Anime clássico japonês Gundam vai ganhar versão hollywoodiana
A Legendary Pictures anunciou que vai produzir um filme live-action de “Gundam”, uma das maiores franquias de animes no subgênero mecha, aquele dos robôs gigantes controlados por pilotos. Lançada originalmente em 1979, a franquia criada pelo animador Yoshiyuki Tomino é creditada por popularizar o mecha nos desenhos japoneses de ficção científica, por ter sido a primeira a apresentar robôs pilotáveis como armas de uso militar. Por conta disso, “Gundam” é considerada a grande inspiração para tudo o que veio depois, inclusive “Círculo de Fogo”, a sci-fi de Guillermo del Toro que foi produzida, justamente, pela Legendary. Popular até hoje, “Gundam” rendeu nada menos que 14 séries de TV, além de inúmeros spin-offs, filmes para o mercado de home video, mangás e video games. A trama de “Gundam”, ou “Mobile Suit Gundam”, se passa em um futuro no qual a humanidade deixou a Terra e se espalhou por várias colônias espaciais. Quando uma dessas colônias tem o poder usurpado por uma família tirânica, tem início uma batalha protagonizada por robôs gigantes pelo destino da raça humana. Ainda não há data certa para a estreia do filme.
Pôster da 9ª temporada The Walking Dead revela ruínas de Washington
O canal pago americano AMC divulgou o pôster da 9ª temporada de “The Walking Dead”. E ele chama atenção por localizar Rick (Andrew Lincoln), Daryl (Norman Reedus), Michonne (Danai Gurira), Maggie (Lauren Cohan) e Carol (Melissa McBride) em Washington, com o prédio do Capitólio em ruínas ao fundo, enquanto um helicóptero pode ser visto sobrevoando à distância. Ir até Washington era o plano da 4ª temporada, quando Eugene (Josh McDermitt) surgiu, mentindo que poderia ajudar a curar a epidemia zumbi se chegasse ileso à capital americana. Nos quadrinhos, Washington foi visitada a caminho de Alexandria, algo que a série alterou. Mas não havia helicópteros na trama original. Na série, os helicópteros têm relação com Anne/Jadis (Pollyanna McIntosh), que se mudou para Alexandria ao final da 8ª temporada. A 9ª Temporada deve ser a última de dois integrantes do pôster, já que Andrew Lincoln e Lauren Cohan só devem aparecer em mais seis episódios cada um. A previsão de estreia é para outubro. No Brasil, a série é exibida no canal pago Fox.
Pôster da segunda metade de Fear the Walking Dead já registra baixas da temporada
A rede AMC divulgou o pôster da segunda metade de “Fear the Walking Dead”, que mostra os sobreviventes do elenco principal fortemente armados, em meio a zumbis, sob uma frase sinistra: “Não há calma depois da tempestade”. A primeira metade da 4ª temporada gerou controvérsia entre os fãs por resultar na morte de dois personagens centrais, que estavam na série desde o começo. Um ator pediu para sair e uma atriz foi surpreendida pela decisão dos novos showrunners, Andrew Chambliss e Ian Goldberg, que assumiram “Fear the Walking Dead” após a saída do co-criador e showrunner original Dave Erickson no final da 3ª temporada. O novo pôster já registra a ausência dos protagonistas. Mas eles ainda poderem aparecer em flashbacks, já que a estrutura da temporada vem dividindo a trama em dois tempos distintos, antes e depois do encontro com os novos personagens. Os novos episódios começarão a ser exibidos em 12 de agosto, após uma pausa de dois meses, e retomarão a história do ponto onde a 4ª temporada foi interrompida.
Após refilmagens, O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos dará crédito para dois diretores
Há poucos meses de sua estreia, “O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos” ganhou um segundo diretor. Até então apresentado como um filme de Lasse Hallström (“Quatro Vidas de um Cachorro”), a produção da Disney terá créditos compartilhados com Joe Johnston (de “Capitão América: O Primeiro Vingador”). Johnston foi convocado em dezembro do ano passado para um mês de refilmagens de um material novo escrito por Tom McCarthy. Neste período, o diretor original estava indisponível trabalhando em outros projetos. Mas ele próprio entendeu que a contribuição de Johnston foi significativa e requisitou, por vontade própria, que a Disney incluísse o nome do colega nos créditos. “Foi uma bênção absoluta ter Joe Johnston no cargo quando ficou claro que eu não estaria disponível para refilmagens”, disse Halstrom em um comunicado. “Joe é especialista em efeitos visuais e gostei de colaborar com ele neste filme.” “Eu assisti a um corte inicial de ‘O Quebra-Nozes e Os Quatro Reinos’, e vi algo único e inovador. Quando me pediram para dirigir os elementos restantes, vi a oportunidade de completar a visão maravilhosa e criativa de Lasse. Eu sei que nós dois ficaremos orgulhosos do resultado final”, completou Johnston. A Disney pretende dar os créditos da seguinte forma: com o nome de Lasse Hallström aparecerá na primeira linha, seguido pelo de Johnston. O reconhecimento ao segundo diretor é raro num filme desse porte. Isto porque, de acordo com as regras do Sindicato dos Diretores dos Estados Unidos, apenas um profissional deve ser indicado como diretor. A regra só não é seguida quando, por exemplo, há um histórico de filmes conjuntos, como é o caso dos irmãos Coen e Russo e de Phil Lord e Christopher Miller. As animações são um ambiente mais aberto a filmes com dois diretores, mas elas não estão sob as regras do mesmo sindicato. Por conta disso, é raro que um filme de tal porte tenha a assinatura de dois diretores, mesmo quando se sabe que houve refilmagens extensas, como nos casos de “Liga da Justiça” e “Han Solo”. No primeiro, o nome do diretor original foi mantido, enquanto no segundo apenas o substituto ganhou o crédito. Segundo fontes ouvidas pelo site The Hollywood Reporter, o departamento de créditos do sindicato não se manifestou quando Halstrom se ofereceu para compartilhar o crédito de direção com Johnson. Os dois então procuraram o estúdio que tomou a decisão de submeter os créditos revisados ao sindicato para a aprovação. A fantasia “O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos” é uma adaptação da fábula encantada de E.T.A. Hoffmann e do famoso balé de Pyotr Ilyich Tchaikovsky, que conta a história de Clara (vivida no filme por Mackenzie Foy, de “A Saga Crepúsculo: Amanhecer”), uma menina que ganha um boneco quebra-nozes do seu padrinho (Morgan Freeman, de “Truque de Mestre”) na noite de Natal e descobre que o boneco ganha vida durante a noite. Mas a a adaptação toma liberdades com a narrativa para contar o “outro lado” da “história que conhecemos”, segundo a primeira prévia apresentada. O elenco também conta com Keira Knightley (“Anna Karenina”), Helen Mirren (“A Dama Dourada”), Richard E. Grant (“Logan”), Miranda Hart (“A Espiã Que Sabia de Menos”), Eugenio Derbez (Não Aceitamos Devoluções”) e a bailarina Misty Copeland. A estreia está marcada para 1 de novembro no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.
Andréa Beltrão vira Hebe Camargo na primeira foto oficial do filme da apresentadora
A produção da cinebiografia da apresentadora Hebe Camargo (1929-2012) ganhou sinopse e sua primeira foto oficial, que mostra a atriz Andréa Beltrão (série “A Grande Família”) caracterizada como a famosa apresentadora de TV. O filme será dirigido por Maurício Farias (“Vai que Dá certo”), que trabalhou com Beltrão na série “Tapas & Beijos”. A trama vai se passar na década de 1980 e mostrará a apresentadora lidando com o marido ciumento e preconceituoso para se transformar em uma das personalidades mais amadas do Brasil. Leia abaixo a sinopse oficial: “São Paulo, anos 1980. O Brasil vive uma de suas piores crises e Hebe aparece na tela exuberante: é a imagem perfeita do poder e do sucesso. Ao completar 40 anos de profissão, perto de chegar aos 60 anos de vida, está madura e já não aceita ser apenas um produto que vende bem na tela da TV. Mais do que isso, já não suporta ser uma mulher submissa ao marido, ao salário, ao governo e aos costumes vigentes. Durante o período de abertura política do país, na transição da ditadura militar para a democracia, Hebe aceita correr o risco de perder tudo que conquistou na vida e dá um basta: quer o direito de ser ela mesma na frente das câmeras, dona de sua voz e única autora de sua própria história. Entre o brilho da vida pública e a escuridão da dor privada, Hebe enfrenta o preconceito, o machismo, o marido ciumento, os chefes poderosos e a ditadura militar para se tornar a mais autêntica e mais querida celebridade da história da nossa TV: uma personagem extraordinária, com dramas comuns a qualquer um de seus milhões de fãs”. O elenco ainda conta com Marco Ricca, Caio Horowicz, Danton Mello, Gabriel Braga Nunes, Danilo Grangheia, Otávio Augusto, Claudia Missura, Karine Teles e Daniel Boaventura, que vai viver outra personalidade famosa da TV brasileira, ninguém menos que Silvio Santos.
Idris Elba vai viver o vilão do spin-off de Velozes e Furiosos
O ator Idris Elba (“A Torre Negra”) entrou no elenco de “Hobbs & Shaw”, o spin-off da franquia “Velozes & Furiosos”. Ele vai viver o vilão que será enfrentado pela dupla do título, vivida por Dwayne “The Rock” Johnson e Jason Statham. Além deles, o elenco também já tinha confirmado anteriormente a atriz Vanessa Kirby (série “The Crown”) como uma agente do MI6, o serviço secreto britânico, e irmã do protagonista Shaw. Escrito por Chris Morgan, roteirista veterano de “Velozes & Furiosos”, o longa terá direção de David Leitch (“Deadpool 2”) e deve começar a ser filmado nos próximos meses, visando uma estreia em 26 de julho de 2019 – dez meses antes da estreia do aguardado “Velozes & Furiosos 9”.
Rodrigo Santoro fará participação especial no filme da Turma da Mônica
Rodrigo Santoro fará uma participação especial, cujos detalhes ainda não foram revelados, no filme “Turma da Mônica: Laços”, a primeira adaptação live-action (interpretada por atores) da Turma da Mônica. A participação será uma homenagem às histórias em quadrinhos clássicas e o ator fez questão de conhecer o criador da célebre turminha dos gibis, Mauricio de Sousa. “Participar deste projeto é um verdadeiro presente pra mim. É ter a chance de conhecer os meus grandes companheiros de infância. Uma honra ter sido convidado para brincar com essa turma”, disse Santoro em comunicado. Ele também postou em seu Instagram uma foto ao lado de Mauricio e do diretor Daniel Rezende (de “Bingo, o Rei das Manhãs”), responsável pela adaptação. Veja abaixo. O longa já começou a ser filmado e tem como base a graphic novel homônima, uma releitura do trabalho original de Mauricio de Sousa, criada pelos irmãos Lu e Vitor Cafaggi com uma trama mais adulta e repleta de referências à cultura pop dos anos 1980. Os autores da graphic novel assinam o roteiro da adaptação, que acompanha Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali na pré-adolescência, durante uma jornada de perigos e aventura em busca do cão Floquinho, que fugiu. O elenco infantil foi escolhido após uma longa seleção, que chegou a ter mais de 7,5 mil inscritos. As crianças são Giulia Benite como Mônica, Laura Rauseo como Magali, Kevin Vecchiato como Cebolinha e Gabriel Moreira como o Cascão. Todos são estreantes. Já o elenco adulto foi confirmado com Monica Iozzi (“Mulheres Alteradas”), Paulo Vilhena (“Como Nossos Pais”) e Ravel Cabral (“Vai que Dá Certo 2”). As filmagens devem se estender até o final de julho, mas a estreia só vai acontecer em 2019. Muito feliz em participar do @turmadamonicaofilme inspirado na obra do mestre @mauricioaraujosousa dirigido pelo meu querido amigo @danirez ??? Uma publicação compartilhada por Rodrigo Santoro (@rodrigosantoro) em 5 de Jul, 2018 às 11:19 PDT
Freud vai caçar serial killer na primeira série austríaca da Netflix
A Netflix está preparando uma série que vai mostrar o pai da psicanálise, Sigmund Freud, como detetive. Intitulada “Freud”, a atração acompanhará um Freud jovem, aplicando suas habilidades na investigação de um serial killer. Produção da Áustria, terra natal do Dr. Freud, a série ainda coloca o improvável investigador em boa companhia: ele recebe a ajuda de uma jovem médium e de um policial para perseguir o assassino em série que atormenta Viena no final do século 19. A história encontra Sigmund Freud em Viena em 1886, no momento em que suas teorias revolucionárias enfrentam forte oposição de colegas e da sociedade austríaca. É neste momento que ele conhece o veterano de guerra e policial Alfred Kiss e a notória médium Fleur Salomé, tornando-se involuntariamente parte da caçada a um serial killer. Nascido em 1856 e morto em 1939, Freud nunca aplicou, na vida real, seus conhecimentos em uma investigação policial. Mas se essa história parece realmente conhecida, é porque lembra “The Alienist”, série da TNT em que um psicanalista se alia a um policial durão e uma jovem não convencional para investigar um serial killer na Nova York do final do século 19! Pois é. “Freud” será a primeira produção austríaca da Netflix, que já conseguiu sucesso internacional com séries de outros países europeus, como a Alemanha (“Dark”), a Espanha (“La Casa de Papel”) e a Dinamarca (“The Rain”). A série foi desenvolvida pelo cineasta Marvin Kren em parceria com o roteirista Benjamin Hessler. A dupla ficou conhecida pelos filmes de terror “Rammbock” (2010), sobre zumbis em Berlim, e “Geleira Sangrenta” (2013), sobre contaminação nos alpes, e também trabalhou junta na criação da série “4 Blocks”, sobre gangues árabes na capital alemã. Ainda não há previsão para a estreia.
Família só descobriu que Whitney Houston sofreu abuso na infância por causa de filme
A produção do filme “Whitney”, documentário sobre a vida e carreira de Whitney Houston, revelou segredos da cantora para sua própria família. Segundo Patricia Houston, cunhada de Whitney, ela foi a primeira a saber sobre o abuso sexual que a artista sofreu na infância, porque trabalhou de perto com o diretor Kevin Macdonald no projeto. O filme traz acusações contra Dee Dee Warwick, uma amiga da família – o abuso supostamente aconteceu quando Houston ainda era criança. “Eu tive que pegar essa informação, processar, e então contar para Cissy”, disse Patricia, em entrevista à revista Billboard, referindo-se à mãe da falecida cantora. “Foi difícil para ela. Foi difícil fazer às pazes com o fato de que Whitney nunca a contou nada, principalmente”. “Eu não acho que é possível explicar a vida de alguém através de só um evento na sua infância, mas é óbvio para mim que esse abuso que ela sofreu, e o segredo que ela guardava, foram uma contribuição para suas lutas contra o vício em drogas e seus outros problemas”, completa Patricia. A cunhada aponta para um trecho no filme, em que Whitney é vista falando consigo mesma, como particularmente revelador. “Ela está desesperada, dizendo: ‘Nippy, aqui é a Whitney’. Nippy era o apelido dela para todos os seus entes queridos, e era como se fosse o seu eu mais autêntico, enquanto Whitney era o seu personagem nos palcos. Ela estava realmente confusa e perdida”, diz. Considerada uma das maiores vocalistas de todos os tempos, Whitney Houston morreu em 2012, aos 48 anos. O documentário estreia nesta sexta (6/7) nos Estados Unidos e ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.
Quentin Tarantino teria chorado ao assistir o remake de Suspiria
O diretor italiano Luca Guadagnino (“Me Chame pelo Seu Nome”) revelou ter mostrado uma cópia do remake de “Suspiria”, que ele dirigiu, para Quentin Tarantino (“Os Oito Odiados”). E o resultado emocionou o colega ilustre. Em entrevista ao jornal La Repubblica, Guadagnino contou: “Nós somos amigos desde quando fomos jurados no Festival de Filmes de Veneza. Eu estava nervoso, mas ansioso para ouvir seus conselhos. Nós vimos em sua casa e a reação dele me deixou muito feliz. Ele adorou o filme, e no fim estava chorando e me abraçou. Isso porque é um terror, mas um drama também. Porque este é um filme de terror mas também é um melodrama, meu objetivo era fazer com que você visse o terror sem ser capaz de desviar o olhar porque você se identifica com os personagens. A Amazon ficou muito feliz”. Segundo Guadagnino, seu “Suspiria” não é exatamente um remake, por não ser fiel ao clássico de Dario Argento, mas uma evocação do que sentiu quando assistiu ao terror de 1977 pela primeira vez. Em entrevista anterior ao site IndieWire, o cineasta revelou que se trata de uma homenagem a um dos filmes que mais o impactou na adolescência. No filme original, Jessica Harper interpretava uma estudante que entra numa academia de balé afastada na Alemanha, apenas para descobrir que o lugar era um covil de bruxas. Cultuadíssimo, “Suspiria” foi o primeiro filme da “trilogia das bruxas” de Argento, que também inclui “A Mansão do Inferno” (1980) e “O Retorno da Maldição: A Mãe das Lágrimas” (2007). O elenco do remake inclui Dakota Johnson (“Cinquenta Tons de Cinza”), Tilda Swinton (“Doutor Estranho”), Chloë Grace Moretz (“A 5ª Onda”), Mia Goth (“Ninfomaníaca”) e a própria Jessica Harper. A sinopse oficial diz: “Quando uma escuridão cresce no centro de uma renomada companhia de dança, sua diretora artística (Swinton), uma jovem americana recém-chegada (Johnson) e um psicoterapeuta enlutado envolvem-se num pesadelo sangrento e suspirante”. O roteiro é de David Kajganich, criador da série “The Terror”, que trabalhou com Guadagnino em “Um Mergulho no Passado” (2015). E a trilha foi composta pelo vocalista do Radiohead, Thom Yorke, que também pretende homenagear o trabalho original, criado pela banda de rock progressivo Goblin. A estreia está marcada para 2 de novembro nos Estados Unidos e ainda não há previsão de lançamento no Brasil.
Claude Lanzmann (1925 – 2018)
Morreu o cineasta e escritor francês Claude Lanzmann, diretor do famoso documentário “Shoah” (1985), com mais de nove horas de duração sobre o Holocausto. Ele faleceu nesta quinta-feira (5/7) em Paris, aos 92 anos, após ficar em estado “frágil por vários dias”, de acordo com comunicado da editora Gallimard. Nascido em Paris em 1925, ele chegou a lutar na resistência francesa contra os nazistas e dedicou sua vida à questão judaica e a expor as atrocidades do nazismo. Lanzmann também teve grande relação com os líderes do movimento existencialista. Foi o secretário do filósofo Jean-Paul Sartre e, durante sete anos, entre 1952 e 1959, viveu com a escritora Simone de Beauvoir, de quem recebeu 112 cartas de amor – vendidas em leilão à Universidade de Yale em janeiro deste ano, por valor não revelado. Seu primeiro filme foi “Por Que Israel?” (1973), em que entrevistou os imigrantes que se estabeleceram, lutaram e ajudaram a fundar o país, na época com 25 anos de existência, buscando demonstrar o que tinham em comum estudantes marxistas da Rússia e intelectuais burgueses dos Estados Unidos, reunidos em torno da mesma causa. Mas foi com “Shoah” que se tornou o maior documentarista da história judaica. “Shoah” (em hebraico, catástrofe ou calamidade) era a palavra que Lanzmann usava, em vez de holocausto (oferenda queimada) para definir o genocídio causado pelo nazismo. Em sua autobiografia, “A Lebre da Patagônia”, Lanzmann escreveu: “Como poderia haver um nome para algo que não tivesse precedentes na história da humanidade? Se tivesse sido possível não dar um título ao filme, eu teria feito isso”. Para seu documentário épico, em escopo e duração, Lanzmann localizou e entrevistou diversas testemunhas vivas do extermínio: oficiais e burocratas que administravam os campos; sobreviventes judeus, incluindo veteranos do levante de 1943 no gueto de Varsóvia; e pessoas da cidade polonesa em Treblinka, onde ficava o pior dos campos de concentração: Auschwitz. Com o objetivo de registrar depoimentos de ex-nazistas, chegou a se passar por um historiador francês que pretendia “endireitar as coisas”, mostrando o lado dos alemães. E assim conseguiu acesso a pessoas como Franz Suchomel, ex-funcionário da SS em Treblinka, condenado a seis anos de prisão por crimes de guerra. Premiado em diversos festivais – como Berlim e Roterdã – e pelas Academias Francesa e Britânica, “Shoah” é considerado o filme definitivo sobre o Holocausto. Mas Lanzmann o chamava de “uma ficção do real”. Foi conscientemente artístico, disse ele certa vez, de modo a “tornar o insuportável suportável”. Israel e o holocausto continuaram a ser temas dominantes em sua filmografia, que também destaca “Tsahal” (1994), sobre as forças de defesa de Israel, “Un Vivant qui Passe” (1999), sobre como a Cruz Vermelha elogiou os campos de concentração nazistas, “Sobibór, 14 Octobre 1943, 16 Heures”, sobre um levante de prisioneiros contra nazistas, e “O Último dos Injustos” (2013), sobre o gueto-modelo de Theresienstadt. Seu último filme, “Napalm”, foi também o único em que mudou de assunto. Exibido na Mostra de São Paulo do ano passado, revisitava casos amorosos em uma de suas viagens quando era jovem. Poucos anos antes, Lanzmann veio ao Brasil lançar sua autobiografia “A Lebre da Patagônia” e participar da Festa Literária de Paraty (Flip). Mas o debate de que participou, com o tema “A ética da representação”, desandou sob mediação do professor da Unicamp Márcio Seligmann-Silva. Ao fim do festival, o curador da edição de 2011, Manuel da Costa Pinto, atacou Lanzmann afirmando que ele havia feito “uma coisa nazista” ao adotar uma postura “contra o debate intelectual”. Lanzmann ficou indignado. “Esse sujeito (Costa Pinto) é um estúpido. É uma vergonha ele dizer isso. Logo eu, um inimigo dos nazistas. Eu dediquei a minha vida a revelar os abusos do Holocausto. Ele deveria ser demitido. Já o mediador queria demonstrar erudição às minhas custas. Ele queria mostrar o quanto era inteligente, mas eu estava ali para conversar com o público e falar do meu livro”, reagiu o francês. Seu projeto final, “The Four Sisters” – uma minissérie documental de quatro capítulos – foi lançado na França na véspera sua morte. Composta de filmagens feitas para “Shoah” mas não usadas no filme final, “The Four Sisters” traz entrevistas com quatro mulheres que sobreviveram ao Holocausto. No ano passado, ele ficou profundamente abalado pela morte de seu filho Félix, de 23 anos, vítima de um câncer. Amigos dizem que ele nunca se recuperou e foi morrendo aos poucos.
Homem-Formiga e a Vespa é a maior estreia em semana de bons filmes nos cinemas
A nova produção de super-heróis da Marvel, “Homem-Formiga e a Vespa”, é a maior estreia desta quinta (5/7), em que poucos filmes chegam aos cinemas – mas, diferente de semanas passadas, desta vez todos têm qualidades. Melhor que o primeiro “Homem-Formiga” estrelado por Paul Rudd, graças à inclusão da Vespa (Evangeline Lilly), uma heroína “badass”, como sua parceira, a continuação é bastante leve e ligeira. Um passatempo para rir, que oferece um refresco para os fãs de quadrinhos após o trágico “Vingadores: Guerra Infinita”. Aliás, quem viu aquele filme terá bastante o que pensar após a cena pós-créditos da nova produção, que também estreia neste fim de semana nos Estados Unidos e tem 86% de aprovação no site Rotten Tomatoes. O segundo maior lançamento da semana é outra adaptação divertida de quadrinhos. A comédia nacional “Mulheres Alteradas” leva às telas as tiras homônimas da cartunista argentina Maitena Burundarena, que retrata questões femininas com humor ácido. E foi escrita por outra fera das tiras de quadrinhos, o brasileiro Caco Galhardo (autor de “Os Pescoçudos”), em sua estreia como roteirista de longa-metragens. O filme também marca a estreia no cinema do diretor Luis Pinheiro, que dirigiu, entre outras, a série “Lili, a Ex”, inspirada em tiras de Galhardo. Ou seja, gente que conhece o gênero. O longa conta as lutas de quatro mulheres adultas no mundo moderno, às voltas com angústias de relacionamento, casamento, filhos, trabalho, idade e vida social. Enfim, crises existenciais reais. E com um elenco realmente ótimo, liderado pelo quarteto fantástico Deborah Secco (“Bruna Surfistinha”), Alessandra Negrini (“O Gorila”), Monica Iozzi (“A Comédia Divina”) e Maria Casadevall (novela “Os Dias Eram Assim”). Um dia, as amigas em crise com seus cotidianos resolvem trocar de papel e o resultado faz rir sem perder de vista o realismo – ao contrário das fábulas moralistas de trocas sobrenaturais de corpos, que volta e meia aparecem nas comédias brasileiras. O circuito alternativo traz ainda três filmes franceses e um chileno. Na lista francesa, chama atenção a inclusão de um terror, “A Noite Devorou o Mundo”, filme de apocalipse de zumbis que se distingue no gênero pela abordagem intimista – é praticamente todo passado num pequeno prédio. Comparado a “Eu Sou a Lenda”, tem 67% de aprovação no RT. Filme mais inventivo e artístico da programação, “Nos Vemos no Paraíso” combina surrealismo e aventura trágica à la Victor Hugo numa história passada em meio à 1ª Guerra Mundial. Adaptada do livro de Pierre Lemaitre, dirigida e estrelada por Albert Dupontel (“Uma Juíza Sem Juízo”), surpreende o tempo inteiro pela imaginação com que conta a história de dois homens sem nada em comum, que se conhecem nas trincheiras e se veem ligados após um salvar o outro, embora o que sobreviveu preferisse a morte, após perder parte do rosto numa explosão. Para lidar com o horror de ver a si mesmo, ele cria máscaras, enquanto os dois resolvem tirar proveito da desgraça, com um golpe para enriquecer com os cadáveres da guerra. O humor é negríssimo e a encenação evoca as melhores obras de Jean-Pierre Jeunet (especialmente “Eterno Amor”). Venceu cinco Césars (o Oscar francês), inclusive Direção e Roteiro, e tem 89% de críticas positivas no RT. “Custódia” também traz cenas de impacto, ao lidar com a separação de um casal que luta pelo direito de ficar com os filhos. O homem é demonizado e os filhos acreditam. Mas o longa tenta demonstrar todos os lados da questão, que é das mais complexas do cotidiano humano. A contundência da realização rendeu ao ator Xavier Legrand, em sua estreia atrás das câmeras, o prêmio de Melhor Direção no Festival de Veneza do ano passado, além de elogios rasgados da crítica. 94% no RT – a maior nota da semana. O chileno “Cachorros” completa a lista de ficções flertando com o romance e o drama político. A trama acompanha uma mulher (Antonia Zegers) que se vê atraída por seu professor equitação. Mas o ex-militar tem passado sombrio. Quando recebe advertências para se afastar, ela descobre que sua própria família esteve envolvida com os desaparecimentos de militantes de esquerda durante a ditadura de Pinochet. Premiado no circuito dos festivais – San Sebastian, Munique, Cairo, etc – , o trabalho da diretora Marcela Said tem 67% no RT. Dois documentários nacionais, de estilo TVE, preenchem as salas que faltaram. Confira abaixo todos os filmes, com sinopses oficiais e trailers, que estreiam nesta semana nos cinemas. Homem-Formiga e a Vespa | EUA | Super-Heróis Após ter ajudado o Capitão América na batalha contra o Homem de Ferro na Alemanha, Scott Lang (Paul Rudd) é condenado a dois anos de prisão domiciliar, por ter quebrado o Tratado de Sokovia. Diante desta situação, ele foi obrigado a se aposentar temporariamente do posto de super-herói. Restando apenas três dias para o término deste prazo, ele tem um estranho sonho com Janet Van Dyne (Michelle Pfeiffer), que desapareceu 30 anos atrás ao entrar no mundo quântico em um ato de heroísmo. Ao procurar o dr. Hank Pym (Michael Douglas) e sua filha Hope (Evangeline Lilly) em busca de explicações, Scott é rapidamente cooptado pela dupla para que possa ajudá-los em sua nova missão: construir um túnel quântico, com o objetivo de resgatar Janet de seu limbo. Mulheres Alteradas | Brasil | Comédia O cotidiano de quatro mulheres, cada uma enfrentando problemas bem particulares: Keka (Deborah Secco) enfrenta uma crise no casamento com Dudu (Sérgio Guizé), Marinati (Alessandra Negrini) é uma workaholic que repentinamente se apaixona por Christian (Daniel Boaventura), Leandra (Maria Casadevall) sente-se bastante insegura pelo fato de ainda não ter constituído família e Sônia (Monica Iozzi) está cansada da rotina doméstica e sonha com a época em que era solteira. A Noite Devorou o Mundo | França | Terror Após um noite de festa com muita bebida, Sam (Anders Danielsen Lie) acorda completamente sozinho em seu apartamento. Ainda confuso ele descobre um terrível acontecimento: a cidade de Paris está tomada por zumbis famintos. Rapidamente ele começa a proteger o prédio em que vive e elabora estratégias para conseguir manter-se vivo em meio a catástrofe. No entanto, ele ainda não tem certeza se é o único sobrevivente neste cenário hostil. Nos Vemos no Paraíso | França | Drama Em novembro de 1918, alguns dias antes do Armistício de Compiègne, Édouard Péricourt (Nahuel Pérez Biscayart) salva a vida de Albert Maillard (Albert Dupontel). Os soldados franceses não têm nada em comum, a não ser a guerra e o ódio pelo vil Tenente Preadelle (Laurent Lafitte), e são obrigados a se unir para sobreviver – uma firme parceria marcada por farsas e lealdade. Custódia | França | Drama O casal Miriam (Léa Drucker) e Antoine Besson (Denis Ménochet) acaba de se divorciar. E para garantir a proteção de seu filho do pai, que ela acusa de ser violento, Miriam pede a custódia exclusiva. O juiz, no entanto, acaba concedendo custódia compartilhada aos dois. Tomado quase como um refém entre seus pais, Julien (Thomas Gioria) fará tudo para evitar o pior. Cachorros | Chile | Drama Mariana (Antonia Zegers) faz parte de uma importante família chilena, mas, apesar dos privilégios, encontra-se inteiramente infeliz em sua própria casa. Sentindo-se desprezada pelo pai e pelo marido, ela encontra refúgio nos braços do seu professor de equitação Juan (Alfredo Castro), acusado de diversos crimes durante a ditadura. A partir deste caso amoroso, Mariana contempla o passado de sua família vir à tona. O Desmonte do Monte | Brasil | Documentário A Colina Sagrada, que depois recebeu o nome de Morro do Castelo, foi o local escolhido pelos portugueses para a fundação da cidade do Rio de Janeiro. Sua estrutura representa uma importante referência histórica e arquitetônica do passado da cidade carioca e, segundo uma lenda urbana, as entranhas do morro guardam um tesouro nunca encontrado. Apesar de toda relevância, o Morro do Castelo foi destruído por reformas urbanísticas que visavam promover uma especulação imobiliária na região, acabando com um dos maiores pilares da história guanabara. Estrada de Sonhos | Brasil | Documentário O documentário traz à tona a história ferroviária do Brasil. Pensando além dos trilhos e das locomotivas, discorre sobre momentos, lembranças e registros de pessoas que vivenciaram e ainda vivem esse símbolo da modernidade e progresso no passado, revisitando não apenas a primeira ferrovia do Brasil, a Barão de Mauá, como outras abandonadas.
Ethan Hawke vive roqueiro aposentado em trailer de comédia romântica
A Roadside Attractions divulgou o pôster e o trailer de “Juliet, Naked”, comédia romântica que adapta o livro homônimo de Nick Hornby. Como na adaptação de “Alta Fidelidade” (2000), a história também envolve um fã obcecado de rock. Mas há uma reviravolta. A idolatria de um homem de meia-idade por um cantor americano obscuro chamado Tucker Crowe, há muito aposentado, leva sua mulher jornalista a escrever uma crítica corrosiva do disco em que o roqueiro tenta voltar à ativa. Para surpresa dela, o próprio Crowe lhe contata por email para parabenizá-la pelo texto. Os dois ficam amigos, mais que amigos, e logo a mulher troca o marido pelo antigo ídolo de quem ele não parava de falar. The end, e tudo está no trailer. Que, sim, é destes que conta toda a história. O triângulo é vivido por Chris O’Dowd (“O Paradoxo Cloverfield”) como o marido, Rose Byrne (“Vizinhos”) como a mulher e Ethan Hawke (“Boyhood”) como o roqueiro. Escrita e dirigida por Jesse Peretz (“O Ex-Namorado da Minha Mulher”), a comédia estreia em 17 de agosto nos Estados Unidos e não tem previsão de lançamento no Brasil.












