
Instagram/Caetano Veloso
Caetano processa Pavanato e Pilhado após ser chamado de “vagabundo”
Cantor exige R$ 50 mil e retratação pública após acusações sobre a Lei Rouanet em vídeo que teve mais de 288 mil curtidas
Caetano cobra indenização por ofensas
Caetano Veloso entrou na Justiça contra Lucas Pavanato (PL), deputado federal eleito por São Paulo, e o jornalista Thiago Asmar, conhecido como Pilhado, após ser chamado de “vagabundo” em um vídeo publicado pelos dois nas redes sociais. O cantor exige R$ 50 mil de indenização por danos morais e uma retratação pública pelas acusações de que ele e Gilberto Gil ganham dinheiro com a Lei Rouanet. A ação foi revelada nesta terça-feira (27/10) pela coluna de Ancelmo Gois, do jornal O Globo. O vídeo já foi retirado do ar.
O que Pavanato e Pilhado disseram?
A gravação foi publicada em 19 de outubro, durante uma passagem de Pavanato e Pilhado por Manaus para participar do Bloquinho do 22, manifestação de apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Os dois exibiram a fumaça provocada pelas queimadas na região e passaram a cobrar manifestações de artistas que haviam criticado a política ambiental do governo Jair Bolsonaro.
“Cadê Gilberto Gil? Cadê? Não vão pedir pra salvar as girafas da Amazônia? Cadê Caetano Veloso?”, questionou Pavanato. A dupla também mencionou Anitta, chamou os artistas de “vagabundos” e afirmou que Caetano e Gil recebiam dinheiro da Lei Rouanet. O vídeo foi publicado simultaneamente nos perfis dos dois e alcançou aproximadamente 288 mil curtidas e 33 mil compartilhamentos em menos de 24 horas.
O que Caetano pede à Justiça?
Caetano contesta as acusações e afirma que as declarações são falsas e prejudicam sua honra e reputação. Além da indenização de R$ 50 mil, o cantor exige que Pavanato e Pilhado gravem vídeos de retratação e os publiquem nas mesmas contas utilizadas para divulgar as ofensas, com destaque equivalente ao da publicação original.
A exigência busca dar à correção a mesma visibilidade que o ataque alcançou. Embora a gravação tenha sido retirada do Instagram, as declarações circularam amplamente antes da remoção. A coluna de Ancelmo Gois não atribuiu a exclusão do conteúdo a uma ordem judicial.
A acusação sobre a Lei Rouanet também envolve o funcionamento do mecanismo de incentivo à cultura. A legislação permite que projetos aprovados pelo Ministério da Cultura captem patrocínios de empresas e pessoas físicas, que recebem benefícios fiscais. A aprovação de um projeto não representa um pagamento direto do governo ao artista, e os recursos captados devem ser aplicados na execução das atividades culturais previstas.
Caetano já conseguiu retirada de outro vídeo
A nova ação se soma a outro processo movido pelo cantor contra acusações relacionadas à Lei Rouanet. Em setembro, a Justiça do Rio de Janeiro determinou que o Facebook retirasse um vídeo da influenciadora Carla Castro, que afirmava que Caetano vivia de dinheiro público e havia comprado uma cobertura de R$ 70 milhões com recursos de incentivo cultural. Na ação, o artista negou ser proprietário do imóvel e afirmou que jamais utilizou a Lei Rouanet em benefício próprio.
Pilhado também já enfrentou uma decisão judicial por declarações semelhantes. Em setembro, a Justiça determinou que ele e o apresentador Ratinho se retratassem de acusações contra Chico Buarque, relacionadas a supostos pagamentos da Lei Rouanet e de governos do PT. A ordem exigiu esclarecimento público de que não havia comprovação dos repasses mencionados.
Aberto para posicionamentos
O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.