SAG Awards: Apple TV+ ganha seu primeiro prêmio
A cerimônia do SAG Awards, premiação anual do Sindicato dos Atores dos EUA, entregou o primeiro grande prêmio para uma atração da plataforma Apple TV+, reconhecimento conquistado em tempo recorde, já que o serviço foi lançado há pouco mais de dois meses. A vitória foi obtida por Jennifer Aniston, premiada como Melhor Atriz de Série Dramática por “The Morning Show”, da Apple TV+. Em seu agradecimento, porém, a atriz resolveu chamar mais atenção para um colega do que para o serviço. Ela terminou seu agradecimento elogiando Adam Sandler, cuja performance em “Joias Brutas”, apesar de muito comentada pela crítica, acabou passando em branco na temporada de premiações. Aniston, que foi esposa de mentirinha de Sandler em duas comédias (“Esposa de Mentirinha” e “Mistério no Mediterrâneo”), frisou que Sandler é “extraordinário e sua mágica é real”. E ainda mandou um “Eu te amo”. O prêmio conquistado por “The Morning Show” foi o segundo SAG Award de Aniston, que em 2003 venceu como Melhor Atriz de Comédia por “Friends”. Veja abaixo a íntegra de seu discurso. E confira a lista completa dos vencedores do SAG Awards 2020 aqui.
SAG Awards: Parasita é primeiro elenco estrangeiro premiado pelo Sindicato dos Atores dos EUA
O SAG Awards, premiação do Sindicato de Atores dos EUA, concedeu seus troféus anuais na noite de domingo (19/1). E a grande surpresa da premiação foi a consagração de “Parasita”. Os atores sul-coreanos foram aplaudidos de pé pelos astros de Hollywood, durante sua passagem pelo palco do evento, e acabaram reconhecidos como Melhor Elenco de Cinema. Foi a primeira vez que um filme estrangeiro venceu esta categoria. E foi também a única surpresa da premiação cinematográfica da noite, já que a cerimônia repetiu a tendência do Globo de Ouro e Critics Choice ao premiar Joaquin Phoenix (“Coringa”) como Melhor Ator, Renée Zellweger (“Judy”) como Atriz e Brad Pitt (“Era uma Vez em Hollywood”) e Laura Dern (“História de um Casamento”) como Coadjuvantes. A previsibilidade já aponta que estes serão os mesmos nomes chamados para receber o Oscar 2020, em fevereiro. As surpresas foram retomadas nas categorias televisivas, principalmente com a vitória de Jennifer Aniston, como Melhor Atriz de Série Dramática por “The Morning Show”, superestimada atração da Apple TV+. Este também foi o primeiro grande prêmio do serviço do streaming da Apple, conquistado em tempo recorde, já que o serviço foi lançado há pouco mais de dois meses. Confira a seguir os vídeos da consagração de “Parasita” e, mais abaixo, a lista completa dos premiados. What a moment. The cast of #Parasite get a standing ovation at the #SAGAwards as they present their film in the best ensemble cast category https://t.co/duqdI5q1az pic.twitter.com/QFaoASIS8A — The Hollywood Reporter (@THR) January 20, 2020 Cinema Melhor Elenco – “Parasita” “O Escândalo” “O Irlandês” “Jojo Rabbit” “Era Uma Vez Em Hollywood” Melhor Ator – Joaquin Phoenix (“Coringa”) Christian Bale (“Ford vs Ferrari”) Leonardo DiCaprio (“Era Uma Vez Em Hollywood”) Adam Driver (“História de um Casamento”) Taron Egerton (“Rocketman”) Melhor Atriz – Renée Zellweger (“Judy”) Cynthia Erivo (“Harriet”) Scarlett Johansson (“História de um Casamento”) Lupita Nyong’o (“Nós”) Charlize Theron (“O Escândalo”) Melhor Ator Coadjuvante – Brad Pitt (“Era Uma Vez Em Hollywood”) Jamie Foxx (“Luta por Justiça”) Tom Hanks (“Um Lindo Dia na Vizinhança”) Al Pacino (“O Irlandês”) Joe Pesci (“O Irlandês”) Melhor Atriz Coadjuvante – Laura Dern (“História de um Casamento”) Scarlett Johansson (“Jojo Rabbit”) Nicole Kidman (“O Escândalo”) Jennifer Lopez (“As Golpistas”) Margot Robbie (“O Escândalo”) Melhor Desempenho de Dublês em Filme – “Vingadores: Ultimato” “Ford vs Ferrari” “O Irlandês” “Coringa” “Era Uma Vez em… Hollywood” Série Melhor Elenco em Série Dramática – “The Crown” “Game of Thrones” “The Handmaid’s Tale” “Stranger Things” “Big Little Lies” Melhor Elenco em Série de Comédia – “The Marvelous Mrs. Maisel” “Barry” “Fleabag” “The Kominsky Method” “Schitt’s Creek” Melhor Ator em Série de Drama – Peter Dinklage (“Game of Thrones”) Sterling K. Brown (“This Is Us”) Steve Carell (“The Morning Show”) Billy Crudup (“The Morning Show”) David Harbour (“Stranger Things”) Melhor Atriz em Série de Drama – Jennifer Aniston (“The Morning Show”) Helena Bonham Carter (“The Crown”) Olivia Colman (“The Crown”) Jodie Comer (“Killing Eve”) Elisabeth Moss (“The Handmaid’s Tale”) Melhor Ator em Série de Comédia – Tony Shalhoub (“The Marvelous Mrs. Maisel”) Alan Arkin (“The Kominsky Method”) Michael Douglas (“The Kominsky Method”) Bill Hader (“Barry”) Andrew Scott (“Fleabag”) Melhor Atriz em Série de Comédia – Phoebe Waller-Bridge (“Fleabag”) Cristina Applegate (“Dead to Me”) Alex Borstein (“The Marvelous Mrs. Maisel”) Rachel Brosnahan (“The Marvelous Mrs. Maisel”) Catherine O’Hara (“Schitt’s Creek”) Melhor Ator em Minissérie/Telefilme – Sam Rockwell (“Fosse/Verdon”) Mahershala Ali (“True Detective”) Russell Crowe (“The Loudest Voice”) Jared Harris (“Chernobyl”) Jharrel Jerome (“When They See Us”) Melhor Atriz Minissérie/Telefilme – Michelle Williams (“Fosse/Verdon”) Patricia Arquette (“The Act”) Toni Collette (“Unbelievable”) Joey King (“The Act”) Emily Watson (“Chernobyl”) Melhor Desempenho de Dublês em Série – “Game of Thrones” “GLOW” “Stranger Things” “The Walking Dead” “Watchmen”
Amazing Stories: Remake da série clássica de Steven Spielberg ganha primeira foto e data de estreia
O aguardado remake de “Amazing Stories”, série clássica de Stephen Spielberg, ganhou sua primeira foto, que pode ser vista acima, e sua data de estreia. A atração vai estrear com nada menos que cinco episódios em 6 de março no serviço de streaming Apple TV+. O anúncio foi feito no domingo (19/1) durante o evento semestral da TCA (Associação dos Críticos de TV dos EUA). Descrita como uma “reimaginação” da série de antologia original, que foi exibida na rede NBC por duas temporadas em meados da década de 1980, a nova versão está sendo desenvolvida pela dupla Edward Kitsis e Adam Horowitz (criadores de “Once Upon a Time”), mas Spielberg continua creditado como produtor executivo. Originalmente, a série era uma antologia de ficção científica ao estilo de “Além da Imaginação” (Twilight Zone), com uma história diferente por episódio. O próprio Spielberg dirigiu o piloto, e a impressionante lista de cineastas que trabalharam no projeto também incluiu Martin Scorsese (“O Irlandês”), Clint Eastwood (“O Caso Richard Jewell”), Robert Zemeckis (“De Volta para o Futuro”), Irvin Kershner (“O Império Contra-Ataca”), Tobe Hooper (“Poltergeist”), Joe Dante (“Gremlins”), Tom Holland (“A Hora do Espanto”), Brad Bird (“Os Impossíveis”), Bob Clark (“Porky’s”), Donald Petrie (“Miss Simpatia”), Ken Kwapis (“Quatro Amigas e um Jeans Viajante”) e Peter Hyams (“Outland”), entre outros. Apesar desse time, “Amazing Stories” não teve grande audiência e foi cancelada pela rede NBC na 2ª temporada. A série durou 45 episódios, exibidos entre 1985 e 1987. No Brasil, teve até episódios lançados em VHS, com o título traduzido como “Histórias Maravilhosas”. Por curiosidade, a sci-fi “O Milagre Veio do Espaço” (1987) foi escrita como um episódio da série, mas Spielberg gostou tanto da história que optou por transformá-la em filme, dirigido por Matthew Robbins, que também comandou capítulos da série. O título “Amazing Stories”, na verdade, é bem mais antigo que a série dos anos 1980. Spielberg o escolheu para homenagear uma antiga publicação pulp de ficção científica lançada em 1926, que trazia histórias de Julio Verne, H.G. Wells e um novo herói espacial chamado Buck Rogers. A foto adiantada da nova versão é de um episódio dirigido por Mark Mylod (de “Game of Thrones”), intitulado “The Rift”, que será estrelado por Kerry Bishe (“Halt & Catch Fire”), Edward Burns (“A Sombra do Inimigo”), Juliana Canfield (“Succession”), Austin Stowell (“Catch 22”) e o menino Duncan Joiner (“Camping”). Outros episódios contarão com Dylan O’Brien (“Maze Runner”), Victoria Pedretti (“The Haunting of Hill House”), Sasha Alexander (“Rizzoli & Isles”), Josh Holloway (“Colony”) e o falecido Robert Forster (“El Camino – A Breaking Bad Movie”) em seu último papel.
Little Fires Everywhere: Minissérie com Reese Witherspoon e Kerry Washington ganha trailer
A plataforma Hulu divulgou o trailer de “Little Fires Everywhere”, minissérie estrelada por Reese Witherspoon (“Big Little Lies”) e Kerry Washington (“Scandal”). A prévia ressalta o clima dramático de tensão entre as duas personagens, e parece contar o que levou a personagem de Witherspoon a ser vítima de um incêndio criminoso. Adaptação do livro homônimo de Celeste Ng, lançado no Brasil sob o título “Pequenos Incêndios por Toda Parte”, a história acompanha duas famílias distintas que se aproximam devido aos filhos, numa comunidade rica de Shaker Heights, Ohio, durante os anos 1990. Quem assina os roteiros é a showrunner Liz Tigelaar (criadora da série “Life Unexpected”), e a descrição da produção é um pouco mais elaborada: “A série segue os destinos entrelaçados da perfeita família Richardson” – liderada por Witherspoon e Joshua Jackson (de “The Affair”) – “e uma enigmática mãe e filha” – interpretadas por Washington e Lexi Underwood (de “Reunião de Família”) – “que viram suas vidas do avesso. A história explora o peso dos segredos, a natureza da arte e da identidade, a atração feroz da maternidade – e o perigo de acreditar que seguir as regras pode evitar um desastre”. “Little Fires Everywhere” é mais uma produção da Hello Sunshine, produtora de Witherspoon, que também fez “Big Little Lies” no canal pago HBO e emplacou “The Morning Show” e mais duas séries, ainda inéditas, na Apple TV+. O elenco também inclui Lexi Underwood (“Reunião de Família”), Rosemarie DeWitt (“Poltergeist: O Fenômeno”), Jordan Elsass (“Macabre”), Gavin Lewis (“O Príncipe de Peoria”), Jade Pettyjohn (“School of Rock”), Jaime Ray Newman (“Midnight, Texas”), Jesse Williams (“Grey’s Anatomy”) e Lu Huang (“Pássaro do Subúrbio”). A estreia vai acontecer em 18 de março nos EUA.
Grown-ish e Good Trouble são renovadas
O canal pago americano Freeform renovou as séries “Grown-ish” e “Good Trouble”. Ambas são spin-offs de atrações populares, respectivamente de “Black-Ish” e “The Fosters”, centradas nas filhas já crescidas das famílias das produções originais. “Grown-Ish” acompanha a vida universitária de Zoey (Yara Shahidi), a filha mais velha da família Johnson, e foi renovada para sua 4ª temporada, enquanto “Good Trouble” segue as irmãs adotivas Callie (Maia Mitchell) e Mariana (Cierra Ramirez) na fase adulta de suas vidas em Los Angeles, que continuará em sua 3ª temporada. O anúncio foi feito durante o evento semestral da TCA (Associação dos Críticos de TV dos EUA), poucas horas após “Grown-ish” retornar para sua 3ª temporada na TV americana. “Good Trouble” ainda é inédita no Brasil, mas “Grown-ish” chegou à Netflix em janeiro do ano passado. Infelizmente, teve apenas sua 1ª temporada disponibilizada e acabou retirada do catálogo da plataforma há poucos dias, após o vencimento do contrato com a Disney na virada do ano.
Bad Boys para Sempre estreia na liderança das bilheterias nos EUA
A estreia de “Bad Boys para Sempre” na América do Norte quebrou a maldição que no ano passado condenou ao fracasso as continuações de franquias antigas, como “O Exterminador do Futuro”, “Rambo” e “Homens de Preto”. De volta após 17 anos, a parceria entre Will Smith e Martin Lawrence superou as expectativas e liderou as bilheterias do fim de semana nos EUA e Canadá. O terceiro “Bad Boys” faturou US$ 59 milhões entre quinta e domingo (18/1) e deve chegar aos US$ 68 milhões até segunda-feira, feriado nos EUA. O montante é muito maior que as estimativas do mercado – e da própria Sony Pictures – , que apontavam entre US$ 38 milhões e US$ 45 milhões. Mas o filme contou com impulso de críticas positivas (76% no Rotten Tomatoes) e um sólido boca-a-boca do público (nota A no CinemaScore). Com o faturamento, “Bad Boys para Sempre” se tornou a segunda maior abertura de um lançamento de janeiro em todos os tempos na América do Norte, atrás apenas de “Sniper Americano” (US$ 107 milhões), e a melhor estreia da Sony para um filme com classificação “R” (para maiores nos EUA). No mundo inteiro, a arrecadação somou US$ 106,7 milhões. Mas isto equivale apenas a um terço do mercado, já que o filme ainda não chegou em vários países. A estreia no Brasil vai acontecer no dia 30 de janeiro. Este desempenho praticamente sacramentou a produção de um quarto filme da franquia. Em compensação, a outra estreia do fim de semana, “Dolittle”, dificilmente terá sequência. A aventura infantil com bichos falantes foi destruída pela crítica – apenas 19% de aprovação na média do Rotten Tomatoes. Ao todo, o faturamento foi de US$ 22,5 milhões na América do Norte. Neste caso, houve uma inversão de expectativas, já que existia uma projeção de US$ 30 milhões para sua abertura. O mercado internacional reagiu um pouco melhor, elevando o total mundial a US$ 57,3 milhões. Mesmo assim, a Universal terá um prejuízo colossal com a produção, que custou US$ 175 milhões – praticamente o dobro de “Bad Boys para Sempre” – , sem contar as despesas de P&A (cópias e publicidade). Boa parte deste dinheiro deve ter ido para o salário de Robert Downey Jr., que tem o papel-título, em seu primeiro trabalho após concluir sua jornada na Marvel. O Top 3 se completa com “1917”, que virou favorito ao Oscar 2020 após vencer o prêmio do Sindicato dos Produtores dos EUA no sábado (18/1). Líder no fim de semana passado, o filme de guerra de Sam Mendes soma US$ 76,7 milhões na América do Norte e US$ 143,5 milhões em todo o mundo. A estreia no Brasil está marcada para quinta-feira (23/1). Confira abaixo os rendimentos dos 10 filmes mais vistos no fim de semana na América do Norte, e clique em seus títulos para ler mais sobre cada produção. BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. Bad Boys para Sempre Fim de semana: US$ 59,1M Total EUA e Canadá: US$ 59,1M Total Mundo: US$ 106,7M 2. Dolittle Fim de semana: US$ 22,5M Total EUA e Canadá: US$ 22,5M Total Mundo: US$ 57,3M 3. 1917 Fim de semana: US$ 22,1M Total EUA e Canadá: US$ 76,7M Total Mundo: US$ 143,5M 4. Jumanji: Próxima Fase Fim de semana: US$ 9,5M Total EUA e Canadá: US$ 270,4M Total Mundo: US$ 711,7M 5. Star Wars: A Ascensão Skywalker Fim de semana: US$ 8,3M Total EUA e Canadá: US$ 492M Total Mundo: US$ 1B 6. Luta por Justiça Fim de semana: US$ 6M Total EUA e Canadá: US$ 19,6M Total Mundo: US$ 22,9M 7. Adoráveis Mulheres Fim de semana: US$ 5,9M Total EUA e Canadá: US$ 84,4M Total Mundo: US$ 130,1M 8. Entre Facas e Segredos Fim de semana: US$ 4,3M Total EUA e Canadá: US$ 145,9M Total Mundo: US$ US$ 277,9M 9. Like a Boss Fim de semana: US$ 3,8M Total EUA e Canadá: US$ 16,9M Total Mundo: US$ 18,6M 10. Frozen 2 Fim de semana: US$ 3,7M Total EUA e Canadá: US$ 464,8M Total Mundo: US$ 1,4B
1917 vence prêmio do Sindicato dos Produtores e se torna favorito ao Oscar 2020
O filme de guerra “1917” conquistou, na noite de sábado (18/1), o prêmio anual do Sindicato do Produtores dos Estados Unidos (PGA), tornando-se o franco-favorito ao Oscar 2020. Dirigido pelo cineasta britânico Sam Mendes com o formato de um longo plano-contínuo (como se não tivesse cortes), o drama acompanha uma missão desesperada de dois soldados ingleses na 1ª Guerra Mundial e já tinha vencido o Globo de Ouro e o Critics Choice de Melhor Filme, além de estar indicado em 10 categorias no Oscar, incluindo a principal. Inédito no Brasil, “1917” estreia na próxima quinta-feira (23/1) nos cinemas nacionais. Vale lembrar que ele é o segundo filme de Sam Mendes a vencer o prêmio do Sindicato dos Produtores. O anterior foi justamente seu longa de estreia, “Beleza Americana”. E, depois do PGA Award, o filme de 1999 venceu o Oscar. Uma das premiações sindicais que melhor reflete as tendências da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, os vencedores do PGA Awards geralmente vencem o Oscar de Melhor Filme. Na década de 2010, por exemplo, a associação dos produtores só “errou” duas vezes: em 2016, quando premiou “A Grande Aposta” e o Oscar foi para “Spotlight”, e em 2017, quando premiou “La La Land” e o Oscar foi para “Moonlight”. Em ambos os casos, é possível dizer que quem “errou” foi a Academia. Entre as demais premiações de cinema, “Toy Story 4” foi consagrado como o troféu de Melhor Animação e “Apolo 11” de Melhor Documentário. E isto destacou um fato curioso: “Apolo 11” não foi indicado ao Oscar. Sua vaga teria sido “tomada” pelo brasileiro “Democracia em Vertigem”, único dos indicados ao Oscar que não venceu prêmios importantes. Já os prêmios televisivos foram para produções obrigatórias: “Fleabag” (Melhor Comédia), “Succession” (Melhor Drama) e “Chernobyl” (Melhor Minissérie), que estão vencendo tudo na temporada. Para completar, “Deixando Neverland”, sobre as denúncias de abuso sexual contra Michael Jackson, foi considerado o Melhor Programa de Não Ficção. Confira abaixo a lista completa dos premiados. Melhor Filme – 1917 Ford vs. Ferrari O Irlandês Jojo Rabbit Coringa Entre Facas e Segredos Adoráveis Mulheres História de um Casamento Era Uma Vez Em Hollywood Parasita Melhor Animação – Toy Story 4 Abominável Frozen 2 Como Treinar o Seu Dragão 3 Link Perdido Melhor Documentário – Apollo 11 Advocate Indústria Americana The Cave For Sama Honeyland One Child Nation Melhor Série de Drama – Succession Big Little Lies The Crown Game of Thrones Watchmen Melhor Série de Comédia – Fleabag Barry The Marvelous Mrs. Maisel Schitt’s Creek Veep Melhor Minissérie – Chernobyl Fosse/Verdon True Detective Unbelievable Olhos que Condenam Melhor Filme Feito para TV ou exclusivo de Streaming – Apollo: Missions to the Moon American Son Black Mirror: Striking Vipers Deadwood: O Filme El Camino: A Breaking Bad Movie Melhor Programa de Não Ficção – Deixando Neverland 30 for 30 60 Minutes Queer Eye Surviving R. Kelly Melhor Talk Show ou Especial de Comédia – Last Week Tonight with John Oliver The Daily Show with Trevor Noah Dave Chappelle: Sticks & Stones The Late Show with Stephen Colbert Saturday Night Live Melhor Reality de Competição -RuPaul’s Drag Race The Amazing Race The Masked Singer Top Chef The Voice Melhor Programa Infantil – Vila Sésamo Carmen Sandiego Ovos Verdes e Presuntos O Cristal Encantado: A Era da Resistência Lemony Snicket: Desventuras em Série
Retrato de uma Jovem em Chamas é uma história de amor tão romântica quanto política
A relação que temos com alguns filmes é semelhante a uma história de amor: queremos que o filme fique um pouco mais com a gente, que aqueles sentimentos experienciados durante a sessão permaneçam não só na memória afetiva, mas também em nosso próprio corpo. “Retrato de uma Jovem em Chamas”, de Céline Sciamma (“Tomboy”), narra de maneira lenta e gradual a história de amor de duas jovens mulheres. Uma delas, Marianne (Noémie Merlant, de “Curiosa”), é a pintora e chega a uma ilha afastada para pintar o retrato de uma mulher recém-saída de um convento para o noivado com um desconhecido italiano. A outra, que dá título ao filme, é Héloïse (Adèle Haenel, de “Amor à Primeira Briga”), e, a princípio, o sentimento que mais passa no olhar e nos gestos dessa jovem é de raiva. Casar com um homem que sequer viu na vida não lhe parece algo muito agradável. A missão de Marianne é acompanhar Héloïse em caminhadas e, a partir da observação atenta de artista, ir formando a memória do rosto e do corpo da retratada. Isto porque não pode revelar que está pintando um retrato, pois a jovem se recusaria, como já fez anteriormente. Apresentada como dama de companhia, o olhar íntimo de Marianne é prontamente aceito. E logo acaba se tornando um olhar de desejo. Como o filme não deixa claro os pensamentos de cada uma, grande parte dessa expressão se dá por meio de gestos. E é curioso como esses gestos são verbalizados pelas duas protagonistas em determinada cena, quando elas passam a se conhecer melhor. Essa verbalização também é um ponto crucial para a criação de uma das cenas mais lindas do filme: em que as duas falam da memória de sua história de amor vivida. Compartilhar essas experiências é um privilégio que poucos casais têm. E eis o motivo de tal cena, tão impregnada de melancolia, ser também um momento de alegria. Um detalhe importante neste trabalho da cineasta francesa Céline Sciamma, que venceu o troféu de Melhor Roteiro no Festival de Cannes, é que praticamente não há homens em sua narrativa. Nem mesmo o sujeito que engravida a empregada (Luàna Bajrami, de “O Professor Substituto”) aparece em cena. Aquele espaço é das mulheres, e por isso há tantas situações em que elas compartilham alegria (jogando cartas, ouvindo um coral ao redor de uma fogueira etc) e também dor, como na cena do aborto. Aliás, essa cena foi construída de tal maneira para que expressasse uma dor muito além da dor física. A diretora de fotografia, Claire Maton, que contribui muito para a criação de texturas belíssimas, semelhantes a pinturas, é a mesma de “Um Estranho no Lago” e “Atlantique”, para citar dois filmes consagrados pela crítica. Quanto ao envolvimento afetivo das duas mulheres, cada plano é de fundamental importância, por mais que as duas, lá no final, digam ter perdido tempo, ao demorarem em sua aproximação. Essa verbalização serve mais para deixar claro o sentimento mencionado no primeiro parágrafo: a vontade de querer mais tempo ao lado de quem se ama. Como um filme escrito e dirigido por uma mulher e também como um exemplar deste momento de conscientização mais clara a respeito do papel da mulher na sociedade, “Retrato de uma Jovem em Chamas” é uma das obras mais importantes do cinema recente, conseguindo ser tanto uma história de amor impossível (e por isso tão bela quanto as mais belas tragédias clássicas) quanto um manifesto político.
O Despertar das Formigas expõe a opressão do cotidiano
Em “O Despertar das Formigas”, filme da Costa Rica dirigido por Antonella Sudassi Furnis, assiste-se ao que se poderia chamar de opressão do cotidiano, que recai sobre a mulher numa estrutura tradicional patriarcal. O que se dá é uma naturalização da existência, em que as relações de gênero e seus respectivos papéis e responsabilidades nunca são postos em dúvida, nem mesmo pelas vítimas mais evidentes do processo. A opressão não está nas pessoas, que apenas repetem o que aprenderam e viveram, mas no contexto social que produziu e solidificou as regras e os valores em vigor. O controle social se expressa nas falas, expressões, expectativas, cobranças, piadas, críticas, fofocas e eventualmente na ação das autoridades. No filme “O Despertar das Formigas” tudo isso está exposto, visível no dia-a-dia de Isabel (Daniela Valenciano), seu marido Alcides (Leynar Gómez) e duas filhas, vivendo em aparente harmonia e equilíbrio familiar, mesmo numa situação de pobreza, no interior da Costa Rica, zona rural. As cenas em que Isabel leva uma lâmpada de um ponto para outro da casa porque não pode comprar mais uma e o momento em que essa lâmpada se quebra falam por si. Apesar disso, uma moradia digna e a alimentação estão garantidas. As relações afetivas entre os membros da família são boas. O que não se percebe nesse contexto é o quanto a carga pesa sobre os ombros da mulher. Isabel cuida das crianças e da casa, cozinha, faz doces para as festinhas, ajuda na lição das crianças e ainda costura para receber algum dinheiro para pôr na casa. Um agravante simbólico é o cuidado que precisa ter com os cabelos longos, dela e das duas filhas, um padrão estético apreciado pelos homens e estimulado pelas mulheres. Isabel leva tudo isso bem, encarando esse peso todo como natural. O que acaba por produzir um despertar das formigas é uma expectativa reiterada pelo marido e pela sociedade por mais um filho, agora um menino, objeto de desejo até das duas filhas do casal. Isabel percebe que não dará conta disso também e aí fica claro para ela a insanidade dessa exigência. A mudança do meio social é muito difícil sem uma ação coordenada de luta feminina por igualdade de direitos, mas o filme mostra que, no terreno das relações pessoais, algo também pode ser feito, desde que com firmeza e assertividade. Como diz um provérbio chinês, se você mostra que sabe o caminho que quer, os outros lhe dão passagem. “O Despertar das Formigas”, que tentou – sem conseguir – uma vaga no Oscar de Filme Internacional, é uma produção modesta, de baixo orçamento, mas muito bem realizada, com um ótimo elenco encabeçado por Daniela Valenciano e que tem nas duas meninas, Isabella Moscoso e Abril Alpizar, um atrativo à parte.
A Melhor Juventude é um dos maiores filmes do cinema italiano, em qualidade e duração
O grande filme de Marco Tullio Giordana, “A Melhor Juventude” (La Meglio Giuventú), de 2006, finalmente chega aos cinemas brasileiros, dividido em duas partes. Conta a história de uma família em que dois irmãos vivem juntos e separados em momentos da história recente da Itália, dos anos 1960 aos 2000. Vão a Roma, passam pelas origens em Ravena, estudam em Bolonha, se encontram em Florença em plena cheia que castigou a cidade, em eventos de radicalismo político e repressão em Turim, nos julgamentos de Milão, na máfia siciliana, em Palermo, onde também se dá o assassinato do juiz Giovanni Falcone e outros, no tempo da Brigada Vermelha, e por todos os cantos, ao longo desse período contemporâneo italiano. Uma jovem com problemas mentais compõe o trio de protagonistas, o que permite discutir o descalabro dos hospitais psiquiátricos e a revolução promovida por Basaglia no mundo, a partir da Itália. A costura dos fatos e personagens é muito bem feita, a filmagem exala humanidade, afeto e compreensão, em meio aos inevitáveis conflitos da vida, desencontros amorosos e familiares. Recheada por ótimos atores de um elenco jovem e música da mais alta qualidade, e não só italiana. Vai de Dinah Washington a Cesária Évora. Todos perseguem seus sonhos, se iludem, se magoam e seguem em frente, na busca incessante por uma vida que possa ser melhor. É um dos grandes filmes do cinema italiano de todos os tempos. Grande na qualidade e também no tamanho. São 6 horas de duração, por isso as sessões estão sendo divididas em duas, de 3 horas cada uma. Talvez você diga: nem pensar! E não tente. Se você disser: vou ver só a primeira parte para conferir como é, eu lhe garanto, você não vai querer perder a segunda parte, por nada desse mundo. E se chegar ao final da saga vai sentir um gosto de que ainda queria mais.
Ameaça Profunda mostra versão marinha e genérica de Alien
“Ameaça Profunda” apresenta uma história sobre ganância corporativa, de um conglomerado que resolveu explorar os confins mais abissais do oceano em busca de minério, sem se preocupar com a segurança dos seus funcionários ou com as consequências dos seus atos. Há também uma trama envolvendo a protagonista, a engenheira mecânica Norah (Kristen Stewart), que senta a perda de uma pessoa amada como uma âncora, impedindo-a de ir a lugar algum que não seja para baixo. Tudo isso existe no filme, só não é mostrado. Não há nada de errado em um filme querer investir em subtextos e no desenvolvimento dos seus personagens como forma de dar mais substância à sua narrativa. Mas não é o caso aqui. Escrito por Brian Duffield (A Babá) e Adam Cozad (A Lenda de Tarzan), o roteiro acompanha um grupo de funcionários de uma mineradora subaquática que sobrevive a uma explosão e precisa cruzar um longo caminho pelo fundo do oceano, para chegar até as capsulas de evacuação. Mas durante o percurso eles começam a suspeitar que a explosão não foi causada por um terremoto, como tinham suspeitado antes, mas por algo sobrenatural, originário do fundo do oceano. As referências à “Alien – O 8º Passageiro” são explicitas: a companhia gananciosa, o pequeno grupo de tripulantes e a ameaça externa. Há, inclusive, uma cena na qual eles trazem uma criatura a bordo (e mexem nela com a mão!). Mas ao contrário do filme de Ridley Scott, em que as personalidades dos tripulantes eram bem desenvolvidas, desta vez não surge um envolvimento do público com os personagens, fazendo com que o espectador não se importe com os seus destinos. Mas não é por falta de tentar forçar empatia. Toda a subtrama envolvendo o trauma da protagonista é mal explorada e sua conclusão resulta, no mínimo, equivocada. O cenário das profundezas do oceano, que impede que se enxerga à frente, serve como metáfora para a personalidade de Norah, cuja vida segue sem rumo, incapaz de distinguir o dia da noite, o sonho da realidade. Ela está tão frágil quanto a estrutura que a abriga. Os tremores constantes e a gagueira ocasional apontam um colapso iminente. Além disso, é comum que ela seja mostrada sozinha e, mesmo quando está acompanhada, o filme arranja um jeito de isolá-la. Algumas das justificativas para esse isolamento não fazem o menor sentido. Em uma cena, Norah sugere seguir sozinha por um corredor apertado, sob a justificativa de ser a menor do grupo, por mais que todos estejam vestindo um exoesqueleto de tamanho único. Ainda assim, é um dos tais momentos que servem para reforçar a solidão da protagonista. Essa ideia é contraposta por diversos cartazes vistos nas paredes da plataforma falando sobre a importância de trabalhar em equipe. Mas solidão e luto não são equivalências. E ao trata-las como tal, o longa transmite a ideia de que só merece a vida quem a aproveita em conjunto. É uma visão simplista e equivocada. E, sinceramente, pode não ter sido a intenção inicial dos roteiristas. Isto porque o filme passa a impressão de que dezenas de páginas do roteiro foram jogadas no mar para que o diretor William Eubank (“O Sinal: Frequência do Medo”) desse mais ênfase às cenas de ação. E Eubank claramente gosta de ação. Sua predisposição por criar sequências grandiosas de explosões em câmera lenta transforma a destruição da plataforma submarina (ocorrida nos primeiros cinco minutos) em um espetáculo visual. Mas o impacto é prejudicado pela constante repetição deste recurso (são pelo menos três explosões em câmera lenta ao longo do filme) e pela montagem confusa – em certos momentos, é impossível distinguir quem está em perigo. As referências se alternam no terceiro ato, abandonando a abordagem intimista de “Alien” e apostando em um clima catastrófico, no melhor estilo de “Círculo de Fogo”. O resultado, porém, é genérico, e fica aquém dos filmes referenciados.
O Caso Richard Jewell faz o que denuncia, com estereótipos e manipulação
Dirigido pelo veterano Clint Eastwood, “O Caso Richard Jewell” narra a história real do personagem-título, um segurança que salvou a vida de centenas de pessoas quando uma bomba explodiu em Atlanta, durante as Olimpíadas de 1996. Jewell (interpretado por Paul Walter Hauser) sempre sonhou em proteger o país e em ter o devido reconhecimento pelos seus serviços. Tudo se tornou realidade rapidamente. O simpático segurança se tornou herói nacional, foi parar nas capas de jornais e na TV. Editoras começaram a procurá-lo, interessadas em transformar a sua história em um livro. Mas o sonho durou pouco e logo se transformou em pesadelo. Em pouco tempo, aos olhos da mídia e do público, o heroísmo de Richard Jewell foi substituído pela vilania. Jewell se tornou suspeito da autoria do atentado e os mesmos jornais que antes bradejavam os seus atos passaram a condená-lo. As discussões acerca da manipulação da mídia e de fake news são pertinentes e atuais, mas a narrativa de Eastwood é anacrônica. O diretor investe em personagens caricatos, como a repórter sem escrúpulos (interpretada por Olivia Wilde), constantemente em busca da matéria de capa, e o agente durão do FBI (John Hamm), incapaz de assumir os seus erros. Nenhum desses têm o devido desenvolvimento porque, em outra época, isso não era necessário. O estereótipo, antes, era suficiente. Felizmente, a abordagem rasteira dos coadjuvantes é compensada pelo trio principal. Kathy Bates interpreta a mãe do protagonista com sensibilidade, delicadeza e emoção. E Sam Rockwell demonstra seu carisma característico no papel do advogado que aceita defender Jewell mesmo a contragosto. Mas o grande destaque é de Houser, capaz de tornar crível um sujeito que, nas mãos de um ator menos talentoso, seria apenas outro estereótipo. Afinal, Richard Jewell é um personagem complexo. Ele se equilibra entre o atencioso e o impertinente, o prestativo e o incômodo. Condicionado a aceitar e adorar a autoridade, ele não questiona as ações dos agentes federais, até quando eles abusam do poder. Em vez disso, ele se oferece para ajudá-los, sabendo que esta ajuda possa acabar condenando-o. Mais do que isso, Richard Jewell não é o típico herói. Acima do peso, solteiro e morando com a mãe, o protagonista carrega consigo as características “do perfil do terrorista solitário”, segundo aponta o agente do FBI. A falta de provas contra ele é irrelevante. Aos olhos das autoridades e da mídia ele “parece culpado”, e isso é suficiente. Há uma ironia em tudo isso, já que Eastwood usa estereótipos para denunciar o uso de estereótipos, e manipula a trama – inclusive com supostas fake news, que estão sendo contestadas na justiça, em relação ao papel da repórter – para atacar a manipulação de informação pela mídia. Para fazer defender a reputação de uma pessoa, destrói a de outra sem provas. Pegou especialmente mal uma cena do roteiro de Billy Ray (“Projeto Gemini”) que mostra o agente do FBI vazando informações à imprensa em troca de sexo. Para completar, logo a trama mostra a repórter tendo crises de consciência de uma hora para a outra. “O Caso Richard Jewell” expressa a visão política de Eastwood em relação à mídia, que é mesma de Donald Trump. Mas o foco permanece, como na maior parte de sua filmografia, no heroísmo individual. Não por acaso, ele já contou história muito parecida, ao explorar a linha tênue que separa a percepção de heroísmo e vilania, em “Sully: O Herói do Rio Hudson”.
O Farol é estudo da natureza humana em forma de terror
Novo trabalho do cineasta Robert Eggers (do ótimo terror “A Bruxa”), “O Farol” acompanha dois faroleiros, um jovem (Robert Pattinson) e um experiente (Willem Dafoe), deixados numa ilha árida e deserta para operarem o farol de lá. A trama se passa no século 19 e, assim como em “A Bruxa”, o diretor adota um ritmo mais lento, mais contemplativo, e constrói a sua narrativa por meio de diálogos retirados de documentos antigos. Visando aproximar-se da época retratada, Eggers optou por filmar com película preto e branco e no formato de tela 1.19:1, dando ao filme a aparência de obra antiga e desgastada. Este formato de tela era comum na época de transição do cinema mudo para o cinema falado. E “O Farol” homenageia esse período, especialmente o cinema expressionista alemão, tanto na imagem quanto no som. Boa parte do início do filme é rodada inteiramente sem diálogos. A ausência de falas, porém, é compensada pela cacofonia de sons diegéticos (o vento, o maquinário, o farol, etc) e extradiegéticos (a trilha sonora marcante). Estes sons servem como pequenos desconfortos que guiarão os personagens por uma lenta espiral de loucura. E Eggers enfatiza essa loucura ao aproximar sua câmera do rosto dos dois atores. Williem Dafoe encarna o experiente faroleiro como alguém satisfeito com a sua função. Ele encontrou o seu propósito e não deseja mais nada para si – por mais que o trabalho tenha lhe custado a família. Já Robert Pattinson oferece um contraponto. Embora fale do seu desejo de se acalmar e morar em um local tranquilo, seu personagem é uma espécie de um tubarão, um ser que precisa estar em constante movimento. O trabalho no farol é provisório, como tudo na sua vida. Não é de se estranhar, portanto, que suas atitudes mudem justamente quando ele passa a se sentir preso naquele lugar. Os planos fechados usados pelo diretor capturam toda a expressividade das atuações, compostas com um exagero proposital e ampliadas pelas sombras que marcam os rostos dos atores. A bela direção de fotografia de Jarin Blaschke (mesmo de “A Bruxa”) faz uso da escuridão para transformar homens em silhuetas e diminuir ainda mais a razão de aspecto da imagem – ampliando, com isso, a sensação de claustrofobia. A fotografia expressionista também serve para ilustrar as dicotomias entre os dois personagens. Enquanto o experiente faroleiro sente um prazer orgástico em ser engolido pela luz do farol, o outro fica relegado às sombras. E tais sombras simbolizam os segredos e a loucura prestes a emergirem. Aos poucos, visões de monstros marinhos se misturam com lembranças e segredos do passado. Realidade e fantasia se confundem até se tornarem indiscerníveis. Capaz de criar imagens belíssimas, como aquela na qual um navio desaparece em meio à névoa, condenando os personagens à solidão, Eggers não está interessado em fornecer respostas fáceis para o público. Seu interesse é em observar como aquelas pessoas reagem às situações extremas em que são colocadas. Quais caminhos eles percorrem quando não há para onde ir. “O Farol” é uma obra que se utiliza de monstros e metáforas para estudar a natureza humana, o trauma, a solidão e a loucura. É também, assim como o trabalho anterior do cineasta, um excelente filme de terror.












