Anthony Hopkins queria participar do Oscar por videoconferência, mas foi barrado
O final anticlimático da desastrosa cerimônia do Oscar 2021 foi culpa exclusiva dos organizadores. Eles não mudaram apenas a ordem de premiação, encerrando a premiação com a entrega do troféu de Melhor Ator. Fizeram pior: proibiram Anthony Hopkins de participar por videoconferência. A princípio, o cineasta Steven Soderbergh e os produtores Stacey Sher e Jesse Collins, encarregados do evento, exigiram a presença de todos os indicados em Los Angeles, para receber seus prêmios no palco improvisado na estação de trem Union Station. Mas isso se tornou impraticável para os indicados europeus, devido aos protocolos de proteção contra o coronavírus. Resignados, os organizadores decidiram criar palcos paralelos em Londres e Paris, para onde os indicados deveriam convergir. Mas Hopkins estava no País de Gales e não na Inglaterra. O repórter Kyle Buchanan, do jornal The New York Times, apurou que o veterano ator se ofereceu para aparecer na cerimônia por meio de um aplicativo como o Zoom, mas Soderbergh e os outros produtores barraram a ideia. Ele chegaram a declarar que o Oscar seria a primeira festa da indústria do entretenimento a acontecer sem uso de videoconferência. Na prática, porém, as participações em Londres e Paris pareceram videoconferências. Diante da recusa dos produtores, Hopkins abriu mão de participar do evento. Ele tinha demorado meses para conseguir autorização para viajar da Inglaterra ao País de Gales, onde nasceu e onde possui uma propriedade rural distante e segura. Talvez pensasse que não valeria a pena enfrentar riscos para sua saúde ou novas dificuldades de translado apenas para assistir à vitória de Chadwick Boseman. Afinal, a mudança de ordem, que deixou o Oscar de Melhor Ator para o fim da cerimônia, apontava para uma homenagem ao ator de “A Voz Suprema do Blues”, falecido no ano passado. Assim sendo, ele nem se deu ao trabalho de assistir ao evento. Estava dormindo quando sua vitória, pelo desempenho fantástico em “Meu Pai”, foi anunciada na Union Station, marcando um raro final de Oscar sem discursos. Dormindo, Hopkins fez História. Aos 83 anos, ele se tornou o ator mais velho a vencer um Oscar – superando Christopher Plummer, que realizou a façanha aos 82 anos, quando recebeu a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante por “Toda Forma de Amor”, em 2012. Ao acordar na manhã seguinte, ele compartilhou seu agradecimento num vídeo postado nas redes sociais, em que homenageou Boseman e confessou que não esperava a vitória. Um agradecimento que poderia ter acontecido ao vivo, não fosse o preciosismo dos produtores do Oscar 2021.
Viola Davis festeja primeiro Oscar vencido por cabeleireiras negras
O Oscar que premiou a primeira atriz sul-coreana e a primeira cineasta chinesa também fez História ao consagrar as responsáveis pela maquiagem e cabelo do filme “A Voz Suprema do Blues”. Mia Neal e Jamika Wilson foram as primeiras mulheres negras indicadas na categoria em 93 anos de premiação. E saíram premiadas. Ao festejar a vitória de sua “posse” (turma), a atriz Viola Davis publicou em seu Instagram fotos da comemoração do Oscar, um vídeo com os discursos históricos da conquista e imagens do processo de maquiagem e penteado que envolveu a criação de sua personagem no filme. “Não há absolutamente nenhuma palavra para descrever o quanto estou feliz por elas”, ela ainda escreveu. Ao falar para a Vogue americana, Jamika Wilson, cabeleireira pessoal de Viola Davis desde 2008, disse que o Oscar foi uma experiência surreal, com sair do próprio corpo. “Eu não consigo acreditar nisso. É uma grande honra e bênção. Não era o meu objetivo ser indicada para um prêmio, queria apenas trabalhar e fazer o meu melhor”. Na mesma conversa, Neal revelou detalhes dos bastidores do filme. Disse que recebeu a “permissão” de Viola para focar na personagem e não na atriz. “Ela não estava preocupada em como apareceria nas filmagens. Ela queria que oferecessemos ao público a mesma experiência que Ma Rainey sentia ao cantar”, contou. Ela e Jamika Wilson trabalharam juntas por meses para chegar ao resultado exibido na Netflix. Ao todo, Neal criou mais de 100 perucas para todos os personagens, inclusive uma peça produzida com crina de cavalo, porque a verdadeira Ma Rainey usava peruca de crina de cavalo nos anos 1920. Os fios foram importados da Inglaterra e chegaram aos Estados Unidos cobertos de esterco e ovos de piolho. Para tornar o material utilizável, Neal protegeu-se com roupas de plástico, untou os cabelos com óleo inúmeras vezes e ferveu o material. Depois do processo, as mechas amoleceram, mas continuaram encaracoladas, explicando a razão da artista optar por este produto. Além das duas profissionais, Sergio Lopez-Rivera, maquiador pessoal de Davis, também recebeu o prêmio. “A Voz Suprema do Blues” ainda venceu o Oscar de Melhor Figurino, conquistado pela veterana Ann Roth, de 89 anos. Foi ela quem conseguiu fotos originais de Ma Raney para compartilhar com as cabeleireiras. “Existem apenas sete fotos da verdadeira Ma Rainey e eu só consegui encontrar duas online”, disse Neal. “Agora percebo como trabalhar com uma equipe criativa foi importante”. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por VIOLA DAVIS (@violadavis)
ONG de Sean Penn vai ajudar Rio de Janeiro a combater pandemia
A organização não-governamental CORE (abreviatura de Community Organized Relief Effort), fundada pelo ator americano Sean Penn, doará R$ 5 milhões para a prefeitura do Rio de Janeiro enfrentar a pandemia de covid-19. “A ONG, fundada pelo ator Sean Penn […], inicialmente doará R$ 5 milhões ao combate ao coronavírus no Rio, com montagem de novos postos de vacinação e testagem e contratação de profissionais”, disse em nota Secretaria de Governo da cidade. Uma segunda doação no mesmo valor também pode ser realizada, acrescentou o governo municipal. “Outros R$ 5 milhões estão em negociação para a compra de medicamentos para intubação, podendo chegar a um investimento total de R$ 10 milhões”, explicou a Secretaria. Criada pelo vencedor dois Oscar de Melhor Ator, pelos filmes “Sobre Meninos e Lobos” e “Milk – A Voz da Igualdade”, a CORE também ajudará a cidade brasileira na campanha de vacinação, conforme a vacina chega para um público mais amplo. Penn liderou os esforços civis para conter a pandemia em Los Angeles no ano passado. Ele disponibilizou sua ONG para treinar voluntários e aplicar testes gratuitos de covid-19 em drive-thrus na metrópole americana, facilitando o acesso da população aos exames. Além disso, neste mês de abril, a CORE comemorou a vacinação de 1 milhão de angelenos por meio de sua parceria com o governo local. O ator e sua organização também participaram dos esforços humanitários de ajuda e reconstrução do Haiti, após o terremoto que dizimou o país em 2010, e têm se empenhado no auxílio de cidades americanas que sofrem impacto de furacões, adquirindo expertise em soluções comunitárias contra crises.
Ashley Judd mostra cicatrizes após quase perder a perna num acidente
A atriz Ashley Judd (“Risco Duplo”) revelou em fotos e vídeo no Instagram as cicatrizes que ficaram em sua perna após sofrer um grave acidente na selva do Congo, na África. Ela tranquilizou os fãs dizendo que estava focada em melhorar e… refazer o passeio que ocasionou a lesão. “Assim que junho chegar, vou voltar a andar com uma cinta e uma bengala”, ela contou, revelando planos para caminhadas pela Patagônia, na Argentina, inspirada por um livro que ganhou de aniversário. “Assim como aquele pequeno bonobo em perigo sabe que logo me verá de volta à floresta tropical congolesa”, acrescentou. A atriz sofreu o que descreveu como acidente “catastrófico” quando estava na floresta do Congo para participar de uma campanha em prol dos bonobos, espécie de macaco ameaçada de extinção. Numa manhã de fevereiro, ela decidiu dar uma volta ao redor do acampamento antes do nascer do sol, e não viu uma árvore caída no escuro, onde tropeçou, quebrando a perna. Em posts detalhados do Instagram, ela descreveu a natureza emocional e física “incrivelmente angustiante” de sua jornada para o hospital, que incluiu ficar deitada no chão da floresta por cinco horas e segurar a parte superior de sua tíbia quebrada por seis horas enquanto andava de moto. A jornada épica que precisou enfrentar desde a fratura até o tratamento, viajando em macas improvisadas pela selva, até começar sua viagem de moto, por terra batida, para chegar num centro urbano e de lá partir para uma cirurgia de emergência em outro país foi material de cinema. Mas ela descreveu de outra forma. “A diferença entre uma pessoa congolesa e eu é o plano de saúde e o seguro contra acidentes que me permitiu, 55 horas após meu acidente, chegar a uma mesa de operação na África do Sul”, disse Judd em seu primeiro post sobre o ocorrido, em sua cama de hospital. Após a atenção médica na África do Sul, Judd retornou aos EUA, em uma viagem de 22 horas com quatro voos, num trajeto que contou com uma ambulância aérea. Nos EUA, ainda teve que passar por uma cirurgia de oito horas para reparar os danos causados pelo acidente. Ela ainda está fazendo fisioterapia para recuperar os movimentos perdidos da perna. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Ashley Judd (@ashley_judd)
Paulo Gustavo tem pneumonia bacteriana e estado de saúde ainda é grave
O estado de saúde do ator Paulo Gustavo continua grave. Internado em UTI no tratamento contra a covid-19 há 35 dias, ele agora enfrenta uma nova pneumonia bacteriana, identificada no domingo (25/4). O comunicado foi feito pela assessoria de imprensa do ator, que destaca que o problema está sendo tratado de forma eficiente. O texto também busca dar notícias positivas, como “evidências de melhora na função pulmonar”, o que estaria fazendo a equipe médica confiar na recuperação do ator. “Como em outros casos graves, ocorrem oscilações no estado geral”, apontou a equipe do artista, que além de estar na UTI continua seguindo tratamento com ventilação mecânica e ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea). Paulo Gustavo foi intubado em 21 de março, após 8 dias de internação para combater a covid-19. O ator, no entanto, continuou a apresentar piora do quadro respiratório, precisou sofrer algumas intervenções cirúrgicas e broncoscópicas e ser submetido à terapia por ECMO, uma técnica também conhecida como pulmão artificial que auxilia na oxigenação do sangue. O último boletim médico oficial sobre sua saúde foi divulgado à imprensa no dia 19 de abril. O texto, também compartilhado pela equipe de comunicação de Paulo Gustavo, dizia que ele apresentava melhora naquele período, com os problemas mais urgentes contornados. No comunicado de domingo, a assessoria diz que “a família do ator agradece muito todo o carinho e orações e pede que continuem a enviar boas energias para a recuperação de todos os que se encontram na luta contra o vírus”.
Regina Duarte é condenada a se retratar por fake news contra Marisa Letícia Lula da Silva
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal condenou a atriz e ex-secretária da Cultura Regina Duarte a publicar em seu Instagram uma nota de retratação por ter compartilhado fake news contra a ex-primeira dama Marisa Letícia Lula da Silva. Regina manifestou repúdio e divulgou que tinham sido encontrados R$ 256 milhões nas contas da falecida esposa de Lula. Só que o saldo, na verdade, era de R$ 26 mil. A diferença de valores foi resultado da confusão de um juiz sobre a quantia que Marisa tinha aplicados em CDBs com debêntures de outra natureza. Ele questionou a defesa e, antes que o erro pudesse ser esclarecido, as redes bolsonaristas, das quais Regina faz parte ativa, passaram a divulgar com alarde o valor errado para sugerir corrupção. Na sentença, o juiz Manuel Eduardo Pedroso Barros afirma que Regina Duarte disseminou fake news a respeito do patrimônio de Marisa Letícia, mas diz que ela foi “induzida a erro justificável”. Ao mesmo tempo, considerou que as postagens foram vistas por muitas pessoas, pois “a ré é artista pública, conhecida nacional e internacionalmente, e, à época dos fatos, ainda exercia relevante função na Secretaria de Cultura”. “A publicação de sentença reconhecendo que a informação anterior foi um erro é forma de minorar a repercussão negativa outrora impingida à família do ex-presidente Lula”, completa o juiz, que negou o pedido de indenização por danos morais. A família de Lula também processa o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, pela mesma postagem.
Oscar tem pior audiência de todos os tempos
A exibição do Oscar 2021 teve a pior audiência da premiação em todos os tempos. Com discursos mais longos que o habitual, a transmissão da cerimônia pela rede ABC nos EUA resultou numa audiência ao vivo de 9,85 milhões de espectadores e uma classificação desanimadora de 1,9 entre o público alvo dos anunciantes (entre 18 e 49 anos). Trata-se de um recorde negativo com uma margem enorme, uma queda de cerca de 58% em relação ano anterior do Oscar, que já era a pior audiência da premiação. Em termos do público alvo, o precipício foi ainda maior, desabando 64,2% na comparação à classificação do Oscar 2020. Os dados são preliminares, mas não devem ser muito diferentes dos resultados oficiais, que serão conhecidos na terça (27/4). Entretanto, os números devem subir quando receberem acréscimos das plataformas digitais. Este ano, a transmissão de mais três horas de duração também foi disponibilizada pela plataforma Hulu, ABC.com, YouTube, o aplicativo da ABC e por mais um punhado de outras opções. Tantas alternativas inevitavelmente diluíram os números, afetando a sintonia televisiva.
Ministra da Cultura da França elogia diretor de “Meu Pai”: “Que orgulho!”
A Ministra da Cultura da França, Roselyne Bachelot, elogiou nesta segunda-feira (26/4) a vitória do cineasta Florian Zeller no Oscar 2021. “Que alegria, que orgulho!”, ela escreveu, ao celebrar a conquista do diretor francês, vencedor do troféu de Melhor Roteiro Adaptado por “Meu Pai”, baseado numa peça que ele mesmo escreveu. O filme, também dirigido por Zeller, ainda rendeu o Oscar de Melhor Ator para Anthony Hopkins. Na mesma mensagem, Bachelot aproveitou para celebrar outros franceses vitoriosos na cerimônia de premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA, como Nicolas Becker, um dos integrantes da equipe vencedora do Oscar de Melhor Som por “O Som do Silêncio”, e Alice Doyard, produtora do Melhor Documentário em Curta Metragem, “Colette”. As premiações também ganharam grande repercussão na mídia francesa. O governo francês compartilha as vitórias de filmes e talentos do país por incentivar a produção de cinema nacional, com investimentos, apoios a festivais, cotas e muito mais – resultando em grande produtividade, visibilidade internacional e a maior reserva de mercado de cinema do mundo. Quelle joie, quelle fierté!Bravo à #FlorianZeller, #oscar du meilleur scénario adapté pour #TheFather et à son immense premier rôle @AnthonyHopkins, à #NicolasBecker, oscar du meilleur son pour #SoundofMetal et à @AliceDoyard pour son touchant court-métrage documentaire Colette. — Roselyne Bachelot (@R_Bachelot) April 26, 2021
Ministro da Cultura do Reino Unido saúda talentos britânicos do Oscar 2021
O Ministro da Cultura do Reino Unido, Oliver Dowden, saudou os talentos britânicos premiados no Oscar 2021 em dois posts em seu Twitter oficial. “Sir Anthony Hopkins e Daniel Kaluuya – dois atores britânicos fenomenais, que deixaram o Reino Unido orgulhoso. Muitos parabéns por suas vitórias e obrigado por compartilharem seus extraordinários talentos com o mundo”, ele escreveu na primeira postagem, exaltando as vitórias de Hopkins, Melhor Ator por “Meu Pai”, e Kaluuya, Melhor Ator Coadjuvante por “Judas e o Messias Negro”. Dowden ainda elogiou Emerald Fennell por seu prêmio de Melhor Roteiro Original por “Bela Vingança”. “Também é fantástico ver o brilhante talento britânico por trás das câmeras sendo reconhecido no Oscar”, ele acrescentou. “Parabéns a Emerald Fennell pela vitória de Melhor Roteiro Original – uma jovem promissora, de fato”, completou, referindo-se ao título original do longa em inglês, “Promising Yount Woman” (mulher jovem promissora). Sir Anthony Hopkins, Daniel Kaluuya – two phenomenal British actors who have done the UK proud today. Huge congratulations on your #Oscars wins and thank you for sharing your extraordinary talents with the world. — Oliver Dowden (@OliverDowden) April 26, 2021 It’s fantastic to see the brilliant British talent behind the camera being recognised at the #Oscars too. Congratulations to @EmeraldFennell on her Best Original Screenplay win – a promising young woman indeed. https://t.co/s3JHx6mUTG — Oliver Dowden (@OliverDowden) April 26, 2021
Presidente da Coreia do Sul homenageia vitória de Youn Yuh-jung no Oscar 2021
A vitória da veterana estrela sul-coreana Youn Yuh-jung foi festejada como feito histórico em seu país natal. Ela virou foco de atenção da mídia nacional e recebeu congratulações até do presidente da república, Moon Jae-in. “Acima de tudo, é um grande consolo para as pessoas que estão cansadas da covi-19”, escreveu o presidente da Coreia do Sul num comunicado postado em sua conta oficial do Twitter. Ele ainda disse que a vitória escreveu um novo capítulo na história do cinema sul-coreano. Depois que “Parasita” se tornou a primeira produção do país a vencer o Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Filme Internacional, a conquista de Youn Yuh-jung como Melhor Atriz Coadjuvante por “Minari” foi considerada um reconhecimento contínuo de Hollywood à qualidade dos talentos da indústria cinematográfica local. Moon também escreveu que a história de “Minari”, sobre uma família de imigrantes coreanos nos EUA, demonstrou que “estamos todos intimamente conectados, mesmo se moramos em lugares diferentes”. O governo sul-coreano apoia fortemente a indústria de cinema nacional por meio de incentivo público, cotas e patrocínios de festivais – quase tudo que também existia no Brasil antes do governo Bolsonaro. 배우 윤여정 님의아카데미 여우조연상 수상을국민과 함께 축하합니다. pic.twitter.com/IkqWIL0SRj — 문재인 (@moonriver365) April 26, 2021
Dinamarca celebra suas vitórias no Oscar 2021
Ao contrário da China, que censurou a conquista de Chloé Zhao no Oscar 2021, a Dinamarca celebrou as conquistas de seus cidadãos no Oscar 2021 com elogios em sua conta oficial no Twitter. Posts exaltando as conquistas do Oscar de Melhor Filme Internacional e Melhor Edição celebraram o feito. “Isto é imenso para um país pequeno como a Dinamarca”, assinalou a publicação. Foi a quarta vez que o país venceu a categoria internacional, desta vez com “Druk – Mais uma Rodada”, de Thomas Vinterberg, e a primeira conquista de um editor dinamarquês no Oscar, atingida por Mikkel E. G. Nielsen por seu trabalho em “O Som do Silêncio”. Em seu discurso de agradecimento, Nielsen fez questão de destacar o investimento do governo dinamarquês no ensino público de cinema no país. “Sou da Dinamarca e gostaria de cumprimentá-la porque o governo é extremamente ousado em financiar a Escola Nacional de Cinema da Dinamarca”, disse ele. “Isso é incrível e é isto [o Oscar] que você ganha [com o investimento], então continue fazendo isso.” Fundada em 1966, a Escola Nacional de Cinema da Dinamarca (Den Danske Filmskole) é uma instituição independente subordinada ao Ministério da Cultura da Dinamarca, que ensina direção de ficção, direção de documentário, cinematografia (direção de fotografia), roteiro, edição, direção de som, animação e produção de filmes.O projeto final dos alunos é um filme produzido a nível profissional e apresentado ao público na TV nacional. Graças ao apoio de seu governo, a “pequena” Dinamarca já recebeu 39 indicações e venceu 19 estatuetas do Oscar ao longo dos anos. Also big congrats to Mikkel E. G. Nielsen for winning an Oscar for Best Film Editing for "Sound of Metal'. It is the first time ever that a Dane wins in this category 🥳🎞️ pic.twitter.com/OiE5Day23L — Denmark.dk (@denmarkdotdk) April 26, 2021
Anthony Hopkins agradece Oscar que “não esperava” e homenageia Chadwick Boseman
Assim que acordou na manhã desta segunda (26/4), o ator britânico Anthony Hopkins publicou no Instagram seu primeiro agradecimento pela vitória no Oscar 2021. Ele estava dormindo quando seu nome foi anunciado como Melhor Ator do ano. O favorito ao prêmio era Chadwick Boseman pelo último papel de sua carreira, em “A Voz Suprema do Blues”. Hopkins reconheceu isso ao homenagear o colega em seu discurso, gravado em vídeo de sua casa na região rural do País de Gales. Ele repetiu duas vezes que não esperava ganhar aos 83 anos de idade. A vitória por seu desempenho em “Meu Pai”, do francês Florian Zeller, transformou Hopkins no ator mais velho a vencer o Oscar. “Bom dia. Aqui estou eu, na minha terra natal. Aos 83 anos, não esperava vencer este prêmio, realmente. Estou muito grato à Academia: obrigado. Quero homenagear Chadwick Boseman, que foi tirado de nós muito cedo. Novamente, muito obrigado a todos. Não esperava por isso, e me sinto privilegiado e honrado”, disse Anthony. Veja o vídeo original abaixo. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Anthony Hopkins (@anthonyhopkins)
Vitória de Chloé Zhao no Oscar 2021 é censurada na China
A vitória da cineasta chinesa Chloé Zhao no Oscar 2021 está sendo ignorada na China. Nascida em Pequim, ela venceu o Oscar de Melhor Direção e também o de Melhor Filme por “Nomadland”, mas nenhuma repercussão ao seu triunfo pode ser encontrada nesta segunda-feira (26/4) nas redes sociais chinesas. Zhao se tornou a primeira asiática e segunda mulher a vencer o Oscar na categoria de melhor direção, além da primeira cidadã chinesa premiada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA. A ausência de comemorações é deliberada. O Oscar deste ano não foi transmitido em nenhum lugar da China – inclusive em duas grandes plataformas de streaming, onde a cerimônia havia sido exibida ao vivo em anos anteriores. Até em Hong Kong, onde supostamente há mais liberdade, uma emissora importante optou por não exibir o Oscar pela primeira vez em mais de meio século. O motivo não foi apenas a previsão de consagração de Zhao. O Oscar também irritou chineses nacionalistas por conta da indicação a “Do Not Split”, um filme de 35 minutos que narra os protestos pró-democracia de Hong Kong em 2019, que concorria ao prêmio de Melhor Documentário em Curta-metragem (acabou não ganhando). Mas existe sim uma reação contrária à cineasta, iniciada logo após sua vitória no Globo de Ouro, no começo de março. Na ocasião, ela chegou a ser comemorada nas redes sociais chinesas e até recebeu homenagem da mídia estatal oficial como um “motivo de orgulho para a China”. Além disso, o lançamento de seu filme, “Nomadland”, foi aprovado para exibição nos cinemas locais em 23 de abril, véspera do Oscar, quando deveria ser recebido com grande fanfarra. Entretanto, a consagração levou muitos a questionarem se ela era realmente chinesa e por qual motivo ela morava nos EUA. Blogueiros logo encontraram uma entrevista da cineasta à Filmmaker Magazine em 2013, onde ela descreveu sua criação na China como “um lugar onde há mentiras por toda parte”. A revista já tinha deletado essa entrevista de seu site em meados de fevereiro, dias antes do anúncio da data de lançamento de “Nomadland” na China, sem maiores explicações. Mas os equivalentes a bolsominions chineses encontraram os rastros da declaração e não perdoaram a diretora, protestando em massa contra ela. Quatro dias após Chloé Zhao vencer o Globo de Ouro já não era mais possível encontrar menções a seu nome e à “Nomadland” na internet chinesa. A reação nacionalista levou a um apagamento da diretora e de seu filme nas redes sociais e uma completa censura à suas conquistas posteriores, com os pôsteres promocionais de seu filme retirados do Douban (um Facebook cultural). Tudo indica que “Nomadland” não vai mais ser exibido no país. A rápida rejeição de Zhao demonstra como o sentimento nacionalista encontra-se difundido na China, um país em que as pessoas acreditam em tudo o que diz seu presidente, Xi Jinping, porque o contraditório é proibido. Zhao não fala criticamente da China desde que alcançou a fama, mas um único comentário feito há oito anos foi suficiente para destruir sua imagem e interromper o lançamento de seu filme em sua terra natal. O Partido Comunista da China também viu problemas na comemoração de Zhao por conta de sua educação ocidental e privilegiada. A cineasta frequentou escolas na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, antes de finalmente se matricular na escola de cinema da Universidade de Nova York, experiência fora do alcance da maioria dos chineses, que a descredenciaria, no manual populista, a ser apresentada como uma história de sucesso chinesa. Em toda a imprensa chinesa, apenas o Global Times, jornal nacionalista que expressa a opinião do Partido Comunista, manifestou-se em tom ameaçador sobre a conquista da diretora – em poucas linhas e sem destaque. Num artigo intitulado “’Nomadland’ lembra àqueles que foram pegos entre a rivalidade EUA-China para manter a fé”, o jornal descreve as vitórias de Zhao como “boas”, mas acrescenta: “Esperamos que ela [Zhao] possa se tornar mais e mais madura”. O texto também observa: “O agravamento dos laços bilaterais está diminuindo o espaço para intercâmbios culturais entre os povos dos dois países. As pessoas que estão tentando explorar oportunidades neste campo encontrarão problemas e protestos nunca vistos no passado. Eles descobrirão que é difícil agradar aos dois lados.” Para quem não entendeu a mensagem cifrada, ela foi direcionada à Disney, que neste ano pretende lançar na China sua próxima superprodução da Marvel, “Eternos”, dirigida justamente por Chloé Zhao. O PCC quer que a diretora “amadureça” (fale bem do governo chinês) para “agradar aos dois lados” (conseguir liberar o lançamento do filme no país).












