NCIS: Los Angeles e NCIS: New Orleans são renovadas para novas temporadas
A rede americana CBS anunciou as renovações de “NCIS: Los Angeles” e “NCIS: New Orleans”. A primeira vai para sua 11ª temporada e a segunda para a 6ª temporada. “As duas séries têm sido pilares importantes da programação da CBS há vários anos”, disse a presidente da CBS Entertainment, Kelly Kahl, em comunicado nesta segunda-feira (22/4). “Elas oferecem histórias heroicas, grandes estrelas e atraíram uma base de fãs apaixonada e leal. Estamos empolgados em ter Chris [O’Donnell], LL (Cool J), Scott [Bakula] e todos os integrantes desses elencos de volta para trazer mais incríveis histórias de ‘NCIS’ para os espectadores nos EUA e em todo o mundo”. A atual 10ª temporada de “NCIS: Los Angeles” tem atingido picos de audiência e será encerrada com um grande evento: um reencontro com o elenco de “JAG”, que originou a franquia – o “NCIS” original era spin-off de “JAG”. Há rumores de que as participações de David James Elliott e Catherine Bell pode até originar um revival da série originalmente exibida entre 1995 e 2005. Porque a CBS claramente ama essa franquia. Já “NCIS: New Orleans”, o spin-off liderado por Bakula, enfrentou vários problemas nos bastidores de sua 5ª temporada, que provocaram a demissão do showrunner Brad Kern e do produtor executivo Adam Targum, após queixas de comportamento agressivo nas gravações. A série também perdeu 10% de sua audiência em relação à temporada anterior.
Riverdale: Último episódio de Luke Perry vai ao ar nesta semana
A série “Riverdale” vai se despedir de Luke Perry, quase dois meses depois de sua morte aos 52 anos. O showrunner da série, Roberto Aguirre-Sacasa, revelou no Twitter que as últimas cenas gravadas pelo ator como Fred Andrews vão ao ar na quarta-feira (24/4). “O ‘Riverdale’ desta semana foi o último gravado por Luke”, escreveu o criador da série no Twitter. “Como sempre, Fred dá alguns conselhos sábios para Archie. É um momento lindo e verdadeiro entre pai e filho. Gostaria que estas cenas nunca acabassem”. Intitulado “Fear the Ripper”, o episódio será exibido simultaneamente no Brasil pelo canal pago Warner, às 21h40. O produtor ainda não informou como a ausência do ator será explicada na trama da série, que ainda terá mais três episódios em sua 3ª temporada. Além de “Riverdale”, Luke Perry também finalizou sua participação em “Era Uma Vez em Hollywood”, filme de Quentin Tarantino, que estreia em 15 de agosto no Brasil.
A Gente se Vê Ontem: Sci-fi de denúncia social produzida por Spike Lee ganha trailer legendado
A Netflix divulgou o pôster e o trailer legendado de “A Gente se Vê Ontem” (See You Yesterday), uma sci-fi de temática social. Com protagonistas negros, a trama acompanha uma menina gênio e seu melhor amigo que inventam uma máquina do tempo caseira e a usam para tentar salvar a vida do irmão dela, assassinado pela polícia numa abordagem racista. Mas eles logo descobrem que o tempo não aceita mudanças. “A Gente se Vê Ontem” é um “Projeto Almanaque” (2015) politicamente correto, em que a ficção científica ilustra o tema do movimento ativista Black Lives Matter, que denuncia a brutalidade policial nos Estados Unidos. O rapaz morto pela polícia está desarmado e não reage, circunstâncias similares a vários casos ocorridos nos EUA nos últimos anos. A produção é de ninguém menos que Spike Lee, cineasta premiado com o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por “Infiltrado na Klan”, que apadrinha a estreia na direção de longas de seu assistente naquele filme, Stefon Bristol. O filme é baseado num curta de Bristol lançado em 2017, e mantém o mesmo elenco central, com Eden Duncan-Smith (“Annie”) e o estreante em longas Danté Crichlow nos papéis dos viajantes do tempo. Já o irmão assassinado é vivido por Astro (“Caçada Mortal”). A estreia está marcada para 17 de maio. E marca a segunda parceria entre Spike Lee a Netflix. O serviço de streaming já disponibilizou a 1ª temporada de “Ela Quer Tudo”, série inspirada no filme homônimo de 1986 de Lee, que retorna com novos episódios em maio. O próximo filme do cineasta, um drama de guerra, também será exibido com exclusividade na plataforma.
Dan Ferreira entra em dois filmes após ser diagnosticado com doença rara
O ator Dan Ferreira voltou ao trabalho após ter sido diagnosticado com a Síndrome de Guillain-Barré, em fevereiro passado. Ele começou a filmar o longa “Medida Provisória”, que marca a estreia de Lázaro Ramos na direção, e depois fará “Alemão 2”, de José Eduardo Belmonte. Ferreira ainda está tratando a doença que, coincidentemente, foi abordada na novela “Segundo Sol”, da qual fez parte. De acordo com a colunista Patrícia Kogut, do jornal O Globo, o ator não tem nenhuma restrição física, mas, apesar disso, se dedica à fisioterapia na preparação para os longas. A recuperação da doença, no caso do ator, foi considerada rápida pelos médicos. Ele ficou apenas uma semana internado, enquanto o tempo médio para os pacientes é de um mês. “Meu corpo reagiu muito bem aos medicamentos. Ainda estou fazendo fisioterapia para recuperar os movimentos por completo, pois ainda não tenho a minha força total. Não consigo correr muito, por exemplo. Só a fisioterapia vai ajudar, mas é 100% reversível. Mas estou bem e conseguindo trabalhar. É só uma questão de tempo para voltar a estar como antes”, disse o ator. Em fevereiro, exames realizados no hospital Cárdio Pulmonar, em Salvador, diagnosticaram a doença rara, que pode ser provocada por uma infecção bacteriana ou viral e tem sintomas bem característicos: fraqueza e formigamento nos pés e nas pernas que se espalham para a parte superior do corpo, podendo gerar até paralisia dos membros. De acordo com a nota da assessoria de imprensa de Dan Ferreira, ele desembarcou na capital baiana para aproveitar o verão na cidade e já estava sentindo um mal-estar estar e fraqueza nas pernas. Procurou um hospital e foi internado de imediato. Na novela, o par romântico de Acácio apresentou o quadro clínico que ele descobriu, posteriormente, fora das telas. Rochelle, vivida por Giovanna Lancellotti, sentiu formigamento nas mãos e pés, mesmo sintomas que o ator apresentou antes de ser internado. Na novela exibida no ano passado, a personagem a patricinha malvada descobriu o diagnóstico após ter se machucado durante uma armação. Ela ficou com o corpo paralisado, fez fisioterapia e terminou a história feliz depois de passar pelo processo de reabilitação.
Criadores de Game of Thrones comentam cenas e música do último episódio
A HBO divulgou um vídeo em que os criadores de “Game of Thrones”, David Benioff e D.B. Weiss, comentam as cenas mais importantes do segundo episódio da 8ª temporada. Os comentários acompanham momentos-chaves dos episódios, portanto tudo no vídeo é spoiler, como a perda da virgindade de Arya (Maisie Williams), a aceitação de Jaime Lannister (Nikolaj Coster-Waldau) em Winterfell e a sagração de Brienne de Tarth (Gwendoline Christie) como cavaleiro dos Sete Reinos – ato que batizou o episódio. Há também destaque para a música cantada por Podrick (Daniel Portman), cuja voz é elogiada pelos produtores. A canção “Jenny of Oldstones” também ganhou uma gravação de Florence + The Machine, que teve clipe divulgado aqui. Com a exibição de “A Knight of the Seven Kingdoms”, faltam só quatro episódios para o final da série. O terceiro capítulo vai ao ar no próximo domingo (28/4) no canal pago HBO. Veja o trailer aqui.
Música do último capítulo de Game of Thrones ganha clipe oficial
A HBO divulgou um clipe com a música “Jenny of Oldstones”, um folk de sonoridade medieval, cantando por Florence + The Machine. A versão foi ouvida durante os créditos de encerramento do segundo episódio da 8ª temporada de “Game of Thrones”, “A Knight of the Seven Kingdoms”, exibido no último domingo (22/4). Mas, um pouco antes no episódio, foi entoada por Podrick (Daniel Portman), o escudeiro da agora Sor Brienne de Tarth (Gwendoline Christie, que se converteu no cavaleiro dos Sete Reinos do título), durante a noite em que os personagens fizeram as pazes e enterraram rancores à espera da batalha mortal do próximo capítulo. “Quando ouvi a música pela primeira vez parecia uma canção de ninar celta”, contou Florence, que foi pessoalmente convidada pelos criadores da série David Benioff e D.B. Weiss para gravar a música, que os dois escreveram com Ramin Djawadi, compositor oficial de “Game of Thrones”, a partir dos primeiros versos publicados por George R.R. Martin, o autor dos livros em que a produção se baseia. A letra, por sinal, referencia a mitologia de “Game of Thrones”, já que a Lady Jenny cantada nos versos não é uma pessoa qualquer, mas uma camponesa que entrou para a casa Targaryen através do seu casamento com o príncipe Duncan, apesar das objeções do Rei Aegon V. Por causa do casamento, Duncan abriu mão de seu direito ao trono. E o clipe parece indicar que o mesmo ocorrerá com seu descendente Jon Snow (Kit Harington). Por curiosidade, Florence Welch, a cantora da banda, já tinha sido convidada antes e se recusado a gravar uma música para a série. Foi “Rains of Castamere”, na 2ª temporada – que acabou gravada pelas bandas The National e Sigur Rós. A cantora disse que a recusa anterior se deu por ela ser muito criteriosa com as canções que grava e que ela vivia “anos de caos” na época da 2ª temporada. “Fico feliz que eles tenham me convidado de novo”.
Game of Thrones entra em clima de batalha no trailer legendado do próximo episódio
A HBO divulgou o trailer legendado do próximo episódio de “Game of Thrones”, que explora a tensão antes da batalha iminente. E não será qualquer batalha, mas a mais grandiosa já gravada para a televisão. O diretor de segunda unidade da série, Jonathan Quinlan, revelou que as cenas demoraram 55 noites consecutivas para ser gravadas, em meio ao frio, à neve, à lama, ao esterco de ovelhas e aos ventos gelados, ao redor dos vilarejos de Toome e Magheramorne, na Irlanda do Norte. Isto é mais do que o dobro de tempo dispendido na gravação da lendária “Batalha dos Bastardos”, na 6ª temporada, até hoje a maior sequência de ação já realizada para a TV. Por sinal, o diretor vencedor do Emmy pela “Batalha dos Bastardos”, o inglês Miguel Sapochnik, volta à série para comandar este episódio – além do quinto, em que se prevê um novo conflito épico. Para completar, o confronto grandioso entre os Caminhantes Brancos e os exércitos reunidos em torno de Winterfell renderá o episódio mais longo da série, que terá 1h22 de duração, praticamente a extensão de um filme. O terceiro capítulo da 8ª e última temporada da série vai ao ar no próximo domingo (28/4) no canal pago HBO.
Chucky comemora a Páscoa em pôster do novo Brinquedo Assassino
A Orion Pictures divulgou um novo pôster do remake de “Brinquedo Assassino”, desta vez de temática comemorativa. A arte, disponibilizada no Twitter oficial do filme, mostra Chucky em clima de Páscoa, entre ovinhos e um coelho ensanguentado. Bem diferente do Chucky dos anos 1980, o novo boneco tem tecnologia de ponta, como parte de um sistema de inteligência artificial conectado à chamada “internet das coisas”, que controla toda a casa de suas vítimas principais. Além disso, sua voz é agora dublada por Mark Hamill (o Luke Skywalker de “Star Wars”). O elenco também destaca Aubrey Plaza (“Legion”) como a mãe que resolve dar o boneco de presente para o filho, vivido por Gabriel Bateman (“Quando as Luzes se Apagam”), sem saber de sua natureza sinistra. E Brian Tyree Henry (“Atlanta”), que vive um policial. Roteiro e direção estão a cargo de dois novatos nos cinemas: o roteirista Tyler Burton Smith, que escreve videogames, e o diretor norueguês Lars Klevberg, cujo primeiro longa – “Morte Instantânea”, uma versão ampliada do curta “Polaroid” – ainda não tem previsão de estreia nos Estados Unidos. A estreia do remake de “Brinquedo Assassino” está marcada para 20 de junho no Brasil, um dia antes do lançamento norte-americano. No one gets in the way of his best friend. ?? #ChildsPlayMovie #Easter pic.twitter.com/3e2mm1NkXn — Child's Play Movie (@ChildsPlayMovie) April 21, 2019
Veja os trailers de Gentleman Jack, minissérie de época que estreia sexta no Brasil
A HBO e a BBC divulgaram trailers diferentes de sua coprodução “Gentleman Jack”, minissérie de oito episódios que estreia nesta segunda-feira (22/4) nos Estados Unidos e na próxima sexta (26/4) no Brasil. Ambientada na Inglaterra do século 19, “Gentleman Jack” conta a história real de Anne Lister, uma mulher muito à frente de seu tempo, que trocou os vestidos elaborados das damas de sua época por um traje masculino mais prático, assumindo-se lésbica, enquanto lutava para assumir os negócios da família e ficar rica. A série é baseada no diário de Lister e foi escrita, dirigida e produzida por Sally Wainwright (criadora de “Happy Valley”). O elenco destaca Suranne Jones (Doctor Foster) no papel-título, além de Sophie Rundle (“Peaky Blinders”), Gemma Whelan (“Game of Thrones”), Timothy West (“Masada”) e Gemma Jones (“O Diário de Bridget Jones”). Confira abaixo os dois trailers diferentes e o pôster oficial da HBO.
Minissérie que retoma franquia Crônicas de San Francisco ganha fotos e trailer legendado
A Netflix divulgou o pôster, 11 fotos e o trailer legendado da minissérie “Crônicas de San Francisco”, baseada na franquia literária “Tales of the City”, de Armistead Maupin, que já rendeu três minisséries televisivas entre 1993 e 2001. O novo “capítulo” das crônicas sanfranciscanas volta a trazer Olympia Dukakis no papel de Anna Madrigal, a senhoria do prédio pelo qual passam os diferentes “locatários” da saga, e Laura Linney como Mary Ann Singleton, cuja mudança para San Francisco serviu de fio condutor para a história original. O primeiro livro foi publicada em 1978 e a primeira minissérie, exibida 15 anos depois, preservou a atmosfera hippie da história, celebrando o estilo de vida gay antes do advento da AIDS. A produção causou polêmica na época. Mas ganhou duas sequências, baseadas nos livros seguintes de Maupin. Por conta do conteúdo, as continuações foram exibidas na TV paga, pelo canal Showtime, em 1998 e 2001, acompanhando a trajetória da protagonista vivida por Linney. Na nova minissérie, Mary Ann (Linney) volta a San Francisco e se reencontra com a filha Shawna (Ellen Page) e o ex-marido Brian (Paul Gross), 20 anos após abandoná-los para investir em sua carreira. Fugindo da crise de meia-idade criada por sua vida aparentemente perfeita em Connecticut, ela é logo atraída de volta para a órbita de Anna Madrigal (Dukakis) e da nova geração LGBTQIA+ que agora reside no número 28 da Barbary Lane. A minissérie estreia no dia 7 de junho na plataforma de streaming.
Episódio inédito de Game of Thrones vaza antes da hora na internet
A HBO não precisa temer apenas hackers. A Amazon disponibilizou o segundo episódio da 8ª e última temporada de “Game of Thrones” várias horas antes de seu horário de exibição neste domingo (21/4) no canal pago. O vacilo aconteceu na Alemanha, no serviço Amazon Prime Video. Diversos fãs já estão comentando o episódio nas redes sociais, divulgando spoilers e disponbilizando links para download antes da transmissão oficial. Representantes da HBO e da Amazon Prime Video não se posicionaram até o momento, mas o site The Wrap confirmou que o episódio foi de fato lançado antecipadamente. A dificuldade da HBO para orquestrar a exibição simultânea e mundial da série já virou tradição. Na semana passada, a expectativa pela estreia da temporada foi menor entre os assinantes da DirecTV, que tiveram acesso ao capítulo quatro horas antes de seu lançamento oficial. No ano retrasado, houve muito barulho em torno de um ataque hacker contra a HBO. Mas, na ocasião, quem liberou um episódio inteiro antes de sua exibição oficial foram duas sucursais europeias do próprio canal, a HBO Espanha e a HBO Nórdica, sem esquecer que a Star India, rede do antigo conglomerado Fox, também foi fonte de vazamento de um capítulo inédito na internet. Sem título divulgado antecipadamente, o segundo episódio da temporada final da atração será transmitido hoje às 22h pela HBO no Brasil.
Vidas Duplas empolga com internet, livros, filmes e amantes
Os filmes anteriores do diretor francês Olivier Assayas, “Acima das Nuvens” (2014) e “Personal Shopper” (2016), são bastante ambiciosos na forma. Por isso, “Vidas Duplas” (2018) parece um trabalho menor e menos desafiador, semelhante talvez a “Horas de Verão” (2008), outra obra sobre pessoas conversando sobre comportamento, mudanças no cenário político e social e relacionamentos. É como se o cineasta estivesse descansando um pouco enquanto prepara outra obra-prima. Mas engana-se quem subestima “Vidas Duplas”, que encanta não apenas por trazer um elenco muito talentoso, mas por colocar nas bocas de seus personagens falas tão inteligentes e sensíveis que fazem com que eles se materializem em criaturas reais. O que dizer, por exemplo, de Vincent Macaigne, que brilha como o romancista Léonard Spiegel, um homem inseguro que coloca todos os seus dramas e relacionamentos em suas obras literárias? Os momentos em que ele se mostra especialmente deprimido, ao lado do editor vivido por Guillaume Canet, da amante vivida por Juliette Binoche ou da esposa interpretada por Nora Hamzavi, são pontos altos de um filme cheio de pontos altos. As cenas envolvendo Macaigne, uma espécie de coração do filme, tornam-se grandes por serem mais relacionadas a discussões da vida real, de problemas ligados a relacionamentos. Os outros personagens se tornam menos sensíveis por discutirem assuntos do mundo contemporâneo, como o fim ou não do livro de papel, a diminuição do número de leitores de livros, a popularização dos audio-books etc. E o filme faz isso dando nomes aos bois: Facebook, YouTube, Kindle, Twitter. Todo esse filosofar sobre o mercado editorial também vem acompanhado por discussões acerca da natureza autobiográfica da arte e de sua imunidade a essas mudanças. Assayas, que havia trazido à tona um debate bem interessante sobre os blockbusters em “Acima das Nuvens”, mostra-se agora tão entusiasmado com a discussão sobre a revolução trazida pela internet que chega a contagiar. E no debate, há espaço tanto para Adorno quanto para Taylor Swift, para “A Fita Branca” e “Star Wars: O Despertar da Força”. Falando nesses dois filmes, um dos momentos mais engraçados de “Vidas Duplas” envolve sexo oral durante a sessão de um dos filmes e o modo como isso é contado em um romance. Sim, há o cuidado para não cansar o espectador com tanta discussão sobre internet e mercado editorial, já que a ciranda de amores dos personagens se tornam tão ou mais importantes do que o debate. Quase todos no filme têm um(a) amante e isso é outra coisa que diverte: a cumplicidade do público com os personagens. Ao final, a sensação de bem-estar faz com que gostemos tanto do filme, de seus personagens tão vivos, de suas discussões tão empolgantes, que o sentimento de gratidão pelo diretor e por todo o elenco se torna inevitável.
Críticia: O Mau Exemplo de Cameron Post denuncia a chamada “cura gay”
Quando a religião se opõe ao conhecimento científico e tem poder para agir neste sentido, muito sofrimento humano vem à tona. Não apenas no que se passou na Idade Média, nem em relação a Galileu Galilei. Mas hoje, no século 21 e na absurda ideia da chamada “cura gay”, assunto do filme “O Mau Exemplo de Cameron Post”. Tratamento ou cura só podem se referir a uma doença que, no caso, não existe. O desejo homossexual é legítimo e não constitui nenhum tipo de problema ou enfermidade. Até alguns anos atrás, ainda havia dúvidas ou reticências. Hoje, não. A medicina, a psicologia, as ciências humanas em geral, já se manifestaram de forma muito clara quanto a isso. Cito a Organização Mundial de Saúde e as instituições médicas mundo afora. Os órgãos normativos de psicologia no Brasil, os Conselhos Regionais e o Conselho Federal de Psicologia, condenam qualquer tipo de psicoterapia que tenha por objetivo transformar o desejo homossexual em heterossexual como charlatanismo e aplicam as devidas sanções aos profissionais que infringem a norma. No entanto, existem instituições religiosas que persistem nessa ideia, falando em pecado, ações do demônio e coisas desse tipo, altamente opressivas, ainda que apresentadas de forma delicada e com aparente boa intenção. Acontece que é um grande equívoco – é algo inadequado, inútil e cruel, que só reforça o preconceito social e o sentimento de autorrejeição nos sujeitos elegíveis para esse gênero de tratamento. O filme, dirigido por Desiree Akhavan, baseia-se no romance de inspiração autobiográfica de Emily M. Danforth, que trata daquelas jornadas de descobertas da sexualidade das meninas adolescentes, numa pequena cidade interior dos Estados Unidos, em torno dos 12, 13 anos de idade. A busca inocente de um beijo e de um toque em outra menina, sem muito clareza do que isso significa, acende um desejo ainda indefinido, mas capaz de carregar culpa frente ao modo como a sociedade age nesse assunto. Algo que ocorre para a jovem Cameron (Chloë Grace Moritz) em meio a uma grande tragédia familiar, a perda dos pais num acidente terrível na cidade. O fato é que a tentativa de “solucionar o problema” da homossexualidade de Cameron acaba por levá-la ao centro de recuperação para jovens “Promessa de Deus”, em 1993, onde se pratica a tal da cura gay. Na vulnerabilidade daquele momento de vida, e de um desejo que vai se moldando, a jovem vai viver uma experiência opressiva, agressiva, totalitária, com luvas de pelica, disciplina e muitas orações. Lá, ela acabará por encontrar parceiros com quem se identificar e poderá, finalmente, entender quem ela é e como deve se comportar no mundo. À margem da farsa daquele tratamento, é claro. O filme é importante por revelar as entranhas dessa história toda e focar nos sentimentos e desejos da garota. É uma produção indie, que venceu o Festival de Sundance, teve ótima acolhida crítica e prêmios em outros festivais. A distribuição brasileira é da Pandora Filmes, que acertou uma parceria com a rede Cinépolis, presente em cinemas de shopping de todo o Brasil, para lançar quinzenalmente filmes independentes, de boa qualidade artística. Isso é importante porque abre uma janela de exibição nacional para filmes que não costumam chegar ao grande público.












