens internacionais de servidores da própria entidade. Além da Ancine, os filmes brasileiros também contavam com financiamento do Cinema do Brasil, um programa de exportação e fomento implementado em parceria pelo Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo (SIAESP) e pela Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), ligada ao Ministério das Relações Exteriores. O apoio chegava a US$ 15 mil por produção até que, no ano passado, a então diretora de Negócios da Apex, Letícia Catelani, filiada ao PSL, interrompeu a distribuição dos recursos. Não se trata apenas de “política cultural”, mas econômica. As consequências diretas são o enfraquecimento da capacidade da indústria cinematográfica brasileira realizar negócios internacionais. Além de servir de mostra de filmes e da competição do Urso de Ouro, o Festival de Berlim também é um dos principais balcões de negócios da Europa, onde contratos de distribuição, financiamento e coproduções internacionais costumam ser fechados. Bons negócios não acontecem apenas com a exibição de filmes. Requerem material impresso, representação forte e até realização de eventos para o mercado, o que o governo brasileiro costumava apoiar até Bolsonaro ser eleito. Os países mais desenvolvidos do mundo transformam a produção cultural numa de suas maiores fontes de enriquecimento, mas o atual governo do Brasil prefere o empobrecimento em todos os sentidos.
Guerra Cultural: Bolsonaro nomeia pastor e diretora de festival cristão para a Ancine
Jair Bolsonaro costuma repetir, nos mais de 40 eventos evangélicos que frequentou desde que assumiu a presidência da República, que o Estado é laico, mas ele é cristão. Mas com cada vez mais nomeações de cristãos e servidores “terrivelmente evangélicos” para cargos estratégicos, a linha que separa a atividade estatal da religião começa a se dissipar. Nesta sexta (21/2), o presidente nomeou um pastor e uma diretora de festival de cinema cristão para integrar a diretoria da Ancine. As indicações foram publicadas no Diário Oficial da União e agora o Senado precisa avaliar e aprovar os nomes de Edilásio Santana Barra Júnior e Verônica Brendler. Edilásio Barra, o “pastor Tutuca”, já faz parte dos quadros da Ancine. Em 2019, ele assumiu a Superintendência de Desenvolvimento Econômico da Ancine, responsável pela gestão do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual), a verba que responde pela principal fonte de fomento à produção de cinema no país, e que se encontra congelada desde que Bolsonaro foi eleito. Ele também é apresentador de TV e bispo da Igreja Continental do Amor de Jesus. Verônica Brendler é produtora cultural e diretora do Festival Internacional de Cinema Cristão. Em seu currículo, ela cita “mais de 80 projetos aprovados pela Rei Rouanet”, além de ter realizado a 1ª Mostra de Cinema Cristão, dirigir a Escola de Cinema Cristão e organizar 30 encontros de cineastas cristãos. As indicações fazem parte do projeto de instalar “filtros” na liberação de verbas para a aprovação de filmes e séries no Brasil, anunciado por Bolsonaro no ano passado. Bolsonaro já tinha posicionado peça importante na nova orientação que pretende impor ao cinema brasileiro ao nomear Hiran Silveira, um diretor da rede Record, braço televisivo da Igreja Universal, para o comitê que administra o caixa do FSA. Seria uma forma “malandra” de driblar a Constituição, que estabelece que o presidente pode ser cristão, mas o Estado não. Na prática, porém, o Estado deixa de ser laico quando regras religiosas passam a determinar a produção cultural de um país, estabelecendo que tipo de conteúdo é incentivado e, consequentemente, o que será vetado.
Série Zé do Caixão é liberada na internet, em homenagem do canal Space
O canal pago Space disponibilizou em sua página no YouTube a minissérie “Zé do Caixão” na íntegra, em homenagem ao cineasta José Mojica Marins, falecido na quarta (19/2) em São Paulo, aos 83 anos de idade. Exibida na TV em 2015, a produção acompanha momentos marcantes da vida do diretor, que criou um dos maiores ícones do cinema nacional, o Zé do Caixão. Protagonizada por Matheus Nachtergaele, a trama foi inspirada na biografia “Maldito”, escrita em 1998 pelos jornalistas Ivan Finotti e André Barcinski. “Esta foi a primeira série de ficção do canal Space Brasil. Foi escolhida a dedo tendo com o objetivo de homenagear um dos maiores cineastas brasileiros, mostrando seu processo de criação e produção”, conta Silvia Fu, Diretora Sênior de Conteúdo da Turner Brasil. “Nada mais justo nesse momento do que disponibilizar essa homenagem para todo público. Matheus Nachtergaele teve uma interpretação irreparável, emocionando o próprio Mojica em uma visita ao set”, completa. Com seis episódios de 45 minutos cada, a série foca na figura de Mojica e sua carreira no cinema, mostrando as filmagens e dificuldades das produções do cineasta, além de contar paralelamente como era sua vida pessoal e a relação com elenco, produtores e equipe dos longas. Cada capítulo do programa é dedicado a um de seus filmes, incluindo “À Meia-Noite Levarei sua Alma”, que traz a primeira aparição do personagem Zé do Caixão. Veja a minissérie completa abaixo.
Cinearte, tradicional cinema de São Paulo, fecha as portas após 56 anos
O Cinearte, um dos cinemas mais tradicionais da cidade de São Paulo, localizado no Conjunto Nacional, no coração da Avenida Paulista, fechou as portas na noite de quarta-feira (19/2) devido à política cultural do governo Bolsonaro. O cinema foi inaugurado em 1963 com o nome de Cine Rio. Também já foi chamado de Cine Bombril, Cine Livraria Cultura e, até março de 2019, Cinearte Petrobras. Segundo orientação de Bolsonaro, a Petrobras não renovou o contrato de patrocínio com o cinema no começo de 2019. O corte foi geral e também atingiu festivais, como o Anima Mundi e o Festival de Rio, além de outros eventos culturais. A atriz Angela Leal revelou que chegou a enfartar quando seu teatro, o Rival, perdeu o apoio da Petrobrás no ano passado. O cinema não conseguiu novo patrocinador para ficar aberto, ao contrário do Cine Belas Artes, que enfrentou o mesmo problema em relação à Caixa Econômica Federal. Mas enquanto o Belas Artes, a poucos metros de distância, tornou sua situação – e causa – pública, o desfecho do Cinearte foi melancólico, sem aviso prévio ou alarde. A maioria do público chegou desavisado ao cinema na noite de quarta, sem saber que se tratava da última sessão. “Foram 22 anos de várias parcerias que tornaram possível a apresentação de inúmeros filmes independentes, debates, mostras, pré-estreias. Agradecemos a todos que, ao longo desta jornada, estiveram conosco nesta empreitada. Fechamos duas salas, mas não apagamos a crença na diversidade possível no cinema e que nosso lema Democracia na Tela esteja também no nosso cotidiano sempre”, disse Adhemar Oliveira, diretor do Circuito Cinearte, em comunicado. O último filme exibido foi “Parasita”, vencedor do Oscar 2020. Além de proibir que estatais possam ajudar a manter cinemas abertos, Bolsonaro vetou integralmente em dezembro a prorrogação do Recine (Regime Especial de Tributação para Desenvolvimento da Atividade de Exibição Cinematográfica) e dos incentivos fiscais da Lei do Audiovisual, que, entre outros objetivos, visavam fomentar a abertura de novos cinemas no Brasil. Não por acaso, durante o primeiro ano do governo Bolsonaro, o parque exibidor nacional registrou sua maior retração desde os anos 1990, perdendo 155 cinemas em relação ao relatório da administração anterior sobre a quantidade de salas de exibição existentes no país. A principal ironia desses dados é que a Ancine comemorou o resultado “robusto”. Quem quiser comparar e reparar na briga com a realidade, pode verificar um exemplo prático do orweliano Ministério da Verdade no próprio site oficial da Ancine, onde o relatório oficial de 2018 (aqui) exalta o recorde de 3.356 cinemas, enquanto o texto mais recente (aqui) afirma que o número era 3.194 e houve um crescimento “robusto” para 3.201 salas em 2019, “ressaltando o fortalecimento do número de cinemas no país”. O mesmo texto traz um link para powerpoints que não cobrem o ano passado, mas citam 3.352 salas em 2018. Noves fora, continuam aproximadamente 150 cinemas a menos.
Filmes sobre crime de Suzane Von Richthofen ganham novas fotos
A Galeria Distribuidora divulgou quatro novas fotos de “A Menina que Matou os Pais” e “O Menino Que Matou Meus Pais”, filmes com narrativas paralelas que exploram a polêmica em torno do assassinato dos pais de Suzanne Von Richthofen, comparando as versões dadas pela jovem e por seu namorado, Daniel Cravinhos. Os dois foram condenados pelo crime. O elenco destaca a atriz Carla Diaz (da novelinha “Rebeldes”) como Suzane e Leonardo Bittencourt (da novelinha “Malhação”) no papel de Daniel, enquanto a família de Suzane é representada por Vera Zimmermann (“Os Dez Mandamentos: O Filme”), Leonardo Medeiros (“O Mecanismo”) e o menino Kauan Ceglio (“Santos Dumont”). O elenco também inclui Allan Souza Lima (“A Cabeça de Gumercindo Saraiva”) como Christian, o irmão e cúmplice de Daniel. Os longas têm direção de Mauricio Eça (“Carrossel: O Filme”) e roteiros escritos por Raphael Montes (“Praça Paris”) em parceria com Ilana Casoy, criminóloga que é considerada a maior especialista em serial killers do Brasil. Ambos vão estrear no dia 2 de abril.
Festival de Berlim: Kleber Mendonça Filho diz que governo tenta destruir cinema brasileiro
O diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho acabou concentrando a atenção da imprensa internacional durante a entrevista coletiva do júri do 70º Festival de Berlim, iniciado nesta quinta (20/2) na capital da Alemanha. Após pronunciamento do presidente do júri, o ator britânico Jeremy Irons (“Watchmen”), o cineasta pernambucano virou foco de perguntas de jornalistas estrangeiros perplexos com a situação política do Brasil, após a repercussão mundial do ataque do governo Bolsonaro à Petra Costa, diretora do documentário indicado ao Oscar “Democracia em Vertigem”, e as declarações disparatadas do presidente contra o ator Leonardo DiCaprio. Conhecido por filmes politizados, Kleber Mendonça Filho precisou responder se ainda era bem-vindo no Brasil. “Por sorte, sou bem-vindo em todos os lugares, inclusive aqui”, disse o diretor de “Bacurau” e “Aquarius”. “Vou continuar fazendo meus filmes, viajando com eles e falando o que penso. Nada vai mudar em termos de dizer o que penso”, acrescentou. Mendonça Filho também abordou o paradoxo atual do audiovisual brasileiro, representado pela presença recorde de 19 produções e coproduções brasileiras em Berlim no momento em que a produção de filmes se encontra paralisada no país – desde a posse de Bolsonaro, incentivos foram cortados e nenhuma verba foi liberada para novos projetos cinematográficos. “Estamos no melhor momento da história do cinema brasileiro e é exatamente o momento em que a indústria cinematográfica do país está sendo desmantelada dia a dia”, ele apontou. “Claro que estou preocupado. Temos cerca de 600 projetos entre cinema e televisão completamente congelados pela burocracia. O cinema brasileiro percorreu um longo caminho e tem uma história longa, é muito diverso. Foram mais de 20 anos de trabalho duro para construir isso. Temos uma lista muito diversa de cineastas do Brasil todo, não só do Sudeste, que economicamente e historicamente era onde o dinheiro estava concentrado. E é isso que está sendo destruído agora.” O cineasta contou que muitos cineastas jovens o procuram, preocupados com a perspectiva de conseguir seguir na carreira. “Eu digo que é uma época dura, mas também excelente para fazer filmes, porque a tecnologia ajuda e temos um país ainda mais cheio de contradições, conflitos e drama”, contou. Para completar, Mendonça Filho ainda comentou a morte de José Mojica Marins, o Zé do Caixão. “Ele foi um dos maiores diretores brasileiros na minha opinião, mas muito incompreendido no passado por fazer cinema de gênero. Nas últimas décadas os filmes de gênero, que sempre foram importantes e maravilhosos, ganharam respeitabilidade. Para mim, o cinema de gênero é um dos exemplos mais extremos de fazer cinema, mas não significa que só considero filmes de gênero, porque o cinema é rico o suficiente para ser diversificado.” Os demais integrantes do júri – a atriz franco-argentina Bérenice Bejo (de “O Artista” e “O Passado”), a produtora alemã Bettina Brokemper (parceira dos filmes de Lars von Trier, de “Dogville” a “A Casa que Jack Construiu”), a diretora palestina Annemarie Jacir (“Wajib – Um Convite de Casamento”), o diretor e roteirista americano Kenneth Lonergan (“Manchester à Beira Mar”) e o ator italiano Luca Marinelli (“Entre Tempos”) – foram questionados apenas sobre o que esperam do festival e qual critério adotarão para escolher os melhores filmes. Jeremy Irons, que se manifestou sobre declarações polêmicas de seu passado, finalizou dizendo-se a favor de pautas progressistas, como direitos LGBTQIA+ e feminismo, e espera que alguns dos filmes da competição abordem esses assuntos e muitos outros problemas enfrentados no mundo. “Estou ansioso por assistir a longas que nos levem a questionar atitudes, preconceitos e mostrem percepções diferentes de mundo.”











