Best-seller sobre adolescentes náufragos vira projeto de série
A rede CW encomendou um projeto de série baseada no livro “The Lifeboat Clique”, de Kathy Parks. A roteirista-produtora Katie Wech (de “Rizzoli & Isles” e “Star”) está desenvolvendo a trama, que gira em torno de um grupo de adolescentes californianos arrastados para o mar durante um tsunami. Segundo a sinopse, o lugar onde eles vão parar é novo, mas a política do ensino médio e as hierarquias sociais que se desenvolvem não são tão inéditas assim. Dos destroços, surge um líder improvável: alguém que passou a maior parte do ensino médio desprezando seus colegas náufragos e, agora, precisa dominar o sistema social que detesta se quiser sobreviver. A premissa parece um encontro de “Meninas Malvadas” com “O Senhor das Moscas”, todos juntos no mesmo barco – isto é, no barco de “As Aventuras de Pi”. Além de Katie Wech, a produção conta com o veterano Jerry Bruckheimer (“CSI” e “Piratas do Caribe”). O projeto ainda está em fase de desenvolvimento de roteiro, que precisa agradar aos executivos da CW para passar à fase de piloto e, então, buscar aprovação final para se materializar como série.
Riverdale: Pais e filhos se separam nos pôsteres da 3ª temporada
A rede The CW divulgou dois pôsteres da 3ª temporada de “Riverdale”, que separam os pais e filhos da trama. O abismo geracional ainda é mais acentuado no caso de Veronica (Camila Mendes) e seus pais, que começam o novo ano rompidos. “Riverdale” foi o grande destaque do último Teen Choice Awards, conquistando nove troféus, mais que qualquer outra série ou filme na votação dos adolescentes americanos. Os novos episódios estreiam em 10 de outubro nos Estados Unidos. No Brasil, a série é exibida pelo canal pago Warner.
Baby: Minissérie italiana sobre escândalo de prostituição adolescente ganha primeiro teaser
A Netflix divulgou seis fotos e o primeiro teaser da minissérie italiana “Baby”, que mostra a protagonista arrumando o cabelo, passando baton e se preparando para a noite, ao som do hit “Girls Just Wanna Have Fun”, na versão da banda Chromatics. A sinopse oficial diz que a trama é “baseada em uma história real” e “segue um grupo de adolescentes romanos que desafiam a sociedade em busca de identidade e independência.” A história real é, na verdade, um escândalo, conhecido como o caso de Baby Squillo. Em 2013, foi revelado que o ex-policial Mauro Floriani, marido de Alessandra Mussolini, a neta do ex-ditador fascista, comandava um esquema de prostituição com garotas entre 14 e 16 anos. Contratadas para entreter clientes importantes durante festas, elas ganhavam milhares de euros para comprar roupas de grifes famosas e celulares de última geração. Dirigido pelos cineastas Andrea De Sica (I Figli della Notte”) e Anna Negri (“Riprendimi”), com Benedetta Porcaroli (“Quando Basta”), Alice Pagani (“Loro 1” e “2”), Isabella Ferrari (“A Grande Beleza”), Claudia Pandolfi (“A Primeira Coisa Bela”) e outros atores italianos, a minissérie terá 6 episódios e chega ao streaming em 30 de novembro.
Super-heróis e séries adolescentes dominam indicações do People’s Choice Awards 2018
O People’s Choice Awards, premiação que confirma a popularidade de filmes, séries, músicas, artistas e celebridades americanas, divulgou seus indicados de 2018. E, como sempre, a lista é repleta de blockbusters, líderes de audiência e sucessos das paradas musicais. Mas há anomalias, como a inclusão da cancelada “Shadowhunters: The Mortal Instruments” em nada menos que cinco categorias. A série vai acabar com episódios especiais no ano que vem, para concluir a história, devido à pressão dos fãs. Mas não tinha muito público. Sua presença – e de forma dominante – na lista ilustra como o People’s Choice foi abduzido pelos eleitores do Teen Choice, a premiação de popularidade dos adolescentes americanos. As categorias de música tornam isso mais evidente, com hits e artistas favoritos até das crianças que votam no Kids Choice, a premiação infantil equivalente. Há, claro, alguns exemplares que lembram uma votação de tiozinhos, como “Cinquenta Tons de Liberdade”, trash adorado por donas de casa, e a série “Grey’s Anatomy”, que está há mais tempo no ar que a idade de muitos votantes. Mas são minoria numa relação dominada por filmes de super-heróis, dramas adolescentes e cantores adorados por criancinhas. A votação é aberta para qualquer um no site oficial do prêmio (https://pca.eonline.com/) ou via hashtags oficiais das categorias e indicados para votação no Twitter ou Facebook. A entrega dos prêmios está marcada para 11 de novembro e a cerimônia será transmitida no Brasil pelo canal pago E!. Veja abaixo a lista completa dos indicados. Melhor Filme de 2018 “Pantera Negra” “Vingadores: Guerra Infinita” “Os Incríveis 2” “Cinquenta Tons de Liberdade” “Um Lugar Silencioso” Melhor Filme de Comédia de 2018 “Com Amor, Simon” “Não Vai Dar” “Meu Ex é um Espião” “Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo” “Podres de Ricos” Melhor Filme de Ação de 2018 “Pantera Negra” “Vingadores: Guerra Infinita “Deadpool 2” “Jurassic World: Reino Ameaçado” “Oito Mulheres e Um Segredo” Melhor Filme de Drama de 2018 “Cinquenta Tons de Liberdade” “12 Heróis” “Operação Red Sparrow” “Sol da Meia-Noite” “Um Lugar Silencioso” Melhor Filme Infantil de 2018 “Os Incríveis 2” “Uma Dobra no Tempo” “Hotel Transilvânia 3” “Eu Só Posso Imaginar” “Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível” Melhor Ator de Cinema de 2018 Chris Hemsworth, por “Vingadores: Guerra Infinita” Robert Downey Jr., por “Vingadores: Guerra Infinita” Chadwick Boseman, por “Pantera Negra” Chris Pratt, por “Jurassic World: Reino Ameaçado” Nick Robinson, por “Com Amor, Simon” Melhor Atriz de Cinema de 2018 Scarlett Johansson, por “Vingadores: Guerra Infinita” Sandra Bullock, por “Oito Mulheres e Um Segredo” Anne Hathaway, por “Oito Mulheres e Um Segredo” Lily James, por “Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo” Bryce Dallas Howard, por “Jurassic World: Reino Ameaçado” Melhor Ator ou Atriz de Filme de Drama de 2018 John Krasinski, por “Um Lugar Silencioso” Emily Blunt, por “Um Lugar Silencioso” Jennifer Lawrence, por “Operação Red Sparrow” Chris Hemsworth, por “12 Heróis” Jamie Dornan, por “Cinquenta Tons de Liberdade” Melhor Ator ou Atriz de Filme de Comédia de 2018 Melissa McCarthy, por “Alma da Festa” John Cena, por “Não Vai Dar” Nick Robinson, por “Com Amor, Simon” Amanda Seyfried, por “Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo” Mila Kunis, por “Meu Ex é um Espião” Melhor Ator ou Atriz de Filme de Ação de 2018 Chris Hemsworth, por “Vingadores: Guerra Infinita” Ryan Reynolds, por “Deadpool 2” Chadwick Boseman, por “Pantera Negra” Danai Gurira, por “Pantera Negra” Chris Pratt, por “Jurassic World: Reino Ameaçado” Melhor Série de 2018 “This Is Us” “Grey’s Anatomy” “The Big Bang Theory” “13 Reasons Why” “Shadowhunters: The Mortal Instruments” Melhor Série de Drama de 2018 “This Is Us” “Grey’s Anatomy” “13 Reasons Why” “Riverdale” “The Handmaid’s Tale” Melhor Série de Comédia de 2018 “The Big Bang Theory” “Modern Family” “Black-ish” “Orange Is the New Black” “The Good Place” Melhor Série de Sci-Fi ou Fantasia de 2018 “Supernatural” “The Originals” “The Expanse” “Wynonna Earp” “Shadowhunters: The Mortal Instruments” Melhor Série para Maratonar de 2018 “Outlander” “Queer Eye” “Shadowhunters: The Mortal Instruments” “13 Reasons Why” “Shameless” Melhor Ator de Série de 2018 Andrew Lincoln, por “The Walking Dead” Cole Sprouse, por “Riverdale” Justin Chambers, por “Grey’s Anatomy” Freddie Highmore, por “The Good Doctor” Harry Shum Jr., por “Shadowhunters: The Mortal Instruments” Melhor Atriz de Série de 2018 Ellen Pompeo, por “Grey’s Anatomy” Mandy Moore, por “This Is Us” Camila Mendes, por “Riverdale” Viola Davis, por “How to Get Away With Murder” Katherine McNamara, por “Shadowhunters: The Mortal Instruments” Melhor Ator ou Atriz de Série de Drama de 2018 Ellen Pompeo, por “Grey’s Anatomy” Mariska Hargitay, por “Law & Order: SVU” KJ Apa, por “Riverdale’ Darren Criss, por “The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story” Katherine Langford, por “13 Reasons Why” Melhor Ator ou Atriz de Série de Comédia de 2018 Jim Parsons, por “The Big Bang Theory” Donald Glover, por “Atlanta” Kristen Bell, por “The Good Place” Sofia Vergara, por “Modern Family” Drew Barrymore, por “Santa Clarita Diet” Melhor Revival de 2018 “American Idol” “One Day at a Time” “Queer Eye” “Jersey Shore: Family Vacation” “Dynasty” Melhor Reality Show de 2018 “Jersey Shore: Family Vacation” “Queer Eye” “Keeping Up With the Kardashians” “Chrisley Knows Best” “Vanderpump Rules” Melhor Reality de Competição de 2018 “The Voice” “Ellen’s Game of Games” “Big Brother” “RuPaul’s Drag Race” “America’s Got Talent” Melhor Estrela de Melhor Reality show de 2018 Khloe Kardashian, por “Keeping Up With the Kardashians” Antoni Porowski, por “Queer Eye” Joanna Gaines, por “Fixer Upper” Paul “Pauly D” DelVecchio, por “Jersey Shore: Family Vacation” Nikki Bella, por “Total Bellas” Melhor Cantor de 2018 Drake Keith Urban Ed Sheeran Shawn Mendes Bruno Mars Melhor Cantora de 2018 Taylor Swift Cardi B Ariana Grande Camila Cabello Nicki Minaj Melhor Banda de 2018 Twenty One Pilots Panic! At the Disco 5 Seconds of Summer BTS Super Junior Melhor Disco de 2018 Cardi B, “Invasion of Privacy” Camila Cabello, “Camila” Shawn Mendes, “Shawn Mendes” Ariana Grande, “Sweetener” Nicki Minaj, “Queen” Melhor Música de 2018 Ariana Grande, “No Tears Left to Cry” Shawn Mendes, “In My Blood” Selena Gomez, “Back to You” Cardi B, Bad Bunny & J Balvin, “I Like It” BTS, “Idol” Melhor Artista Country de 2018 Thomas Rhett Luke Bryan Carrie Underwood Blake Shelton Keith Urban Melhor Artista latino de 2018 Becky G CNCO J Balvin Bad Bunny Shakira Melhor Clipe de 2018 Selena Gomez, “Back to You” Ariana Grande, “No Tears Left to Cry” Childish Gambino, “This Is America” Camila Cabello, “Never Be the Same” BTS, “Idol” Melhor Turnê de 2018 Beyoncé & Jay Z, “On the Run II” Tour Taylor Swift, “Reputation” Tour Britney Spears, “Piece of Me” Tour Katy Perry, “Witness” Tour Super Junior, “Super Show 7” Melhor Celebridade nas Redes Sociais de 2018 Ellen DeGeneres Chrissy Teigen BTS Taylor Swift Selena Gomez Melhor Comediante de 2018 Kevin Hart Tiffany Haddish Ali Wong Marlon Wayans Amy Schumer Melhor Ícone de Estilo de 2018 Zendaya Blake Lively Emma Watson Beyoncé Harry Styles Melhor Esportista de 2018 Colin Kaepernick Serena Williams Cristiano Ronaldo Aly Raisman Nia Jax
Sierra Burgess É uma Loser recicla Cyrano de Bergerac para a geração Netflix
Há uma razão para afirmar que “Sierra Burgess É uma Loser”, comédia teen da Netflix, nasceu velha. Não por se entregar aos clichês da comédia romântica adolescente e de escolinha, mas principalmente por confiar em conceitos que falavam com a sociedade de quase 40 anos atrás, mas que hoje soam retrógrados e, mesmo que originados de boas intenção, resultam como equivocados e até mesmo preconceituosos. O filme do estreante em longas Ian Samuels (do curta premiado em Sundance “Myrna the Monster”) colhe sua inspiração de “Cyrano de Bergerac”, peça clássica de 1897. Já vimos diversos filmes adaptados da obra de Edmond Rostand e não é a primeira vez que os figurinos de época são deixados no armário e substituídos por roupas do período em que a produção foi rodada, como “Roxanne”, de 1987, com Steve Martin e Daryl Hannah. Apesar do título, o filme de Fred Schepisi não é contado do ponto de vista da personagem título interpretada por Daryl Hannah, mas pelo Cyrano narigudo de Steve Martin que tem outro nome que ninguém lembra, embora faça referência ao protagonista da obra clássica. Só que as pessoas lembrarão do nome de Sierra Burgess (vivida por Shannon Purser, a Barb de “Stranger Things”), que não é nariguda, mas gorda. E também lembrarão dos filmes dos John Hughes. E nostalgia é uma sensação indescritível de tão boa. Só que Hughes é a cara dos anos 1980 e o mundo mudou muito nas últimas décadas, não? É preciso atualizar alguns conceitos, afinal certas soluções não podem mais funcionar em 2018. Veja “Gatinhas e Gatões” agora e tente não ficar indignado. Por sinal, a produção da Netflix traz alguns ídolos juvenis dos anos 1980, como Lea Thompson, que esteve em “De Volta para o Futuro”, e Alan Ruck, de “Curtindo a Vida Adoidado” (de John Hughes!). Na trama, Sierra é uma adolescente intelectual, que sofre bullying das meninas populares da escola, como a líder de torcida Veronica (Kristine Froseth), que apronta essa aqui: ao invés de dar o número de seu celular para o ingênuo Jamey (Noah Centineo, da série “The Fosters”), ela passa o de Sierra para humilhar ainda mais a coitada, que acaba se apaixonando pelo rapaz via mensagens de texto (!). Mas olha o dilema. Sierra se acha feia, e como Veronica deve uma a ela por causa da cachorrada, pede ajuda a inimiga, que deverá se passar por ela quando tiver de encontrar o cara ao vivo. Em troca, Sierra promete dar aulas particulares a Veronica, que pode ser popular, mas tira zero nas provas. É como Cyrano, mas invertendo os papéis do casal central para avacalhar com o sexo oposto. O roteiro de Lindsey Beer (do vindouro “Mundo em Caos”), no fundo, é uma visão artística mais team Veronica que team Sierra. Não por acaso, a amiga da protagonista possui um arco dramático muito mais completo e redentor. Além de bonita (e exemplo de beleza vendido para a sociedade), ela termina o filme bem mais inteligente e um doce de pessoa, ao contrário da monstra apresentada no início. Para piorar, “Sierra Burgess É uma Loser” realmente conclui que a protagonista é feia, embora pondere de maneira hipócrita que, mesmo assim, devemos olhar para sua inteligência acima da média e beleza interior. A personagem serve, ao menos, para pavimentar a ascensão da talentosa Shannon Purser, ainda que o filme acabe sendo dessa descoberta impressionante que rouba todas as cenas, Kristine Froseth.
Ferrugem cria tensão com abordagem de bullying, mas subverte expectativas
Aly Muritiba é um nome que se infiltra no sistema desde os curtas-metragens. Foi semifinalista do Oscar nesta categoria em 2013 com “A Fábrica”, que conta a história de um detento que convence a mãe a trazer um celular para a penitenciária. Seus curtas seguintes, com destaque para “Tarântula”, circularam em dezenas de festivais nacionais e internacionais, ganhando prêmios que foram crescendo de relevância gradativamente. A transição para os longas aparentemente foi natural para o diretor baiano radicado em Curitiba. Começou com o documentário “A Gente”, mostrando o cotidiano de carcereiros, ex-colegas do diretor (Muritiba trabalhou como carcereiro durante 7 anos antes de iniciar a carreira de cineasta), num presídio em Curitiba. Mas o salto mesmo veio com o excelente “Para Minha Amada Morta”, um dos melhores filmes de 2016. Este longa, o primeiro de ficção do diretor, circulou em festivais de maior destaque, como San Sebastián e Montreal – além de ter vencido seis prêmios no Festival de Brasília – fazendo com que o nome de Muritiba pintasse como uma nova voz instigante do cinema brasileiro. Portanto, não foi tão surpreendente ver “Ferrugem” surgindo com o carimbo da seleção oficial do Festival de Sundance, e conquistando Gramado no fim do mês passado. A sensação que fica ao se assistir ao trabalho é a de um filme tenso, bem filmado, com uma temática relevante e encarada com profundidade, mas que parece carecer de intensidade e foco na segunda metade, até que determinado personagem assuma maior função e, perto do fim, diga sobre o que de fato é o filme como um todo. Dividido em duas partes, o filme inicia apresentando o cotidiano da adolescente Tati (Tifanny Dopke), uma garota popular no colégio, que numa festa fica com Renet (Giovanni de Lorenzi). Nesse dia, o celular da garota some, e logo depois um vídeo íntimo dela cai no grupo de whats app do colégio. A situação da garota vai se tornando cada vez mais tensa, até culminar num gravíssimo acontecimento. A segunda parte é mais focada em Renet, e nas consequências do que vimos antes. O garoto é levado pelo pai, Davi (Enrique Diaz), para passar um tempo numa casa de praia, e lá percebemos de que maneira os acontecimentos mexem com a vida do rapaz, além do próprio pai. Quando conduzido por Tati, “Ferrugem” é grande. Muritiba é um cineasta que apresenta com densidade os desdobramentos psicológicos de suas personagens que, quando colocadas em situações extremas, são obrigadas a tirar de si atitudes que aparentemente não fazem parte da sua personalidade, mas que se tornam possíveis pelo contexto. Desde a inconsequência da adolescência e suas ações impensadas, e a evidente misoginia que casos como esse apresentam – afinal apenas a garota é vista como vagabunda, ou outra ofensa do tipo, enquanto que para o garoto exposto as consequências são muito mais brandas – , tudo chega na tela a partir de uma cadeia coerente de acontecimentos e comportamentos violentos que levam a uma atitude extrema. Essa violência está presente nas relações entre os adolescentes, nos insultos pichados no banheiro, nas “brincadeiras” durante a apresentação de um trabalho escolar, ou em ações mais sérias, como o garoto que também estava no vídeo, que reage com falta de caráter num momento delicado para a garota. Muito por conta da construção de tensão na excelente primeira metade, o filme causa uma impressão de forte queda ao iniciar sua segunda parte. É claro que a quebra de ritmo é uma proposta assumida pelo filme, deixando claro o elemento hitchcockiano da troca de protagonista e foco no meio do filme, o que demanda um tempo para que o espectador se acostume. Ao mesmo tempo, porém, é forte a sensação de que a história mudou para pior, seja qual for a intenção que a segunda parte tenha, principalmente no início. E aqui acredito que haja uma deficiência coletiva na construção do personagem de Renet, dividida entre os roteiristas, Muritiba e Jessica Candal, com o intérprete, Giovanni de Lorenzi. Aparentemente, teríamos uma versão adolescente do Raskolnikov de Dostoiévski, mas logo entendemos que não. E depois compreendemos que a segunda metade também não pretende dar continuidade à tensão da primeira parte com a dúvida se “ele fez ou não”, pois não há suspense. Sabemos o que o filme não quer ser, mas o que sobra? As imagens mostrando Renet na casa de praia, caminhando por ali perto, estão esvaziadas. A construção dramatúrgica e visual criada para que, ao vermos Tati parada olhando para o nada, reflexiva, compreendamos o que está passando pela sua cabeça, e que sua inação na verdade esconde uma cabeça fervilhando, está longe de se repetir com Renet. Ele não parece ter um conflito suficientemente bem desenvolvido para ter a missão de carregar a trama vinda de um momento de alto teor dramático. E a inexpressividade de Lorenzi não combina com a naturalidade dos atores ao redor. Não consigo me sentir conduzido pelo ator nas cenas dele encarando o nada, em que supostamente devemos projetar nessa imagem sentimentos do personagem. Sugere apenas aqueles filmes indies chatíssimos, com adolescentes caminhando num lugar aberto, com vento no rosto e nada na cabeça, algo que o filme de Muritiba não é. Com Tati, sim, somos conduzidos com determinação, compreendendo o que está em jogo, e como a personagem interpreta os fatos. No fim, entendemos a função do personagem de Enrique Diaz, e aí se fecha a ideia de Muritiba, que é sobre como os pais, por desleixo, falta de aptidão, ou por darem liberdade sem limites aos filhos, também são atores fundamentais dessa cadeia desestabilizada de relações. Sobre o quanto eles estão despreparados para ajudar seus filhos a encontrarem respostas, pois não estão sequer voltados para isso, nem demonstram vontade de conhecer de fato seus filhos (percebam que os pais de Tati não possuem rosto, quando estão em cena sempre estão fora de quadro) ou, mais grave ainda, fingem que os jovens estão bem, que o melhor a fazer é fingir que nada acontece, que está tudo bem, é só um probleminha. Se temos um déficit na atuação nesta segunda metade, é compensada pelo trabalho de Diaz, discreto, mas certeiro. Terminando de maneira condizente com a abordagem escolhida pela direção, “Ferrugem” é um exercício que subverte as expectativas do espectador, e isso acaba cobrando um preço. Ao mesmo tempo, Muritiba demonstra que é um diretor que veio pra ficar, pela maneira contundente com que aborda temáticas difíceis com naturalidade e segurança. Não é tão bom quanto “Para Minha Amada Morta”, mas ainda é um dos bons exemplares dessa ótima fase do cinema brasileiro.
American Vandal: Trailer legendado da 2ª temporada explora mistério escatológico
A Netflix divulgou o trailer legendado da 2ª temporada de “American Vandal”, em que os destemidos documentaristas fictícios da tentarão desvendar um novo mistério colegial: quem é o “Ladrão de Bosta”. Na 1ª temporada, os estudantes e aspirantes a documentaristas Peter Maldonado (Tyler Alvarez, da série “Every Witch Way”) e Sam (Griffin Gluck, de “Red Band Society”) investigaram o caso de um jovem estudante chamado Dylan Maxwel (Jimmy Tatro, de “Anjos da Lei 2”), expulso de sua escola por supostamente pichar 27 carros do estacionamento com desenhos de pênis. Acreditando que o colega era inocente, eles resolvem fazer justiça com as próprias câmeras. Pois bem. Após ganharem notoriedade pelo caso do “Vândalo do Pênis”, agora precisarão lidar com outro problema ligado ao corpo humano. Mas em vez de defender um inocente, terão que enfrentar um vilão, ao descobrir a identidade do aluno do Ensino Médio que está contaminando a alimentação dos colegas para provocar um festival de diarreia na escola. Com esse tema, a 2ª temporada promete abusar da escatologia, levando adiante sua paródia do formato de séries de documentários sobre crimes reais (como “Making a Murderer”). Criada por Tony Yacenda e Dan Perrault (que fizeram juntos a série “Neon Arcade”), a atração indicada ao Emmy e vencedora do Peabody, uma das mais prestigiadas premiações artísticas dos Estados Unidos, retorna com novos episódios na sexta (14/9) no serviço de streaming.
Série derivada de High School Musical ganha primeiros detalhes
Surgiram os primeiros detalhes da série derivada da franquia “High School Musical”. A Disney deu início ao processo de casting (definição de elenco) do projeto e revelou a premissa, que traz uma abordagem bem diferente dos três filmes estrelados por Zack Effron, ao mesmo tempo em que reaproveita o material original. A série será uma espécie de falso documentário, que mostrará os bastidores de um musical colegial inspirado em “High School Musical”. Por isso, além de mostrar os dramas dos novos protagonistas, cada capítulo também trará uma nova versão das canções conhecidas dos filmes, durante os ensaios para a estreia de peça. Também serão incluídas canções inéditas na trama, que terá ao todo 10 episódios. Ainda sem título oficial, o derivado de “High School Musical” é uma das atrações exclusivas que estão sendo desenvolvidas para o serviço de streaming da Disney, que também incluirá séries inéditas da Marvel, “Star Wars” e Pixar. Ainda não há previsão para o lançamento da plataforma,
Riverdale: Prisão de Archie e rituais satânicos marcam trailer da 3ª temporada
A rede The CW divulgou o trailer da 3ª temporada de “Riverdale”, que mostra Archie (KJ Appa) na prisão, rituais satânicos e outras situações tensas. A série foi o grande destaque do último Teen Choice Awards, conquistando nove troféus, mais que qualquer outra série ou filme na votação dos adolescentes americanos. Os novos episódios estreiam em 10 de outubro nos Estados Unidos. No Brasil, a série é exibida pelo canal pago Warner.
Trailer de Summer ’03 mostra atriz de A Barraca do Beijo em nova crise adolescente
O estúdio indie Blue Fox divulgou o pôster e o primeiro trailer de “Summer ’03”, drama adolescente estrelado por Joey King, que virou queridinha do público da Netflix após o sucesso de “A Barraca do Beijo”. A prévia registra os ritos de passagem típicos da adolescência, como a primeira morte na família e o primeiro amor, mas trata as crises com humor negro e dramaticidade, em vez do clima mais leve do saldão de comédias teens em voga no streaming. O filme é baseado nas lembranças da diretora e roteirista estreante Becca Gleason e acompanha uma garota de 16 anos (King), que descobre uma série de segredos da família no leito de morte da avó e tenta lidar com sua vida amorosa e manter os amigos próximos durante esse período de crise. O elenco inclui Andrea Savage (“Veep”), Paul Scheer (“The League”), June Squibb (“Nebraska”), Erin Darke (“Good Girls Revolt”) e Jack Kilmer (“Dois Caras Legais”), que é filho do ator Val Kilmer. “Summer ’03” teve première no Festival SXSW 2018 e será lançado direto em, sim, streaming em 28 de setembro nos Estados Unidos. Não há previsão de lançamento no Brasil.
Série teen britânica The End of the F***ing World é renovada para a 2ª temporada
A Netflix e o Channel 4 anunciaram a renovação da série adolescente britânica “The End of the F***ing World” para a 2ª temporada. A atração adapta os quadrinhos premiados de Charles S. Forsman e acompanha a road trip de James (Alex Lawther, de “O Jogo da Imitação”), um autoproclamado psicopata, e Alyssa (Jessica Barden, da série “Penny Dreadful”), uma rebelde de saco cheio com tudo. Na 1ª temporada, os dois decidem roubar um carro para encontrar uma vida melhor. Mas à medida que sua viagem caótica se desenrola, torna-se evidente que eles cruzaram um limite e não têm escolha senão ir até onde conseguirem. A adaptação foi desenvolvida pela atriz Charlie Covell (da premiada série policial “Marcella”), que voltará a escrever a 2º temporada, e a trilha foi composta por Graham Coxon, guitarrista da banda Blur – que fez 40 músicas inéditas para a produção. Os oito episódios inaugurais “The End of the F**king World” começaram a ser exibidos em outubro do ano passado no Reino Unido e chegaram apenas em janeiro deste ano na plataforma de streaming. O cronograma de estreia da 2ª temporada não foi divulgado.
American Vandal: Trailer da 2ª temporada introduz mistério do “bandido do cocô”
A Netflix divulgou o trailer (sem legendas) da 2ª temporada de “American Vandal”, que revela o tema do próximo mistério da atração. Desta vez, os destemidos documentaristas fictícios da produção precisarão desvendar quem é o “Ladrão de Bosta”. Na 1ª temporada, os estudantes e aspirantes a documentaristas Peter Maldonado (Tyler Alvarez, da série “Every Witch Way”) e Sam (Griffin Gluck, de “Red Band Society”) investigaram o caso de um jovem estudante chamado Dylan Maxwel (Jimmy Tatro, de “Anjos da Lei 2”), expulso de sua escola por supostamente pichar 27 carros do estacionamento com desenhos de pênis. Acreditando que o colega era inocente, eles resolvem fazer justiça com as próprias câmeras. Pois bem. Após ganharem notoriedade pelo caso do “Vândalo do Pênis”, agora precisarão lidar com outro problema ligado ao corpo humano. Mas em vez de defender um inocente, terão que enfrentar um vilão, ao descobrir a identidade do aluno do Ensino Médio que está contaminando a alimentação dos colegas para provocar um festival de diarreia na escola. Com esse tema, a 2ª temporada promete abusar da escatologia, levando adiante sua paródia do formato de séries de documentários sobre crimes reais (como “Making a Murderer”). Criada por Tony Yacenda e Dan Perrault (que fizeram juntos a série “Neon Arcade”), a atração indicada ao Emmy e vencedora do Peabody, uma das mais prestigiadas premiações artísticas dos Estados Unidos, retorna com novos episódios em 14 de setembro no serviço de streaming.
Novo trailer legendado de Para Todos os Garotos que Já Amei segue ciclo de romances teens da Netflix
A Netflix divulgou o pôster e o segundo trailer legendado de “Para Todos os Garotos que Já Amei”, a mais nova comédia romântica adolescente que continua o grande investimento da plataforma no gênero. Como o fenômeno “A Barraca do Beijo”, trata-se de outra historinha de garota tímida que reluta para se declarar ao crush – no caso, crushes – , até ser empurrada pelo destino, tropeçando pelo constrangimento até chegar ao final feliz inevitável do gênero. Mas, desta vez, a prévia é fofa o suficiente para superar o fato de tudo isso ser bem conhecido. A trama adapta o best-seller juvenil de Jenny Han e traz Lana Condor (a Jubileu de “X-Men: Apocalipse”) como a tímida apaixonada da vez. Sua personagem, Lara Jean Covey, tem a mania de escrever cartas para todos os garotos que ama. Ela nunca pensou em enviá-las, usando a escrita como forma de se consolar por sua falta de iniciativa. Até que, um dia, descobre que todas as cartas foram enviadas – e descobre isso da pior maneira possível, ao levar um fora de um dos endereçados. Semelhanças com “Awkward” à parte – na série da MTV, um blogue privado entrava online e revelava a paixonite da protagonista – , o filme também se diferencia por apostar na diversificação, com uma atriz asiática no papel principal. No livro, a personagem também tem descendência asiática. O elenco ainda destaca Noah Centineo (da série “The Fosters”), Israel Broussard (“A Morte Te Dá Parabéns”), Janel Parrish (série “Pretty Little Liars”), Anna Cathcart (série “Esquadrão Bizarro/Odd Squad”), Emilija Baranac (série “Riverdale”), Andrew Bachelor (“A Babá”), John Corbett (“Casamento Grego”), Madeleine Arthur (série “The Magicians”) e Trezzo Mahoro (série “Van Helsing”). O roteiro é de Sofia Alvarez (da série “Man Seeking Woman”), a direção de Susan Johnson (da comédia indie “Carrie Pilby”) e a estreia está marcada para 17 de agosto.












