Léa Garcia batiza primeira sala de teatro a homenagear uma atriz negra
Léa Garcia, que faleceu em agosto aos 90 anos, será homenageada com seu nome em uma sala no Novo Teatro Metrô Tatuapé, localizado na Zona Leste de São Paulo. A inauguração, que está marcada para 28 de setembro, marcará a primeira vez que uma atriz negra batiza um teatro no Brasil. Trajetória Singular Destaque nas artes cênicas brasileiras por mais de cinco décadas, Léa Garcia foi uma força motriz na inclusão racial no teatro nacional. Na década de 1950, foi membro do coletivo Teatro Experimental do Negro, um marco de sua época. A atriz também foi indicada à Palma de Ouro em Cannes pelo seu trabalho no filme “Orfeu Negro”. Memorial e Legado Parte da vida e carreira de Léa será imortalizada em um memorial no saguão do Novo Teatro Metrô Tatuapé. O espaço será ornamentado com imagens que relembram momentos icônicos de sua trajetória. A decisão de batizar a sala com seu nome veio de Gabriel Veiga Catellani e Wendel Pinheiro, responsáveis pela Construção Teatral, empresa que já administra outros teatros com salas que homenageiam artistas como Irene Ravache, Laura Cardoso e Nicete Bruno. A artista estreou nos palcos aos 19 anos com a peça “Rapsódia Negra” (1952), de Abdias do Nascimento. Foi o criador do Teatro Experimental do Negro (TEN) que viu o talento da carioca no ponto do bonde, na praia de Botafogo, em 1950. A parceria foi um marco da inclusão no teatro brasileiro. Ainda nos palcos, Lea atingiu grande destaque no início da carreira com “Orfeu da Conceição” (1956), de Vinicius de Moraes, no papel de Mira. A estreia ocorreu no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com cenários de Oscar Niemeyer. Ela também participou do filme dirigido por Marcel Camus no ano seguinte e recebeu a indicação ao prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. Também trabalhou no clássico “Gamba Zumba” (1963), de Cacá Diegues, sobre a fundação do mítico Quilombo dos Palmares, antes de fazer sua primeira novela, “Acorrentados” (1969), na Record. No ano seguinte, estreou na Globo em “Assim na Terra como no Céu”, de Dias Gomes, e seguiu com vários papéis televisivos em “Selva de Pedra” (1972), “Maria, Maria” (1978), “Dona Beja” (1986), além de “Você Decide” e “Xica da Silva”, ambas em 1996. Porém ficou marcada por sua atuação na adaptação de “Escrava Isaura” (1976), onde fez sua primeira vilã e sofreu represálias na rua. Além destes papéis, Léa teve participação no elenco de “O Clone” (2002), “Êta Mundo Bom!” (2016) e nas séries “Mister Brau” (2017), “Assédio” (2018), “Carcereiros” (2018) e “Arcanjo Renegado” (2020). Nos últimos anos, tinha se voltado novamente ao cinema, chegando a vencer o Kikito de Melhor Atriz no Festival de Gramado por “Filhas do Vento” (2005), de Joel Zito Araújo. Ela ainda teve atuações recentes em “Pacificado” (2019), “Boca de Ouro” (2019), “Um Dia com Jerusa” (2020) e “Barba, Cabelo & Bigode” (2022), lançado pela Netflix. Seu último trabalho é a série “Vizinhos”, que estreou em 25 de agosto no Canal Brasil. Morte Léa Garcia morreu em 15 de agosto, enquanto aguardava receber um troféu especial pelas realizações da carreira, durante o Festival de Gramado no Rio Grande do Sul.
Betta St. John, atriz de filmes de Tarzan, morre aos 93 anos
A atriz americana Betta St. John faleceu no último dia 23 de junho, aos 93 anos. A notícia foi informada pelo filho da artista, o produtor de TV Roger Grant, ao The Hollywood Reporter nesta sexta-feira (7/7). Segundo ele, a atriz morreu de causas naturais em uma casa de repouso em Brighton, na Inglaterra. Ela deu início a carreira por volta dos 10 anos de idade e ganhou destaque em peças teatrais da dupla Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, além de estrelar filmes de diversos gêneros, de musicais a aventuras. Dentre seus filmes de maior sucesso, ela estrelou a famosa comédia romântica “Quem é Meu Amor?” (1953), ao lado de Cary Grant e Deborah Kerr, e a primeira versão colorida de Tarzan, “Tarzan e a Expedição Perdida” (1957). Destaque no teatro ainda criança Nascida em 1929 na cidade de Hawthorne, na Califórnia, a atriz despertou seu interesse artístico aos 7 anos de idade, quando a mãe a colocou em uma escola de teatro. Foi onde ela aprendeu a dançar e cantar. Com apenas 10 anos, teve uma primeira aparição no cinema, na comédia de faroeste “Atire a Primeira Pedra” (1939), onde apareceu na parte de trás de uma carroça em movimento, cantando uma música. Foi o suficiente para lhe render convite para participar do clássico “O Mágico de Oz” (1939), que ela recusou porque preferiu passar as férias com sua família. Mas em seguida apareceu no curta clássico “Our Gang” (1940), no longa “Lydia” (1941) e na mais famosa versão de “Jane Eyre” (1943), ao lado da então menina Elizabeth Taylor. Rodgers e Hammerstein Quando cursava o 2º ano do Ensino Médio, foi “descoberta” pelos olheiros da companhia de Rodgers e Hammerstein, e mudou-se com sua mãe para Nova York para começar a se apresentar nas produções da Broadway da dupla. No seu aniversário de 16 anos, ela subiu ao palco em “Carousel” (1945) como Luise. Este foi apenas o segundo musical produzido pelos dois após a estreia aclamada em “Oklahoma!” (1943). E Betta continuou na companhia pelos anos seguintes. Em 1949, ela estreou no papel icônico da adorável garota da ilha Lita em “South Pacific”, uma das estreias mais aguardadas da época pela popularidade crescente de Rodgers e Hammerstein. Na peça, ela ainda cantou a famosa música “Happy Talk”. O sucesso da produção rendeu uma adaptação cinematográfica em 1958. Depois da peça sair de cartaz em Nova York, ela continuou a turnê da atração em Londres no ano de 1951. Na montagem do West End, o ator inglês Peter Grant foi escalado como seu par romântico, o tenente Joe Cable. Nos bastidores, os dois começaram um relacionamento, que virou casamento em 1952. O casal teve três filhos e ficou junto até a morte do ator, causada por um câncer em 1992, aos 69 anos. Estrela de filmes B Pouco tempo depois do grande sucesso no teatro, a atriz estrelou o romance “Quem é Meu Amor?” (1953). O longa marcou seu primeiro papel adulto no cinema, a princesa Tarji. No trailer de divulgação do filme, ela foi anunciada como “a nova musa do cinema… a garota de ‘Happy Talk’ do sucesso teatral ‘South Pacific'”. No mesmo ano, Betta apareceu no drama histórico “O Manto Sagrado” (1953) como uma mulher deficiente e na aventura “Todos os Irmãos Eram Valentes” (1953). Engatando a carreira no cinema, estrelou mais cinco filmes B consecutivos, num curtíssimo espaço de tempo: o thriller “Missão Perigosa” (1954), o épico “A Espada Sarracena” (1954), o musical “O Príncipe Estudante” (1954) e os faroestes “O Último Matador” (1954) e “Madrugada da Traição” (1955). Dois deles foram dirigidos pelo mestre do cinema barato, William Castle. Tarzan e o horror Ela acabou ganhando maior destaque no longa “Tarzan e a Expedição Perdida” (1957), que foi o primeiro filme do célebre personagem de Edgar Rice Burroughs produzido a cores. Na trama, ela interpretou uma das sobreviventes de um acidente de avião, que é perseguida por um crocodilo. E ainda retornou para a sequência “Tarzan, o Magnífico” (1960). Nos dois, o ator Gordon Scott foi o interprete do Rei da Selva. Numa guinada para o horror, ela ainda trabalhou com Christopher Lee em “Alias John Preston” (1955), fez “Suicídio ou Assassinato?” (1958), “Corredores de Sangue” (1958) com Boris Karloff e “A Cidade dos Mortos” (1960), novamente com Christopher Lee, marcando sua despedida do cinema. Betta St. John decidiu abandonar a carreira no início dos anos 1960. Em entrevistas recentes, declarou que o principal motivo para a escolha foi dar mais atenção a família – isto é, criar os filhos. “Naquela época, eu já havia aceitado que não tinha o tipo de talento de atuação que duraria para sempre”, disse. No ano de 2019, ela foi incluída no Hall da Fama de Hawthorne, na Califórnia. Apesar disso, a atriz viveu seus últimos anos de vida morando na Inglaterra, lar de seu falecido marido.
Sandra Annenberg retoma carreira artística em espetáculo infantil
Sandra Annenberg está prestes a retomar carreira artística na peça teatral “Pedro e o Lobo”. A jornalista será a narradora do clássico infantil escrito por Sergei Prokofiev. As apresentações do musical contam com a participação da Orquestra Experimental de Repertório (OER) e possuem direção de Muriel Matalon (“Ralé”), amiga íntima de Sandra que reacendeu seu desejo de estar nos palcos. As exibições de “Pedro e o Lobo” estão confirmadas nos dias 28, 29 e 30 de julho, no palco do Theatro Municipal de São Paulo. Carreira de atriz Sandra Annenberg cresceu no meio artístico por influência de Débora Takser, sua mãe que era produtora de teatro e TV. Ela embarcou na carreira de atriz em novelas e seriados, como no humorístico “Bronco” (1985). Anos antes de entrar no jornalismo, ela também participou de “Tarcísio e Glória” (1988), estrelado por Tarcísio Meira e Gloria Menezes, e fez parte da novela “Pacto de Sangue” (1989). Em 1991, Sandra fez sua estreia como a “moça do tempo” dos telejornais da TV Globo. Atualmente, ela é apresentadora do “Globo Repórter”.
Artista e ativista Tanah Corrêa, pai de Alexandre Borges, morre aos 82 anos
O ator e diretor Santos Athanazildo Corrêa Neto, conhecido como Tanah Corrêa, faleceu na madrugada desta terça-feira (27/6) aos 82 anos. A notícia foi confirmada pela Santa Casa de Santos, onde o artista estava internado deste o último sábado (24/6), sem revelar a causa da morte. Corrêa era pai do também ator Alexandre Borges. Conhecido pelos seus trabalhos na dramaturgia brasileira, o artista se envolveu em projetos no teatro, televisão e cinema ao longo da carreira. Ele fez participações em algumas produções da Rede Globo, como “O Rei do Gado” (1996), “Anjo Mau” (1997) e a série “Os Trapalhões”. No cinema, ele integrou o elenco de filmes como “O Invasor” (2001) e “Segurança Nacional” (2010). Com seu envolvimento no teatro amador e profissional durante a carreira, Corrêa também assumiu o cargo de direção em espetáculos. Apesar disso, seu grande destaque foi na sua atuação política pela cultura na cidade de Santos, onde passou a maior parte da vida. Diante do seu falecimento, o prefeito de Santos, Rogério Santos, decretou luto oficial de três dias. “Tanah Corrêa, um santista de coração, dedicou a vida à expressão maior daquilo que representa a arte. Ele deixa um vasto legado de realizações e uma história de devoção a seus princípios. Um santista de alma marcante, que tem seu nome registrado na rica história da arte da Cidade e do Brasil”, disse o prefeito em comunicado. O artista era casado com Orleyd Faya e teve dez filhos, André, Geórgia, Kenia, Natasha, Ludmila, Geovana, Janaína, Natália, Fernanda e Alexandre Borges. Atuação política pela cultura Nascido em Bauru (SP), Tanah se mudou para Santos ainda jovem para estudar na Fundação Lusíadas, atualmente Unilus, onde se formou em Licenciatura Plena em Educação Artística – Artes Cênicas. Embora não tenha nascido na cidade litorânea, ele recebeu o título de cidadão santista da Câmara Municipal no ano de 2005. Em paralelo ao trabalho como artista, ele tinha uma forte atuação política e realizou um papel importante na gestão cultural de Santos. Entre os anos de 1984 e 1985, ele foi assessor municipal de cultura da cidade. Logo em seguida, Corrêa se tornou o primeiro secretário de Cultura até 1988. Ele ainda exerceu a presidência da Comissão de Restauração Cênica e Inauguração do Teatro Coliseu entre 2004 e 2005. Já em 2020, Tanah Corrêa concorreu como candidato a prefeito de Santos pelo partido Cidadania, apresentando propostas voltadas para o incentivo à arte. Apesar de ter conquistado apenas 0,33% dos votos, sua candidatura demostrou novamente o seu compromisso com o desenvolvimento cultural da cidade. Incentivos no mundo artístico Seu legado também inclui participações em importantes organizações, como membro na Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CINC), do Ministério da Cultura, secretário-geral da Confederação Nacional de Teatro Amador (Confenata) e diretor-presidente da Sociedade Brasileira de Autores (SBAT). Em São Paulo, ele foi o fundador do Teatro Plínio Marcos e do Cine-Arte Lilian Lemertz – ambos já encerraram suas atividades. Além de participar de produções, Corrêa também ministrou cursos na área das artes cênicas. Como reconhecimento pela sua contribuição à Cultura brasileira, o artista foi homenageado pela escola de samba X-9 em 2011. O enredo titulado “Xisnoviano, macuqueiro, arteiro, teatreiro” saudou seu legado artístico. Vale mencionar que a X-9 foi campeã do Carnaval de Santos naquele ano.
Paxton Whitehead, ator de “Friends”, morre aos 85 anos
O ator Paxton Whitehead, conhecido por suas performances em produções icônicas no teatro e em séries como “Friends” e Louco por Você” (Mad About You), faleceu aos 85 anos na última sexta-feira (16/6), de causa não revelada. Nascido Francis Edward Paxton Whitehead no dia 17 de outubro de 1937, em Kent, Inglaterra, Whitehead desde jovem nutria um grande interesse pela arte da dramaturgia. Ele ingressou na faculdade de artes dramáticas aos 17 anos e deslanchou em pequenos palcos na Inglaterra antes de se unir à prestigiosa companhia de teatro Royal Shakespeare Company em 1958. Carreira na Broadway Na década de 1960, Whitehead se mudou para os Estados Unidos e tornou-se uma figura bem conhecida nos palcos da Broadway. Ele estreou na Broadway na peça “The Affair”, de Ronald Millar. Mais tarde, em 1980, recebeu uma indicação ao Tony Awards pelo papel de Pellinore na remontagem da clássica peça “Camelot”, além de ter integrado diversos outros sucessos dos palcos de Nova York. Trabalhos na Televisão e Cinema O ator também era conhecido pelo grande público por suas atuações em sitcoms populares. Na aclamada sitcom “Friends”, Whitehead ganhou destaque como o Sr. Waltham, chefe de Rachel (Jennifer Aniston) e tio de Emily (Helen Baxendale), a segunda das três esposas de Ross (David Schwimmer). Já em “Mad About You”, ele atuou regularmente como Hal Conway, o vizinho de Paul (Paul Reiser) e Jamie (Helen Hunt). Além de suas atuações no teatro e na televisão, Whitehead também fez carreira nas telonas. Ele estreou no cinema como diretor da escola da comédia “De Volta às Aulas” (1986), e também atuou em filmes como “Presente de Grego” (1987) e “Kate & Leopold” (2001). Paxton Whitehead deixa sua esposa e dois filhos.
Trailer de comédia premiada faz rir com absurdos do teatro infantil
A Searchlight Pictures divulgou o trailer de “Theater Camp”, comédia maluca sobre teatro infantil. Recheada de bom-humor, a prévia mostra monitores num acampamento de verão com uma missão desafiadora: criar uma peça de teatro genial em apenas três semanas com crianças completamente inexperientes. O longa se passa num acampamento de verão onde monitores criativos, apaixonados e um pouco desequilibrados se juntam durante as férias escolares para ensinar teatro a uma nova turma de crianças. Porém, quando a fundadora do acampamento entra em coma, seu filho desinformado e pretensioso precisa entrar em ação para salvar o local da falência, mesmo sem saber nada sobre teatro. Trabalhando em conjunto com os monitores do acampamento e professores excêntricos, ele precisa encontrar uma solução antes que a cortina se abra na noite de estreia. O filme é baseado num curta de 2020 da atriz Molly Gordon (“Certas Pessoas”) e do diretor de clipes Nick Lieberman, casal que faz sua estreia como cineastas na versão ampliada da trama. Além de escrever e dirigir com o namorado, Molly Gordon também estrela “Theater Camp” junto com Jimmy Tatro (“Economia Doméstica”), Ben Platt (“Querido Evan Hansen”), Ayo Edebiri (“O Urso”), Noah Galvin (“The Good Doctor”) e Amy Sedaris (“Ghosted: Sem Resposta”). O elenco e os diretores venceram um prêmio especial (Melhor Conjunto) no Festival de Sundance, durante sua première em janeiro, ocasião em que o filme foi coberto de elogios pela crítica. Após passar também no SXSW (South by Southwest), chegou a 83% de aprovação no Rotten Tomatoes. A estreia comercial vai acontecer no dia 14 de julho nos EUA, mas ainda não há previsão de lançamento no Brasil.
Samuel L. Jackson e John David Washington vão estrelar adaptação de “A Lição de Piano”
A Netflix anunciou que Samuel L. Jackson (“Vingadores”) e John David Washington (“Infiltrado na Klan”), filho de Dezel Washington, vão estrelar a adaptação de “A Lição de Piano”. A obra já rendeu um Prêmio Pulitzer de Teatro, em 1990, para o dramaturgo August Wilson. Jackson e Washington também estiveram numa montagem da peça na Broadway. Ainda não há data para estreia e início das filmagens. A trama acontece em 1936 em Pittsburgh e segue a vida da família de Charles e de sua herança familiar: um piano que é decorado com desenhos esculpidos por um ancestral escravizado. O elenco também inclui Ray Fisher (“Liga da Justiça”), Danielle Deadwyler (“Till – A Busca por Justiça”), Michael Potts (“True Detective”) e Corey Hawkins (“Em um Bairro de Nova York”). A direção do filme está a cargo de outro filho de Denzel Washington, Malcolm Washington, em sua estreia em longa-metragem. Denzel fechou um acordo com o espólio de Wilson para adaptar as peças do dramaturgo em filmes. Desde então, ele dirigiu “Um Limite Entre Nós” (Fences, 2018) e produziu “A Voz Suprema do Blues” (2020). O astro também é produtor de “A Lição de Piano”, que tem roteiro de Virgil Williams (indicado ao Oscar por “Mudbound”). Além de produzir os filmes, Denzel também fez e estrelou um documentário, ao lado de Viola Davis, sobre o legado de Wilson, intitulado “Giving Voice” (2020), também disponibilizado pela Netflix. Samuel L. Jackson, John David Washington, Ray Fisher, Danielle Deadwyler, Michael Potts, and Corey Hawkins will star in The Piano Lesson, a new film based on the play by August Wilson, directed by Malcolm Washington and written by Virgil Williams and Malcolm Washington. pic.twitter.com/PhkuI35Z4L — Netflix (@netflix) April 13, 2023
Ataque de bolsonarista a “Medida Provisória” reforça denúncia do filme
O ex-chefe da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, retomou seus ataques ao filme “Medida Provisória”, confundindo a trama de ficção com o governo do qual fazia parte até recentemente. Em tuítes publicados nesta terça (12/3), Camargo afirma que o diretor Lázaro Ramos acusa Bolsonaro de deportar os cidadãos negros de volta para a África. E, por conta disso, pede que o filme seja boicotado. Mas o detalhe mais bizarro é que Camargo completou seu ataque sugerindo que negros de esquerda fossem realmente enviados para países africanos, sem se dar conta que seu ataque só reforça o argumento do filme, cada vez mais parecido com a realidade. Com estreia marcada para esta quinta (14/4), “Medida Provisória” é o primeiro longa dirigido pelo ator Lázaro Ramos. Conta a história de um Brasil distópico no qual o governo decide enviar a população negra para países africanos, num ato racista que tenta se passar por uma reparação histórica. Bolsonaro não é mencionado nenhuma vez no longa, que começou a ser produzido em 2017, dois anos antes do início do governo atual. A história, na verdade, é uma adaptação da peça “Namíbia, Não!”, escrita pelo também ator baiano Aldri Anunciação, que foi encenada para mais de 100 mil espectadores em 234 apresentações em 10 estados brasileiros, desde 2011. Em 2012, o texto foi publicado em livro e venceu o Prêmio Jabuti de Literatura na categoria Ficção para Jovens, tornando Aldri Anunciação o primeiro negro a receber este prêmio por uma obra de ficção. Aparentemente, o ex-presidente da Fundação Palmares não tem muito conhecimento sobre a cultura afrodescendente, a ponto de ignorar a origem do filme e o marco de Anunciação. Esta foi a segunda vez que Camargo acusou o filme de Ramos de denunciar racismo do governo Bolsonaro. A primeira foi há 13 meses, em março de 2021. Na época, acusou sem ver o filme, espalhando fake news sobre seu conteúdo. Mas a cada nova manifestação, o candidato a deputado parece confirmar a denuncia artística exibida nas telas, pelo menos com negros que não votam em Bolsonaro. A assessoria do longa afirma que “qualquer ataque ao filme apenas representa o dirigismo cultural que, neste momento, quer determinar quais filmes podem ser realizados no país”. Já exibido e premiado em festivais internacionais desde 2020, “Medida Provisória” conta com 92% de aprovação no site americano Rotten Tomatoes e chega ao Brasil após enfrentar dificuldades envolvendo a Ancine, a Agência Nacional do Cinema, numa experiência semelhante à de “Marighella”, de Wagner Moura, outro filme com protagonista negro. Para Ramos, teria havido manobra burocrática para dificultar ou impedir (censura) a exibição do longa para o público brasileiro.
“Barry” tem guinada dramática no trailer da 3ª temporada
A HBO Max divulgou o trailer legendado da 3ª temporada de “Barry”. A prévia mostra uma guinada dramática na série de “comédia”, com a vida dupla do protagonista sendo colocada em cheque. A primeira série estrelada por Bill Hader – depois de oito temporadas no programa humorístico “Saturday Night Live” – gira em torno de um ex-militar que trabalha como assassino de aluguel no Meio-Oeste americano. Bem sucedido, mas não apaixonado por sua linha de trabalho, ele descobre que pode ser bom em outra coisa ao viajar até Los Angeles para um “serviço” e se deparar com a comunidade de teatro amador, passando a crer que atuar é sua verdadeira vocação. O problema é que o passado não quer lhe dar uma chance de mudar de vida. Hader criou “Barry” em parceria com Alec Berg (roteirista de “Silicon Valley”) e também fez sua estreia como diretor no programa, ao comandar os três primeiros episódios. A atração rendeu a Hader dois prêmios consecutivos de Melhor Ator de Comédia no Emmy Awards, além de um prêmio de Melhor Coadjuvante para Henry Winkler. A 3ª temporada estreia em 24 de abril.
Sucesso teatral “Hermanoteu na Terra de Godah” vira filme. Veja o trailer
O Telecine revelou o trailer de “Hermanoteu na Terra de Godah”, comédia que adapta a peça homônima, passada na época do Cristo. A produção lembra o clássico “A Vida de Brian” (1979), dos Monty Python. Criada em 1995 pela Companhia de Comédia Os Melhores do Mundo, a montagem já tinha rendido um DVD, gravado durante a encenação da peça, com participação de Chico Anysio como a voz de Deus. A mesma participação pode ser ouvida na prévia, que é interpretada pela trupe teatral: Ricardo Pipo (Hermanoteu), Adriana Nunes (Micalatéia), Welder Rodrigues (Isaac), Victor Leal (Anjo Celestial), Jovane Nunes (Imperador César) e Adriano Siri (Gladstone O Gladiador). Além do elenco original, o filme também conta com participações de Marcos Caruso (“Chapa Quente”) e Milton Gonçalves (“Carcereiros”). “Hermanoteu na Terra de Godah” tem direção de Homero Olivetto (“Reza a Lenda”) e chega ao catálogo do Telecine em fevereiro.
“Medida Provisória” chega ao Festival do Rio sofrendo “operação padrão” da Ancine
A Ancine aproveitou a première nacional de “Medida Provisória”, primeiro longa de Lázaro Ramos, marcada para acontecer no Festival do Rio nesta quarta (15/12), para tentar se justificar em relação ao motivo que mantém o filme sem previsão de estreia comercial no Brasil. O entrave burocrático, que parece surgir apenas diante de determinados títulos, é o mesmo que fez “Marighella” demorar dois anos para ser lançado. Trata-se da retenção de verba do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) destinada a auxiliar a distribuição do filme. Não é verba pública, sempre é bom salientar. É dinheiro do próprio setor audiovisual, que paga uma taxa específica (Condecine) para investimento em conteúdo nacional. Esta verba é controlada pela Ancine, que desde o governo Bolsonaro tem um déficit de centenas de milhões – talvez bilhão – de reais que foram arrecadados e não direcionados para o audiovisual brasileiro – uma caixa preta para o próximo governo. O método adotado para manter o dinheiro distante de seu objetivo tem sido a burocracia. Reuniões específicas do FSA, que costumavam ser feitas no começo do ano fiscal durante os governos anteriores, agora acontecem no final do ano, engolindo-se assim 12 meses de verba sem destinação. E “filtros” pedidos publicamente por Bolsonaro tem encontrado alvos evidentes. Todos os filmes citados nominalmente pelo governo tem sofrido algum tipo de revés na Ancine, desde projetos LGBTQIAP+ que o presidente citou numa live e foram reprovados em edital, até a aplicação de “operação padrão” – nome dado à realização de um serviço seguindo os procedimentos operacionais padrão com rigor excessivo com o objetivo explícito de retardar ou dificultar – em produções que desagradam a chamada “ala ideológica” (extremistas radicais) do governo. Em sua nota oficial, a Ancine usou os argumentos de praxe para tentar transparecer que não há censura, mas trâmites burocráticos (isto é, operação padrão). “A Ancine informa que o filme “Medida Provisória” recebeu para a sua produção o valor total de R$ 2,7 milhões, por meio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Atualmente o projeto encontra-se na fase de análise do pedido de investimento para a sua distribuição em salas de cinema. O investimento em distribuição é uma opção do Fundo para aumento da sua rentabilidade, a ser decidido após conclusão da análise técnica. O projeto, portanto, segue o trâmite normal no âmbito da Agência”, informou a agência. A orientação para usar burocracia como entrave encontra eco numa declaração do ex-PM que atualmente é secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, André Porciuncula. Em uma audiência da CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos), órgão independente da OEA (Organização dos Estados Americanos), ele confirma que aquilo que os críticos chamam de censura são na verdade “meras regras burocráticas”. De fato, é isto. A censura via burocracia voltou a ser denunciada pela Trigo Agência, responsável pela assessoria de imprensa do filme “Medida Provisória”, após a manifestação da Ancine. Em nota, a assessoria esclareceu que “a inscrição em opção de comercialização foi regularmente feita pela produtora dentro do prazo estabelecido para este procedimento”. “O que impede o lançamento da obra é, na verdade, a demora da Ancine em concluir os trâmites necessários para a troca de distribuidora do filme. Embora a Análise de Alteração Técnica realizada pela Coordenação de Análise Técnica e Seleção em 20/08/2021 não tenha encontrado óbices para aprovação da nova distribuidora, até o momento a Superintendência de Fomento não tomou as devidas providências. Com isso, a data de lançamento do filme já precisou ser alterada duas vezes”, segue o texto. “Esta situação gera profunda insegurança jurídica para as produtoras e distribuidoras envolvidas, pois a ausência de uma posição da Ancine impede que sejam tomadas as medidas necessárias para divulgação do filme e, consequentemente, para definição da data de lançamento comercial em cinemas no Brasil”, aponta a assessoria. Apesar da demora do seguimento das “meras regras burocráticas”, a Trigo Agência espera “muito em breve poder divulgar a data de lançamento do filme ‘Medida Provisória'”, conclui o texto. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Trigo Agência de Ideias 💡 (@trigopress)
Lázaro Ramos lança teaser de “Medida Provisória”, filme com estreia “travada” no Brasil
O ator Lázaro Ramos divulgou em suas redes sociais o primeiro teaser de “Medida Provisória”, filme que marcou sua estreia na direção e será exibido, em première nacional, na quarta-feira (15/12) no Festival do Rio Já exibido e premiado em festivais internacionais desde o ano passado, o filme que tem 92% de aprovação no site Rotten Tomatoes atravessa o mesmo périplo de “dificuldades” que “Marighella” encontrou junto à Ancine para chegar aos cinemas brasileiros. No momento, ele segue sem previsão de lançamento comercial no próprio país. A assessoria responsável por sua divulgação informou que, ao longo de mais de um ano, os produtores trocaram dezenas de e-mails com a Ancine, que não teria dado retorno. “Questões burocráticas seguem sem retorno conclusivo da agência desde novembro de 2020”, explicou a assessoria Trigo Agência de Ideias, em nota. A coincidência que acompanha “Marighella” e “Medida Provisória” é que ambos são estrelados por atores negros, são politizados e contradizem a visão ufanista de extrema direita que o atual governo tenta implantar no país. Vale lembrar que o polêmico presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, vem pedindo boicote a “Medida Provisória”, que ele não viu, desde março do ano passado. Nos posts, ele justificou a iniciativa com uma fake news, método tradicional dos funcionários do desgoverno atual. Camargo disse que o filme que ele não viu “acusa o governo Bolsonaro de crime de racismo”. Mentira sem vergonha, claro. “Medida Provisória” é uma adaptação da tragicomédia “Namíbia, Não!”, peça de Aldri Anunciação que Lázaro Ramos já tinha dirigido no teatro em 2011 – quando a presidente era Dilma Rousseff! Além disso, o filme foi inteiramente rodado antes da eleição de Bolsonaro. O ator principal, o inglês descendente de brasileiros Alfred Enoch, viajou ao Brasil para se aclimatar ao país para as filmagens no início de 2019, meses antes das eleições à presidência da República. Na época, nem os piores pesadelos apontavam uma possível vitória do pior candidato. A trama de “Medida Provisória” se passa num Brasil do futuro em que uma iniciativa de reparação pelo passado escravocrata provoca uma reação no governo federal, que promulga uma nova lei para deportar todos os brasileiros de “melanina acentuada” para o continente africano. A reação de Sérgio Camargo ajuda a comprovar como o cenário distópico da produção reflete o país criado após a eleição de Bolsonaro. Se o filme foi feito como ficção futurista, o tempo acabou por transformá-lo numa importante advertência sobre o tempo presente. Afinal, em julho do ano passado, o Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito e pediu esclarecimentos a Sérgio Camargo sobre o fato de que ele “teria negado a existência do racismo, a importância da luta do povo negro pela sua liberdade e a importância do Movimento Negro em nosso país”. Como vocês pediram, segue o primeiro teaser do filme que tive a honra de dirigir, Medida Provisória.🎬 Ainda sem data de estreia nos cinemas, teremos uma exibição pontual dia 15/12 no @festivaldorio. Esperamos encontrá-los em breve.#MedidaProvisoria pic.twitter.com/OQ37Nn6J2W — Lázaro Ramos (@olazaroramos) December 13, 2021
Estreia de Lázaro Ramos na direção tem dificuldades para estrear no Brasil
Depois de “Marighella” enfrentar “problemas burocráticos” e demorar dois anos para ser lançado no Brasil, o filme “Medida Provisória”, primeiro longa de ficção dirigido por Lázaro Ramos, atravessa o mesmo périplo de “dificuldades” junto à Ancine para chegar aos cinemas brasileiros. Já exibido e premiado em festivais internacionais desde o ano passado, o filme que tem 92% de aprovação no site Rotten Tomatoes ganhará sua primeira exibição no país na próxima semana, em 15 de dezembro, durante o Festival do Rio. No entanto, segue sem previsão de lançamento comercial em seu próprio país. A assessoria responsável por sua divulgação informou que, ao longo de mais de um ano, os produtores trocaram dezenas de e-mails com a Ancine, que não teria dado retorno. “Questões burocráticas seguem sem retorno conclusivo da agência desde novembro de 2020”, explicou a assessoria Trigo Agência de Ideias, em nota. A coincidência que acompanha “Marighella” e “Medida Provisória” é que ambos são estrelados por atores negros, são politizados e contradizem a visão ufanista de extrema direita que mal e porcamente o atual governo tenta implantar no país. Vale lembrar que o polêmico presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, pediu boicote ao “Medida Provisória”, que ele não viu, em postagens nas redes sociais de março do ano passado. Nos posts, ele justificou a iniciativa com uma fake news, método tradicional dos funcionários do desgoverno atual. Camargo disse que o filme que ele não viu “acusa o governo Bolsonaro de crime de racismo”. Mentira deslavada, claro. “Medida Provisória” é uma adaptação da tragicomédia “Namíbia, Não!”, peça de Aldri Anunciação que Lázaro Ramos já tinha dirigido no teatro em 2011 – quando a presidente era Dilma Rousseff! Além disso, o filme foi inteiramente rodado antes da eleição de Bolsonaro. O ator principal, o inglês descendentes de brasileiros Alfred Enoch, viajou ao Brasil para se aclimatar ao país para as filmagens no início de 2019, meses antes das eleições à presidência da República. Na época, nem os piores pesadelos apontavam uma possível vitória do pior candidato. A trama de “Medida Provisória” se passa num Brasil do futuro em que uma iniciativa de reparação pelo passado escravocrata provoca uma reação no governo federal, que promulga uma nova lei para deportar todos os brasileiros de “melanina acentuada” para o continente africano. A reação de Sérgio Camargo só comprova como o cenário distópico da produção reflete o país criado após a eleição de Bolsonaro. Se o filme foi feito como ficção futurista, o tempo acabou por transformá-lo numa importante advertência sobre o tempo presente. Sinal disto é que, em julho do ano passado, o Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito e pediu esclarecimentos a Sérgio Camargo sobre o fato de que ele “teria negado a existência do racismo, a importância da luta do povo negro pela sua liberdade e a importância do Movimento Negro em nosso país”.











