O Telecine, canal pago da Globo, vai exibir Os Dez Mandamentos
Até a Globo se rendeu a “Os Dez Mandamentos”. A realização do filme, baseado na novela homônima, acabou possibilitando uma situação inédita e insólita: a exibição de uma produção da Record num canal da Globosat, divisão de TV por assinatura das Organizações Globo. Os direitos de exibição do filme-novela da Record foram comprados pelo canal pago Telecine. O acordo, segundo o colunista do UOL Ricardo Feltrin, também dá direito ao Telecine exibir o filme na plataforma on demand, assim que “Os Dez Mandamentos” sair dos cinemas, o que só deve acontecer nos próximos dois meses. Depois disso, ele será exibido no Telecine Premium. Já a exibição na TV aberta e comercialização em Blu-Ray e DVD segue sendo da Record. Ainda conforme Feltrin, os valores da negociação não foram revelados, mas o Telecine teria pago uma quantia similar aos blockbusters internacionais exibidos pelo canal. Vale lembrar que “Os Dez Mandamentos” foi o principal rival da audiência da Globo em 2015. A trama dirigida por Alexandre Avancini chegou a enfrentar e, por algumas vezes, até superar os dois principais pilares da emissora carioca: o Jornal Nacional e as novelas das nove – duas no caso, “Babilônia” e “A Regra do Jogo”.
Sucesso de Os Dez Mandamentos inspira o surgimento da Record Filmes
O sucesso de “Os Dez Mandamentos” inspirou a Record, segunda maior rede de TV do país, a estruturar a Record Filmes, área de negócios voltada a projetos cinematográficos, seguindo os passos da primeira inciativa do gênero, a Globo Filmes, de sua maior rival comercial. O novo departamento já está sendo capitaneado por Douglas Tavolaro, vice-presidente de jornalismo da Record e autor de uma biografia sobre o dono da emissora, o bispo Edir Macedo. Por sinal, a versão de cinema da biografia de Edir Macedo deve ser o próximo lançamento da empresa. O projeto “já despertou interesse de produtoras e distribuidoras internacionais”, revelou Tavolaro em entrevista ao site Filme B. Mas não há previsão de estreia. O projeto ainda está sendo roteirizado e será dirigido por Alexandre Avancini, diretor da novela e do filme “Os Dez Mandamentos”. Segundo Tavolaro, a Record Filmes também já começou “a receber propostas para os futuros projetos”, que não se limitarão à projetos ligados à rede de TV. Nenhum gênero deve ser descartado: documentários, filmes biográficos, comédias, tramas policiais e romances. “Estamos abrindo uma nova perspectiva para a produção de cinema, que vai além das comédias que dominaram o mercado. O público quer outros formatos e aceita propostas inovadoras”, disse, referindo-se ao gênero de maior sucesso entre os longas da Globo Filmes. Ele também demonstrou, na entrevista, estar interessado na forma como a Globo Filmes vêm trabalhando, transformando filmes em minisséries televisivas – o caminho oposto do que ocorreu com “Os Dez Mandamentos”. “A gente acredita nos produtos que temos na grade, que como demonstra o sucesso de Os Dez Mandamentos, atingiu todas as camadas da população. Mas outras ideias podem surgir no cinema e virar, por exemplo, uma série de televisão e vice-versa”, comentou. Concorrência é sempre a melhor maneira de estimular o mercado. Entretanto, Tavolaro não informou o valor do investimento que será feito no novo departamento.
Supermax: Trailer de minissérie da Globo mistura reality show e terror
A rede Globo divulgou uma longa prévia de “Supermax”, produção que vai juntar terror e reality show. Com mais de quatro minutos de duração, o trailer revela a mistura de gêneros, alternando também duas linguagens narrativas. O começo mais convencional segue o ritmo um reality show, introduzindo alguns dos participantes. Todos têm passado duvidoso e viajam, de helicóptero, para serem confinados numa prisão desativada em plena Amazônia. Em pouco tempo, porém, a trama toma o rumo dos clichês de terror, com direito a sangue, mortes e até demônios desenvolvidos por computação gráfica. O elenco inclui Mariana Ximenes (“Os Penetras”), Erom Cordeiro (“Paraísos Artificiais”), Maria Clara Spinelli (“Quanto Dura o Amor?”), Rui Ricardo Diaz (“Lula, o Filho do Brasil”), Cleo Pires (“Qualquer Gato Vira-Lata”), Ravel Andrade (“Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho”) e participação de Pedro Bial (“Big Brother Brasil”) como apresentador do reality show. “Supermax” foi criada pelo escritor Marçal Aquino (“Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios”), o roteirista Fernando Bonassi (“Lula, o Filho do Brasil”) e o diretor José Alvarenga Jr. (“Cilada.com”), e a direção dos episódios está a cargo de Alvarenga, do cineasta José Eduardo Belmonte (“Alemão”) e de Rafael Miranda (diretor assistente da minissérie “O Caçador”) A série foi gravada com apoio de técnicos e equipamento do “Big Brother Brasil”, mas também incorporando muita computação gráfica nos cenários, o que faz com que o cronograma de pós-produção vá até fevereiro. Por conta disso, a Globo ainda não marcou a data de estreia.
Marília Pêra (1943 – 2015)
Morreu a atriz Marília Pêra, que marcou a história do teatro, TV e cinema brasileiros, estrelando obras-primas como “Pixote: A Lei do Mais Fraco” (1981) e “Central do Brasil” (1998), além de coreografar e dirigir diversos espetáculos. Ela sofria de câncer nos ossos e no pulmão, doença que vinha combatendo havia dois anos, vindo a falecer no sábado (5/12), aos 72 anos. Marília Marzullo Pêra nasceu no Rio de Janeiro em 22 de janeiro de 1943, com o teatro no DNA. Ela faz sua estreia como atriz aos 19 dias de vida, numa peça que precisava de um bebê. Seu pai, o português Manoel Pêra, era ator e tinha uma companhia teatral no Rio. A mãe, Dinorah Marzullo, também era atriz. A avó, Antonia Marzullo, fez vários papéis no cinema. E até sua irmã mais nova, Sandra Pêra, seguiu o rumo dos palcos. Aos 4 anos, Marília já fazia parte da companhia teatral de Henriette Morineau, atuando, entre outras, na peça “Medeia”, em que interpretou umas das filhas do personagem principal. Ela se profissionalizou ainda na adolescência, estudando música e dança para participar de espetáculos de revista a partir dos 14 anos. Ao entrar na peça “De Cabral a JK”, de Max Nunes, conheceu o ator Paulo Graça Mello, com quem se casou aos 16 anos. Aos 18, teve o primeiro filho, aos 26 tornou-se viúva – posteriormente, casou-se mais três vezes, com o ator Paulo Villaça, o jornalista Nelson Motta, com quem teve duas filhas, e o economista Bruno Faria. E nada impediu o crescimento de sua carreira. Dois anos depois de dar a luz ao futuro ator Ricardo Graça Mello, atuou em “O Teu Cabelo Não Nega” (1963), biografia de Lamartine Babo, interpretando pela primeira vez Carmen Miranda, papel que a acompanharia por diferentes espetáculos – o mais recente, de 2005. E ela ainda pôde se gabar de ter vencido uma disputa com Elis Regina pelo papel principal no musical “Como Vencer na Vida sem Fazer Força”, em 1964. O teatro acabou ficando em segundo plano quando a TV a descobriu. Marília foi contratada como bailarina na inauguração da TV Globo, em 1965, mas em poucos meses se viu estrelando telenovelas. Sua estreia aconteceu na primeira novela das 19h da emissora, “Rosinha do Sobrado”, em agosto de 1965, já como protagonista, seguida imediatamente pelo papel-título de “A Moreninha” (1965). Bastaram estes dois papeis para ela atingir o estrelato, vendo-se disputada e aceitando participar de duas novelas simultâneas, “Padre Tião”, no horário das 19h, e “Um Rosto de Mulher”, às 22h, ambas exibidas a partir de dezembro de 1965. A maratona se provou exaustiva e ela só foi reaparecer três anos depois na principal novela da década, “Beto Rockfeller” (1968), na TV Tupi. Na trama, viveu uma das coadjuvantes das trapalhadas de Luís Gustavo, intérprete do playboy farsante do título, ajudando o humor corrosivo do escritor Bráulio Pedroso a revolucionar o gênero. Marília permaneceu na Tupi para protagonizar a novela seguinte, “Super Plá” (1969), como uma ex-vedete de teatro que se tornava dona de uma fábrica de refrigerantes. Paralelamente, estreou no cinema, com a comédia “O Homem que Comprou o Mundo” (1968), de Eduardo Coutinho, seguida pelo musical “É Simonal” (1970), de Domingos de Oliveira. Mas a ênfase permaneceu em sua carreira teatral, que a levou a encenar “Se Correr o Bicho Pega”, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar, “A Ópera dos Três Vinténs”, de Bertolt Brecht e Kurt Weill, “A Megera Domada”, de William Shakespeare, e “Roda Viva”, de Chico Buarque, pela qual passou a ser perseguida pela ditadura. Foi presa durante a apresentação da peça e, em seguida, teve a casa invadida pela polícia, em busca de provas de sua subversão comunista. Ironicamente, em 1989, ao declarar voto em Fernando Collor para a presidência da república, foi vítima dos tais comunistas com quem tinha sido confundida, que apedrejaram a porta do teatro onde ela se apresentava. Suas manifestações artísticas, em contraste, logo se tornaram unanimidades. O primeiro de seus três prêmios Molière veio em 1969, por seu desempenho como uma virgem solteirona em “Fala Baixo Senão Eu Grito”, de Leilah Assumpção – os outros foram vencidos pelo monólogo “Apareceu a Margarida” (1973), de Roberto Athayde, e “Brincando em Cima Daquilo” (1984), de Dario Fo e Franca Rame. Ela voltou à Globo em 1971, a convite do diretor Daniel Filho, para viver um de seus papeis mais divertidos, a loiraça Shirley Sexy em “O Cafona”, que a tornou ainda mais conhecida. Na sequência, interpretou a taxista Noeli em “Bandeira 2” (1971), romântica atrapalhada Serafina de “Uma Rosa com Amor” (1972) e a “Supermanoela” (1974), até decidir priorizar o cinema. Sua filmografia ganhou impulso a partir de meados dos anos 1970. Após a comédia “O Donzelo” (1974) e o drama “Ana, a Libertina” (1975), Marília irrompeu em seu primeiro grande papel cinematográfico, a cantora de cabaré de “O Rei da Noite” (1975), de Hector Babenco, com quem voltaria a trabalhar no longa mais famoso de sua carreira, “Pixote: A Lei do Mais Fraco” (1981). No filme sobre menores infratores, ela vivia uma prostituta que servia de figura materna para o jovem Pixote. A cena em que amamenta o adolescente tornou-se uma das mais emblemáticas do cinema brasileiro e lhe rendeu projeção internacional. Pelo papel, Marília foi eleita Melhor Atriz do ano pela Associação Nacional dos Críticos de Cinema dos EUA. “Isso me abriu as portas do mundo, mas não fui trabalhar nos EUA porque não dominava o inglês”, contava. Porém, ela fez sim um filme americano, “Mixed Blood” (1984), dirigida pelo cineasta underground Paul Morrissey (“Trash”). A língua acabou não sendo uma dificuldade, pois a trama girava em torno de traficantes brasileiros em Manhattan. Anos mais tarde ainda voltaria aos EUA para rodar o trash “Living the Dream” (2006), estrelado por Danny Trejo (“Machete”). O maior reconhecimento, porém, veio mesmo do Brasil, com novos papeis importantes. Marília foi premiada como Melhor Atriz no Festival de Gramado por seus dois longas seguintes, “Bar Esperança” (1983), homenagem de Hugo Carvana à boemia, e “Anjos da Noite” (1987), de Wilson Barros. Ao mesmo tempo, acumulou ainda mais reverências no teatro, vencendo seu terceiro Molière e se transformando numa diretora bem-sucedida com a montagem de “O Mistério de Irma Vap” (1987), que ficou 11 anos em cartaz. Tudo isso a manteve afastada das novelas por mais de uma década, só voltando ao gênero em 1987, como a Rafaela de “Brega & Chique”. Ela também viveu a vilã Juliana, na minissérie “O Primo Basílio” (1988), e Genu na novela “Lua Cheia de Amor” (1990), antes de reorganizar sua agenda com outras prioridades. Marília voltou a ter projeção internacional ao ser dirigida por Cacá Diegues. Primeiro, em “Dias Melhores Virão” (1990), pelo qual venceu o troféu de Melhor Atriz no Festival de Cartagena, na Espanha. E, depois, com “Tieta do Agreste” (1996), que lhe trouxe o troféu de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Havana, em Cuba. A década ainda incluiu mais dois filmes marcantes: “Central do Brasil” (1998), grande clássico de Walter Salles, e “O Viajante” (1999), de Paulo César Saraceni, que lhe rendeu indicação ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro (o Oscar nacional). Ocupada com cinema e teatro, Marília diminuiu sua presença na TV, preferindo fazer minisséries, como “Incidente em Antares” (1994), “Os Maias” (2001) e “JK” (2006), embora tenha encaixado a novela “Meu Bem Querer” na Globo em 1998. A esta altura, porém, estava tão famosa que podia se dar ao luxo de fazer participação especial como si mesma nas novelas – em “Celebridade” (2003) e “Insensato Coração” (2011). Sua filmografia continuou interessante no século 21. Ela viveu o papel-título de “Amélia”, a camareira de Sarah Bernhardt, durante a visita da célebre atriz francesa ao Brasil em 1905, com direção de Ana Carolina. Também participou de “Seja o Que Deus Quiser” (2002), de Murilo Salles, viveu a cantora Wanderléa na cinebiografia “Garrincha – Estrela Solitária” (2003), de Milton Alencar, a madame de um bordel em “Vestido de Noiva” (2006), adaptação de Nelson Rodrigues dirigida por seu filho Joffre, e voltou a encontrar seu primeiro diretor, Eduardo Coutinho, no premiado documentário “Jogo de Cena” (2007). Ao retornar às novelas, encaixou uma sequência de papeis divertidos, inciada pela hilária hippie Janis Doidona em “Começar de Novo” (2004), retomando a cumplicidade cômica com Luis Gustavo. Foi ainda a perua falida Milu de “Cobras & Lagartos” (2006) e a dama Gioconda de “Duas Caras” (2008). A facilidade para o humor acabou explorada também em filmes como “Acredite, um Espírito Baixou em Mim” (2006), “Polaróides Urbanas” (2008) e “Embarque Imediato” (2009), além de lhe render uma nova carreira como comediante televisiva. As séries cômicas lhe permitiram aprofundar sua parceria com o ator, escritor e diretor Miguel Falabella, que a filmou em “Polaróides Urbanas”. Na Globo, os dois trabalharam juntos em “A Vida Alheia” (2010), na novela “Aquele Beijo” (2011) e em “Pé na Cova” (2013), seu último papel na TV, no qual viveu a mulher de Falabella. Marília continuou interpretando papeis importantes no teatro, vencendo o prêmio Shell por sua atuação em “Mademoiselle Chanel” em 2006. Em 2013, ainda estrelou “Alô, Dolly!”, ao lado do parceiro Falabella. Mas, apesar dos muitos prêmios conquistados, sua homenagem mais singela aconteceu no Carnaval de 2014, quando foi tema do desfile da escola de samba Mocidade Alegre, em São Paulo, com o samba-enredo “Nos Palcos da Vida… Uma Vida no Palco: Marília”. Mesmo com a saúde debilitada, ela dedicou seus últimos esforços ao trabalho, narrando o documentário “Chico – Artista Brasileiro” (2015), sobre Chico Buarque, e dirigindo a peça “Depois do Amor”, cuja estreia estava marcada justamente para o dia de sua morte, em Manaus. Ela também deixou gravado um disco com canções de amor de Tom Jobim, Dolores Duran e outros mestres da MPB, e continuará presente ao longo em 2016 em outros trabalhos finalizados, que incluem uma participação na nova série comédia “Tô Ryca”, que estreia em janeiro, no filme “Dona do Paraíso”, de José João Silva, ainda sem previsão de lançamento, e numa temporada inteira de “Pé na Cova”. “Certas pessoas são escolas, ela era uma escola de vida, uma profissional que deu um padrão para a nossa maneira de representar e colocou o país em outro departamento. Uma profissional genial”, definiu, emocionado, o ator Ney Latorraca, que Marília dirigiu por mais de uma década na peça “O Mistério de Irma Vap”. “Uma mestra”, ecoou o cineasta Cacá Diegues.
Cleo Pires e Mariana Ximenes vão estrelar Supermax, série de terror da Globo
A Globo prepara uma série que tem tudo para dar o que falar. Trata-se de “Supermax”, produção que vai juntar terror, reality show, prisão e thriller policial. A trama se passa nos bastidores de um reality show, com 12 participantes de passado duvidoso confinados numa prisão desativada em plena Amazônia, com direito a sangue, mortes e até um demônio desenvolvido por computação gráfica. O elenco inclui Cleo Pires (“Qualquer Gato Vira-Lata”), Mariana Ximenes (“Os Penetras”), Erom Cordeiro (“Paraísos Artificiais”), Maria Clara Spinelli (“Quanto Dura o Amor?”), Rui Ricardo Diaz (“Lula, o Filho do Brasil”), Ravel Andrade (“Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho”) e participação de Pedro Bial (“Big Brother Brasil”) como apresentador do reality show. “Supermax” foi criada pelo escritor Marçal Aquino (“Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios”), o roteirista Fernando Bonassi (“Lula, o Filho do Brasil”) e o diretor José Alvarenga Jr. (“Cilada.com”), e a direção dos episódios está a cargo de Alvarenga, do cineasta José Eduardo Belmonte (“Alemão”) e de Rafael Miranda (diretor assistente da minissérie “O Caçador”) A série está em atualmente em fase final de gravações, com apoio de técnicos e equipamento do “Big Brother Brasil”, mas também incorporando muita computação gráfica nos cenários, o que faz com que o cronograma de pós-produção vá até fevereiro. Enquanto a estreia não é marcada, os personagens serão apresentados numa história em quadrinhos (com ilustrações de Paulo Garfunkel e Libero Malavoglia), que terá lançamento no próximo sábado (5/12), na Comic-Con Experience, em São Paulo.
Novela Império e série Doce de Mãe vencem o Emmy Internacional
A rede Globo conquistou dois prêmios importantes na 43ª edição do Emmy Internacional, considerado o Oscar da TV mundial. A cerimônia realizada na noite de segunda-feira (23/11), em Nova York, rendeu a “Doce de Mãe” a estatueta de Melhor Série Comédia e a “Império” o troféu de Melhor Novela. Em seu agradecimento pela conquista de “Império”, o diretor Rogério Gomes, que viajou com o elenco feminino da novela, dedicou o prêmio ao seu mentor, o diretor e produtor Roberto Talma, responsável por clássicos do gênero, como “Saramandaia” (1976), “Que Rei Sou Eu” (1989) e “Rainha da Sucata” (1990), que morreu em abril, aos 65 anos. “Acredito muito no gênero, em novela, e tenho muito orgulho do que faço. Dedico este prêmio ao mestre que se foi no início deste ano, o mestre da teledramaturgia brasileira, um dos maiores diretores que o Brasil teve, e até o mundo, Roberto Talma”, disse Gomes, emocionado. Escrita por Aguinaldo Silva, a história de “Império” girava em torno do personagem do ator Alexandre Nero, um empresário do ramo de joias com um passado humilde e ânsia pelo poder. Sustentando um casamento de aparências, ele mantinha ainda uma relação com uma amante, enquanto via seus filhos disputarem o tão cobiçado título de dono da empresa. Atualmente envolvido nas gravações de “A Regra do Jogo”, atual novela das nove da emissora, Nero não pôde ir à premiação, mas se manifestou em comunicado. “Eu estou muito feliz e satisfeito, foi uma grata surpresa. Toda a equipe se esforçou muito para fazer esta novela. Por isso, acredito que seja uma vitória coletiva. Todos os diretores, produtores, figurinistas, cenógrafos, equipe de caracterização, câmeras, enfim, todo mundo que fez parte desta jornada, que incluiu muitos dias intensos de gravações, é merecedor desta conquista. E, claro, não posso deixar de falar do Aguinaldo Silva, que presenteou a nós e ao público com esta história que conquistou todo o Brasil”. Aguinaldo Silva também se manifestou, definindo “Império” como “uma novela abençoada”, em que tudo funcionou. “‘Império’ provou que uma novela sempre funciona quando é feita com espírito de equipe”, afirmou o dramaturgo. Já “Doce de Mãe” conquistou sua segunda vitória no Emmy, após ter rendido a Fernanda Torres o troféu de Melhor Atriz em 2013. Na época, a produção era um telefilme, ganhando sinal verde para virar uma série após a repercussão do prêmio. Na comédia, ela vive Dona Picucha, uma senhora animada de 85 anos que não quer se tornar dependente de nenhum dos quatro filhos e não vê a idade como impedimento para ser feliz. A própria Fernanda agradeceu ao prêmio, subindo ao palco ao lado dos diretores Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo e a produtora Nora Goulart para classificar a vitória como “o resultado de um conjunto que se somou”. Ela também disputava novamente o troféu de Melhor Atriz, que acabou vencido pela norueguesa Anneke von der Lippe pela tensa série de suspense “Øyevitne”. O Emmy 2015 contou com 40 finalistas de 19 países que concorreram a prêmios em 10 categorias. Ao todo, a rede Globo já soma 14 vitórias na premiação, disputando todo o ano como favorita na categoria de Novelas. Em 2014, o presidente do Grupo Globo, Roberto Irineu Marinho, ainda foi reconhecido com o prêmio de Personalidade Mundial da Televisão. Vencedores do Emmy Internacional 2015 [symple_column size=”one-half” position=”first” fade_in=”false”] Melhor Série de Drama “Engrenages” (França) Melhor Série de Comédia “Doce de Mãe” (Brasil) Melhor Telefilme ou Minissérie “Soldat Blanc” (França) Melhor Novela “Império” (Brasil) Melhor Documentário “Miners Shot Down” (África do Sul) [/symple_column] [symple_column size=”one-half” position=”last” fade_in=”false”] Melhor Ator Maarten Heijmans, por “Ramses” (Holanda) Melhor Atriz Anneke von der Lippe, por “Øyevitne” (Noruega) Melhor Programa de Arte “Illustre & Inconnu: Comment Jacques Jaujard a Sauvé le Louvre” (França) Melhor Programa Americano em Língua Estrangeira “Arrepentidos U.S.” (Estados Unidos) Melhor Programa sem Roteiro “50 Ways to Kill Your Mammy” (Reino Unido) [/symple_column]
Rodrigo Santoro ganhará R$ 1,5 milhão para participar de novela da Globo
Mais bem-sucedido astro brasileiro em Hollywood, Rodrigo Santoro vai voltar a fazer uma novela brasileira após 13 anos. E para isso fechou o maior salário já pago a um ator pela Globo. Ele vai receber R$ 1,5 milhão para aparecer em 18 capítulos de “Velho Chico”, servindo de chamariz para a próxima novela das nove, que deve estrear em abril. Os números foram apurados pelo site Notícias da TV. O contrato prevê a participação do ator na fase de preparação, gravações e o “pós-estreia”, rendendo R$ 300 mil por mês. Como comparação, os atores de primeira linha da Globo, como Tony Ramos e Glória Pires, recebem entre R$ 100 mil e R$ 250 mil para estrelar as produções da emissora. O detalhe é que Santoro poderia receber até mais trabalhando em filmes e séries norte-americanas. Santoro interpretará o protagonista da primeira fase da novela, filho do coronel vivido por Tarcísio Meira (“Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo”), num começo de trama ambientado em 1968. Na segunda fase, passada nos anos 1980, o seu personagem, já envelhecido, será vivido por Antonio Fagundes. A trama escrita por Edmara Barbosa e seu filho Bruno Barbosa, com supervisão de Benedito Ruy Barbosa (pai e avô da dupla), será uma saga sobre duas famílias rivais que vivem às margens do rio São Francisco. Além de Santoro, Antonio Fagundes e Tarcísio Meira (em participação apenas no primeiro capítulo), o elenco também incluirá Selma Egrei, Marcos Palmeira, Letícia Sabatella, Domingos Montagner, Marcelo Serrado, Irandhir Santos, Dira Paes, Rodrigo Lombardi, Fabiula Nascimento e Umberto Magnani. Santoro está longe das novelas desde 2003, quando atuou em “Mulheres Apaixonadas”. A partir de então, vem se dedicando à carreira internacional e fez apenas algumas obras curtas na TV brasileira, como “Hoje É Dia de Maria” (2005) e “Afinal, o que Querem as Mulheres” (2010), ambas do mesmo diretor de “Velho Chico”, Luiz Fernando Carvalho. Ele está atualmente em cartaz nos cinemas no longa “Os 33”, sobre o resgate de 33 mineiros soterrados no Chile, e no ano que vem poderá ser visto como Jesus Cristo no remake de Ben-Hur, além de viver um cowboy robô na série “Westworld”, principal lançamento do canal pago americano HBO para 2016, com produção do cineasta J.J. Abrams (“Star Wars: O Despertar da Força”). As gravações de “Velho Chico” começam em janeiro.
Yoná Magalhães (1935 – 2015)
Morreu a atriz Yoná Magalhães, primeira estrela das novelas da rede Globo e protagonista de um dos maiores clássicos do cinema brasileiro. Ela estava internada desde o dia 18 de setembro na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, e faleceu na terça (20/10) após uma cirurgia para corrigir uma insuficiência cardíaca, aos 80 anos de idade. Yoná Magalhães Gonçalves Mendes da Costa nasceu em 7 de agosto de 1935 no bairro carioca do Lins de Vasconcelos, e virou atriz por necessidade, para ajudar na renda familiar quando o pai ficou desempregado, ainda na década de 1950. Começou fazendo figuração e pequenos papeis na TV Tupi, quando a TV dava seus primeiros passos e, aos 20 anos, integrou o elenco da telenovela “As Professoras” (1955), exibida ao vivo, antes da chegada dos videotapes. Apareceu em teleteatros da emissora e em dois filmes, “Pista de Grama” (1958) e “Alegria de Viver” (1958), antes de uma excursão teatral levá-la para a Bahia, onde se casou com o produtor Luís Augusto Mendes e se estabeleceu. A mudança para Salvador a levou a trabalhar com o grupo de teatro A Barca em produções da TV Itapoã. Mas principalmente a colocou no lugar certo e na hora certa em que Glauber Rocha procurava formar o elenco de sua obra-prima, “Deus e o Diabo na Terra do Sul” (1964) – com a ajuda de seu produtor, casado com Yoná. Por ocasião do cinquentário do filme, Yoná contou que o então marido, Luiz Augusto, foi quem convenceu Glauber a chamá-la para o papel de Rosa, uma personagem que lhe proporcionou umas das atuações mais importantes de sua carreira. “Creio que Glauber teria outra atriz em mente, porém se viu levado a me aceitar, cofiando mais em sua habilidade como diretor do que em meu talento. E ele estava certo: criou a Rosa e conseguiu fazer com que uma atriz iniciante, apesar de já ser profissional, realizasse uma grande performance”, ela contou no ano passado, em depoimento ao UOL. No grande clássico do Cinema Novo, Yoná interpretou a sofrida Rosa, mulher de Manoel (Geraldo Del Rey). Juntos, eles aderem ao bando do cangaceiro Corisco (Othon Bastos), braço-direito de Lampião, após Manoel, trabalhador pobre e explorado, matar o próprio patrão. O filme marcou época e se tornou a obra mais reverenciada do cinema brasileiro de todos os tempos. “Deus e o Diabo na Terra do Sol” deixou a crítica de joelhos e impulsionou a carreira de Yoná. Ela ainda faria a comédia “Society em Baby-Doll” (1965), de Luiz Carlos Maciel, mas logo não teria mais tempo para o cinema. No mesmo ano, assinou contrato de exclusividade com a recém-inaugurada TV Globo e virou a maior estrela da emissora. Yoná formou o primeiro par romântico de sucesso das telenovelas do canal com o ator Carlos Alberto, começando a parceria com “Eu Compro esta Mulher”, exibida em 1966. No mesmo ano, os dois se casaram, permanecendo juntos até 1971. O casal rapidamente se transformou na dupla preferida da novelista cubana Glória Magadan, responsável pela dramaturgia da emissora, o que transformou Yoná na rainha das telenovelas da Globo. Ela encaixou cinco produções seguidas da escritora. Além de “Eu Compro Esta Mulher”, estrelou “O Sheik de Agadir” (1965), “A Sombra de Rebeca” (1966), “O Homem Proibido” (também conhecido como “Demian, o Justiceiro”, 1968) e “A Gata de Vison” (1968). Atuou ainda em “A Ponte dos Suspiros”, de Dias Gomes, consagrando-se no período das adaptações dos folhetins de época por sua versatilidade, que lhe permitiu aparecer na telinha como espanhola, japonesa, indiana, francesa, norte-americana e italiana. Em 1970, Yoná e Carlos Alberto foram contratados a peso de ouro pela TV Tupi, para atuarem na novela “Simplesmente Maria”. Mas com o fim de seu casamento, a atriz retornou à Globo, vivendo sua primeira vilã em “Uma Rosa com Amor” (1972). Ela seguiu aparecendo em produções de sucesso, como “O Semideus” (1973), “Corrida do Ouro” (1974), “Cuca Legal” (1975), “Saramandaia” (1976) e acabou causando controvérsia em “O Grito” (1975), de Jorge Andrade, pela sensualidade de sua personagem, a secretária Kátia. Outro papel importante se materializou em “Espelho Mágico”, novela inovadora, que usava de metalinguagem. Seu personagem era Nora Pelegrine, uma atriz infeliz de novelas, que vivia das glórias e lembranças do passado. A história, porém, refletia de forma muito próxima a vida real, tanto que, após “Sinal de Alerta” (1978), a atriz cansou de viver coadjuvantes e voltou para a Tupi, onde protagonizou “Gaivotas” (1979). Na sequência, foi para a TV Bandeirantes, onde estrelou “Cavalo Amarelo” (1980), contracenando com Dercy Gonçalves, e foi a protagonista feminina de uma das mais ambiciosas produções da TV brasileira, “Os Imigrantes”, de Benedito Ruy Barbosa. Na trama, que se estendia por décadas, ela viveu a espanhola Mercedes, da juventude à velhice, bem como sua filha Mercedita. Os papéis renderam novo show de interpretação. A atriz voltou à TV Globo em 1984, com a novela “Amor com Amor se Paga”. E logo no ano seguinte participou de um dos maiores fenômenos de audiência da emissora, “Roque Santeiro” (1985). Na novela, viveu Matilde, mulher liberal, proprietária da Pousada do Sossego e da boate Sexu’s, o que lhe permitiu a criação de cenas antológicas com a colega Regina Duarte – a Viúva Porcina tinha ciúmes da amizade de Matilde com Sinhozinho Malta (Lima Duarte). Por conta do sucesso da personagem, ela foi convidada a posar nua para a revista Playboy. O detalhe: fez suas fotos sensuais no auge de seus 50 anos de idade. Sem diminuir o ritmo, viveu novos personagens marcantes, como a temperamental Índia do Brasil em “O Outro” (1987), a ex-prostituta milionária Lalá de “Vida Nova” (1988), a madastra de “Tieta” (1989), que fica alegre quando enviúva, e a fogosa e sofisticada Valentina Venturini de “Meu Bem Meu Mal” (1990). Durante a década de 1990, Yoná Magalhães atuou em mais seis novelas, quatro delas do autor Walther Negrão: “Despedida de Solteiro” (1992), “Anjo de Mim” (1996), “Era uma Vez” (1998) e “Vila Madalena” (1999). Esteve ainda em “Sonho Meu” (1993), de Marcílio Moraes, e “A Próxima Vítima” (1995), de Silvio de Abreu. Foi ainda mais ativa nos anos 2000, quando apareceu em sete novelas: “A Padroeira” (2001), “As Filhas da Mãe” (2001), “Agora É Que São Elas” (2003), “Senhora do Destino” (2004), “Paraíso Tropical” (2007), “Negócio da China” (2008) e “Cama de Gato” (2009). Além disso, completou sua participação na terceira minisséries de sua carreira: “Um Só Coração” (2004). As anteriores foram “Grande Sertão: Veredas” (1985) e “Engraçadinha” (1995). Mesmo com mais de 70 anos, a atriz ainda chamava atenção pela boa forma física. Em “Paraíso Tropical”, sua personagem tinha várias cenas em que fazia alongamentos, evidenciando sua silhueta atlética. “Eu sou vaidosa e fico feliz de ouvir as pessoas me elogiando, claro. Mas isso não é um mundo novo para mim. Sempre fiz alguma atividade”, disse em entrevista ao jornal O Globo na época, revelando o segredo de sua eterna beleza. Seus últimos trabalhos na TV foram as novelas da Globo “Tapas & Beijos” (2011) e “Sangue Bom” (2013). Ela deixa um filho, Marco Mendes, fruto do casamento com o produtor cinematográfico Luiz Augusto Mendes.
Luiz Carlos Miele (1938 – 2015)
Morreu o ator, apresentador, cantor e diretor Luiz Carlos Miele. Ele faleceu na manhã desta quarta-feira (14/10), aos 77 anos de idade, em seu apartamento em São Conrado, Zona Sul do Rio de Janeiro, após sentir indisposição e sofrer um mal súbito por volta das 8h23. Luiz Carlos Miele nasceu em 31 de maio de 1938, em São Paulo. Filho da atriz e cantora Regina Macedo (cujo nome real era Irma Miele), ele cresceu em meio ao showbusiness brasileiro do começo do século 20, frequentando programas de rádio desde a infância e dando literalmente “os primeiros passos” da TV brasileira. Sua estreia artística aconteceu por acaso, aos 12 anos de idade, quando o menino que seria protagonista da radionovela “Meu Filho, Meu Orgulho”, na Rádio Excelsior, ficou muito nervoso durante o teste. Regina sugeriu que o filho assumisse o papel, e assim começou uma carreira marcada por “acidentes” e casualidades, como o próprio Miele costumava contar. A transição para a TV também foi fruto de um famoso acidente. Miele estava na rádio Tupi quando a televisão chegou no Brasil, trazida por Assis Chateaubriand. Curioso, o menino entrou no estúdio da TV Tupi durante uma das primeiras transmissões ao vivo e, sem querer, passou na frente da câmera, de calça curta. “Daí alguém falou ‘A TV brasileira dá os primeiros passos’. E os primeiros passos da TV foram as minhas pernas”, ele recordou, em entrevista ao UOL. A estreia oficial na TV acabou acontecendo no “Clube do Canguru Mirim”, programa infantil da TV Tupi em que contracenou com os então adolescentes Érlon Chaves, Régis Cardoso e Walter Avancini. Entretanto, ele não demorou a demonstrar interesse em outras áreas do entretenimento. Em 1959, mudou-se para o Rio de Janeiro para trabalhar na TV Continental como diretor de estúdio e assistente de edição. Como o salário era baixo, precisava dividir um apartamento no Catete com outros seis moradores, incluindo o ator Francisco Milani. Mas a mudança também o inseriu em outro universo artístico. “Miele não era um saudosista, estava sempre pensando em seu próximo projeto. Uma das figuras mais importantes para o entretenimento brasileiro” – João Marcelo Bôscoli No mesmo ano, Miele conheceu o jornalista e letrista Ronaldo Bôscoli, um dos nomes envolvidos na então nascente bossa nova e com quem formaria uma das mais importantes duplas do showbusiness brasileiro. Juntos, produziram shows no hoje lendário Beco das Garrafas, em Copacabana, trabalhando com cantores como Elis Regina, Wilson Simonal e Sérgio Mendes. O êxito da empreitada os levou a organizar espetáculos de alguns dos principais artistas brasileiros, como Roberto Carlos, e até estrangeiros, como Sarah Vaughan. Também tiveram uma boate no Rio, a Monsieur Pujol, por onde passaram, entre 1970 e 1974, astros como Dione Warwick, Burt Bacharach e Stevie Wonder. O sucesso da dupla chamou a atenção da então nascente TV Globo, que os contratou no mesmo mês em que foi fundada, em abril de 1965, para produzir programas musicais. Foram dezenas de programas, entre eles “Alô, Dolly”, “Um Cantor por Dez Milhões, Dez Milhões por uma Canção” e a pioneira série de comédia “Dick & Betty 17”, estrelada pelo cantor Dick Farney e a atriz Betty Faria em 1965 – o primeiro sitcom da Globo. A maior realização televisiva da dupla, porém, foi ao ar num canal rival: o célebre programa “O Fino da Bossa”, apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues na TV Record. Além disso, também produziram “Musical em Bossa 9”, “Dois no Balanço” e a série de comédia “Se Meu Apartamento Falasse”, com Cyl Farney e Odete Lara, na TV Excelsior. Entre muitas outras atrações. Os dois acabaram voltando à Rede Globo em 1970, onde produziram programas de Elis Regina e Marília Pêra e assumiram a direção musical do “Fantástico”. “O Miele não tinha noção da sua própria importância” – Roberto Menescal Neste retorno, Miele acumulou funções e se desdobrou para atuar como apresentador de atrações musicais, como o festival MPB Shell, e shows de variedades como “Miele Show” e “Sandra & Miele” (com a atriz Sandra Brea), investindo ainda na carreira de comediante, com participações em três humorísticos que marcaram época: “Faça Humor, Não Faça Guerra” (1970-1973), “Satiricom” (1973-1976) e “Planeta dos Homens” (1976-1982) – ao lado de Jô Soares, Renato Corte Real, Berta Loran, Paulo Silvino, Renata Fronzi, Agildo Ribeiro e outras feras do humor nacional. Paralelamente, também fez shows de humor, gravou discos (dois deles em parceria com Elis e até o primeiro rap brasileiro, “O Melô do Tagarela”, lançado em 1980) e investiu na carreira de ator de cinema. A estreia na tela grande foi em “Um Homem e Sua Jaula” (1969), seguido pela cultuada comédia “O Capitão Bandeira Contra o Dr. Moura Brasil” (1971), de Antonio Calmon. Em ambas, atuou com o amigo Hugo Carvana. Na fase de ouro da Embrafilme, participou ainda do drama clássico “A Estrela Sobe” (1974), de Bruno Barreto, e das antologias “Cada um Dá o que Tem” (1975) e “Ninguém Segura Essas Mulheres” (1976). Em 1976, após a morte do humorista Manuel de Nóbrega, Miele passou a apresentar o humorístico “A Praça da Alegria” na Rede Globo. Do mesmo modo que Manuel na versão original, ele chegava à praça cenográfica, sentava-se no banco e tentava iniciar a leitura de um jornal, quando era interrompido, a todo momento, pelos mais variados tipos, que surgiam de todos os lados. Essa versão do programa durou até 1979, com roteiros e participação de Carlos Alberto de Nóbrega, que depois assumiria o programa de seu pai como “A Praça É Nossa” no SBT. Miele ainda trabalhou na TV Manchete, a partir de 1985, e apresentou o programa “Coquetel” em 1992 no SBT, antes de se focar exclusivamente no trabalho de ator, retomando o cinema numa participação em “O Homem Nu” (1997), dirigido pelo velho amigo Hugo Carvana. Uma década depois, os dois reatariam a parceria no filme “Casa da Mãe Joana” (2008). Ele também participou de três lançamentos recentes, as comédias “As Aventuras de Agamenon, o Repórter” e “Os Penetras”, ambas de 2012 e estreladas pelo jovem humorista Marcelo Adnet, e a cinebiografia “Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho” (2014). “Em outro país, o Miele teria sido o maior showman de todos os tempos” – Sandra Sá Nos últimos anos, voltara a ser presença constante na TV, atuando como integrante fixo do elenco de “Mandrake” (2005-2013), série de detetive inspirada na obra de Rubem Fonseca, no canal pago HBO, e em diversas produções da Globo, como as séries “Casos & Acasos” (2008), “Tapas e Beijos” (2011), “A Teia” (2014), a minissérie “O Brado Retumbante” (2012), a novela “Geração Brasil” (2014), o programa “Domingão do Faustão” (competiu no quadro Dança dos Famosos em 2014) e os humorísticos “Zorra Total” e “Tomara que Caia”. Neste programa, fez sua última aparição televisiva, exibida no dia 6 de setembro. Como ator, Miele ainda deixa uma participação inédita no filme de comédia “Uma Loucura de Mulher”, estreia na direção de Marcus Ligocki (produtor de “O Último Cine Drive-In”), que só chegará aos cinemas em 2016. Cheio de planos, ele até chegou a gravar o piloto de um novo programa de TV, em que lembrava causos de sua vida agitada, e planejava rodar o país com o one-man show “Miele — Contador de Histórias”, título de seu mais recente livro de memórias. Mas, novamente, um acidente aconteceu no meio do caminho. “Estou tristíssima, mas Miele não era um cara de ficar deitadinho dodói. Morreu animadíssimo como foi a vida inteira”, destacou a atriz e amiga Betty Faria. “Não consigo dizer nada além de lugares comuns sobre essa pessoa fantástica. Ele era um amigo de verdade, não só um colega de trabalho. Saudades, só isso”, despediu-se o colega Jô Soares.
BBB 23: Deserto segue “plano kamikaze” em armadilha criada pela Globo
A falta de transparência da produção do “BBB 23”, que alterou a votação do público no paredão desta semana, está levando o quarteto do quarto Deserto a assumir um plano literalmente kamikaze. Bruna Griphao, Larissa Santos, Amanda Meirelles e Aline Wirley batizaram realmente o plano de kamizake. Mesmo Amanda e Larissa sabendo que estarão no próximo paredão, fecharam com a líder Aline uma indicação em Domitila Barros. “O foco hoje é só nós. Na hora de dar o Anjo, no voto da Líder e ao ir pro paredão. Só vai dar nós em horário nobre”, brincou Larissa. “Por mais que não queira ter ninguém no paredão, a gente consegue entender que dois nossos juntam as torcidas para eliminar um deles”, analisou Bruna. Como a atriz demonstrou, o plano levava em conta a união de suas torcidas para enfrentar a favorita das Páginas de Fofoca e, possivelmente, da própria produção do programa – por todos os indícios demonstrados na edição. Entretanto, o programa da Globo mudou a forma de votação de forma polêmica para impedir que as torcidas do grupo se unam contra um único candidato. Em vez de votar para eliminar, a votação será para salvar. Pior que mudar a regra com o jogo em andamento, a equipe não informou a mudança casuística aos participantes, transformando a estratégia do Deserto numa tática que faz justiça ao nome kamikaze. Ao omitir ter alterado a forma de votação do público, a produção transformou o paredão deste domingo (2/4) numa armadilha para as sisters, que baseiam sua estratégia na forma como o BBB sempre foi jogado – o que escancara ainda mais o casuísmo. Além de adotar uma eliminação no estilo de “A Fazenda”, a dinâmica da noite ainda terá uma votação da casa no estilo do Resta Um, do programa da Record. A votação deste domingo (2/4) começará com a revelação do Poder Coringa, a imunidade de Sarah Aline, seguirá com a imunização de Bruna pelas Anjas Amanda e Larissa, e a indicação da Líder Aline em Domitila. Em seguida, a casa votará em outras duas pessoas e as mais votadas irão para o paredão. Além disso, cada uma das emparedadas pela casa votará em outras duas pessoas para imunizar, levando as duas participantes que sobrarem também para o paredão. As quatro indicadas pela casa vão pra prova Bate-Volta e apenas uma se livrará do paredão. O paredão será quádruplo, com três pessoas escolhidas pela casa e uma pela Líder. Na terça, a menos votada sairá do programa. Confira a dinâmica da semana no #BBB23! 👀⤵️ #RedeBBB pic.twitter.com/vGCcd7KarX — Big Brother Brasil (@bbb) March 31, 2023









