Martha De Laurentiis (1954–2021)
A produtora Martha De Laurentiis, responsável pelos filmes e séries com o personagem Hannibal Lecter, morreu no domingo (512) em sua casa, aos 67 anos, após uma longa batalha contra um câncer cerebral. Ela era viúva do famoso produtor Dino De Laurentiis (“Barbarela”, “King Kong”), com quem teve duas filhas, Carolyna De Laurentiis e Dina De Laurentiis. Dina divulgou um comunicado no domingo após a morte de sua mãe. “Minha mãe era uma alma calorosa, generosa e otimista – meu pai sempre se referia a ela como sua ‘luz do sol’ – e uma protetora feroz”, disse ela. “Uma esposa, mãe e avó preciosas e uma amiga que tocou a tantos, assim como uma provedora – e protetora – de pessoas criativas nos filmes e na televisão que ela amava. Ela colocava a família em primeiro lugar, mas levantava todas as manhãs apaixonada por ampliar o legado de meu pai e continuar a forjar o seu próprio. Sua bondade, inteligência e graça continuarão a nos inspirar.” Nascida Martha Schumacher em 10 de julho de 1954, ela foi coroada a Miss Júnior de Ohio em 1972, chegando a trabalhar brevemente como modelo em Nova York antes de seguir sua paixão no cinema, integrando a contabilidade dos filmes cultuados “Os Selvagens da Noite” (1979) e “Lobos” (1981). Ela se juntou à empresa de Dino De Laurentiis como contadora assistente durante o filme “Na Época do Ragtime” (1981), de Milos Forman, e foi promovia a assistente de produção durante a adaptação de “Chamas da Vingança” (1984), de Stephen King. O terror estrelado por Drew Barrymore também deu início a sua longa parceria de produção com Dino. O sucesso de “Chamas da Vingança” fez Martha crescer na empresa e se especializar em obras de Stephen King, de quem produziu “Olhos de Gato” (1985), “A Hora do Lobisomem” (1985) e “Comboio do Terror” (1986). Na época, Dino construiu o que hoje é o Screen Gems Studios em Wilmington, na Carolina do Norte, onde foram realizados vários longas de sua empresa, desde fracassos gigantescos como “King Kong 2” (1986) até hits inesperados como “Uma Janela Suspeita” (1987), ambos produzidos por Martha. O casal oficializou seu relacionamento em 1990. Eles não apenas se casaram como formaram uma sociedade profissional com o lançamento da produtora De Laurentiis Co., que emplacou vários sucessos. A lista inclui “Hannibal” (2001), “Dragão Vermelho” (2002) e “Hannibal, a Origem do Mal” (2007), adaptações da obra literária de Richard Harris, que serviram como continuação e prólogos de “O Silêncio dos Inocentes” (1991). Após a morte de Dino em 2010, Martha continuou como chefe da De Laurentiis Co, por onde desenvolveu a série “Hannibal”, que trouxe Mads Mikkelsen como o serial killer Hannibal Lecter ao longo de três temporadas elogiadíssimas. Entre seus últimos trabalhos estão o filme “Ártico” (2018) na Netflix, também estrelado por Mikkelsen, e o desenvolvimento do remake de “Chamas da Vingança”, atualmente em pós-produção para uma estreia em 2022.
Mila Moreira (1949–2021)
Mila Moreira, uma das primeiras modelos a virar atriz no Brasil, morreu na madrugada desta segunda (6/12), na emergência do hospital CopaStar, no Rio, após sofrer uma gastroenterite em Paraty. Ela começou a carreira de modelo aos 14 anos, quando venceu o concurso Miss Luzes da Cidade, organizado pelo jornal Última Hora. Logo depois, foi contratada pela Rhodia e se tornou uma estrela dos eventos de moda feitos para promover os fios sintéticos da empresa. A carreira não a impediu de continuar os estudos e ela se formou Psicologia. Ser modelo também a colocou na TV, como jurada no programa do apresentador Chacrinha nos anos 1970. Sua desenvoltura chamou atenção e Mila acabou convidada para fazer novelas. Foram dezenas, a partir de “Marron Glacê”, em 1979, em que viveu a responsável pelo bufê que dava nome à produção. “Quando virei atriz, todo mundo criticava. Houve muito preconceito dos colegas. Achavam que eu era caso do Cassiano [Gabus Mendes, autor da novela]”, ela contou em entrevista à Folha de S. Paulo há cinco anos. Na verdade, ela tinha uma relação com Cassiano Gabus Mendes, mas de grande amizade, já que foi casada nos anos 1970 com o ator Luis Gustavo, cunhado do autor. Ela se separou de Luis Gustavo antes de virar atriz, mas nunca perdeu a amizade, chegando a contracenar com o ex em vários trabalhos de Gabus Mendes. Assim, acabou se tornando parte da família de atores favoritos do escritor, que a incluiu em praticamente todas suas novelas, geralmente em papéis de mulheres ricas, de grande classe. Mila saiu de “Marron Glacê” direto para “Plumas e Paetês” (1981), “Elas por Elas” (1982) e a série derivada “As Aventuras de Mário Fofoca” (1982), chegando até a fazer uma participação como ela mesma na novela “Ti Ti Ti” (1985), sobre o mundo da moda. A parceria seguiu por uma década, com “Champagne” (1983), “Que Rei Sou Eu?” (1989), “Meu Bem, Meu Mal” (1990) e “O Mapa da Mina” (1993), até a morte de Cassiano naquele ano. A atriz ainda participou de dois remakes póstumos do velho amigo: “Anjo Mau” em 1997 e “Ti Ti Ti” em 2010. Os trabalhos com Cassiano a fizeram ser reconhecida como atriz e ela não teve problemas em continuar a carreira, trabalhando com vários autores consagrados, como Gilberto Braga, com quem fez “Corpo a Corpo” (1984), “Paraíso Tropical” (2007) e a minissérie “Anos Rebeldes” (1992), Daniel Más em “Bambolê” (1987), Sílvio de Abreu, no fenômeno de audiência “A Próxima Vítima” (1995), Aguinaldo Silva em “A Indomada” (1997), Carlos Lombardi em “O Quinto dos Infernos” (2002), Ana Maria Moretzsohn em “Sabor da Paixão” (2003), Walther Negrão em “Como uma Onda” (2005), Manoel Carlos em “Viver a Vida” (2009), Alcides Nogueira em “Ciranda de Pedra” (2008) e o remake de “O Astro” (2011). Ela demorou, porém, a firmar uma segunda parceria tão forte como tinha com Cassiano. Isto só foi acontecer no final de sua carreira, com Maria Adelaide Amaral, de quem gravou as minisséries “Os Maias” (2001) e “JK” (2006), além das novelas “Um Só Coração” (2004), “Queridos Amigos” (2008), “Sangue Bom” (2013) e “A Lei do Amor” (2016), seu último trabalho na Globo. Na época, deu uma entrevista ao jornal O Globo, em que lamentou ainda ser chamada de ex-modelo. “Sabe há quanto tempo não piso numa passarela? 37 anos! Fui modelo durante 11, 12 anos e tenho que carregar isso para o resto da vida”, reclamou. Os 37 anos citados correspondem a sua carreira de atriz, em que fez praticamente uma novela atrás da outra. Tanto trabalho lhe deixou pouco tempo livro para se aventurar por outros meios de expressão. Ainda assim, encaixou três filmes, todos sucessos de bilheteria da década de 1980: “Os Saltimbancos Trapalhões” (1981), de J.B. Tanko, “Aguenta Coração” (1984), de Reginaldo Faria, e “Dias Melhores Virão” (1989), de Cacá Diegues.
Vídeo mostra teste de Ed Sheeran para versão britânica de “La Casa de Papel”
Depois de aparecer em “Alerta Vermelho”, Ed Sheeran está em campanha para participar de outra atração da Netflix. Um vídeo divertido mostra o cantor fazendo teste para entrar na versão britânica de “La Casa de Papel”. Divulgado nas redes sociais da série, o vídeo traz Sheeran tentando o papel de Glasgow na nova versão – mas pede para o personagem ser rebatizado como Ipswich, uma cidadezinha inglesa onde ele cresceu. Ele também faz teste para viver o Professor e canta algumas canções ao violão como sugestões para a trilha da série. Ao final, recebe uma ligação de Álvaro Morte, o verdadeiro Professor, que se interessou por sua ideia para o remake – roubar o Palácio de Buckingham, residência oficial da Rainha da Inglaterra – e, como seu famoso personagem, lhe oferece uma parceria no assalto. Apesar da brincadeira, “La Casa de Papel” vai mesmo ganhar um remake internacional, mas não no Reino Unido. A produção será refeita na Coréia do Sul e já confirmou o ator Park Hae-soo, um dos protagonistas da trama de “Round 6”, no papel de Berlim. Já o sucesso original espanhol que conquistou o mundo chegou oficialmente ao fim na sexta (3/12), com o lançamento dos cinco capítulos finais da série criada por Álex Pina no catálogo da plataforma de streaming. Bienvenido a la Resistencia, Ed Sheeran.Welcome to the Resistance, Ed Sheeran.#LCDP5 #MoneyHeist pic.twitter.com/fAbVEMICd8 — La Casa de Papel (@lacasadepapel) December 1, 2021
Marc Beauchamps (1959-2021)
O produtor Marc Beauchamps, fundador da distribuidora Lumière e responsável pelo lançamento de vários filmes da chamada retomada do cinema brasileiro, morreu neste sábado (4/12) em um hospital do Rio de Janeiro, poucos dias antes de completar 62 anos. Ele lutava contra o câncer há sete anos, teve um AVC e não resistiu. Nascido na França, o produtor chegou ao Brasil aos 19 anos e dirigiu o primeiro documentário sobre Serra Pelada, em parceria com Gustavo Hadba, que se tornou um dos maiores fotógrafos do cinema brasileiro. Em seguida, criou a empresa Inicial Brasileira, que exportava filmes nacionais para a França. Em 1989, ele fundou a Lumière com Bruno Wainer, com a ideia de trazer filmes franceses ao Brasil. Só que acabou criando aquela que, durante anos, foi a maior distribuidora de filmes no Brasil. A empresa também representou a Miramax, trazendo “Delicatessen”, “Pulp Fiction” e mais de 100 clássicos modernos ao país. Ao longo de 20 anos, a Lumière também impulsionou a combalida indústria cinematográfica nacional, que tinha sofrido com Collor o mesmo que padece agora com Bolsonaro, colocando nos cinemas alguns dos maiores marcos do renascimento da produção local – filmes como “Central do Brasil” (1998), “Pequeno Dicionário Amoroso” (1997), “Cidade de Deus” (2002), “Madame Satã” (2002) e “Olga” (2004). Todos estes, mesmos “Central do Brasil”, que ele apenas distribuiu, ainda trazem seu nome nos créditos como produtor. De fato, a participação da empresa de Beauchamps na produção de “Cidade de Deus” foi que possibilitou os contratos de distribuição internacional do filme de Fernando Meirelles com a Miramax e a Wild Bunch nos EUA e França, e essa parceria também culminou na estratégia vitoriosa de marketing que levou o longa a ser indicado a quatro Oscars. Na vida particular, porém, o vício em drogas cobrou um preço elevado na vida do produtor Em 2013, ele foi preso pela Interpol no Rio, acusado de tráfico internacional e levado à França, onde foi condenado à pena de três anos de prisão pela prática dos crimes de transporte, posse, aquisição e exportação de entorpecentes. A prisão chocou o meio cultural brasileiro e, em 2016, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou sua extradição. Ela acabou absolvido ao chegar ao país, mas seus negócios nunca se recuperaram. Sócio de Beauchamps na Lumière, Bruno Wainer acabou fundando a Downtown Filmes, que hoje é a maior produtora do cinema brasileiro. Marc Beauchamps era casado com a fotógrafa Fernanda Vasconcelos e deixa três filhos. Bruno Beauchamps, por sinal, seguiu a carreira do pai e fundou sua própria distribuidora, a Pagu Filmes.
Críticos de Nova York elegem filme japonês como melhor do ano
O drama japonês “Drive My Car”, de Ryusuke Hamaguchi, foi eleito o Melhor Filme de 2021 pelo Círculo de Críticos de Cinema de Nova York (NYFCC, na sigla em inglês) na noite de sexta-feira (3/12). Vencedor do prêmio de Melhor Roteiro do Festival de Cannes deste ano e indicado pelo Japão a disputar uma vaga no Oscar de Melhor Filme Internacional, o longa acompanha um diretor viúvo que, ao ser convidado a comandar uma peça em Hiroshima, passa a contar com os serviços de uma motorista estoica, com quem começa a dividir histórias e segredos. Os críticos de Nova York também votaram em Lady Gaga (por “Casa Gucci”) e Benedict Cumberbatch (por “Ataque dos Cães”) como melhores atores do ano. Título mais premiado da lista, “Ataque dos Cães” ainda rendeu citações a Jane Campion pela Melhor Direção e a Kodi Smit-McPhee como Melhor Ator Coadjuvante. Kathryn Hunter foi eleita Melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação em “The Tragedy of Macbeth”. A lista ainda incluiu os vencedores de outras duas votações desta semana. “Licorice Pizza” (Melhor Filme da votação do National Board of Review, na quinta) como Melhor Roteiro e “A Filha Perdida” (Melhor Filme do Gotham Awards, na segunda) como Melhor Direção de Estreia – premiando, respectivamente, os cineastas Paul Thomas Anderson e Maggie Gyllenhaal. O musical “Amor, Sublime Amor”, de Steven Spielberg, levou o prêmio de Melhor Fotografia, “A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas” foi a Melhor Animação, o dinamarquês “Flee”, de Jonas Poher Rasmussen, foi eleito Melhor Documentário, e o norueguês “The Worst Person in the World”, de Joachim Trier, destacou-se como Melhor Filme Estrangeiro. Fundado em 1935, o NYFCC inclui críticos de jornais, revistas e blogs especializados, mas não integrantes da crítica televisiva, por isso tende a favorecer uma produção mais independente. No ano passado, o vencedor de sua votação foi o drama indie “First Cow”, de Kelly Reichardt, que nem sequer foi indicado ao Oscar. Veja abaixo o trailer de “Drive My Car”, que ainda não tem previsão de estreia no Brasil.
CCXP começa segunda edição virtual e gratuita
A Comic Con Experience (CCXP) começa sua edição 2021 neste sábado (4/12), que acontece de forma virtual pelo segundo ano consecutivo devido a pandemia de covid-19. Por conta disso, o evento chega ao público de forma gratuita – mas há um passe especial no valor de R$ 50 que garante conteúdos exclusivos. A experiência do ano passado aconteceu antes que estúdios como Disney, Netflix e Warner percebessem as vantagens de fazer suas próprias versões de Comic Con virtual por conta própria, sem pagar pedágio para terceiros. E era esperado que esse desenvolvimento afetasse a CCXP. Ela está menor que o costume – com um dia a menos – , sem investimento de Disney e com a seleta participação da Netflix completamente desconhecida até a hora H. Este detalhe da Netflix reflete como o aspecto virtual também tirou o controle do evento das mãos dos organizadores. Na véspera da estreia, eles ainda informavam a realização de painéis dos quais não tinham informações para passar, deixando subentendido que todas as iniciativas – desde pauta, escalação de convidados e produção – corriam por conta de quem “comprou” o espaço para participar. Apesar de dividir sua programação em seis palcos virtuais diferentes, para os fãs de filmes e séries a ação se concentra no chamado Thunder Stage/Arena – todos as denominações são, por motivo inexplicado, em inglês. As atrações deste palco foram divididas por marcas. No sábado estão confirmadas Netflix, Globoplay, Crunchyroll, HBO Max, Sony e Paramount. No domingo, MSP (Mauricio de Sousa Produções), Globo Filmes, Amazon Prime Video e Warner. Entre as participações artísticas mais aguardadas estão as de Keanu Reeves e outros integrantes de “Matrix Ressurections”, a presença de Patrick Stewart para falar da série “Star Trek: Picard”, Karl Urban por conta de “The Boys”, o cineasta Francis Ford Coppola para comemorar 50 anos de “O Poderoso Chefão”, Mauricio de Sousa revelando novos projetos, John Cena no clima da série “Peacemaker” (Pacificador) e, segundo comunicado da HBO Max, “uma surpresinha de ‘House of Dragons'”, o spin-off de “Game of Thrones”. Também estão previstos lançamentos e apresentações de projetos das editoras Marvel e DC, comércio de brinquedos e acessórios geeks, conversas sobre games e e-sports, concurso de cosplay, sorteio de brindes, além de bate-papos e workshops com artistas de quadrinhos – entre eles, o veterano Jim Davis, criador de “Garfield”. Por sinal, a cartunista Laerte é a grande homenageada da edição, fazendo sua participação neste sábado às 15h07, no palco Artists’ Valley. Para este ano, ainda há uma promessa de melhoria na parte tecnológica do evento. A plataforma de acesso foi modificada para favorecer a acessibilidade – um problema na edição de 2020. Com isso, os organizadores esperam poder comemorar um crescimento no número de acessos em comparação ao ano passado – que teve um público total de 1,5 milhão de pessoas. A transmissão será feita pela plataforma Twitch por meio de 11 canais, que exibirão o que acontece nos diferentes painéis. Mas não haverá acesso gratuito fora do streaming oficial. Quem quiser conferir mais tarde, só tem a opção do ingresso Digital Experience (R$ 50), que, entre outras coisas, dá acesso posterior aos vídeos dos painéis – disponíveis até o dia 5 de janeiro.
Secretaria da Cultura coloca outro acervo em risco após incêndio na Cinemateca
Quatro meses após o incêndio na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, a secretaria da Cultura comandada pelo ex-“Malhação” Mario Frias é alvo de uma denuncia publicada no jornal O Globo nesta sexta (3/12), por colocar outro precioso acervo cinematográfico em risco. Segundo apuração do jornal, Frias teria contrato sem licitação uma empresa “fantasma”, sem funcionários e sediada em uma caixa postal dentro de um escritório virtual, para conservação e manutenção do Centro Técnico Audiovisual (CTAv), um edifício da União que reúne relíquias do cinema nacional em Benfica, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro. O incêndio da Cinemateca mal tinha sido contido quando o próprio CTAv decidiu encomendar um estudo técnico sobre as condições de sua estrutura em agosto passado, revelando que o local também corria risco de incêndio e até desabamento. Num dos trechos, o documento ressaltava o “desaprumo de telhas na fachada frontal”, que poderia cair a qualquer momento. Em novembro, Frias assinou a contratação da Construtora Imperial, por meio de uma portaria de dispensa de licitação, para resolver o problema. Contratada pela bagatela de R$ 3,6 milhões, a empresa tem sede na Paraíba, ou seja, a 2.400 km do Rio de Janeiro, onde o trabalho será realizado. Seu endereço é um escritório virtual especializado em fazer “gestão de correspondências” para dezenas de firmas. A Construtora Imperial nunca prestou serviços para o governo federal, não tem um site ou qualquer meio eletrônico que detalhe os serviços que ela presta. E, de acordo com a base de dados do Ministério da Economia, não possuiu funcionários. Mesmo assim, a empresa já tinha prestado pequenos serviços para prefeituras da Paraíba. Com Sertãozinho, por exemplo, fechou um contrato de R$ 154 mil. Com Guarapari da Paraíba, foi contratada por R$ 190 mil. Ambos os serviços foram na área de obras esportivas. Mais curioso ainda: a empreiteira virtual pertence a Danielle Nunes de Araújo, que, no início do ano passado, se inscreveu no programa de auxílio emergencial do governo e recebeu o benefício disponível para desempregados por oito meses seguidos – R$ 3,9 mil no total. A reportagem apurou que a necessidade era real. Entre parentes e pessoas próximas, Danielle não é conhecida como empresária do ramo da construção, mas sim como dona de casa de perfil discreto e que recentemente estava passando por dificuldades financeiras. Procurada pela reportagem de O Globo, ela disse não saber sequer os detalhes da obra que faria para a Secretaria Especial da Cultura. Disse apenas que era para “demolir e reconstruir um prédio lá no Rio”. O edital de contratação da Secretaria Especial de Cultura, no entanto, não trata de qualquer “demolição” do prédio. O documento destaca que os recursos empenhados na obra servirão para a realização de “serviços técnicos especializados na área de engenharia para manutenção preventiva, corretiva, conservação predial e arquitetônica”. Criado em 1985 a partir de uma parceria entre a antiga Embrafilme e o National Film Board, do Canadá, o CTAv é responsável por um acervo com mais de seis mil títulos. O órgão também fornece apoio à produção cinematográfica nacional por meio de empréstimos de equipamentos e estúdios, a custo zero. Cineastas como Sérgio Sanz (1941-2019) e Gustavo Dahl (1938 – 2011) já passaram pela direção da instituição. Os bens históricos incluem 15 mil latas de filme, 20 mil negativos fotográficos e cerca de 1,5 mil cartazes. Entre as relíquias, há parte da coleção do diretor pioneiro Humberto Mauro (1897-1993) e películas originais de “Limite” (1931), obra-prima de Mário Peixoto, além de “O que foi o carnaval de 1920” (1920), de Alberto Botelho. Contatada por e-mail e por telefone ao longo dos últimos dias, a secretaria de Cultura não respondeu aos questionamentos da reportagem nem explicou por que uma empresa que não tem sede nem funcionários foi contratada sem licitação. O órgão também não respondeu quais os critérios foram adotados para a escolha da construtora e não esclareceu se fez vistoria prévia na empresa ou se conhece sua especialização notória na área de preservação de bens culturais, condição para dispensa de licitação.
Alec Baldwin acredita que sua carreira acabou
Durante sua primeira entrevista longa, detalhada e exclusiva desde a morte trágica da diretora de fotografia Halyna Hutchins, Alec Baldwin disse acreditar que sua carreira acabou após o acidente no set do filme “Rust”. “Eu não dou a mínima para a minha carreira mais. Talvez ela tenha acabado”, ele declarou ao jornalista George Stephanopoulos, do canal de notícias ABC News, na noite de quinta (2/12). Reforçando que “não consegue se imaginar” segurando uma arma novamente em um set de filmagens, ele confessou que não se importaria se nunca mais filmasse novamente, indicando que pode se aposentar. Ainda muito abalado pela morte da colega de trabalho, atingida por uma bala que saiu de seu revólver num ensaio da produção, ele defendeu o direito da família de Hutchins processá-lo, mas jurou não ter culpa nem sentir-se culpado pela tragédia. Mas isso não impede sua devastação. “Talvez eu tivesse me matado se achasse que era realmente culpado, e não digo isso de forma leviana. Tenho sonhos com isso constantemente. Enfrento o meu dia, consigo chegar até o final, mas desabo quando chego e casa. Emocionalmente, desabo”, comentou. Durante a entrevista, Baldwin explicou que não apertou o gatilho da arma que causou a morte da cinematógrafa. “Eu mexi no cão da arma, porque era isso que eles precisavam que eu fizesse na cena. Eu puxei e falei [para Hutchins]: ‘Está bom assim? Consegue ver?’. Quando soltei o cão, a arma disparou”, contou. Reiterando que “jamais puxaria o gatilho de qualquer arma quando ela estivesse apontada para alguém”, Baldwin disse que ficou chocado ao ver a diretora de fotografia cair no chão. Inicialmente, ele achou que ela tinha desmaiado. “Eu só fui ter noção de que havia uma bala de verdade dentro da minha arma e ela tinha sido atingida depois de 45 minutos, uma hora”, explicou. “Quando dei minha primeira declaração para a polícia, me disseram que ela não tinha sobrevivido. Só fiquei sabendo naquele momento”, comentou ainda. São deste momento as fotos que circularam na internet, mostrando Balwin chorando ao telefone, com o corpo completamente curvado. Além de Hutchins, a bala disparada da arma segurada por Baldwin atingiu o ombro do diretor de “Rust”, Joel Souza, que sobreviveu. A investigação criminal está sendo conduzida pelo Gabinete do Xerife da Comarca de Santa Fé e pelo Primeiro Procurador do Distrito Judicial do Novo México, e pode levar meses para ser concluída. Mas mesmo com a investigação em andamento, integrantes da equipe de “Rust” já deram entrada em processos contra os produtores do filme, incluindo o ator Alec Baldwin.
A Maia detona Silvero Pereira: “Transfake não”
A Maia, atriz que interpreta a Morte na novela da Globo “Quanto Mais Vida, Melhor!”, criticou o colega Silvero Pereira (“Bacurau”) por interpretar pessoas transexuais no espetáculo “BR Trans”. “Vou me posicionar sobre uma coisa que estou engasgada. Todos sabem que eu sou uma mulher trans e eu não pego papéis estereotipados. Eu amo o trabalho do Silvero enquanto ator e eu vi ele rodando com o espetáculo BR Trans”, ela desabafou nesta quinta (2/12) em seus Stories do Instagram. “Silvero, você não é trans. Para de exercitar o transfake. A gente vive num país que valoriza muito mais o veado de peruca do que a mulheridade em si. Chega, transfake não. Basta. Eu trabalho na mesma firma que ele, mas não apoio isso”, concluiu a atriz, que acrescentou a hashtag “Transfake não”. Em “BR Trans”, Silvero interpreta histórias reais de travestis e transexuais do nordeste e do sul do Brasil. A peça está em cartaz já há alguns anos, tendo passado por São Paulo pela primeira vez em 2016. Além do espetáculo dirigido por Jezebel de Carli, professora e diretora gaúcha, “BR Trans” também rendeu um livro em que Silvero combina suas vivências como homem gay com relatos de transexuais. Vale lembrar que Silvero também é conhecido por apresentações como drag queen e um de seus primeiros papéis populares foi como Elis Miranda na novela “A Força do Querer” (2017).
Pluto TV lança três canais dedicados ao Natal
A plataforma de streaming Pluto TV, que está completando seu primeiro ano no Brasil, lançou três novos canais dedicados inteiramente ao Natal. Os canais Cine Natal (canal 95), Clima de Natal (canal 96) e Músicas de Natal (canal 97) já estão no ar e são especialmente indicados pra quem acha que o excesso de produções natalinas da Netflix ainda é pouco. Como o nome indica, Cine Natal reúne uma seleção interminável de filmes e especiais de Natal, enquanto Clima de Natal dedica-se ao aspecto festivo da data e Músicas de Natal apresenta as canções natalinas mais famosas acompanhadas por imagens de lareiras – porque dezembro também é época de frio (só que não no Brasil). A programação da Pluto TV ainda vai acrescentar mais um canal neste mês, dedicado exclusivamente à maratonas sem fim da série de comédia infantil “Kenan & Kel” (canal 177). A estreia está marcada para a próxima terça (7/12).
Cardi B vira diretora de criação da Playboy
A rapper e atriz Cardi B (“Velozes & Furiosos 9”) anunciou em suas redes sociais que virou a primeira Diretora de Criação Residente da Playboy. “Apresentando a primeira Diretora de Criação Residente na lendária Playboy, sou EU! Me juntar à família Playboy é um sonho e sei que vão adorar o que faremos”, escreveu a vencedora do Grammy em seu Instagram. De acordo com um comunicado de imprensa da Playboy, “Cardi fornecerá direção artística em coleções de produtos de moda e bem-estar sexual co-branded, editoriais digitais, ativações e muito mais”. Além disso, ela atuará como diretora de uma nova plataforma social da Playboy voltada a criadores de conteúdo, batizada de Centerfold (nome dado ao famoso poster central da publicação), que deve ser lançada no final deste mês. “Para todos aqueles criadores que estão fazendo coisas ousadas, revolucionárias e que realmente mudam a cultura, juntem-se a mim. Vamos nos divertir muito”, escreveu a artista. “Cardi B é um gênio criativo e estamos absolutamente entusiasmados e honrados em trazer seu imenso talento e visão criativa para a Playboy”, acrescentou Ben Kohn, CEO do PLBY Group, em comunicado. “Cardi é a personificação da marca Playboy”, completou. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Cardi B (@iamcardib)
Meghan Markle vence processo contra jornal britânico
A atriz Meghan Markle evocou seus dias da série jurídica “Suits” ao vencer um processo de 450 mil libras esterlinas (cerca de R$ 3,3 milhões) contra a empresa do jornal britânico “Daily Mail”. Ela processou o tabloide por publicar uma carta privada endereçada a seu pai, Thomas Markle, sem sua autorização, na edição dominical “The Mail on Sunday”, de grande circulação nacional. O processo já estava em fase de recurso após uma condenação inicial, e nesta quinta (2/12) o jornal perdeu a última batalha legal. Em sua decisão, o tribunal “mantém a decisão de que a duquesa poderia razoavelmente esperar que sua vida privada fosse respeitada”. Publicada também no site do jornal, a carta foi escrita em agosto de 2018, poucos meses depois de Meghan se casar com o príncipe Harry,e nela a atriz pedia ao pai que parasse de fazer declarações falsas à imprensa. A defesa do jornal britânico argumentou que a carta havia sido escrita com o conhecimento de que poderia ser veiculada na mídia. Para isso, levou um ex-secretário de Markle e do Príncipe Harry que afirmou haver “a possibilidade de vazamento em mente” desde o rascunho do documento. Os advogados da atriz argumentaram que ela não acreditava que seu pai vazaria a carta e que ela não tinha o desejo de tornar o documento público. Além de precisar indenizar a atriz, o tabloide também foi condenado a relatar sua derrota legal em matéria publicada em sua primeira página. Markle comemorou a vitória, dizendo esperar que a decisão ajude a moralizar a indústria dos tabloides. “É uma vitória para mim, mas também para quem tenha tido medo de defender o que é justo”, disse a americana em comunicado. “O mais importante é que agora somos coletivamente corajosos o suficiente para remodelar uma indústria de tabloides que leva as pessoas a serem cruéis e lucra com as mentiras e a dor que criam”, afirmou.
Eddie Mekka (1952–2021)
O ator Eddie Mekka, conhecido por seu papel na série clássica “Laverne & Shirley”, morreu no sábado passado (27/11) aos 69 anos. O falecimento foi revelado por seu irmão nesta quinta-feira, que revelou que a polícia encontrou o ator morto em sua casa em Newhall, Califórnia. Há seis meses, ele tinha sido diagnosticado com um coágulo sanguíneo. Mekka, cujo nome verdadeiro era Edward Rudolph Mekjian, ficou mais conhecido por interpretar Carmine Ragusa, o namorado de Shirley Feeney (Cindy Williams) em “Laverne & Shirley”, de 1976 a 1983. Aquele foi o primeiro papel do ator na TV, conquistado um ano após ser indicado ao Tony (o Oscar do teatro) por seu papel na peça “The Lieutenant”. Depois disso, ele ainda apareceu em “A Ilha da Fantasia”, “O Barco do Amor”, “Family Matters” e “Plantão Médico”, mas nunca mais teve um papel fixo na TV. Sua carreira ainda incluiu um punhado de filmes, entre eles as comédias “Uma Equipe Muito Especial” (1992), “Dickie Roberts, o Pestinha Cresceu” (2003) e “Dreamgirls: Em Busca de um Sonho” (2006). A intérprete de Shilery, Cindy Williams, prestou uma homenagem ao colega em suas redes sociais. “Meu querido Eddie, um talento de classe mundial que podia fazer tudo. Eu te amo muito. Vou sentir muito a sua falta. Mas oh, que memórias maravilhosas…” My darling Eddie,A world-class talent who could do it all. I love you dearly. I'll miss you so much. But oh the marvelous memories…https://t.co/ZmBFpBxc4m #EddieMekka — Cindy Williams (@Cindy_Williams1) December 2, 2021












